Shikashi, Watashi Wa...
9 Um... encontro?
Notas iniciais
Criei alguns personagens na fic.
Leiam até o final antes de me matar, por favor!!
Acho que é só... Boa leitura ^^
E no capítulo anterior...
Ele ficou rindo da minha reação exagerada e deu um beijo em minha bochecha.
Ichigo me colocou de volta no chão, pegamos a sacola e o Kon, sem a pílula, e depois começamos a andar em direção a casa dele. De mãos dadas.
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O dia anterior foi bom para todos.
Terça-feira, 09:00, colégio Karakura:
— Bom dia, turma! Hoje, não vou poder dar aula para vocês. É uma pena né? Eu sei que vocês vão sentir minha falta e... Oe! Quem tossiu vai perder nota! Enfim, aqui está o professor substituto. Prestem atenção em mim! Ele veio de outra cidade, e, por enquanto vai dar aulas de matemática para aqueles que ficarem em detenção ou tiverem notas muito baixas. Deem boas vindas ao Schiffer Ulquiorra.
Mal Ulquiorra entrou na sala, todos os alunos que estavam conversando, prenderam a respiração e ficaram assustados.
— Bom dia, disse ele de um modo gélido e sombrio.
— Bom dia, professor.
— Jya ne. Tenham uma boa aula.
A professora saiu da sala toda animada. “Finalmente tenho um dia livre. Não precisarei ficar encarando alunos mal-humorados e sem interesse nas aulas, com exceção do Ishida.” Pensou ela.
Na sala, muitas pessoas estavam cochichando a respeito do novo professor.
— Kyaa! Ele é tão misterioso e bonito...
— É verdade. Quantos anos será que ele tem? Não parece ser tão velho assim...
— Não sei. Só sei que eu to apaixonada por ele. Acho que ele não tem namorada...
E assim as conversas paralelas seguiam.
Um grupo, ahn... estranho, de amigos comentavam algo sobre ele.
— Que cara sinistro. Ele parece jovem demais para ser professor, comentou Ichigo.
— Hum. – concordou Sado com seu modo calado de sempre.
— É praticamente impossível. Estatisticamente, não há como isso acontecer, disse Ishida com um pouco de inveja do jovem professor.
— Parem de drama! Se for assim, o taichou do 10° esquadrão não deveria ser, porque ele também é muito novo! – disse Rukia, tentando entender o por que desse alvoroço todo.
Inoue foi a única a ficar quieta. Talvez porque o professor estivesse olhando diretamente para ela ou porque se assustou por ficar sabendo assim em qual colégio seu vizinho daria aulas ou por ter dado um beijo no dia anterior à aula. O motivo não importa, mas que ela ficou assustada, ficou.
— Inoue-san, o que foi? Está se sentindo bem?
— Ahn? Estou ótima, é que eu conheço ele.
— O QUÊ?! – gritaram os dois garotos.
— Na-nada não! Bom, é que ele é meu vizinho novo, o professor.
— Ah, isso. Vocês já conversaram? — perguntou Rukia, curiosa.
— S-sim. Nós jantamos ontem.
As outras garotas estavam prestando bastante atenção no que Orihime dizia e depois de chamar sua atenção, começaram a fazer perguntas, como em um interrogatório.
Nesse meio tempo, passou-se apenas 15 minutos. Ulquiorra colocou seus livros sobre a carteira do professor e escreveu seu nome no quadro. Ficou esperando mais alguns minutos encostado na parede e quando voltou seus olhos verdes e sombrios para a sala, todos os alunos voltaram correndo aos seus devidos lugares.
— Muito bem. Meu nome é Schiffer Ulquiorra, é assim que se escreve, disse ele apontando para o que estava escrito no quadro, vim de Shizuoka-shi e serei o professor substituto de hoje para vocês, mas caso precisem de reforço ou ficarem depois da aula, coisa que não recomendo que façam, eu estarei esperando na sala ao fim do corredor. Alguma pergunta?
Ninguém ousou levantar a mão para perguntar coisa alguma.
— Ótimo. Se continuarem assim, eu vou gostar muito de dar aula para vocês, disse ele e se virou para o quadro negro para passar o conteúdo do dia.
No intervalo...
— O que foi aquilo? Ele passou a matéria do ano todo em algumas horas?!
— Pare de reclamar, Kurosaki. Nem foi tão complicado assim. Ele sabe explicar muito bem disse Ishida com os olhos brilhantes de admiração.
— É verdade. Pela primeira vez consegui aprender alguma coisa. Só não sei pra que isso vai servir, já que sou uma shinigami.
