Shinedown - The Dark Triumph

4 Capítulo 3: Shadow


Notas iniciais
Olá, queridos leitores!! Obrigada pelos comentários e aqui vai mais um capítulo!! Espero que gostem!!

A fila de garotas seguia a mulher de vermelho, rumando pelo quarto de quinquilharias e passando por trás de um varal improvisado. Elas subiram as escadas que os lençóis encardidos ocultavam, Hermione a primeira da fila e a mais distante dos dois comensais que vinham ao final, murmurando coisas.

No andar de cima havia um grande cômodo, onde elas deveriam limpar o chão, retirar pele de animais abatidos, consertar manualmente objetos e até, se fossem bem-comportadas, ajudar os elfos na cozinha. A mulher, terminando as instruções as deixou e elas começaram a esfregar o chão de pedra polida e as paredes cobertas de azulejos. Devia ser um cômodo antigo da mansão, e bem menos requintado que os demais já vistos pela garota.

— Pode esfregar o quanto for, mas o sangue ruim de vocês suja tudo de novo! – um dos comensais dizia para as garotas que esfregavam com pequenas escovas o chão.

Hermione, que pegara seu balde de madeira e sua escova e fora para o canto mais distante deles olhou ao redor e viu um batente de porta, coberto apenas de mais um lençol encardido e o afastou, curiosa.

Ali, haviam mais garotas fazendo os mesmos serviços que o seu grupo. Algumas pareciam muito doentes, magras, com os ossos aparentes e olhos fundos. Havia também uma criança jogada em panos sujos num canto. Sem pensar nas consequências, Hermione foi até ela: a menina tossia e respingava sangue sujando os panos. Os olhos semifechados e o corpo ardendo em febre.

— Deixe-a. Não há mais nada que possa ser feito. – disse uma voz às suas costas. Hermione se virou e se viu encarando uma jovem, mais ou menos da mesma idade que ela, porém mais magra e cansada. Os cabelos castanhos escuros sem vida e olhos azuis opacos.

— Isso não faz sentido. Nada disso aqui faz sentido. Por que trazer gente aqui se a maioria... – ela não conseguia dizer “morre”. Parecia estar hipnotizada com o horror do que vinha acontecendo. Talvez só agora estivesse se dado conta de que era uma prisioneira eterna. – As crianças, principalmente. Eles estão perdendo o tempo deles fazendo isso.

—Não, não perdem. Eles não consideram perder tempo se puderem tirar o nosso tempo. – a garota disse, ainda em pé, mirando a menina se remexer nos panos, encharcando-os de sangue a cada contração.

— E por que só mulheres e crianças? – Hermione perguntou, sem ter ideia do motivo de perguntar isso em voz alta e para uma desconhecida. E mesmo que tivesse uma resposta, de que isso adiantaria?

— Quem disse? Só porque apenas viu mulheres e crianças aqui não significa que não usem os homens para mais nada.

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A movimentação no Largo Grimmald nº 12 era tanta que o local parecia ter vida própria. Gina, que cumprira sua promessa a Dino e falara com o irmão sobre Draco Malfoy, estava sentada a direita de Ron na grande mesa de jantar. Passara o olhar em todos os presentes: as gêmeas Patil, Lilá, Neville, Luna, Dênis Creevey, Dino Thomas, Justin, Simas, Ernesto McMillan e Ana Abbout.

Nesta reunião eles buscariam uma forma de encurralar Draco e ver o que poderia ser feito por Hermione. Ele tinha uma dívida com Harry e era hora de quitá-la.

— Bom, como muitos de vocês já sabem, Draco Malfoy foi visto num hotel trouxa, próximo a Londres. Ele não está longe daqui, mas precisamos de uma estratégia, afinal, há comensais escondidos em todo lugar. Queremos falar com ele apenas, sozinho. – Disse Ron.

— Bem...eu já fui até o local investigar. – Disse uma voz tímida entre os presentes. Todos se espantaram ao ver que as palavras eram de Dênis.

— E então? – Perguntou Neville, surpreso, mas admirado e em tom de incentivo.

— Pelo que consegui ouvir, oculto por um feitiço de desilusão, Malfoy deve ter aparatado no próprio quarto esta manhã. Todos os funcionários estavam espantados porque o hóspede só tinha sido visto na noite anterior pelas câmeras de segurança nos corredores.

— Mas ele foi estúpido! Sério, gente, ele foi muito burro! Ele se expôs aos trouxas, está desaparecido. A essa altura a tal polícia deve estar procurando por ele. – Interrompeu uma Gina agitada.

