Shinedown - The Dark Triumph

7 Capítulo 6: Aerials


Notas iniciais
Olá leitores (as)!!! Tudo bem com vcs?? Sei que estou demorando muito para postar, mas com a rotina de aulas fica complicado. Capítulo mais curtinho, mas depois compenso :p

Capítulo 6 — Aerials


Ele sorriu e se aproximou mais dela, quase colando seus lábios nos seus ouvidos e perguntou:
— Você quer ir a uma festa?
Ela não tinha muitas opções: James era o único ser ali dentro que poderia ajudá-la em algo e resolveu que iria descobrir o porquê disso. No final do dia, quando já havia cavado os círculos no chão, ela voltou à sua cela, onde James dissera que haveria uma caixa contendo o traje que deveria usar e a levou consigo para o chuveiro. O porquê de cavar aqueles buracos e o que seria feito deles depois não era sua pergunta principal. Tudo o que ela se perguntava começaria a fazer sentido a partir de hoje a noite. Era nessa ideia em que ela se apegara.

Foi se lavar, esfregando bem a sua pele e principalmente embaixo das unhas, a fim de retirar toda a terra que estava ali e se vestiu com o que ele havia separado: um vestido tomara que caia preto e vermelho, curto e que marcava as curvas de seu corpo, servindo perfeitamente, embora se fosse em outra ocasião ela jamais usaria algo assim. Voltou para a cela e terminou de se vestir, calçando sapatos pretos muito altos e usando algo que parecia uma máscara cravejada de pedrinhas vermelhas e que lhe cobria quase todo o rosto e a parte de cima da cabeça, fazendo Hermione se lembrar de uma máscara de hóquei.
Deslizou para o lado as barras e a cela se abriu, exatamente como o comensal lhe dissera mais cedo. Saiu pelo corredor e viu que todas as garotas estavam em suas celas, umas se lavaram e agora comiam algo carbonizado em seus pratos, já outras caíram exaustas na cama improvisada. Essa questão das grades voltou a criar perguntas na sua mente: afinal, se elas estavam realmente presas pelo tal ritual que a mulher dissera, não haverá finalidade em mantê-las presas em celas. Ou teria? Será que ela poderia abrir a porta de outras garotas, ou que elas próprias também poderiam? Decidiu que perguntaria isso mais tarde a James.

Saiu do quarto das quinquilharias para o jardim, local onde haviam se encontrado mais cedo e contornou-o até chegar nos fundos da Mansão. Ali havia um alvoroço: várias garotas, vestidas da mesma forma que ela, estavam paradas ali enquanto a mulher, que agora vestia seda verde brilhante e tinha pedras combinando em seus cabelos negros, dava ordens e coordenava tudo. Elas deveriam fazer uma fila e entrar no salão, algumas iriam dançar e outras só ficariam paradas esperando, foi o que Hermione pode escutar enquanto ia para o meio da fila, esperando que ninguém a reconhecesse, até que lembrou da sua máscara que dificultaria sua identificação. Uma festa envolvendo comensais não seria nada inocente ou divertido, ela estava se preparando para isso, mas pensou que seria uma oportunidade de entender como as coisas funcionavam ali dentro, o discurso que James lhe fizera mais cedo a encorajara a recuperar sua coragem. Ela tinha que arriscar.

As portas se abriram e a fila começou a andar, passaram pelas portas de madeira escura e subiram alguns degraus de mármore negro até adentrar em um salão. O local era espaçoso, com sofás de couro preto por toda a sua extensão agrupados em nichos ao redor de mesas, onde algumas garotas se dirigiam e ficavam em pé sobre elas. Apenas de pé, contemplando o silêncio exceto pelas vozes e risadas, tilintar de copos e o som das bebidas sendo servidas. Os comensais que estavam ao redor das mesas as olhavam maliciosos, mas nada além disso. As demais seguiam para o fundo, com Hermione as seguindo, até que eram abordadas por alguém que a retirava da fila. Sobrou Hermione e mais poucas garotas até se aproximarem cada vez de uma parede coberta por uma cortina preta opaca onde o salão terminava.
Uma melodia que não sabia identificar se era suave ou agressiva começou a ecoar pelo salão, amplificada magicamente. Os homens, com vestes negras, continuavam a beber os líquidos coloridos, enquanto as garotas que estavam postas sobre as mesas começavam a mover seus quadris de forma sensual. Eles gritavam coisas obscenas às garotas que dançavam, alguns se levantavam e se esfregavam nelas.

