Shikashi, Watashi Wa...
8 Especial de dia dos namorados
Notas iniciais
Quebrei meu recorde de palavras e de rapidez, em dois dias consegui postar um capítulo novo. Espero que gostem. Esse clima de Valentine's day é tão fofo...
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Aviso: a história é +13, mas talvez lá pro final seja para +16. Bom, eu já deixei avisado. Não me culpem depois.
Numa manhã de sábado qualquer, os moradores da cidade de Karakura estão se levantando para mais um dia de trabalho, de encontros, de diversões... e principalmente, à procura de um presente especial.
Nos dois dias que compõem o fim de semana, o sábado é o dia das compras e o domingo, o dia do descanso.
Sete horas da manhã. Qual jovem acorda a essa hora? Apenas adultos e crianças se levantam nesse horário. Enquanto um sai para trabalhar, o outro passa a manhã na frente da televisão ou brincando com outras crianças.
Mas hoje é um dia especial, porque daqui a três dias será o dia dos namorados. Muitos garotas e garotos acordam cedo e vão para as lojas procurar algo de especial para os seus colegas, amigos(as)... namorados(as). Alguns vão atrás de chocolates, outros dão CDs de suas bandas favoritas, ou até mesmo procuram reservas em restaurantes elegantes para passar a noite com seu amado(a). Mas o presente mais lindo, é quando um garoto pede a amada em namoro e eles trocam alianças.
– Ohayou, Kurosaki-kun!! O que você vai dar de presente para a Kuchiki-san? – perguntou Inoue encontrando Ichigo na cafeteria toda animada.
– Ah, ohayou, Inoue. Ainda não sei. O que você sugere?
– Huum... Ela gosta de coelhinhos fofinhos, não é? Por que você não dá um coelho de pelúcia? Ou um colar com pingente de coelho? Isso é tão kawaii!!!
– Hum. Obrigado pelas ideias. E você?
– Eu o que?
– Você não vai dar um presente para alguém em especial?
– Ah, isso. N-não! Não tenho ninguém em mente! Quer dizer...
– Calma, não precisa ficar nervosa. Eu só achei que... esquece.
– Ahn? Como? Achou o que? Pode falar, eu aguento.
– É meio pessoal e não tenho nada a ver com isso, mas eu achei que você iria comprar algo para o nosso professor de matemática substituto. Eu vejo como você olha para ele. Eu sei que você o admira, assim como todas as outras garotas e...
– Co-como a-assim? Hahaha! De onde você tirou essa ideia, Kurosaki-kun? Como você disse, ele é nosso professor. Não posso comprar um presente de dia dos namorados para ele né? E quem disse que ele iria aceitar também? Ele é um homem muito ocupado. O que ele iria ganhar perdendo tempo com uma garota como eu, se existem outras garotas muito melhores que eu?
A cada palavra, Inoue ficava mais triste por perceber que tudo o que ela dizia era a mais pura verdade.
– Inoue... me desculpe por ter falado isso. É que eu achei...
– Bom, você pensou errado, Kurosaki-kun. Mas não tem problema. Se nesse ano eu não der presente para ninguém, talvez no ano que vem eu já tenha arranjado um namorado para que a gente possa trocar presentes. – disse Orihime forçando um sorriso bonito.
– Bom, Inoue. Já vou indo. Acho que já encontrei o presente perfeito para a minha namorada.
– Que bom. O que vai dar a ela?
– Logo, logo você vai ficar sabendo. Ela tá morando contigo, certo? Então, assim que entregar os presentes a ela, você também vai saber.
– Ah, Kurosaki-kun! Fala o que é! Eu guardo segredo! – Inoue queria saber logo o que seu amigo iria comprar para Rukia.
– Tá bom, tá bom. Ah! Mas você não vai poder dizer pra ninguém, senão todos vão rir de mim.
Inoue concordou rapidamente, fazendo que sim com a cabeça.
Ele se aproximou dela e cochichou o que ia dar de presente para a Rukia.
– Kyaaaaaaahh!! Kurosaki-kun!!! Ela vai adorar!!
– Shh!! Não grita!! Te-tem certeza? – perguntou ele tirando a mão da orelha que estava estranha por causa do grito ardido de Orihime.
– É claro que sim! Qualquer garota iria adorar! A Kuchiki-san é uma garota de sorte!
– Hum. Obrigado, Inoue.
– Então eu já vou indo. Você precisa fazer os preparativos para o seu presente, não é? Tchau Kurosaki-kun. – Ela já estava se levantando da cadeira para ir embora.
– Hum. Mas Inoue...
– Ahn? O que foi? – perguntou ela voltando para onde ele estava sentado.
– Ah, eu ainda acho que você devia comprar pelo menos uma lembrancinha para ele. Você é muito melhor que qualquer outra garota. Não tenha medo. Eu sei que você gosta muito dele, porque, de repente, suas notas em matemática melhoraram muito e você faz de tudo para ir bem nas provas, nos trabalhos. Você faz de tudo para que ele lhe dê um pouco de atenção na aula.
– S-sim, mas...
– Não, chega desse mas. Se você gosta dele, como eu penso que você gosta, vá atrás dele. O máximo que ele vai dizer é não. E não tem essa de “Ele é um professor”. Se liga, ele é o que? Três ou quatro anos mais velho! Não há nenhum problema nisso.
