Shin! - Livro um, O Garoto Esquecido.
5 Capítulo 5 - A noite Azul
O dia estava ensolarado, o céu não possuía nuvens e também não ventava, a calmaria tomava conta do local, sendo que o único som que era possível de se ouvir foi de uma porta sendo aberta com um chute e em seguida se tornando a fechar
Argorn possuía uma cabana em uma pequena aldeia conhecida por Kori, situada ao sul do castelo de Alaghon, era rodeada por um grande e calmo rio, sendo esse localizado no meio de uma enorme clareira florestal.Tendo capturado Shin nos arredores da aldeia, Argorn o havia levado até o exterior de sua cabana para interrogá-lo, lá, já estavam reunidos Viktor, Flux e Emanuelle.— Certo! — Gritou Argorn saindo pela porta de sua cabana após abri-la com um segundo pontapé.— Chicote?— Check!— Comida?— Check!— Saco de dormir fofinho?— Check!Respondia Viktor enquanto conferia minuciosamente os equipamentos de Argorn em uma enorme mochila feita de peles que ele havia posto para fora da cabana.Para a surpresa de todos, Viktor era sobrinho de Argorn, sendo assim soube guiar os membros remanescentes do grupo até a cabana isolada de seu tio. Onde aguardaram tranquilamente até a chegada dele, e Shin.— Ok! Precisaremos passar por Zao para comprarmos mais alguns mantimentos, também precisamos de água potável.— Água Potável?! — Gritou Viktor olhando espantado para Shin— Sim, água, como você pretende viver sem água? — Perguntou ele olhando para Viktor.— Mas você diz água de Cactos? Da chuva? De Camelo? — Perguntava Viktor enquanto contava nos dedos os tipos de água que conhecia.— Você sabe que essa última que você mencionou é urina de Camelo né? — Disse Argorn com uma cara de desdém olhando para Viktor.Eis então que o som igual ao de um trovão se ouviu vindo da cabana de Argorn, a porta havia sido aberta com um soco tão forte que havia deixando-a frouxa, por ela entrou Shin, em seus olhos podia-se ver chamas de raiva e desespero.— Ei velhote! Ia me deixar preso lá até quando? — Gritava Shin enquanto apontava para a parte externa da cabana.— Bom, o tempo que fosse suficiente para você se soltar, afinal quem não consegue se livrar de uma simples corda não merece minha ajuda. — Respondeu Argorn enquanto continuava arrumando sua grande mochila.— Queeeeeeee !? — Gritou Shin enquanto olhava espantado.— Bem, se você já terminou, podemos partir. — Disse Argorn fechando a grande mochila.Dando um salto súbito Shin se aproximou de Argorn e começou a olhar curioso todas as ações que ele fazia.— Partir? Para onde? Para Kato? Uma mochila? Tem comida aí? Carne? — Disse Shin enquanto cutucava tudo que via.— Sim, estamos de partida, estaremos indo em direção a Kato sim, porém antes de ir até lá preciso passar em um vilarejo no caminho para comprar alguns suprimentos.— Suprimentos? Hm, sim, sim, suprimentos. Que tipo de suprimentos? — Perguntou Shin olhando para o céu.— O tipo que não são da sua ossada, e já estamos atrasados, precisamos seguir logo, o resto do pessoal deve estar lá dentro se aprontando para seguirmos, Viktor, vá junto com ele até lá chamar o pessoal. — Respondeu Argorn enquanto colocava a mochila em suas costas.— Oky — Responderam Viktor e Shin em uníssono.Sendo assim, ambos seguiram de volta até a cabana. Logo que entraram Shin pôde olhar melhor a cabana, e assim perceber que era maior por dentro do que aparentava ser por fora, era dividida em 5 cômodos visíveis, sendo que se podia identificar apenas 3 de imediato. Sendo eles assim que se entrava na cabana, o principal, mobiliado com algumas espécies de sofás e uma escrivaninha, o local onde Shin havia ficado preso, que ao invés de uma parede divisória possuía uma grade, e algo parecido com um quarto no qual se podia ver uma cama ao lado de uma grande janela aberta, estando a cama arrumada dá mais perfeita formaShin avistou de imediato uma silhueta corpulenta, porém feminina no canto do cômodo principal, estava