Shin! - Livro um, O Garoto Esquecido.

1 Capítulo 1 - O garoto que se perdeu


Eram por volta das 3 horas da alvorada, uma forte chuva caia, quando o soar de batidas na enorme porta do castelo do Reino de Agorath fizeram – se ecoar por todo o enorme salão fazendo com que os guardas Reais saltassem de súbito do profundo sono em que se encontravam.

— Sim senhor! – Gritou um dos guardas no momento em que foi de seu “macio” banco de encontro ao chão.

— Cale-se gordo! Seus grunhidos se farão ouvir por todo o Reino! – Sussurrou o outro guarda que tentava se recompor de seu sono.

Novamente batidas ecoaram pelo local, mas antes mesmo que os dois atrapalhados vigias fossem de encontro à porta, um grito ecoou das escadas.

— Inúteis! Estavam dormindo? Pensam que não os vi? E está porta? Quando será aberta? Andem porcos! – Gritava uma dama enquanto descia as enormes escadas. Seu rosto não se fazia revelado, pois a pouca luminosidade do local iluminava apenas seu corpo.

— Sim My Lady! Ande seu gordo pateta, me ajude a abrir as portas! – Disse o guarda mais magro.

Usando um pouco mais de força do que necessário e com certa dificuldade, os dois guardas abriram as enormes portas deixando com que a intensa chuva entrasse com o auxílio dos fortes ventos que havia lá fora. Se arrastando próximo a porta, havia um homem, este trajava uma fina malha de metal, calças, botas e uma capa corroída em suas pontas e totalmente suja de lama.

— Quem é você? O que faz aqui? – Perguntou a dama olhando de longe.

E então o jovem desmaiou.

— Tragam-no para dentro! Chamarei o Rei!

Passaram-se 5 horas

— Onde estou? – perguntou o rapaz que havia chegado durante a madrugada.

Era um garoto de cabelos castanhos, tinha aparência física levemente forte, porém era de estatura média, aparentando ser o escudeiro de algum cavaleiro que já havia participado de diversos combates, estava em um pequeno quarto deitado sob uma cama, seu corpo estava coberto por faixas tamanho era seu número de ferimentos.

— Tenha calma, está seguro aqui. – Respondeu uma senhora enquanto trocava os panos da cabeça do rapaz.

— Que lugar é este? – Insistiu o rapaz.

— A febre parece ter diminuído, ao menos não vai mais morrer. – Disse a velha sem dar atenção a ele.

Enquanto a idosa ia de encontro a uma pilha de tecidos limpos, sons de batidas na porta puderam ser ouvidos.

—Entre – Disse a idosa.

Ao abrir a porta, uma bela jovem pode ser vista, tinha cabelos ruivos e compridos, era branca como a neve mesmo estando trajada como uma criada.

— Será que alguém me pode dizer onde estou!? – Gritou a rapaz altamente irritado.

— Olá Abba – disse a jovem enquanto entrava porta á dentro.

— Olá querida, o que deseja? – Indagou á idosa.

— Bem, o Rei deseja ver o cavalheiro que chegou à noite, acha que ele já está em condições de ir de encontro a nossa Majestade?

— Hum, pois bem, garoto como está se sentindo?

— Não sei ao certo, sinto uma dor enorme em minha cabeça, e não tenho forças para me mover.

— Ótimo! Ele está ótimo! Pode levá-lo. – respondeu a velha fazendo descaso com as reclamações do rapaz.

— Certo! Temos um Rei a nossa espera! – Gritou a garota.

Dando um salto à frente a garota agarrou um dos braços do rapaz lhe arrastando para fora da cama. O rapaz atordoado não sabia o que fazer enquanto a garota o vestia de forma estabanada como se ele fosse uma criança.

— Certo! Assim parece bom, agora vamos – Disse a garota enquanto puxava o rapaz pela porta.

As roupas do garoto haviam sido postas todas ao contrário.

Depois de seguidos minutos sendo arrastado pelos corredores o rapaz perguntou.

— Ei garota, qual é seu nome?

— Meu nome? Emanuelle, e o seu?

— Não sei meu nome.

— Não sabe? Como assim?

— Na verdade não sei ao certo, não me lembro.

— Bem- Disse a garota examinando o rapaz de cima a baixo. — Aqui está escrito SHIN. — Disse ela apontando para uma etiqueta nas roupas do rapaz — Será esse seu nome?

— Não sei, talvez seja – Respondeu o rapaz.

— Certo, chegamos – Respondeu Emanuelle.

Na frente de ambos havia duas portas muito grandes, não maior que as portas do salão principal, mas mesmo assim grandes. Ao lado de cada uma das portas, havia dois guardas, diferentes dos outros guardas, pois estes eram Guardas Imperiais.

— Olá, o rei quer ver ele. – disse Emanuelle apontando para Shin.

— Quem é você? O que quer com o Rei? — Perguntou o primeiro guarda.

— Ei, eu à conheço, deixe-o passar. – Disse o segundo guarda após dar uma piscadela para a garota.

Passando pela porta e pelos guardas os dois se encontraram em um enorme salão. Neste salão havia duas mesas repletas dos mais diversos alimentos. Na outra extremidade do salão, havia um grande trono, nele repousava o Rei de Agorath, Alaghon Tross. Assim que o rapaz avistou o Rei, partiu rapidamente em seu encontro.

— Quem é este garoto Emanuelle? – perguntou o Rei olhando para o pobre garoto.

— Não sabemos direito Senhor, na verdade nem ele sabe pois não se lembra de nada, mas acredito que seu nome seja Shin, pois está escrito em sua roupa. – Respondeu a garota.

Vendo a aflição por qual passava o jovem rapaz o Rei Alaghon levantou-se de seu trono, andou de um lado para o outro de forma pensativa, parou, retomou sua sequência de passos, pensou e pensou, e por fim, se sentou novamente.

— Escute criança – Disse o Rei – Meu reino não está em boas condições, os recursos que possuímos são apenas para as tropas disponíveis para proteger a cidade de possíveis ataques, pois o restante está em campanha, porém, conheço alguém que poderá lhe ajudar enquanto descobre o que aconteceu com você.

— Quem? – Perguntou Shin levantando a cabeça em direção ao Rei.

O Rei se levanta novamente, desta vez se dirige até o rapaz, o garoto abaixa sua cabeça perante o poderoso Rei de Agorath.

— Procure por Argorn, um grande amigo meu, ele lhe ajudará. – Disse o Rei pondo sua grande mão direita sobre o ombro de Shin.

— Argorn? Onde posso encontra-lo senhor? – Disse Shin olhando com admiração sem igual para Alaghon.

— Certo lhe direi aonde ele costuma viver – Disse o Rei enquanto voltava se sentar em seu enorme trono.

— Você deverá seguir até o Norte, próximo as províncias de Kato, lá você encontrará um pequeno vilarejo, pergunte por lá e você encontrará Argorn.

— E se eu me perder? O que devo fazer? Como voltarei?

— Já pensei nisto, tenha calma. Como precaução mandarei um dos meus melhores homens com você, ele se chama Flux.

— Flux? Que nome estranho, onde posso encontrá-lo? – Perguntou Shin.

— Apenas vá e siga seu caminho, Flux encontrara você.

— Se o senhor diz, assim confio. Peço vossa permissão para me retirar. – Disse Shin.

— Vá meu jovem, o caminho será longo. – Disse Alaghon.