– Tá bom, Kurosaki-kun. E-eu vou pensar. Agora tenho que ir. To atrasada para o... o... para o dentista! É isso! Te vejo mais tarde tá!
– Mas o que?
Com uma desculpa esfarrapada para sair de lá, Inoue começa a andar pelo centro da cidade. Pensando no que deve fazer, se deve seguir o conselho do seu amigo ou apenas esquecer tudo isso.
Não muito longe dali, um rapaz de cabelos pretos e olhos verdes, está andando pela cidade a procura de um presente que seja meigo e fofo, mas que ao mesmo tempo não signifique muita coisa.
“O que eu to fazendo aqui? Como professor dela, não deveria me envolver tanto nessas coisas. Se alguém da diretoria descobrir, perderei o emprego na hora. Mas já faz um ano que dou aula naquela escola e ela é minha vizinha também. Ah, Orihime, o que você fez comigo?”
É assim que o jovem professor pensava enquanto olhava as vitrines de inúmeras lojas, mas parecia que nenhuma delas tinha o presente perfeito.
“Por que é tão difícil encontrar uma simples coisa? Ela não é diferente de ninguém. Só mais uma jovem de 16 anos que nem deve notar que eu existo. Por que eu estou procurando um presente para você? Eu nem ao menos sei se você vai aceitar.”
Ulquiorra continuou andando e parou em frente de uma loja de perfumes, mas logo continuou em frente. Pensou em comprar um vestido mas achou melhor não.
Durante meia hora, ele ficou andando pelas ruas sempre olhando as vitrines, mas sem entrar em nenhuma loja.
“O que eu compro para uma amiga? É isso o que ela é para mim?” pensou ele e parou mais uma vez em frente a uma loja. Mas dessa vez ele resolveu entrar.
A loja vendia joias de todos os tipos. Uma vendedora bem alegre apareceu para atende-lo.
– Bom dia, senhor! O que gostaria de ver?
– Bom dia, o que você sugere para dar de presente para uma... amiga?
– Uhn... vejamos, vocês se conhecem há muito tempo? Ou ela é só uma colega ou é sua amiga mas quer que ela seja sua namorada?
– Bem, é... ela é só uma amiga. Quer dizer, conheço ela há um ano. Ela é minha vizinha.
– Ah, sim! O que você acha desse anel? Ele está na promoção e de brinde, vem essa linda pulseira.
– Não. Eu queria algo que não chamasse muita atenção. Ela não é minha namorada nem nada.
– E que tal isso?
Depois de uma hora e meia, os dois olharam praticamente a loja inteira. Ulquiorra parecia não gostar de nada e a moça ficava cada vez mais preocupada e pensativa. “Será que eles não são mesmo namorados? Me parece que ele está escondendo algo. Ah! Já sei! Como não lembrei disso antes?”
– O que você acha? Não é porque eu queira vender mas, é lindo não é? – a vendedora mostrou um lindo colar de ouro branco, delicadamente enfeitado com um pingente de flor.
– É muito bonito mesmo. Vou leva-lo.
– Ótimo! Tenho certeza de que sua namorada vai gostar muito!
– Ela não é minha namorada. Ela é só uma amiga.
– Claro, claro.
A moça colocou o colar dentro de uma caixa de veludo azul-marinho e colocou-a dentro de uma sacola com o nome da loja.
Ulquiorra pagou o colar, que não era tão caro quanto parecia, pegou o pacote e saiu da loja.
– Aqui está. Volte sempre!
– Hum. Obrigado.
Meio-dia.
“Será que eu devo comprar algo para ele? Ele é tão sério e confiante. AAAH! Atama ittai!! Onaka Itai!! (Cabeça dói! Barriga dói!) Acho melhor comer alguma coisa. Talvez de barriga cheia eu encontre a resposta.” Pensou Orihime, ao passar em frente de um restaurante self-service.
Sabe o que é mais engraçado? O destino.
Orihime entrou no restaurante e foi ao banheiro lavar as mãos, primeiro. Quando voltou e foi para a fila, adivinha quem estava na frente?
– Ul-Ulquiorra-kun?
– Ah, olá Orihime-chan. Também veio almoçar?
– Ah, hai. É que eu... – ela não ia dizer que estava procurando um presente para o dia dos namorados, né? – ahn, eu queria experimentar algo novo. A Tatsuki-chan disse que esse restaurante é bom e eu resolvi ver.
– Hum.
Eles pegaram a comida aos poucos, já que a fila demorava um pouco para andar. Depois sentaram juntos em uma mesa num dos cantos mais fundos e que tinha uma bela vista para as ruas da cidade.
Orihime ficava olhando o jeito dele de pegar nos talheres, o cuidado ao limpar a boca, o modo elegante de beber o suco. Ela ficou vermelha quando os olhos se encontraram.
Ulquiorra estava um pouco nervoso porque há pouco tempo, tinha comprado o presente para a pessoa que estava sentada na sua frente, toda sorridente, com um jeitinho delicado de segurar a tigela de arroz, as presilhas prendendo o cabelo... no que ele estava pensando? Quando seus olhos se encontraram, ele notou que Orihime ficou envergonhada, mas fingiu não perceber e continuou comendo.
Por meia hora, eles ficaram lá sem abrir a boca, a não ser para comer, é claro. Até que ela tomou a iniciativa de perguntar alguma coisa.
