Shin! - Livro um, O Garoto Esquecido.
10 Capítulo 11 – Trono e sangue
Flux abriu os olhos e percebeu estar em outro local que não era a sala fedida e mal iluminada de antes. O efeito temporário dos encantos do seu anfitrião haviam passado e ela pôde se sentir momentaneamente aliviada enquanto dava uma olhada no local.
Era muito parecido com a sala na qual estava presa, fedia menos? Sim, mas era quase tão fedorenta quanto. Porém era melhor iluminada com tochas bem espalhadas. Possuía também um lance de escadas de uns 4 ou 5 degraus irregulares que iam de encontro a um trono de pedras.
Estava em um lugar melhor que antes, porem com os punhos ainda atados, conseguiu então se sentar e pôde ver que do trono de pedras seu anfitrião à observava.
— Ah, vejam só quem nós dá o prazer de sua visita! Ela finalmente despertou! Oh, mas como você ainda se parece como antigamente eim?
Com esses olhos verdes do seu pai, seria impossível não reconhecer você, mesmo que 1000 anos passassem sem eu te ver, ainda assim lembraria perfeitamente de você. Até mesmo por quê, não só os olhos me trazem lembranças, mas você se parece muito com sua mãe.
Flux permaneceu sentada, apenas observando o homem que ela havia encontrado na masmorra falar sobre ela e seu passado. Até que finalmente disse.
— Eu não sei quem o senhor é, não entendo o motivo pelo qual estou sendo mantida aqui e nem mesmo como o senhor conseguiu me capturar. Mas só me deixe sair, e tudo fica por isso mesmo. Ok?
O homem então levantou-se do trono e partiu em direção a Flux, andando lentamente enquanto descia os degraus.
—Sabe garota, eu me lembro perfeitamente de você. Correndo pelas ruas de Kor, brincando com as crianças do povoados. E, sabe... Você não mudou quase nada.
— Quem é você afinal? A alguns dias atrás eu estava escoltando um grupo de imbecis a mando do rei. E agora estou aqui, admirando está sua fuça fedida. Afinal, em que posso te ajudar?
— Nos temos contas a acertar garota, e hoje chegou o dia que você as pagará.
A está altura, o homem já estava prestes a descer os degraus, quando subitamente estendeu sua mão direita, em direção a Flux que permanecia no chão.
— Curve-se. Obedeça. – ordenou o estranho homem com a mão estendida em direção a Flux.
Ela então, sem demora, se pôs em pé, e se curvou em direção a ele, tal qual lutadores marciais fazem antes de um duelo.
E assim, dentro da cabeça de Flux, tudo repentinamente havia começado a se mover, como se a sala estivesse dançando em frente aos seus olhos, as paredes se moviam em direções opostas e o teto e chão se lançavam um em direção ao outro. Até que ela adormeceu.
***
Shin, junto do restando do grupo seguiam trilha a fora por onde haviam vindo. Haviam decidido que o melhor seria retornarem até a vila de Pentref, o local onde Shin havia conhecido Argorn pela primeira vez. Lá também havia encontrado Viktor, o sobrinho de Argorn.
Argorn ensinou para Shin nos dias que estavam juntos alguns truques de caça. Ensinou a espreitar, a ter paciência, a esperar, a emboscar e a atacar furtivamente com uma espécie de lança que o próprio garoto havia confeccionado, e para a surpresa de Argorn, Shin levava muito jeito tanto com a caça, quanto com a estranha arma.
Com as poucas explicações de Argorn, Shin havia abatido 2 coelhos, um porco selvagem e uma espécie de gambá que só existia naquela região, este último era servido como uma iguaria na maior parte dos lugares.
—Sabe garoto, você leva jeito para essa toda sabe? – Disse Argorn
— Coisa? Que coisa? A lança? É bacana né?
— Onde será que você aprendeu a usá-la Shin? É visível que você a domina muito bem, e não é de hoje pelo jeito. Com algumas poucas dicas minhas você fez uma caça até que aceitável em pouco tempo.
— Ah, não sei, parece ser natural para mim usá-la, é algo que apenas tenho feito, e tem dado certo.
Shin carregava os coelhos amarrados por um cipó nos seus ombros, enquanto levava o gambá que não pensava mais que quinze quilos em um dos braços, nas suas costas, a arma improvisada e o porco segurado pelo outro braço eram levados.
Enquanto os dois seguiam a frente, Viktor e Emanuelle seguiam-nos logo atrás. Haviam passados aproximadamente quatro dias desde que Flux havia desaparecido e ambos estavam se dando muito bem nesse tempo.
Viktor carregava consigo algumas flechas feitas de pedras, galhos e algumas penas que ele encontrou.
Emanuelle por sua vez, levava consigo um bastão que ela lixou utilizando algumas roxas ásperas e estava cada vez mais interessada nas possibilidades de combate que poderia ter com esta curiosa arma.
Periodicamente treinavam juntos algumas poucas táticas de batalha, imaginando cenas de perigo onde Viktor cobria a retaguarda de Emanuelle enquanto ela realizava um ataque, ou até mesmo o contrário, quando treinavam táticas em que Emanuelle deveria salvar Viktor.
