Shikashi, Watashi Wa...
14 Apenas um sonho?
Notas iniciais
Eu disse que esse capítulo teria IchiRuki, mas isso vai ficar para o próximo. Gomen ne.
Boa leitura ^^
E no capítulo anterior...
Antes de dormir, escutei um “eu te amo” em meu ouvido. Sorri ao ouvir e disse em resposta:
— Também te amo, Ulqui-kun; também te amo...
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Terça-feira, 08:00, casa do Ulquiorra:
Orihime’s POV:
“Que sonho estranho que tive noite passada.”
“Sonhei que eu tinha... tinha feito ‘aquilo’ com o Ulquiorra-kun”
Abri meus olhos e olhei em volta.
— Ah!
— Ohayou, Orihime-san – disse ele trazendo uma bandeja com algumas coisas de comer.
— O-ohayou, Ulquiorra-kun – respondi ao seu “bom dia”, um pouco confusa. “Eu não tinha dormido na sala? Como foi que cheguei no quarto dele?”
Tirei a coberta do meu corpo e vi que estava vestida com a mesma camisa preta de mangas compridas e a mesma calça moletom de ontem. “É talvez tenha sido apenas um sonho.”
— Quer tomar café da manhã? Trouxe um pouco de chá, missoshiru e arroz.
— Hum, pode ser. Mas não vai incomodar? Eu já passei a noite na sua casa, e agora...
— Não se preocupe com isso. E você não pode sair daqui de estômago vazio.
Comi o que ele trouxe um pouco rápido demais. Estava com fome, mas depois fiquei envergonhada. Quando fui me levantar para levar as tigelas para a cozinha, senti um estranho incômodo entre as pernas e fiquei parada.
— Você está sentindo alguma coisa? Está bem? – perguntou-me ele com uma expressão preocupada.
— Hum, estou bem. Forte como um touro, só que... ah, nada não.
— Só que...? Pode dizer – tive a impressão de que ele sabia muito bem o porquê do meu silêncio.
Ulquiorra-kun me fitou nos olhos, esperando minha resposta. Parecia que meu coração ia fazer *puf* de tão forte e rápido que estava batendo. “Ai, como eu começo?”
— V-vamos na cozinha deixar as coisas primeiro. Depois a gente conversa – “Por que estamos nesse clima tão pesado?”, pensei enquanto segurava com cuidado uma xícara, os talheres e duas tigelas, e vinha seguindo Ulquiorra-kun pelo corredor até o outro cômodo.
Na cozinha, deixamos tudo dentro da pia e ele dobrou e guardou a bandeja dentro do armário. Fui em direção a mesa e puxei uma cadeira, me sentando. Ele fez o mesmo.
Ficamos sem dizer nada por algum tempo, apenas nos olhando pelo canto do olho. Quando nossos olhares se cruzaram, meu rosto começou a arder e o ímpeto de dizer algo foi muito forte:
— Por que estamos nessa situação?
— Como assim?
— Por que não estamos nos falando normalmente como dois amigos. Ah, nem sei mais o que somos. A-aquilo... aquilo que aconteceu ontem a noite, foi mesmo verdade? Não foi apenas um sonho? – cobri minha boca com as duas mãos para não dizer mais nada.
Ele continuou quieto por alguns minutos, soltou um suspiro e disse:
— Aconteceu. Me desculpe por isso. Eu não pude me controlar depois que você me abraçou – e ficou em silêncio novamente, apenas me fitando com aquele semblante melancólico.
Me levantei da cadeira, fui até onde ele estava sentado e puxei-o num abraço. Cochichei em seu ouvido: — Não peça desculpas. A culpa foi minha por ter insistido tanto em continuar.
Depois disso, soltei-o e ficamos nos olhando. “Toda vez que ele me olha, eu fico vermelha; Ulquiorra-kun já deve ter percebido isso, né?”, pensei quando senti seus lábios tocarem minha bochecha rubra.