— Não funciona assim, Gina. O que eles mais se espantaram era que mesmo com ele sumido, todas as despesas estavam pagas, o quarto em ordem e tudo mais. Você não veio de uma família de trouxas como eu, então não os conhece tão bem: mas quando não há dinheiro envolvido a maioria não liga a mínima. – Completou Creevey.

— Então ele desapareceu bem debaixo dos nossos narizes? Em menos de um dia ele some? – Ron falava e suas orelhas ficavam da cor de um pimentão.

— Nós vamos encontrar outra forma de contatá-lo. Não deve demorar para ele ser visto de novo, daí iremos pra lá na mesma hora. – Planejava Gina, falando mais para ela e o irmão do que para os demais. Ela sabia que a maioria, mesmo sendo dedicados membros da AD e da Ordem temiam Malfoy. Muito havia sido falado dele nos últimos anos. Não eram coisas boas.

— E Dênis, você não devia ter ido sem avisar nenhum de nós. Podia ser perigoso, mesmo sob efeito do feitiço da desilusão, o qual você é perito. Não devemos nos colocar em risco sem um plano ou reforço.

— Desculpe, Ron. Eu não vou fazer isso de novo. Mas assim que ouvi Dino contando a Gina eu não consegui ficar parado. – As orelhas de Ron voltavam a cor normal.

— Bem, vamos continuar. Temos que buscar uma forma alternativa de encontrar nascidos trouxas e mestiços. Só com eles pedindo e nossas poucas descobertas não é suficiente.

— Podíamos dar uma senha no Observatório Potter para que eles nos mandem uma coruja resgate. – sugeriu Lilá empolgada.

— Isso, para que comensais que assistem o OP possam saber onde estão e chegarem antes. Não podemos tornar localização algo público. – Rebateu Simas.

— Acho que não devíamos só focar em resgatar resistentes. Devíamos estar fazendo algo para liquidar Você-Sabe-Quem. – Falou Neville. Todos na mesa ficaram em silêncio.

Ron foi o primeiro a se pronunciar, já imaginava que esse silêncio indicava que ele era quem deveria dizer algo. Isso sempre acontecia em momentos decisivos ou polêmicos.

— E como faríamos isso? A Hermione foi sequestrada, nossa prioridade é encontrá-la e até lá impedir que mais gente tenha o mesmo destino que ela.

— Eu sei disso. Mas...bem, ela não está aqui, Ron. Temos que encontrar outras formas de resistir e ajudar as pessoas. Pense: quase todas as Horcruxes foram destruídas, Você-Sabe-Quem é praticamente mortal e podemos destruí-lo para sempre. – Neville falava, tentando soar confiante, mas conforme via o olhar do amigo e as suas orelhas ficando novamente vermelhas se sentiu mal por ter aberto a boca.

— Ah é? Bom como eu não pensei nisso antes? Vamos então matar Você-Sabe-Quem agora mesmo. Oh, não! Não podemos chegar perto dele porque há comensais, guardas, dementadores e sabe-se lá mais que porra protegendo aquele covarde! Neville, nós mal conseguimos sair da sede sem um plano. Há gente nos querendo mortos por toda parte, não importa onde vamos. – O ruivo falava quase aos berros e Gina encarava ele e Neville como se estivesse num jogo de ping pong.

— Sei disso também, Ron, mas não vejo outra forma de ganhar essa guerra se continuarmos do jeito que estamos. Temos que matá-lo antes que mais gente inocente sofra. E não dá para destruir ninguém se continuarmos todos presos aqui. – Falava Neville calmo.

— Não precisamos matar Você-Sabe-Quem para destruí-lo. – Falou uma voz sonhadora. – Tem outras formas de diminuir o controle dele sobre as pessoas.

— Luna...desembucha logo. Detesto quando vem com essas frases enigma que ninguém entende. – Bufou Ron.

— Eu entendo! Não precisa falar assim com ela!

— Neville, Ron, por favor parem. Diga Luna, explique melhor porque eu também não entendi exatamente o que você quis dizer. – Pediu Gina em tom calmo. Tinha vontade de virar a mesa quando começava alguma discussão, mas não podia fazer nada daquilo, então ela só respirava fundo e pensava como Luna conseguia ser tão serena.

