Shelter
24 Green Eyes
Notas iniciais
Narradora POV On
Pavor; essa era a palavra certa para definir o que sentia naquele momento. Ao ouvir o som do corpo de Sakura chocar-se contra a água, o pânico estampou seu rosto. Viu Hinata mergulhar e não perdeu tempo, bateu os pés e as mãos contra a água gelada, nadando em direção onde Sakura havia caído. Prendeu a respiração e enfiou-se debaixo d’água, movimentando suas mãos, tomava impulso com os pés, implorando a Deus que desse tempo para salvar a rosada.
Hinata nadava o mais rápido que podia, sentia seu pulmões já exigindo oxigênio, entretanto não parou. Conseguiu ver Sakura não muito distante, apenas mais alguns metros e já a alcançaria, notou que ela havia parado de se movimentar, certamente havia perdido a consciência. Esticou os braços, batendo os pés mais rapidamente, apesar da água deixar-lhe bem lenta. Finalmente conseguiu agarrar o braço fino, puxou o corpo pesado para próximo do seu e começou a voltar para a superfície, viu Ino já próxima, fez um sinal para que a loira lhe ajudasse, esta agarrou o outro braço da rosada e ajudou Hinata a puxá-la até a superfície. Colocaram a cabeça para fora da água e respiraram fundo, enchendo os pulmões de ar.
–Ela não está respirando! – Gritou Ino.
Hinata estava ofegante, passou o braço envolta da cintura de Sakura e voltou a nadar agora rumo à beira da praia.
–Vamos levá-la para a praia – Disse a morena, fazendo esforço – Precisamos de ajuda urgente.
As lágrimas já escorriam pelo rosto alvo de Ino, que também ofegante, puxava a melhor amiga pelos braços, ajudando Hinata a levá-la até a beira da praia que parecia tão distante.
–Não deixa ela morrer Kami... Por favor – Implorava Ino, aos soluços.
Chegando próximas as rochas mais baixas, Hinata agarrou a pedra, soltou o corpo de Sakura, deixando que Ino a segurasse; escalou a rocha escorregadia, conseguindo subir.
–Venha – Esticou as mãos, pegando nos antebraços de Sakura.
Ino empurrou a rosada pra cima, enquanto Hinata puxava-a pelos braços, retirando-a da água. Deitou o corpo sobre as pedras, Ino já estava ao seu lado, soluçando de tanto chorar.
–Faça massagem cardíaca – Ordenou Hinata – Tentarei o RCR.
Ino assentiu, sobrepôs as mãos sobre o peito de Sakura, fazendo compressões. Hinata segurou o queixo de Sakura, inclinando sua cabeça para trás; tapou o nariz da rosada e encheu seus pulmões de ar. Aproximou seu rosto ao dela, comprimindo sua boca contra a da amiga, assoprando o ar com força para os pulmões de Sakura, enquanto Ino continuava a pressionar as mãos contra o peito de Sakura.
*
Corria o mais rápido que podia, sentia que a qualquer momento poderia torcer o tornozelo e desabar ao chão. Não podia vacilar, cada minuto que se passava era precioso, teria que chegar a tempo. A imagem de Sakura caindo no mar passava lentamente em sua cabeça, gravou bem o rosto de quem a empurrara, aquela ruiva desgraçada ia pagar pelo o que fez! Acelerou os passos um pouco mais, já estando bem próxima ao local da festa, onde todos dançavam e bebiam alegremente.
–Ei! – Gritou o mais alto que pode – Socorro!
Balançou as mãos no ar tentando chamar a atenção de alguém, sem sucesso. Correu por entre as pessoas que mexiam seus corpos no ritmo da música, sem se importar com as caras feias que eram-lhe direcionados, girou em torno de si mesma, analisando cada um dos rostos procurando Sasuke, que finalmente encontrou. Ele estava no mesmo lugar, próximo ao quiosque, tragando um cigarro calmamente, enquanto algumas garotas conversavam e se insinuavam para ele.
