She is Only 18
10 Capítulo 10 - I'm with you
Josh’s POV.
Três semanas haviam se passado e Diana não havia mandado sequer um e-mail. Não a procurei para deixar que ela decidisse por si só. Tentei ignorar o meu lado egoísta que insistia em ficar magoado com o silêncio dela e procurei entender a importância que Benjamin tinha para Diana. E que não seria fácil para ela simplesmente largar o melhor amigo apaixonado no Brasil e vir até um país desconhecido tentar a sorte de fazer o seu ídolo gostar da sua música. Embora ele já a tenha amado.
Por sorte eu estava com pouco tempo para me sentir mal a respeito disso. Mergulhei de cabeça na produção do Cd, tanto que estava começando a ser obsessivo e chato. Sabia que eu não tinha nada a ver com a produção do disco, mas queria estar envolvido. Os caras da banda já sabiam o que tinha acontecido no Brasil e entendiam por que eu estava tão mergulhado no trabalho. Até que um dia Anthony veio até mim.
— Josh. – ele começou. – De coração, cara, estou realmente feliz que toda essa história com a Diana o esteja instigando a trabalhar ao invés de provocar o efeito contrário, mas você precisa descansar um pouco.
Olhei para ele e me senti uma criança. Obviamente, Anthony estava muito mais familiarizado com as mulheres do que eu. Embora eu soubesse que ele já tinha se ferrado por causa de muitas delas.
— Não quero pensar nisso, Anthony.
— Não vai poder fugir disso para sempre, Josh. – Anthony falou bem sério e depois soltou uma risada alta. – Um dia, o álbum vai ser lançado.
— E nós entraremos em turnê. – completei em um tom que sugeria “ponto final”. Ele riu ainda mais alto.
— Bom, se você tocar com o mesmo afinco com que está trabalhando no álbum, vou estar mais do que satisfeito com isso no que diz respeito à banda. Mas no que diz respeito a você, como meu amigo, eu vou estar infeliz porque você estará infeliz.
Encarei Anthony, emocionado. Nós tínhamos ficado muito próximos desde que John saiu da banda, e eu só tinha a agradecer por ele confiar tanto em mim. Quando eu me sentia inseguro e incapaz, ele vinha conversar comigo e dizia que acreditava em mim. Que eu tinha que seguir no meu próprio tempo e apagar da minha cabeça qualquer tipo de pressão que estivesse fazendo em mim mesmo para superar as expectativas dos fãs.
E agora ele estava me dando o mesmo apoio, como um amigo. E saber que alguém em meu ambiente de trabalho se importava comigo a esse nível me fez sentir menos sozinho, principalmente quando esse alguém tinha muito mais experiência que eu, em vários aspectos.
— Então o que você sugere que eu faça?
— John disse para você esperar que ela venha até você. Ele está certo. É claro que eu já teria feito o contrário há muito tempo, mas obviamente eu não sou referência nesse sentido. – ele riu. – E você tem muito mais juízo nessa sua cabeça do que eu já tive a vida inteira. Mas se ela demorar demais... Há duas possibilidades, e eu sinceramente desejo estar errado quanto à segunda. Ou ela está com medo de procurar você, ou não o ama o bastante para fazer qualquer sacrifício.
— E se você estiver certo sobre a primeira possibilidade?
Ele sorriu para mim.
— Você vai atrás dela, garoto.
Sorri para ele agradecendo o conselho e depois fomos juntos a uma reunião da banda com Rick Rubin, o produtor do novo álbum. Quando entramos na sala todos estavam falando muito alto, aparentemente discutindo. Imaginei qual seria o motivo da discussão. Ainda não havíamos decidido o nome do novo álbum. Anthony tinha sugerido “Monarchy of Roses”, que é o nome da primeira faixa do álbum, mas achamos que não tinha exatamente o significado que queríamos. Fiquei em silêncio ouvindo todas as sugestões, cada nome que aparecia tinha menos conexão com o álbum e com o que ele significava para nós.
Fiquei encostado na parede apenas observando todos desistirem, exaustos da discussão. Flea olhava para mim com olhos suplicantes e eu tive que rir. Não era como se eu tivesse algo a contribuir, era?
— I’m With You. – eu disse, sem pensar.
Flea sorriu e Anthony me lançou um olhar cheio de significado. Chad ficava repetindo o nome, “I’m with you, I’m with you” e eu comecei a me sentir bobo.
— Faz absoluto sentido. – disse Flea.
— Sim. – Anthony concordou. – É diferente de todos os nomes que já demos aos álbuns. O que coincide com a nova fase da banda.
— E pensem nos fãs. – disse Chad. – Por todos esses anos, eles estiveram conosco. É como se o álbum dissesse que nos esforçamos para retribuí-los. Que estamos com eles.
Todos sorriam, Rick respirava aliviado.
— Obrigado, Deus, chegamos a um consenso. – Rick olhou para mim. – Com quem você está, Josh?
Dei uma risadinha nervosa e cruzei os braços.
— Estamos uns com os outros, eu acho. – eu respondi, evitando admitir para mim mesmo que eu havia dito aquilo mais para Diana do que para qualquer pessoa. – Estamos juntos.
— Bom, já que resolvemos esse “pequeno” problema, – disse Flea com ironia. – por que não nos mostra a música da sua namorada, Josh? Isso gerou tanta confusão que acabou me deixando curioso.
— Acabou NOS deixando curiosos. – disse Chad. – Acho que o Josh não dorme desde que voltou do Brasil.
Eu sentia que estava ficando vermelho e me senti ridículo.
