Shelter
26 Planos de um Uchiha
Notas iniciais
Narradora Pov On
Abriu os olhos lentamente, revelando as íris negras. Soltou um longo bocejo, erguendo os braços em sincronia, espreguiçando-se. Virou a cabeça para a direita, levou a mão até o despertador em cima do criado mudo, onde marcavam 06h00, lembrou-se que Sakura acordava 07h00 para se arrumar para o trabalho. Voltou a cabeça para a esquerda e viu o corpo parcialmente nu ao seu lado, sorriu minimamente e se aproximou da mulher de costas para si. Ela dormia tranquilamente, realmente não era a intenção de Sasuke acordá-la, sabia que ela encheria sua pouca paciência disparando perguntas sobre sua saúde, que até o próprio tinha consciência de não estar nada boa, afinal aquelas pontadas no peito e falta de ar constante não devia ser sinal de uma saúde completamente saudável.
Deslizou sutilmente as pontas dos dedos pela curva da cintura nua de Sakura, com muito cuidado aproximou o rosto do ombro da mulher, roçando a ponta de seu nariz no local, subindo até o pescoço, sentindo todo o perfume que dela emanava. Ouviu a respiração pesada e depositou um leve beijo na curvatura do pescoço quente. Observou o corpo feminino por longos minutos, e se conteve em espalmar as nádegas avantajadas e apertá-las com força; não se conformava em como Sakura conseguia deixá-lo inquieto sem fazer absolutamente nada.
Afastou-se antes que resolvesse acordá-la para repetir tudo o que haviam feito na noite anterior. Retirou o lençol sobre o seu corpo e caminhou até o banheiro, onde tomou um banho rápido. Após o banho, recolheu e vestiu as roupas que estavam jogadas por cada canto do quarto, desistindo de encontrar o cinto que havia sumido. Antes de sair do quarto, deu uma última olhada para Sakura que ainda estava adormecida e fechou a porta sem fazer barulho. Foi até a sala, colocou ração para Thor, aproveitando para acariciar o pequeno animal que por ele tinha simpatia, até parecia retribuir os afagos com leves lambidas sobre a mão do homem.
Pegou a chave do carro e sua carteira que jaziam na mesa no centro da sala, saiu do apartamento trancando-o com a sua chave – que depois de muita insistência Sakura lhe dera -, em poucos instantes já estava dentro de seu carro, dirigindo pelas ruas movimentadas de Konoha.
Refez todos os seus planos para aquele dia, teria que resolver algumas coisas e planejava algo para Sakura, mas do jeito que a rosada era, poderia ser capaz de espancá-lo e amaldiçoá-lo até a terceira geração depois que soubesse o que a esperava.
“Ela é a minha única filha menina, é bom que cuide dela, entendeu?”, as palavras do senhor Haruno ecoaram em sua mente.
Estacionou seu veículo em uma vaga no amplo estacionamento da clínica, desceu do carro e entrou no local, parando na recepção, cumprimentando a secretária Temari; uma loira de belos olhos verdes com quem já havia tido um caso no passado, que hoje era sua amiga e esposa de um dos seus grandes amigos.
–Aleluia! – Exclamou a loira, levantando de sua cadeira e contornando o balcão.
Sasuke sorriu de canto ao receber o abraço da mulher, e se surpreendeu quando notou que ela tinha mudado bastante, principalmente em uma região...
–Está grávida? – Perguntou ele, olhando para a barriga redonda de Temari.
Ela sorriu, levou a mão à barriga e acariciou o local.
–Cinco meses! – Disse ela, confirmando.
Sasuke arqueou as sobrancelhas, olhando fixamente para a barriga de Temari. Ela percebendo a curiosidade do homem, riu baixo.
–Pode tocar – Incentivou-o, pegando em sua mão.
Com certo receio, espalmou a barriga dela, afagando a região.
–Menino ou menina? – Afastou a mão, olhando para Temari que sorria abertamente.
–Menino – Respondeu – E você já casou? Tem filho? Ou está o mesmo canalha de antes? – Estreitou os olhos, mas riu assim que Sasuke fez uma careta.
