[Cenário: Estação de metrô em Shinjuku, Tóquio.]

[Um garoto de cabelos e olhos castanhos vestindo uma longa jaqueta vermelha, blusas e calças azuis está encarando um garoto de pompadour loiro com mechas alaranjadas e olhos azuis usando uma longa jaqueta roxa, uma calça roxa e em seu corpo semi-nu, um sarashi.]

Garoto de jaqueta vermelha: Parece que depois de muito tempo, vamos ter o nosso grande duelo. Hmph. Por quanto tempo eu tive que lidar com isso? Um mês?

Garoto de jaqueta roxa: Não me faça rir. Estou ciente de que eu vou vencer desta vez. E sabe porque?

[O garoto de pompadour loiro dá varios socos no garoto de cabelos castanhos, que desvia dos golpes.]

Garoto de jaqueta roxa: Porque eu sou seu oponente digno, e me recuso a ter outro rival que não seja você.

Garoto de jaqueta vermelha: Quanta obsessão... Mas estou disposto a encerrá-la aqui e agora.

Garoto de jaqueta roxa: Só tenho uma coisa a dizer pra você – Boa sorte.

[Os dois garotos se enfrentam com vários socos e chutes.]

Garoto de jaqueta vermelha: Você não mudou em nada.

Garoto de jaqueta roxa: Gostaria de dizer a mesma coisa sobre você.

Narrador: Kogoro Minazuki. Bancho do Colégio Rekka. Desde o dia em que ele entrou no colégio, ele se dedicou a lutar contra todos aqueles que querem ameaçar o seu novo lar.

[Kogoro continua enfrentando o seu oponente.]

Narrador: Reiji Takahashi. Bancho do Colégio Hyouki, ele é uma pessoa séria, fria e talentosa. Sua vida mudou logo ao conhecer Kogoro, e desde então ele o vê como seu oponente digno.

[Kogoro e Reiji continuam lutando.]

Narrador: Desde o dia em que eles se conheceram, estes dois rivais estão sempre lutando entre si, mas isso não impede que eles trabalhem junto em alguns momentos. Separados, eles são fortes, mas juntos, ele fazem uma equipe perigosa. Quais aventuras os esperam em suas próximas jornadas?

[Cenário: Aeroporto Haneda, Tóquio.]

[No aeroporto, várias pessoas estão caminhando pelo local e fazendo coisas.]

[Cenário: Céu.]

[Enquanto isso, entre os céus, um avião está prestes a fazer uma aterrisagem.]

[Cenário: Aeroporto Haneda, Tóquio.]

[Logo após uma aterrisagem de avião, os vários passageiros aparecem, entre eles um jovem homem usando roupas verdes junto com uma gravata laranja. Ele tem cabelos castanhos espetados e seus olhos são pretos. O homem em questão carrega uma longa mala de cor marrom.]

Homem de cabelos castanhos espetados: (Parece que eu cheguei. Tóquio, Japão. Após vários anos trabalhando em Osaka, é tão bom poder voltar para a minha terra natal.)

[O homem de cabelos espetados continua caminhando.]

Homem de cabelos castanhos espetados: (Eu me pergunto o que aconteceu nos últimos anos.)

[Cenário: Ruas de Tóquio]

[O homem de cabelos espetados continua caminhando por toda a Tóquio. Eventualmente ele consegue chegar a um empresarial chamado “Live over Again”.]

[Cenário: Empresarial Live over Again, Tóquio.]

[O homem de cabelos espetados entra no empresarial, no qual ele acaba se encontrando com várias lojas, consultórios médicos e academias de ginástica. Eventualmente ele acaba chegando a um lugar chamado Matsunaga Advogados Associados.]

[Cenário: Matsunaga Advogados Associados.]

[O homem de cabelos espetados entra no local. Ele então acaba ouvindo uma voz feminina.]

????: Aoba-kun!

[Uma garota de cabelos e olhos castanhos usando um longo vestido verde e sandálias também verde corre para abraçá-lo.]

Garota de vestido verde: Aoba-kun, eu estava tão preocupada com você! Onde foi que você estava!?

Aoba: Oe, sai de cima de mim, Haruka!

[Aoba e Haruka se afasta.]

Haruka: Onii-chan, qual é o seu problema? Você trabalhou em Osaka faz cinco anos e tem a audácia de me jogar pra fora depois de tudo!

Aoba: Bem, acontece que...

Haruka: O que... Foi... Que aconteceu!?

Aoba: (Me esqueci que minha irmã é um bocado exigente comigo... Não é a toa, é minha irmã mais nova!)

[Aoba tenta respirar.]

Aoba: Bem, eu tive um longo dia de trabalho em Dotenbori... Não é que eu tenha que lidar com vários clientes problemáticos.

Haruka: Phew... Você realmente teve um dia muito longo. Precisa de férias.

Aoba: Nem a pau. Um advogado nunca tira férias de suas responsabilidades. Enquanto os criminosos estiverem a solta, a justiça jamais reinará!

Haruka: Agora você está falando como aqueles heróis de sentai...

Aoba: (Falou a Tokuku.)

Haruka: E então, o que acha de irmos tomar um sorvete na lojinha Ichigo-hime? Soube que os sorvetes de morango estão em promoção.

Aoba: Bem, eu...

Haruka: Vamos lá! Vamos aproveitar enquanto você está aqui!

Aoba: (Droga... Se eu recusar, ela vai me matar, mas se eu aceitar, ela vai sugar todo o dinheiro que eu fiz com o meu emprego!)

Haruka: E então, vamos!?

Aoba: Bem... Acho melhor aproveitar nossos momentos juntos. Então vamos.

Haruka: Eba! Vamos tomar sorvete! Vamos tomar sorvete! Vamos tomar sorvete!

Aoba: (Fácil demais... Agora vamos para a parte difícil...)

[Cenário: Empresarial Live over Again, Tóquio.]

[Aoba e Haruka saem do Matsunaga Advogados Associados. Ele então vai para a Ichigo-hime, que também fica no empresarial.]

[Cenário: Sorveteria Ichigo-hime]

[Aoba e Haruka chegam até a sorveteria Ichigo-hime. A dona da loja, que veste um chapéu similar a um morango e tem cabelos ruivos e olhos verdes além de usar um vestido vermelho com um avental rosado.]

Dona da loja: Bom dia! O que vocês querem.

Aoba: Bem...

Haruka: Um sorvete de morango! Sabe qual deles está em promoção?

Dona da loja: Sim. O Sweetheart está com 50% de desconto hoje.

Haruka: Tá vendo só, Onii-chan! Tá 50% de desconto, o que significa que tá baratinho!

Aoba: (Baratinho pela metade do preço.)

Dona da loja: Você quer um também senhor?

Aoba: Vou querer o simples.

Haruka: Nada disso! Vamos comer o Sweetheart juntos!

Aoba: (Agora que eu tô quebrado!)

Haruka: Dois Sweethearts pra viagem!

Dona da loja: Certo.

[A dona da loja então aperta alguns botões para preparar os dois sorvetes Sweetheart.]

Aoba: (Dois sorvetes Sweetheart. Tô morto.)

[A dona então traz os dois sorvetes Sweetheart.]

Dona da loja: Aqui está.

Haruka: Muito obrigada, Onee-chan!

[Aoba dá o dinheiro para a dona da loja.]

Dona da loja: Voltem sempre!

[Haruka e Aoba saem da loja. Eles então vão tomar o sorvete.]

Haruka: Foi muito bom a gente ter passeado um pouco. Vamos sentar?

[Haruka e Aoba se sentam na cadeira da praça enquanto tomam o sorvete.]

Haruka: É tão bom ver você aqui de novo irmãozinho... Faz um tempo que não nos vimos.

[Haruka dá uma olhada no telhado de vidro.]

Haruka: Ai ai... Faz muito tempo que você se tornou um advogado, certo? Não faço ideia quantos anos foram... Oito? Nove?

Aoba: Doze anos. Eu tinha minhas razões para me tornar um advogado de defesa.

Haruka: Sei... Você acabou sendo envolvido em um caso como um réu. Acho que foi na faculdade de artes, certo?

Aoba: Sim. Eu inicialmente queria começar a carreira de artista. Queria poder fazer telas, esculturas e negócios assim. Arte foi minha paixão desde a infância, e até você me apoiava nisso.

Haruka: Lembro muito bem do dia em que você estava gritando para o papai e a mamãe que queria ser artista. Tanto que eles te botaram num cursinho de artes para ver se tomava jeito.

Aoba: É. Mas o destino tinha outros planos... Quando eu fui acusado de assassinato, eu fui levado para o tribunal, e acabei me encontrando com uma beldade... Eu senti que um anjo veio me visitar e me salvar de todas estas malditas acusações... E no fim das contas, deu tudo certo. Eu fui declarado inocente, consegui ter a minha liberdade... Mas...

Haruka: Mas...

Aoba: O fato de que eu acabei me encontrando com minha advogada de defesa me fez pensar se meu destino mesmo foi ser um advogado e se realmente valeu a pena ter abandonado minha futura carreira como pintor... Tipo, eu até cheguei a sofrer muito na faculdade... Mas nada foi tão dolorido quanto a traição da minha ex-namorada.

Haruka: Foi ela que te incriminou com a morte de um de seus colegas, certo?

[Aoba balança a cabeça pra cima e pra baixo dizendo que sim.]

Aoba: Faz tanto tempo né? Eu até me pergunto como estão meus ex-colegas da faculdade nos últimos anos.

Haruka: Bem, vamos parar de focar no passado e continuar no presente. Aliás, você se destacou muito no mundo da advocacia. Você pode não ser famoso, mas tem sempre alguém que está recorrendo a sua ajuda. Eu me pergunto quantos casos você fez em Kansai... Você deve ter tido um dia muito longo.

Aoba: É eu tive.

Haruka: E então, quando acha que vai ser seu próximo caso?

Aoba: Isso só o futuro dirá.

[Haruka e Aoba continuam tomando seu sorvete. Eles conseguem terminar a sobremesa e deixam os copos na cadeira.]

Aoba: E então, vamos lá?

[Cenário: Matsunaga Advogados Associados.]

[Aoba e Haruka estão limpando o local.]

Aoba: (O tempo passou bem rápido desde a última vez que eu estive aqui... Queria que você estivesse aqui comigo...)

[Aoba então tem uma visão de uma mulher de longos cabelos e olhos roxos usando um longo cachecol verde e um vestido marrom.]

Aoba: (Akeno...)

[O flashback acaba. Aoba continua limpando a sala.]

Haruka: Bem, Onii-chan...

[Aoba fica assustado.]

Haruka: Eu estava pensando se podemos aproveitar a oportunidade para passearmos um pouco e darmos uma olhada em Tóquio. Bem, eu ainda sou jovem e não posso fazer mais nada sozinha.

Aoba: Mas nós já não tomamos sorvete hoje?

Haruka: Olha, enquanto você esteve resolvendo vários casos, eu passei o dia quase sem fazer nada. Só fiquem em casa preparando o almoço, saí só pra comprar comida, e em nenhum momento eu me diverti. É chato.

Aoba: Nunca assistiu TV?

Haruka: Bleh. É tudo a mesma coisa. Mesma fofoca, mesma má notícia, mesma alienação. E nem mesmo meus programas favoritos estão prestando.

Aoba: Nossa isso é triste.

