She is Only 18
2 Capítulo 2 - She has it, sex magik
— Você é a Diana? – o sujeito perguntou, em inglês. Ela estava indecisa entre reclamar pela falta de sutileza do rapaz ou tratá-lo com educação, uma vez que a expressão delicada no rosto dele jamais denunciaria que ele teria deliberadamente sido invasivo.
— Sim. – ela respondeu no mesmo idioma, com uma nota de indecisão na voz.
— Prazer. – o rapaz alto, branco e de cabelos negros e bagunçados estendeu a mão para ela. – Eu sou o...
— Josh. – ela deu uma risadinha amarga, juntando as peças. Apertou a mão dele. – Eu sei. O melhor amigo do Benjamin.
Ele sorriu sem graça. Ele também entendeu. Sabia que ela e Benjamin jamais haviam trocado uma palavra a respeito da amizade deles, e sabia que a garota era muito fã da banda na qual ele por sinal, era guitarrista.
— Ele me falava muito de você. – ele deu um meio sorriso. – Mas parece que você nunca ficou curiosa para conhecer o melhor amigo dele.
— Bom. – ela começou, embaraçada. – Sempre imaginei que se ele queria tanto que eu o conhecesse, teria me apresentado antes.
E riu. Uma risada cheia de sarcasmo, que deixou Josh confuso por alguns instantes. Ela estava pensando em Benjamin, em como às vezes ele tentava incitar nela curiosidade suficiente para fazê-la perguntar sobre o misterioso amigo. Agora ela sabia que no fundo o que Ben mais desejava era poder saborear a reação dela ao contar que o seu melhor amigo era, na época, guitarrista de apoio do Red Hot Chili Peppers, e agora, guitarrista solo. Ela não gostava muito disso. Não achava que John Frusciante fosse substituível e nenhum material novo da banda havia sido divulgado até então. Ela não sabia do que Josh era capaz.
— Bom, você pode me ajudar a encontrá-lo? Esse lugar é enorme, eu fiquei meio perdido aqui. – ele pediu.
— Claro. Eu estava mesmo procurando por ele. – “e agora eu já tenho uma lista bem razoável de motivos para matar o Benjamin”, pensou.
Caminharam por cinco minutos em completo silêncio. Ela o observava discretamente, notando que ele era muito bonito de uma maneira um pouco bizarra. Sem preocupação em satisfazer qualquer tipo de estereótipo, até mesmo o estereótipo da banda da qual ele era membro. Na realidade, ele parecia tímido demais para um Pepper. Ele olhava para Diana com o canto dos olhos, mas logo desviava o olhar quando percebia que ela havia notado. Ela decidiu puxar conversa.
— Como vocês se conheceram? – a pergunta era óbvia demais, claro. Ele riu baixinho.
— Está curiosa agora ou só está tentando ser educada?
Ela fez uma careta.
— Se eu estivesse perguntando somente por educação, eu jamais admitiria. Isso destruiria completamente o propósito de estar sendo educada. – ele diminuiu o passo para olhar para ela, ela teve que parar de andar. – O que foi?
— Nada. – ele levou a mão ao rosto e coçou a penugem que começava a crescer em seu rosto. E voltou a andar, ela o seguiu. – Benjamin era baixista da banda de um amigo meu. Bem, não exatamente baixista, ele nunca quis se efetivar em nenhuma banda. Um dia eu fui ao show deles e o vi tocar. Depois saímos todos juntos, fui elogiá-lo pela performance dele e começamos a conversar sobre música... E somos amigos até hoje.
— É uma história bem comum. – comentei sem pensar.
— E o que você esperava? – ele perguntou. A voz dele era grave e suave ao mesmo tempo, baixa. Ela se via adorando o som daquela voz.
— Benjamin me contou algumas histórias sobre a parte underground de se fazer música em LA. Você parece ser... Bom, parece ser bem limpo.
Ele deu uma risadinha. Os gestos dele eram muito curtos, e os olhos dele, inquietos, assim como as mãos. Mas ele parecia tranquilo quando falava, apesar de gaguejar um pouco.
— É, digamos que eu sou limpo o bastante.