Algo que me surpreendeu, foi vê-lo se ajoelhar na minha frente e pedindo que eu me sentasse na cadeira. O que será que ele pretende fazer? Será que... não pode ser...
— Inoue Orihime, desde o momento em que te vi , senti algo a mais por você, algo que eu não sentia há muito tempo. Eu não entendia muitas coisas, como quando você me disse que o seu irmão estará sempre te olhando e te protegendo. Você estava certa.
“Sabe, ontem, quando eu te encontrei tomando chuva, eu estava voltando do cemitério”.
— Cemitério, Ulquiorra-kun? Por quê? – interrompi-o.
— Meus pais faleceram há quase um mês.
— Oh, sinto muito.
— Sei que sente. Sabe o que aconteceu de mais estranho? Eu encontrei o espírito da minha mãe lá, apenas me esperando para poder seguir em frente. Irônico, não? Para quem disse que não acreditava em nada disso ou que isso não era possível, é um choque e tanto.
— E o que você fez, Ulquiorra-kun?
— Essa é a parte mais irônica. Nós conversamos normalmente, como se fosse mãe e filho, ao invés de vivo e morto. Você deve estar me achando louco por dizer isso né?
— É claro que não. Eu acredito em você. Sei que está dizendo a verdade – “Se você soubesse do eu sou capaz...”
— Obrigado por me ouvir. Eu estava precisando falar isso para alguém.
— Sempre que precisar.
Ulquiorra-kun pegou algo no bolso de trás da calça e segurou minha mão direita: — Sei que isso pode parecer repentino, mas eu sou assim. Fui criado e educado desse modo e, depois do que ocorreu ontem, não posso deixar passar. Mas você tem todo o direito de dizer não na hora que bem entender – ele tomou um pouco de ar e disse: — Inoue Orihime, você aceita ser minha namorada?
Minha primeira reação foi de susto. Agora entendi porque ele me pediu para sentar na cadeira, se eu não tivesse feito isso teria caído.
Nunca, uma simples palavrinha fora tão difícil de ser pronunciado em toda minha vida.
Ele continuou me olhando daquele modo que só ele consegue, me hipnotizando.
Eu estava ficando cada vez mais nervosa, meu corpo mal conseguia reagir a suas doces palavras.
Mas no final, um “sim” baixinho, mas inteligível, saiu pela minha boca.
E senti que a partir de agora, nada mais poderia nos separar; nada, a não ser nós mesmos.
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Sexta-feira, 08:48, casa do Ichigo:
Ichigo’s POV:
“Pensei que minha baixinha tinha se esquecido de mim e que nunca mais voltaria para os meus braços, de onde nunca deveria ter saído. Mas finalmente, depois de um mês e meio, longe de seu abraço, dos sus olhos violáceos, do gosto do seu beijo...”
Pi-pi-pi-pi...Pi-pi-pi-pi (tentativa de barulho de despertador)
— Mas que porcaria de despertador! Que horas sã... Caramba! Vou chegar atrasado no colégio!
Levantei da cama num salto e troquei de roupa sem tomar o banho de sempre. Desci as escadas e fui para a cozinha pegar uma torrada. Lá não tinha ninguém, apenas um bilhete da Yuzu, avisando que como ninguém conseguiu me acordar, me deixaram lá dormindo e que foram trabalhar e estudar.
Corri que nem um louco com a mochila pendurada nos ombros enquanto comia o último pedaço do café da manhã.
Dobrei a última esquina e corri até o portão, entrando rapidamente para dentro do colégio.
Parei um pouco para recuperar o fôlego e de repente, ouvi o sinal tocar (até que eu não cheguei tão atrasado), me avisando que a aula já estava para começar.
Entrei no prédio, saí correndo pelo corredor, subindo e descendo as escadas e entrei na sala de aula uns dois segundos antes de a professora fechar a porta.
— Está atrasado, Kurosaki; mas aproveite que hoje estou de bom humor e vá sentar no seu lugar!
