Shinedown - The Dark Triumph

5 Capítulo 4: Bruises


Notas iniciais
Olá, leitores!! Finalmente o cap!! Espero que gostem!! Obrigada por todos os comentários!! Sem mais delongas, aqui vai o capítulo:

Os pés pareciam estar pregados no chão e suas mãos estavam duras de tão geladas. “Se ele sabe quem eu sou, por que ele me ajudou? O que ele quer de mim? ” Ficou mais alguns instantes encarando a porta que acabara de ser fechada na sua cara até se lembrar que não era seguro continuar ali, outra pessoa poderia reconhecê-la e com certeza não teria a mesma sorte. Começou a andar pelos corredores desertos: alguns dele ela gravara, seja por um desenho marcante na tapeçaria ou por algum retrato, mas em algum ponto ela não se lembrava como voltar. Virou à direita, o caminho que lhe inspirou mais confiança e avançou, até ouvir passos. No corredor em que estava não havia nenhum lugar possível de se esconder, apenas duas portas que estavam trancadas. Além disso, não teria dado tempo porque assim que se virou, viu a quem pertenciam os passos: um jovem de cabelos loiro platinados, pálido e com frios olhos cinzas vinha em sua direção. Vestia uma capa preta por cima, que deslizava atrás dele, e exibia uma expressão de incredulidade, a qual ela também deveria exibir. Apesar de suas mãos estarem geladas e sentir que tudo estava indo pior do que poderia imaginar ela se sentiu aliviada, como se agora fosse o momento da virada, em que todas as coisas ruins se tornariam boas. Ou, devido as condições, menos pior. Ele se aproximou, a encarando de uma forma que nunca fizera antes.

— Draco. — Ela falara. Ela sentiu que precisava dizer o seu nome para acreditar que ele estava ali. Ele não respondeu, agarrou seu pulso e, destrancando uma das portas ele a puxou para dentro.

Era uma pequena sala, com armários cobrindo as paredes, uma janela em que se via uma parte do jardim, iluminada fracamente pela lua, e uma escrivaninha lotada de papéis e livros. Nada daquilo a fascinava no momento.

— Hermione, o que você faz aqui? – Ele perguntara e Hermione sentiu algo dentro de si murchar. Não era o que esperava ouvir.

— Eu fui sequestrada! Isso é óbvio! O que eu estaria fazendo aqui? – Falara irritada.

— Como vou saber que isso não é mais um plano idiota da Ordem da Fênix? Bancar a isca, espiã, ou seja mais o que for, não é novidade para você.

Ela sentiu como se tivesse algo afundando no seu coração.

— Você não acredita em mim? Draco, é claro que não! Não teria vantagem alguma nisso. Eu fui pega há uns três dias, eu...eu vi coisas horríveis aqui. Não pensei que fosse assim, na verdade nunca pensei exatamente no que acontecia desse lado.

— Não sei, é realmente intrigante você estar assim, solta pelos corredores. Acha que se alguém tivesse a chance de capturar Hermione Granger e levá-la até ele, esse alguém hesitaria? – Ele falara, com o tom de voz respondendo a própria pergunta. Não, ninguém hesitaria, exceto ele mesmo.

— Olha, eu não sei como, mas ninguém me reconheceu. – Isso não era verdade, mas não iria contar o que acontecera a ela nem sobre aquele que havia a ajudado. – O fato é que estou aqui, presa. Eles me colocaram numa cela lá embaixo, com várias outras garotas, disseram que fizeram um feitiço, mas não sei se isso é verdade. – Ela continuou.

Ele continuava a encarando firmemente, os olhos mais frios do que era acostumada.

— E você fez? Eles tiraram seu sangue?

A garota confirmou com a cabeça. Eles estavam a poucos passos de distância. Ela andou um passo na direção dele, enquanto ele continuava imóvel.

— Draco...você pode me ajudar, não é? Você é um deles, pode me tirar daqui seja lá qual for o feitiço que tenham feito.

— Por que? O que eu ganharia com isso? – Perguntou em tom displicente. Ela sentiu mais pressão sobre seu peito e ficou mais irritada.

— Por que? Isso é um pesadelo! É só uma questão de tempo, dias no máximo para me reconhecerem! E como você mesmo disse não hesitariam em me entregar. Isso é horrível. Por favor, me ajude. – Ela dissera com os olhos ficando úmidos.

— Não me importa. Eu nunca te prometi nada, ok?! Se eu tenho ou tive uma dívida foi com alguém que não pode mais cobrá-la. – Ele falara com a voz cortante e se afastando dela, indo em direção à janela, ficando com a escrivaninha entre eles.

