She is Only 18

11 Capítulo 11 - Hey, what would you say if I stay?


Josh’s POV.

Entrei correndo na casa de John e quase esbarrei na esposa dele, Nicole. Ouvi ela rir, provavelmente ela também já sabia de tudo. Segui o som da voz de Diana e entrei em um quarto no segundo piso. Ela estava sentada em um banco de madeira, de costas para a porta, tocando violão e cantando enquanto olhava pela janela. John estava sentado no peitoril e sorriu para mim. Ela parou de tocar e olhou para mim, mordendo o lábio.

— Josh, espero que tenha gostado da surpresa. Foi tudo ideia minha. – ele disse sorrindo, embora quase não desse para ver nada do seu sorriso. John decidiu cultivar uma barba enorme e assustadora.

Diana olhou feio para ele.

— Tudo bem, foi ideia dela. – ele se levantou e veio na minha direção para me dar um abraço. Eu não consegui me mexer. Não tirava os olhos de Diana.

— Por que não me contaram? – perguntei.

— Não achei que houvesse maneira melhor de dizer. – ela respondeu.

Ficamos os três em silêncio, e em seguida John fez menção de sair.

— Vou deixar vocês sozinhos, preciso falar com Nicole sobre um assunto muito sério bem longe daqui. – e saiu.

Ficamos nos encarando, eu ainda não conseguia me mexer. Ela colocou o violão delicadamente no pedestal e veio até mim.

— Eu ainda não te agradeci como devia por ter me trazido até aqui. Fui muito medrosa e deixei que isso me dominasse. Sinto muito, Josh. Mas ainda estou magoada por você não ter falado comigo antes. – ela parecia à beira das lágrimas. Finalmente me mexi, envolvendo-a em meus braços, inalando o cheiro do shampoo dela e sentindo uma felicidade jamais sentida antes.

— Não achei que viesse. Achei que tinha feito tudo errado. – a apertei ainda mais contra o meu peito.

— Você fez algo errado.

— Me desculpe. Se serve de alguma coisa, se eu pudesse voltar no tempo teria feito tudo diferente. Mas por que só veio agora?

— Tive que parar para considerar as minhas opções. Eu amo tudo o que tenho no Brasil, mas você me deu a chance de seguir em frente. De ser independente.

Não pude suportar mais um segundo sem beijá-la, e foi o que fiz. Ela me retribuiu com certo desespero, ambos estávamos sendo consumidos pela distância e pelo medo de perder um ao outro. Mas o perigo havia passado, ela estava em meus braços, escolheu estar comigo. Encostamos nossas testas e ficamos sorrindo um para o outro, de um jeito bobo. A abracei de novo.

— Já decidiu como vai querer fazer isso?

Ela suspirou.

— Ainda estou meio perdida, mas John tem me ajudado bastante. Não sei como tive coragem de ligar para ele e armar tudo isso, mas tive alguém muito talentoso nesse tipo de sabotagem para me ajudar. – sorri, aliviado em saber que Benjamin estava levando tudo numa boa. – Não quero estragar tudo sendo comercial demais, entende?

— Cult. – eu disse, no ouvido dela. Ela riu.

— Não é isso, Josh. Eu amo isso que estou fazendo, mas quero fazer do meu jeito e no meu tempo... – entendi que ela estava com medo de passar pelo mesmo que John passou na época do Blood Sugar Sex Magik. – John sugeriu que eu lançasse um álbum solo, mas estou com medo.

— Diana. – eu comecei, soltando-a para poder olhá-la nos olhos. – Pare de pensar nos outros. Quando você começa a tocar, é só a música e você, não é?

— Sim, mas...

— Então é nisso que você tem que focar. – eu a interrompi. Ela sorriu torto para mim.

— Então, quais são as novidades?

Contei a ela sobre o episódio da escolha do nome do álbum e ela me xingou quando contei o nome a ela. Ela não queria que eu estragasse a surpresa. Contei também sobre a reação dos caras ao ouvir a música dela e ela ficou pasma.

— Não acredito que você fez isso. – ela me censurou.

— Achei que já tínhamos superado isso. – eu a censurei de volta, e ela riu. – Acho provável que eles queiram vê-la tocar também.

Ela resmungou e eu sorri. De qualquer forma, ela parecia estar absorvendo tudo de modo muito mais natural.

— Então você vai ficar? – perguntei.

— Bom, sim. Mas John está focado no trabalho dele, então por enquanto vou trabalhar nas minhas músicas sozinha. E... – ela começou, os olhos brilhando. – Dá para acreditar que ele me pediu para participar do álbum dele?

Eu sorri e a abracei novamente.

