She is my good destruction
3 The Funeral
Notas iniciais
SPENCER’S HOME | 11:20 | 9/02 | 2016
POV SPENCER
Acordei do mesmo jeito que adormeci: com os gemidos incrivelmente reconfortantes de Alison em meu guarda-roupa. Imediatamente, levantei-me da cama e fui em direção de onde estava presa minha possivelmente nova aliada.
Abri as portas e quando me dei conta, um de seus pés estava quase saindo da fita cujo eu havia colocado para juntá-los. Fiquei impressionada com tal habilidade. Da primeira vez que passei por isso demorei aproximadamente 2 dias para conseguir fazer tudo o que ela tinha feito em uma noite.
—Bom dia, querida Alison – disse eu, com um sorriso forçado.
A loira apenas me olhou com um ódio profundo. Cansada de toda aquela pressão dos olhares uma iniciante ridícula em cima de mim, tirei tudo o que a impossibilitava de andar, falar ou fazer gesticulações.
—Já sabe as regras né, vadia? Se tentar me matar, matar um dos meus aliados ou contar a alguém, você é uma garota morta!
Alison apenas acenou com a cabeça, nada falou. Talvez agora ela tenha dado conta de quem realmente controla o jogo.
—O que você está esperando? Está na hora de irmos para a casa da Hanna ajudar com os preparativos do enterro de Emily.
[ ... ]
Após tomarmos café da manhã, fomos nos trocar. Eu como de costume, coloquei meu vestido preto longo até o joelho para pagar de santa, algo que eu definitivamente não era! Pensei em alguma coisa para testar minha aliança recentemente feita entre mim e Alison.
—Bom, que você é uma aberração todos já sabem. Mas hoje você irá extrapolar! – A garota, que estava sentada em minha cama me olhou sem entender nada, mas logo se ligou que eu estava segurando um vestido estampado com todas as cores possíveis.
—Você só pode estar de brincadeira comigo!
—Bom, não estou. Você quer ser minha aliada ou não? Se sim, já avisei que irá passar por testes.
Alison engoliu em seco. Eu sabia que aquela garota tinha desejo de matar! E em breve eu descobriria quem, e o porquê. Mas por enquanto, aquilo bastava.
Após estarmos ambas prontas, descemos as escadas, pegamos nossos casacos e fomos em direção ao carro que nos levaria até lá.
[ ... ]
—Três toques na porta e essa vadia loira ainda não me apareceu. Mereço. – Disse a outra vadia loira, que esperava comigo do lado de fora da casa de Hanna.
Depois do quarto toque, Aria apareceu. Ela parecia mais abalada que nunca. Deus! Eu amava ver as pessoas tristes. Por que esse sentimento era diferente com ela? Talvez fosse porque suas sobrancelhas que sempre ficam decididas e firmes dessa vez estavam para baixo, como se fossem cair nos olhos a qualquer momento. Uau, eu podia pensar muita coisa besta em menos de 2 segundos!
Aria nada falou, apenas desprezou a roupa de Alison com o olhar. Talvez ela estivesse muito cansada para fazer um comentário longo e exaustivo sobre moda. Em seguida abriu passagem para entrarmos. E assim fizemos. Hanna estava no fundo, sentada em o típico banquinho alto que sua mãe usava para evitar as dores nas costas.
—Sinceramente? Eu não faço a mínima ideia da utilidade desse troço! – Disse ela com seu tom sarcástico, se referindo ao banco. – Eu continuo com as mesmas dores que sempre te...Opa, opa, opa! Que roupa é essa, Alison?
—Eu estava com vontade de vestir algo mais diferente, já que todos vão estar iguais lá. – Sem ter dado muita conveniência, complementou: -Além disso, Emily amava cores, lembram?
Nós quatro forçamos um riso e deixamos o assunto de lado.
—Bom, praticamente tudo o que iremos levar já está no carro de Hanna. Você pode subir comigo pegar algumas caixas com flores que ainda faltam? – Disse Aria, se referindo a Alison.
A loira já havia acenado com a cabeça em forma de sim, mas rapidamente tomei uma atitude.
—Não precisa! Acho melhor ela ficar aqui e ajudar Hanna com a lista de convidados. As duas são loiras burras, mas acho que quando elas se juntam elas chegam mais perto de serem menos idiotas. – Falei. Aquela foi a primeira vez que vi a morena dar um grande sorriso após a morte de Emily.
Subimos as escadas e fomos em direção ao quarto da mãe de Hanna, que tinha cuidado dessa parte. A porta estava semiaberta, então automaticamente entramos.
—AAAAH.