–Sasuke! – Gritou correndo em sua direção.
O Uchiha ao ouvir seu nome, virou em direção a quem gritava; deparando-se com os olhos escarlates apavorados, a única imagem que surgiu a sua mente foi de Sakura. Correu até a ruiva, que tentava dizer algo, porém nada era proferido, estava ofegante.
–O que aconteceu?! – Sasuke perguntou, pegando nos ombros da mulher.
Karin apontou na direção que viera, o local rochoso da praia.
–A... Sakura... – Tentou terminar a frase, mas não conseguiu.
Viu os olhos negros arregalarem, Sasuke não perdeu tempo, começou a correr rumo às rochas.
–Ei teme! – Naruto gritava, correndo atrás do amigo.
Não parou de correr, seus pés batiam com força contra as pequenas pedras em meio a areia, já sentia o ardor dos ferimentos. À medida que se aproximava, via três figuras em meio às pedras; era Ino e Hinata que estavam curvadas sobre o corpo pálido de Sakura.
–Não – Rosnou.
Ignorou a dor de seus pés, pulando e saltando de uma rocha a outra, conseguiu chegar.
–O que aconteceu!? – Perguntou em um grito de pavor.
Nenhuma das duas respondeu, Hinata continuava a assoprar ar para a rosada, que não respondia, notava-se o cansaço da morena. Sasuke extremamente nervoso, empurrou Hinata para o lado gentilmente, curvou-se sobre Sakura, tapou o nariz fino e arrebitado, mesmo cansado encheu os pulmões de ar, comprimiu seus lábios contra os dela e assoprou o ar com toda a força.
Em questão de segundos, dezenas de pessoas estavam em volta deles, todos assustados com a situação. Itachi abriu caminho entre as pessoas, vendo Sasuke desesperado, tentando reanimar Sakura. Ino já estava exausta, Hinata tocou seu ombro, pedindo para que deixasse ela fazer a massagem cardíaca, mas a loira não cedeu, não podia parar.
–Ele está fazendo errado – Alguém disse – Erga o queixo dela para o ar ir forte até os pulmões.
Sasuke não tinha tempo para instruções, precisava salvar Sakura, se recusava a deixá-la morrer, ele não podia reviver aquilo tudo novamente. Ele não podia perder mais uma vez. Continuou soprado o ar para a rosada que não lhe dava nem um sinal. Até que foi surpreendido ao ser puxado para trás.
–Mas que porra! – Esbravejou, ao ser separado de Sakura.
–Calma – Itachi murmurou.
–Calma o caralho! – Gritou tentando se livrar das mãos de Itachi e Naruto.
Sasori ajoelhou-se ao lado de Sakura, ergueu o queixo alvo e tapou o nariz dela.
–O que você está fazendo?! – Esbravejou o moreno – Não toca na minha mulher!
Viu um sorriso zombeteiro nos lábios do ruivo, que começava a aproximar o rosto do de Sakura.
–Já fizemos coisas muito piores – Disse Sasori, lançando uma piscadela para o moreno – Acredite, um roçar de lábios não é nada.
O Uchiha começou a se debater furiosamente, queria quebrar cada um dos dentes daquele infeliz que ousava tocar em sua namorada. Gaara tratou de ajudar a conter Sasuke, que tentava avançar no ruivo.
–Me solta! – Ordenou Sasuke – Vou matar esse filho da puta!
–Calma Sasuke – Gritou Itachi – Não é hora para ciúmes, ela está morrendo! – Bradou o Uchiha mais velho, voltando os olhos para Sasori – Por favor, pare de provocar o meu irmão, faça o que tem que fazer. – Disse ao ruivo.