— Bem, como todo mundo sabe, Você-Sabe-Quem tem uma ideologia de que todo sangue puro é superior aos demais. Sem isso ele não tem mais nada agora, é mortal como nós. Mais poderoso, talvez, mas pode ser liquidado. E a melhor forma de fazer isso é destruindo essa ideia. As outras famílias que o apoiam, tanto de sangues puros quanto de mestiços podem mudar de opinião se encontrarmos uma forma de verem o quão contraditório é tudo isso. Destruindo essa ideia, o apoio, o medo e tudo mais que ele tem não significará mais nada. – Finalizou Luna olhando fixamente o além e em tom de quem fala do clima.

A mesa fez mais uns momentos de silêncio. Não do silêncio que incomodava Ron, quando ele devia tomar partido de algo, era uma quietude que indicava pensamentos fervilhando, tentando absorver e decidir se isto era ou não possível. Lilá foi a primeira a se levantar e se retirou da sala de jantar sem dizer nada, mas balançando a cabeça de um jeito que ele interpretou como “ela é maluca”. Os demais foram se levantando e ele fez o mesmo. Depois quando só restava ele, Gina, Neville e Luna (estes dois últimos ainda sentados) foi que ele, com um aceno de cabeça saiu da sala, levando Gina consigo, que parecia querer falar mais sobre o assunto.

— Bem...acho que somos só nós dois nessa. – disse Neville sorrindo e fazendo Luna sorrir um pouco também. – Sabe como começar esse plano?

A garota acenou positivamente e abriu um sorriso maior.

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Hermione esfregava incansavelmente o chão. Suas mãos ardiam com o contato com a água já escura, devia ter vários cortes por conta da escova de aço que usavam e as lágrimas que ainda caiam se misturavam ao líquido no chão. Há algum tempo, ela não sabia dizer o quanto, a garota que falara com ela junto com outras levara embora o corpo da garotinha, inerte, para longe dali.

Agora, olhando ao seu redor, ela se dera conta de que estava sozinha no salão. Levantou-se e olhou por um vitral de serpentes verdes desbotadas e viu a lua alta no céu. Já devia ser muito tarde e todas as outras já deviam ter se esgotado e descido. Lembrara que enquanto subia a mulher de vermelho dissera que quando estivesse noite elas poderiam tomar um banho e ir para sua cela comer algo, a não ser que tivessem recebido outra ordem. Decidiu que faria isso e, pegando o balde e a escova, foi guardá-los no armário designado.

Limpou as lágrimas do rosto e respirou fundo: “Nada disso é minha culpa, eu não podia fazer nada para salvá-la”. Ouviu um barulho de uma porta, que ela nem sabia que era de fato uma porta, se abrir a suas costas e dela saiu o mesmo homem que a tentara tocar durante o “banho”.

— É, belezinha, agora somos só nós dois aqui. Eu esperei demais, estava louco para brincar com você. – ele dizia insano. Hermione, antes que pudesse gritar ou correr teve seus pulsos amarrados por cordas conjuradas e foi derrubada no chão, de costas. Ele a arrastava pelos tornozelos até a porta pelo qual saiu enquanto ela tentava chutá-lo ou se segurar em algo. Sentia seu trapo subir a cada centímetro que era arrastada e suas costas eram arranhadas pelo atrito. Com a outra mão ele segurou os dois pulsos dela amarrados e prendeu num cano de metal que havia próximo a porta, com ela virada de costas para ele e batera a cabeça dela no chão de pedra com força.

Mesmo assim, ela percebera que dentro daquela porta havia uma salinha, onde estava, que se parecia com um depósito e dela tinha mais uma escada em espiral que subia para um segundo andar. Tudo era de metal, pedra e madeira, mas não tinha nada a seu alcance para se defender. O homem continuava resmungando coisas horríveis sobre o que queria fazer com ela, enquanto tentava chutá-lo. Agora ela tinha se dado conta de que gritava e escorria lágrimas de seus olhos. Toda a ideia que tivera na outra ocasião de não fazer nada se esvaíra, estava assustada demais com tudo. Tinha sido seu limite. Ele falava para que ela parasse de se mexer e tentava separar suas pernas, enquanto chutava-o incansavelmente, embora não acreditasse que o acertara uma vez. Toda a ideia de não entrar em pânico não fazia o menor sentido naquela hora.

— Petrifucus Totalus! – Ordenara uma voz grave vinda escada acima.