Haruka: Triste e trabalhoso. Manter o apartamento firme e forte não é pra qualquer um. É um saco.

Aoba: Mas é uma grande responsabilidade.

Haruka: Isso não é divertido.

Aoba: A vida não é apenas diversão, Haruka. É trabalhar e lutar para conseguir o que quer.

Haruka: Trabalhar é chato.

Aoba: Mas é produtivo.

Haruka: Você realmente é um otimista.

Aoba: Bem, eu tô tentando ser realista.

Haruka: Ser realista é mais chato do que ser otimista.

Aoba: Muito engraçado vindo de você. Você é o tipo de pessoa que gosta de ficar sorrindo a todo e qualquer momento.

Haruka: Quando estou com você, é claro. Mas sem você...

Aoba: Haruka...

[Aoba e Haruka conseguem terminar de limpar tudo.]

Haruka: Bem, já está limpo e arrumado. E então, vamos sair?

Aoba: Ótimo, já está quase na hora de ir...

[Haruka fica com os olhos brilhando, acreditando que ela iria finalmente caminhar com o seu irmão.]

Aoba: Voltar para o apartamento e descansar.

[Haruka fica triste.]

Haruka: Mas eu não quero dormir...

Aoba: Não se preocupe... Amanhã, se tudo der certo, a gente pode ir amanhã para o parque, tudo bem?

Haruka: Pode ser...

[Cenário: Ruas de Tóquio.]

[Haruka e Aoba vão caminhando pela cidade.]

Haruka: Bem, realmente você não estava brincando quando disse que estava cansado. Dá até para sentir que estou com as pernas moles.

Aoba: Você realmente deve ter tido um dia complicado.

Haruka: Nem me fala. É a mesma coisa de novo, e de novo e de novo...

Aoba: (Como se ela soubesse que minha vida não é fácil...)

Haruka: E então, Onii-chan, por quanto tempo você vai ficar descansando?

Aoba: Umas quatro, cinco horas... Isto é se eu conseguir me recuperar.

Haruka: Legal. Noites são os meus turnos favoritos para um passeio.

[Haruka dá um sorriso.]

Aoba: (Não importa o quanto ela tenha crescido, seu sorriso nunca muda.)

[Haruka e Aoba continuam caminhando.]

[Cenário: Estação de metrô em Shinjuku, Tóquio.]

[Kogoro e Reiji estão deitados no chão tentando pegar ar. Eles tiveram um combate intenso.]

Kogoro: Tch... Não consegui me esquecer do soco que você me deu naquele momento. Você é realmente durão.

Reiji: Durão? Só alguém como você para me dar um chute daqueles. Quase quebrou a minha perna.

Kogoro: Heh. Para um cara sério, você fala demais.

Reiji: Eu diria a mesma coisa.

[Kogoro e Reiji começam a rir.]

Kogoro: Faz um tempo desde o dia em que nós conhecemos... Naquele tempo, você era um cara bem medonho.

Reiji: Eu até diria a mesma coisa sobre você. Nunca percebi que você era o tipo de pessoa que tinha um grande senso de honra.

Kogoro: Eu também pensava a mesma coisa sobre você.

Reiji: Hmph. E pensar que fomos grandes inimigos no passado.

Kogoro: É... Eu diria a mesma coisa...

Reiji: Quanto tempo se passou mesmo... Um mês?

Kogoro: É... Um mês se passou desde o dia em que nos conhecemos e tivemos nosso primeiro combate.

[Kogoro e Reiji se levantam.]

Kogoro: Bem, eu estive pensando... Que tal a gente dar um passeio pela cidade e nos divertimos?

Reiji: Nos divertir?

Kogoro: Nós nunca tivemos uma diversão antes juntos. Você sabe... Toda a vez que estamos juntos é sempre uma briga, uma rivalidade... Enfim...

Reiji: Ou seja... Tipo um encontro?

Kogoro: Heh.

Reiji: Hmph...

[Kogoro dá um sorriso.]

Reiji: Bem, eu tava pensando em dar um passeio por Tóquio.

Kogoro: Ótimo. Então vamos?

[Reiji dá um sorriso.]

[Cenário: Ruas de Tóquio.]

[Kogoro e Reiji vão dar um passeio pela cidade. Ambos primeiro vão para uma hamburgueria e vão comer dois hambúrgueres com um grande saco de batata frita. Depois disso, ambos vão dar uma olhada em vários delinquentes que querem mostrar seu potencial. Pena que eles terminam sendo chutados pelo bancho da Rekka e da Hyouki. Kogoro e Reiji continuam caminhando pela cidade.]

Kogoro: E então, onde mais podemos ir? Não me importo se a gente for para o seu local favorito.

Reiji: Que tal Kabukicho?

Kogoro: A terra do entretenimento e dos prazeres? Legal.

[Cenário: Bairro de Kabukicho, Tóquio.]

[Kogoro e Reiji caminham por Kabukicho. Eles então fazem várias coisas lá, como jogar boliche, ter uma partida de pênaltis, cantar no karaokê, comer vários potes de rámen e até vão se encontrar com algumas hostesses em alguns host clubs. Kogoro e Reiji até se mostram fanfarrões assistindo pink films. Eles então vão caminhar mais um pouco pelo bairro.]

Kogoro: Cara, eu nunca me senti tão bem na minha vida.

Reiji: Nem eu. Sinto que estou no meu auge.

Kogoro: É. Deve ser porque essa é a primeira vez que estamos passeando como amigos, não como rivais.

Reiji: Talvez seja.

[Kogoro e Reiji riem.]

Kogoro: Acho que nós já fizemos coisas demais hoje.

Reiji: Tem certeza?

Kogoro: Será?

Reiji: Kogoro... Você já chegou a andar de moto?

Kogoro: Eu não sei. Porque?

Reiji: Tava pensando se a gente pode dar uma volta de moto.

Kogoro: Moto? Hmmmm... Tipo um passeio?

Reiji: Heh.

Kogoro: Hmph.

[Kogoro e Reiji então vão dar de cara com alguns bosozokus atormentando um assalariado de cabelos e olhos pretos usando cinza.]

Kogoro: Parece que tomamos a sorte grande. Eu adoro lutar contra mal-feitores.

Reiji: Você tem gosto pra tudo.

Kogoro: Então vamos?

Reiji: Vamos.

[Os bosozokus atormentam o homem assalariado e dão risadas.]

Homem assalariado: Por favor! Não façam isso comigo! Me deixem pelo menos eu ver minha esposa!

[Os bosozokus continuam rindo.]

Homem assalariado: Parem, por favor!

Kogoro: Então vocês são do tipo que gostam de pegar no pé daqueles que são fracos?

Reiji: Pena que vamos ter que terminar este showzinho aqui e agora.

[Os bosozokus ficam com medo. Um deles saem, revelando se um homem com moicano roxo, olhos pretos e que se veste como um gângster britânico.]

Homem de moicano roxo: What the hell is going on... What!? Você é... Kogoro Minazuki!?

Kogoro: E ele não está sozinho.

[Os bosozokus ficam com medo.]

Kogoro: E então Reiji, vamos ensinar a esses otários como se trata um homem assalariado?

Reiji: Tô dentro.

Homem de moicano roxo: Oh, Sugar Honey Ice...

[Kogoro e Reiji lutam contra os bosozokus. O assalariado então corre. Logo depois da luta, os bosozokus são derrotados.]

Kogoro: Parece que tiramos o lixo.

Reiji: É... Agora temos uma pergunta.

Kogoro: E qual é?

Reiji: Cadê o assalariado?

[Kogoro e Reiji percebem que o assalariado foi embora.]

Kogoro: Vai ver ele correu da gente.

Reiji: É. Pode ser.

Kogoro: Mas enfim, vamos aproveitar uma dessas motos iradas para um passeio. E então Reiji, qual você escolhe?

Reiji: Não sei... Que tal essa?

[Reiji então aponta para uma moto azul com detalhes vermelhos.]

Kogoro: É... Essa tá ótima.

Reiji: Legal. Vamos lá.

[Kogoro e Reiji então vão andar de moto. Os dois então se divertem andando por toda a Kabukicho.]

Reiji: Kogoro, é melhor que você não ande em alta velocidade. Assim, você pode evitar o risco de atropelamento.

Kogoro: Não se preocupe. Vai dar tudo certo comigo.

Reiji: Não era pra ser a primeira vez que você anda de moto?

Kogoro: Bem... É.

Reiji: Estamos ferrados.

[Kogoro e Reiji continuam andando de moto, quando de repente eles ouvem um barulho.]

Reiji: Você ouviu isso?

Kogoro: Eu não sei.

Reiji: Vamos dar uma olhada.

Kogoro: Boa ideia.

[Kogoro e Reiji param em uma área onde contém alguns mendigos. Eles então correm para ver o que está acontecendo. Ao chegarem ao local do assistente, eles vêem um homem morto.]

Kogoro: Mas o que está acontecendo?

[Kogoro e Reiji vão tentar socorrer o homem de cabelos castanhos, blusa verde, gravata vermelha, calças azuis e botas marrons.]

Kogoro: Ei, acorda! Acorda!

Reiji: Oe, você está bem?

[Kogoro e Reiji observam uma pequena garota de cabelos e olhos castanhos com um laço rosa na cabeça e usando um vestido amarelo.]

Kogoro: Mas o que está acontecendo?

Reiji: Eu não faço a menor ideia, mas sinto que tem alguma coisa errada.

[Kogoro e Reiji sentem que alguém pegou os braços deles.]

Kogoro: Mas o quê?

????: Então são vocês os responsáveis por esta barbaridade?

Reiji: Do que vocês estão falando?

[Kogoro e Reiji se viram e descobrem que os homens que queriam falar com eles são policiais]

Policial 1: Não adianta mentir. Nós sabemos muito bem o que está acontecendo.

Policial 2: Vocês estão presos pelo crime de atropelamento!

Kogoro: Mas isso é um absurdo! Nós estávamos no outro lado da lua quando o crime aconteceu!

Reiji: É isso aí!

Policial 1: Esta foto diz o contrário.

[O policial então mostra a foto dos responsáveis que mataram o homem de blusa verde. Eles se parecem com Kogoro e Reiji, com a diferença é que eles estão usando jaquetas brancas e azuis, além de usarem uma moto vermelha com detalhes azuis.]

Kogoro: Mas isso é um absurdo!

Reiji: Nunca que iriamos dirigir esta moto!

Policial 2: Digam o que quiser, mas estes garotos são de fato vocês.

Kogoro: Isso é mentira!

Reiji: Pergunte para alguém lá fora. Eles sabem que não fomos nós que fizemos uma coisa dessas.

Policial 1: Isso vai ser decidido no tribunal... Agora venham!

[Os policiais levam Kogoro e Reiji para o carro da polícia. No processo, as jaquetas de Kogoro e Reiji caem.]

[Cenário: Carro da polícia.]

[Kogoro e Reiji entram no carro da polícia.]

Reiji: Mas o que será que está acontecendo?

Kogoro: Eu também não faço ideia! Eu tô achando que isso é uma armação.

Reiji: Pela primeira vez eu tenho que concordar.

[Cenário: Bar do Karaokê, Tóquio]

[Aoba e Haruka estão cantando uma música no karaokê.]

Haruka e Aoba: Atsui... Kokoro ga... Yobisamasu... Buriki... Daioh... Ware Wa Ari!

[A música então acaba, e o resultado final da música foi 89%.]