— Soube que John adorou a música dela. Ela deve ser mesmo muito boa. – disse Flea. Olhei para Anthony e ele só sorria para mim, como quem me desafiava a tomar uma atitude que fosse.
— Tudo bem, vamos ouvir isso de uma vez.
Peguei um pen drive dentro da minha mochila e pedi para usar o notebook de Rick, que permitiu de bom grado. Ele também estava curioso.
Coloquei as gravações, que ainda soavam toscas, para tocar. Rick, Anthony, Flea e Chad escutavam com atenção. Vi Anthony franzir o cenho algumas vezes e entendi que ele devia ter achado a música um pouco estranha. Então ele olhou para mim e sorriu, dizendo com o olhar: “É estranho, mas soa lindo.”.
Uma das gravações era um solo de cinco minutos, só dela. Estávamos procurando acordes para uma letra que havíamos acabado de escrever, mas ela ficou completamente absorta na melodia e começou a solar. Flea e Rick estavam de cenho franzido, Anthony e Chad estavam de olhos arregalados.
— Quantos anos você disse que ela tem mesmo? – perguntou Rick.
— Eu não disse. – respondi, sorrindo. – Ela tem 25.
— Uau. – Flea ainda tinha o cenho franzido. — Ela soa muito como o John quando ele começou a trabalhar nos projetos solo, sem a tristeza por trás da música. E com algo a mais...
Meu sorriso era enorme. Eu concordava com Flea, mas era completamente suspeito para falar do talento de Diana. E ouvir de uma pessoa que tocou com John a vida toda que a garota tocava tão bem quanto ele, “com algo a mais”, me fazia sentir extremamente feliz e eu quase me esqueci de todos os problemas das últimas semanas.
— Ela já sabe o que vai fazer com isso? – Rick perguntou.
— Bom, tentei convencê-la a encontrar John, mas ela ficou horrorizada.
— Por quê? – Flea perguntou.
— Há uma razão para ela soar como John. Digamos que ele é o “professor” dela.
Chad deu uma risadinha.
— Tantos outros guitarristas têm o John como professor... – disse.
— Mas nenhum deles soa assim. – disse Anthony, finalmente. Sorri para ele, agradecido.
— Tem razão. – apoiou Flea. – Não é como se ela tentasse imitá-lo, embora ele a tenha influenciado. Soa natural. E com personalidade.
— Então, o que acham? – perguntei, ansioso.
Todos olharam para mim, rindo.
— Acho que nós temos um pequeno diamante aqui, Josh. – foi Rick quem respondeu.
Todos os caras pediram que eu passasse os arquivos para eles para que pudessem ouvir com atenção. Rick disse que ficou apaixonado pela voz lenta e arrastada dela, e me fez passar as gravações para o computador dele. Ele prometeu só ouvir, mas que se ela autorizasse, mostraria a mais pessoas. Estava na cara que ele queria trabalhar com ela, mas ele já sabia que John ia produzi-la.
Eu fiquei extremamente encantado com o modo com que a música de Diana tocou as pessoas naquela sala. Vi os olhos de Flea vagarem e imaginei que ele estivesse fazendo uma viagem no tempo, lembrando da primeira vez que viu John tocar em um ensaio. Mais do que nunca, essa música precisava ser ouvida. Lutei contra o impulso de ligar para ela e contar o que havia acontecido, e fiquei girando o celular nas mãos enquanto meu coração batia desesperado, implorando para que eu tomasse a decisão que ia contra o meu juízo. Quase derrubei o celular no chão quando ele começou a tocar, e atendi ansioso sem olhar o identificador de chamadas.
— Alô?
— Sabe que ouvir todo esse desespero na sua voz me corta o coração? – John ria do outro lado da linha. Bufei.
— Isso me ajuda demais, John. Obrigado. – respondi, com ironia. Ele riu.
— Preciso de um favor. Está em Los Angeles?
— Sim. O que é?
— Preciso da sua opinião a respeito de algumas músicas, mas preciso que venha até aqui, pois só quero gravá-las se estiverem realmente boas.
— Você não acha que já chegou naquele ponto da carreira em que não precisa mais se preocupar com isso? – perguntei, desconfiado.
— Certo, eu sou um péssimo mentiroso. Queria que você fizesse alguns arranjos. Sei que está ocupado com os Chili Peppers, mas prometo que é só hoje. Queria um toque seu no álbum.
Suspirei. Sentia que havia algo errado nisso, mas confiava em John.
— Tudo bem, quando quer que eu vá?
— Agora?
Eu ri.
— Tudo bem, John, estou indo até aí. Mas antes quero contar uma coisa.
Contei a ele o que havia acontecido na sala de reuniões e ele demonstrou muita alegria. Me perguntou se eu havia dito a Rick que ele já tinha interesse em produzir Diana, e eu disse que ele já imaginava. Conversamos um pouco e eu desliguei o telefone para me despedir dos caras e dizer que estava indo à casa de John. Anthony me olhou de um jeito estranho, quase conspiratório, mas ignorei. Peguei um táxi e assim que desci na propriedade de John pude ouvir.
Alguém estava tocando um violão plugado. Digo alguém, porque não era John, eu tinha certeza absoluta. A música que eu ouvia era rústica, como as do Niandra Lades And Usually Just a T-Shirt, mas soava muito mais doce. Quando a pessoa começou a cantar, notei que o vocal tinha um quê de Cat Power, Mazzy Star e Warpaint. Sorri ao me lembrar de Emily Kokal, com quem havia tocado durante um tempo. A melancolia naquela música era genuína, mas não me causava a tristeza que eu costumava sentir quando ouvia o primeiro álbum de John.
Meus músculos viraram marshmellow. Era a voz de Diana.
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