Notas iniciais
Oie meus queridos leitores! Primeiramente desculpa por ter demorado, acho que nunca demorei tanto como dessa vez, mas tenho alguns motivos; entre elas foi a falta de inspiração, e digo convicta que esse capítulo ficou um troçogomero (um xingamento para dizer que ficou muito ruim, é que não quero falar palavrão ;-;), me perdoem, eu estava desanimada, ai eu resolvi dar um tempo, porque estava triste e de castigo. Nunca demorei tanto para escrever um capítulo! Bom, estou meio doente, torçam para que minha mãe não apareça no meu quarto agora e me impeça de postar o capítulo ridículo. E Lays, minha linda e fiel leitora, sempre comentando meus capítulos, dando conselhos... Nem sei como agradecer a recomendação, ameeeeei, fiquei extremamente feliz, muuuuito obrigada, do fundo do meu core ♥ Obrigada a todos que permanecem comigo, se não fosse por vocês que comentam e favoritam (fantasminhas, rum u.u), eu provavelmente já teria desistido de Shelter, mas estou aqui, e mesmo que sobre apenas 1 leitor, vou continuar! Ô drama desnecessário! UAHSUAHS Boa leitura meus chuchus *-* P.S: Ignorem o título do capítulo.

Acordei assustada com o bip do meu celular que estava no criado mudo ao lado da cama, abri meus olhos lentamente, cogitando diversas formas de tacar o aparelho barulhento bem longe. Suspirei pesadamente e afastei o edredom, esfreguei meus olhos meio atordoada sentindo meu corpo levemente dolorido, peguei meu celular e desliguei o despertador. Olhei para o lado e lá estava ele, dormindo tranquilamente. Algumas cenas da noite anterior me vieram à mente, senti meu rosto esquentar. Eu não acreditava que havia me entregado a Sasuke, estava envergonhada, nem sabia como olharia na cara dele, por isso permaneci algum tempo formando alguma frase para dizer quando ele acordasse.

“Oi, bom dia”, não, muito simpático.

“Oi.”, frio demais.

“Ai meu Kami, eu não acredito que fizemos isso!”, dramático demais.

“Estou com fome, e você?”, perfeito.

Voltei a deitar, virando meu corpo para olhá-lo, levei minha mão ao rosto de Sasuke, afastando alguns fios negros que caiam sobre seus olhos, aproveitando para contemplar aquele rosto belo e agora angelical, pra ser bem sincera prefiro Sasuke dormindo. Acariciei sua bochecha e me surpreendi ao senti-lo quente. Muito quente. Franzi o cenho, afastei o edredom do corpo de Sasuke, tentando em vão ignorar o fato de ele estar nu, passei a mão pelo peitoral, sentindo a pele aquecida e úmida, subi até o pescoço, onde se concentrava maior calor.

–Febre – Murmurei.

Ouvi Sasuke resmungar baixo, aos poucos os orbes negros se revelaram por trás das pálpebras, ele respirou, foi então que notei que ele respirava com certa dificuldade. Ergui meu corpo e sentei na cama, Sasuke me observou por alguns segundos, em seguida sentou-se também. Passou a mão pelo peitoral, esfregando o local visivelmente incomodado.

–Algum problema? – Perguntei-lhe.

Ele assentiu.

–Não sei o que está acontecendo – Murmurou – Estou com uma puta falta de ar – Queixou-se.

Arqueei as sobrancelhas.

–Respira – Ordenei.

Ele respirou, porém não profundamente.

– Está com uma febre baixa – Eu disse, enquanto colocava a palma da minha mão sobre sua testa – Essa falta de ar é frequente? – Perguntei recolhendo minha mão.

–Não – Respondeu se preparando para sair da cama – Não se preocupe com isso – Disse já se pondo de pé.

–Sasuke, pode ser algo sério – Eu disse, observando-o caminhar para o banheiro.

Ele nada disse, apenas bateu a porta.