–Estou namorando – Disse a ela, ainda com a cara fechada por ter sido ofendido – E não quero ter filho por enquanto, pretendo me casar primeiro.
Temari assentiu.
–Mas cuidado para não adiar tanto e acabar não tendo nenhum Uchihazinho – Disse divertida – Lembre-se que um dia o seu amigão ai – Gesticulou a parte inferior do corpo de Sasuke – Não vai mais funcionar – Gargalhou após seu comentário.
O Uchiha revirou os olhos, pelo jeito ela continuava a mesma moleca de antigamente.
–Avise ao meu padrinho que estou subindo até a sala dele – Pediu a ela, cessando o assunto.
Temari assentiu, voltando ao seu lugar. Sasuke caminhou até a escada, subindo os degraus lentamente, para que desse tempo de Temari avisar sobre sua visita ao seu padrinho, médico e diretor da clínica.
Estava de cabeça baixa, até que trombou com alguém, tendo que se segurar na barra de aço, para que não rolasse escada abaixo. Olhou furioso para o indivíduo em quem havia esbarrado, e deparou-se com um loiro sorrindo para si.
–Jabuticabinha! – Exclamou Deidara.
O loiro pulou no pescoço de Sasuke, quase sufocando o moreno com o aperto de seus braços.
–Quanto tempo! – Deu um beijo na cabeça de Sasuke – Está magrinho – Soltou-se do Uchiha, que tentava em vão ajeitar a camisa – A rosada estranha está cuidando de você boyzinho? – Deu um leve tapa sobre o ombro de Sasuke.
Era sempre assim quando se encontravam, já se acostumara com os surtos de Deidara ao vê-lo, na verdade haviam se tornado bons amigos desde que começou a namorar Sakura, mesmo com os assédios constantes do loiro sobre si. Passou a mão pelo cabelo, dando uma leve bagunçada, e viu os olhos de Deidara brilharem.
–Não estou magro – Disse olhando para o próprio corpo – E sim, ela está cuidando muito bem de mim, obrigado pela preocupação – Agradeceu ao loiro – O que está fazendo aqui? – Perguntou analisando-o, notando o jaleco branco que trajava.
–Eu trabalho aqui – Respondeu Deidara, levando as mãos à gola da camisa de Sasuke, ajeitando – Sou oftalmologista – Sorriu lançando uma piscadela para o moreno – E você o que faz aqui? Se quiser posso te consultar gratuitamente – Percorreu os olhos pelo corpo do homem a sua frente – Ou quase gratuitamente.
Sasuke subiu mais um degrau, se distanciando de Deidara que desatou a rir.
–Não obrigado – Recusou a oferta – Preciso ir, tchau. – Despediu-se do outro, voltando a subir os degraus.
–Mande um beijo no core para a rosada! – Ouviu Deidara berrar.
Ergueu a mão e fez um sinal de positivo.
Caminhou pelo segundo andar, passando pela recepção sem se importar com os chamados da secretária, continuando seu percurso até o corredor das salas médicas. Parou na última do lado direito, onde na porta branca estava pregada uma pequena placa metalizada, com o nome de seu padrinho em letras pretas.
Bateu apenas uma vez e ouviu o “Entre”, assim adentrando o cômodo iluminado e frio.
–Quando a Temari me disse que estava aqui, eu nem acreditei! – Disse o homem esguio levantando da cadeira.
Sasuke aproximou-se, recebendo um forte abraço e vários tapas em suas costas.
–Sente-se – Pediu Orochimaru apontando para uma cadeira próxima a mesa – Fiquei muito contente que tenha vindo me visitar – Disse sincero.
O Uchiha sentou-se na cadeira do lado oposto da mesa de Orochimaru, apoiando os cotovelos sobre a madeira polida.
–Preciso da sua ajuda. – Murmurou.
Orochimaru fez uma careta.
–Então não veio me visitar – Fingiu estar ressentido – O que eu posso fazer por você afilhado? – Perguntou a Sasuke com sua costumeira simpatia.
