Sheikah

19 Os frutos da vingança


Aproximadamente 80 anos após a Calamidade

POV Dorian

— Vai logo, Dorian — Mayi limpa as unhas com a foice, removendo o sangue seco que ficou sob elas. Está sem paciência, como de costume.

— Tem mesmo necessidade, Mayi? Ele já entregou tudo o que tinha... não podemos simplesmente deixá-lo ir?

O jovem Hylian que emboscamos há alguns minutos geme de dor baixinho, em pânico, jogado no chão.

— E qual seria a graça nisso? — ela ergue uma das sobrancelhas, e seus lábios se torcem em um meio-sorriso sádico.

— Por favor — o garoto implora, lágrimas escorrendo pelo rosto. — Meu irmão está me esperando e...

— Shiu — Mayi se vira para ele, que se retrai imediatamente. — Se os seus não tivessem nos tratado tão mal por tanto tempo, talvez — talvez — eu te deixasse ir. Mas eu não costumo oferecer misericórdia para Hylians — ela cospe no chão. — Dorian?

— Eu não vou fazer isso, Mayi — digo com a voz firme. — Se você quer que ele morra, faça isso você mesma.

— Por favor — o garoto olha para mim, se agarrando à minha hesitação.

— Eu já não te mandei ficar quieto? — Mayi avança para ele e pisa em sua perna com força.

O som do estalo seco e o grito de agonia que cortam a noite embrulham meu estômago imediatamente.

— Por quê, Mayi? — meu tom é seco, cortante.

— Por que não? — ela sorri, maligna. O garoto soluça baixinho, tentando não fazer barulho apesar de toda a dor. — Se você não quer que ele sofra, mate-o. Eu vou demorar muito mais do que você — ela me estende sua foice.

Respiro fundo, frustrado. Sei que ela não está blefando — já cometi o erro de duvidar da extensão de sua maldade no passado. Então tomo a arma de suas mãos e vou até o jovem, me ajoelhando atrás dele.

— Sinto muito — digo baixinho antes de segurá-lo pelos cabelos e deslizar a lâmina em seu pescoço.

— Viu só? Foi difícil? — Mayi zomba depois que os sons vindos do garoto cessam. — Eu juro por Ganon, Dorian, você é um frouxo.

Não respondo. Há muito tempo entendi que não adianta discutir com Mayi.

Quando ela chegou ao clã mais de quarenta anos atrás, eu não consegui ter dimensão do tamanho de sua crueldade.

Não que ela tivesse tentado escondê-la no início; pelo contrário: foi sua frieza que garantiu uma posição na organização.

Eu tinha pouco mais de 13 anos na época. Estava no refeitório quando ouvi uma comoção vinda da câmara ao lado. Vários dos membros gritavam obscenidades. Não era algo incomum; suspirei, frustrado — provavelmente eram apenas novos reféns Hylians sendo arrastados para dentro.

Acostumado com como as coisas funcionavam no clã, não me movi. Apenas continuei ali, comendo minha fatia de bolo de banana. Então Zogho, um soldado poucos anos mais velho que eu, entrou na sala de mãos dadas com uma garota.

Arregalei os olhos ao vê-la, aturdido. Ela tinha cabelos brancos e olhos vermelhos — uma Sheikah. Zogho estivera em Kakariko?

Como?

Kakariko e Hateno estavam fora dos limites de atuação dos Yiga, por motivos desconhecidos por mim. Os únicos pedaços de terra em toda Hyrule que estavam a salvo de nosso reinado de terror.

— Dorian — Zogho chamou minha atenção. — Sabe onde está Sooga?

Aquiesci, curioso.

— Está com o Mestre na sala dos tesouros. Acho que estão fazendo inventário.

— Obrigado — Zogho acenou e seguiu caminho. A garota olhou ao redor, avaliando as instalações.

Dois minutos se passaram após sua partida antes que a curiosidade vencesse e eu me levantasse para segui-los. Apertei o passo, tentando fazer silêncio. A porta da sala estava entreaberta.

— Mestre? Sooga? Posso entrar? — Zogho anunciou sua presença e entrou após receber permissão.