– Ne, Ulquiorra-kun. Comprou um presente para a namorada? Gomen! Eu não devia perguntar. Isso não é da minha conta!
– Ahn? Não se preocupe, e isso, disse ele olhando a sacola com o presente, é só uma coisinha boba e eu não tenho namorada.
– Ah. Ne, eu posso fazer uma pergunta?
– Você já a fez, mas pode fazer outra, disse ele tentando fazê-la rir. Pelo menos deu certo.
– Se eu... ahn... gostasse de alguém e quisesse dar um presente para ele, ahn... o que você sugeriria? Não precisa responder se não quiser!
– Ah, eu não sei. Iria depender do que ele gosta.
Ulquiorra não deixou parecer, mas por dentro alguma coisa começou a deixa-lo com raiva, o que foi totalmente estranho para ele. “O que eu estava pensando quando comprei o colar para ela? É claro que ela gosta de outro. Como sou idiota.”
– Ahn, por exemplo, só por exemplo. Se eu quisesse dar algo para você, o que você gostaria?
Essa pergunta soou muito estranho para ele e interrompeu todos os devaneios e pensamentos maldosos sobre a garota sentada na sua frente.
– Pode repetir a pergunta? Não entendi muito bem.
– Ah, esquece!
– Não, por favor repita-a.
– É que... *suspiro* Se, por exemplo eu quisesse dar algo para você, o que você gostaria de receber?
– Bom, nunca pensei nisso antes, mas como eu gosto de ler, acho que um livro seria bom para mim. Mas, por que a pergunta?
– Ahn, por nada! É que eu ainda não sei o que compro de presente para um amigo.
Depois que eles terminaram de comer, saíram de lugar e Orihime resolveu ir até uma livraria.
– Gostaria de vir junto comigo?
– Claro. Assim eu posso ver livros novos e comprar mais pra frente, quando receber meu próximo salário.
Eles andaram algumas quadras a frente e chegaram em uma loja com fachada bem simples. Por dentro, o lugar era enorme, decorado de uma forma diferente, era como se eles tivessem viajado no tempo e ido parar em uma livraria do século XIX.
Os dois foram em direções diferentes, mas Orihime ficava de olho para ver que livro ele escolhia. Ela o viu pegando um livro, folheando-o rapidamente e largando-o logo em seguida. Ele fez isso mais duas vezes e depois pegou um outro. Dessa vez suas reações foram um pouco diferentes: ao invés de larga-lo logo, ele ficou encarando o livro, como se quisesse compra-lo, mas não tinha dinheiro suficiente para isso. Por fim largou e foi para outro canto.
Ela correu até onde ele estava e pegou o mesmo livro. “O diário de Anne Frank,ele tem razão para querer compra-lo.”
No caixa, a atendente embrulhou o livro em uma caixa e entregou para Orihime, que a pagou e depois foi atrás de Ulquiorra.
Ele estava no mesmo lugar de antes, olhando para um outro exemplar idêntico ao que Orihime havia comprado.
– Você gostaria de compra-lo?
– Sim. Minha mãe lia para mim quando eu era pequeno. Encontrou o que queria?
– Aham. Aqui está. Já podemos ir para casa. A não ser que você vá para algum outro lugar.
– Não. Já vou indo para casa também.
O resto do sábado foi bem comum para os dois “amigos”.
Cada um voltou para suas casas com suas dúvidas em mente.
O fim de semana sempre passa rápido para qualquer um.
Ichigo e Rukia quase mal conseguiram passar o domingo juntos, ora por causa do pai, ora por causa dos hollows que insistiam em atacar Karakura.
Pelo menos o presente de dia dos namorados já estava comprado e preparado. Terça-feira seria um dia muito especial para todos.
Segunda-feira, 9:35, colégio Karakura:
– Ichigo?
– O que foi Rukia?
– O que é esse Valentine’s Day que todas as garotas estão falando?
– Esqueci que você não tinha isso na Soul Society. É um dia em que os namorados trocam presentes e saem para passar o dia juntos.
– E quando é?
– Amanhã.
– Amanhã? Ichigo! Por que você não me avisou antes, seu Bakayarou!
– Porque eu achei que você sabia!
– Mas como eu não sabia, eu não comprei nada para você. Agora eu tenho que correr para encontrar alguma coisa. E se você ficar sem ganhar nada a culpa não vai ser minha e sim sua por não ter me avisado!
– Calma. Não precisa de tanto. Amanhã vamos passar o dia juntos como namorados e tenho uma surpresa para você. E eu nem ligo se não ganhar nada, porque eu já tenho você.
– Não fala assim, eu fico até emocionada. Mas eu tenho que comprar alguma coisa.
– Kuchiki! Kurosaki! Querem fazer o favor de calarem a boca? Ou então ficarão até depois da aula! – a professora gritou para que os dois ficassem quietos.
– Hai, sensei – responderam em uníssono.
O dia passou tão rápido quanto começou e no dia seguinte, já seria o grande feriado.
Terça-feira, 10:30, casa do Ichigo:
– IIIIIIIchiiiiiigooooooo!!! Bom dia!!!
– O que você está fazendo?? Vai tentar fazer eu derramar café no presente?
– Papai, pare com isso. O onii-san está todo arrumado assim para encontrar a namorada dele, a Rukia-chan.
