Shin! - Livro um, O Garoto Esquecido.
11 Capítulo 10 - A folha afiada
As calmas águas do lago Nif fluíam assim como uma folha ao vento. Por elas, os barcos pesqueiros repousavam, e os peixes ali brincavam enquanto os moradores de Kor tentavam acerta-los com arpões.
Do monte Khur, pessoas desciam com os seus deliciosos frutos recém coletados em volta ao Bosque Antar, que seriam usados de escambo e mantimentos para as pessoas da cidade.Sim, a Vila de Kor havia se expandido de forma inexplicável nos últimos 10 anos, e assim se desenvolveu o suficiente para se tornar uma grande e prospera cidade.Muitos diziam que isso era devido à sorte, e riam da maior parte das outras pessoas. Estas ditas outras pessoas, acreditavam firmemente que tudo estava melhor graças à um acontecimento de 10 anos atrás.Nesta data carinhosamente lembrada, o povo de Kor sofria uma terrível estiada, onde tudo estava repleto de gelo, e por isso temiam ser um castigo do Deus das estações Ifrihein, que juntamente com sau esposa, a Deusa da colheita Elflux, estavam enfurecidos com todos do povoado por eles não saberem o limite que podiam tirar deles.O povoado de Kor então, implorou que alguma medida fosse tomada dos governantes, e assim foi feito. O conselho de Kor decidiu então que três dias depois da reunião que tiverem, um casal deveria ser escolhido. Este casal, deveria por sua parte, possuir uma filha inocente e pura, que lembra-se as características da Deusa Elflux.A Deusa Elflux, sempre foi descrita como a mais bonita das mulheres já existentes em alguma realidade conhecida, possuindo cabelos que tinham a mesma cor que o Sol e os olhos tão verdes quanto as gramas mais verdes já vistas outrora.Por sorte de todas as pessoas que viviam em Kor, apenas um casal em toda Kor atendia ao pedido.A pequena Sqiwa, era uma criança adorável e amada por todos de Kor, e encantava por onde passava com seus longos cabelos laranjas, que lembravam chamas ao vento, e hipnotizava a todos com seus olhos verdes penetrantes.Sendo assim, os pais de Sqiwa, foram encarregados da seguinte tarefa: Na terceira lua cheia a partir da reunião do Conselho, deveriam juntamente de Sqiwa ir em direção ao topo do monte Khur, e assim que chegassem lá, deveriam então se reunir e fazer uma ultima refeição oferecida a ambos os Deuses, que era dito, que habitavam o topo da montanha, e o trio então deveria fazer uma refeição na presença de ambos.Então, após a refeição em oferenda aos Deuses do cultivo estações climáticas, deveriam fazer a parte mais difícil e dolorosa, do combinado.A filha do casal, de apenas seis anos de idade, deveria ser entregue aos Deuses como forma de agradecimento pela refeição em solo sagrado, e não menos importante, como um pedido de desculpas caso tenham cometido algum engano que havia enfurecido os Deuses. E assim foi feitoO pai da criança, enquanto caçava os coelhos e javalis do mato que ficavam no começo do bosque, afugentados pelas bestas selvagens de seu interior, recitava mantras e hinos, pedindo desculpas e perdões , enquanto dizia que, "Daria aquilo mais precioso que já lhe foi dado.” E que em troca disso, esperava esperançosamente que os Deuses se acalmassem.Enquanto o pai rezava e cantava ao caçar, e entre uma flechada e outra, um canto e uma prece, parava para montar um altar de rituais em uma grande clareira.A mãe e a criança, por sua vez, esperavam fora da mata, montando o acampamento onde passariam o começo da primeira noite. Porém, a criança de forma repentina, achou estranho sua mãe estar rezando em línguas que nunca viu, e cantando cantigas sobre a colheita e a vida. Mas ela não prestou muita atenção nisso, deixando logo para lá e voltando a brincar próximo a mãe.O pai da criança assim que concluiu sua caçada ali, retornou para o acampamento, onde juntos jantaram na presença dos Deuses.A criança subitamente adormeceu após a refeição. Talvez fosse pelo cansaço de brincar o dia inteiro em presença das cantigas da mãe, talvez fosse por no seu prato ter uma erva diferente que o seu pai havia colhido na mata, que era conhecida por fazer as pessoas adormecerem rapidamente, e bom, fosse por um motivo ou outro, funcionou.Porem, para o espanto do pai de Sqiwa, a mãe da pequena havia mudado de ideia durante o dia em que passaram juntas. Segundo ela, os Deuses haviam tocado seu coração, e lhe falaram que aquilo não era o certo a ser feito e que Sqiwa deveria ser preservada do sacrifício que estava por vim.O pai de Sqiwa, se enfureceu com a mãe da garota e com suas duvidas, a acusando de ser uma herege, por querer fugir dos costumes do conselho, e a amaldiçoando, dizendo que ela se arrependeria terrivelmente daquilo, pois o ritual aconteceria com ela querendo ou não, e que a mesma deveria se contentar com oque havia sido decidido.A discussão de ambos acalorou ao ponto da mãe de Sqiwa partir para cima do pai da garota, na tentativa de salva-la, desferindo um soco de punho direito em direção ao homem, que simplesmente segurou a mão de sua esposa e a subjugou.
