Shelter
25 Desentendimento
Notas iniciais
Depois de finalmente ter tido alta do hospital, após passar uma tarde inteira deitada naquela cama desconfortável — o que veio a me ocasionar uma dor de coluna desgraçada -, Sasuke decidiu que iríamos embora, claro que sobre os protestos de Naruto, que insistia para que ficássemos no litoral.
Eu já estava completamente recuperada, conseguia respirar sem sentir a dor agonizante em meu peito e falar normalmente, apenas estava um pouco confusa em relação ao acidente, Sasuke não respondia e não deixava que respondessem as minhas perguntas. Mas mesmo meio confusa, havia algo de que eu não seria capaz de esquecer, ou melhor, um alguém que eu não seria capaz de esquecer. Eu tinha a absoluta certeza de uma coisa; Tayuya ia pagar pelo que havia me feito. Era bem difícil esquecer aquele sorriso macabro e olhos demoníacos, finalmente eu tinha um forte motivo para odiá-la.
Já estávamos chegando ao prédio onde eu morava, Sasuke dirigia concentrado, absorto em pensamentos, seu cenho franzia de vez em quando e sua expressão se tornava tensa, para então voltar a seriedade de sempre. Era engraçado e curioso as caras e bocas que Sasuke fazia quando estava pensativo.
Senti algo tremer e meu colo, era o meu celular. Peguei o aparelho e arregalei os olhos ao ver quem me ligava.
–Quem é? – Sasuke perguntou sem tirar os olhos da estrada.
Não respondi, apenas deslizei meu polegar sobre a tela, atendendo a ligação.
–Querida? – Ouvi a voz gentil do outro lado da linha.
Senti um nó na garganta, meus olhos já começavam a embaçar por causa das lágrimas que insistiam em escorrer pelo o meu rosto. Respirei fundo, e limpei uma lágrima que havia escapado.
–Mãe – Minha voz saiu embargada.
Eu não falava frequentemente com os meus pais, fazia alguns meses desde que eu havia recebido uma ligação, ou teria o feito; não por ser desapegada da família ou não me importar com eles, meus pais trabalhavam muito, assim como eu, não tinham tempo para ligações.
–Oh minha filha! – Exclamou mamãe, ela também estava emocionada – Você está bem? Eu estou tão preocupada!
–Sim, estou bem – Garanti – E a senhora?
–Estou bem – Respondeu-me com seu costumeiro tom doce – Mas morrendo de saudades! Seu pai tamb...
Ouvi um barulho e em seguida minha mãe esbravejar com alguém que havia pegado o telefone de suas mãos.
–Filha? – Era o meu pai.
Dessa vez eu não consegui segurar o choro, meu peito doía, assim como a minha garganta que ardia muito, a saudade era grande. Meu pai sempre foi o herói da minha vida, a minha base sempre foi ele, e estando tão longe há tanto tempo, ouvir a voz dele era algo maravilhoso e ao mesmo tempo triste, por estar tão longe para receber um abraço.
–P-Pai – Murmurei passando o dorso da mão em meus olhos, limpando as lágrimas.
–Fiquei sabendo que está namorando! – Seu tom de voz era desesperado – Quem é o rapaz? Ele está ai? Ele te trata bem? Quais são as intenções dele? – Interrogou-me.
Comecei a rir.
–Pai! – O repreendi – Ele é legal – Olhei para Sasuke que olhou para mim – E ele está aqui.
–Me deixa falar com ele! – Era mais uma ordem do que um pedido.
Arqueei as sobrancelhas.
–Não pai! – Recusei-me a passar o telefone para Sasuke.
–Ande logo – Ordenou.
Olhei para Sasuke, que me encarou completamente inexpressivo.
–Ele quer falar comigo – Deduziu o Uchiha.
Assenti e Sasuke estendeu-me a mão. Entreguei o celular a ele, e só então notei que já estávamos parados no estacionamento do meu prédio. Curvei-me até Sasuke, tentando ouviu o que meu pai dizia, porém o Uchiha me afastava com o braço.