– Ichigo, meu filho está crescendo! Eu estou ficando velho. Olhe para ele Masaki! Já está até namorando! Se quiser, eu posso dar umas dicas de como...
– Não! Não precisa e nem quero saber o que você está pensando, pai! Hum, eu já vou indo. Quero que a casa esteja arrumada quando eu voltar. Vocês me deixaram traze-la aqui para jantar esta noite.
– Não se preocupe, onii-san. Tudo vai sair como o planejado.
– Ichigo... você já é um homem! Dá um abraço aqui filhão!
– Saindo.
Mais um dia normal na família Kurosaki. Seria se hoje não fosse feriado e dia dos namorados também.
“Será que a Rukia vai gostar do meu presente? Por que eu to me preocupando com isso? Talvez porque eu seja o namorado dela né, baka!”
Ichigo continuou andando até a casa da Orihime, onde Rukia está morando temporariamente. Quando ele virou a última esquina, pensou ter sentido uma reiatsu estranha, mas nem ligou muito porque logo desapareceu. “Talvez o Ishida ou o Sado já tenham visto aquela coisa e acabado com ele.” Pensou ele.
Chegando na entrada da casa, ele parou e respirou fundo, conferiu o presente mais uma vez e bateu na porta.
*toc*, *toc*, *toc*.
– Já vai, já vai! – gritou Orihime de dentro. – Oh, ohayou, Kurosaki-kun! A Kuchiki-san está tomando banho, se quiser esperar por ela aqui na sala.
– Ohayou, Inoue. Fazer o que né. E aí? Comprou um presente para ele?
– Ahn. Bem, sim. Só que eu não sei se ele vai aceitar porque ele comprou um presente para outra garota. Ah, Kurosaki-kun! Ele é tão diferente de mim! Me sinto uma criança perto dele.
– Calma. Não fique colocando besteiras na cabeça. Tenho certeza que...*porta batendo* Vai atender a porta, quem sabe não é ele.
– Não, eu não vou. Será que você pode ir no meu lugar?
– Ah Inoue!
– Por favor, por favor, por favoor!!
– Tá bom!
Ulquiorra’s POV
É hoje.
Vou entregar apenas algo para que ela não se esqueça de mim. É apenas isso. Somos amigos e vizinhos, certo?
Acordei cedo e tomei um longo banho frio para acalmar os nervos. Mas parece que não resolveu muita coisa porque aqui estou eu, suando frio novamente. Ainda não entendo por que. O que ela representa para mim?
Peguei o embrulho guardado no quarto e dei uma última olhada.
– Hoje eu entrego para ela.
Já está decidido. Eu vou agora de manhã cedo, enquanto minha cabeça está em ordem. Coloquei uma camisa branca, uma calça jeans escura e os sapatos que sempre me deram sorte. Atravessei a porta e fui andando até chegar à casa dela. Bati a porta de leve e esperei ela vir atender.
– Já estou indo! – voz de homem? Parece ser do... – Bom dia, Ulquiorra-san.
– Hum, bom dia. A Inoue-san está? Se não estiver eu volto mais tarde.
– Ah, eu sabia que era ela que devia ter atendido a porta. Não quero que pense nada de mim, por favor! Ela está ali, eu só estou esperando a Rukia sair do banho para passar o dia dos namorados juntos, é só isso! Entra, você não vai ficar aí parado feito dois de paus, ou vai?
– Hum. Com licença.
Sabe que não entendi uma palavra do que ele disse?
– Eu... vou deixa-los sozinhos. Inoue, vou lá na cozinha pegar um pouco de água, se a Rukia aparecer, fala pra ela que eu to na cozinha.
– Hai, Kurosaki-kun. Ahn... O-ohayou, Ulquiorra-san! E-eu te-tenho uma coisa para te e-entregar. Espero que goste.
Como uma moça pode ser tão doce, mesmo eu sendo rude e dizendo tudo o que vem na minha cabeça?
– Hum. Obrigado.
Peguei o embrulho que estava nas mãos delas, que estavam tremendo e um pouco mais frias que o normal. A caixa me lembrou um pouco do dia em que estávamos na livraria a proc... espera aí. Abri o lacre e não consegui acreditar no que meus olhos viam.
– Inoue... aquele dia que você perguntou, o que eu gostaria de ganhar... o que iria dar de presente para uma pessoa... era sobre isso que você estava falando?
– E-era.
– Soka (certo). Eu também tenho uma coisa para você.
– Para mim?
– É algo simples. Espero que goste.
Entreguei a pequena sacola a ela. Inoue desamarrou a fita e abriu a sacola, tirou uma caixa de veludo azul e olhou para mim antes de abri-la.
– Tem certeza que é para mim essa “coisinha boba”? – tive vontade de sorrir mas não o fiz, o que fez ela voltar os olhos para a caixa e abri-la. – Ah... Ulquiorra-kun... É muito lindo! Não posso aceitar! Comparado ao que te dei, esse presente é... não posso aceitar.
– Presente dado não se devolve. Deixa eu colocar em você.
– Ino... epa. Me desculpem a intromissão. Inoue você sabe onde o Ichigo está?
– N-na cozinha! Ele está na cozinha!
– Obrigada, vou deixar vocês sozinhos. Me desculpem! Orihime-chan, Ulquiorra-san.
Ichigo’s POV:
– Bela entrada, hein? Conseguiu quebrar o clima deles.