Haruka: 89%! Até que foi um resultado bem legal.

Aoba: É. Nunca pensei que fomos cantar uma música que mais parece música de anime de Super Robot.

Haruka: Bem, tecnicamente ela é. Imagina se ela ganhasse uma adaptação para anime! Seria muito divertido ver o Akira lutando com seu super robô contra os seus inimigos!

Aoba: É... Seria legal.

[Aoba olha para Haruka.]

Aoba: (Bem que eu gostaria de ter este robozão gigante para acabar com os meus problemas...)

Haruka: E então, vamos voltar pra casa?

Aoba: Achei que você queria poder cantar outra música.

Haruka: Bem, eu preciso descansar. Mas quem sabe amanhã a gente pode tocar de novo.

Aoba: É... Pode ser.

[Cenário: Bairro de Kabukicho, Tóquio.]

[Haruka e Aoba saem. Haruka está chupando um pirulito vermelho em formato de coração.]

Haruka: Mal posso esperar para cantar no karaokê de novo. Gostaria de poder cantar Flying in the Sky ou Heart to Heart.

Aoba: Bem, você terá tempo para cantar outra música dessas.

Haruka: É...

Aoba: Melhor a gente voltar pra casa. Precisamos descansar um pouco.

Haruka: Sim. E aí a gente pode se divertir mais.

[Aoba então recebe uma mensagem de texto em seu smartphone azul.]

Aoba: Mas o que é isso?

[Aoba lê a mensagem de texto que diz: Me encontrem no Jiraiya Goketsu.]

Aoba: Jiraiya Goketsu?

Haruka: Mas o que isso significa?

Aoba: Eu não sei. Mas parece que alguém me quer ver no Jiraiya Goketsu.

Haruka: Oba! Posso ir também?

Aoba: Bem, você é minha assistente, então eu vou ter que precisar de ajuda. Muita ajuda.

Haruka: Eba!

[Haruka e Aoba vão para o Jiraiya Goketsu. Eles então encontram um táxi.]

Taxista: São 750 ienes uma passagem.

Aoba: Queremos ir para o Jiraiya Goketsu.

Taxista: Boa escolha.

[Haruka e Aoba entram no Táxi.]

[Cenário: Dentro do Taxi.]

Taxista: Jiraiya Goketsu. Lembro que eu já fui pra lá e os lámens do Jiraiya são incríveis. Vocês sabiam que Jiraiya Goketsu é um conto japonês que fala de um herói de mesmo nome?

Aoba: Bem, eu...

Haruka: É claro! Inclusive Jiraiya é o nome de um dos meus tokusatsus favoritos.

Taxista: Sério, o meu também. Assistia ele quando criança.

Aoba: (Parece que eu recebi uma alta dose de dois tokukus conversando juntos.]

Taxista: Aliás, souberam da notícia de hoje?

Haruka: Uau! É algo sobre Tokusatsus?

Taxista: Não não. Mas parece que dois delinquentes foram pegos em flagrante logo após cometerem um assassinato.

Aoba: Pera, como é que é!?

Taxista: Sim. Os delinquentes inclusive são banchos de dois diferentes colégios. Um é Kogoro Minazuki do Colégio Rekka e outro é Reiji Takahashi do Colégio Hyouki. Parece que eles estão em uma baita encrenca, afinal eles atropelaram o pai de uma jovem menina.

Haruka: Credo, que coisa horrível.

Aoba: Isso não é bom.

Taxista: Relaxa, que aí vem a melhor parte. Um dos estudantes, aliás, tem um emprego no Jiraiya Goketsu como assistente, até porque o Jiraiya já está na idade de se aposentar. Me pergunto se o cara vai terminar tendo um futuro brilhante.

Aoba: Pelos céus...

Haruka: Você disse que o Jiraiya faz bons lámens, certo?

Taxista: É claro.

Haruka: Hmmm... Mal posso esperar pra comer.

Aoba: Você já comeu macarrão hoje, Haruka.

Haruka: Mas é o Jiraiya Goketsu.

Aoba: E não vou pagar pra te ver vomitando.

[O táxi continua levando eles para o Jiraiya Goketsu.]

[Cenário: Jiraiya Goketsu.]

[Haruka e Aoba chegam ao Jiraiya Goketsu. Eles saem do táxi.]

Haruka: Obrigada pela viagem Oji-san! Tenha uma boa noite!

Taxista: Não tem de quê. Hasta la vista!

[O taxista dirige de volta.]

Haruka: Bem, chegamos ao restaurante. O que vamos comer?

Aoba: Viemos aqui porque é um assunto urgente.

Haruka: Mas meu estômago também é um assunto urgente...

[Haruka e Aoba vão ao Jiraiya Goketsu. Eles encontram cadeiras para se sentar.]

Haruka: Bem, hora do aperitivo.

Aoba: Não vamos comer mais massa hoje.

[Um homem adulto de longos cabelos brancos vestindo um kimono verde, amarelo e vermelho chega.]

Homem de cabelos brancos: Sejam bem vindos. Venham. Vou abrir pra vocês.

Haruka: Ei e quanto ao meu pedido?

Homem de cabelos brancos: Não temos tempo pra isso. Venham.

[O homem de cabelos brancos fecha o Jiraiya Goketsu, e Haruka e Aoba vão para a porta dos fundos. O dono do restaurante abre a porta.]

Haruka: Nossa, essa casa é bem simples.

Aoba: Mas até que é bem atrativa.

Homem de cabelos brancos: É aqui onde eu moro. Sentem-se.

[Haruka e Aoba se sentam no sofá enquanto o homem de cabelos brancos se ajoelha para eles.]

Aoba: E então, qual é o problema?

Homem de cabelos brancos: Para começo de conversa, permitam-me que eu me apresente. O meu nome é Jiraiya, e sou dono deste restaurante.

Haruka: Jiraiya! Tipo O Jiraiya!? Nossa, é tão bom poder te ver pela primeira vez! Eu sou sua grande fã! Quero dizer, fã em ascensão, mas uma fã do mesmo jeito!

Jiraiya: Entendo.

Aoba: Mas a questão agora é... O que está acontecendo?

Jiraiya: Eu queria que vocês ajudassem uma pessoa muito importante pra mim, e que precisa muito de sua ajuda.

Aoba: Quem seria esta pessoa?

Jiraiya: Kogoro Minazuki.

[Aoba, ao ouvir o nome “Kogoro Minazuki”, lembra do que o taxista disse quando ele e Haruka estavam viajando.]

Taxista: Sim. Os delinquentes inclusive são banchos de dois diferentes colégios. Um é Kogoro Minazuki do Colégio Rekka e outro é Reiji Takahashi do Colégio Hyouki. Parece que eles estão em uma baita encrenca, afinal eles atropelaram o pai de uma jovem menina.

[O flashback acaba.]

Aoba: Kogoro Minazuki... Tipo o estudante da Rekka acusado de assassinato?

Jiraiya: Exatamente. Afinal eu chamei vocês aqui pra isso.

Haruka: Tem certeza de que ele é confiável?

Jiraiya: Olha, eu sou o guardião dele. Ele pode ser um delinquente, mas ele não é um inconsequente. Aliás, se ele tivesse uma razão para atropelar alguém, ele teria bons motivos por trás disso.

Aoba: (Isso não pioraria a situação?)

Haruka: Aoba, eu estou achando que o velho possa estar dizendo a verdade. Vamos tentar nos encontrar com o Kogoro para ver se ele pode ser de ajuda.

Aoba: Ainda não sabemos se isso é verdade. Preciso chegar mais a fundo.

Haruka: Quer conversar mais sobre ele?

Jiraiya: Sobre o Kogoro. Eu tenho uma grande historia com ele, afinal eu decidi tomar conta do garoto quando os pais dele e a figura fraterna deles morreram. Ele tem um grande talento na arte da luta, tanto que ele foi expulso de vários colégios por causa disso. Quando ele entrou na Rekka, as coisas eram diferentes, até porque a Rekka já era meio que um campo de batalha com todo mundo lutando para manter a ordem. Kogoro realmente foi capaz de manter a situação sob controle protegendo a Rekka de todos os colégios rivais.

Haruka: Não é a toa que ele é o bancho da Rekka.

Jiraiya: Sim. Apesar dele ser um tremendo maluvido, ele tem um bom coração. É por isso que eu acredito na inocência dele.

Aoba: Você me convenceu. Um delinquente de bom coração que faria de tudo pelo seu colégio. Parece verídico.

Haruka: Então vamos ajuda-lo?

Aoba: Escuta, não somos o tipo de pessoa que estamos dispostos a fazer de tudo pelos outros... Do termo usar de truque sujo para ajudar as pessoas. Mas estamos cientes de que você não é nenhum tipo de charlatão. Então vamos ajuda-lo.

Jiraiya: Ótimo. Vou garantir que vocês vençam o caso com um grande rodízio de lámen.

Haruka: Oba!

Aoba: Bem, melhor irmos agora para a delegacia encontrarmos com o Kogoro.

Haruka: Legal. Até mais Jiraiya. Vamos nos encontrar de novo!

[Haruka e Aoba vão sair da casa de Jiraiya.]

Jiraiya: Até.

[Cenário: Jiraiya Goketsu, fachada.]

Aoba: Bem, pela primeira vez, depois de todos estes anos, eu tenho uma missão em Tóquio. E meu objetivo é defender dois delinquentes que foram acusados de um crime que não cometeram.

Haruka: Você faz a mesma coisa até fora de sua terra natal. Defende todos os seus clientes acusados de assassinato. E é sempre assassinato, sem exceção.

Aoba: Assassinato é a pior coisa que se pode fazer quando se está vivo. Mesmo que a sua vítima seja cruel, assassinato é assassinato. E é meu dever provar que eles não são criminosos.

Haruka: E você acha que consegue fazer isso?

Aoba: É claro. Afinal não é a toa que eu sou um dos advogados mais populares do Japão.

Haruka: Se eu fosse você, engoliria o orgulho e agisse como um homem bem mais humilde.

Aoba: (Muito engraçado ouvir isso de você.)

Haruka: Bem, melhor nos prepararmos. Amanhã é o grande dia.

Aoba: É. Vamos fazer o nosso melhor.

[Aoba olha para o céu noturno.]

Aoba: (Pela primeira vez... Um caso a resolver nas ruas de Tóquio... Bem, melhor torcer para que tudo dê certo...)

[Cenário: Ruas de Tóquio.]

[No dia seguinte, Haruka e Aoba caminham pelas ruas de Tóquio.]

Haruka: Nosso primeiro trabalho em Tóquio, e sinto até que todas as pessoas estão torcendo pela gente!

[Nos jornais da cidade são vistos várias imagens de Kogoro e Reiji sendo presos. O título da manchete diz “Estudantes infames acusados de assassinato”, e o subtítulo “Delinquentes estão envolvidos em um acidente de moto”. Aoba então passa em uma banca de jornais.]

[Cenário: Banca de jornal.]

[Aoba vai comprar um dos jornais. Ele então para em um ponto de ônibus pra ler.]

[Cenário: Ponto de ônibus.]

Haruka: Onii-chan, isso não é hora para ficar lendo o jornal. Temos que ir para a delegacia.

Aoba: Bem, eu estou no ponto de ônibus.

Haruka: Oh.

Aoba: Além disso, um dos ônibus leva direto a rua onde fica a delegacia.

Haruka: Oh.