em pé e focada em algo que não se podia identificar à primeira vista. Shin, percebeu então que era Flux, a guerreira que o Rei Alaghon havia enviado para ajudá-lo.Como ele não havia se dado muito bem com ela, simplesmente a ignorou e partiu para o próximo cômodo da casa enquanto Viktor fôra falar com ela. Sendo assim, Shin avistou uma porta fechada a sua esquerda que lhe chamou a atenção, pôs sua mão sobre a maçaneta e forçou a porta, que para sua surpresa, estava apenas encostada.A luz solar cegou os olhos castanhos de Shin, e assim que pôde retomar a visão ele pôde conferir melhor o local.Era basicamente uma cópia do mesmo quarto que ele havia visto anteriormente, a janela deste estava aberta e dava visão para um córrego, onde a água, corria vagarosamente e de forma continua, do outro lado do córrego Shin pôde ver grandes árvores com grandes copas verdes, mas nenhum fruto se podia ver nelas, ou sequer algum tipo de animal vivendo em seus topos ou em volta delas, o céu estava limpo e não havia sequer uma única corrente de vento no ar, a calmaria tomava conta absoluta do lugar.
Na esquerda do cômodo pôde notar que alguém dormia tranquilamente na cama, era Emanuelle, a garota do castelo que havia seguido Shin até onde se encontravam agora.— Hei garota! Levanta daí. – Gritou Shin fazendo estardalhaço.— Quem! Onde?! O que está acontecendo?! – Gritava Emanuelle enquanto pulava na cama.— Está na hora de partirmos, ande logo. – Respondeu Shin.— Ai que garoto mal educado! Já estou indo, estou indo. – Respondia Emanuelle enquanto levantava-se.— E lembre-se de chamar aquela mulher asquerosa que nos seguiu até aqui na saída. – Disse enquanto saia do quarto.— "Faça isso, faça aquilo". – Resmungava Emanuelle enquanto penteava os longos cabelos.Feito isso, Shin saiu da cabana, no caminho passando por Flux, que agora estava encostada em outro canto da "sala" dormindo em pé.Passaram-se 10 minutos, até que Emanuelle saiu da cabana e se juntou ao trio do lado externo, logo em seguido pode-se ver Flux fazendo o mesmo, ela havia tirado a malha que usava antes e posto um traje basicamente composto por couro e camurça.Pôde-se ver seu rosto melhor com esse traje, Shin percebeu que de fato ela era mais alta que que quase todos ali, tinha um corpo voluptuoso, os olhos eram claros e os seus cabelos eram avermelhados. Sua fase se mantinha rígida, pareceria estar pronta para cumprir uma ordem de um superior, ou eliminar um alvo.— Ué, onde é a festa Flux? Hahaha ! — Perguntava Shin enquanto apontava para ela.— Ai que garoto burro, estamos indo para um lugar quente, de dia fazem 70° e a noite -40, usando uma roupa assim ela se protege do calor do dia e do frio da noite com um único traje! – Explicou Viktor empolgado.Shin olhou para os lados e percebeu que todos vestiam só o essencial de seus trajes, menos ele.Estando reunido o grupo tomou caminho pelo Norte da aldeia enquanto Shin tirava tudo aquilo que parecia "inútil" e deixava perdido pelo caminho. Por fim ele estava trajando apenas a parte de baixo da armadura e no torso usava apenas uma camisa de um tecido próximo a mesma camurça de Flux, mas visivelmente inferior.Enquanto fazia isso acabou ficando para trás do grupo, e notou que Argorn levava consigo a sua adaga na cintura, Flux por sua vez, estava com seu grande bumerangue em suas costas, Viktor levava uma espécie de arco e Emanuelle um cajado.