— H-hai! – Fui para a minha carteira quase me arrastando; tirei o material da mochila e me sentei.
A professora começou a explicar matéria nova, que iria cair na prova da semana que vem. As palavras dela estavam me deixando sonolento, então olhei para a janela e vi os alunos do fundamental fazendo educação física.
Voltei meu olhar para a mulher explicando o conteúdo. Parecia que ela estava falando outra língua ou apenas “blá-blá-blá”.
Apoiei minha cabeça na palma da mão esquerda e comecei a piscar. Cada vez mais, minhas pálpebras demoravam para abrir. Quando senti que tudo ficou em branco, em paz, o bendito do sinal toca, me alertando que a primeira aula havia acabado.
As aulas que se seguiram foram mais tranquilas e até acabei me esquecendo do sono.
No almoço, como não tinha trazido nada, tive que ir até o refeitório comprar algo para comer. Keigo e Mizuiro me acompanharam até lá. E como sempre, um falando alto e chamando atenção, o outro mais quieto e dando-lhe respostas irônicas. Pobre Keigo...
Comemos e voltamos para a sala de aula, alguns minutos antes de o sinal tocar novamente.
À tarde, as aulas passaram mais rápidas e a última seria de educação física. O treinador escolheu times mistos para jogarmos beisebol.
De início fiquei no banco sentado com os outros, esperando para poder rebater ou lançar. Fiquei olhando meus amigos indo e voltando. Quando chegou minha vez, nem percebi o treinador me chamar, só fui notar quando ele gritou comigo.
— Anda logo, Kurosaki! Para de ser molenga e vá jogar!
— Já estou indo.
A partida foi seguindo em seu ritmo, tranquilamente. O jogo estava 4-2 para o meu time e faltava mais umas duas entradas para acabar a partida.
Dessa vez fiquei com a posição de lançador. Até que eu era bom nisso. Meus arremessos estavam bastantes difíceis de serem rebatidos, mas algo me dizia que dessa vez seria diferente.
Havia dois jogadores do outro time em campo, cada um em uma base, esperando suas chances para correr de volta ao “home plate”. O treinador mandou Sado jogar.
— Vamos lá Kurosaki-kun! – gritou Inoue lá do fundo. Tinha que ser ela para tentar animar as coisas.
— Ah, claro... Sado, está pronto para rebater? – perguntei, mesmo sabendo que ele não diria muita coisa, ou responderia seu "hum", ou apenas balançaria a cabeça, confirmando.
— ...
— Se prepare que lá vai o meu arremesso secreto – Céus, Ichigo! De onde tirei isso? Por acaso eu tenho um arremesso secreto que eu não sei?
— ... OK.
— Strike um! – gritou Ishida. “Tudo bem, talvez tenha sido um mau pressentimento. Apenas dois lances e já era.”
— Strike dois! Mais um e está fora! – gritou ele novamente.
Peguei a bola e olhei-a em minhas mãos, em seguida a arremessei.
“Plec!”
Escutei apenas o barulho do taco acertando a pequena esfera. “Não faça home run, não faça home run...”
Rezei com todas as forças para que Keigo conseguisse correr e pegar a bola ou que ela caísse em uma área onde não seria possível marcar pontos. Enquanto isso, Sado corria numa velocidade inumana e tocava em todas as bases. Os outros dois jogadores já haviam voltado ao home plate e estavam abraçados, comemorando os pontos marcados. O treinador apareceu ao lado do casalzinho feliz e separou-os, mandando o garoto fazer flexões e a garota fazer polichinelos.
— Touch down... Quer dizer: Home run! – gritou Ishida, confundindo os nomes.
“Bom, parece que eles ganharam essa entrada e passaram a nossa frente, mas ainda falta mais uma, e como Yogi Berra* disse: It ain’t over ‘till it’s over, ou seja, Só acaba quando termina.”
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O jogo terminou empatado 7-7, mas teríamos ganhado se a Chizuru não tivesse se distraído e, ao invés de correr para pegar a bola, correu para abraçar a Inoue.
