Notas iniciais
Shin e Emanuelle partem em busca de Argorn, mas no caminho, encontram um guerreiro poderoso! Espere, é uma garota?

Após conversar com o Rei Alaghon Tross, Shin seguia rumo à saída do castelo acompanhado por Emanuelle.

— Flux? Que nome engraçado. – Disse Emanuelle.

— Pois é, mas enfim, devo partir... – Disse Shin.

— Ok, se cuide Shin, até outra hora. Completou Emanuelle com um ar de tristeza no rosto.

Neste momento Shin e Emanuelle se encontravam na saída dos domínios de Alaghon, próximos a uma floresta, quando foi possível ouvir o som de galhos quebrando ao longe.

— Você ouviu isto? – Perguntou Emanuelle.

— Ouvi, tenha cuidado – Respondeu Shin enquanto olhava atentamente para a mata.

Neste momento um vulto veloz pode ser visto passando entre os dois que mal puderam percebê-lo, em direção ao reino de Alaghon.

— Corra! – Gritou Shin.

Assim ambos começaram a correr em direção à mata enquanto o som de galhos continuava a ser ouvido seguindo o rastro de ambos.

— O que está acontecendo?! – Gritou Emanuelle.

— Não sei! Corra! – Berrou Shin.

O som de galhos e folhas se movendo continuava a segui-los e aumentava cada vez mais.

— Já não posso mais correr, estou cansada, já não sei onde estamos, devemos voltar Shin! – Disse Emanuelle.

— Não! Corra, se voltarmos isto nos alcançará, não pare continue correndo!

Os dois já haviam se distanciado o suficiente para que nenhuma ajuda pudesse chegar a tempo de ajuda-los, estavam no centro da floresta, corriam feitos loucos quando se depararam com um imenso lago.

— E agora? O que faremos Shin? – Pergunto Emanuelle enquanto segurava um dos braços de Shin.

— Fique atrás de mim, não se mova – Disse Shin.

O som dos galhos se movendo e quebrando continuava à aumentar de forma assustadora.

— Shin!!!!!! – gritou Emanuelle após fechar os olhos e apertar o braço de Shin.

No momento em que o grito da garota ecoou pela mata o som cessou, nada além do som das águas do lago era ouvido, os dois estavam em silêncio total.

— Certo, vamos. – Disse Shin.

Assim que o pé de Shin saiu do chão, um estrondo enorme tremeu todo o local fazendo com que Shin e Emanuelle fossem arremessados até a margem do lago. No local em que estavam antes apenas uma enorme nuvem de poeira podia ser vista.

— Mas o que diabos está acontecendo aqui!? – Gritou furiosamente Shin enquanto levantava da água.

Assim que a poeira ficava menos densa, a silhueta de um corpo se fazia visto, era uma silhueta feminina.

— Quem está aí? – Disse Emanuelle ainda sentada na água.

A poeira já havia sumido, no local havia uma bela mulher, era alta e virtuosa, trajava uma armadura de couro leve.

— Então, qual dos dois é Shin? – Perguntou a bela mulher.

— Quem quer saber? – Disse Emanuelle.

— Apenas responda, ou matarei ambos! – Falou a mulher.

— Sou eu, eu sou Shin. – Respondeu Shin.

— O que?! Alaghon me mandou até aqui, para cuidar de uma criança!? O que significa isto? – Perguntou a bela mulher.

— Ei, espere um momento, me lembro de já tela visto, sim eu à vi, e foi quando cheguei aqui pela madrugada, quem é você? – Disse Shin.

— Eu sou a melhor e mais ágil guerreira do reino de Agorath, meu nome é... Flux! – Respondeu a bela jovem.

— O que? Rei Alaghon mandou uma garota para me ajudar a chegar à Kato? – Disse Shin com ar de deboche no rosto.

— Ei bastardo! Quem pensa ser? O que um simples acompanhante de cavaleiros sabe sobre garotas? – Disse Flux se aproximando de modo que Shin tivesse que olhar para o alto para lhe olhar nos olhos.