Levantei da cama e me espreguicei, fui até o guarda-roupa e peguei um shortinho jeans claro, que tinha as barras desfiadas e alguns rasgos; uma blusa branca de alças finas e tecido bem leve e minhas peças íntimas. Esperei Sasuke sair do banheiro e logo entrei, tomando um banho frio, pois estava muito calor, para a minha plena satisfação. Após o banho, vesti as roupas que eu havia selecionado e sai do banheiro, secando meu cabelo com a toalha. Sasuke estava escorado na janela, com a cabeça praticamente para fora, provavelmente em busca de ar.

–Eu já imagino o que tenha ocasionado essa sua falta de ar – Murmurei enquanto pousava minha mão no ombro dele – Cigarro.

Sasuke fumava muito, um maço por dia, eu tinha certeza. Mas mesmo eu alertando-o, ele simplesmente ignorava meus avisos e continuava a fumar.

–Pare de fumar ou vai morrer. – Eu disse seriamente.

Sasuke revirou os olhos.

–Vamos embora – Disse ele, saindo de perto da janela.

Retirou a mala do guarda-roupa e saiu porta a fora. Peguei minha mala e sai do quarto também. Na recepção Lee se despediu de mim com um abraço apertado, dizendo que as portas da Pousolândia estariam sempre abertas para mim. Só para mim.

Joguei minha mala dentro do carro de Sasuke e me acomodei no banco do passageiro, já sabíamos o caminho, precisaríamos apenas voltar para a rodovia e seguir direto. Sasuke entrou no veículo, permaneceu um tempo fitando o volante.

–Eu posso dirigir se quiser – Eu disse, atraindo a sua atenção.

Ele agarrou o volante possessivamente.

–Nem morto! – Exclamou.

O carro começou a se locomover, em instantes estávamos de volta à rodovia. Sasuke dirigia concentrado, ainda estava ofegante, aquilo estava começando a me preocupar.

Depois de longas duas horas dentro do TTS, felizmente chegamos à casa de Naruto, que ficava de frente ao mar, acho que nunca vi lugar mais belo do que aquele. A construção era moderna, o primeiro andar era constituído por paredes de vidro deixando o interior da casa completamente exposto a quem chegasse. Já o segundo tinha uma fachada com finas colunas de madeira horizontais, envolvendo as duas grandes portas frontais que ficavam uma ao lado da outra, ali havia uma pequena área coberta com o telhado que era sustentado por duas vigas de mármore.

Sasuke parou o carro, peguei minha mala e sai do veículo, notei que havia alguns carros estacionados em frente a casa, entretanto não havia ninguém lá dentro. Olhei para Sasuke que notou minha confusão.

–A festa é na praia – Murmurou ele, respondendo-me o óbvio.

Acompanhei-o até a casa, Sasuke empurrou a porta de madeira e adentramos. A sala era forrada com um tapete felpudo bege, dava até receio de pisar e sujar. Aquela sala esbanjava conforto, com alguns pufes coloridos espalhados pelo amplo local, um enorme sofá de couro branco de frente para a grande tela plana e poltronas nos cantos da sala. Sasuke começou a subir uma escada, o segui, subindo os degraus de granito até o segundo andar, onde havia um extenso corredor. O Uchiha abriu a terceira porta do lado direito, entrando em um quarto. O local era bem claro e arejado, havia uma enorme cama de casal encostada na parede esquerda, enquanto um guarda-roupa tampava quase a parede direita por completa; não havia janelas, apenas uma porta do outro lado do quarto que dava acesso á sacada.

Sasuke jogou a mala na cama, caminhou até o guarda-roupa e pegou lá de dentro uma bermuda jeans clara e uma regata preta. Agachou e abriu outra porta que ficava na extremidade do móvel, retirando um par de chinelos. Fiquei parada perto da cama, apenas observando Sasuke, que nem me direcionou o olhar, entrou no banheiro e bateu a porta.

Ele estava estranho.

Suspirei pesadamente, coloquei minha mala em um canto qualquer e segui para a varanda. A vista dali era impressionante, parecia até surreal de tão belo. O mar turquesa vinha de encontro com a areia branca da praia, no horizonte algumas montanhas eram visíveis, que quase se tornavam insignificantes naquela imensidão de águas límpidas, isso se elas não contribuíssem para que a paisagem se tornasse ainda mais perfeita.