Fomos até o vestiário tomar uma ducha, tirar o suor e o cansaço do corpo.
Keigo disse que estaria me esperando na saída, já que eu preferi ficar mais alguns minutos debaixo d’água.
Na hora de ir embora, encontrei meus amigos me esperando para ir embora. Só faltou Tatsuki pular em cima de mim para me bater.
— Finalmente Ichigo. Achei que você tinha morrido lá dentro. Depois falam que as meninas demoram para usar o banheiro.
— Eu já estou aqui, não estou? Então vamos embora para casa.
— Ah, claro. Agora que você apareceu nós podemos ir.
— Eu estou morrendo de cansaço. Você não precisou jogar hoje.
— Eu não joguei, mas eles jogaram e ninguém está reclamando.
Tatsuki e eu ficamos nessa discussão até seguirmos caminhos diferentes, mas enquanto isso, Ishida e Inoue ficaram tentando nos apartar dessa situação.
Paramos de discutir quando ela dobrou a esquina da casa dela e eu segui para outra direção com o Keigo. Também fomos para direções diferentes depois de mais duas quadras e segui para minha casa, chegando às 17:30.
— Tadaima – disse, assim que tirei os sapatos.
— Ookaeri, Ichigo! – meu pai me recebeu pulando em minhas costas, mas desta vez eu desviei de seu golpe, fazendo-o cair sentado no chão – Ittai...
— Vou tomar banho e ficar no meu quarto. Quando o jantar ficar pronto vocês me chamam?
— Claro onii-chan – disse Yuzu segurando uma colher de pau.
Subi as escadas e fui para o meu quarto.
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“Eu queria estar no lugar daqueles dois da aula de educação física, mesmo o treinador mandando-os fazer flexões e polichinelos por terem se abraçado.”
Fechei os olhos e deitei em minha cama, ficando em silêncio.
“Como eu queria abrir os olhos e dizer: ‘Rukia! Você voltou baixinha.’ ”
Quando eu estava quase adormecendo, ouvi duas batidas de leve na porta e a voz da Yuzu me chamando para comer.
Desci até a cozinha sem muita fome, mas não queria fazer desfeita, já que pedi para ela me chamar assim que tudo estivesse pronto.
Peguei pouca coisa e fiquei remexendo os legumes no prato, sem intenção de enfiá-los goela abaixo, mas por fim tive que fazer isso, para não ter que ouvir mais um daqueles sermões sobre “tanta gente não tem o que comer e você fica desperdiçando comida.”
Olhei para o relógio e ainda era 20:00; mesmo assim, disse à minha família que iria para o quarto dormir.
Antes de chegar a minha porta, ouvi uns murmurinhos vindos do andar de baixo:
“O que será que aconteceu? O onii-chan parece tão... tão sem vida.” disse Yuzu.
“Talvez ele e a Rukia-san tenham brigado.” disse Karin.
“Ou talvez ele esteja assim porque não soube ser um bom namorado para a Rukia-san” Como assim? O que esse velho tá pensando?
Bufei e revirei os olhos com o que ouvi.
Parei em frente ao “15” e girei a maçaneta; entrei em meu quarto fechando a porta atrás de mim, ficando recostado nela quando senti meu corpo escorregar em direção ao chão frio, duro e sem vida.
De cabeça baixa, a franja cobriu meus olhos já cerrados. Alguns pensamentos estranhos invadiram minha mente, mas até que eles tinham sentido.
O que ela viu em mim?
Essa foi a melhor maneira que ela encontrou para se esquecer de mim? De tudo o que aconteceu?
De repente, as imagens daquela noite invadiram minha mente e mudaram meus pensamentos...
Continua...
Notas finais
Obrigada aos leitores que ainda me acompanham.
Eu sei que esse capítulo ficou a desejar, mas o próximo ficará melhor. (Assim também espero)
Beijos e até mais.
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