–Quero fazer alguns exames aqui na sua clínica – Disse Sasuke – Mas quero que tudo fique em absoluto sigilo, não quero que meus familiares ou qualquer pessoa próxima a mim, a não ser você, saiba disso.
Orochimaru permaneceu alguns segundos em silêncio, apenas olhando para o afilhado.
–Pode fazer isso por mim? – Sasuke o despertou de seus pensamentos.
O homem suspirou, recostando na cadeira.
–Posso saber o porquê de querer esconder da sua família? – Indagou Orochimaru estreitando os olhos – Me diga qual é o problema. – Pediu.
–Primeiro me diga se concorda ou não com a minha condição – Retrucou Sasuke.
–Sim, concordo – Respondeu Orochimaru – Mas estou preocupado – Admitiu – Me diga o que está acontecendo.
Sasuke suspirou.
–Estou sentindo algumas dores. – Disse o Uchiha – Na região do tórax.
Orochimaru direcionou seus olhos até a região que Sasuke indicava, pegou uma caneta e começou a anotar tudo o que o afilhado lhe dizia em um bloco de folhas.
–Sinto falta de ar – Prosseguiu Sasuke – E febre – Acrescentou.
–Essas dores e a falta de ar são constantes? – Interrogou Orochimaru.
Sasuke assentiu.
–Fico praticamente o dia todo sentindo dores quando respiro – Respondeu o rapaz – E a falta de ar é repentina, não tem um momento certo.
Depois de fazer mais algumas anotações, Orochimaru pegou o telefone sem fio e discou um número rapidamente, enquanto era observado por Sasuke.
–Temari, agende uma radiografia torácica para Sasuke Uchiha – Olhou para Sasuke e levou a mão ao fone – Que horas pode estar aqui amanhã? – Perguntou ao Uchiha.
–A partir das seis – Respondeu Sasuke.
–Sete horas – Disse Orochimaru voltando a ligação – Obrigado.
Colocou o telefone no gancho e voltou-se para Sasuke.
–Quero pedir uma coisa para você – Ergueu o indicador da destra – É um problema difícil, você vai precisar se esforçar.
Sasuke assentiu.
–Pare urgentemente de fumar. – Pediu.
–É impossível – Murmurou o Uchiha – Já tentei e não consigo.
Orochimaru balançou a cabeça negativamente.
–Então se prepare para receber uma notícia ruim – Disse seriamente.
Sasuke suspirou, já imaginava que teria de vencer o vício, mas sabia que era praticamente impossível, já que havia tentado parar de fumar por diversas vezes.
–Certo – Suspirou pesadamente – Eu vou tentar.
–Não – Negou Orochimaru – Você não vai tentar, você vai parar definitivamente de fumar – Corrigiu-o.
Sasuke assentiu.
–Eu vou parar definitivamente de fumar – Refez sua fala.
Após Orochimaru lhe instruir para o exame do dia seguinte, Sasuke levantou-se da cadeira e estendeu a mão para seu padrinho.
–Tenho que resolver algumas coisas – Disse enquanto apertavam as mãos – Até amanhã. – Despediu-se.
–Certo, até. – Respondeu Orochimaru acompanhando-o até a porta.
Sasuke saiu da sala, voltando ao corredor. Ao passar pela recepção, despediu-se de Temari, indo apressadamente até o estacionamento, entrando em seu carro. Dirigia perdido em pensamentos, sentiu que Orochimaru estava preocupado, seu problema não devia ser tão simples afinal.
Parou o carro quando o farol fechou, aproveitou para pegar o celular e discar o número de uma das pessoas que poderia lhe ajudar na surpresa que estava planejando. Colocou os fones nos ouvidos, esperando que ele atendesse.
–Fugaku Uchiha – Anunciou o homem da voz grossa e arrogante.
–É o Sasuke – Avisou voltando a dirigir.
–O que você quer? – Perguntou Fugaku, sua irritação era bem notável.