Life is a waterfall
We're one in the river,
and one again after the fall
Swimming through the void
We hear the word
We lose ourselves but we find it all

Hermione sentiu seu estomago revirar ao ver uma garota, que não usava mais a máscara, dançar de forma ousada para os homens que a agarravam. Ela devia ter menos de 15 anos. O que mais chamou a sua atenção, fora o fato dela fazer aquilo de forma mecânica, sem se recolher ao toque e forçar um ar de indiferença. Olhava ao seu redor e só via garotas sendo abordadas pelos comensais, as agarrando da forma mais nojenta que já vira: algo feito não apenas para sanar uma vontade incontrolável deles, mas para mostrar a superioridade deles sobre as prisioneiras. Eles não estavam fazendo sexo com elas, estavam as humilhando, mostrando a única serventia delas. Ninguém toca numa sangue ruim porque quer, faz isso para que ela queira morrer e não poder. Nunca passou pela cabeça de Hermione que sentir o que sentia agora seria pior do que dor.

Quando se deu conta, todas as garotas já tinham sido abordadas e ficara sozinha no fundo do salão. James poderia ter lhe preparado uma armadilha e havia sido induzida a ir apenas para ser usada como mais uma das outras garotas. Sentiu os olhos marejarem por ter sido tão idiota a ponto de ser iludida novamente por um comensal.
Sentiu seu cotovelo ser tocado e gelou: era a sua hora. Já tinha escapado e tinha adiado seu sofrimento por muito tempo. Tivera muita sorte de chegar até aquele ponto. Fechou os olhos e esperou o pior.

Aerials
In the sky
When you lose small mind you free your life
Aerials
So up high
When you free your eyes eternal prize

—Desculpe a demora, mas se eu chegasse muito rápido seria suspeito.
Hermione abriu os olhos ao sentir a presença dele e ouvir as palavras sussurradas ao seu ouvido.
— Você me assustou. – Ela respondeu em voz baixa, sem ainda olhar para ele. Sentiu ele colocar seu braço direito em sua cintura a conduzindo delicadamente. Hermione sentia novamente os pés pregados no chão ao contemplar aquele horror, evitando olhar para James. Não sabia bem o que achava dele. A ideia de confiar nele não era mais nada atrativa.
A luz oscilava de amarelo para a escuridão e desejou que ela se apagasse completamente para não ver mais nada daquilo. Ouviu gemidos e algumas exclamações de dor e desejou ficar surda temporariamente também. Se segurava para não chorar, não queria mais um sermão de James. Este continuava a conduzindo para sabe-se lá onde sem dizer mais nada.

Ele a arrastava até uma escada de mármore, na outra extremidade do salão, que subia em um meio espiral e Hermione pensava o que poderia haver além dela. A “festa” continuava e seu embrulho no estômago só piorava. Não achava que conseguiria ficar mais tempo ali, tudo era horrível demais, humilhante demais.
— Vamos para o meu quarto. – Ele quebrara o silêncio entre eles e Hermione assentiu. Forçou-se a levantar os pés e subir os degraus e deixar-se ser conduzida novamente por ele. Passaram por alguns corredores e a garota ficou mais agradecida de deixar o local. As vezes era como se James lesse sua mente e fizesse o que ela desejava. Ou talvez fosse só uma coincidência. Percebeu que os poucos comensais que cruzavam seu caminho pareciam se surpreender com James, os olhavam e logo desviam, com se o temessem.
Chegaram aos aposentos do Comensal, já conhecidos por ela, com a antessala, o quarto e o banheiro. Ele retirou o casaco pesado, abriu uns botões da camisa e olhou para ela.
— Quer ajuda para tirar isso?
Hermione demorou alguns segundos para entender que ele se referia à máscara que usava e acenou afirmativamente. Delicadamente, ele a retirou de seu rosto enquanto ela observava melhor o seu rosto. Ele não deveria ser muito mais velho que ela. Talvez uns cinco anos, no máximo. Os cabelos enrolavam no comprimento e nas pontas e seus olhos azuis pareciam ter visto coisas que ele preferia esquecer. Percebeu que ele já havia feito e que estava encarando ele tempo demais. Havia algo nele que a intrigava.
— Fique à vontade. Quer uma bebida? – Ele falou e se virou para o armário das bebidas e ela o interrompeu.
— Não, obrigada. James, acho que nós devíamos precisamos conversar.
Ele encheu um copo de um líquido ambarado e virou tudo de uma vez, a ignorando num primeiro momento. Voltou-se para ela e, indo em direção ao quarto, a garota o seguiu, incerta. Precisava de respostas ainda aquela noite, não sabia quanto tempo teria. E se ele não a ajudaria em nada, por que a salvara e a chamaria esta noite?