Sasori inspirou o máximo de ar que pode, curvou-se sobre o rosto de Sakura e uniu os lábios, assoprando o ar para ela. Sasuke virou o rosto, recusando-se a ver outro tocando sua rosada. Soltou-se das mãos que te impediam de atacar Sasori, abriu caminho entre as pessoas e sentou-se em uma rocha, enfiou as mãos por entre os cabelos, abaixou a cabeça e fechou os olhos, pedindo a Deus que não levasse Sakura, ele não superaria mais uma perda. Seu peito latejava, aquela dor o torturava frequentemente, já sentia sua respiração pesar. Respirou sentindo as malditas pontadas dolorosa no peito, soltou o ar e fechou os olhos, continuando a rezando com toda a fé que possuía, apesar de não ser muito apegado à força maior, naquele momento depositara toda a sua confiança nele.
“Ela não pode morrer, não a deixe morrer”, pedia em pensamento, enquanto esfregava seus dedos pelos fios de seus cabelos.
–Graças a Kami! – Ouviu alguém exclamar.
Ergueu o rosto, levantando-se sobressaltado, voltando a passar entre as pessoas. Sakura tossia toda a água que havia engolido, respirando com muita dificuldade. Ino desabou em choro, envolvendo a amiga em seus braços, gritando em agradecimento a Deus. Sasori sentou-se sobre uma rocha, visivelmente cansado, Sasuke se conteve em partir pra cima do ruivo, pois no fundo, bem no fundo estava agradecido por ele ter salvado Sakura, quando ele foi incapaz de tal. Aquilo o incomodou, entretanto não deixava de ser grato.
Se aproximou de Sakura, que ainda estava inconsciente, agachou-se ao seu lado e estendeu os braços, pedindo a Ino que a entregasse. A loira soluçando de tanto chorar, cuidadosamente colocou a rosada sobre os braços de Sasuke, que a ergueu junto a ele. Olhou para o rosto pálido, deu um beijo terno sobre a testa de Sakura.
–Vamos para o hospital – Disse Karin, tocando o ombro de Sasuke.
Ele assentiu, começando a andar cuidadosamente pelas rochas escorregadias. Olhava para Sakura em seus braços a todo o momento e por um instante uma imagem lhe veio à cabeça, por um triz não viveria aquilo novamente; ter a amada morta em seus braços.
–Vamos no meu carro – Viu um ruivo passar a frente.
O ignorou, rumando à casa de Naruto.
–Para de orgulho cara – Sasori parou próximo ao carro estacionado na areia.
Sasuke não parou de andar.
–Não preciso mais da sua ajuda, eu tenho carro – Disse ao ruivo, que bufou de raiva.
Agora queria aquele cara longe de Sakura, definitivamente.
Voltando para a casa de Naruto, foi até o seu carro, Karin ajudo-o a pegar a chave no bolso da bermuda, colocou Sakura deitada no banco de trás e rapidamente foi para o banco do motorista. Após Karin entrar no carro, não perdeu tempo, manobrou o veículo e acelerou pelas ruas asfaltadas.
Karin suspirou pesadamente, relaxando no banco, não estava completamente recuperada do susto, seus pés estavam machucados e as pernas doíam. Olhou para Sasuke de soslaio, ele estava aflito, pálido, realmente preocupado.
–Como ela caiu no mar? – Perguntou ele, com os olhos na estrada.
Karin fechou os olhos, buscando em sua memória a imagem da pessoa que havia empurrado a sua amiga para a morte.
–Aquela garota de cabelo ruivo a empurrou – Respondeu tentando lembrar o nome dela.
Sasuke arregalou os olhos, a única ruiva presente na festa além de Karin era Tayuya, ela seria mesmo capaz de tentar matar Sakura?
–Você tem certeza disso Karin? – Perguntou Sasuke, apertando o volante.
Karin assentiu.
–Ino e Hinata são testemunhas também – Disse a mulher, arrumando os óculos – Tenho certeza que viram quem empurrou Sakura. – Afirmou – E eu juro que arrebento cada parte daquele rosto dela, se eu a encontrar novamente.