–Preciso que autorize um avião particular para mim – Disse Sasuke.
Ouviu um suspiro exasperado do mais velho.
–Estou no meio de uma reunião – Vociferou seu pai – Peça para o seu irmão autorizar.
E encerrou a ligação.
Respirou fundo, tentando conter a raiva. Apertou as mãos no volante, querendo retornar a ligação e xingar seu pai dos piores nomes que conhecia. Maldita hora que havia saído daquela empresa, com toda a certeza se não tivesse desistido do seu cargo de diretor, não estaria estacionando o seu carro em frente àquele grande edifício para falar com a pessoa que mais odiava; seu próprio irmão.
Saiu do carro e ainda na calçada deu uma bela olhada para o grande prédio cinzento a sua frente, soltou um suspiro pesado pondo-se a caminhar em direção a entrada. Parou algumas vezes para cumprimentar alguns conhecidos e colegas de trabalho, mas procurava ser breve, não queria passar mais do que dez minutos ali.
Entrou no elevador junto a uma jovem moça, ela o encarou com os grandes olhos azuis e abriu um sorriso tímido, ele também sorriu por educação, já estava acostumado com reações femininas perante a ele.
Quando finalmente a porta de aço abriu, saiu rapidamente, passando pelo o corredor cheio de portas, parando na terceira do lado esquerdo. Nem se preocupou em bater para anunciar sua chegada, abriu a porta e encontrou Itachi em sua poltrona, analisando alguns papéis em meio aos milhares jogados em sua mesa, parecia aflito, mas Sasuke resolveu ignorar esse fato.
Itachi ergueu o rosto, quando viu quem acabava de entrar não disfarçou o espanto, fazia tanto tempo que Sasuke não pisara ali, realmente algo muito sério havia acontecido.
–Sasuke? – Itachi levantou de sua poltrona.
–Quero sua autorização para um avião particular – Sasuke disse rapidamente.
Itachi assentiu, voltando a sentar.
–Claro, eu autorizarei – Assentiu – Como a Sakura está? – Perguntou educadamente enquanto abria o notebook.
–Não lhe interessa – Respondeu o irmão mais novo, num tom grosseiro – Autoriza logo essa porcaria, quero ir embora.
Suspirou pesadamente, fechando os olhos por alguns segundos.
–Sasuke – Proferiu o nome do irmão pausadamente – Não precisa me tratar como um inimigo, você sabe que eu não sou.
Sasuke respirou fundo, levando a destra até o cabelo, bagunçando os fios negros.
–Me dá logo a porra da autorização – Pediu irritado.
Itachi voltou a levantar de sua poltrona, contornando a mesa, ficando frente ao seu irmão, que o encarava com um olhar irado.
–Mas será possível? – Indagou erguendo ambas as mãos – Por que não é capaz de voltar a ser o irmão que era antigamente? – Inquiriu a Sasuke.
Sasuke riu sarcástico.
–Por alguns simples motivos – Respondeu irônico – Você matou a mulher que eu amava e o meu filho que nem havia nascido ainda.
Itachi contraiu a mandíbula, odiava a ironia de Sasuke, principalmente se tratando de algo sério como o seu passado, onde era acusado de ter cometido um crime, sendo que era inocente. Já havia recuperado a confiança de seus pais, eles mesmos sabiam de sua inocência, mas mesmo depois de longos e sofridos anos carregando a culpa sem ter feito absolutamente nada, nunca conseguiu convencer seu irmão de sua inocência.
–Como eu poderia... – Murmurou abaixando a cabeça – Como eu poderia matar a mulher que eu mais amei na minha vida? – Não era uma pergunta feita a Sasuke, mas sim para si mesmo.
–Não diga que a amava, porque é men...
–Eu amava sim, sempre amei! – Gritou Itachi, interrompendo Sasuke – Porra Sasuke, nem depois daquela mulher – Se recusava a proferir o nome da mulher que mais odiava – ter tentado matar a Sakura, você acredita que quem armou a morte de Matsuri foi ela! – Esbravejou indignado – Eu não fiz nada!