— Você não pode estar falando sério. Não pode... isso não está certo.

— Eu nunca disse que faria o certo, Granger! Não há mais nada a ser feito. – Ele falou aos berros, ainda a encarando de forma gélida.

— É só isso que vocês sabem falar por aqui? “Não há mais nada a ser feito”? – Ela berrara, agora com as lágrimas caindo dos seus olhos. – Eu... eu pensei que você...

— O que?

— Pensei que você ainda gostasse um pouco de mim. – Ela acrescentou, com as lágrimas caindo ainda mais.

Ele deu um suspiro sarcástico e virou de costas, olhando através da janela o jardim que começara a ficar mais claro. Não demoraria a amanhecer.

— Eu não gosto de ninguém. – Pontuou.

Todo o aperto que sentia no peito, a sensação de algo sendo afundado sobre o seu coração crescera exponencialmente. Era como se facas a perfurassem impiedosamente. Se tivesse que comparar, o crucio que levara naquela mesma mansão há dois anos não faria nem cócegas perto do que sentiu. Ela abriu a porta e correu para longe dali, pois qualquer lugar era melhor e a faria se sentir mais segura do que passar mais um segundo respirando o mesmo ar que ele.

A garota passou pelos corredores procurando o caminho para a sua cela, embora ela não fizesse mais questão de achá-lo. Uma parte dela queria ser pega, queria que soubessem quem ela era e como conseguiu se esconder por esses dias. Queria que a pegassem como tinham feito com a garota Vane no dia em que chegara. Não poderia ser nada pior do que o medo, a raiva e a humilhação que estava sentindo. Enquanto passava não encontrou ninguém e, depois de algum tempo, ela chegara a escada em espiral do depósito e de lá seguiu para o corredor. Sentiu um arrepio ao passar por lá, onde horas antes quase fora...bem, o importante era que não havia ninguém por ali. Tudo estava ficando mais claro e não demoraria a chegar alguém para acordar as meninas, que ainda dormiam. Ela encontrou sua cela aberta e entrou, com as grades se fechando automaticamente após ela passar e se sentar no bloco coberto que chamava de cama.

Ela ainda tremia, suas mãos e pés suavam e ela enxugava-os no vestido longo. Pensava naquele que havia lhe ajudado. Sem dúvida ele a ajudara, salvara ela de um estupro, lhe dera água, fizera a se limpar e curara suas feridas. E ele sabia quem ela realmente era. “Sabe quem eu sou e não fez nada a respeito. Pelo menos não ainda, eu acho” ela pensara. Se Draco não havia feito nada por ela, Draco, aquele com quem ela já havia compartilhado momentos, o Draco que conheceu de verdade no seu sexto ano não fizera nada. E James, um Comensal que nunca havia visto fizera algo. Nada daquilo fazia sentido. Pensava no que seus amigos diriam sobre isso, mas não era possível prever, afinal ela nunca falara sobre Draco para nenhum deles. E tinha bons motivos para isso. Ron era o motivo principal. Ela tocara no seu anel e pensava no que ele poderia estar fazendo no momento, se estaria bem e se queria, tanto quanto ela, que tudo voltasse a ser como antes.

—------ Hogwarts – 6º ano -------

Todos só falavam sobre a festa de Natal de Slughorn. Todos porque os convidados esperavam que fosse um “segundo baile de inverno”, como houve dois anos atrás, já os que não tinham sido convidados pelo anfitrião esperavam que fossem como acompanhados de um dos membros do Clube.

Enquanto Ron continuava se agarrando com Lilá, Hermione se aproximara mais de Harry, embora ele continuasse bem ocupado. Ela percebera alguns olhares dele para Gina, mas nada que tivesse sua confirmação, afinal, ela estava com Dino.

Durante as últimas semanas ela também pensava em Draco Malfoy. Desde que ele havia a beijado na torre de astronomia seus olhares se encontravam em algumas ocasiões, mas nenhuma palavra fora trocada depois disso. Não sabia se devia tomar essa iniciativa ou se esquecia por completo esse acontecimento. Um pensamento superficial, mas que martelava em sua cabeça era o de convidá-lo para a festa de Slughorn, sob o pretexto de que sabia que ele gostaria de ir, afinal ele sempre fora de se aproximar dos professores para obter vantagens. Porém, se ela fizesse isso, era iminente surgir novamente o assunto sobre os métodos de Harry em poções, além do fato de toda a escola ficar sabendo que eles haviam ido juntos. Aquilo certamente não era uma boa, Harry e Ron ficariam furiosos com ela e Gina ficaria decepcionada, embora a tenha confessado uma vez que achava Draco hipoteticamente atraente. O que isso era de verdade ela não sabia dizer. Voltando uns pensamentos atrás teve uma ideia do que poderia fazer, quem convidar e o que ganharia com isso.