—AAAAH, O QUE É ISSO? HANNA DISSE QUE VOCÊ NÃO ESTARIA EM CASA SENHORA MARIN, ME DESCULPA, OH MEU DEUS! – Gritou Aria em choque após vermos Ashley nada mais nada menos que pelada, saindo do banho.
Após mais ou menos 1 minuto, a mesma abriu a porta para nós, fazendo um sinal de que podíamos entrar. Pegamos as caixas em silêncio quase sem contato visual com a mulher. Saímos do quarto tentando segurar os pequenos risos que não paravam dentro da nossa boca.
—Não vou mentir, fiquei até com nojo.
—De que? – Perguntei, curiosa.
—Daquele monte de pelo.
Gargalhamos alto com o que Aria disse enquanto descíamos as escadas.
[ ... ]
—Tudo pronto, meninas? – Interrogou Alison.
—Irei dar apenas a última checada com a lista dos materiais necessá...cadê a porcaria da lista com os materiais? – Hanna já estava ficando louca com o número que listas que precisava checar. Tanto que a única que buscava no momento era exatamente a que estava em sua outra mão, cujo segurava apenas ela. Aria pegou-a e entregou na mão dela. Ela ficou impressionada e um tanto envergonhada.
Depois de alguns minutos de Hanna já ter checado absolutamente tudo, entramos todas no carro. As duas loiras burras na frente e as morenas extremamente diferentes atrás.
—Pessoal, só pra lembrar mesmo: por que estamos indo todas no mesmo carro sendo que a Spencer tem o dela? – Perguntou Aria.
—Não se lembra? Uma das coisas que a Emily mais odiava era a poluição gratuita que todos fazem. Iremos honrá-la. Mesmo que eu não queira, já que a defunta beijou meu namorado sem explicação na minha frente. – Hanna realmente já estava com raiva naquele ponto do campeonato. Ficou bem claro quando pisou com tudo no acelerador, nos levando em direção ao cemitério.
—Ok, Hanna, todas nós sentimos muito por isso, mas eu sei que... – Aria foi rapidamente interrompida pela música alta que Alison havia acabado de colocar, provavelmente para terminar com aquela discussão ridícula.
—SABE, EU AMO AS MÚSICAS DE LITTLE MIX, QUE TAL AUMENTAR MAIS AINDA O VOLUME PARA EU DAR MEU SALUTE NA SUA CARA? – Gritou Aria, um tanto nervosa com a atitude. Bom, todas nós sabíamos que aquilo foi para o melhor.
[ ... ]
Ao chegarmos no local, várias pessoas já haviam se estabelecido em cadeiras brancas e refinadas no meio da grama e em frente ao túmulo da minha vítima. Eram mais de 20 pessoas, pelo que pude contar.
Mal descemos do carro e uma velha senhora de mais ou menos uns 65 anos veio nos apressar, dizendo que estávamos 3 minutos atrasadas. A mesma também olhou o vestido de Alison com os olhos arregalados, mas assim como Aria, resolveu não comentar.
—Vocês não deveriam ter se atrasado assim! É com vocês que estão as benditas flores e enfeites deste enterro! – Disse ela, com sua voz extremamente irritante. Eu poderia ter matado aquela velha naquele instante.
Depois de aproximadamente 5 minutos, tudo já estava pronto. Todos que participariam da cerimônia já haviam chegado e Hanna já havia checado tudo o que precisava.
—Estamos aqui reunidos hoje no enterro de Emily Fields, uma jovem que tinha apenas 16 anos. – Percebi que ao ouvir a idade de Emily, Aria sentiu um aperto no coração. Eu rapidamente a abracei ao perceber o quanto ela estava mal com aquilo tudo. E ficaria ainda pior! – Emily Fields não era apenas uma garota normal de 16 anos. Ela tinha uma família, amigas leais, um lar e muito mais. Ela era alguém querida. – Pude ouvir Alison, que estava do meu lado, sussurrar “em Rosewood que ela não era isso”. Não consegui conter o riso. O homem continuou a falar e falar por mais 30 minutos. Até que finalmente chegou a hora do verdadeiro enterro.
Todos rodearam a cova onde o caixão seria posto. Aos poucos, ele foi descendo até alcançar o chão. Todos, inclusive eu, jogaram uma porção de terra sobre ele, antes de ser totalmente coberto por mais toneladas daquilo.
—Bom, acho que esse grande dia exaustivo acaba aqui, certo? – Disse para as garotas, que concordaram com um “sim” em uníssono.
O silêncio não durou pouco, logo nos assustamos com o barulho dos celulares de todas nós tocando ao mesmo tempo.
“Não tão rápido, vadias!” -E
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