Fiquei ali, meio escondido atrás da parede, observando o desenrolar da situação. Além de Sooga e do Mestre, Deen também estava ali de costas para a porta. Ele segurava uma prancheta e tomava notas enquanto contava os itens em uma prateleira.

— Ah, eu não acredito — Sooga riu com escárnio.

— Calma, Sooga, me deixa explicar...

— Cala a boca, Zogho — Sooga avançou até a garota a passos largos. Ela permaneceu firme, assistindo a tudo com desdém. — Como é seu nome?

— Mayi — ela respondeu, o rosto erguido em desafio.

— Quem te mandou aqui? — Sooga interrogou rispidamente.

— Eu convidei, Sooga — Zogho tentou voltar para a discussão. — Mayi acredita nas mesmas coisas que a gente, e estava cansada de onde morava e... — ele se calou imediatamente ao notar o olhar furioso de Sooga.

— De onde você veio?

Franzi o cenho. Era óbvio que ela viera de Kakariko — de onde mais seria?

— Kakariko — Mayi respondeu, imperturbável.

Nessa hora, Deen se virou imediatamente. No segundo em que seus olhos se fixaram na garota, a prancheta e a pena caíram de suas mãos. Ele ficou ali, congelado, em choque, como se estivesse vendo uma assombração.

Sooga gargalhou.

— Eu não acredito — ele repetiu. — Eu. Não. Acredito. Você está vendo isso, Deen?

Mayi olhou para Deen com desinteresse, enquanto ele permanecia paralisado.

— A semelhança... elas são idênticas — Sooga continuou rindo e voltou a se dirigir a Mayi: — Ela te mandou aqui?

— Quem? — Mayi pareceu confusa por meio segundo.

— Sua mãe, porra — Sooga se irritou. — Ela mandou você vir espionar a gente? Que plano burro. Mas, de novo, burrice seria a cara dela.

— Eu fugi de Kakariko — Mayi respondeu com descaso. — Não me interessa que história vocês têm com a Impa, quero distância daquele lugar.

— Você... você sabe quem eu sou? — Deen, atônito, lutou para formular a frase.

— Por que eu saberia? — Mayi parecia alheia às reações de Deen.

Ele apenas balançou a cabeça, como se suas palavras fizessem sentido.

— Então você quer se juntar a nós — Sooga ainda estava entretido com a situação. — Vai precisar provar que merece.

Mayi deu de ombros com descaso.

— Como?

— Mate-o — Sooga apontou para Zogho, que ficou pálido imediatamente. — Ele sabe muito bem que não deveria confraternizar com os Sheikah... logo, cometeu traição ao te trazer até aqui.

Ela nem titubeou:

— Preciso de uma arma.

— Isso me parece um problema seu — Sooga rebateu.

Deen estava catatônico, parecendo uma estátua horrorizada.

Mayi bufou e atacou Zogho sem pensar duas vezes, mesmo desarmada. Uma pequena luta se seguiu entre os dois, mas ela era muito ágil e parecia completamente fluente em todas as técnicas de combate secretas. O embate mal durou cinco minutos antes que ambos estivessem no chão, Mayi sobre ele. Mantendo-o preso com seu peso, ela se inclinou para remover uma das adagas do cinto de Zogho e a fincou em seu estômago.

Ela se levantou, despreocupada.

— Ele vai demorar para morrer assim — Sooga apontou. — Até perder sangue suficiente.

— Você me pediu para matá-lo, não para matá-lo de forma rápida — ela rebateu.

Eu não era estranho a demonstrações de violência. Já presenciara inúmeros assassinatos, de diferentes maneiras. Então assistir ao que houve não foi algo novo, quiçá surpreendente.

Mas o tom de voz dela.

O prazer que ela pareceu sentir ao tirar a vida de Zogho.

Crueldade era algo corriqueiro entre a organização. Mayi ia um passo adiante: ela era perversa.

Após sua chegada, o clã deixou de ser apenas um grupo impiedoso; lentamente, ele se metamorfoseou em algo sádico, atroz. Os Hylians passaram a sentir terror ao notar nossa presença. Eles sabiam que, uma vez capturados por nós, seu fim seria excruciantemente moroso e deliberado. Apenas porque sim.