– Eu não sabia o que estava acontecendo. Eu juro. E também não sabia que ele viria aqui agora.
– Ah, mas tudo bem. Eu escutei a conversa deles, depois eu te conto. Agora, aqui está um dos seus presentes.
– Que coisa fe... ahn? Ichigo, isso é o que to pensando que é?
– Não sei. Olha aí.
– Grosso! AAAAHH! Você comprou mesmo aquele coelho de pelúcia que eu queria!!
– Shh! Fala mais baixo. Eles vão nos ouvir. Deixa pra lá, vamos para o segundo presente, disse puxando-a para sairmos da casa da Inoue pela porta dos fundos.
– Mas antes, Ichigo.
– Que é? – Ela me deu um abraço apertado e beijou meu rosto.
– Obrigada. Agora, vamos? Pra onde você vai me levar?
– É surpresa. Mas você vai gostar, tenho certeza.
Fomos até o parque de diversões que foi montada especialmente para o dia dos namorados.
– Chegamos. Você já esteve num lugar como esse antes?
– Não, nunca. É minha primeira vez. O que a gente faz aqui?
– Primeiro a gente compra o nosso cartão-passe, que nos dá o direito de ir a todos os brinquedos e jogos. Só temos que pagar pela comida e bebida. Aí nós escolhemos o brinquedo, como montanha-russa, roda gigante. Em qual você quer ir primeiro?
– Naquele, ela apontou para a roda gigante.
– Então vamos.
Ichigo’s POV off.
Enquanto os dois se divertem no parque, Inoue e Ulquiorra ainda se sentem desconfortáveis, um com o outro.
Casa da Orihime, 11:47
– Então, eu queria te agradecer pelo colar. Eu gostei muito.
– É algo simples. Quero que use sempre, assim poderá se lembrar de mim.
– Não fale assim, parece até que está me dizendo adeus.
– Mas quem sabe quanto tempo eu viverei? Hoje estou aqui, mas e amanhã? Ah! Tem razão me desculpe por ter dito coisas sem pensar novamente.
De novo. O silêncio voltou a reinar naquela sala.
Não tão distante dali...
– Sado-kun! Encontrou o hollow? – perguntou Ishida ao se encontrar com ele.
– Não.
– De onde será que a reiatsu dele está vindo?
– Parece ser... dali, Sado aponta em direção do...
– Tem certeza?! Muitas pessoas estão lá comemorando o dia dos namorados! Isso seria uma catástrofe!
– Vamos falar com o Urahara-san.
– Ele não está na cidade. Parece que ele teve um problema e foi chamado para a ir até a Soul Society e a Yoruichi-san também não está mais aqui.
Na Soul Society...
– Que bom que você resolveu aparecer na festa, Kisuke!
– Ah, olá Yoruichi Você está bem... elegante.
– Digo o mesmo para você. Agora, vamos aproveitar antes que a Rangiku beba todo o sakê antes da hora e não sobre nada para a gente. Depois, temos outra festa para ir, que vai ser na mansão Kuchiki.
Urahara cospe o sakê que bebeu e diz:
– Como vocês conseguiram convencer o Byakuya de uma coisa dessas?
– Na verdade não conseguimos, mas ele não vai estar aqui hoje. Ele foi para o mundo real atrás da Rukia.
– Hahaha! O Ichigo vai se dar muito mal. Você sabia que eles estão namorando?
– Aham. A Rukia me contou. Bom, vamos deixar eles para lá e aproveitar a festa?
– É claro!
Voltando ao mundo real:
– Quando a gente mais precisa, todos desaparecem. É incrível, resmungou Ishida.
– Hum.
– Você sentiu isso?
– Sim. Vamos até o parque agora.
De repente, o “celular” da Rukia tocou.
– O que é isso? Será que é um hollow? O sinal sumiu.
– O que foi?
– Parece que vamos ter que deixar o nosso encontro para outro dia, afinal das contas, eu sou a shinigami protetora e você é um shinigami substituto.
Por menos que os dois quisessem fazer isso, a obrigação vem em primeiro lugar.
Rukia usou se gikongan “chappy” e Ichigo tratou de esconder seu corpo, já que usar o Kon seria um ato de suicídio, literalmente.
– O Kon ainda não superou a brincadeira que fizemos com ele?
– Acho que ele nunca vai superar. Agora eu espero que ninguém encontre meu corpo aqui. O sinal do hollow voltou?
– Sim. Ele está perto, mas não parece ser um hollow qualquer, parece ser algo mais poderoso.
– Talvez seja o Aizen botando o plano dele em ação.
– Ainda é cedo para pensarmos nisso. Mas parece ser um hollow bastante forte, talvez seja um menos.
– Kuchiki-san! Kurosaki-kun! Que bom que os achamos. Parece que tem uma criatura muito forte rondando o parque agora, disse Ishida um pouco ofegante.
– Ishida? Sado? Vocês já viram o que é?
– Ainda não, mas ele é forte, respondeu Sado no seu jeito de sempre.
– Então vamos nos separar, assim será mais fácil de captura-lo. O primeiro que achar, tenta dar um sinal para que os outros venham ajudar, certo? – Rukia disse o seu plano.
– Esperem por mim!!
– Inoue?! O que você está fazendo aqui? Cadê o Ulquiorra-san? – perguntou Ichigo sem entender o que estava acontecendo e por que ela estava aqui.