— Oe, Ichigo, você viu a Orihime? Não sei aonde ela foi — Tatsuki apareceu correndo e perguntou para Ichigo.
— Não sei. Só lembro de ter a visto na sala. Depois disso não a vi mais.
— Ah, onde será que ela se meteu?
...
Não muito longe dali, na sala dos professores...
— Como foi sua primeira aula, Ulquiorra-kun? – perguntou a diretora curiosa.
— Nada mal. Os alunos daqui não são tão ruins assim e prestaram bastante atenção no que eu disse.
— Hum, que bom. Espero que continue assim, pelo menos hoje, e que não vá ninguém para a detenção então.
— Sim. Não estou a fim de ficar na sala com garotos que só se metem em encrenca por três horas.
— Concordo com você. Já que estamos aqui, tem planos para hoje à noite?
— Na verdade não. Por quê?
— Ah, gostaria de sair para jantar ou se divertir um pouco?
Ela se chama Hayashi Shizume. Tem 29 anos, longos cabelos lisos e castanhos e um par de profundos e serenos olhos azuis.
Tá certo que ela é bem mais velha que ele, mas a mulher ainda tinha a beleza de uma adolescente... a mesma beleza de uma garota, que agora está morta.
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Há aproximadamente três anos atrás, Ulquiorra conheceu uma garota e se apaixonou perdidamente por ela, como todo adolescente. Seu nome é... quer dizer, era Abe Kiyoko. Ela era uma garota muito bonita, tinha os cabelos lisos, compridos e castanhos e lindos olhos cor de safira. Ela tinha uma aparência bem delicada. Era branca como a neve e sempre parecia estar cansada. Kiyoko não aparentava ter a idade que tinha, parecia mais jovem, mas seu olhar penetrante muitas vezes mostrava o contrário.
Os dois se conheceram quando Ulquiorra estava indo para a faculdade e ela apareceu correndo. Ambos iam virar a esquina de uma rua e não se viram, o que resultou em um “lindo” encontro de cabeças e um, “ainda mais belo”, tombo.
— Por que você não olha para onde anda garota?
— Você que é cego! E... ah... ah... ah... — Kiyoko começara a ter um ataque de asma, só por ter se exaltado um pouco.
— Você está bem? O que foi? — Ulquiorra ficou assustado com a reação dela. Ficou sem saber o que fazer na hora, mas viu um pequeno inalador caído do seu lado.
Ele não pensou duas vezes. Pegou o pequeno objeto e ajudou-a a se acalmar e voltar a respirar normalmente.
— Obrigada, você me salvou. Se não tivesse feito isso... não quero nem pensar no que poderia ter acontecido comigo.
— Tudo bem. Agora para onde você estava indo com tanta pressa? Ah, me perdoe. Meu nome é Schiffer Ulquiorra. Você é?
— Abe Kiyoko. Pode me chamar de Yoko. Eu estava indo para o colégio. Estou muito atrasada, mas me precipitei em sair correndo assim. Se eu tivesse tido outro ataque e você não estivesse por perto, eu estaria muito encrencada.
— Se quiser, eu posso te acompanhar até o colégio. Não é muito longe daqui, não é?
— Ah, n-não precisa. Eu posso ir sozinha até lá! Já estou ótima! Cof! Cof!
— Ah, eu não vou fazer isso. E se tiver outro ataque? Não vou conseguir te socorrer a tempo e...
— Tá, tá, tá. Já entendi. Você é pior que minha mãe, resmungou ela.
— Você tinha que me agradecer por estar te fazendo um favor, disse Ulquiorra com seu tom de mandão.
Naquela época, Ulquiorra era bem diferente, não fisicamente, é claro, mas ele era mais amoroso, atencioso, brincalhão, até sorria por coisas bobas.
Ele a acompanhou até o colégio e levou-a a até a enfermaria, explicando o que havia acontecido há alguns minutos.
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— Então? Aceita? — Ele não iria recusar, iria?
— Tudo bem. Que horas que eu passo na sua casa?
— Pode ser às 19 horas. Vista-se formalmente. Ficarei esperando. Agora é hora de voltar para a sala de aula. O sinal vai tocar daqui a dois minutos.
— Já estou indo.
“O que eu estava pensando para aceitar um convite para sair? E por que tenho que estar vestido formalmente?”
Ulquiorra voltou para a sala de aula.
Mal ele sabia, mas alguém ouviu a conversa dos dois e não gostou nem um pouco do que escutou.
Casa da Shizume, 19:00
*toc*, *toc*, *toc*
— Já vai, gritou Shizume retocando a maquiagem e penteando os cabelos pela última vez. — Olá Ulquiorra-kun.