— Viu só? Você já conseguiu até tomar o meu lugar.

Ela me deu um empurrão de leve, rindo.

— Obrigada, Josh.

Nos beijamos de novo, e ali ficamos por um tempo que eu não fui capaz de determinar. John só voltou quando Diana e eu começamos a tocar, ela me mostrou o material que já tinha feito com ele. Descobri que ela já estava na casa dele há uma semana, e muita coisa já havia sido criada. Só precisávamos trabalhar nos detalhes.

Meses se passaram e enfim, agosto chegou. Nosso álbum seria lançado e estávamos tocando os primeiros shows. Diana estava sempre comigo, me dando apoio, me encorajando, assim como Anthony fazia. Por sinal, ela e Anthony tinham ficado muito amigos. Ele a havia adotado como uma espécie de irmã mais nova e ele foi a primeira pessoa com quem ela se abriu a respeito de como ela se sentia pela família dela. Flea também a havia adorado, e gostava muito de tocar com ela. Rick Rubin ainda sonhava em produzi-la, e tentava convencer John a deixá-lo trabalhar no projeto com ele.

Combinamos que Diana não viria comigo nas turnês, não em todos os shows. Ela me prometeu que estaria em todos os shows dos EUA, mas tinha que ficar, pois ainda estava trabalhando com John. Não posso dizer que fiquei realmente feliz com isso, mas um pouco de espaço seria bom para nós dois, para que pudéssemos trabalhar sem distrações. Ela já havia conhecido muitos amigos de John, e através da divulgação boca a boca já despertara a curiosidade de algumas gravadoras. Mas ela não tinha pressa. Eu desconfiava que ela ia acabar lançando o álbum por algum selo independente.

Ben veio visitá-la algumas vezes, o que me deixou preocupado no início. Mas eu entendia, ele era a família dela, afinal. E eu sabia que um dia ele encontraria aquela que seria certa para ele.

Estávamos prestes a embarcar para a Alemanha, onde faríamos um show que seria transmitido pelos cinemas para o mundo todo. Diana tinha ido ao aeroporto para se despedir de nós.

— Você vai arrasar. – ela disse, sorrindo. Sorri de volta.

— Espero que sim. Estou muito nervoso, queria que você pudesse estar lá.

— Eu sei. – ela suspirou. – Mas você só precisa de si mesmo para fazer um bom trabalho. E eu confio em você, lembra?

Sorri ao lembrar do gesto dela ao me emprestar a sua guitarra, meses atrás.

— É, acho que isso vai ser suficiente.

— E de qualquer forma, eu realmente estarei com você. Vou ao cinema ajudar a pagar o seu salário.

Anthony, que estava passando por perto na hora, ouviu o que ela havia dito.

— Leve seus amigos! – ele disse, rindo. Ela sorriu para ele.

— Vou sentir muita falta de todos vocês. Às vezes é difícil acreditar no quanto o meu círculo social se expandiu, e olha só... Sou amiga dos meus ídolos agora. – ela me lançou um olhar divertido.

— Não é como se você estivesse achando isso ruim.

Ela me deu um beliscão na mão, que ela segurava.

— Não seja bobo. Vamos, me dê um beijo. – ela ordenou e obedeci prontamente. O beijo foi longo, para compensar o tempo que ficaríamos sem nos ver.

— Me escreva. Todos os dias. E cante para mim. – pedi.

— Eu prometo, todos os dias. – ela sorriu.

A abracei forte e em seguida subi no avião. Pude vê-la afastar-se quando o avião decolou, e senti um aperto no peito. Havia me acostumado a tê-la sempre por perto, mas tínhamos que nos acostumar com essa que seria a nossa rotina por muito tempo. E eu sabia que agora ela estava bem. Estava aonde pertencia, não porque estivesse comigo, mas porque pela primeira vez ela estava vivendo do que amava. E ter o apoio de John a havia transformado em uma garota muito mais segura e confiante, e isso se refletia na música dela, potencializando o seu encanto. Ninguém ficava imune à música de Diana. Seu trabalho nem estava concluído ainda, e todos que o ouviam já queriam ter uma participação nele. Eu sabia que mais da metade dessas pessoas só desejava fazer de Diana um novo ícone musical, ganhar dinheiro e popularizá-la, mas eu sabia que ela era grandinha o suficiente para perceber isso também. Ela não precisava estar em algo grande para ser grande. Ela estava feliz como eu jamais a havia visto, e o resto, depois de tudo o que passamos para chegar aqui, seria lucro.

No fim do dia, o que deixava tudo ainda melhor?

Abrir a caixa de mensagens do celular e ler:

“I’m with you.”

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