Sai da pequena varanda voltando para o quarto, remexi minha mala e consegui encontrar um conjunto de biquíni com estampa floral. Olhei em direção a porta do banheiro onde Sasuke estava, talvez desse tempo para que eu me trocasse. Despi-me e vesti o biquíni que se resumia em um sutiã tomara-que-caia com uma falsa amarração central, realçando meus seios médios; uma calcinha de laterais mais largas, sem laços e não muito pequena, o que me deixava menos desconfortável. Olhei para um espelho pendurado na parede branca, estava ótimo.

Ouvi o barulho da porta, olhei por cima do ombro e vi Sasuke vestido com as peças de roupa que havia pegado. Ele me olhou por alguns segundos, analisando meu corpo cuidadosamente, eu não conseguia decifrar sua expressão, parecia uma mistura de desejo pelo meu corpo nu e reprovação por estar tão exposta.

–Está muito pequeno – Resmungou ele.

Revirei meus olhos.

–Vou colocar uma canga – Eu disse, voltando a olhar para o espelho, terminando de arrumar o biquíni em meu corpo.

–Bom mesmo – Murmurou, aparecendo atrás de mim – Não quero ver os machos dando em cima do que é meu – Passou ambos os braços em minha cintura.

Fiz uma careta.

–“Do que é meu” – Repeti – Não me lembro de ser sua. – Lancei-lhe meu olhar desafiador.

Sasuke sorriu sacana, suas mãos grandes percorreram minha barriga, subindo aos poucos, até cobrirem meus seios por cima do biquíni, ele apertou delicadamente, aproximando o rosto de meu pescoço.

–Você é minha Sakura – Disse com os lábios sobre minha pele.

–Sasuke – Sussurrei me contorcendo – Temos que ir.

Novamente suas mãos se movimentaram sobre o meu corpo, subindo até meus ombros e num só movimento Sasuke me girou, de modo que me fizesse ficar de frente para ele. Seu braço direito laçou minha cintura, me apertando contra ele.

–Por favor Sasuke – Apertei seus ombros, tentando empurrá-lo.

–Cala a boca – Ordenou grosseiro.

Franzi o cenho.

–Acha que está falando com quem? – Indaguei raivosa – Me respeitmmmm!

Sasuke levou a mão à minha nuca, juntando seus lábios aos meus com certa violência. Tentei me afastar, mas sua mão me impedia de fazer tal ato, sua língua tentou adentrar minha boca, entretanto eu não movi meus lábios. As mãos grandes percorreram as laterais do meu corpo, acariciando minha pele nua, causando-me breves arrepios, até chegar às minhas nádegas, apertando com força.

–Sasuke – Afastei meu rosto do dele – Vamos... – Fechei meus olhos, arfando ao sentir os lábios quentes novamente em meu pescoço – Para a festa – Conclui após uma pausa.

O Uchiha mordiscou meu pescoço, em seguida passou sua língua pelo local, enquanto suas mãos apertavam minha bunda e me traziam para mais perto do corpo quente e másculo.

–Quero fodê-la – Ele sussurrou em meu ouvido.

Franzi o cenho.

–Alto lá meu filho – Inclinei meu corpo para trás – Não venha com esses palavreados pra cima de mim não, não sou suas periguetes! – Virei meu rosto, recusando o beijo que fora desferido contra minha bochecha.

Sasuke riu, eu permaneci emburrada, poxa, eu gostava de romantismo, não custava nada ele ser ao menos um pouco romântico. Sasuke voltou a subir as mãos, segurando meus antebraços dando inícios a lentos passos para frente, de modo que me fizesse recuar, senti minhas panturrilhas baterem na beirada da cama, deitei-me sobre o colchão involuntariamente e Sasuke deitou-se por cima de mim.

–Sai Sasuke – Empurrei seus ombros – Eu não quero mais. – Eu disse séria.

–Por favor, Sakura – Pediu ele, beijando meu ombro direito – Prometo ser rápido – Garantiu-me.