Ele levou um pequeno susto com a figura familiar e esbelta que se encontrava a sua frente, mas não deixou transparecer esse sentimento.
— Olá, Hayashi-san.
— Me chame de Shizume, é melhor já que não estamos trabalhando.
— Certo, Shizume. Para onde vamos?
— Você gosta de comida italiana? — Ulquiorra fez que sim com a cabeça. — Tem um restaurante incrível. Gostaria de ir?
— Claro.
Os dois foram de carro até o local, com Shizume dirigindo um Honda CR-Z bordô.
No caminho, Shizume fazia várias perguntas e contava histórias sobre sua família, sobre a escola; estava tentando ser bastante gentil e agradável com o jovem rapaz.
— É aqui. “La bela vita”. Eu vinha aqui com os meus pais desde que eu era criança. É um dos poucos lugares em que realmente valem a pena nesta cidade.
Um homem vestido de terno apareceu e perguntou se poderia estacionar o carro. Ela fez que sim com a cabeça e saiu do carro. Ulquiorra fez o mesmo e a acompanhou até a entrada do restaurante.
Ulquiorra abriu a porta e disse para ela ir primeiro, quando ele entrou no recinto, se surpreendeu com o tamanho e a beleza do restaurante; a decoração parecia ter saído de algum lugar distante, de vários séculos atrás. “Definitivamente, um lugar para poucos. Para pessoas de classe muito elevada”, foi o que ele pensou.
Um homem bem elegante e simpático apareceu e cumprimentou Shizume como se fossem velhos amigos.
— Shizume-sama! Há quanto tempo! Como está sua família? — perguntou o senhor de cabelos grisalhos. Meu filho ligou e mandou um beijo para você.
— Boa noite, Ângelo-san. Eles estão bem e estão na Suíça agora. Obrigada, sinto saudades dele. Ah, gostaria de apresentar um amigo, este é Schiffer Ulquiorra. Ele é um dos professores do colégio dos meus pais. Ulquiorra, esse é Bonatti Ângelo. Ele é amigo dos meus pais e dono deste restaurante.
— Muito prazer em conhecê-lo, Bonatti-san, disse Ulquiorra educadamente.
— Digo o mesmo. Mas não precisa de formalidades. Ângelo é o suficiente. Bom, presumo que gostaria de sentar no lugar de sempre certo, Shizume-sama?
— Sim, se for possível.
O homem conduziu-os até a uma mesa que ficava de frente para uma enorme janela.
Ulquiorra puxou a cadeira para que ela se sentasse. E depois se sentou de frente para ela.
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— Você tinha razão. Este restaurante é um ótimo lugar mesmo.
— Que bom que gostou. Assim poderemos vir mais vezes, disse Shizume sorrindo, o que infligiu um pouco de dor em Ulquiorra. – Você está bem?
— Sim, não foi nada.
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— Ne, Ulqui-kun, o que você acha? Como eu estou? – perguntou Kiyoko, usando um lindo vestido tomara-que-caia azul e com as madeixas onduladas.
Faz de conta que é ela. Só que o cabelo tinha que ser mais escuro e os olhos tinham que ser azuis.
— Hum, você está... ahn... bonita, disse ele surpreso com a garota que descia a escada.
— Tem certeza? Olha que o acompanhante vai ser você. Não quero que sinta vergonha de mim, disse ela cruzando os braços.
— Ficou lindo. É verdade. Agora se apresse ou então seremos os últimos a chegar na formatura.
— Tá bom. Mas depois você vai ter que me recompensar por ter esquecido do meu presente.
— Eu não esqueci. É que só foi ficar pronto esta tarde. Não foi fácil, sabia? Seu dedo é muito fino então demorou para eu encontrar algo que servisse nele.
— Espera aí. Tá me dizendo que comprou um anel?
— Sim. Eu queria te pedir em namoro no dia do seu aniversário. E como hoje é o dia especial...
— Tá, dia especial, meu aniversário...!!
— Você quer ser minha namorada, Kiyoko? – perguntou Ulquiorra segurando as mãos da amada e olhando diretamente nos olhos dela.
— Sim, eu quero, Ulqui! – disse ela abrindo um lindo sorriso, daqueles que iluminam qualquer dia chuvoso.
— Isso, é por você ter ficado me cobrando, ele tirou do bolso do paletó uma caixinha preta e abriu-a revelando dois anéis prateados.
— Baka! Você mentiu para mim! Você já tinha comprado e esperou até eu falar do meu aniversário, não é?
— Sim, é verdade. Mas demorou para ficar pronto e eu também queria ver sua cara quando visse isso.