Poucos sabiam, que a mãe de Sqiwa tinha o conhecimento de algumas artes marciais antigas, passadas de geração em geração por sua família, sendo estas tais artes conhecidas por serem praticadas em maioria pelas mulheres da família.Com a mão sendo firmemente pressionada, um chute com a perna esquerda foi desferido, acertando o homem na cabeça, fazendo-o cair para traz e se enfurecer terrivelmente. Enquanto isso, Sqiwa dormia tranquilamente na tenda erguida.O embate então, seguiu de forma feroz, com o pai de Sqiwa levantando de forma desengonçada, e empurrando fortemente a mulher, que despencou de costas no chão, batendo assim a cabeça em uma pedra próxima e desmaiando.A mulher ficou lá, caída ao chão enquanto se recuperava a tempo de ver o homem entrando na mata e levando Sqiwa com sigo.Com Sqiwa em seus braços ele seguiu por uma trilha que ele mesmo havia roçado com uma machadinha que usava para caçar junto de seu arco, chegando então até uma clareira na qual havia construído o altar.Este altar, era feito de madeira, media cerca de 3 metros no formato circular e em seu meio, havia um tronco verticalmente preso. Em volta ao tronco, o pai da menina havia espalhado diversas carcaças de animais mortos, vísceras e sangue, oque foi visto como um convite para as diversas criaturas que ali viviam.Então, ele amarrou usando uma corda firmemente a filha ao tronco em meio ao altar, então virou as costas para a criança e saiu.Enquanto andava pela trilha de volta, ouviu os gritos da criança em meio a mata, ouviu rugidos e sons grotescos que pareciam urros, e próximo a entrada da trilha, encontrou o cadáver de sua esposa dilacerado por garras. Ela havia visivelmente tentado salvar sua filha, e havia morrido por sua filha.Então, dez anos se passaram desde o dia em que o povoado de Kor foi salvo da friaca, e a paz reinava em todo o local.A época de lua cheia havia chegado, e quando anoiteceu ela se pôs no céu a brilhar de forma radiante, porem por pouco tempo ela foi o centro das atenções do festival lunar que acontecia na cidade.Em meio à um dos diversos pontos de festejo, uma flecha embebida em liquido inflamável acertou uma tocha.Era um liquido pegajoso, viscoso e esverdeado, lembrando uma baba vindo de algum monstro de filmes de terror.Logo, outra flecha acertou uma segundo tocha, fazendo-a cair de seu suporte e incinerar a parede da casa a qual estava presa.Os cidadãos corriam desesperadamente tentando conter as chamas e o ataque brutal que acontecia das flechas vindo da escuridão porém, este era o menor dos problemas que Kor teria naquela noite.Subitamente as flechas sessaram, e deram espaço para uma dança sangrenta que havia começado lentamente em um dos portões da cidade, onde os guardas haviam sido convidados a brindar com a morte.Lentamente, um corpo voluptuoso e esguio, passeava pelas ruas de Kor, assim como uma folha ao vento, uma folha extremamente afiada, que ao encontrar novos rostos em seu caminho, subitamente os degolava, sem hesitar, sem temor ou pena.Os olhos verdes por baixo do capuz negro, e do tecido que cobria parcialmente o rosto, miravam com precisão os pontos vitais de seus alvos sem piedade alguma e assim seguiam vagarosamente, harmoniosamente e elegantemente pelo festival lunar. A morte estava andando pelas ruas de Kor.Até que a pequena folha afiada chegou à uma das ultimas casas de Kor, a qual ela conhecia de longa data, e o seu dono, de data maior ainda. Em meio as chamas, uma pessoa podia ser vista caminhando calmamente.Por entre as chamas ela veio ao seu encontro, e ela pode ver um par de olhos verdes saindo por elas. — Oh, então é você quem está destruindo a cidade? É você minha pequena? Oh, você voltou para casa depois de dez anos Sqiwa. Eu senti tanto sua falta minha amada filha! – Disse ele indo em direção a garota. — Oh meu raio de luz, você lembra tanto a sua mãe! Estela, eu sinto tanta falta dela, eu senti tanto a sua falta Sqiwa. Venha aqui, me deixe te dar um abraço depois de tanto tempo minha filha.Então, o homem seguiu em direção a ela, por entre as chamar que rugiam e os escombros das casas, Sqiwa aguardava serenamente. Seus olhos verdes tais como os de seu pai miravam fixamente para ele enquanto ele se aproximava. Até que ele chegou e a abraçou.O abraço apertado do pai em sua filha afrouxou repentinamente, e lentamente ele começou a se ajoelhar.O rosto vidrado e assustado do homem mostrava a duvida de o pôr que sua filha havia lhe esfaqueado.Sqiwa ficou lá alguns segundos olhando para o pai enquanto sangue e tripas saiam de sua barriga e lhe disse. — Sqiwa morreu a dez anos pai. Eu não sou mais sua filha, eu sou a Deusa da colheita. Eu sou a materialização da vingança. Eu sou Elflux !
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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