Ela estava queimando em ódio, se Tayuya achava que ia ficar tudo por isso mesmo, estava enganada, Karin a encontraria, nem que precisasse ir ao inferno. Sasuke permanecia em absoluto silêncio, não conseguia acreditar que Tayuya havia tentado matar Sakura, será que a Tayuya do passado havia voltado? Possessiva, louca, obcecada por ele.
Parou o carro na entrada do hospital, saiu do veículo às pressas, voltando a pegar Sakura em seus braços. Karin já havia entrado, relatando o que havia acontecido com Sakura a uma enfermeira. Sasuke colocou Sakura sobre uma maca que fora trazida por dois enfermeiros, viu ela sendo levada para uma sala onde seria examinada e pelo que a enfermeira lhe dissera, ficaria internada.
Sentou-se em um banco de madeira no extenso corredor do hospital, Karin estava ao seu lado, tamborilava os dedos, apreensiva. Poucos minutos mais tarde, Naruto, Hinata, Gaara e Ino chegaram, Naruto foi logo tentando acalmar o amigo Uchiha, dizendo-lhe palavras de conforto, embora naquele momento só fizessem a irritação do moreno aumentar, por Kami, o loiro não calava a boca nem por um segundo.
–Ela vai ficar bem, tenho certeza – Dizia Naruto, apertando o ombro de Sasuke.
–Você já disse isso – Resmungou o Uchiha, passando os dedos entre os fios negros de seu cabelo – Eu já disse que estou bem, cala a boca.
Naruto fez uma careta e antes que pudesse irritar o tão impaciente Uchiha, uma enfermeira saiu do quarto onde Sakura estava, parou frente a todos, fitando os rostos apreensivos enquanto segurava uma prancheta nas mãos.
–Ela está bem – Disse a jovem enfermeira – Vai ter que ficar só uma noite aqui, amanhã ela vai ter alta – Prosseguiu.
Sasuke suspirou aliviado.
–Posso liberar visitas, mas poucas pessoas por vez – Ela sorriu docemente – Quem quer vê-la primeiro? – Perguntou, olhando para cada um dos rostos.
Todas as atenções foram voltadas para Sasuke, que permaneceu sentado em sua cadeira.
–Quero ser o último – Sasuke murmurou – Eu vou passar a noite no hospital com ela – Explicou ao notar os olhares confusos.
Naruto pegou na mão de Hinata e a puxou em direção a porta do quarto onde Sakura estava, porém foram barrados por Ino, que entrou na frente.
–Sou a melhor amiga dela – A loira disse, abrindo a porta – Por isso eu vou primeiro.
Virou para um Naruto emburrado e uma Hinata constrangida, riu baixinho e pegou na mão de Hinata, puxando-a.
–E eu deixo a Hinata vim comigo – Ino empurrou Hinata pra dentro do quarto e entrou logo em seguida, ouvindo Naruto resmungando.
O quarto era bem iluminado e frio, antes que Ino pudesse fechar a porta Karin a impediu, adentrando o cômodo também. Aproximaram-se vagarosamente da cama onde Sakura estava. Uma máscara de oxigênio cobria o nariz e a boca, auxiliando em sua respiração; suas vestes haviam sido substituídas por um avental hospitalar, um lençol de tecido pesado cobria-lhe a metade do corpo.
Hinata tocou a bochecha da rosada com a palma de sua mão, sentindo a pele pálida bastante fria.
–Quando eu encontrar aquela vagabunda da Tayuya eu vou arrebentar a cara dela – Murmurou Karin,parando do outro lado da cama.
–E vou ajudar – Murmurou Ino, inclinando-se até Sakura, dando-lhe um beijo sobre a testa – Você vai ficar bem testuda. – Disse baixo, passando a mão pelos fios róseos.
–Onde será que a Tayuya deve estar agora? – Hinata perguntou, seus olhos perolados transmitiam toda a revolta que sentia.
Ino balançou a cabeça negativamente.
–Não faço à mínima ideia, deve ter fugido – Subiu os ombros – Mas se ela pensa que vai ficar impune – Sorriu amarga – Ela está muito enganada.