–Sasuke Uchiha – Sasuke murmurou – Prazer. – Fez uma pausa ouvindo o que meu pai dizia – 25. – Mais uma breve pausa – Sim, entendi. Certo. – Ele sorriu minimamente – Eu sei. Hm... – Olhou para mim por alguns segundos – As melhores. Eu sei senhor Haruno, pode deixar.
Fiz uma cara de curiosa, mas Sasuke me ignorou. Depois de alguns “Sim”, “Não” e “Hm”, Sasuke me entregou o celular.
–Não gostei dele. – Ouvi meu pai resmungar.
–Eu sei – Eu disse entre risos.
–Está tudo bem querida? – Perguntou-me – A Ino ligou dizendo que estava no hospital.
Suspirei pesadamente, só podia ser obra de Ino mesmo.
–Não foi nada pai – O tranqüilizei – Eu estou perfeitamente bem – Garanti a ele.
–Estou com saudades da minha princesinha – Ouvi-o fungar.
Revirei os olhos.
–Não sou mais criança – Eu disse.
–Para mim sempre vai ser – Murmurou – Sua mãe está querendo falar com você, vou passar para ela antes que eu seja espancado – Brincou – Tchau filha, Kami-sama esteja com você! – Despediu-se.
–Tchau pai, eu te amo – Respondi.
–Eu também!
Esperei ele entregar o telefone para a minha mãe, enquanto eu saia do carro de Sasuke.
–Agora é a mamãe – Anunciou minha mãe divertida – Sai de perto do seu pai, ele quer ouvir a nossa conversa.
Eu ri e ela também.
–Me conte sobre o trabalho – Pediu ela – Esta tudo encaminhando como planejou? – Perguntou me fazendo recordar de todos os meus planos antes de vim morar em Konoha.
–É bem cansativo, mas está tudo certo – Respondi enquanto acompanhava Sasuke até o elevador – E sobre os meus planos, mudei algumas coisas – Soltei um suspiro – Realmente não é fácil como eu imaginava.
–A vida não é fácil querida – Disse após me ouvir – A Ino me contou que está namorando – Já podia imaginar seu sorriso orgulhoso. Minha mãe sempre quis que eu namorasse, mesmo sabendo o quanto eu era péssima em relacionamentos amorosos – Ele é bonito?
Consegui ouvir uma voz protestando contra essa pergunta, certamente o meu pai.
–Não, a senhora sabe que nunca tive bom gosto – Olhei para Sasuke.
O Uchiha fez uma careta para mim.
–Isso é verdade – Concordou a minha mãe, rindo em seguida – Mas você está se cuidando, né? – Indagou abaixando a voz – Se bem que eu adoraria ganhar um netinho.
–Mãe! – Resmunguei sentindo meu rosto esquentar.
Ela gargalhou.
–Quando vai vim nos visitar? – Ela quis saber.
–Não sei... – Respondi desanimada – O mais breve possível.
–Eu espero, mas você responde a mesma coisa há quase dois anos – Reclamou.
Sai do elevador, seguindo até a porta do meu apartamento. Fiz um gesto para que Sasuke pegasse a chave escondida no vaso da planta ao lado da porta; ele entendeu rapidamente.
–O trabalho me toma o tempo, mas estou pensando em tirar umas férias, logo irei visitá-los – Afiancei a ela.
–Eu entendo meu bem – Disse ela – Estamos todos com muitas saudades. Agora terei que desligar – Avisou-me.
Suspirei tristonha.
–Tá bem. – Murmurei.
–Eu te amo, viu? – Disse ela docemente.
Sorri já notando a minha visão ficar turva.
–Eu também amo a senhora mamãe – Respondi.
–Se cuide, beijos! – Despediu-se.
–Beijos – Retribui.
E desligou.
Joguei-me no sofá, limpando as lágrimas com a manga do moletom, tentando reprimir os soluços chorosos.
–Quanto tempo faz que não vê seus pais? – Perguntou-me Sasuke, sentando ao meu lado.
Balancei a cabeça negativamente.
–Não sei ao certo – Respondi passando a mão pelo meu cabelo – Acho que a mais de dois anos.
–Onde eles moram? – Inquiriu o moreno.
–Hakui.
Sasuke arqueou as sobrancelhas.
–Longe. – Murmurou.