Ela acabou indo com McLaggen e Harry com Luna. Quando o amigo perguntou por que convidara ele, a garota disse a verdade: era quem mais aborreceria Ron. “E que não vai romper de vez com todas as suas amizades” ela completara mentalmente.

Córmaco era insuportavelmente pior do que imaginara, e começava a desejar que tivesse seguido a sua ideia insana e se acertar com seus amigos depois. Ele só falava de quadribol e de si mesmo, o quão bom goleiro ele era, que havia algo de errado naquele teste ou que certas pessoas só escolhiam amigos para entrar no time. Já estava farta daquilo quando conseguiu fugir dele e se esconder atrás de uma cortina e ouviu um burburinho, parecia que alguém havia invadido a festa. Assim que percebeu um garoto muito alto de cabelos crespos olhando em sua direção, a garota foi para a direção oposta (ainda embaixo da cortina) e saiu para um corredor deserto.

Assim que fechou a porta da sala soltou um suspiro aliviado. Depois dessa McLaggen não investiria nela, Ron ficaria aborrecido e talvez se tocasse e ela poderia voltar para torre da Grifinória e dormir. Ela se moveu para o lado para tomar o caminho de volta e se deparou com Draco a poucos passos dela.

— Me espionando de novo? Eu sei que sou interessante, estou acostumado a ser seguido por garotas, mas você me parece obcecada. – Ele falou com sua voz arrastada olhando para ela. Ele vestia um terno preto, como sempre, mas não parecia arrumado para a festa e estava mais pálido do que de costume.

— Nem tudo é sobre você, Malfoy. – E deu um sorriso cínico para ele, andando na sua direção que coincidentemente era a que deveria tomar. – Mas então, por que invadiu a festa?

Ele deu um suspiro sarcástico e agora ambos andavam lado a lado.

— Sempre uma sabe tudo mesmo. Viu a minha “cena” então?

— Não vi, estava ocupada na hora, mas você é a única pessoa aqui fora e ouvi um burburinho. – Ele levantou uma sobrancelha olhando-a e riu malicioso – Eu estava ocupada me escondendo de alguém – Ela frisou para que não entendesse nada de outra forma, mas aparentemente não ajudou e ele a olhou com mais curiosidade, mas com o mesmo sorriso malicioso – Eu acabei indo com McLaggen, ele é insuportável e eu decidi fugir dele. Fim da história. Mas por que você foi até lá? – Ela perguntou, corando por causa dos sorrisos ou por ter feito novamente essa pergunta.

— Quem disse que eu fui até lá? Me pegaram andando por aqui, não na própria festa. Há uma diferença. – Ele dissera agora parando de olhar para ela e prestando mais atenção no caminho. Hermione percebeu que ele estava diferente, não do jeito diferente dele na torre de astronomia, mas parecia preocupado, pressionado.

— Está tudo bem, Draco? Sabe, você pode falar se algo tiver acontecendo, se quiser eu posso te ajudar, sei lá. – A garota falara se aproximando mais dele, com as mãos quase se tocando e ele parara, eles se encararam.

— E por que eu precisaria da sua ajuda? – Ele perguntara. A garota ficou muda e se sentiu uma idiota por estar falando com ele naquele momento. Ele era um Malfoy e nunca pediria nada a ela. O que aconteceu entre vocês não significou nada para ele, era só fingimento, pensara – Eu estou ótimo, não tem por que precisar de ajuda. – Ele se corrigira e ela suspirou, se sentindo melhor, mas confusa.

— Como vai ser?

Ele a olhou interrogativo, sem entender o que a garota perguntara. E ela tomara fôlego para falar de outro jeito.

— Eu não sei mais como agir quando estou sozinha com você. – Confessou. Ele riu de lado, mas sem parecer sarcástico dessa vez. Seus corpos estavam muito próximos e ela não parava de encarar as íris cinzas dele. Embora parecesse cansado e mais pálido ela ficara hipnotizada.

— Finalmente uma coisa que Hermione Granger não sabe. – E, com um sorriso escorrendo pelos lábios dos dois, eles se beijaram novamente. Draco colocara uma de suas mãos na cintura da garota e a outra segurando seu rosto enquanto que ela o abraçara e sentia seus cabelos entre seus dedos.

Quando estava com ele, Hermione não pensava em Ron, nem na guerra, nem em mais nada. Quando seus lábios se separaram eles se sentaram em uns degraus ao lado. Essa parte pós beijo era constrangedora: qualquer casal ficaria abraçado ou de mãos dadas, conversando e trocando mais beijos. Mas eles não eram um casal, então o que eles eram?