[Aoba continua lendo.]

Haruka: Aliás, de que horas sai o ônibus em que nós vamos?

Aoba: 10:30.

Haruka: 10:30? Haruka dá uma olhada em seu smartphone rosa. Mas ainda são 8 da manhã!

Aoba: A delegacia está aberta todo o dia... Exceto na madrugada, onde quase todo mundo dorme.

Haruka: Mas e quanto aos ladrões?

Aoba: Isso é assunto para outra hora.

Haruka: Aliás, o que você vai fazer a este ponto?

Aoba: O jornal explica que nossos clientes, Kogoro e Reiji, foram acusados de assassinato. Atropelamento, pra ser mais exato.

Haruka: Parece que não estavam mentindo sobre o atropelamento.

Aoba: E essa não é a pior parte.

Haruka: O quê?

Aoba: De acordo com um dos tabloides, a vítima, Kaoru Sugawara, tinha sido chantageada em troca de comida e um lugar pra morar. Ele nunca mencionou quem ou quais foram os responsáveis, mas sua vida não foi a mesma desde o dia em que eles os encontrou.

Haruka: Nossa, que coisa horrível...

Aoba: Sim... Vítimas de chantagem são os tipos de pessoas nos quais eu me simpatizo muito.

Haruka: Eu também...

[Aoba tem mais um flashback de Akeno.]

Aoba: (Akeno... Lembro muito bem do dia em que você morreu. Um dia depois de você ter me resgatado...)

[O flashback acaba.]

Haruka: Lembro que sua antiga mentora tinha sido assassinada pelo crime de supostamente não ceder a uma tentativa de chantagem.

Aoba: Akeno pagou com a sua vida... E tudo graças a mim...

Haruka: Tecnicamente isso não é verdade. Ela teria sofrido este mesmo destino sem que ela tenha te encontrado.

Aoba: Mesmo assim... Eu fui uma pessoa especial para ela, e por uma boa razão...

Haruka: Sim... Foi a Akeno-san que te ensinou sobre advocacia, certo?

Aoba: Sim. É uma historia muito complicada, mas eu lembro que Akeno me defendeu de um crime que eu não cometi, mas sinto que ela também tinha seus motivos.

Haruka: Você acha que ela precisava de alguém para continuar seu trabalho?

Aoba: Talvez... Mas sinto que era mais do que isso...

[Um flashback acontece. Em um tribunal, Akeno está defendendo Aoba. Uma das testemunhas é uma mulher de cabelos loiros com um laço cor de rosa e olhos castanhos usando um vestido branco.]

Aoba narrador: O dia em que Akeno me defendeu do crime de assassinato foi também o dia em que ela acabou descobrindo um segredo fatal sobre minha ex-namorada. Nunca pensei que eu tinha descoberto a dor de uma traição...

[O flashback acaba.]

Haruka: Talvez você podia me falar mais sobre aquele evento. Eu já estive na audiência várias vezes, mas sempre tem alguns buracos na minha memória que eu nunca entendia. O que realmente aconteceu naquele dia?

Aoba: Bem, talvez um dia eu possa te contar mais sobre o que aconteceu.

Haruka: Valeu.

Aoba: Mas fora isso, eu lembro que eu tive bons momentos com ela. Nós conversávamos juntos, lemos livros juntos e até chegamos a fazer as tarefas de casa juntos. Inclusive eu até me lembro que ela fez um suéter pra mim.

Haruka: Ah sim, ele é branco e tem um girassol no centro. Ou será que é amarelo e tem uma margarida?

Aoba: Acho que ele é branco.

Haruka: Incrível como foi sua ex-namorada que fez e mesmo assim você nunca se livrou dele.

Aoba: Deve ser porque... Apesar de todos os crimes que ela cometeu... Ela fez muitas coisas boas pra mim. No fundo ela não é tão má assim...

Haruka: Mas ela tentou envenenar alguém... Ou pelo menos foi o que eu ouvi...

Aoba: Sei disso... Antes de ter matado um ex-colega, ela chegou até a envenenar alguém. Os detalhes do evento nunca me vieram a mente, mas sei que ela tinha razões pra isso. Mas mesmo assim, ela cometeu um homicídio, e isso é imperdoável.

[Haruka fica triste.]

Aoba: Porém, eu ainda me pergunto o que foi que minha ex fez para fazer uma coisa dessas... Quero dizer... Eu me pergunto porque alguém como ela teria a coragem de poder matar meu colega e ainda tentar colocar a culpa em mim... Quero dizer.

Haruka: Bem, vamos tentar focar no futuro, agora mesmo nós temos como objetivo tentar ir para a delegacia, e vai demorar para que o ônibus chegue.

[De repente, Aoba e Haruka ouvem um barulho de buzina. Eles então encontram um homem de longos cabelos ruivos e olhos castanhos com barbicha vestindo uma blusa amarela e uma calça preta dirigindo uma moto com carretinha.]

Homem de cabelos ruivos: E aí, Aoba, tudo bem?

Haruka: Oh, é o Jun!

Aoba: Oi, como vai, Jun?

Jun: Tudo beleza. O que estão fazendo?

Aoba: Estamos esperando o ônibus para irmos até a delegacia.

Jun: Sério mesmo? Vocês sabem que o ônibus que leva até a rua da delegacia demora pra sair a essas horas.

Haruka: Sabemos disso.

Aoba: E aí, o que está fazendo?

Jun: Estou indo fazer uma entrega lá. Vou tentar trabalhar como entregador de leite em uma loja de produtos lácteos.

Haruka: Entregador de leite?

Jun: É isso aí. Se quiser eu posso levar vocês até a delegacia sem problemas.

Haruka: Beleza! Obrigada, Jun-san, você nos salvou!

Aoba: Ei, não podemos ir nesta carroça!

Jun: Não se preocupem, eu tenho tudo sob controle. Tem um pano preto para vocês dois se cobrirem.

Haruka: Boa! Vamos ser discretos!

Aoba: (Esta vai ser a pior viagem da minha vida...)

[Haruka e Aoba vão de “carona” na moto-carroça do Jun.]

Haruka: Foi muita gentileza do Jun-san ele nos levar para a delegacia. Agora podemos enfim nos encontrar com os nossos réus.

Aoba: É... De fato.

[Haruka dá um sorriso.]

Aoba: (Mal posso esperar para voltar a respirar novamente...)

[Cenário: Delegacia de Tóquio, fachada.]

[Haruka, Aoba e Jun chegam até a delegacia.]

Jun: Bem, chegamos a delegacia. Agora vocês podem sair.

[Haruka e Aoba saem da moto.]

Haruka: Obrigada pela viagem, Jun!

Jun: Tudo pelo meu amigão. Afinal eu lhe devo muito depois daquele julgamento.

Aoba: É....

Haruka: Ah sim. Este foi seu primeiro caso onde o Aoba-nii-san começou sua carreira de advogado.

Jun: Você e aquela gata estavam lá me defendendo naquele momento. Estava quase perto de perder minhas esperanças que eu ia morrer de desespero.

Aoba: É. Eu também estava com este mesmo problemas...

Jun: Aliás, onde é que tá aquela gata? Eu queria poder ter um encontro com ela mais uma vez.

Aoba: Bem, ela não está mais aqui.

Jun: O quê?

Haruka: Acontece que a moça... A Akeno, ela...

Jun: Oh, então ela deve ter viajado pelo mundo em busca de justiça!

Aoba: Na verdade, é que...

Jun: Bem, eu tenho que ir agora. Preciso ir para a loja antes que eu receba poucas e ruins do chefe.

Haruka: Está tudo bem. Adeus!

Jun: Até mais pessoal!

[Jun então segue seu caminho com a sua moto-carroça.]

Aoba: (Tomara que ele não acabe sendo despedido com a nossa viagem...)

Haruka: Bem, hora de entrarmos.

[Haruka e Aoba entram na delegacia.]

[Cenário: Delegacia de Tóquio.]

[Haruka e Aoba chegam a delegacia. Um dos policiais chega pra falar com eles.]

Policial 3: O que vocês querem?

Aoba: Sou advogado de defesa. Estou aqui para me encontrar com meus clientes.

Policial 3: Clientes?

Aoba: Kogoro Minazuki e Reiji Takahashi.

Policial 3: O quê!?

Aoba: É... Eu também não acredito nisso... Mas enfim... Sabe onde eles estão?

Policial 3: Sim. Vou levar vocês para a cela onde eles estão.

Aoba: Obrigado.

[O policial leva Aoba e Haruka para a cela de detenção.]

[Cenario: Delegacia de Tóquio, cela de detenção.]

[Aoba e Haruka chegam até a cela de detenção.]

Haruka: Nunca pensei que a gente irá defender o lendário delinquente da Rekka, Kogoro Minazuki!

Aoba: É. Ele parece ser famoso.

[Haruka dá um sorriso.]

Aoba: (Famoso dentro de sua bolha...)

[Haruka e Aoba encontram um dos policiais.]

Aoba: Com licença... Você sabe onde está Kogoro Minazuki e Reiji Takahashi?

Policial 4: O que você quer com eles?

Aoba: Eu sou o advogado deles.

Policial 4: Advogado? Não me faça rir.

Haruka: Ei! Tenha respeito! Saiba que este é Aoba Matsunaga, o Rei das Reviravoltas!

Policial 4: Tá brincando!?

Aoba: Aoba Matsunaga, ao seu dispor.

Policial 4: Não me diga... Você é o maldito...

Haruka: Ele viajou por todo o Japão defendendo várias pessoas de bom coração. Ele sabe que seus clientes são inocentes!

Aoba: É... É complicado.

Policial 4: Rei das Reviravoltas... Tch... E pensar que isso é uma piada.

[O policial então sai.]

Haruka: Você acha que ele pode nos ajudar?

Aoba: A questão é... Ele vai?

[Kogoro e Reiji finalmente aparecem.]

Kogoro: Quem são vocês?

Haruka: Seus anjos guardiões, Kogoro Minazuki!

[Haruka joga um beijo em Kogoro.]

Kogoro: Como vocês sabem o meu nome?

Aoba: A questão é que seu guardião nos mandou aqui para defende-lo. Ele falou que vocês não cometeram o crime.

Reiji: Esperem... Vocês vão nos ajudar?

Haruka: É claro! É dever de advogado defender nossos clientes!

Aoba: É o que ela disse.

Kogoro: Pelo visto Jiraiya estava desesperado em nos ajudar.

Reiji: Considerando que ele chegou a contratar um advogado... E o melhor de todos, ele realmente não estava brincando.

Kogoro: Não?

Reiji: Aoba Matsunaga... Embora não pareça, ele é um advogado muito respeitado.

Kogoro: Respeitado? Ele sabe lutar?

Reiji: A questão é que ele viajou pelo Japão resolvendo problemas envolvendo vários crimes.

Kogoro: Tipo um detetive?

Aoba: Eu também encontro pistas, mas não é exatamente o meu ramo. Sou mais para tentar procurar evidências de sua inocência.

Haruka: É isso aí.

Aoba: Kogoro-san, diga-me o que aconteceu para você chegar aqui?

Kogoro: Bem, isso aconteceu umas horas atrás...

[Kogoro se lembra do momento em que ele e Reiji estiveram andando de moto por Kabukicho.]

Kogoro: Nós estávamos andando de moto em Kabukicho e nos divertindo. No entanto, nós ouvimos um barulho.