Karin e Hinata assentiram.
–Mexeu com uma, mexeu com todas – Pronunciou-se Karin, erguendo o punho.
–É isso ai! – Hinata concordou.
Ino sorriu, voltando os olhos para Sakura.
–Com certeza – Sussurrou.
Narradora POV Off
*
Sakura POV On
Abri meus olhos lentamente, tentando me acostumar com a luz branca que me cegava, os fechei novamente e em seguida abrindo-os de novo, agora conseguindo enxergar quase que perfeitamente. A primeira coisa que eu senti foi uma dor quase insuportável em meu tórax, tentei respirar profundamente, mas desisti logo que uma pontada dolorosa surgiu em meu peito, me fazendo resmungar de dor. A segunda coisa que senti, foi um leve peso sobre minha barriga, tentei erguer minha cabeça, mas eu estava muito pesada, não conseguia me mover de modo algum.
Virei meu rosto para o lado, me remexendo na cama desconfortável. Vi que meus braços estavam com tubos de silicone, interligados em aparelhos; uma cânula nasal estava presa em meu nariz, facilitando a minha respiração, minhas roupas não estavam mais em meu corpo e o bipe do monitor cardíaco era o único som que se ouvia ali. Suspirei aliviada, eu não estava morta, isso era bom.
Após um bom esforço, consegui erguer minha cabeça para ver o que estava em cima da minha barriga. Era um braço forte e alvo.
–Sasuke – Sussurrei.
Ele estava com seu rosto virado para o lado oposto ao meu, repousando apenas sua cabeça e braços sobre o colchão da cama, certamente estava desconfortável, pois dormia sentado, com o tronco curvado para a cama. Seu braço direito estava por cima de minha barriga e a outra em minhas pernas.
Senti pena de vê-lo daquele jeito, estiquei meu braço e toquei levemente o bíceps másculo, apertando. Sasuke assustou-se, ergueu o rosto e me fitou meio atordoado, com aquela cara de sono tão bonita.
–Sakura – Murmurou me olhando confuso.
Eu sorri, quase rindo por ele estar grogue.
–Sou eu – Eu disse ainda sorrindo.
Ele arqueou as sobrancelhas, me fitando por alguns segundos e então ele me surpreendeu com um abraço repentino. Suas mãos apertaram minha cintura delicadamente e ele afundou seu rosto na curvatura de meu pescoço. Fiquei abobada, enfiei meus dedos entre seus cabelos negros e fiz um leve carinho, enquanto passava meu braço sobre seus ombros.
–Você me assustou – Ele sussurrou, dando um beijo sobre minha pele, me fazendo estremecer.
Algumas cenas vieram a minha mente; lembrei de eu sendo empurrada, do barulho do meu corpo se colidindo contra a água, do meu pânico ao tentar de todas as formas voltar à superfície e da escuridão.
–Desculpa – Pedi em voz baixa.
Sasuke afastou o rosto, me olhou com o semblante sério, que aos poucos foi suavizando conforme se aproximava do meu rosto.
–Não faça mais isso comigo – Ele disse, semicerrando os olhos.
Assenti de leve e fechei meus olhos ao sentir os lábios dele sendo pressionados contra os meus. Sasuke se afastou após o selinho, roçou a ponta de seu nariz no meu e eu me assustei com o gesto de carinho.
–Como se sente? – Perguntou-me, continuando com o rosto próximo.
–Muito bem – respondi com um sorriso.
Ele também sorriu, embora fosse um sorriso bem mais discreto que o meu.
–Pergunto se sente dor – Ele disse, se afastando e ficando ereto ao lado da cama.
Passei minhas mãos pelo meu tórax, respirei e fiz uma careta ao sentir a dor, o que não passou despercebido por ele.
–Só dói quando respiro – Falei.
Ele assentiu, compreendendo.
–Vou pedir para a enfermeira aplicar um analgésico, você precisa descansar – Murmurou enquanto movia sua mão para perto de um botão vermelho ao lado da cama.