– Eu disse a ele que tinha que resolver uma coisa importante e que era perigoso ele vir junto comigo. Então eu pedi para ele ficar lá em casa esperando eu voltar.
– Bom, Inoue, eu acho que não deu muito certo. Pode aparecer Ulquiorra-san! Eu estou te vendo daí! – gritou Ichigo para uma árvore.
– Kurosaki-kun? Kuchiki-kun? São vocês mesmos? Que roupas estranhas são essas? Ishida-kun, você também está estranho nessa roupa branca e Sado-kun, o que houve com seu braço? Inoue, pode me explicar o que está acontecendo?
– Etto...(bom...)
– Espera aí, você está nos enxergando? – perguntou Rukia.
– Mas é claro. Eu não sou cego. Por qual motivo eu não enxergaria vocês?
– Porque nós somos invisíveis à maioria dos humanos, disse Ichigo, mas já que consegue nos ver então deve conseguir ver os hollows, criaturas que perderam suas almas para algum tipo de infelicidade e que para sobreviver precisam absorver almas de espíritos menores e coisas desse tipo.
– Então foi isso o que vi, no dia em que meus pais e irmãos... morreram? Aqueles monstros são hollows?
– Infelizmente, sim.
– Kyahahahahaha!! Hahahahaha!!
– Vocês ouviram isso? – perguntou Ulquiorra calmamente.
– Sim, parece que ele finalmente resolveu mostrar as caras. Se afaste, Ulquiorra-kun. Qualquer coisa a Orihime lhe protegerá.
– Orihime? – ele olhou para ela sem entender o que ele quis dizer – Como assim?
– Eu posso formar um escudo e proteger as pessoas que eu quero, dizendo “Santten Kisshun”
– Ora, ora. Olha só o que vejo. Dois shinigamis deliciosos, um quincy e três pessoas com reiatsus bastante elevadas. Parece que terei um banquete. Ah, mas antes, deixa eu me apresentar: me chamo Nestore di Palladium e sou um Adjucha.
– O que é isso?
– Que bom que perguntou. Você conhece os hollows, certo? Mas sabe o que acontece quando um deles quebra a sua máscara e sobrevive? Se torna um adjucha. É a segunda classe mais poderosa que existe, perde apenas para o Vasto Lorde. Desse jeito, ele se torna mais forte, até mesmo que um capitão da Soul Society... é assim que você luta, Quincy? Atacando os outros pelas costas, no momento em que ele se encontra distraído? Se é assim, vou te mostrar como se faz de verdade.
O Adjucha tem uma velocidade muito maior que a de um hollow. Então ele se aproveitou dessa vantagem e acertou suas garras nas costas do Ishida, que abriu um talho e o sangue começou a sair.
– Ishida! Ninguém machuca os meus amigos e sai impune disso! – gritou Ichigo.
– Hahahahaha! Como se eu me importasse com amigos! Eles são apenas estorvos. Estão sempre no caminho te atrapalhando, desse jeito você nunca conseguirá ficar forte, cabeça de fogo. Nenhum de vocês conseguirá. Hum, mais um que tenta atacar? Isso é tão errado... não sabem fazer uma briga limpa?
Dessa vez, o Sado que caiu. O Nestore pegou os braços dele e puxou-os para trás com muita força e... o som dos ossos... foram ouvidos por todos.
– Ora seu...
– Ichigo fica quieto. Não percebeu que ele está brincando com você? Resista a isso.
– Ah, como é lindo o amor. A jovem salvadora tenta proteger o amado. Mas você não vai conseguir, apenas cairá junto com os outros.
A criatura se transformou em uma pessoa, para ser mais exata no capitão do 6º esquadrão: Kuchiki Byakuya.
– Nii-sama... Mas como você fez isso?
– Simples, apenas absorvi parte de suas memórias, Kuchiki Rukia. Esse é o meu poder e olha que eu ainda nem puxei minha zanpakutou. Mas, eu não preciso mais de você. Agora você é apenas lixo.
O falso Byakuya se moveu rapidamente e sem que ninguém conseguisse notar precisamente, perfurou uma zanpakutou na barriga da pequena. Ichigo correu até ela, mas não conseguiu se aproximar por causa do monstro a sua frente.
– Rukiaaa!! Saia da frente!!
– O que adianta ficar chorando por alguém que já se foi?
– Ela não se foi! Inoue! Faça alguma coisa com eles! Por favor! Salve-os, salve a Rukia.
– Você não entende mesmo. Chire, Senbonzakura.
– Ah não. Não vai machucar mais ninguém. Getsuga... Tenshou!!!
Ichigo fez com que o Adjucha se distraísse um pouco para que pudesse carrega-lo para outro lugar, onde não fosse machucar nenhum de seus amigos ou qualquer outra pessoa.
– Por que você se preocupa tanto assim com eles? Eles são apenas lixo. Não servem para nada, só vão atrapalhar. E quando você ficar forte, eles terão medo e te abandonarão.
– Por que você não cala essa boca e fica na sua? Eu não tenho culpa de você estar solitário, mas vai azucrinar a cabeça de outra pessoa. Eu não vou cair nessa conversa idiota!
– É mesmo?
O falso capitão se aproximou dele pelas costas e conseguiu apenas deixar um arranhão no braço do Ichigo.
– Seus reflexos são bons. Mas não tanto quanto os meus. Chire, senbonzakura.