Ele se jogou sobre a cama, de botas mesmo e a chamou com um gesto das mãos. Hermione foi até ele e se sentou no outro lado da cama, ficando no canto oposto.
— O que quer tanto saber? – Perguntou.
— Para começar, como você sabia que eu sou...como você sabia o meu nome verdadeiro?
Ele a olhou por um momento e um sorriso sutil se formou em seus lábios.
— Quando eu perguntei seu nome, seus olhos ficaram do mesmo jeito que os meus quando me fazem essa pergunta. Um mentiroso reconhece outro. – Ele respondeu, ficando sentado na cama também, mas mantendo as pernas esticadas.
— Então você mente muito sobre o seu nome? – A garota perguntou novamente. Ele riu sarcástico e disse que sim. A garota queria perguntar o porquê, mas ele fora mais rápido:
— Por que eu te assustei mais cedo?
Ela deu os ombros. Ele a estudou por um tempo e foi em direção a ela, ficando bem próximo a garota:
— Eu assusto você ainda?
— Achei que não fosse vir. – Ela respondeu, com sinceridade, mas tímida. Não recuou e tentou manter o contato visual o máximo de tempo que pode antes de desviar o olhar e murmurar um “só um pouco”.
— Eu sei que não tem muitos motivos para confiar em ninguém, mas saiba que em mim você pode. Eu posso tornar o seu tempo aqui muito mais...confortável, eu diria. Eu lhe ajudei duas vezes como prova disso, e posso te ajudar mais vezes. Mas preciso que confie em mim. – Ele dizia calmamente, olhando fundo nos seus olhos. Hermione se arrepiou com aquilo: de alguma forma era o mais próximo de carinho e esperança que tivera há dias.
— Mas, é claro, tem um preço. – Ele continuou. A garota sentiu seu sangue congelar. – Eu posso garantir que nada de ruim vá acontecer com você aqui dentro. Contudo, você terá que seguir algumas ordens, sem questionar, você entende? Hermione, eu posso te tirar daqui, não vai ser tão rápido quanto você desejaria, porém é a única opção que você tem. Consegue entender o que isso significa?
A garota sentiu algo que não sentia há tempos, uma vontade de fazer as coisas, de sair dali, de conseguir vencer e deixar o passado para trás. A verdade era que as vezes não sabia onde estava a garota destemida que fora descer no alçapão em busca da Pedra Filosofal e agora era como se tivesse a chance de encontrá-la novamente. Ela confiaria em James, faria o que ele dissesse, fosse qualquer preço que ele cobrasse. Já havia perdido Draco, Harry estava morto e Ron, Gina e todos os seus amigos não estavam ali para ela agora.