Seus beijos agora eram distribuídos pelo colo, já sentia meu biquíni começar a escorregar, quase deixando meus seios completamente expostos. Mordi meu lábio inferior, Sasuke abaixou o meu biquíni e me olhou, eu não o impedi, ele sorriu de canto e fitou meus seios por breves instantes, antes de abocanhar o direito. Arqueei as costas, sentindo a língua úmida movimentar-se sobre o mamilo rijo. Lacei meus dedos nos fios negros de seu cabelo, puxando com carinho, observando Sasuke sugar meu seio com avidez, me arrancando baixos gemidos.

–Teme apareça! – Um grito súbito ecoou – Eu vi seu carro no estacionamento!

Arregalei os olhos, Sasuke interrompeu suas ações, ficando completamente estático.

–Teme! – Novamente o grito se fez presente.

Ouvi o barulho da maçaneta girar, empurrei Sasuke com todas as minhas forças, ele caiu para o lado, levantei da cama, arrumando meu biquíni. Voltei os olhos para a porta, onde uma cabeleira loira surgia, dei um passo pra trás, me afastando o máximo possível da cama, virei para o espelho e me pus a arrumar o biquíni.

–Ai está vocês! – Disse o loiro, escandaloso como sempre.

Olhei para trás e sorri para ele, logo fui em direção a Naruto, dando-lhe um abraço.

–Parabéns Naruto – Eu disse, enquanto apertava-o em meu abraço.

Ele corou, abrindo um sorriso resplandecente, que deixou o meu coração alegre.

–Obrigado Sakura-chan – Agradeceu-me retribuindo o abraço.

Ouvi um resmungo atrás de nós, olhei para trás e Sasuke nos encarava emburrado, completamente enciumado e mal humorado por ter sido interrompido. Soltei Naruto e me lembrei que tinha um presente para ele; revirei meu short jogado em cima da cama, vasculhando os bolsos procurando o presente de Naruto.

–Não deu tempo para lhe comprar um verdadeiro presente – Eu disse sorrindo sem graça – Mas logo providenciarei um, por enquanto fique com isso como presente – Estendi-lhe um papel.

Era um ticket para comer um rámen grátis no Ichiraku’s Konoha. Sim, dei um ticket para ele comer de graça no próprio restaurante, olha que maravilha! Sasuke me olhou confuso, já Naruto voltou a me envolver em um abraço tão forte que cheguei a ficar sem ar.

–Naruto – Tentei me desvencilhar – Está me sufocando.

Ouvi-o fungar, olhei para ele e o idiota estava com os olhos lacrimejando.

–Foi o melhor presente que ganhei na vida, dattebayo – Disse ele, enxugando as lágrimas com as costas da mão – Obrigado Sakura-chan! – Agradeceu sincero.

Eu ri baixo.

–Está bom, não acham? – Sasuke resmungou.

Naruto me livrou do abraço, guardou o presente no bolso e partiu pra cima de Sasuke, dando um soco no braço do Uchiha, que grunhiu fazendo uma careta.

–Vamos pra praia, ta rolando um festão – Naruto disse animadamente.

Assenti já seguindo o loiro até a porta, porém antes de atravessá-la, fui puxada de volta por Sasuke.

–Você não disse que ia colocar uma canga? – Indagou, percorrendo os olhos negros pelo meu corpo.

Arqueei uma sobrancelha e me livrei de sua mão, saindo porta a fora. Desci a escada lentamente, Sasuke vinha atrás de mim, ao descer o último degrau o esperei, ele pegou minha mão direita, entrelaçando nossos dedos, eu não me afastei, era como se de algum modo eu necessitasse daquela aproximação, ou até mesmo de um gesto de carinho por parte dele.

–Melhorou? – Perguntei-lhe me referindo à falta de ar, enquanto caminhávamos para fora da casa.

Ele apenas assentiu.

Fomos para os fundos da casa, onde deparamos com uma escada de madeira, que ia de encontro com a areia branca da praia. Deixei meu chinelo no último degrau, optando por ficar descalça, e foi maravilhoso sentir a areia fina e quente em meus pés.