— Porque sou o único desarmado aqui? Eu preciso de uma arma, isso, algo perigoso e devastador, sim, isso mesmo algo que seja poderoso, sim isso mesmo. – Falava Shin para ele mesmo enquanto seguia seus amigos pela vila.A vila era de certa forma pacata, mas se podia sentir um ar melancólico no local, os poucos moradores que perambulavam pelo lugar por onde Shin e seus amigos passavam demonstravam uma tristeza sem fim em seus semblantes, as cabanas eram distribuídas em volta da praça, todas seguiam um mesmo padrão de construção, não que fossem todas iguais, porém lembravam muito umas às outras. Existiam poucas árvores espalhadas no local e de alguma forma eram todas vivas e com grandes copas, porém não haviam frutos ou animais em nenhuma delas. Também era possível avistar o rio do local onde estavam pois esse corria em volta da aldeia descendo de uma grande colina, e se aproveitando de um momento em que passaram próximo a ele, Shin também pode notar que a água era da mais pura e clara possível, porém não haviam peixes nadando ali, nem mesmo algas no fundo do rio ou espécie alguma de animal bebendo da água. Também se podia ver grandes moinhos ao fundo da aldeia localizados próximo ao topo das colinas próximas a maior que não se moviam já que o vento era inexistente no lugar, pode também avistar fazendas que não tinham animais e sequer qualquer tipo de plantação. Da mesma forma, cidadãos eram escassos, Shin não prestava mais atenção no caminho que percorriam, mas sim nas poucas pessoas que ele via enquanto andavam. Ele alegremente dizia para elas enquanto passavam por ele "Olá!" e outras vezes "Bom dia! Tudo bem?", porém não recebia resposta em nenhuma de suas tentativas, as pessoas simplesmente continuavam seus caminhos sem nenhuma expressão em seus rostos e podia-se ver que eles tinham uma tristeza imensurável como se tivessem perdido toda e qualquer esperança mesmo vivendo em um lugar bom.— Por que esse lugar é assim Argorn ?Ele parece estar morto mesmo estando vivo. – Perguntou Emanuelle.Então, Argorn explicou enquanto caminhavam que aquele era um lugar simples quando ele chegou ali, faziam 6 anos desde que ele estava morando ali, porém era um local completamente harmonioso e fértil.Grande parte dos produtos que iam para o castelo partiam da Aldeia de Kori pois ela possuía as fazendas mais vivas e com a maior diversidade possível de produtos que qualquer olho animal ou humano já teria visto em toda sua existência.Enormes plantações das mais diversas iguarias, desde vegetais comuns até mesmo dos mais inusitados tipos e formatos inundavam as fazendas e faziam delas grandes blocos coloridos e espalhafatosos se olhadas do alto das colinas. Até mesmo as próprias colinas possuíam grandes árvores carregadas de frutas frescas e de diversas cores jamais encontradas em qualquer outro lugar, tendo as copas robustas com folhas verdes e cintilantes.Por sua vez, o rio que passava por ali vindo de uma enorme cachoeira entre as colinas era de forma inexplicavelmente vastamente povoado de todos as espécies de animais aquáticos possíveis, tendo relatos de até mesmo terem avistado uma baleia certa vez, mas nunca se provou essa história. – Complementou ele dando uma grande gargalhada.— E então por que tudo está assim? – Tornou a perguntar Emanuelle.— Bem, eu me lembro do dia com toda a clareza possível.O Sol já havia se retirado do nosso céu e a Lua tomado seu lugar brilhando de forma esplendorosa, era uma noite de céu claro pois não haviam nuvens e nem mesmo vento, como no dia de hoje, apenas o som dos animais noturnos e a branca luz da Lua.Porém tudo mudou repentinamente, o Céu claro se tornou tão negro quanto a mais profunda tristeza, os ventos que surgiram tinham a fúria de leões famintos enquanto caçavam uma presa em fuga e à velocidade de corcéis em disparada e a Lua... – Fez uma pausa e então notou que todos estavam ao seu redor prestando atenção em cada palavra que era dita, até mesmo Shin.— Pôde-se ouvir uma grande explosão então, como se um raio tivesse acertado a terra, os ventos sessaram, e o desespero tomou conta de todos. Muitos morrerem naquela noite de forma inexplicável. Muitos relatos de demônios e magia negra sendo usada em algum ritual foram contados, mas apenas sei, que após aquele dia, nada foi como antes, a Lua, estava azul, e esse evento ficou conhecido por "A noite azul." – Concluiu ele.
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