— Eu aceito seus termos. – Ela falara. Um sorriso verdadeiro iluminou o rosto de James. – Mas antes preciso saber mais sobre você. Tenho tantas perguntas. – Ela dissera. Ele voltara a ficar sério, se afastara um pouco, voltando a se recostar na cabeceira da cama, mas dessa vez do mesmo lado que ela.
— Só não garanto respondê-las. Não devo contar tudo sobre mim.
— Responda as que puder então. É injusto você saber de coisas sobre mim e eu não saber nada sobre você.
— Certo. Primeira pergunta. – Ele dissera contrariado. Ela rira com o ar de contrariedade divertido dele e começara:
— De onde você é?
— Nasci na Irlanda, mas não estudei na Europa, fui embora daqui ainda criança. – Ele respondeu, parecendo medir as palavras para que não dissesse demais. Hermione achou o gesto interessante: pelo menos estava respondendo honestamente.
— Onde você estudou então? – Ela perguntou novamente.
— Uagadou, na África. Meu treinamento para fazer magia sem varinha começou lá. Você já deve ter lido que é uma prática relativamente comum por lá. – Hermione ficava cada vez mais interessada em saber sobre os estudos em um local tão distante e fascinante como a África, onde as especialidades eram Astronomia e Transfiguração. E ainda explicava como ele sabia fazer magia sem a varinha, embora só bruxos poderosos o fizessem. Ela queria perguntar sobre o motivo de ter saído de sua terra natal, mas antes que fizesse a terceira pergunta, ele falou:
— Quer continuar com esse jogo, ou prefere ir direto ao ponto? Porque eu sei o que, de verdade, você quer me perguntar. E já adianto que não vai gostar da resposta.
A garota parou de raciocinar por um minuto. Ela iria lhe perguntar por que ele estava a ajudando, por que a protegeria e tudo mais, mas achou que devesse dar um tempo para que ele se sentisse à vontade e falar por conta própria. Era confuso que num momento ela sorrisse e ficasse interessada na vida dele e depois fosse lhe jogado um balde de água fria e que tudo aquilo fosse só um jogo para ele. Ele continuava relaxado apoiado na cabeceira a estudando.
— Não achou estranho um Comensal que nunca sequer tinha visto tenha lhe ajudado e esteja te oferecendo proteção e uma chance de sair daqui? Acredita tão facilmente nisto? – Ele falara, já que a garota permanecia em silêncio e parara de olhá-lo.
— O que você quer com isso? – Ela perguntara, irritada. Tinha sentido coragem, medo, nojo, alívio, confiança e agora desapontamento. Eram muitas emoções diferentes para um dia só.
— Eu preciso que você seja esperta. Que não se deixe levar pelas suas emoções. É muito fácil manipular alguém que não pensa antes de sentir. Confiou em mim rapidamente, e isso não foi tão inteligente. Aceitou algo sem saber exatamente o que eu pediria em troca, não tem nem ideia de quais ordens eu daria a você. – Ele falava, se desencostando da cama e fazendo a garota se sentir envergonhada com aquilo. Ela queria chorar, mas segurava as lágrimas o máximo que podia. Já havia passado por muita coisa desde que chegara e sentia-se sufocada por segurar as lágrimas.
— Você me salvou...você mesmo disse isso. – Ela falara com a voz entrecortada, devido ao esforço de não chorar.
— Sim, e você confiou em mim fácil demais. Disse que eu te assustava um pouco e ainda assim confiou. Isso não é racional. E você precisa disso agora. Agora, por que você aceitou o que propus? Não te dei detalhes do que pediria a você. Se você se lembrar das minhas palavras, eu poderia te ordenar qualquer coisa e você deveria obedecer, sem questionar. Por que fez isso?
— Porque eu não tenho mais nada a perder. – Ela respondeu depois de um tempo, deixando uma lágrima escapar e tentando secá-la antes que James visse. Era a única resposta que tinha. Havia passado tanto tempo se escondendo, fora presa, Draco dissera coisas horríveis a ela e tinha visto coisas que nunca sequer imaginou ver. O que se imaginasse, seria bem melhor do que fora viver aquilo.

— Você acha que não tem mais nada a perder. Porém, isso não é verdade. Você não está nem perto do fundo do poço. Eu vou te mostrar como que se chega ao fundo, só assim estaremos livres e podemos fazer o que deve ser feito. Chega de se lamentar, Hermione. Você vai ser forte, esperta e independente com sempre foi. Ou eles exageraram quando falavam da Sangue-Ruim amiga do Potter? – Discursou ele, chegando mais perto dela, mas sem se exaltar. A voz grave dele a fazia arrepiar, mas principalmente por ser o segundo sermão que ouvia dele.
— Não sabia que tinha ouvido falar tanto assim de mim. Achei que eu só fosse a inteligente. – Ela retrucou. Era hora de reencontrar a si mesma. Tudo que vivera havia lhe enfraquecido demais, mas isto agora seria passado.
— Ouvi demais de você, Hermione. Não sei se prefiro o que ouvi ou a versão real. – Ele disse, machucando-a. A garota abaixou a cabeça e respirou fundo, se concentrando em não fraquejar de novo. Era inacreditável como ele dizia algo encorajador e indelicado em seguida. Quando percebeu, abriu os olhos e viu que ele se encontrava muito próximo, novamente e a encarava, sério. Tirou, gentilmente, uma mecha de cabelo que cobria seu rosto e a segurou firmemente, mas com suavidade.
— Me mostre que a versão real é melhor do que tudo que já ouvi.