[Kogoro e Reiji então vão dar uma olhada no homem que foi atropelado.]

Reiji: Fomos tentar descobrir o que foi que aconteceu, e ao vermos aquele homem atropelado estávamos horrorizados.

[Aí Kogoro e Reiji são apreendidos por policiais.]

Kogoro: Mas antes que possamos fazer algo a respeito, os policiais nos pegaram, e nos acusaram de atropelamento.

[Kogoro e Reiji são forçadamente levados pelos policiais até o carro da polícia.]

Reiji: Tentamos falar tudo o que sabemos, mas de nada adiantou.

[O flashback acaba.]

Aoba: Deixe eu ver se eu entendi... Vocês não causaram o atropelamento?

Kogoro: Sim e não. Fomos andar de moto, mas não atropelamos a vítima. Ela esteve assim quando nós chegamos.

Aoba: Tem certeza?

Reiji: Eu gostaria que vocês possam acreditar na gente.

Kogoro: Nunca pensei que a gente iria lidar com algo deste jeito...

Haruka: Bem... Vocês são delinquentes. Algo deste tipo irá acontecer a qualquer momento.

Aoba: Haruka... Você não está ajudando.

[Kogoro e Reiji ficam calados.]

Aoba: Vocês sabem de mais alguma coisa?

Reiji: A moto que nós usamos é vermelha com detalhes azuis.

Kogoro: Roubamos de um bosozoku muito mal intencionado.

Aoba: O quê!?

Reiji: Kogoro, você não está ajudando.

Kogoro: Mas eles estavam importunando um homem assalariado. Onde você acha que vamos conseguir achar uma outra moto?

Haruka: Então vocês lutaram contra bosozokus! Que incrível!

Aoba: (Isso não vai acabar bem...)

Reiji: Bem, a questão é que não fomos nós que cometemos o crime e mesmo se fosse a gente, isso pode ser ou uma armação ou uma bela de uma armação. Das duas uma.

Kogoro: Mas não são a mesma coisa?

Reiji: Acorde para a realidade!

Aoba: (Agora que eu tô ferrado.)

Haruka: Eu não sei como vocês fizeram isso mas vocês realmente são o tipo de pessoas que podem ser consideradas duronas.

Kogoro: Claro né fofa? Somos durões até os dentes!

Reiji: Agora ferrou.

Aoba: (Eu tô ferrado ainda mais....)

Haruka: Aliás, fora os negócios envolvendo o incidente, sabe de mais alguns detalhes?

Kogoro: Agora que eu me lembrei, quando estávamos andando de moto, eu estava usando uma jaqueta vermelha enquanto Reiji estava usando uma roxa. Quando os policiais mostraram uma foto a eles, as cores das jaquetas não eram as mesmas que nós estávamos usandos.

Reiji: Para não falar que as cores da moto estavam ao contrário.

Aoba: Então estão dizendo que alguém armou pra vocês?

Kogoro: Se a carapuça serve...

Haruka: Em ambos os casos, vamos fazer de tudo para tentar salvá-los. Pode confiar na gente.

Reiji: Se é o que vocês estão dizendo...

Aoba: O que vocês falam é o suficiente para que nós possamos ajuda-los.

Kogoro: É.

Policial 4: O tempo acabou! Voltem para as suas celas!

Reiji: Bem, nós temos que ir.

Kogoro: Agora vamos ver se vocês vão conseguir salvar a gente.

Haruka: Se cuidem!

[Reiji e Kogoro saem.]

Aoba: Então estes são os nossos clientes. Isso não vai ser fácil.

Haruka: Mas pelo menos eles parecem ser legais.

Aoba: Você acha que podemos confiar nas palavras deles?

Haruka: Eles podem até servir como um guia. Agora vamos nos preparar para o evento.

[Cenário: Bairro de Kabukicho, Tóquio.]

[Haruka e Aoba voltam para Kabukicho para dar uma olhada no local. Eles vão falar com várias pessoas na cidade para descobrirem mais sobre o evento. Os dois também vão dar uma olhada no local onde o assassinato aconteceu.]

Haruka: Então este foi o local onde o evento aconteceu.

Aoba: Mas o quê?

[Aoba dá uma olhada na moto em que a cena do crime foi usada.]

Aoba: (A cor da moto... É diferente da que eles descreveram!)

Haruka: Então eles disseram toda a verdade...

Aoba: Bem, isso já é um bom começo.

Haruka: Mas porque alguém viria a cometer um crime de atropelamento para culpar dois delinquentes?

Aoba: Não faço ideia... Mas a questão é... Será que foram eles que chantagearam Sugawara-san?

Haruka: Nem pensar! Nunca que eles fariam uma coisa dessas! Tipo, eu sei que eles são delinquentes, mas chantagear um homem? Isso... Isso é desonroso! Não eram para eles cuidar de um colégio ou algo assim?

Aoba: É... Também pensei nisso...

Haruka: E então, podemos falar com eles sobre isso?

Aoba: Infelizmente não. A essa altura do campeonato eles estão conversando com o promotor, e eles devem ter drenado informação suficiente deles.

Haruka: E o que vamos fazer sobre isso?

[Cenário: Em uma sala misteriosa.]

[Kogoro está em uma sala falando com alguém. Tudo o que ele sabe é que ele está usando um traje marrom com uma blusa branca e uma gravata vermelha.]

Kogoro: Olha eu não sei de nada sobre a vítima em questão, mas a primeira vez que nós nos encontramos foi justamente no dia em que ele foi atropelado.

Homem misterioso: A vítima... Kaoru Sugawara, ele diz ter uma vida difícil, com várias chantagens e afins. Ele até chegou a ser ameaçado de morte apenas pelo fato dele não ter pago suas dívidas.

Kogoro: Eu também não faço ideia de que ele tinha estes problemas.

Homem misterioso: Admita... Você cometeu o crime apenas porque queria se livrar dele de uma vez por todas. Temos provas o suficiente que conectam você a cena do crime.

Kogoro: Mas isso só pode ser brincadeira! Como eu disse antes, eu nunca conheci este homem na vida. E olha que eu tinha conhecido várias pessoas de nome Kaoru e de sobrenome Sugawara na minha vida! Até conheci um homem com um nome parecido, mas não tem como eles serem a mesma pessoa!

Homem misterioso: Quer apostar?

[Nesta mesma sala, o tal homem tem uma conversa com o Reiji.]

Reiji: Está me dizendo que a vítima é...

Homem misterioso: Exatamente... O atropelamento pode ser interpretado como um ultimato para a sua recusa em continuar ajudando os seus... “Fiéis” camaradas. O fato de que você é um bancho deixa bem claro suas conexões com o submundo do crime.

Reiji: Hmph. Você fala demais para um cara que se diz promotor.

Homem misterioso: E você não está errado em relação a isso.

Reiji: Ainda confio na minha inocência. Eu nunca teria a covardia de atropelar um homem desarmado.

Homem misterioso: Isso é o que nós veremos...

[Cenário: Uma casa qualquer.]

[Em uma casa qualquer, Aoba e Haruka estão se arrumando para começar a se preparar para o seu primeiro julgamento. ]

Narrador: As cartas estão sendo jogadas. Em seu primeiro julgamento depois de muito tempo, Aoba e sua irmã Haruka terão a oportunidade de defender Kogoro e Reiji e provar a inocência deles. Porém, há uma chance de que o caso pode não terminar com um final feliz. Mal sabem eles, no entanto, que há uma grande armadilha por trás de tudo isso.

[Cenário: Ruas de Tóquio]

[Haruka e Aoba estão caminhando.]

Aoba: (Finalmente, o dia do julgamento. Melhor terminar isso de uma vez por todas... Kogoro, Reiji... Me esperem... Irei salvá-los.)

[Haruka e Aoba caminham por toda a cidade em busca do tribunal.]

[Cenário: Tribunal de Tóquio, fachada.]

[Haruka e Aoba chegam a fachada do tribunal. Aoba dá uma olhada nele.]

Aoba: (É a primeira vez... Depois de tanto tempo... Que eu entro neste tribunal. Bem, Aoba, vamos começar a nossa batalha. Nós temos dois delinquentes para salvar. Eu posso não ter todas as informações suficientes para provar a inocência, mas posso tentar contar com a sorte.)

Haruka: Aoba-nii-san!

Aoba: O quê?

Haruka: Boa sorte! Não falhe neste caso!

Aoba: Bem, eu não falharei! Vamos fazer este trabalho juntos!

[Haruka dá um sorriso. Então ela e Aoba entram no tribunal. Sem que eles saibam, no entanto, um homem suspeito usando um terno preto, blusa branca e uma gravata vermelha está os espionando. Ele usa um chapéu preto que esconde o seu rosto.]

[Cenário: Tribunal de Tóquio, sala de espera.]

[Haruka e Aoba chegam ao tribunal.]

Aoba: Bem, nós chegamos.

Haruka: É tão bom ver este tribunal de novo! Me lembra dos velhos tempos!

Aoba: Ele não mudou em nada.

Haruka: Bem, vamos ver se nossos clientes estão aqui.

[Haruka e Aoba encontram Kogoro e Reiji.]

Kogoro: Ué, são vocês. O que estão fazendo aqui?

Haruka: Ué, mas meu irmão é um advogado.

Reiji: Ele veio aqui para nos defender.

Kogoro: Oh.

Aoba: Bem, estou ciente de que vocês não são culpados pelo crime.

Kogoro: Ainda bem que você sabe.

Aoba: A questão, no entanto, é como a gente pode sair dessa. Tipo, não temos evidências o suficiente.

Haruka: Ora, tudo o que podemos fazer é esperar que nosso promotor jogue as evidências contra a gente e use elas a nosso favor. Como você sempre faz.

Aoba: Bem, não é que desta vez eu tenha sorte com isso...

Reiji: Aoba... Aoba Matsunaga, certo?

Haruka: O primeiro e único.

Reiji: Tomara que você saiba o que está fazendo.

Kogoro: Eu não quero passar 25 anos apodrecendo na cadeia. Tenho medo de tomar banho lá.

Aoba: Não se preocupe... Vocês vão ficar bem.

Haruka: É. O Aoba não vai falhar com vocês.

Aoba: (Parece até que você está colocando muita pressão em mim...)

Kogoro: E então, algum detalhe?

[Aoba explica todos os detalhes para Kogoro e Reiji.]

Reiji: Isso explica muita coisa. Não o suficiente, mas é um bom começo.

Kogoro: Você acha que vamos conseguir sair daqui o mais cedo possível?

Aoba: Bem, eu vou tentar.

Haruka: É claro que ele vai. Afinal, ele é o invencível Aoba Matsunaga!

Aoba: (Invencível não é a palavra exata para se referir a alguém como eu...)

Kogoro: Ótimo. Estou contando com você para salvar a gente!

Aoba: Oe... Fica calmo aí.

Reiji: É... Seu temperamento não vai cair bem com o juiz.

Kogoro: Que seja...

Haruka: Onii-chan vai salvar o Kogoro e o Reiji.

Aoba: Hahahaha...

Policial 5: Ei vocês, o julgamento vai começar daqui a pouco.

Aoba: Esqueci! O julgamento é daqui a pouco e não estou preparado!

Reiji: Bem, já lidamos com coisas piores.

Kogoro: Mas essa é a primeira vez que estamos em um julgamento!

Aoba: E essa é a primeira vez, depois de muito tempo que estou em um julgamento em Tóquio... O que eu posso fazer?