— Baka... mas é por isso que eu te amo. Agora, você pode por? Quero ir com ele na formatura.
Ulquiorra pegou a aliança e colocou no dedo dela e beijou-a logo em seguida. Uma foto foi batida nesse exato momento.
— Mãe? Vo-você tirou uma foto? Então você ouviu toda a conversa!
— É claro! Você achou mesmo que eu não iria querer guardar uma foto de recordação do seu primeiro namorado? E daí que eu ouvi. Vocês não disseram nada de mais. Agora coloca a aliança no dedo da mão direita dele. Quero tirar outra foto!
— Mãe!!
— Não reclama! Um dia você vai me agradecer por isso. Pronto. Quer ver? Ficou uma graça.
— Ai, mãe... só você mesmo pra fazer uma coisa dessas.
— Eu sei. E você sabe o quanto eu te amo né, filha? Bom, acho melhor a gente ir saindo para sua grande noite. Minha filhinha está crescendo e acabou de fazer 14 anos! Logo, logo vai entrar para o ensino médio! Se seu pai estivesse aqui, estaria muito orgulhoso de você.
— Sei que sim. Vamos mãe, Ulqui-kun, ou melhor, namorado?
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— Tem certeza que está bem? Você parece um pouco pálido. Venha, vou te levar para casa, disse Shizume colocando o dinheiro dentro da caderneta com o valor da conta e entregando ao garçom.
— Estou bem, é que você me lembra muito... uma pessoa... – disse Ulquiorra, abaixando o olhar.
— E essa pessoa, é muito ligada a você?
— Era. Ela morreu há dois anos.
— Oh! Sinto muito.
— Não se preocupe, já estou melhor. Ainda é cedo. Se quiser ir a algum lugar.
— Ah, tudo bem. Quero te levar em um lugar da cidade, se não se importa.
— Claro.
Os dois saíram do restaurante, pegaram o carro e foram para um lugar distante do centro caótico, onde se podia ver a lua e as estrelas claramente.
— Eu adoro vir aqui. É longe de tudo e de todos. Posso relaxar, olhar o céu, fazer o que eu quiser e elas são as únicas testemunhas disso, disse ela olhando a lua cheia e indo se sentar no banco de pedra.
— Como descobriu este lugar? – perguntou Ulquiorra se sentando no mesmo banco que ela.
— Minha mãe. Ela me trazia aqui quando eu era criança. Tenho saudades daquela época. Sabe, a gente era muito feliz. Meus pais sempre davam atenção e carinho. Eu era a menina mais feliz do mundo, mesmo quando a comida faltava ou tinha que usar a mesma roupa várias vezes.
“Mas quando eu fiz 12 anos, tudo mudou. Meu pai trabalhava no colégio Karakura como faxineiro e, o diretor, que era muito amigo dele, estava muito doente também. Antes de morrer, ele passou o nome da escola para o meu pai. Ele não sabia o que deveria fazer e pediu para minha mãe ajuda-lo, já que ela era professora.”
“E cada vez mais, meus pais iam se distanciando de mim. Não que eu reclame, se eles não tivessem se preocupado com o trabalho, hoje eu não teria tudo o que tenho. Mas eu senti muita falta deles.”
Ulquiorra não soube como responder a uma confissão dessas. Apenas olhou-a de relance e voltou seus olhos para o céu.
— Então eu jurei para mim mesma que não iria mais chorar por eles e que eu deveria entender o que eles estavam fazendo, mesmo me deixando de lado.
“Nisso, eu amadureci rápido demais. Eu não tinha tempo para sair com amigos, porque eu me preocupava só com os estudos. Descobri que esse era o único jeito de chamar a atenção daqueles que eu tanto amava. E uma noite ou outra, quando fingi que estava dormindo, minha mãe veio no meu quarto e me deu um beijo de boa noite enquanto meu pai ficava olhando da porta com um sorriso carinhoso. Foi aí que eu descobri que mesmo que a gente não passasse mais os dias reunidos, meus pais sempre viriam me dar boa noite. Mesmo que fosse muito tarde.”
“Hoje, eles não moram mais aqui e passaram a escola para o meu nome ano passado. Você deve ter escutado quando eu disse ao Ângelo que eles estão na Suíça. Eu o conheci numa festa que meus pais deram quando eu tinha 16 anos. Ele foi um grande amigo para mim, enquanto eu estive no colegial; me ouvia e dava conselhos sempre que fazia uma visita. O filho dele, era um rapaz muito encantador. Ele era dois anos mais velho que eu e era igualzinho ao pai.”