O homem não se movia mais e Hermione tentava se levantar e encarar quem que estava ali. As cordas se soltaram, ela percebera que suas mãos tremiam e ela finalmente se virou: Outro homem a encarava, mas ele tinha cabelos castanhos escuros longos, quase até os ombros, olhos claros e uma barba a ser feita. Ele estendia a sua mão para ajudá-la a se levantar.

Ela não aceitou a mão e se levantou cambaleante, usando a parede e o cano que outrora a prendiam como apoio.

— Tudo bem? Olha, o Maugrim não vai mais te incomodar, ele é só um idiota que acha que é um Comensal, que se acha melhor do que alguém. – Ele dissera.

— E você é o quê? – Hermione perguntara. Talvez ela estivesse sendo rude ou imbecil de falar algo assim, mas naquele momento queria ficar longe de qualquer um. Ele olhou estreitando os olhos para ela, como se tivesse ficado um pouco ofendido.

— Siga-me. – Ele disse e subiu a escada em espiral com uma Hermione relutante e assustada atrás. “Idiota, idiota, idiota! Devia ter ficado calada, ele poderia ter te deixado lá ou ter feito algo pior”.

Ele a conduzia por dezenas de corredores que, a cada esquina ou porta que cruzavam iam ficando cada vez mais requintados, com o chão de pedra polida e as paredes de madeira se tornando mármore e tapeçarias caras com motivos de serpentes e alguns quadros de senhores imponentes pendurados.

Ele finalmente parou em frente a uma porta de madeira escura e a abriu com um aceno. Deu espaço a ela e fez menção para que entrasse e ela o fez. Era uma antessala com um sofá de couro preto e duas poltronas combinando. Uma estante coberta de livros que ela não conseguia ler os títulos e uma parte que ela pensava ser um estoque de poções, devido a quantidade de garrafas de líquidos coloridos. Ele fechou a porta e ficou de frente para ela. A garota não tinha ideia do que poderia acontecer ali, por que um Comensal (sim, porque todos ali eram Comensais ou simpatizantes) a ajudaria e a levaria até seus aposentos?

— Quer beber algo? – E ele rumara para o canto das poltronas, de jogando em uma delas, ao lado de um grande baú.

— Água. – Ela dissera sem pensar. Não era prudente beber algo de alguém que não conhecia e era tão estranho, mas a sua garganta implorava por aquilo. Com outro aceno ele conjurou uma jarra de água e uma taça de cristal e fez sinal para que viesse até ele. Ela foi, enquanto puxava o corset largo que usava para se certificar de que tudo estava bem coberto. Apanhou a taça e fez um esforço gigante para que não virasse tudo de uma vez. Prevendo o que ela pensara, ele acrescentou:

— Não está envenenada. Eu acabei de salvar sua vida, se eu te quisesse morta teria assistido que me pouparia o trabalho.

Isso foi suficiente para ela no momento e levou a taça a boca, bebendo tudo de uma vez e enchendo-a mais uma vez.

— Seus pés. – Ele dissera quando a garota terminou de beber. – Sente-se aqui, — e apontou para o baú onde tinha a jarra, ao lado de sua poltrona.

Ela o fez, curiosa e, com mais um aceno os cortes (que se abriram mais durante as tentativas de chute e a caminhada) sararam quase que completamente. Ela ficou ainda mais atordoada: Todos os feitiços que o vira fazer fora sem a varinha, alguns realmente complicados, que exigiam muita concentração como o de cura.

— Por que não vai até o banheiro? Acho que você gostaria de se lavar, certo? – Ele perguntou, parando de fita-la e mostrou o caminho do banheiro, próximo a uma enorme cama coberta por uma colcha preta. Ela fez que sim com a cabeça, não tinha muita alternativa e era melhor ficar calada. Estava mais calma e suas mãos não tremiam mais. Antes que entrasse ele parou na sua frente, com o rosto pensativo e perguntou:

— Como se chama?

— Penélope Clearwater. – Ela respondera sem hesitar. Mentir sobre seu verdadeiro nome não era algo novo para ela. Ele assentiu e saiu de seu caminho.

— Use as ervas do pote verde quando entrar na banheira. Vão ajudar.

E, fechou a porta a deixando sozinha num banheiro enorme, todo de mármore com uma banheira que mais parecia uma piscina e vários potes coloridos na beirada. Puxou seu trapo pela cabeça o olhou-se no espelho: Seus cabelos estavam tragicamente armados, os olhos com olheiras, a pele dos braços com arranhões assim como as pernas e exibia um corte acima da sobrancelha e outro logo abaixo do olho, ambos do lado esquerdo. Jogou um punhado das ervas que ele falara e entrara na banheira. De fato, as dores que sentia diminuíram muito e, por alguns segundos ela conseguiu fechar os olhos e relaxar. Logo depois se lembrou da realidade e começou a esfregar o corpo com o máximo de empenho, tirando toda a sujeira de sua pele e se sentindo melhor.