Sooga e Mayi se aproximaram em pouco tempo. Ele não tinha escrúpulos e, mesmo sendo quase 50 anos mais velho, não hesitou em se envolver com ela.

Não que eles estivessem em uma relação monogâmica.

Mas, no final, sempre voltavam pros braços um do outro.

Deen, por algum motivo, tentou impedir esse relacionamento. Lembro-me de entreouvir uma discussão entre ele e Sooga. Furioso, ele parecia a ponto de estrangular o outro. Sooga apenas ria e declarou, feliz:

— Nunca me senti tão grato por terem me impedido de te matar tantos anos atrás. Isso aqui é muito melhor.

Sob a orientação de Sooga, a maldade de Mayi ganhou novas camadas, tornando-a cada vez mais brutal.

Era doentio.

Considerei fugir em inúmeras ocasiões. Mas existiam membros dos Yiga espalhados por todo o território de Hyrule, e a deserção era punível com morte. Eu não tinha para onde fugir.

Então apenas engoli minha sina, durante décadas.

— Vou mover o corpo dele — comunico a Mayi, balançando a cabeça para sair das memórias. Não peço sua ajuda — ela não se daria ao trabalho de qualquer maneira.

Ela revira os olhos.

— Pra quê, Dorian? Os animais darão conta dos restos. A gente não tem tempo para isso, vamos seguir caminho.

— Você pode só calar a boca, Mayi? — explodo, furioso. — Volte sozinha se está com tanta pressa assim.

Ela ri, se divertindo com a minha reação.

— Essa cor não combina em você, amor — Mayi zomba, mas não me impede de continuar.

Carrego o corpo do jovem até os pés da árvore mais próxima enquanto Mayi procura por algo nas bolsas dele.

— Que fome. Será que ele tinha alguma comida que preste aqui? — ela vira os conteúdos no chão.

Estou de costas para ela, juntando algumas folhas e galhos para cobrir o corpo, para — no mínimo — escondê-lo de outros Hylians. Não que o cheiro de putrefação não vá ficar insuportável em breve; mas pelo menos a visão de algum viajante desavisado será poupada.

— Oba, bananas! — Mayi comemora, falando sozinha. — Ele deve ter vindo de Faron... eu amo bananas. Quer uma?

Olho para as minhas mãos sujas de sangue e para o rosto lívido do garoto que estou “enterrando”.

— Não, eu não quero uma — respondo, irritado.

— Azar seu. Estão maduras, perfeitas. Apesar de que... — ela se cala, mordendo a fruta.

Poucos segundos depois, escuto um som molhado seguido de um engasgo. Olho para trás, surpreso, e vejo Mayi vomitando.

— O que houve? — pergunto, jocoso. — Passou mal com o assassinato?

Ela passa a mão pelas costas da boca, limpando a sujeira que espirrou em seu rosto. Então, revira os olhos.

— Claro que não. Esse imbecil estava carregando frutas podres na mochila. Se não o tivéssemos matado, ele acabaria morrendo pela própria ignorância.

Existem mais algumas bananas jogadas no chão. Estão bem amarelas e me parecem firmes — o oposto da aparência que teriam caso estivessem estragadas.

Mayi pega um cantil no chão, bochecha com um pouco de água e cospe no chão.

— Vamos voltar — ela ordena e se distancia, sem se preocupar em garantir que estou seguindo-a.

. . .

Pouco mais de 8 meses depois

Os berros de Mayi ecoam pelas cavernas, espantando todos os soldados dos corredores próximos ao seu quarto. Coloco meu travesseiro sobre a cabeça, tentando abafar os sons.

Grávida.

Ela estava grávida.

Mesmo se aproximando dos 60 anos de idade, Mayi ainda tinha a capacidade de engravidar; o envelhecimento dos Sheikah é muito mais lento do que o de um Hylian comum. Fisicamente, ela ainda tem o mesmo vigor — e aparência — de uma Hylian com entre 30 e 40 anos de idade.

Mas ela não esperava por isso a essa altura. E, aparentemente, se tornou descuidada.