O ataque começou a vir de todas as direções rapidamente. Parecia que tudo estava perdido para todos. A força do Adjucha, como ele tinha dito antes de si mesmo, é de uma força de capitão. Cada corte feito pela falsa senbonzakura doía muito mais do que quando o verdadeiro Byakuya o atacou na Soul Society. E cada vez mais as feridas ficavam maiores, mais doloridas, mais mortais.
– Você não prefere desistir de tudo e morrer com dignidade? Todo mundo tem consciência dos seus limites e você já chegou nele. Então morra, Kurosaki Ichigo!
– Chire, Senbonzakura.
– Mas o que...
– Como ousa pegar o meu poder e usá-lo dessa forma? Isso é inadmissível. Essa será sua condenação por ter feito mal uso de um poder que nem é seu. Você vai morrer pelas mãos do verdadeiro capitão do 6º esquadrão. Considere isso uma honra. Senkei Senbonzakura Kageyoshi.
Tudo aconteceu muito rápido. Primeiro, o Adjucha, Nestore di Palladium, caiu de joelhos devido aos cortes feitos pela zanpakutou do taichou, depois em alguns segundos, ele já se encontrava caído completamente no chão, sem movimento algum, até que suas partículas espirituais foram sumindo lentamente.
– Byakuya, se não tivesse chegado a tempo, eu não sei o que teria acontec...
– Não te dei o direito de falar, Kurosaki. Eu deveria mata-lo aqui mesmo.
– Nii-sama!! Não faça isso!
– Ru-rukia? Você está viva! E os outros?
– A Inoue está ajudando-os junto com o Ulquiorra-san, que por sorte só conseguiu um arranhão e...
– O que você está fazendo aqui? Eu concedi o seu pedido de voltar para o mundo real para destruir os hollows e é isso o que você faz? Protege aquele que deve ser castigado pela falta de força e ainda tem coragem de desonrar a família Kuchiki ficando com ele? Ponha-se no seu lugar.
– Por favor, nii-sama. Me perdoe, mas não o mate. Eu o amo e por isso, me sacrifico no lugar dele.
– Não faça is...
– Calado! Você não entende? Por causa desse sentimento que eu nutro por você, coloquei todas as pessoas importantes para mim em perigo. Eu fui muito egoísta. Eu sabia que um dia o nii-sama iria descobrir sobre nós, mas mesmo assim, eu não me importei. Continuei com algo que jamais deveria ter acontecido, agora estamos aqui. Não vou deixar você morrer por minha causa. A culpa foi minha. Deveria ter prestado mais atenção na aproximação daquele Adjucha, mas eu pensei “O Ishida ou o Sado conseguem cuidar disso”. Mas eu estou pronta para arcar com as minhas consequências – ela se virou para olhar o capitão –. Eu aceito qualquer punição, desde que o Ichigo fique em paz, nii-sama!
– Não sou eu quem decide isso. Não posso matar alguém que jurei proteger. Mas ele não tem nada a ver com isso. Ele fez algo imperdoável. Rebaixou a nossa família e mesmo assim você o protege. Por quê? Por que você faz isso?
– Porque eu o amo! Não é possível que não se lembre do que é amor, do que é proteger aquele que se ama, de dar sua própria vida para vê-lo bem. Será que não entende, nii-sama?
– Não. Ele é apenas alguém que falhou na missão dada a ele pelo Juushirou. Agora deve ser punido. Saia da frente, Rukia.
– Não. Vai ter que me matar primeiro.
– Rukia... não discuta comigo.
– Nii-sama, por favor! Não acha que eu mereço ter minha própria vida? Não sou mais aquela garotinha frágil de antes. Eu sei que posso estar quebrando as regras fazendo isso, mas, você não entende... e isso me machuca muito, essa falta de confiança... acredite em mim! Eu sei o que estou fazendo. Me dê apenas uma chance de provar o contrário. Por favor, nii-sama...
– Hum. O que fica aqui, também morre aqui. Eu vou te dar um mês para me provar o que está dizendo, caso contrário, terei de relatar ao comandante, que não ficará nem um pouco feliz com isso. *Byakuya olha para Ichigo com desprezo* Dessa vez você escapou, Kurosaki. Mas não fique feliz por muito tempo. Não haverá uma próxima vez. Lembre-se disso e se você fizer alguma coisa que a deixe triste, poderá se considerar um homem morto.
Com isso, Byakuya abriu um portal e voltou para a Seireitei.
– Rukia, seu irmão... me assusta cada vez mais. Ai, dói quando eu rio.
– Me desculpe por tudo isso. Você não precisava ter visto isso, prometo que isso nunca mais vai acontecer. Mas agora você tem que ficar mais forte para lutar contra o nii-sama. Ou então... não quero nem pensar nisso.
– Kuchiki-san! Kurosaki-kun!! Cadê vocês? – Inoue grita, procurando os dois.
– Aqui, Inoue, responde Rukia.
– O que aconteceu aqui? Você está ferido! Santten Kisshun!
– Não é nada de mais. Como sempre, eu tenho que ficar mais forte para combater essas criaturas.
– Agora procure relaxar, a recuperação vai ser mais rápida.
– Obrigado a todos e me desculpem por ter sido fraco. Não vou deixar que isso se repita novamente.
– Não fique tão convencido, Kurosaki. Eu ainda sou melhor que você. – disse Ishida tentando provoca-lo.