Não muito longe dali, pude ver várias pessoas bebendo e dançando, algumas aproveitavam o sol escaldante. Havia uma tenda de estrutura metálica onde o DJ ficava; ao lado estava um quiosque e algumas mesas e cadeiras estavam espalhadas pelo local para quem quisesse ficar sentado e sossegado, que era o meu caso.

Naruto puxou Sasuke, levando-o sei lá pra onde, larguei os dois pra lá e me aproximei do quiosque, onde vi Karin, Hinata, Ino e Gaara escorados conversando. A ruiva assim que me viu, veio correndo se jogar pra cima de mim.

–Amiga! – Berrou enquanto me abraçava.

–Oi amiga – Respondi tentando fazê-la largar de mim.

Assim que Karin me soltou, fui cumprimentar Hinata, como sempre com seu costumeiro jeito reservado, trajava um maiô azul-marinho, laçando uma canga estampada com flores coloridas entorno do quadril. Já Ino e Karin, muito mais despojadas, não se incomodavam em expor os belos corpos em minúsculos biquínis. Abracei a Hinata, em seguida fui cumprimentar Ino e Gaara, aproveitando para lançar um olhar ameaçador para Ino, que entendeu que as coisas estavam feias pro lado dela. Gaara mal direcionava o olhar para mim, algo que me incomodava profundamente, não pensei que ele chegaria ao ponto de praticamente ignorar a minha presença.

–Oi Gaara – O cumprimentei, com um singelo sorriso.

–Oi – Respondeu-me, fazendo um breve aceno com a cabeça.

Ino sorriu para mim, como se me incentivasse a prosseguir a conversa com o ruivo.

–Como vai o seu guaxinim? – Perguntei-lhe em uma tentativa de puxar conversa – Ele se chama chocalho, né? – Fiquei aliviada por lembrar o nome do bichinho.

Se Gaara tivesse sobrancelhas, certamente estariam arqueadas.

–Shukaku – Corrigiu-me, proferindo o nome do animalzinho pausadamente.

Entreabri minha boca, Shukaku e Chocalho não eram tão diferentes assim, qual é.

–Ele está bem – Prosseguiu, respondendo a minha pergunta anterior – E você melhorou? – Perguntou-me.

Franzi o cenho.

–Melhorei do quê? – Indaguei confusa com a pergunta.

Sua face tomara uma expressão constrangida, ficou em silêncio por alguns segundos, parecia pensar se diria ou não.

–Das... Ér... – Hesitou por um instante – Hem...

–Por que você e o Sasuke demoraram tanto? – Perguntou-me Ino, interrompendo Gaara.

Pude ver a discreta cotovelada que ela dera nas costelas do ruivo, que fez uma careta. Estreitei os olhos, Ino sorria nervosa, algo aquela porca – que mais tarde viraria bacon – estava aprontando.

–Nos perdemos no caminho – Respondi olhando para Ino, expressando desconfiança.

Ino e Karin se entreolharam, esboçando sorrisos maliciosos, Hinata corou levemente. Permaneci o mais natural possível, responder as perguntas inadequadas daquelas duas na presença de Gaara, isso eu não faria de modo algum. Sentei em uma cadeira próxima ao quiosque, ergui meu rosto e fiquei fitando o céu azul celeste, enquanto ouvia a música Don’t You Worry Child tocar em uma altura absurda.

Sasuke chegou junto a Naruto, que se agarrou à Hinata. Eles não se desgrudavam nem por um segundo, e por um momento eu desejei que meu relacionamento com o Sasuke fosse como o deles.

–Sasuke! – Ino exclamou, se jogando pra cima do moreno.

Aquilo era normal. Tá fiquei com ciúmes, mas quem disse que ia demonstrar? Sasuke agora estava sem a camiseta, ele havia pendurado ela no pescoço, seu corpo másculo exposto deixava as menininhas por perto de queixo caído e com um olhar faminto. Querem um pedacinho queridas? Podem pegar. Mentira é só meu.

Hah!