Haruka: O que você faz de melhor. Mostre ao promotor e ao verdadeiro responsável do que você é feito! Faça o que você sempre faz! Você é Aoba Matsunaga, o Terror das Reviravoltas!

Aoba: (Lá vamos nós de novo.)

Kogoro: Reiji-san...

Reiji: Que é?

Kogoro: Você acha que eles vão nos salvar?

Reiji: Haruka está pressionando ele a níveis imagináveis. Se ela estiver dizendo a verdade, ele talvez possa achar um meio de vencer o caso.

Haruka: Bem, agora é hora de irmos! Sua liberdade nos espera!

[Aoba, Haruka, Reiji e Kogoro vão para o tribunal.]

Aoba: (Depois de muito tempo... Finalmente eu estou em um julgamento em Tóquio. Meus clientes são Kogoro e Reiji, acusados do crime de atropelamento. Eu não tenho muitas evidências a esse ponto, mas estou disposto a ajudar os meus companheiros. Então vamos nessa. Vamos terminar isso de uma vez.)

[Cenário: Tribunal de Tóquio, sala 2.]

[Todas as pessoas na galeria estão discutindo todo o assunto. O juiz, que é um homem de longos cabelos cinzentos e um bigode bem longo bate o martelo.]

Juiz: A corte está em sessão para o julgamento de Kogoro Minazuki e Reiji Takahashi.

Aoba: A defesa está pronta, meritíssimo.

[Um homem de cabelos e olhos pretos usando óculos de grau usando um traje marrom com uma blusa branca e uma gravata vermelha aparece.]

Homem usando óculos de grau: A promotoria também, meritíssimo.

Aoba: (Era só o que faltava, o exibicionista do Watanabe... Aposto que ele veio aqui para tirar uma com a minha cara... E perder feio pela quinquagésima vez.)

Watanabe: Aoba Matsunaga, meu querido rival... Saiba que desta vez eu tenho a vitória garantida em minhas mãos.

Aoba: (É a quinquagésima-primeira vez que eu escuto esta ladainha...)

Watanabe: E então, tem alguma coisa a dizer sobre isso?

Aoba: Bem, nada de especial a esse ponto.

Watanabe: Ótimo. Vamos começar. Meritíssimo?

Juiz: Então vamos começar o nosso julgamento. Watanabe, começe sua declaração.

Watanabe: Com muito prazer meritíssimo. Os réus Kogoro Minazuki e Reiji Takahashi foram acusados pelo crime de atropelamento que aconteceu em Kabukicho.

[Watanabe pega um documento e a foto de um homem de cabelos e olhos castanhos é mostrado nos monitores.]

Watanabe: A vítima é Kaoru Sugawara, de 37 anos. Ele trabalhava como um guarda de segurança em um banco.

Juiz: Oh, um guarda de segurança... Continue.

Watanabe: Ele trabalha no Banco Metropolitano desde os 27 anos, tentando viver uma vida justa. No entanto, desde o dia em que ele tinha sido assassinado, descobrimos que ele carregava vários segredos letais.

Juiz: Pelos céus...

Watanabe: Acontece que ele foi chantageado para fazer o trabalho sujo em uma tentativa de ajudar a filha Miyo. Ele nunca mencionou o nome das pessoas, no entanto ele recebeu uma grande quantidade de dinheiro para manter segredo.

Juiz: Oh... Então ele não era um santo.

Watanabe: Porém tinha uma razão por trás disso... Kaoru não era capaz de sustentar a família, e ele acabou se divorciando de sua esposa. Por causa disso, ele tinha que recorrer a meios controversos para ajudar a sua filha sozinho.

Juiz: Em outras palavras, ele aceitou as chantagens sem denunciar para a polícia.

Watanabe: Sim... E ele pagou o preço pelo seu crime.

Juiz: Pobre homem. Ele tinha tudo para ser uma pessoa boa da sociedade. Considerando o que passou com ele, não posso ajudar se não lamentar.

Watanabe: É... Uma tristeza. Ele podia ter continuado com as chantagens se não fossem pelo fato dele ter sido morto recentemente por dois delinquentes.

Juiz: É claro... Mas porque eles fariam uma coisa dessas?

Watanabe: A palavra chave é... Trabalho sujo. Minha dedução é que Kogoro e Reiji, por serem delinquentes, foram usados como arma para matar Kaoru. Com isso, eles atropelaram o assalariado sem dó nem piedade. A evidência está aqui.

[Watanabe mostra a foto de Kogoro e Reiji em uma moto azul com detalhes vermelhos. Os membros da corte ficam surpresos. Kogoro aponta o dedo indicador para o monitor, no qual também mostra a foto.]

Kogoro: Oe, mas esta não é a moto no qual dirigimos!

[O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem no tribunal. Kogoro Minazuki, fique calado e espere sua vez.

[Kogoro fica furioso.]

Reiji: Melhor você manter a calma. Não podemos nos denunciar.

Kogoro: Mas não fomos nós que matamos ele. Isso só pode ser uma piada de mau gosto.

Juiz: Hmmm, pelo visto isso parece ser uma prova definitiva. Parece que o veredito já está decidido.

[Quando tudo parecia perdido, Aoba aponta o dedo indicador.]

Aoba: Eu protesto!

[Todos ficam surpresos.]

Haruka: Aoba!

Watanabe: Essa não.

[Aoba aponta para o juiz.]

Juiz: E então, o que você queria dizer com isso?

Aoba: Bem... A questão é que... Kogoro e Reiji podem não ter sido os verdadeiros responsáveis!

[Todos da audiência ficam surpresos. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem no tribunal! Aoba, me de uma explicação simples e sucinta para você se opor ao que a promotoria disse.

Aoba: Simples. Tudo é balela. Os réus não fizeram isso. Eles nunca teriam coragem de matar alguém.

Haruka: É isso aí Aoba! Vai lá e detone com ele!

Aoba: (Isso. Você vai conseguir. Você vai salvar estes dois!)

Watanabe: Eu protesto! Como podemos acreditar se eles estão dizendo a verdade?

Aoba: Porque você não tenta pegar alguma informação da boca deles? Afinal, você é o promotor, não é?

[Watanabe fica enfurecido.]

Watanabe: Bem, vamos começar o interrogatório... A promotoria chama os réus para depor.

Juiz: Então vocês assumem que são os responsáveis pela morte do Sugawara-san, certo?

Kogoro: Coisa nenhuma! Não fomos os responsáveis pela morte do cara! Nem chegamos a conhecer ele! E essa história de chantagem é uma balela!

Watanabe: Então vocês estão dizendo que não o atropelaram?

Kogoro: Que é isso!? Se eu quisesse atropelar alguém, eu atropelaria um cara sem escrúpulos!

[Todos na audiência ficam surpresos.]

Aoba: (Onde foi que eu fui me meter nessa?)

Watanabe: Tá vendo, Meritíssimo? O réu contou a verdade! Ele confessou que ele iria atropelar um cara sem escrúpulos! E Kaoru se encaixa perfeitamente na descrição!

Kogoro: Oe! Mas não este cara! Ele tinha suas razões para ter sido chantageado! Ainda que não sejam as das melhores!

Watanabe: Fale demais e a única coisa que você verá a partir de hoje é o sol nascer quadrado!

[O Juiz bate o martelo.]

Juiz: Kogoro, diga o que você esteve fazendo durante o assassinato. Isto é, se você admite que não é o culpado pelo evento.

Kogoro: Certo Meritíssimo.

Juiz: Jura falar a verdade, nada mais que a verdade e somente a verdade?

Kogoro: Dê minha palavra como bancho da Rekka.

Aoba: E lá vamos nós...

[Aoba e Watanabe se encaram.]

Kogoro: Eu e Reiji estávamos passeando de moto por toda a Kabukicho. Nós estávamos nos divertindo muito. Mas de repente, nós ouvimos um barulho estranho, e ao chegarmos lá, vimos a vítima já machucada. E quando fomos dar uma olhada nele, a polícia já chegou para nos prender.

Juiz: Então vocês estiveram em Kabukicho? Vocês sabem que é um lugar perigoso para crianças, especialmente durante a noite.

Kogoro: E nós não importamos.

Reiji: Para falar a verdade, já temos mais de 18 anos.

Watanabe: Mesmo assim vocês são estudantes.

Juiz: Mas fora isso, fizeram algo de muito especial?

Kogoro: Nos divertimos e muito! Você sabe, coisa de delinquente.

Aoba: (Isso já está suspeito...)

Juiz: Com esse testemunho, podem começar o interrogatório.

Aoba: (É isso aí. Hora de mostrar do que sou feito.)

[Aoba e Watanabe se encaram novamente.]

Aoba: Vocês estava passeando de moto por toda a Kabukicho, certo?

Kogoro: Sim, e na maior velocidade.

Aoba: (Maldição...)

Watanabe: Como era de se esperar.

Kogoro: Mas estávamos cientes de que tinha gente caminhando pela estrada, e por isso tivemos que tomar cuidado.

Watanabe: Infelizmente a mesma coisa não pode ser dita do Sugawara-san.

Kogoro: Como eu disse, nós não o matamos!

Reiji: É. Não fomos para aquela estrada de moto, mas a pé.

Aoba: Então vocês clamam que foram a pé visitar a testemunha?

Kogoro: Sim.

Watanabe: Meritíssimo! Estes delinquentes estão mentindo para a corte!

Kogoro: Isso não é mentira!

[O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem no tribunal. Kogoro, continue. O que você ia dizer mesmo?

Kogoro: Como eu ia dizendo, nós nos divertimos muito.

Aoba: Um momento... Que tipo de diversão vocês estavam fazendo?

Kogoro: Não é óbvio? Um rolê.

Juiz: Rolê?

Watanabe: Termos que os jovens usam para passeios designados para evocar diversão.

Aoba: Então vocês estavam passeando?

Kogoro: Sim, e a toda ve...

Reiji: Bem, podemos ir para a parte em que descobrimos uma coisa especial?

Watanabe: A promotoria não tem nada a contestar.

Juiz: A corte também não.

Aoba: Quando vocês ouviram o barulho, vocês estavam em qual rua?

Kogoro: Difícil dizer, mas julgando pela frequência do som, é bem longe da cena do crime.

Aoba: (É isso...)

Reiji: Estacionamos a moto no mesmo lugar onde nós paramos para irmos em busca da origem do barulho.

Juiz: Hmmm.... Onde vocês estacionaram sua moto?

Kogoro: Eita... Nem lembramos.

Watanabe: Kkkkkkk. Fortes em músculo, fracos em cérebro.

Juiz: Watanabe, tenha modos.

Watanabe: Peço mil desculpas, Meritíssimo.

Aoba: E o que vocês fizeram a seguir?

Kogoro: Como eu disse antes, fomos dar uma olhada na vítima, mas os policiais nos pegaram e imediatamente nos acusaram de serem os criminosos.

Aoba: Então a polícia viu vocês antes que vocês façam algo, certo?

Kogoro: Exatamente. Não que nós teríamos alguma chance.

Reiji: Mas ainda assim, tivemos que fazer algo.

Aoba: Entendo...

Juiz: Senhores, se vocês conseguiram achar alguma inconsistência no depoimento deles, me falem.

Watanabe: E eu já achei uma perfeitamente.

Juiz: Ótimo, me fale.