Sasuke ergueu o rosto, já estava com a paciência esgotada para aquele assunto. Sentiu seu peito começar a latejar, respirou e resmungou de dor. O mais velho notou a mudança de seu irmão, vendo-o respirar profundamente, enquanto esfregava o peito.
–Sasuke – Itachi se aproximou – Está tudo bem? – Pousou sua mão sobre o ombro de Sasuke.
O moreno afastou-se assim que sentiu Itachi tocar-lhe.
–Estou – Respondeu se recompondo – Não preciso da sua ajuda, nem de avião, nem de porcaria nenhuma – Deu as costas, caminhando em direção a porta – Só quero que fique longe da Sakura, não quero que aquela história se repita mais uma vez – Olhou para Itachi sobre o ombro – Não vou deixar que me tire ela.
Saiu da sala, batendo a porta atrás de si. Apertou o botão do elevador e esperou impaciente, assim que as portas se abriram, empurrou quem estava na sua frente e entrou depressa, ouvindo alguém xingá-lo. Encostou-se contra a parede de aço e soltou um longo suspiro. Lembrar do passado deixava-o irritado, sabia que jamais seria capaz de perdoar Itachi, mas ao mesmo tempo tinha vontade de voltar a ser como era no tempo em que era unido ao irmão, onde um precisava do outro, compartilhavam segredos e se divertiam juntos.
Com certeza era uma época bem mais feliz e que jamais iria voltar.
*
Parou o carro em uma vaga no estacionamento do shopping da cidade, desceu do veículo e entrou no elevador, indo para o segundo andar. Caminhou por entre as pessoas, procurando o local ao qual se destinava, uma vez ou outra parava para cumprimentar conhecidos.
Viu o local que procurava adiante, em passos rápidos seguiu até a agência de viagens, entrando em seguida. Havia apenas uma moça sentada à mesa, digitando algo em um notebook.
–Boa tarde – Disse ela, sem desviar os olhos do computador.
Sasuke não respondeu, apenas sentou-se na outra cadeira, esperando que ela o atendesse. Ao desviar os olhos do computador, a mulher parou de digitar, voltando sua atenção totalmente a Sasuke.
–Em que posso ajudá-lo? – Perguntou ela, sorrindo gentil; até demais.
–Quero duas passagens aéreas para Hakui – Respondeu Sasuke, retirando o celular do bolso.
–Para que dia? – Ela quis saber, enquanto voltava para o computador.
Sasuke digitou a senha, desbloqueando a tela do celular.
–Sexta – Murmurou enquanto checava as mensagens do WhatsApp.
Digitou um “Bom dia” para Sakura, que não foi respondido e que provavelmente nem seria, já que a rosada na maioria das vezes ignorava suas mensagens.
Após responder mais algumas perguntas, incluindo seu estado civil – que ele mesmo sabia não ser necessário –, pegou as passagens e voltou a caminhar pelo shopping, observando as várias lojas, sem se interessar por nada; na verdade apenas tentava esquecer o seu problema de saúde, não queria esquentar a cabeça com aquilo.
Sentou em um banco em frente a uma joalheria, ficou observando algum ponto qualquer, e de tão distraído que estava não notou que assim como dentro da loja, algumas garotas ao seu redor estavam o observando. Não se incomodava em ser admirado, sabia o efeito que causava nas mulheres, possuía uma beleza estonteante e no fundo gostava de ser desejado.
Levantou-se do banco e caminhou até a joalheria, entrando e sendo recebido por duas atendentes, ambas querendo prestar-lhe ajuda. As mulheres mostraram-lhe várias joias femininas, desde colares de ouro até anéis de brilhantes. Sasuke pediu para que uma gargantilha de ouro fosse preparada em uma caixa de presente, e seu pedido logo foi atendido.
Após a compra – e ser muito paquerado pelas atendentes -, saiu da loja carregando a sacola de papel consigo. Olhou no relógio de pulso, já passavam das onze da manhã. Pegou o celular e procurou na agenda do aparelho um determinado número, ao encontrar discou esperado alguns segundos para a pessoa atendesse.