–Sim – Concordei.
Ficamos alguns instantes em silêncio, até que Sasuke decidiu ligar a TV e começar a trocar insistentemente de canal. Permaneci olhando para a TV, até que um comercial de ração para cachorro passou, então algo me veio à cabeça, me fazendo pular do sofá e assustar Sasuke.
–O Thor! – Exclamei dando um leve tapa em minha testa – Tenho que buscá-lo!
Já ia me preparar para procurar a chave do meu carro que estava perdida pela casa, porém antes que eu pudesse revirar cada canto do apartamento, Sasuke levantou-se.
–Eu te levo – Murmurou enfiando as mãos nos bolsos dianteiros do jeans.
Estreitei meus olhos, quando foi que ele havia ficado tão prestativo?
–Não precisa – Recusei a carona – Eu posso dirigir até a clínica e...
–Faço questão – Interrompeu-me insistindo.
Nos encaramos por alguns instantes e eu já havia percebido o porquê dele insistir em me levar.
–Tem ciúmes do Kiba? – Indaguei zombeteira.
Ele me fuzilou com os seus olhos pretinhos e estalou a língua.
–Não tenho ciúmes de você – Disse irritado.
Arqueei uma sobrancelha.
–Mesmo? – Indaguei.
Ele assentiu.
–Tá – Dei de ombros – Aceito a carona senhor “eu não tenho ciúmes” – Eu disse enquanto caminhava até a porta.
–Tsc.
*
Sasuke estacionou o carro em frente à clínica veterinária, sai do veículo caminhando em direção a entrada do prédio, onde passei pela a recepcionista e nem me dei ao trabalho de pedir que avisasse Kiba sobre a minha visita. Comecei a subir a escada até o segundo andar, Sasuke vinha logo atrás, com sua costumeira cara emburrada.
Bati duas vezes na porta da sala de Kiba e entrei após ouvi-lo dizer “Entre”. Sasuke entrou junto comigo e optou por ficar escorado na parede ao lado da porta. Kiba estava sentado à mesa, lendo alguns papéis em suas mãos. Ao erguer o olhar e me encontrar, sorriu.
–Rosadinha! – Exclamou ele, levantando da cadeira para vir até mim.
Eu sorri.
–Oi – Eu disse enquanto sentia seus braços me envolverem.
Ele se afastou, segurando em meus ombros.
–É impressão minha ou a cada dia que se passa está ainda mais bonita? – Indagou galanteador.
Como se eu não conhecesse esse papo.
Antes que eu agradecesse ao elogio, ouvimos um baixo riso. Kiba olhou em direção a Sasuke, e eu também. O moreno ria, mas não era um riso humorado, e sim sarcástico, o que pareceu não agradar Kiba.
–Olá amigo da Sakura – Kiba cumprimentou Sasuke.
O Uchiha voltou a feição séria, mas logo sorriu perverso.
–Devo corrigi-lo – Disse Sasuke, encarando Kiba – Não sou amigo da Sakura – Os olhos negros fixaram-se em mim, pude notar sua irritação – Sou o namorado dela.
Kiba me olhou com o cenho franzido, eu sorri cínica. Vergonhoso.
–Ér... – Murmurei lançando um olhar mortal para Sasuke – E então Kiba, o Thor está bem? – Tratei de mudar de assunto e amenizar o clima tenso que pairou por ali.
–Sim – Ele respondeu enquanto voltava lentamente até a sua mesa – Tenho algumas notícias, o diagnóstico do problema dele foi rápido.
Sentei em uma cadeira do lado oposto da mesa de vidro, lotada de papéis.
–Tem alguma chance de cura para Thor? – Perguntei apreensiva.
Kiba suspirou pesadamente e eu já sabia que notícias boas ele não teria.
–Não muitas – Disse sincero – Em torno de quinze a vinte por cento de chance dele se curar e... – Fez uma breve pausa, analisando minhas expressão – É bem capaz dele não sobreviver até o final do tratamento.
Eu realmente esperava que tivesse mais chances de Thor se curar, porém minhas esperanças esvaneciam aos poucos.
–Vamos tentar – Ouvi uma voz baixa atrás de mim.
