Shin! - Livro um, O Garoto Esquecido.
8 Capítulo 8 - A Lâmina do Desespero.
Flux abriu seus olhos com o chacoalhar que seu corpo sofria, porém não via nada além da mais pura escuridão. Se sentia amarrada e imóvel, pois de fato, estava presa com cordas e a venda em seu rosto cheirava a sangue podre e fezes, pelo menos era a única coisa que aqueles odores lembravam. Então, o chacoalhar repentinamente parou, e então uma voz aguda pôde ser ouvida.
— Aqui está ela senhor. — Disse a voz estridente.Flux foi arremessada em direção ao solo enquanto ouvia os dizeres. Caiu de uma forma desajeitada, lembrando um grande saco de legumes.— E o que temos aqui?. — perguntou uma segunda voz, essa por sua vez era segura e calma, diferente da anterior, essa parecia mais humana e de alguém muito jovem.— Ah, vejam só. Como a vida é engraçada. Olá pequena, a quanto tempo meu bem. — ContinuouEnquanto se ajeitava no solo, Flux tentava identificar o local. Se alinhando a testa no chão, pôde perceber que o local era humildade e viscoso, se pondo de joelhos, identificou que o solo era coberto por pedras, talvez blocos, ou grandes pedaços de rochedo, e por último, tentou respirar o mais fundo que pôde, e assim pôde perceber que o ar era escasso, assim chegando à conclusão de que se encontrava em alguma espécie de masmorra, caverna, ou na melhor das situações, um castelo velho.Flux ouviu um barulho suave vindo em sua direção, era quase imperceptível de tão delicado que era, porém sabia ela que eram passos. Os passos por sua vez cessaram e então, ela sentiu uma presença sutil em sua frente, se fosse outra ocasião, entenderia ela que uma folha teria caído de uma árvore diante dela.— Levante-se. — Ordenou o ser presente ali.Sua voz era a mesma firme e calma que Flux ouvirá pouco tempo atrás. Ela podia sentir um ar fresco emanando do ser, junto com a sensação de frescor que ele emitia, um doce cheiro perfumava o ar em sua volta.Flux permaneceu imóvel e notou que o ser fez o mesmo, por alguns poucos segundos a tensão se manteve, até o momento em que Flux pôde não mais sentir apenas o cheiro, ou então o lugar através do toque, mas sim, poder ver novamente onde estava.Diante de seus olhos Flux virá um homem, lhe deu uns 30 e poucos anos, 35 talvez, ele tinha a pele clara, assim como a neve e os cabelos eram longos e negros como a mais densa noite que se pode imaginar. Seus olhos eram azuis, do tipo mais escuro de azul conhecido até então, seu rosto era fino e seu nariz seguia as linhas retas das demais partes.Flux se sentiu ligeiramente envergonhada pois até mesmo ela que normalmente não se apegava a aparências havia achado aquele rapaz presente ali estranhamento belo.— Levante-se. — Disse o homem com uma das mãos tocando o rosto de Flux de forma carinhosa tal qual uma mãe acaricia um filho.Ela então se pôs a perceber algumas peculiaridades presentes em seu novo anfitrião. Suas unhas eram ligeiramente afiadas, senti-as tocando-lhe a pele com a impressão de que o menor descuido romperia seu rosto. Notou também que ele trajava vestimentas não comuns, pois só havia visto roupas iguais aquelas sendo usadas por reis ou lordes. O homem usava um grande sobretudo preto aberto na frente permitindo ver a parte de dentro do mesmo e nos ombros repousava a pele de um lobo.Por dentro do sobretudo, Flux também notou uma bainha roxa, longa e fina, suas bordas eram douradas, portando dentro de si algum tipo de espada, na ponta do cabo da arma podia-se notar um cordão dourado amarrado.Ela permaneceu imóvel, apenas esperando a próxima ação do homem na sua frente. Ele deu dois passos para trás e lentamente pousou a mão direita sobre o cabo da arma em sua cintura.Flux se preparou para esquivar de um possível ataque, um rolamento, um salto, apenas uma esquiva. Qualquer coisa que pudesse lhe dar mais alguns segundos de vida.Foi então que o homem desembainhou a arma de forma bela e sutil, como se estivesse fazendo uma espécie de dança harmoniosa, e em segundos ela estava apontada para Flux.Um raio de luz que emanava de uma fenda na parede onde o trio estava refletiu na lâmina da arma formando um feixe azul.Na cabeça de Flux ressoou o mais profundo desespero, como se milhões de gritos de dor e angustia pudessem ter sido ouvidos ao mesmo tempo dentro do lugar.Ela sentiu um extremo desespero e impotência, sentindo um arrepio passar por seu corpo e seus músculos paralisarem.Flux se sentia em uma dimensão paralela onde estavam apenas ela e o sujeito, os olhos azuis do homem a mantinham com sua atenção fixa nele, mesmo que ela não entendesse o porquê disso.O homem pediu uma terceira vez que ela se pusesse em pé, seus olhos azuis cintilavam, e ela de imediato seguiu seu comando, sentiu seus músculos rígidos enquanto se movia no processo, seus olhos se mantinham fixos no homem em sua frente, e o doce cheiro era mais forte do que nunca.
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