Os dedos de Hermione estavam apoiados ao lado da saia do seu vestido e Draco tocou-os de leve.

— Eu também não sei como agir quando estou assim com você. – Falou enquanto brincava com seus dedos e ela o olhou. Tinham que resolver essa situação. Hermione pensava que se não sabiam como agir era porque aquilo era errado. E talvez fosse mesmo. Pensava também em falar que pensou em convidá-lo para a festa, mas tudo isso se foi quando ele segurou sua mão firmemente. Aquele gesto fez ela entender o porquê de as pessoas segurarem a mão de quem elas gostavam. Não era só pela sensação de uma corrente elétrica a percorrendo, era porque aquilo era como conversar sem usar palavras. Ela sentia a pele gelada dele contra a dela e quis sentir mais do que aquilo. Ela chegara mais perto e o beijara como não havia feito antes e ele a puxara para mais perto, aprofundando cada vez mais o beijo, beijando, chupando e mordendo seus lábios.

Ficaram ali por mais um tempo e quando já devia ser tarde, Hermione se afastou, dizendo que tinha que voltar. Ele concordou com a cabeça e se despediram com mais um beijo.

Os dias se passaram assim, em algumas aulas que tinham juntos eles trocavam alguns bilhetes. Em algumas noites que tinham ronda juntos eles ficavam juntos, e para o resto do mundo eles agiam como de costume. Não aconteceram tantos encontros, mais uns dois ou três como o que acontecera no natal e Hermione sentia um vazio dentro dela. Embora não soubesse exatamente o que sentia por ele sabia que se importava e que queria ficar próxima a ele. Não sabia se ele sentia o mesmo, embora quando sorrisse para ela fosse diferente daquele que via normalmente. Pensava também se alguma parte dela fazia aquilo por pura rebeldia, se era só uma forma de se consolar pelo que sentia em relação à Ron. Se fosse isso, por que ela nunca nem lembrava da existência dele quando estava com Draco?

Num desses encontros, enquanto ela se sentava no encosto da poltrona em que ele estava, ela perguntara:

— Draco, está tudo bem mesmo? Você está diferente.

— Claro que estou, eu não te xingo mais por aí. Mas se quer que voltemos a nos chamar pelo sobrenome, desculpa, não vai mais acontecer. – Ele falou e riu, mas não da forma verdadeira como ela havia já visto.

— É sério. Draco, se tiver acontecendo alguma coisa é só me dizer. Não vou contar a ninguém.

— Hermione, está tudo certo. Chega desse assunto. Eu não te pergunto nada sobre o Potter e o livro dele, não pergunto nada sobre as coisas do seu lado. Não faça nenhuma pergunta desse tipo para mim também. – Ele disse e se levantou.

— Meu lado? Não precisa ser assim. Você acabou de provar que não concorda com Voldemort, você estava me beijando há um minuto. Draco você pode ir para o lado certo, Dumbledore não hesitaria em te ajudar e...

— Hermione, chega! – Ele berrou, há alguns metros dela. – Não quero e não vou falar disso com você. Há coisas muito mais importantes, coisas que você não faz nem ideia.

— Eu...Eu só queria ajudar, n-não precisa ficar assim comigo. – ela gaguejou.

— E eu não preciso da sua ajuda. Desculpe, tenho que ir. – e dizendo isso fechou a porta da sala atrás de si. Hermione suspirou, pensando o que ele estava escondendo. Ele sabia que ela mentira sobre o livro e não insistiu. Talvez ela devesse fazer o mesmo com ele.

Passada algumas semanas tudo isso mudou. Ron havia tomado uma poção do amor por engano e depois acabara sendo envenenado por um hidromel que pertencia a Slughorn. A sorte era que Harry Potter o salvara com um bezoar. Hermione correu para a ala hospitalar o mais rápido que pode e logo depois dela, Lilá entrou e ouviu Ron dizer o seu nome ao invés da namorada, e isso foi o bastante para que a garota não voltasse mais ali.

— Harry, como isso aconteceu? Você tem ideia de quem possa ter envenenado o hidromel? – Ela perguntara olhando para o rosto inexpressivo de Ron contrastando com o fundo branco dos lençóis e travesseiros.

— Você sabe o que eu penso. Para mim isso e o colar foram obra do Malfoy.

— E eu já disse que não teria como ele ter trazido isso para dentro. – Ela falara. Não era só a parte racional que estava ali: ela não queria acreditar nem por um segundo que ele estava envolvido naquilo.

