Shin! - Livro um, O Garoto Esquecido.

7 Capítulo 7 - O fim da calmaria


A primeira noite passou e o grupo descansou ali na clareira próxima a estrada. Assim que os primeiros raios de luz tocaram o chão Viktor despertou.

— Ahhhhhhh, acordem, acordem! — Gritou ele. — Nossas malas, cadê nossas malas? E os cavalos? Onde estão eles? Eeeeei, Argorn!

— Que foi? Por que está gritando tão cedo? — Perguntou Argorn enquanto levantava de uma espécie de colchonete feito de peles de animais peludos, possivelmente algum tipo de urso.

Olhando em volta, Argorn entendeu a situação, tudo aquilo que aparentava possuir algum valor havia simplesmente sumido, incluindo os cavalos que haviam sido alugados. O restante que não aparentava ser valioso estava revirado e espalhado pelo chão. De alguma forma, mesmo estando reviradas, as coisas estavam organizadas em pequenos montes. Os objetos metálicos, tais quais como panelas e utensílios compunham um monte, roupas e tecidos de diversos usos compunham outro monte e assim por diante.

Ao lado de uma pilha de resto de comidas da noite anterior, dormia Shin, no mais pesado sono.

— Garoto! Levante! — Gritou Argorn, porém Shin permaneceu dormindo, mas não por muito tempo, sendo que seguindo o alarme rompante de Argorn um galho cruzou o acampamento atingindo Shin na cabeça, e dessa vez sim o fazendo despertar.

— Que? Não fui eu, sério, eu só comi um pedaço. — Dizia Shin enquanto acordava.

Argorn usava todas as suas proficiências obtidas ao longo das diversas caçadas que já teve, tentando rastrear alguma pista sobre o que havia acontecido ali.

— Viktor! Acorde os demais, precisaremos organizar tudo o que ainda temos e verificar tudo aquilo que foi tomado de nós.

Sendo assim, passaram-se alguns minutos, até que Viktor retornasse com Emanuelle, ela visivelmente já estava a par da situação pois trazia em mãos uma relação de todos os itens que o grupo havia trazido consigo do estábulo, sendo a lista dividida entre “Domésticos”,” Vestuário”,” Alimentação” e “outros”.

— Era só ter me acordado, é sério, o galho foi desnecessário Argorn. — Dizia Shin enquanto esfregava a testa vermelha pela pancada que havia levado no local.

— Certo, enquanto me arrumava pedi para o Viktor anotar tudo aquilo que ele deu falta nesta folha e eu acrescentei tudo aquilo que percebi estar faltando também. O levantamento que obtivemos com isso foi o seguinte. — Disse Emanuelle assim que ela e Viktor se juntaram aos demais.

— Todo e qualquer tipo de objeto que possuía algum metal em sua composição foi levado, todas as nossas panelas e nossos espetos de metal que usamos para assar nosso jantar foram levados, e tudo o que se assemelha a isso também.

— Todo nosso vestuário que parecia ser resistente o suficiente para aguentar algumas pancadas também foi levado. Nossos mantimentos também se foram, até mesmo o que sobrou da nossa janta de ontem.

— Oh Céus, oh vida, quem rouba comida?! Que tipo de monstro é esse? E agora? — Se lamentava Shin andando de um lado para o outro enquanto o restante do grupo não prestava atenção nele

— Nossos cavalos também foram levados, e curiosamente tudo aquilo que aparentava ter algum valor foi deixado para trás, ou seja, poderemos nos manter por alguns dias com aquilo que ainda temos das nossas finanças.

Argorn havia deixado na noite anterior em um baú dentro de uma das 2 tendas montadas ali toda a finança do grupo, a qual ele possuía a maior a parte e, que por sorte, não havia sido notado, ou pelo menos os bandidos não quiseram levar, acreditou ele.

Certo! — Disse ele. — Vamos buscar por pistas dos nossos queridos visitantes e iremos pegar de volta aquilo que eles pegaram emprestado sem nos pedir. Shin! Aproveite que está aí pensando na sua barriga e vá avisar a Flux sobre o que está acontecendo aqui. — Disse ele apontando para uma enorme árvore próxima dali.

— “Shin faça isso, Shin faça aquilo.” — Seguiu Shin em direção a árvore enquanto reclamava. — Eu só quero saber quando vamos tomar café da manhã. Pensava ele.

Chegando ao pé da grande árvore Shin a analisou com certa atenção, pôde ver que haviam pequenos buracos feitos de forma rústica no tronco da mesma que possibilitaram uma escalada segura, mas não fácil aqueles que não possuem um treinamento adequado, até o topo da grande árvore. Sendo assim, começou escalar e com uma certa rapidez conseguiu chegar até a copa da mesma. Lá encontrou um mirante improvisado com grossas tábuas presas umas às outras e pode também ver toda a região lá de cima, até mesmo o estábulo de onde vieram ele conseguia ver ao fundo.

Porém, não havia sinal algum de Flux. Ela havia sido levada também.