Ergui o rosto, Sasuke me encarou.
–Certo – Murmurei voltando a suspirar – Kiba, quero que faça tudo o que tiver ao seu alcance, por favor – O pedido soou mais como uma súplica.
Ele assentiu.
–Pode deixar minha rosadinha – Disse ele com um sorriso.
Ouvi um grunhido vindo de Sasuke, levantei da cadeira antes que o moreno voasse em Kiba.
–Que tal buscar o Thor para eu matar a saudade dele? – Propus.
Kiba levantou da cadeira.
–Claro meu doce, me acompanhe – Pediu enquanto caminhava em direção a porta.
Antes de sair pela porta, olhei para Sasuke sobre o ombro.
–Se comporte – Eu disse a ele, que fechou a cara.
Saímos da sala, Kiba nos esperava no corredor. Seguimos até o final do corredor, onde havia uma porta de madeira, que foi aberta pelo Inuzuka. Seguimos porta a fora, descemos a escada de metal até um amplo terreno, onde havia árvores e grama bem cuidada.
–Vou buscar o Thor – Disse Kiba, enquanto entrava em um canil.
Sasuke encostou-se contra uma mureta de concreto, aproveitando a sombra de uma árvore, enquanto eu permaneci de braços cruzados, esperando por Kiba.
–Não gosto desse cara – Ouvi Sasuke murmurar.
–Não precisa gostar dele – Eu disse o encarando – Ele é meu amigo, não seu.
–Se ele der em cima de ti mais uma vez, não respondo por mim – Disse entredentes.
Revirei os olhos.
Kiba voltou com Thor nos braços, o filhote estava mais agitado, batia as patinhas no braço do rapaz como se protestando por estar sendo carregado.
–Olha quem veio nos visitar Thor – O Inuzuka ergueu o pequeno animal.
Eu sorri e logo tomei Thor em meus braços.
–Ele está mais gordinho! – O ergui em minhas mãos, olhando para os pequenos orbes negros – Ei, você está bem? – Perguntei, encostando a ponta de meu nariz em seu focinho gelado.
–Podemos ir – Sasuke resmungou tocando meu ombro.
–Quero ficar mais um pouco – Protestei.
–Pode deixar a minha rosadinha – Kiba interferiu, eu sabia que era apenas para provocar, ele era impossível – Eu a levo para a casa depois.
Sasuke encarou Kiba mortalmente, tratei de me por entre eles. Olhei para Kiba e fiz uma careta o repreendendo, ele não pareceu se importar.
–Sua rosadinha – Ironizou Sasuke –Certo, leve a sua rosadinha para a casa – Olhou para mim – Acho que ela não tem nenhuma objeção, não é Sakura? – Indagou estreitando os olhos.
Fiz cara de tédio, Sasuke era tão idiota às vezes.
–Sim. – Respondi enquanto ninava Thor – Eu não tenho objeção alguma. – Reafirmei.
Sasuke riu baixo, em seguida dando-nos às costas; observei-o contornar o prédio, sumindo de minhas vistas. Por um momento me arrependi de ter deixado-o ir, mas já que a merda estava feita, não adiantaria tentar sair correndo atrás dele e pedir desculpas, eu era orgulhosa o bastante para não tomar tal atitude.
–Acho que ele ficou bravo – Murmurou Kiba, ao meu lado.
Olhei para ele com raiva.
–Você acha? – Indaguei.
Kiba ergueu as mãos na altura dos ombros, fazendo uma cara inocente.
–Prometo mandar flores e uma caixa com bombons para me redimir – Disse divertido.
Revirei os olhos.
–Você não tem jeito – Dei-lhe um leve tapa no ombro.
*
–Fique quietinho – Murmurei para Thor, enquanto deixava-o no chão.
Abri minha bolsa, vasculhei o interior com a minha mão, tentando encontrar a chave do meu apartamento. Após encontrá-la – depois de uns dez minutos –, abri a porta e voltei a pegar o filhote, acabei ganhando uma leve mordida no dedão, Thor odiava ser carregado. Entrei e fechei a porta, trancando-a novamente.
–Para de me morder, já vou te colocar no chão – Resmunguei para o filhote enquanto eu ligava a luz da sala.