“Quando entrei na faculdade, encontrei o Rafaello. Ele não estava diferente de antes. E desde que eu o conheci nutri um amor por ele: eu adorava seu jeito de rir, de passar a mão nos cabelos e do seu olhar atencioso. Ele fazia direito, mas sua sala ficava ao lado da minha, então no almoço, íamos juntos para o refeitório.”
“Um ano depois, começamos a namorar e quando eu terminei meu mestrado, ele me pediu em casamento. Nessa época eu tinha 24 para 25 anos. Ficamos de noivado até eu completar 27 anos e, finalmente nos casamos.”
“Eu fui muito feliz nesses anos todos, mesmo não tendo meus pais por perto na adolescência. Sinto muita falta do meu marido perto de mim agora. Eu queria contar para ele que estou grávida, mas ele viajou antes de saber. Espero que ele volte logo porque não quero passar por isso sozinha e também não quero que meu filho não tenha um pai presente.”
— Ele vai voltar. Tenho certeza disso.
— Me desculpe por te contar tudo isso. Mas às vezes é bom desabafar com alguém, não acha?
— Uhum. Eu queria perguntar um coisa, se não for pedir demais.
— Pode falar.
— Se um professor sentisse atração ou se apaixonasse por uma aluna, ou vice-versa, o que aconteceria com eles?
— Bom, de acordo com a lei, ele ou ela seria demitido e poderia enfrentar um processo por sedução de menor de idade e poderia ser condenado a prisão, dependendo da gravidade. Mas a gente não tá falando de alguém conhecido, está?
— Não. É que eu tenho um amigo em Shizuoka-shi que namora uma de suas alunas, escondido. Eu vejo que eles se amam, mas eles têm medo do que pode acontecer se forem descobertos. Ele tem 26 anos e ela tem 15.
— Nesse caso, não acho que o problema seja tão grande porque ela já tem 15. Se fosse mais nova, seria outro caso. Mas mesmo assim, é melhor que eles mantenham segredo porque se a direção descobrir, ele perderá o emprego. E uma relação como essa não será bem vista por outras pessoas. Coitado dele.
— Hum.
— Acho que já está tarde, melhor irmos para casa. Amanhã ainda é quarta-feira.
— Sim, vamos.
Ulquiorra abriu a porta do carro para que Shizume entrasse e depois entrou nele também. Ela o deixou em frente do portão de casa e acenou antes de ir embora.
Mesmo sem querer, Inoue olhava escondida atrás da cortina da janela do quarto.
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Há dois anos atrás, no mês de janeiro:
— Tem certeza que não quer ir para casa? Eu posso passar a noite aqui, perguntou Ulquiorra preocupado.
— Não precisa, meu querido. Eu vou ficar aqui com ela. Qualquer coisa eu ligo. Vá descansar. Ela não gostaria de vê-lo assim, tão preocupado.
— Mas é que... ah, ela vai melhorar eu sei disso. Nunca gostei muito do inverno, agora eu tenho mais um motivo para odiar essa época do ano.
— Não fique assim, Ulquiorra. Não sinta raiva, apenas acredite nela.
Eu acreditei que ela ia viver.
Fui a semana inteira visita-la naquele maldito hospital.
A noite em que ela foi internada não foi o pior dia. No dia seguinte ela pôde receber alta e ir para casa, mas teve outro ataque, mais forte, e foi internada novamente.
Nos dias que seguiram, sua aparência ficava pior e ela tinha que respirar com ajuda da máscara de oxigênio.
Os médicos não conseguiram fazer nada.
Nada.
Kiyoko...
Uma semana depois da internação, a mãe dela ligou para mim um pouco antes de eu sair de casa para visita-la.
— Alô?
— Ulquiorra? É você? – perguntou a mãe dela, tentando deixar a voz estável, mas sem sucesso.
— Sim. Aconteceu, né? – perguntei a ela já sabendo a resposta.
— Ah, meu querido. Mas saiba que ela te amava. Foi as últimas palavras que ela conseguiu dizer.
O telefone caiu da minha mão. Na verdade não foi só ele. Meus joelhos cederam e eu caí no chão também. Não consegui responder a mulher do outro lado da linha. Não havia mais nada a ser feito. A pessoa que eu mais amo, se foi. Para sempre.
“Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar”
Tsusuku...
Notas finais
Trecho da música: O mundo é um moinho, Cartola.
Essa é a minha explicação para o Ulquiorra ser tão frio e insensível.
Não sei se gostaram, mas tudo bem se não gostaram.
Pra quem não sabe -> Tsusuku: Continua
Beijos. Até o próximo capítulo.
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