Ela não queria seguir adiante com a gravidez.

Mas Sooga estava exultante.

Como ele conseguiu a façanha de engravidá-la aos cento e poucos anos de idade está muito além da minha compreensão.

Se é que ele realmente é o pai.

No entanto, ele parece muito confiante da paternidade. E anda pelos corredores orgulhoso, como se tivesse conquistado um grande prêmio.

De repente, silêncio.

Finalmente.

Suspiro aliviado e me entrego à inconsciência, adormecendo poucos minutos depois.

Um barulho de pés se arrastando pela pedra me acorda algumas horas mais tarde. Sento-me alerta, já empunhando a adaga que mantenho próxima do travesseiro. A luz da lua que se infiltra pela pequena fresta no alto de uma das paredes ilumina um vulto no quarto, que sussurra:

— Shhhh. Sou eu, Deen. Eu preciso de um favor, Dorian.

— Deen?

Acho que Deen e eu não trocamos mais do que duas dúzias de palavras nos últimos 55 anos. Acho que Deen não trocou mais do que duas dúzias de palavras com nenhuma outra pessoa da organização nas últimas décadas, com exceção de Sooga e Kohga. Quando não está instruindo treinamentos de combate e magia, ele apenas fica recluso em seus aposentos.

— Sim. Preciso da sua ajuda.

— Com o quê? O que houve?

— Essa criança — Deen se aproxima e me entrega um cesto. Um bebê recém-nascido dorme tranquilamente lá dentro. — Ela não pode crescer aqui. Preciso que você a leve até Kakariko. Por favor.

— Até Kakariko? Você está louco, Deen? E por que eu?

— Eu não posso ir até lá, Dorian. E eu tenho te observado todos esses anos. Você odeia fazer parte dos Yiga; está aqui por falta de opção. Estou te oferecendo uma alternativa. Essa criança vai ser seu passaporte para a liberdade — você estará a salvo em Kakariko. E, ao mesmo tempo, estará salvando essa menininha — os olhos de Deen estão cheios de lágrimas.

— Não vão me deixar nem entrar ali — rebato, incerto.

Seria possível?

Deen aponta para uma caixa de papelão que também está dentro do cesto.

— Entregue essa caixa para a líder de Kakariko, Impa. Ela vai entender — tenho certeza de que vai permitir que você fique por lá.

A neném se move, abrindo os olhos. São cor de âmbar, e o formato deles é estranhamente familiar. Ela me encara com curiosidade, e eu sinto um estranho instinto de protegê-la.

— Por que você se importa tanto com ela? — questiono, erguendo o olhar para Deen.

Então me calo.

Deen já é um idoso; imagino que também já tenha passado dos cem anos de idade. Sua pele já não é firme e está marcada pelo tempo. As rugas são abundantes em seu rosto, e as pálpebras caem flácidas sobre os olhos.

Mas o formato deles.

Olho para a criança novamente.

— Ela...?

Ele apenas aquiesce.

— Mayi é sua filha? — pergunto, chocado; subitamente, o comportamento de Deen desde aquele primeiro dia passa a fazer sentido.

— Eu não tenho certeza. Mas... eu sinto que sim, ela é. A linha do tempo faz sentido — ele dá um sorriso travesso, os olhos turvos. — E então? Posso contar com você?

A criança dá um gritinho feliz, e, chocado, percebo meu coração se esquentando. Aquiesço antes mesmo de me dar conta de que sim, eu concordei com o plano.

— Obrigado, Dorian — Deen agradece com a voz embargada. — Nunca vou me esquecer disso.

. . .

A viagem até Kakariko foi estranhamente tranquila. Foram semanas a pé, percorrendo todo o trajeto desde Gerudo. A neném era pacífica, mal chorava. Resmungava um pouco quando estava com fome ou suja, mas, no restante do tempo, apenas dormia ou dava risada.

Conforme eu me aproximava do meu destino, minha ansiedade aumentava. Se eu não fosse aceito em Kakariko, estaria morto. Seria apenas uma questão de dias até que algum outro Yiga me encontrasse e desse cabo de minha vida. Era incompreensível como ainda não estavam atrás de mim.