O Uchiha conversava com Ino, de vez em quando olhava para mim, nada muito significativo.

–Sakura – Ouvi uma voz grossa atrás de mim.

Virei meu rosto, para ver quem me chamava e fiquei surpresa ao ver o rosto tão conhecido. Ele arrastou uma cadeira e sentou-se ao meu lado, nunca havia o visto com roupas mais casuais, pois sempre andava com seu blazer preto cobrindo a camisa social, claro que para praia necessitaria de roupas mais despojadas, trajava apenas uma bermuda jeans, deixando o peitoral nu, não pude deixar de notar o quanto ele era forte, os bíceps malhados, abdômen definido, um verdadeiro pedaço de mau caminho.

–Itachi! – Exclamei com um sorriso simpático.

Abraçamos-nos rapidamente, o sorriso amigável surgiu nos lábios finos e sensuais. Itachi pegou uma mecha do meu cabelo entre os dedos, analisando-o.

–Seu cabelo cresceu – Disse ele – Está linda como sempre – Elogiou-me, enquanto pousava a mão sobre meu ombro direito.

Fiquei tensa com o toque, queria virar pra trás para ver se Sasuke me vigiava.

–O que tem feito? – Perguntei-lhe – Por que sumiu? – Realmente fazia tempo que eu não o via.

–Trabalho – Respondeu soltando um breve suspiro – Eu agora estou cuidando da exportadora aqui de Konoha, já que o meu irmão não quis mais continuar sendo o diretor – Ergueu o olhar, me fitando – Soube que estão juntos.

Assenti confirmando.

–Estamos – Murmurei, virando para trás.

Sasuke estava escorado no quiosque, com uma lata de cerveja na mão, conversava com Naruto com sua típica cara de desinteresse no que o loiro tagarelava, e pareceu perceber que estava sendo observado, pois virou o rosto e me encarou com um olhar irritado. Desviei meus olhos dos dele e voltei a olhar para Itachi que acabava de levantar de sua cadeira.

–Acho que certo alguém não gosta de me ver próximo a você – Disse ele, olhando para a direção de Sasuke – E acredite, faz muito tempo que não o vejo com aquela cara de ciúmes – Riu baixo, inclinando-se em minha direção – Nos vemos daqui a pouco – Murmurou antes de dar um beijo em minha bochecha.

O vi se afastar, indo em direção a uma mesa onde havia um homem de cabelo ruivo alaranjado e uma bela mulher de cabelo azul. Levantei da cadeira e me assustei ao sentir um braço envolvendo minha cintura, virei meu rosto e Sasuke me encarou.

–Não quero você com aquele cara – Murmurou fixando os olhos negros nos meus.

Arqueei uma sobrancelha.

–Não sigo ordens suas – Tratei de contrariá-lo – Faço o que eu quero e aquele cara é o seu irmão.

–Não confio nele – Sasuke olhou na direção de Itachi e estreitou os olhos.

–Sei me cuidar – Eu disse me virando pra ele – Não há com o que se preocupar.

–Tá – Murmuro já ficando carrancudo.

Sasuke inclinou-se em minha direção e pressionou seus lábios contra os meus, em um breve selinho, mas logo nos separamos ao ouvir um “Que nojo” vindo de Naruto.

–Daqui a pouco vamos nadar? – Karin perguntou, colocando a latinha de cerveja sobre o balcão de madeira do quiosque.

Ino assentiu.

–Estou louca para pular das rochas, sabe? – Apontou adiante.

Não muito distante, havia uma alta camada de rochas sobre o areal, pequenas ondas que se formavam no mar, desmanchavam-se ao bater contra as pedras. Além de ser muito alto, o mar ali parecia ser realmente fundo, era apavorante; para mim.

Apertei o braço de Sasuke e ergui meu rosto, fixando meus olhos aos dele.

–Não sabe nadar – Deduziu.

Assenti.

–Então fique apenas na beira da praia – Disse como se falasse com uma criança.

Revirei meus olhos, aquilo era tão óbvio.