Ao erguer o meu rosto, soltei um berro, quase soltando Thor de minhas mãos.
–AH KAMI-SAMA! – Gritei sentindo meu coração acelerar por causa do susto.
Sasuke me olhou sobre o ombro, em seguida tragou o cigarro entre seus dedos calmamente, assoprando a fumaça cinzenta pela janela.
–Mas o que diabos pensa que está fazendo? – Esbravejei, deixando Thor sobre o sofá.
Caminhei até Sasuke e arranquei-lhe o cigarro dos lábios, jogando a coisa fumacenta pela janela. Ele não obteve reação alguma, apenas permaneceu escorado na parede, olhando para mim indiferente, embora eu soubesse que ele queria me esmagar.
–Quantas vezes eu já lhe disse que não é para fumar no meu apartamento? – Perguntei a ele, como uma mãe que repreende o filho que apronta.
–Como passou o resto da tarde com o seu tão amado veterinário? – Perguntou de volta, mudando completamente o assunto.
Franzi o cenho, Sasuke cruzou os braços, esperando a resposta.
–Quê? – Indaguei arqueando as sobrancelhas.
Um sorriso começou a se alastrar pelo o meu rosto, e quando vi eu já estava gargalhando da cara do Uchiha. Este por sua vez ficou do mesmo modo que estava, apenas me observando rir.
–Sasuke... – Eu disse em um suspiro, enquanto tentava parar de rir – Ok parei. – Ergui meu rosto me recompondo.
Olhei para ele e voltei a rir novamente.
–P-Para de olhar para mim! – Eu disse entre os risos.
Ele bufou revirando os olhos.
Depois de alguns minutos de gargalhadas – que resultaram em uma dor abdominal fodida –, finalmente parei de rir, olhei para Sasuke seriamente e ele estava com a mesma cara de quem comeu jiló.
–Pensei que não tinha ciúmes – Eu disse sarcástica.
–Heh – Passou a mão pelo cabelo – Sabe o que é engraçado? – Indagou voltando a me olhar.
Balancei a cabeça negativamente.
–Você dá motivos para que eu fique puto contigo! – Gritou me assustando – Sabe o quanto tive que me controlar para não quebrar a cara daquele maldito? – Inquiriu amargo – Você nunca vai saber.
–Se está querendo me culpar... – Iria me defender, porém fui rapidamente interrompida.
–Isso é tudo culpa sua! – Acusou-me ele.
Franzi o cenho.
–Minha? – Indaguei incrédula – Você que é um louco! – Gritei revoltada – O Kiba só queria te provocar, você leva tudo a sério.
Sasuke ficou me fitando por alguns segundos.
–Você sabe que eu não tenho paciência com idiotas – Vociferou o moreno – Você estava na minha frente – Apontou para si próprio – Você me namora Sakura, tenha respeito por mim!
–Eu não fiz nada! – Me defendi.
–Não? – Sorriu sem humor – Qualquer porcaria que ele dizia era motivo para sorrir para ele – Ergueu as mãos como se pedisse paciência aos céus.
Bufei irritada.
–Você que quis ir embora – Dei de ombros – Eu não tenho culpa se você é atingido tão facilmente.
Dessa vez foi ele quem gargalhou, embora fosse de puro sarcasmo.
–Ah, claro que não – Disse erguendo as mãos na altura dos ombros – Você é a vítima, nunca faz nada – Balançou as mãos.
Arqueei uma sobrancelha.
–O que eu fiz meu filho? – Eu sabia, mas no fundo só queria irritá-lo.
–Você é cega? Surda? – Inquiriu de dentes cerrados – Não viu como aquele filho da puta estava quase te jogando na mesa e te fodendo? – Cerrou os punhos.
Dei de ombros.
–Até que não seria má ideia. – Provoquei.
Vi Sasuke se mexer, senti meus braços serem agarrados e minhas costas se chocarem contra a parede, me causando um dor enorme. Sasuke olhava para mim furioso, suas mãos apertavam meus braços com tanta força que eu sabia que quando soltasse estariam as marcas bem visíveis, já que minha pele chegava a ser pálida.
–Não brinque comigo! – Bradou ele.