O clima no ambiente era de total rivalidade, os 3 se encaravam de modo a deixar claro que a ajuda não foi bem aceita.

— Ok! — Disse Flux dando um salto atrás – Como vai ser bastardo? Irá precisar de minha ajuda ou não?

— NÃO! – Gritou Shin – Vá embora, não pedimos que viesse conosco!

— Ei, Shin, não sabemos como chegar até Kato, e muito menos quem é Argorn, não podemos deixa-la ir assim. – Disse Emanuelle

— Certo, se você é tão bom assim, siga em frente bastardo, quem sabe algum lobo lhe mata para alimentar seus filhotes. – Disse Flux dando um imenso salto fazendo com que uma nova nuvem de poeira se ergue-se e logo em seguida sumiu.

— Shin, acho que ela ficou braba – Disse Emanuelle.

— Dane-se, não ligo! Vim aqui por meu povo, e por ele seguirei, não importa quem vá comigo! – Resmungou Shin.

Após este evento, Shin contornou a margem do lago, seguindo seus rastros, Emanuelle.

— Ei, você realmente vai me seguir? – Disse Shin ao parar de andar de repente.

— Bem, você me fez vir aqui, então irei te seguir agora – Disse Emanuelle.

— Eu fiz? Como assim “Eu fiz” – Perguntou Shin franzindo a testa.

— “Corra, continue correndo, corra”. – Disse Emanuelle zombando de Shin.

— Você me seguiu por que quis. – Resmungou Shin.

— Lhe segui por que você berrou – Retrucou Emanuelle.

— Ah! Tanto faz! Não me importo com você! Vou Embora. – Disse Shin seguindo para a outra margem do lago.

— Ei aonde você vai? – Perguntou Emanuelle assustada

— Para Kato. – Respondeu Shin enquanto andava.

— E como pensa em chegar lá? – Disse Emanuelle.

— Não sei – Disse Shin.

Assim, Shin seguiu para onde achava ser Kato, Emanuelle que tanto havia reclamado, ainda o seguia, andaram por horas pela mata até o cair da noite.

— Certo, já está ficando escuro, devemos acampar aqui. – Disse Shin

—Aqui?! Como assim? Aqui é perigoso demais! Eu sou uma – Emanuelle faz uma pausa — garota!

— Sério? Não havia percebido. Mas se quiser, pode ficar acordada, assim economizo sono tendo que vigiar.

— Daqui não saio! – Berrou Emanuelle após sentar-se onde estava.

— Se é assim que você diz, irei pegar lenha e caçar. – Disse Shin enquanto se afastava do local.

Shin não havia notado, mas a cada passo, se afastava cada vez mais do local, andou tanto que havia saído da floresta e já era noite. A sua frente havia uma aldeia.

— Será que me perdi? O Norte é para este lado, eu acho. Bem, parece ter um vilarejo ali, irei até lá, quem sabe me dão alguma informação? Mas andei tanto que é possível eu estar em Kato já. – Falou Shin enquanto pensava.

Shin se aproximou da aldeia. Não era nada que se pudesse chamar de “Cidade Grande”, apenas algumas cabanas e um ou dois comércios, o suficiente para se viver.

— Alguém aí? — Disse Shin enquanto entrava pelos pequenos e simbólicos portões da aldeia.

Assim que Shin entrou na aldeia, foi possível ouvir o estalado de uma corda batendo de encontro ao chão e em seguida o som da mesma corda correndo pelas colunas de madeira dos portões, era uma armadilha, e agora Shin estava preso.

— Socorro!!! Alguém me ajude!! – Gritou Shin enquanto tentava sair da armadilha.

— O que temos aqui? – Disse uma voz masculina um tanto quanto rouca.

— Pegamos um! Viva! – Disse uma segunda voz, desta vez feminina.

— Viva! Temos comida!! – Gritaram duas crianças em uníssono.

Shin estava apavorado, seria comido? Morto? Quem sabe feito de escravo se tivesse sorte? Ele só tinha certeza sobre uma coisa, estava com grandes problemas.