Watanabe: Vamos nos lembrar do que os réus disseram. Eles estacionaram em uma estrada longe do local do crime. Mas infelizmente eu tenho algo que prova brilhantemente que eles estão mentindo desde o início. Voilá!

[Watanabe mostra uma foto onde Kogoro e Reiji estão andando de moto, mas com a notável diferença que Kogoro e Reiji estão usando jaqueta branca e azul respectivamente, além do fato de que eles estão dirigindo uma moto vermelha com detalhes azuis.]

Watanabe: Os dois estavam na cena do crime andando de moto, justamente na mesma estrada em que Sugawara fora atropelado.

[A foto também é mostrada nos monitores.]

Aoba: Mas isso é!

Haruka: Então foram de fato eles...

Kogoro: Isso é um grande absurdo! Não fomos os responsáveis pelo atropelamento daquele homem! Além disso, a jaqueta que eu uso é vermelha!

[Todos na audiência ficam discutindo. O Juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem! Ordem no tribunal! Kogoro, se comporte, ou as consequências serão piores!

Kogoro: Mas é verdade! Nunca que eu usaria uma jaqueta branca! Isso é coisa de médico!

Haruka: O quê?

Aoba: (Você não vai conseguir pontos com o juiz insultando os médicos.)

Kogoro: Além disso, a cor da moto está completamente errada! Esta moto é vermelha, e a que usamos é azul!

Watanabe: Meritíssimo, tire estes dois daqui e mandem eles para a cadeia!

Reiji: (Droga, eles vão acabar com a gente...)

[Todos na audiência ficam discutindo. O juiz bate o martelo mais uma vez.]

Juiz: Ordem! Ordem no tribunal! Kogoro Minazuki, você sabe o que acontece se você for declarado culpado, não sabe?

Kogoro: Fácil. Eu vou para a prisão.

Aoba: (Francamente, você não está ajudando...)

Reiji: Meritíssimo, deixe-me explicar... Kogoro e eu não assassinamos o Kaoru. Se isso realmente tivesse acontecido, ele estaria em uma outra rua. Além disso, só lutamos contra delinquentes, mafiosos e bosozokus. Pessoas normais são um grande não-não para a gente.

Juiz: Sei. Então você clama inocência.

Reiji: Sim. Essa é a verdade.

Watanabe: Hmph. Você é tão mentiroso quanto aquele pirralho de cabelos castanhos.

Reiji: E você não me parece ser uma pessoa confiável.

Aoba: (Tenho que fazer alguma coisa... Mas como?)

[Aoba se lembra do que Kogoro e Reiji disseram na cela de detenção.]

Kogoro: Agora que eu me lembrei, quando estávamos andando de moto, eu estava usando uma jaqueta vermelha enquanto Reiji estava usando uma roxa. Quando os policiais mostraram uma foto a eles, as cores das jaquetas não eram as mesmas que nós estávamos usando.

Reiji: Para não falar que as cores da moto estavam ao contrário.

[O flashback acaba.]

Aoba: É isso!

[Aoba aponta o dedo indicador para Watanabe.]

Aoba: Protesto!

[Watanabe fica surpreso.]

Aoba: Kogoro... Você disse que estava andando em uma moto vermelha e suas jaquetas eram de cores vermelhas e roxas, certo?

Kogoro: É isso que eu estou dizendo! Não acredita em mim?

Aoba: Eu acredito. E é por isso que eu tenho isso como minha evidência!

Watanabe: Como as simples palavras de dois delinquentes podem ser sua evidência?

Aoba: Observem a foto no monitor. Nele vocês podem ver Kogoro e Reiji usando jaquetas de cores diferentes. A moto também é diferente, como vocês podem ver aqui.

[Todos da galeria ficam surpresos e começam a discutir. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Então você diz que Kogoro e Reiji não mataram a vítima, certo?

Aoba: Sim. Agora vamos lembrar do que eles disseram de novo. Mas de repente, nós ouvimos um barulho estranho, e ao chegarmos lá, vimos a vítima já machucada. Isso quer dizer que o barulho que eles ouviram veio da moto azul que atropelou a vítima!

Watanabe: O quê!?

Haruka: É isso aí, Aoba! Você vai conseguir! Eu sei que vai!

Aoba: (Isso... Já estou perto de terminar... Kogoro... Reiji... Irei provar a inocência de vocês... Esperem só...)

[Aoba então ouve uma risada, que veio de Watanabe.]

Watanabe: Hahahahaha... Hahahahaha.... Hahahahahahahahaha!

Juiz: Watanabe?

Haruka: Porque ele está rindo?

Aoba: Droga, isso não é nada bom...

[Aoba começa a se sentir mal.]

Aoba: (Quando ele começa a rir, significa que ainda não acabou... O que será que ele está tramando?)

Juiz: Algum problema, promotor Watanabe? Se quiser você pode me contar.

Watanabe: Nada não. Eu acabei de me lembrar de uma piada que alguém me contou hoje.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

[Watanabe então aponta o dedo indicador para Aoba.]

Watanabe: E este é o comediante!

Aoba: O quê?

Watanabe: Admita... Você disse que duas motos foram utilizadas neste caso e que a minha foto é uma montagem, certo?

Aoba: Bem, acontece que é...

Watanabe: Hahahahaha... Você tem alguma prova em relação a isso?

Aoba: (Droga... O que vou fazer? Estou quase sem munição.)

Haruka: Você consegue, Aoba! Não deixe que Watanabe te vença!

Aoba: Tem razão... Eu não posso perder este caso. Preciso ajudar os meus amigos!

Haruka: Vai lá! Você pode fazer isso, não pode?

Watanabe: Já que você não tem nada a dizer... Eu quero chamar uma testemunha muito importante.

Juiz: Oh, então você tem uma testemunha, certo?

Watanabe: E sim, ela terá uma grande relevância neste caso, afinal foi ela que viu todo o crime.

Aoba: (Uma testemunha de verdade? Parece que as coisas vão dificultar ainda mais.)

Watanabe: O promotor chama a testemunha.

[Uma pequena garota de cabelos e olhos castanhos usando um vestido verde e um chapéu com uma margarida aparece.]

Watanabe: Normalmente eu exijo nomes e profissões, mas como você é uma criança, eu só vou precisar do seu nome.

Garota de cabelos e olhos castanhos: Miku... Miku Sugawara. Eu estou aqui como testemunha... A vítima que morreu é o meu pai!

[Todos na audiência ficam felizes ao vê-la.]

Membro da audiência 1: Oh, que gracinha!

Membro da audiência 2: Dá vontade de abraçá-la!

Membro da audiência 3: Sinto até dó dela... Perder o pai quando criança...

Aoba: Tá todo mundo vitimizando ela agora!?

Haruka: Ela é a filha da vítima, o que você esperava?

Aoba: Bem, nada de mais...

Kogoro: Reiji, esta não é garota que estava lá naquela rua?

Reiji: Sim, ela é. Precisamos tomar cuidado.

Kogoro: Eu não me sinto bem com ela... O que será que ela vai dizer contra a gente?

Reiji: Temos que nos preparar para o pior...

Watanabe: Miku, certo? Bem, você disse que estava com o seu pai quando o crime aconteceu, é verdade?

Miku: Sim... Eu estava com o meu pai até o dia da sua morte. Quando eu vi os acontecimentos, fiquei triste, especialmente considerando que eu não vou poder mais minha mãe.

Watanabe: Não se preocupe, quando este julgamento acabar, vamos garantir que encontraremos sua mãe de volta e vocês duas serão uma família feliz.

[Miku fica de cabeça baixa.]

Juiz: Bem, se ninguém tem nada a declarar, por favor, diga-me o seu testemunho.

Miku: Sim, Meritissimo.

[Aoba e Watanabe se encaram.]

Miku: Eu e meu pai estávamos em uma jornada de negócios em Kabukicho. Quando ele terminou de conversar com uns homens lá, fomos pra casa. Mas antes que possamos voltar, eu me encontrei com uma moto. Meu pai conseguiu me salvar, mas ele acabou morrendo. Quando encontrei os criminosos, chamei a polícia em desespero.

Juiz: Eu sinto muita pena de você. Perder seu pai em uma tenra idade... Mas pelo menos o sobrenome da família ainda vive em você.

Miku: Obrigada... Vocês não sabem como é ter que lidar com o fato de ter um pai morto...

[Aoba e Watanabe se encaram.]

Watanabe: Bem bem, com todos os negócios resolvidos, vamos começar o nosso interrogatório.

Aoba: (Vejo muito mais problemas do que buracos... Mas infelizmente eu não tenho munição o suficiente. Sinto muito, mas não tenho escolha...)

Juiz: Vamos garantir que nosso caso tenha uma conclusão decente. Aoba, pode começar.

[Aoba e Watanabe se encaram mais uma vez.]

Aoba: Pergunta... O que o seu pai faz quando você está na escola?

Miku: Ele trabalha em um banco. A vida dele não é fácil, e ele tem sorte de trabalhar no mesmo turno em que eu trabalho na mesma escola.

Aoba: Sei...

Watanabe: Desculpe-me interromper este momento amoroso, mas o seu pai... Seu pai, ele teve negócios não muito amistosos no passado.

Juiz: Doa a quem doer, mas ele precisou fazer várias coisas ruins em seu nome.

[Miku começa a chorar.]

Haruka: Pobre menina... Isso é triste demais.

Aoba: Sim... Ela não apenas tem que lidar com a morte de seu pai mas também precisa lidar com a verdade na corte.

Haruka: Gostaria que isso não acontecesse.

Aoba: Eu também.

Juiz: Vamos deixar nosso sentimentalismo de lado e vamos continar o interrogatório.

Watanabe: Certamente.

Aoba: Pergunta... Com quais tipos de homem ele estava falando?

Watanabe: Protesto! Isso é pergunta pra se falar?

Aoba: Bem... A questão é que...

Miku: Tudo bem... Eles usam gravata e terno... Acho que eles são assalariados como ele.

Aoba: (Assalariados? Oh, ele trabalha num banco.)

Miku: Enfim... Meu pai é uma pessoa ocupada. Mesmo dentro de casa ele quase não tem tempo pra mim.

Aoba: Mas ele te ama... Não te ama?

[Miku não diz nada.]

Juiz: Testemunha... Responda a pergunta do advogado.

Miku: Papai...

Watanabe: Vamos pular para a próxima seção.

Aoba: Ah, está bem.

Juiz: Se ninguém estiver contra...

Aoba: Em relação a moto, você conseguiu vê-la?

Miku: Sim. Meu pai, ao ver a moto indo em minha direção, conseguiu me salvar, mas acabou morrendo.

Watanabe: Isso mesmo. E quanto aos motoristas? Sabe quantos tem?

Miku: Dois. Eles estavam na mesma moto quando eu vi meu pai morrer na minha frente.

Aoba: (Ferrou...)

Haruka: Aoba, fique calmo! Você não pode perder as esperanças!

Aoba: (Porque você não diz pra ela de uma vez?)

Watanabe: Parece que estamos chegando a uma clara conclusão. Miku, continue seu depoimento.

Juiz: E então, o que aconteceu depois?

Miku: Oh sim... Acho que foi algo envolvendo o crime...

Aoba: Como você conseguiu chamar a polícia?

Miku: Tenho um celular.

[Miku mostra um celular de cor verde-água.]

Juiz: Marca ultrapassada.

Miku: Papai disse que não posso ter marcas avançadas. Elas viciam.