Pegou uma das toalhas brancas e felpudas da beirada e se secou, pensando agora se vestia de novo o trapo ou se saía de toalha. Ela não queria vestir aquilo de novo de forma alguma, não queria nada que a lembrasse dos últimos dois dias. Como ela não sabia, mas aparecera, de repente um tecido dobrado ao seu lado, na pia enquanto travava essa discussão consigo mesma. Desdobrou-o e viu que se tratava de um vestido camisola longo e preto. Vestiu-o e viu que ficava um pouco transparente, mas bem mais confortável (e menos ousado) do que o que usara antes. Saiu do banheiro e andou atravessando o quarto vazio. Ele estava na antessala, lendo algum livro com um copo cheio de um líquido colorido em cima do baú. Não sabia bem se se aproximava dali, se corria do quarto ou se continuava no banheiro até ele ir até lá.

— Venha, eu não mordo. A não ser que peça por isso. – Falara sarcástico, sem tirar os olhos do livro.

— Quem... quem é você? – Perguntara, sem conseguir mais evitar essa pergunta. Não dava para falar com alguém de que não soubesse como se referir. Ela caminhou até ele e se sentou no baú.

— Pode me chamar de James. – Falara e dera um gole de seu copo, agora fechando o livro e voltando a fitá-la. – Me acompanha? – Oferecendo seu copo que continha um líquido verde ácido.

— O que é isso?

— Absinto. – Respondeu ele como se fosse óbvio e deu mais um gole. – Mas tenho outras por aqui, escolha uma. – Acrescentou indicando o armário ao lado da estante onde ela pensou que houvesse as poções.

— Eu pensei que fossem poções. – Falara, pelo menos justificaria sua pergunta que parecera ser muito idiota.

— Podem ser. Muitas bebidas têm ingredientes em comum ou são derivadas de poções. Outras tem outro tipo curioso de semelhança: se tomar algumas doses a mais de Firewhiskey você vira outra pessoa, como a poção Polissuco. – A garota franziu o cenho, não achando graça alguma e pensando se ele era maluco. Resolveu se servir de mais uma taça de água cuja jarra ainda estava gelada e cheia em cima do baú. Nisso ela se lembrou de algo mais importante de ser perguntado:

— Você não usa varinha. Não tem uma?

— Sabia que falaria disso. Não preciso de uma, mas tenho uma comigo, é claro. – Ele falara e tirou uma varinha comprida e negra com entalhes das vestes de couro negras que usava.

— Por que tem uma se não precisa? – Perguntou curiosa. Até mesmo Dumbledore usava uma varinha para tudo, embora soubesse executar alguns feitiços sem a mesma.

— Um pensador trouxa, não me lembro seu nome, escreveu que “O maior prazer de um homem sábio é se passar por um tolo, enquanto que um tolo quer se passar por sábio”.

Hermione refletiu por um momento, ele deve ter usado a varinha quando atacara Maugrim, mas na sua frente não fazia isso. Bebeu sua água e ele também deu mais um gole e se levantou. Pensava no que aconteceria agora.

— Sem querer ser grosso, Penny, acho que deveria ir dormir. Não posso ficar conversando mais com você, tenho um trabalho a fazer. – Ele falara de costas para ela e se alongando. Hermione se levantou:

— Claro, eu... já vou indo. – Ela disse e foi para a frente da porta.

— O quarto é aqui ao lado. Onde você vai? – Perguntou sem se afetar.

— Ah, eu vou para...ah, a minha cela. Todas as noites fomos instruídas a ir para lá. – Ela disse insegura. Ele parou ao seu lado com um sorriso de lado.

— A não ser que tenham outra ordem. Eu sei das regras. Mas fique à vontade, não vou te impedir, durma onde quiser.

— Eu...Obrigada, James. Vou voltar para minha cela mesmo. – Ela agradeceu e percebeu que sua respiração estava alterada. Ele abriu a porta para ela, ficando com maior distância. Cada minuto que ficava naquele lugar ele parecia a surpreender mais, embora não soubesse se isso era algo bom.

— De nada, srta. Granger. – E fechando a porta deixou a garota mais perdida do que já estava.