Vi Ino me encarar, seus olhos azuis pareciam querer me passar algum tipo de mensagem que eu não conseguia captar. Franzi o cenho e ela desviou os olhos dos meus, olhando para o lado. Segui seu olhar e vi que na praia uma BMW preta acabava de ser estacionada e de dentro dela, Sasori e Tayuya acabavam de sair. Arregalei meus olhos levemente, Sasuke me apertou em seus braços, ele não parecia surpreso. Mas a única coisa que me intrigava era o fato dos dois estarem juntos, não me lembro de Sasori e Tayuya terem alguma ligação.

Naruto foi recebê-los, fiquei confusa quando Tayuya o abraçou calorosamente, como se fossem bons amigos. Olhei para Sasuke, ele ainda mantinha os olhos nos recém chegados.

–Tayuya é amiga de infância do Naruto – Disse Sasuke.

Arqueei as sobrancelhas.

–Ah... – Voltei a olhar a ruiva.

Naruto os trouxe para perto da gente, Tayuya cumprimentou todos, inclusive a Sasuke, que não se deu ao trabalho de respondê-la. Sasori parou em minha frente, um sorriso quase imperceptível desenhava-se no canto dos lábios, por breves segundos seu olhar voltou-se para Sasuke, em uma mistura de desdém e repugnância.

–Quanto tempo Sakura – Disse o ruivo, analisando-me dos pés a cabeça.

Assenti, concordando.

–É – Foi à única coisa que eu disse.

–Estão namorando? – Apontou para Sasuke, em seguida para mim.

Como se ele não soubesse.

–Sim – Foi Sasuke quem respondeu.

Sasori sorriu.

–Isso é bom – Disse sem sinceridade.

Ficamos algum tempo conversando, até que ele finalmente teve a maravilhosa ideia de voltar para perto da megera ruiva, que gargalhava que nem uma leitoa com fome, ouvindo as piadas que Naruto contava. Sasuke apoiou o queixo em meu ombro, soltando um suspiro.

–Ignore a presença dela – Murmurou ele.

–Estou tentando – Resmunguei.

Ele deu um beijo em meu ombro e eu sorri, não pelo gesto de quase carinho – quase porque eu sabia muito bem as intenções dele – mas sim pela cara que Tayuya fez ao ver aquela cena. Virei ficando de frente para Sasuke, envolvi meus braços em seu pescoço e o puxei para perto.

–Me beija – Ordenei.

O Uchiha franziu o cenho, ergueu o olhar e entendeu o porquê de eu estar pedindo para que me beijasse.

–Melhor não ficar provocando – Disse recusando a minha ordem – Se quiser um beijo teremos que ir para um local mais privado – Sorriu de canto.

Tarado.

–Okay, greve. – Eu disse, afrouxando meus braços de seu pescoço.

–Quê? – Indagou arqueando uma sobrancelha.

–Greve de sexo, ué – Dei de ombros – Se não quer me dar um mero beijo, também não te darei o que tanto quer – Sorri desafiadora.

Sasuke me fitou por alguns segundos, revirou os olhos e optou por me obedecer, aproximando nossos rostos e encaixando seus lábios aos meus. A princípio houve uma relutância por parte dele, apesar disso, resolveu ceder ao desejo, envolvendo os braços em minha cintura e me puxando para mais próximo. Não foi um beijo de língua e nem durou a eternidade, apenas o suficiente para ouvir Naruto resmungando.

–Na minha casa tem dez quartos, podem ir se comerem em algum deles, mas pelo amor de Kami, na minha frente não – Disse ele, e pelo tom de voz, eu podia imaginar sua careta.

Senti uma mão envolver meu antebraço, me puxando abruptamente para trás, me separando de Sasuke.

–Vamos nadar – Disse Ino, me arrastando.

Balancei minha cabeça negativamente, tentando me soltar.

–Eu não sei nadar! – Eu disse desesperada.

–Então fica apenas nos olhando – Deu de ombros, voltando a me puxar.

Olhei para Sasuke que não moveu nem um dedo para me ajudar. Belo namorado.