Andaram por mais alguns minutos conversando sobre música, Josh parecia estranhamente interessado em saber a respeito de todas as bandas que ela ouvia. Ela respondeu com boa vontade, mas em momento nenhum mencionou que sabia tocar guitarra. Embora imaginasse que Benjamin já havia contado a ele, ela se aproveitou do fato de Josh não ter perguntado sobre isso e decidiu não falar nada. A última coisa que queria era Josh pedindo para ouvi-la tocar.
Viraram um corredor e Diana viu um rapaz alto, forte e de longos cabelos loiros. Longos, de fato, os cabelos de Benjamin desciam lisos até um palmo acima da cintura. Ela parou, percebendo que não tinha intenção alguma de falar com ele naquele momento. Ela ainda estava se sentindo constrangida com o encontro com Josh Klinghoffer e não sabia como ia agir entre os dois. Por dois anos sempre foi Benjamin e ela. E agora eram Benjamin, ela e Josh.
— Ali está o seu garoto. – ela sorriu, apontando para Benjamin. – Josh, pode me fazer um favor? Entregue isso a ele. – ela deu o tubo aonde havia guardado a planta de Benjamin a Josh.
— Você não vinha vê-lo? – ele segurou o tubo, olhando confuso para ela.
— Eu disse? – ela fingiu confusão. – Não, eu vim aqui ver outra pessoa. E se eu for falar com o Ben agora, ele tão cedo vai me deixar sair daqui.
Ela sorriu olhando para Ben, que por sorte estava de costas e não a havia visto ainda.
— Bom, tudo bem então. – Josh parecia um pouco desapontado.
Ela sorriu de novo e segurou a mão dele de leve em um gesto de despedida.
— Tchau, Josh. Foi um prazer conhecê-lo. – ela saiu andando, mas Josh não havia soltado a mão dela. Aqueles dedos longos seguravam levemente sua mão, mas ele não parecia ter se dado conta disso.
— Ah, me desculpe. – ele soltou a mão dela com delicadeza. – Vou vê-la de novo, Diana?
Ela piscou um pouco surpresa. Aquele gesto a havia feito se sentir lisonjeada.
— Claro, a gente se vê por aí. – ela respondeu sem sorrir e acenou em despedida. Ele ficou observando-a se afastar enquanto uma mão encostava um lenço de papel no canto da boca dele. Era Benjamin, que estava rindo abertamente para ele.
— Blood sugar, baby. She has it, sex magik, sex magik... – Ben cantou para Josh, que revirou os olhos.
— Não seja grosseiro com a sua melhor amiga. – ele pediu, sorrindo e apertando a mão de Ben. – Ela ficou bastante surpresa quando me encontrou.
— É, eu imaginei que ela ficaria. – e abaixando o tom de voz de modo dramático, como quem confidencia, Benjamin disse: — Eu armei para que ela viesse até aqui.
— Eu percebi. Ela também percebeu, porque desistiu de ver você no último momento. – ele olhava na direção em que Diana tinha desaparecido. – Você disse que ela toca guitarra, não é? Ela não me disse isso.
— Pff. Provavelmente ela ficou com vergonha de dizer não caso você a pedisse para tocarmos juntos. Mas não se preocupe, sou especialista em convencer a Diana a fazer coisas que ela não quer.
— Que tipo de coisas? – Josh arqueou uma sobrancelha.
— Não, Josh, eu jamais considerei favores sexuais.
Benjamin ria alto, mas Josh parecia sem graça.
— Ela parece ser legal, mas não muito feliz em me conhecer.
Ben suspirou, olhando para o teto.
— Cara, você está substituindo o guitarrista favorito dela. E ela nunca te ouviu tocar, mas não se preocupe... Quando ouvir, ela se apaixonará por você.
— Agora me sinto muito encorajado.
— Não se preocupe, cara, você vai se sair bem. Ela não é a única fã do Frusciante que você vai conquistar. Tenho certeza disso.
Josh sorriu brevemente. Ainda parecia incomodado com alguma coisa.
— Para onde vamos agora? – ele perguntou.
— Para a Barra. Você vai conhecer o meu humilde estúdio. – Benjamin fez uma pausa e depois deu uma de suas risadinhas sarcásticas. – Vou dar um jeito de atraí-la até lá.
— Sinceramente, ela não parece muito disposta em me ver de novo, Ben.
— Não se preocupe. – Benjamin respondeu com confiança. – A guitarra dela está comigo.
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