Ichigo não teve forças para rebater o que foi dito. Apenas deu um sorriso e fechou os olhos.
Terça-feira, 17:38, parque de diversões:
– Por mais que tudo isso tenha acontecido hoje, você conseguiu se divertir pelo menos um pouquinho, Rukia? – perguntou Ichigo enquanto eles olhavam Karakura do topo da roda gigante, novamente.
– Sim. Eu adorei tudo. O coelho de pelúcia, os brinquedos em que fomos, as comidas diferente que experimentei, o túnel onde nos beijamos... foi um dia ótimo. Obrigada por tudo.
– Ainda tem mais um presente, um jantar em família, lá em casa.
– Ichigo... não precisava de tudo isso. Você é o melhor namorado do mundo! Ah, já ia me esquecendo. Este é o seu presente. Comprei lá na Soul Society, espero que goste.
Rukia entregou um saquinho vermelho de veludo, dentro dele havia um chaveiro com uma miniatura de sua zanpakutou, Zangetsu, unida com uma outra zanpakutou, Sode no Shirayuki.
– A representação de nossas forças, unidas. Muito obrigado, Rukia.
Um beijo apaixonado acontece ao mesmo tempo em que as luzes do parque começam a ser ligadas.
Casa do Ulquiorra:
Orihime e Ulquiorra tiveram muita coisa para conversar. Ele quis saber de tudo. Sobre os shinigamis, os quincys, o poder de cura dela... Eles falaram de tudo um pouco enquanto ela preparava o jantar e ele ajudava a cortar ou descascar uma coisa ou outra.
Uma hora depois, tudo estava pronto e eles puderam comer e matar a fome, já que encheram a barriga apenas de lanches. Nada se compara a uma verdadeira refeição. Lavaram e guardaram os pratos, panelas e talheres e foram para a sala conversar um pouco sem ser sobre a vida secreta deles. Só uma conversa normal entre amigos.
– Orihime, sabia que essa é a primeira vez que eu dou um presente para alguém sem que tenha algum tipo de ligação familiar?
– Sério? Mas por quê?
– Porque eu nunca me importei realmente com outras pessoas. A maioria só gostava de mim por interesse ou porque gostavam de ficar me zuando. Por isso eu disse a mim mesmo que só daria presente para a pessoa que me ensinasse o que é um coração de verdade e o que ele é capaz de sentir.
– Eu consegui lhe mostrar o que é um coração?
– De certo modo, sim. Ainda não entendo muito bem, mas já está mais claro para mim. A sua delicadeza, sua doçura, sua preocupação, seu cuidado... tudo isso e outras mais são qualidades que um coração verdadeiro e puro consegue transmitir.
– Ah, Ulquiorra-kun...
Orihime se sentou mais perto dele e o abraçou. Por um curto período de tempo, ele ficou estático, mas logo em seguida passou um dos braços nas costas dela e com a outra mão, acariciou os lindos cabelos ruivos.
A sensação de calor sendo transmitida para ambos, fez com que Inoue ficasse envergonhada pelo modo que ela agiu, mas ele nem ligou e só a largou quando ela fez que ia se levantar. Mesmo assim, eles continuaram se olhando, um nos olhos do outro.
Não sei o que aconteceu, mas algo fazia com que as duas cabeças fossem, aos poucos se aproximando, até chegar ao ponto de ambos sentirem a leve respiração. Ulquiorra tocou de leve sua testa com a de Orihime eles ficaram se olhando por um certo tempo. Ela sentia que os olhos dele eram como um mar sem fim, que a envolvia e a fazia se sentir extraordinária. Ele olhava para ela e via os olhos castanhos, mas além disso, enxergava a doçura, a meiguice, o amor, que aquele olhar transmitia.
Pouco a pouco, os olhos se fechavam, enquanto os narizes roçavam levemente um ao outro, fazendo um carinho agradável. As bocas também não demoraram muito para se encontrar. Os lábios se encaixaram um ao outro, em um selinho demorado, mas logo ficou diferente porque Orihime conduziu seus movimentos com os lábios e depois pediu permissão com língua, a fim de explorar todos os cantinhos da boca dele.
O beijo teve de ser interrompido, porque o telefone tocou e assustou os dois, quebrando o clima.
– É melhor você atender, disse Orihime se recuperando do pequeno susto.
– Hum. Alô?
– É da padaria?
– Não.
– Ah, desculpa. Foi engano.
– Tudo bem.
Ela se levantou do sofá e disse que já estava na hora de ir embora.
– Não abra a porta, deixa que eu faço isso. Você não disse que quando a gente quer que a visita venha mais vezes, o dono da casa deve abrir a porta?
– Você quer que eu volte?
– Sempre.
Inoue sentiu seu coração ser aquecido e nem notou o que tinha feito. Apenas fez porque queria e não se arrependeu nem um pouco por isso. Ela deu um abraço apertado nele, onde pode sentir o cheiro de perfume delicioso. Levantou o rosto um pouquinho e deu um beijo bem de leve na bochecha dele.
– Até amanhã, Ulquiorra-kun.
– Durma com os anjos, Orihime.
Notas finais
Mandem um review dizendo o que acharam, pleease.
No próximo capítulo, tudo vai voltar ao normal.
Vai ser como se nada disso tivesse acontecido.
Beijos. #indo dormir.
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