— E você mesma me disse que Filch não é capaz de reconhecer poções. Eu sei que foi ele, só não tenho como provar. Ainda. – Harry se levantou e a deixou sozinha na enfermaria com Ron, dando uma piscadinha antes de sair.

Hermione ficou ali até Madame Pomfrey a expulsar e foi até a sala dos monitores. Pensava no que o amigo falara sobre Draco estar por trás daquilo e decidiu tirar isso a limpo. Harry estava acompanhando ele pelo Mapa do Maroto e isso a preocupava, não queria dizer nada a ele sobre seus encontros. Assim, numa noite em que ele estava no treino de quadribol anterior ao jogo, ela marcou de se encontrar com o sonserino.

Ela já estava a sua espera na sala da monitoria, em pé ao lado de uma janela, olhando os terrenos de Hogwarts quando ele entrara.

— Você queria conversar? — A voz dele saíra quase que indiferente, porém firme e seu semblante era inexpressivo.

— Eu preciso que você me diga o que está acontecendo. Que me diga se existe alguma relação entre você e os ataques. – Ela falara com a voz tremida, como se esperasse pelo pior.

—Eu não tenho que te dizer nada. – Respondera e andou ficando mais próximo dela, encarando-a. Hermione deu um passo à frente, se distanciando da janela.

— Draco, me responda, por favor. Sabe que eu vou descobrir de qualquer jeito mais cedo ou mais tarde. – Insistiu ela.

— Eu nunca disse para você que ficaria do lado “do bem” nessa guerra. – Ele falara, a voz podia soar indiferente, mas ela sabia que ele sentia raiva.

— Então foi você. Eu sabia, sabia que estava metido nisso, só não... – ela sentiu lágrimas escorrerem de seus olhos.

— Só não?

—Só não quis acreditar. Achei que você fosse melhor do que isso. – Ela dizia entre lágrimas e sentir a raiva aflorar. – Você não se importa com ninguém, não é? Só sabe cumprir ordens sem pensar nas consequências.

— E quem disse que eu segui ordens para isso? E, de fato eu pensei nas consequências. Em todas elas. – Ele falara agressivo, os olhos mais frios do que nunca e a voz parecia achar graça na situação.

Hermione sentiu uma fúria a consumir e quando dera por si, havia lhe dado um forte tapa na cara, com muita mais vontade do que já havia feito. Parecia que ele virara o rosto lentamente, com os cabelos cobrindo a face e o som do tapa ecoando, mas era apenas impressão, pois no segundo seguinte ele já se virara para ela:

— O que foi? – Perguntara com ódio na voz grave.

— Você podia ter matado o Ron. A Katie também. Por que fez isso? – Ela chorava mais, não conseguia se controlar. – Você é horrível! Achei que tivesse mudado, mas não, essa sua parte continua igual. Quer saber? Eu nunca mais quero ver você. Eu odeio você! – Ela falara, sentindo a raiva crescer e saíra da sala correndo, aos prantos. Ela não ouvira, mas ele chegou a falar um “Eu também me odeio” logo depois que ela saíra.

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Hermione teve suas lembranças interrompidas quando as celas se abriram e, olhando a seu lado viu que havia torradas queimadas e água para o desjejum. As garotas foram saindo e um comensal dissera que hoje elas trabalhariam no jardim.

Se levantou e seguiu as garotas, indo para o pátio onde cortaram sua palma e começou a fazer as tarefas: Cavar buracos do tamanho de um balaço no chão de terra dura, usando as mãos. Para o que serviria aquilo ela não tinha ideia.

Ela começou a cavar, sentindo a terra dura arranhar sua pele e entrar por baixo das suas unhas, as garotas também faziam, porém bem afastadas umas das outras. Sentiu a presença de alguém e virou-se, para ver quem se aproximava.

Um comensal que ela conhecia, Avery, estava parado ao seu lado, encarando-a. Ele a reconhecera, sabia quem ela era, conhecia seu rosto de cartazes de procurados e ela não sentiu medo. Achou que seria melhor assim, seria pega, presa, interrogada e depois morta. Era melhor do que passar mais tempo ali, confusa e vendo coisas horríveis.

— Você é Granger! Eu tenho certeza! É a sangue-ruim que era amiga do Potter. Dessa vez você não escapa. – e com uma expressão triunfante no rosto, tirou a varinha das vestes e apontou para ela.

Hermione sentiu alívio: finalmente aquele teatro todo acabaria e ela teria um fim.

Notas finais
Obrigada por lerem e não se esqueçam de comentar, seja críticas ou elegios, por favor, é importante para saber o que melhorar. Beijos e até a próxima!!