Ino, Karin, Hinata e eu começamos a rumar em direção à área rochosa da praia, eu podia notar que à medida que andávamos, a areia começava a se elevar. O caminho ao poucos se enchia de pedregulhos, que de certa forma me incomodou por eu estar descalça. As três não me deixavam em paz com as perguntas sobre o que havia rolado entre Sasuke e eu. Não fui detalhista, apenas respondi o que me era perguntado, o que irritava principalmente a Ino, que era do tipo que adorava uma narração bem detalhada dos fatos. Começamos a escalar cuidadosamente algumas rochas, subindo até a parte plana, o topo.

–Nossa! – Hinata exclamou, olhando ao redor – É lindo daqui de cima.

Assenti concordando, mas nem a beleza vista dali de cima me distraiu do fato de estarmos em um local alto, era apavorante. Ino e Karin pretendiam pular dali de cima ao encontro das águas gélidas. Hinata depois de muita insistência das outras duas decidiu que também iria, Ino sabia do meu pavor de água e altura, e ambos estavam ali, juntos; por isso resolveu me poupar. Hinata retirou a canga e me entregou, estendi o tecido sobre a pedra lisa e me sentei, observando as três dar as mãos.

–No três! – Anunciou Ino animadamente – Um... Dois... – Fez uma breve pausa na contagem, rindo da ansiedade de Hinata, que já estava praticamente pulando – Três! – Berrou.

Correram e saltaram da rocha, pude ouvir o som dos corpos colidindo contra a água, em seguida gritos animados das três. Tomei coragem e levantei, caminhando cautelosa até a beirada da rocha, mantendo uma distância segura, para que nenhum passo em falso me fizesse cair dali de cima. Ino e Karin jogavam água em Hinata, que tentava se defender revidando da mesma forma. Sorri e me amaldiçoei por nunca ter entrado em uma escola de natação.

–Vem Sakura! – Gritou Karin, balançando os braços.

Dei um passo para trás, balançando minha cabeça, o mar ali era realmente fundo.

–Nem pensar! – Recusei.

–Vem boba – Foi a vez de Ino insistir – Não vamos deixar você se afogar não! – Garantiu-me.

–Estou sem coragem! – Voltei a recusar a ideia.

Vi Karin franzir o cenho e apontar em minha direção.

–Ei! – Berrou – Sakura cuidado ai!

Ino arregalou os olhos, olhei para trás, me deparando com um par de olhos castanhos me encarando.

–Deixe que eu te ajude querida – Disse ela com um sorriso macabro.

Não tive tempo para reagir, fui empurrada bruscamente e cambaleei pra frente, sem ter em que me apoiar, acabei por cair. Gritei desesperadamente antes de sentir o baque contra a água. Meu corpo afundou, comecei a me debater, engolindo muita água, movia minhas mãos e meus pés, em uma tentativa fracassada de subir a superfície, porém quanto mais eu me debatia, mais afundava. Senti uma agonia ruim em meu peito, por necessitar urgentemente de oxigênio, mas era impossível, a água me puxava para baixo a cada movimento que eu fazia. Meu corpo estava pesado, pontos pretos invadiram minha visão, eu já começava a perder a consciência. Não consegui prender a respiração, a água já adentrava minhas narinas, aumentando a agonia e a dor dilacerante em meu peito, era torturante. Até que finalmente a escuridão dominou meus olhos.

Notas finais
Ér, espero que me perdoem, prometo que vai melhorar. Bem, a fanfic já passou sua parte de palhaçadas, agora vai tomar um rumo mais sério, vamos ver no que vai dar. Também vou demorar um pouquinho mais a postar, coisas de três a quatro dias ou até mesmo uma semana, porque minha imaginação tá no 0%, preciso recarregar. Obrigada por tudo meus anjos, volto em breve com o próximo que será bem melhor que esse, é uma promessa! Agora tenho que ir, vai que minha mãe acorda e me deixa mais alguns dias sem pc, né? Digam para mim o que acharam do capítulo; conselhos, críticas construtivas, correções de alguns erros, elogios... Tudo é muito bem vindo, contanto que seja sincero *-* Beijinhos no core ♥