Notas iniciais
Vamos deixar vocês curiosos um pouquinho? rs

Horas mais tarde — Baker Street, 221b

O único som que era possível ouvir naquele momento, dentro da sala, era os dos dedos de John batendo em suas teclas do notebook, enquanto eu folheava algumas páginas de um livro científico qualquer. Estávamos sem nos falar desde o momento que me confessou ter dito sobre o sonho, na verdade, eu já não me importava mais, mas adorava vê-lo me agradar e pensei em tirar proveito disso.

– Olha, me desculpe, ok? Me desculpe. Eu...eu tomei sete canecas de chopp, Sherlock, e escapou como um comentário bobo. Eu mais me arrependo por Molly ter ouvido, você sabe dos sentimentos que ela nutre por você. Me desculpe.

Permaneci quieto e John sentado, me olhando, esperando alguma resposta ou reação. Não movi sequer um dedo eu estava curioso suficiente em meu livro para retomar aquele assunto.

– Ótimo. Agora você me ignora como uma criança.

Ele bufou e retomou a atenção ao que escrevia em seu computador. Eu estava realmente me divertindo com aquele momento. Bem, se ele teve o direito de dizer o que não devia, eu tenho o direito de me aproveitar um pouco do arrependimento alheio. Ri por dentro.

E pensar em toda a situação me fez recordar da última vez que estive a frente da Mulher. O momento em que ela se encontrava ajoelhada perante a um dos terrorista em Karachi e a forma como seus olhos brilharam ao saber que eu estava ali para ajudá-la. Percebi que me perdi nos pensamentos e que o livro não estava tão mais interessante. Fechei rapidamente o livro de 600 páginas e capa grossa, fazendo soar um barulho que assustou John. Dessa vez foi impossível segurar o riso e me deixei curtir com sua cara. E aquele costumeiro olhar de reprovação surgiu em sua face. Continuei a rir.

___

Três dias depois — Baker Street, 221B.

Analisava um olho humano sobre o balcão da cozinha, quando sra. Hudson decidiu me trazer uma xícara de café. A senhora de cabelos amarelados não se acostumava ao fato de ter um inquilino que geralmente costumava fazer certos experimentos no meio de um ambiente tão inapropriado e pior ainda, era se deparar com certas bizarrices.

– Oh, Sherlock. Você não teria um ambiente melhor para estudar essas coisas?

Sua feição de reprovação e nojo era incrivelmente hilária. Depositou a bandeja de café sobre o mármore da pia e voltou os passos, tapando o nariz como se estivesse sentido o odor de algo terrivelmente mal cheiroso.

– Nem está exalando mal cheiro assim.

Continuei a estudar aquele produto gosmento, mas que me oferecia ótimos resultados e satisfação.

O celular tocou avisando que havia chego alguma mensagem, não dei tanta importância, afinal nada poderia ser mais interessante do que meu experimento naquele momento. John que estava na sala, veio em minha direção, percebeu a luz do celular acesa e não perdeu a chance.

– Seu celular...Não vai ver?

– Não.

Respondi prontamente para que ele entendesse que eu não queria ser importunado. John assentiu com a cabeça, e deixou o ambiente. Cinco minutos depois, o aparelho soou novamente. Outra mensagem. E lá volta o insistente homem.

– Sherlock, já pensou que alguém possa estar precisando de sua ajuda?

Watson me olhou incrédulo, esperando que algo tocasse meu coração e me fizesse perceber que ele estava certo. Mas não, e bem, ele me conhecia muito bem. A ponta de esperança sumiu assim que ele percebeu com quem estava falando e voltou a atenção para o que estava fazendo anteriormente.

Assim que fui espiar o visor do aparelho, a luz se apagou, o que me despertou uma ponta de curiosidade. Agora estava na hora de ver quem buscava por minha atenção.

2 NOVAS MENSAGENS

Arqueei uma sobrancelha, desbloqueei o celular e busquei pelas mensagens.


1 NOVA MENSAGEM
[ Shhhh… ****- ** --- *** --]

2 NOVA MENSAGEM
[46° 24' 34" N 0° 32' 10" O]

Engoli a seco, meus olhos eram de espanto e meu coração parecia querer sair do corpo. Pigarrei quando voltei da surpresa e me encaminhei para o quarto. Minha mente produzia muitas informações. A primeira mensagem me pediu silêncio e usou código morse, onde na segunda mensagem eu pude decifrar a dica. O código morse me informou os número 4, 2 e 3. Eu deveria colocar os números da segunda mensagem na sequência que o código dizia.

46° 24' 34" N 0° 32' 10" O

46° 32' 24" N 0° 34' 10" O

322434

Eram as medidas dela, eram as medidas da Mulher. Ela estaria me procurando e possivelmente mandando as coordenadas de seu paradeiro. Tentei tratar as mensagens com indiferença e veio então a última mensagem em formato de áudio.

1 NOVA MENSAGEM:
[áudio]

Ao ouvir o áudio, aquele som totalmente familiar e ao mesmo tempo perturbador, me fez derrubar o aparelho ao chão. Meu olhar estava perdido em um ponto fixo pelo quarto e minha mente vagava pelos motivos que Irene Adler me procurava. Sentei na cama por alguns breves segundos e me recordei do momento em que ela havia colocado esse som em meu celular, como toque de quando suas mensagens chegavam. Apertei os olhos tentando reagir mas a surpresa havia incrivelmente me dominado. Voltei aos sentidos, respirei profundamente e fui até John, que continuava a mexer em seu computador.

– Preciso disso agora.

Empurrei Watson da cadeira, sem dar chances para que ele dissesse algo, só pude ver sua feição de enfurecido, mas ele pareceu me abrir uma brecha. Ficou parado ao meu lado, esperando para observar o que eu tanto queria com seu computador.

Olhei para John arqueando as duas sobrancelhas, esperando que ele saísse do meu lado e parasse de tentar ver o que eu faria por ali, não contente ainda virei o aparelho impossibilitando ainda mais que visse algo.

– Droga, Sherlock. Você precisa parar com isso.

Notas finais
Irene Adler está chegando. Sherlock que se cuide. hahaha...Reviews, gente, vamos lá...