Antes de partir, Deen me entregou roupas de Hylian e me passou uma magia para que meu cabelo retomasse o branco original.

— E um último favor — ele pediu seriamente. — Não comente sobre mim com a Impa. Se ela perguntar, diga que foi Mayi quem pediu que você levasse a neném até Kakariko.

Quando questionei os motivos, ele apenas desconversou. Então parti na calada da noite, pela saída secreta da Sala do Tesouro, e não olhei mais para trás.

Me aproximo do arco de entrada de Kakariko pouco antes do amanhecer. Caminho lentamente, fascinado pela beleza e tranquilidade do vilarejo. Me perco no barulho das cachoeiras ao seu redor, no cheiro de grama molhada e madeira queimando, no trinar dos passarinhos.

— Olá — me viro, assustado, e me deparo com uma senhora idosa que me encara com curiosidade. — Você é novo aqui.

— Ahn, oi. Sim... sou Dorian, prazer em conhecê-la.

— O prazer é meu, Dorian. Não recebemos muitos visitantes; fico feliz em ver um rosto diferente. Em que posso ajudá-lo?

— Eu... bem, eu fui enviado aqui para entregar... isto à líder do vilarejo, Impa. — indico a cesta em minhas mãos. — Onde posso encontrá-la, por favor?

Ela franze o cenho, confusa.

— Sou eu. De onde você veio, Dorian?

— De... Gerudo — admito, sem conseguir mentir.

— Quem te mandou aqui? — ela está ficando irritada e avança perigosamente na minha direção, apesar da idade.

Nesse segundo, a neném começa a rir, paralisando Impa no lugar.

— É... é uma criança? — ela pergunta, chocada.

— Podemos falar em algum lugar privado? — peço, desesperado.

Impa assente e me leva até sua casa na parte inferior do vilarejo. Nos sentamos nas almofadas no chão e eu entrego o cesto para ela. Ela remove o cobertor e pega a criança com reverência.

A neném grita feliz, seus grandes olhos abertos fixos na senhora. Ela esperneia, tentando agarrar o chapéu de Impa — que parece à beira das lágrimas.

— Pediram para eu te entregar esta caixa também — aponto para o embrulho.

Impa me entrega a neném para poder analisar o conteúdo do pacote.

Assim que ela tira a tampa do caixote, ergue as sobrancelhas e me encara com divertimento. Ela tira uma foice Yiga de dentro.

— Sério? — ela questiona, indignada.

— Eu não sabia! — me defendo, em pânico. — Eu não abri a caixa!

Ela gargalha às custas da minha ansiedade.

— Eu imaginei que você era um deles, Dorian. Tudo bem — ela faz um gesto, banalizando minha preocupação. Em seguida, continua sua exploração.

O próximo item é um livro pesado e denso, antiquíssimo. Não o reconheço, mas Impa arregala os olhos ao vê-lo e folheia as páginas, parecendo não acreditar no que está vendo.

Ela o deixa de lado e, na sequência, pega um pequeno saquinho de veludo, cujo conteúdo ela despeja no chão. Um anel cai com um tinido baixo. Impa analisa a jóia, que é ornamentada com um rubi e tem o símbolo Sheikah/Yiga gravado na parte interna do aro.

Por fim, ela pega um bilhete que também estava ali; o papel está amarelado e desgastado, como se tivesse sido escrito há muito tempo.

Assim que lê o que está escrito, seus olhos se enchem de lágrimas, que escorrem pelo rosto. Ela leva uma mão à boca, soluçando baixinho.

Ajusto minha posição, subitamente desconfortável. Permaneço em silêncio enquanto ela se acalma.

Depois de alguns minutos, ela guarda os itens de volta na caixa e pega a criança dos meus braços.

O silêncio é quebrado por uma leve batida na porta. Uma Sheikah entra na sala e me observa com curiosidade. Meu coração pula uma batida, meu olhar preso no seu.

— Bom dia, Illa. Já falo com você — Impa se dirige à mulher. Depois, se volta para mim: — Obrigada, Dorian. Você não tem ideia do que acabou de fazer por mim. Imagino que esteja precisando de algum lugar para ficar?