–Quer almoçar comigo? – Perguntou ele, antes que a pessoa dissesse algo.
Fez-se alguns poucos segundos de silêncio, provavelmente a pessoa para quem fizera o pedido havia estranhado.
–Posso saber o motivo? – Perguntou ela desconfiada.
–Preciso conversar com você – Respondeu o Uchiha, enquanto abria a porta do seu veículo – Quero te pedir um favor.
–Que horas? – Indagou ela.
Sasuke deixou a sacola no banco do passageiro e ligou o carro.
–Vou te buscar, me espere na frente do hospital – Pediu – Mas cuidado para que a Sakura não a veja.
–Certo – Ela concordou.
Encerrou a ligação, voltando a colocar seu celular no bolso.
*
Parou em frente ao grande hospital, viu a mulher saindo pela porta principal, desceu o vidro fumê do carro para que ela o reconhecesse, e assim que ela o viu, caminhou rapidamente até o veículo, entrando e se acomodando no banco do passageiro, ao lado de Sasuke. O Uchiha analisou a bela mulher, parando o olhar no belo decote.
–Se quiser que eu arranque seus olhos, continue olhando pra cá – Disse Tsunade ameaçadoramente, apontando para seus volumosos seios.
Sasuke riu baixo, e se pôs a conduzir o carro, com os olhos fixos na estrada. Nenhuma palavra fora proferida entre os dois, até estarem dentro de um sofisticado restaurante, onde Sasuke havia reservado uma mesa.
O moreno sentou-se de frente a mulher, pediu vinho e o prato principal, e enquanto o garçom buscava o vinho, aproveitou para iniciar sua conversa com Tsunade, que a cada minuto ficava ainda mais desconfiada.
–Tenho um presente para você – Disse o moreno, entregando a ela uma pequena caixa de presente.
Tsunade pegou a caixa e abriu, encontrando uma linda gargantilha.
–Diga logo o que quer homem – Pediu ela, praticamente jogando a caixa em cima da mesa.
–Não vai me dizer se gostou? – Indagou Sasuke, fingindo ressentimento.
A mulher revirou os olhos.
–É linda, mas não posso aceitar – Afastou a caixa de volta para o Uchiha – Meu marido não ia gostar nada de saber que ganhei um presente de outro homem – Explicou.
–Jiraiya é meu amigo, não se importaria – Persistiu Sasuke, empurrando a caixa até Tsunade.
A loira suspirou exasperada.
–Dá para dizer logo o que quer? – Perguntou impaciente, olhando no relógio e seu pulso – Tenho apenas meia hora, desembucha.
–Quero uma semana de férias. – Disse o Uchiha naturalmente.
Tsunade arqueou uma sobrancelha, completamente confusa.
–Quê? – Indagou.
–Quero que dê uma semana de férias para a Sakura – Repetiu sendo mais claro – Vamos viajar. – Explicou.
–Mas não precisava você me pedir – Disse a mulher, franzindo o cenho – Claro que eu darei férias a ela.
Sasuke balançou a cabeça.
–Mas quero que seja o nosso segredo – Apontou para si e para ela – Ela não pode saber até sexta, quero fazer as coisas diferentes – Sorriu minimamente.
Tsunade estreitou os olhos.
–Olha lá o que vai aprontar rapaz – Avisou a ele.
–Eu sei que faço – Garantiu.
*
Retirou a chave do bolso do jeans, enfiando na fechadura, abriu a porta e entrou em seu apartamento. Quando se preparou para fechá-la, viu um envelope jogado no chão, próximo aos seus pés, provavelmente alguém havia enfiado-o por baixo da porta. Agachou e pegou o envelope de papel, analisando-o.
–Itachi – Leu em voz baixa o nome do remetente.
Fechou a porta e caminhou até uma poltrona, sentando-se. Rasgou a lateral do envelope e pegou o papel que estava dentro, desdobrando.
Era a autorização do avião particular.
Narradora Pov Off
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