Aoba: (Em outras palavras ela é limitada a joguinhos mobile e mensagens de texto...)

Miku: Tenho sorte de ter trazido ele na cena do crime. Se não eu não teria salvo o meu pai...

Watanabe: Mas ainda assim, ele morreu salvando você.

Miku: Sei disso... E não sei quem irá cobrir o vácuo que ele deixou em meu coração...

Juiz: É triste. Mas vamos garantir que a justiça seja feita.

Aoba: (Ótimo. Consegui analisar tudo. Agora tudo o que resta é encontrar uma brecha neste caso. E eu já sei qual é...)

Juiz: E então, o que vocês tem a dizer sobre isso.

Aoba: Que... Que ela está certa. No entanto... As pessoas que ela viu não são Kogoro e Reiji!

Juiz: Mas como assim?

Aoba: Vamos analisar os fatos... Lembram o que Kogoro disse em seu testemunho?

[Um flashback acontece, revelando o momento em que Kogoro tenta provar sua inocência.]

Kogoro: Além disso, a cor da moto está completamente errada! Esta moto é vermelha, e a que usamos é azul!

[O flashback acaba.]

Aoba: Miku, qual a cor da moto que Kogoro e Reiji usaram quando eles supostamente atropelaram seu pai?

Miku: Não faço ideia, mas acho que é vermelha...

Aoba: A moto que foi usada para atropelar Kaoru é vermelha, mas a moto na qual Kogoro e Reiji estavam dirigindo é azul! Isso significa, que as pessoas que ela viu não eram Kogoro e Reiji!

Watanabe: O quê?

[Todos no julgamento ficam surpresos. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem! Ordem no tribunal! Aoba, você tem certeza de que Kogoro e Reiji não foram os responsáveis pelo crime?

Aoba: Sim. Eu confio neles. Eles não estão conectados com a cena do crime. E mesmo se isso for o caso, o que aconteceu foi uma armação contra eles!

Watanabe: Armação!? E você tem provas!?

Aoba: Não, mas acredito na honra de um bancho! Eles nunca teriam a coragem de atropelar alguém! Vocês podem ter certeza disso!

Miku: Isso é mentira...

Aoba: Então, Watanabe, eu queria te responder uma coisa... Se não se importa.

Watanabe: Diga o que quiser.

Aoba: Você acredita mesmo nas palavras da Miku?

Watanabe: Ora, ela é a filha da vítima. É claro que eu confio nela.

Aoba: Entendo... Você acha que ela realmente está dizendo a verdade?

Miku: Eu... Eu estou com medo...

Juiz: Então ao que tudo indica, é meio difícil dizer se Kogoro e Reiji são realmente os culpados pelo assassinato de Kaoru Sugawara. Por um lado eles clamam que não mataram o cara, mas por outro Miku realmente testemunhou o crime... E não existem provas concretas sobre o verdadeiro assassino além desta foto...

Aoba: (Até aí está tudo bem... Agora tudo o que resta é procurar mais pistas sobre o que está realmente acontecendo...)

Juiz: Sendo assim, parece que vamos ter que adiar o julgamento para amanhã para assim podermos encontrar alguma resposta para este caso.

Watanabe: Que peninha, pelo visto parece que vai ter um adiamento!

Haruka: Este Watanabe me deixa muito furiosa. Dá vontade de estrangulá-lo!

Aoba: Se for deste jeito parece que eu vou ter que salvá-la de novo.

Haruka: Não me importo! Ninguém tira uma com o meu onii-chan e sai daqui impune!

Kogoro: Parece que estamos salvos...

Reiji: Sim. Mas é só uma questão de tempo para que encontrem os verdadeiros criminosos.

Kogoro: Isso não é nada bom.

Reiji: De fato.

Juiz: E com isso eu adio este caso até...

[O juiz estava prestes a bater o martelo quando ele ouve uma voz.]

?????: Um momento!

[Um homem de cabelos pretos e óculos escuros usando terno preto, blusa branca e uma gravata vermelha aparece.]

Kogoro: Ah não!

Reiji: Já tô vendo alguma coisa errada...

Aoba: (Mas o que é isso?)

[O homem misterioso se aproxima do juiz.]

Juiz: Sinto muito, mas este caso já está encerrado.

Homem de terno preto: Eu vim aqui a pedido de uma testemunha que observou o crime ontem, mas que não pode vir porque estava muito ocupado. Então eu vi de última hora para falar sobre o assunto.

Watanabe: Ótimo, então pode mostrar suas evidências, mas antes fale sobre o seu nome e sua ocupação.

Homem de terno preto: Yomogi. Yomogi Okkotsu. Eu trabalho como empresário.

Kogoro: Um empresário?

Reiji: Talvez a testemunha seja uma pessoa rica. Como ele não chegou aqui é um mistério.

Aoba: (Por algum motivo eu sinto um frio na barriga e tenho vontade de peidar. Não me sinto bem....)

Watanabe: E então, diga-me o seu testemunho.

Yomogi: Na verdade... Eu não preciso dizer mais nada.

Aoba: O quê!?

Haruka: Aoba, o que está acontecendo?

Aoba: Eu não sei, mas sinto que tem alguma coisa errada nessa historia.

Watanabe: Mas você tem alguma evidência, não tem?

Yomogi: Sim, e eu tenho muito a mostrar.

[Yomogi mostra para o juiz um CD.]

Juiz: Uma gravação?

Yomogi: Esta gravação ocorreu ontem. A testemunha conseguiu gravar o negócio, mas não foi capaz de vir pessoalmente para o caso, então eu fui no lugar dela. Ela conseguiu pegar todos os detalhes do evento.

Juiz: Entendo... Aoba? Watanabe?

Aoba: Não tenho nada a declarar.

Watanabe: Mostre o vídeo para o júri.

Yomogi: Certo.

[Alguns policiais pegam o CD de Yomogi. Um vídeo passa no monitor. Nele, duas pessoas similares a Kogoro e Reiji estão conversando.]

Alguém similar a Kogoro: Reiji-nii-san... Você sabe, aquele cara lá, o Kaoru?

Alguém similar a Reiji: Fala daquele almofadinha de banco?

Alguém similar a Kogoro: Sim. Soube que ele decidiu tomar uma atitude contra as chantagens da Yakuza.

Alguém similar a Reiji: Chantagens? Bah, todo mundo sabe que ninguém sai da Yakuza sem a permissão deles. E até nós, delinquentes, sabemos disso.

Alguém similar a Kogoro: E então, qual é o plano?

Alguém similar a Reiji: Nos livrar dele antes que ele ataque a Yakuza. Se eles morrerem, o submundo do crime se tornará uma grande anarquia.

Alguém similar a Kogoro: Ótima ideia. Mas como?

Alguém similar a Reiji: Kaoru costuma ir nestes cantos para falar sobre negócios, então vamos ter que começar o nosso ataque.

Alguém similar a Kogoro: Perfeito. Mas como vamos fazer isso?

Alguém similar a Reiji: Não matamos as pessoas com nossas próprias mãos... No entanto, isso não significa que não iremos matar alguém...

Alguém similar a Kogoro: Entendo... Então vamos.

[Na próxima cena, as réplicas de Kogoro e Reiji estão andando de moto em alta velocidade, e ao encontrarem com Miku, a encaram com um sorriso malicioso.]

Alguém similar a Kogoro: Sai daí, pirralha!

[Kaoru então aparece para tentar levar Miku... E acaba sendo atropelado. Quando “Kogoro” e “Reiji” ouvem o som do carro da polícia, os dois fogem. Todos no júri ficam surpresos com o vídeo.]

Juiz: Eu não acredito nisso... Então Kogoro e Reiji foram de fato os responsáveis pela morte do Kaoru-san?

Yomogi: Sim, e tudo pelos olhos da testemunha. Sinto muita pena dela não ter conseguido salvar o pai da Miku a tempo, mas pelo menos temos a conclusão definitiva do caso.

Kogoro: Protesto! Ele está mentindo! Quem gravou este vídeo estava armando contra a gente!

Haruka: Eles tem razão! Nunca que Kogoro e Reiji fariam isso.

Watanabe: Parece que pelo visto os dois tiveram de fato uma rixa entre o Sugawara e de fato pretendiam mata-lo logo depois dele recusar as chantagens da máfia.

Aoba: Isso é mentira!

Watanabe: Veja o vídeo de novo, ele está de fato mostrando toda a verdade. Estes dois, mataram Kaoru por pura málicia!

[Todos no júri ficam surpresos. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem no tribunal! Parece que as coisas finalmente chegaram a uma conclusão definitiva. Kogoro e Reiji são de fato os responsáveis pela morte de uma vítima das circunstâncias. Mesmo que ela não seja completamente santa, ele tinha suas virtudes. E por causa disso, eu vou garantir que a sentença seja definitiva.

Aoba: Que droga!

[Watanabe começa a rir.]

Juiz: A corte declara Kogoro Minazuki e Reiji Takahashi... Culpados!

[O Juiz bate o martelo.]

Juiz: A sentença deles é passar um ano no reformatório Tenchi Souzou. Caso encerrado!

[Kogoro e Reiji ficam surpresos com o veredito recebido.]

Aoba: Que droga!

Haruka: Aoba-kun...

[Os guardas então chegam para levar Kogoro e Reiji. Aoba não faz nada a respeito e só olha para os dois com pena.]

Haruka: Aoba-kun... O que vai acontecer com eles?

[Aoba não diz nada. Kogoro e Reiji saem algemados do tribunal.]

Narrador: O que era para ser apenas um dia na vida de Kogoro e Reiji acabou se tornando um grande desastre. Acusados de um crime que eles aparentam não ter cometido, os dois banchos são sentenciados a passar um ano no reformatório.

[As portas do tribunal se fecham, e todos saem do tribunal.]

Narrador: No entanto, a historia só está apenas começando, e mesmo atrás das grades, os delinquentes não irão desistir e vão fazer de tudo para provar sua inocência. Mas ainda assim, é apenas uma questão de tempo para que a verdade seja revelada, mas até lá, apenas uma pergunta está em branco... Quem matou Kaoru Sugawara?

[O capítulo acaba com o tribunal vazio.]

Notas finais
Dicionário: Pompadour - Um corte de cabelo usado por delinquentes. Sarashi: Faixas que cobrem os seios Bancho - Líder de uma gangue de delinquentes Live over Again - Em inglês: "Viva de novo" Ichigo - Em japonês: "Morango" Sweetheart - Em inglês: "Doce coração" Onii-chan = Em japonês: "Irmãozão" Onee-chan = Em japonês: "Irmãzona" Host Club = Um tipo de boate que emprega principalmente mulheres e atende homens que buscam bebidas e conversas. Pink films = Filmes cinematográficos japoneses que apresente nudez e conteúdo inapropriado. Bosozoku = Delinquentes que se destacam por andar de motos What the hell is going on = Em inglês: "O que diabos está acontecendo?" Oh Sugar Honey Ice = Sugar, Honey e Ice significam, em inglês, Açúcar, Mel e Gelo. As três palavras, juntas, trazem em mente um certo palavrão. Flying in the Sky = Em inglês: Voando no céu Heart to Heart = Em inglês: Coração pra coração Jiraiya Goketsu = Em japonês: Galante Jiraiya Oji-san = Em inglês: Vovozinho Tenchi Souzou = Em japonês: Entre o céu e Terra