–Ei – Chamei sua atenção – Não quero descansar não.
Sasuke parou por um momento, em seguida sorriu perverso.
–Parece que finalmente minha vingança chegou – Arqueou as sobrancelhas, continuando a sorrir – Lembra como eu pedia para não aplicar o sedativo quando estava aos seus cuidados no hospital? – Indagou.
Revirei meus olhos.
–Era um caso completamente diferente – Resmunguei, enquanto via-o voltar a aproximar a mão do botão – Não ouse apertar esse maldito botão! – Eu disse irritada.
Mas não adiantou, ele simplesmente apertou. Uma enfermeira apareceu na porta, ela era muito bonita para o meu gosto e seu olhar para Sasuke era muito suspeito. Ela se aproximou, sorrindo meiga, tratei de fazer a minha pior cara.
–Olá senhorita Haruno – Cumprimentou-me – Está com dor? – Perguntou-me, enquanto analisava o soro preso em um suporte ao lado de minha cama.
Assenti.
–Sim – Respondi, enquanto olhava para Sasuke, que olhava para mim.
–Então vou apenas aplicar um remédio para que ela amenize – Disse ela, já preparando uma seringa.
Eu queria protestar, mas antes que pudesse, ela injetou o remédio em meu tubo.
–Prontinho – Disse ela – Qualquer coisa é só chamar – Disse a Sasuke, que assentiu – Vocês tem três minutos para jogar conversa fora – Sorriu gentil.
Uma sonolência começava a se apossar de mim, eu tentava de todas as formas me manter firme e acordada, porém sem sucesso. Ouvi o barulho da porta quando foi fechada, virei meu rosto para o lado e senti a mão de Sasuke pegar a minha.
–Sasuke – Sussurrei, entreabrindo meus olhos.
–Hm? – Ele inclinou-se até mim.
–Deita aqui comigo – Pedi fechando meus olhos novamente.
–Será que cabe? – Perguntou, enquanto preparava-se para subir na cama.
–Anda logo – Rosnei irritada.
Ele ponderou-se por alguns instantes, mas subiu na cama e deitou-se ao meu lado. Apesar de desconfortável e apertado, ele se se ajeitou deitando de lado. Agarrei sua camiseta com as pontas dos dedos e encostei meu rosto em seu peito, ouvindo seu coração bater calmo.
–Quer que eu cante uma música para você? – Perguntou, enquanto percorria os dedos em minhas costas.
–Com essa sua voz de taquara rachada? – Indaguei com a voz arrastada – Não, obrigada. – Sorri amarelo.
–Muito engraçada – Murmurou ele, pude imaginá-lo revirando os olhos.
–Tá... – Fiz uma pausa – Canta... Mas tem que ser... Romântica...
Ouvi a voz grossa e baixa começar a cantar uma música que deduzi ser Green Eyes.
Honey, you are a rock
Querida, você é uma rocha
Upon which I stand
Sobre a qual eu fico em pé
And I come here to talk
E eu vim aqui pra conversar
I hope you understand
Espero que você entenda
Foi então que descobri algo em que Sasuke não era bom, não que ele fosse terrível quando se tratava de cantar, entretanto não poderia considerá-lo um bom cantor. Mas naquele momento nada me importava, era tão bom tê-lo ali comigo, tão próximo, tão atencioso; algo que eu pensava que ele nunca seria comigo.
The green eyes
Os olhos verdes
Yeah, the spotlight
Sim, o refletor de luz
Shines upon you
Brilha sobre você
And how could
E como poderia
Anybody
Alguém
Deny you?
Rejeitar você?
Sua voz começou a desaparecer, eu já quase não ouvia mais nada, estava completamente entregue ao sono, porém antes que eu pudesse finalmente dormir, ouvi algo que mesmo naquela situação me emocionou.
–Eu te amo – Sasuke sussurrou em meu ouvido.
“Eu também”.
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