Mas a cima de todas as táticas que estavam aprendendo, da mira e astúcia de Viktor que estavam cada vez mais afiadas e as habilidades de combate a curta distância de Emanuelle que cresciam, sem perceberem, algo novo entre eles estava começando a surgir.
***
— Venha até mim, servo!
Gritou o anfitrião de Flux, e no mesmo estante em que ela despertou com o som de uma porta atrás do trono de pedra se abrindo de forma que fez um estrondo.
Por ela, saiu Rusigard, um homem grande, e completamente deformado. Tinha braços desproporcionais e andava com dificuldade, era corcunda e tinha uma face horrível, que parecia ter sido embaralhada e depois reposta no lugar, causando uma enorme deformidade no rosto.
Rusigard, porém, era forte, e cruel, sendo tido como o carrasco da masmorra.
— Pois bem Flux, estou aqui para terminar aquilo que não foi concluído anos atrás. Estou aqui para vingar meus planos que você arruinou destruindo Kor dez anos atrás !
— Kor? Mas quem raios é você afinal?
— Não recorda de mim Flux? É assim que te chama hoje em dia certo? Não lembra do tio Khazim? Aquele o qual você vivia correndo em volta e puxando a bainha das calças? Sabe Sqiwa. – Então ele fez uma pausa, retornando em direção aos degraus.
— Eu estava lá quando você morreu Sqiwa, eu vi o dia em que o sacrifício foi feito, eu vi o quanto seu pai chorou de tristeza pois não tinha nem a você, nem a sua mãe com ele Sqiwa.
Mas, também vi a aldeia Kor, pequena e miserável, crescer inexplicavelmente, e se tornar uma cidade próspera Sqiwa.
E digo mais, não sei qual tipo de magia aquele fracassado do seu pai fez, mas deu certo. Não posso negar que deu certo e meus trabalhos como mercador aumentaram, e tudo estava indo bem, e foi muito bem durante quatro anos.
Então você desceu do monte, você desceu do seu maldito túmulo e destruiu tudo aquilo que criei, tudo aquilo que conquistei!
— Eu não lembro disso... Na verdade eu achava até agora que eu havia crescido no castelo de Alaghon.
— Sim! E você cresceu Flux, realmente cresceu lá, pois após destruir a maldita cidade de Kor inteira, você sumiu. E foi achada só dias depois caída na mata próxima ao castelo de Alaghon, sendo acolhida e criada por ele. Lembro claramente, enquanto eu tentava vender algumas mercadorias que me sobraram lá, o dia em que vi esses seus malditos cabelos cor de fogo balançando no ar e te carregavam pelas ruas em direção ao castelo.
E hoje, finalmente terei minha vingança. Finalmente apreciarei você sendo destruída Flux.
Khazim seguiu de volta ao trono e sentou-se, de onde esperava assistir ao massacre pelo qual estava por vir enquanto Rusigard, ao lado do trono, aguardava ordens.
— Mate-a Rusigard – Ordenou Khazim
Então, Rusigard empunhou um enorme tacape que havia sido deixado propositalmente próximo ao trono. Tão grande que parecia uma enorme coluna de pedra, e partiu ferozmente em direção a Flux que estava amarrada caída ao chão.
— “ Ah, de novo não ! Eu não quero ter que chama-la. Mas eu preciso fazer isso. Pense... Pense Flux!”
— Mate-a ! Mate-a Rusigard!
Gritava Khazim, fazendo com que o enorme monstro se lança-se escadaria a baixo errando por pouco a cabeça de Flux que havia desviado nos últimos segundos.
“- Certo ! Eu aceito a sua ajuda! – Gritou Flux de joelhos — Venha Elflux! Me empreste sua força!”
Então Flux rolou na direção oposta de Rusigard e se pôs rapidamente em pé, para surpresa de Khazim e do grande homem, que já preparava um segundo ataque brutal.
O tacape passou novamente a poucos centímetros de Flux, mas não por sorte desta vez. A Deusa Elflux estava presente e nada mais poderia ser feito.
Rusigard enfurecido pelos erros consecutivos, partiu em frente para uma terceira e vestida, lançando desta vez a enorme arma na direção de Flux, porém desta vez, Flux partiu de encontro a ele também, pulando na hora exata em que a arma a acertaria e a usando como impulso, ela se lançou em direção a cabeça do homem, fazendo com que a no processo o grande pedaço de pedra se choca-se contra a parede oposta da sala, abrindo um enorme arrombou, ela cruzou suas pernas em volta do grande pescoço e facilmente o quebro, deixando Rusigard caído ao chão enquanto sangue saia de sua bocas, olhos e nariz.
Khazim espantando com tamanha reviravolta, pôs a mão no cabo da fina lâmina em sua cintura, a sacando e fazendo um som estridente ensurdecedor enquanto desferia uma estocada em direção a Flux, fazendo com que a garota esquivasse rapidamente em direção a nova abertura da sala e conseguindo escapar, porém a acertando no ombro direito.
— Eu terei minha vingança contra você Sqiwa ! Corra o quanto puder, um dia matarei você sua putinha ardilosa!
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