Contorci-me, tentando me soltar.
–Me solta seu vadio! – Gritei.
–Não me provoque Haruno! – Gritou ele de volta, apertando as mãos.
–Está me machucado Sasuke – Choraminguei, já desistindo de me soltar – Me solta.
Sasuke não relutou, recuou alguns passos, me livrando de suas mãos. Massageei meus antebraços, tentando aliviar a dor; Sasuke permaneceu distante, esfregava a mão no cabelo, tentando controlar a raiva. Virou-se para mim após alguns minutos de silêncio, seu olhar pairou em meus braços, e pude notar que ele estava arrependido. Vi seus lábios se movimentar, ouvi um “Desculpa” sussurrado, mas era como se ele não tivesse dito a mim.
–Você sempre pede desculpas – Eu disse com raiva – Como se isso resolvesse tudo.
–Porra Sakura! – Bradou voltando a olhar para mim — Veja o meu lado! Você gostaria que eu desse ousadia para a Tayuya quando ela praticamente se joga em cima de mim na sua frente? – Indagou.
Franzi o cenho, eu não suportava nem ouvir o nome daquela mulher.
–Por que tem que ser a Tayuya? – Gritei – Tudo tem que ser aquela vaca? Sente algo por ela? – Hostilizei-o.
–Da onde você tirou isso? – Interpelou incrédulo – É só um exemplo!
–Mentira! Você gosta dela! – Acusei-o – Pensei que me amasse!
–Você está louca. – Disse ele convicto.
–Vai embora Sasuke! – Apontei em direção à porta – Nunca mais quero te ver na minha vida!
Parti para cima dele, Sasuke encolheu-se, prevendo tapas e socos de minha parte, mas ao invés de violência, ergui meus braços e os envolvi no pescoço do moreno, puxando-o para um abraço. Sasuke ficou estático, enquanto eu apertava-o em meu abraço e gargalhava.
–Ficou com medo Uchiha? – Indaguei zombeteira.
Sasuke me olhou completamente confuso.
–Você é muito bipolar – Fez uma careta – Estou quase ficando louco.
Entreabri a boca, fingindo indignação. Sasuke envolveu seus braços em minha cintura e me abraçou, me apertando contra seu corpo.
–Foi mal – Murmurou com o rosto encostado em meu ombro – Eu não queria ter te machucado – Afastou o rosto para me olhar.
–Tá – Assenti.
Deslizei minhas mãos até seus ombros e tentei afastá-lo.
–Agora vou preparar algo para o jantar – Eu disse, tentando me desvencilhar dos braços de Sasuke – Enjoei de brigar de mentira.
Ele não me soltou, apenas me apertou ainda mais contra si.
–Onde pensa que vai? – Disse em meu ouvido – Temos algo mais importante para fazer.
Seus dentes passaram pelo lóbulo da minha orelha, ocasionando-me arrepios momentâneos.
–Sasuke – Murmurei me contorcendo – Para, ainda estou brava com você!
O Uchiha inclinou o corpo, fazendo com que seu rosto se aproximasse do meu. Alternei meu olhar entre os olhos negros e a boca, onde aos poucos um sorriso torto surgia, provavelmente ele estava achando graça por eu estar tão entregue, e pareceu perceber que eu havia notado seu ar zombeteiro, pois quando me preparava para tentar me livrar dele pela milésima vez, ele me beijou.
As mãos ágeis percorreram desde a minha cintura até as minhas coxas, apertando-as com força. Sasuke agachou um pouco, mas sem separar os lábios dos meus; logo me vi sendo erguida do chão.
–Sasuke! – Ralhei cessando o beijo.
Lacei minhas pernas entorno da cintura do moreno, ele espalmou minha bunda com suas mãos enormes, me firmando em seu corpo, logo começou a caminhar em direção ao meu quarto.
–Para onde vamos? – Perguntei fingindo uma inocência praticamente inexistente. Ou melhor, totalmente inexistente.
Sasuke revirou os olhos, como se a pergunta que eu havia acabado de fazer fosse a mais idiota do mundo.
–Para a cama. – Respondeu rouco enquanto abria a porta do quarto com um chute nada delicado.
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