She is Only 18

1 Capítulo 1 - Me and my friends


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem? Essa é a primeira fanfic que escrevi na vida, lá em 2011. Muita coisa mudou de lá pra cá, e mudanças sociais também influenciaram minha forma de enxergar e problematizar algumas coisas. Por esse motivo, precisei reescrever algumas partes dessa história, que hoje em dia considero inapropriadas e que não correspondiam em nada com algo que eu escreveria atualmente. O teor principal da história não mudou. Quem for novo aqui, espero que goste. Se alguém estiver voltando para reler, espero que goste também. Muito amor, Cece. x)

Diana’s POV.

Eu estava super ocupada em casa, tentando dar conta de alguns freelas. O prazo final de alguns jobs se aproximava rapidamente, mas não conseguia me concentrar nas minhas demandas. Meu caderno de desenho estava aberto nas últimas páginas, já manchadas de grafite dos desenhos anteriores. Música e desenho eram as minhas duas paixões, e quando eu não estava concentrada tocando algum instrumento, estava igualmente concentrada em algum desenho.

Mas o desenho da vez não estava sendo feito por diversão. O meu melhor amigo, Benjamin, estudava Arquitetura e às vezes eu o ajudava a desenhar algumas plantas (eu sei que isso é inteiramente desonesto e antiético, mas o que fazer quando o seu melhor amigo, apesar de ser seu melhor amigo, é um branco rico e privilegiado?). Fiz um rascunho no meu caderno de desenho, mas logo teria de passar o desenho final para o papel vegetal. Isso era bastante curioso. Eu odiava Matemática, mas por alguma razão nenhuma das plantas que desenhei teve qualquer erro de cálculo. Ben costumava brincar dizendo que eu inventava os meus próprios cálculos e dizia que era genial. Gostaria que meus antigos professores tivessem achado o mesmo.

Pensando nisso eu comecei a planejar o meu dia. Calculei o tempo que gastaria passando a planta a limpo, com a intenção de dedicar o resto do meu dia aos trabalhos pendentes. Já estava procrastinando os meus afazeres para ajudar o Benjamin, mas eu não o culpava. Eu era cem por cento voluntária e procrastinava em toda oportunidade que tinha, já que descobri um pouco tarde demais que publicidade não era exatamente a minha praia. Já estava começando a passar a planta para o papel vegetal quando o telefone tocou. Gemi de desgosto, eu já sabia quem era. Fui atender.

— Benjamin, eu sei que você precisa desse trabalho pronto, tipo, LOGO, mas lembre-se que o que estou prestando aqui é um favor. Que, pensando melhor, acho que vou cobrar porque é tipo, o mínimo.

Ouvi um suspiro do outro lado da linha.

— Eu sei, Diana. Mas te conhecendo como eu conheço, sei que a essa altura você já deve estar passando a planta a limpo. Então, sem pressão, quando você terminar poderia trazer aqui na UFRJ? – ele fez aquela vozinha de criança pedindo presente de Natal. Suspirei.

— Você está brincando, né?

— Desculpe, Di, mas é que dessa vez o trabalho é em grupo e os meus colegas ficaram inseguros quando souberam que outra pessoa estava desenhando a planta. Eles querem estar certos de que o trabalho está bem feito antes que seja entregue.

— Ah, sim, seus colegas super privilegiados que não precisam levantar um dedo pra nada? Saquei.

Revirei os olhos. Eu sabia que aquilo era uma desculpa esfarrapada para me atrair até lá, mas a minha curiosidade me venceu. Fingi que comprava a desculpa dele e ele fingiu que acreditava que eu era ingênua o bastante para ir até lá, nos despedimos e fui terminar a planta. Por sorte não era um trabalho longo e eu era bastante ágil. Às onze da manhã já estava me preparando para ir até o Fundão.

Benjamin e eu éramos amigos há aproximadamente dois anos. Ele é o filho mais novo de um ex-namorado da minha mãe, que ela não via há mais de 15 anos. Apesar de ele e eu termos praticamente a mesma idade (eu, 25 e ele, 27), não tínhamos exatamente muito em comum a não ser a música. No entanto, isso foi o bastante para que nos tornássemos melhores amigos. Eu estava aprendendo a tocar guitarra na época e ele tocava baixo. Nos reunimos algumas vezes com seu irmão mais velho, Daniel, para alguns ensaios. Daniel tocava bateria e percussão e Ben e eu revezávamos os vocais.

Tínhamos uma grande paixão em comum. Nós dois éramos fãs incondicionais do Red Hot Chili Peppers, e os músicos que já passaram pela banda (que por sinal, não eram poucos) eram considerados por nós dois nossas maiores influências. Obviamente, Flea era a maior inspiração para Ben, enquanto na época o meu mentor era John Frusciante. Futuramente, à medida em que ia aprendendo a tocar mais instrumentos, fui adotando novos mentores. Estudávamos música com afinco, embora eu sempre fosse mais dedicada que Ben. Frequentemente Daniel participava dos nossos ensaios e ele era incrivelmente talentoso, mas não compartilhava da nossa paixão. Dava para notar quando ele tocava. Ele não era exatamente intuitivo, fazia o que tinha que fazer, deixando para Ben toda a alma da música. Eu tocava com paixão, mas ainda era uma mera aprendiz.

Mas ainda não contei o principal a respeito do Benjamin. O fato é que ele tinha nascido nos EUA e cresceu em Los Angeles. Veio para o Brasil com o pai na época em que nos conhecemos, e eu sempre fazia brincadeiras bobas a respeito do sotaque carregado dele. Ele tinha me contado que já havia participado de muitas bandas em L.A. e tocava por pura diversão. E ele tinha um amigo lá, inseparável, segundo ele. Segundo Ben, seu amigo já tinha certo reconhecimento no cenário musical americano. Como ele nunca disse o nome do amigo e nem fez questão de me mostrar nenhuma música dele, não fiquei muito curiosa a respeito, embora sentisse que Benjamin esperasse que eu fosse perguntar alguma coisa. Nunca perguntei.

O pai dele voltou para Los Angeles enquanto Benjamin e Daniel escolheram ficar no Brasil. Morávamos no mesmo prédio na cidade do Rio de Janeiro que, segundo os irmãos, os havia conquistado desde o primeiro momento. Eu morava sozinha, embora passasse mais tempo na casa deles do que na minha. E perdia muito tempo precioso (que poderia ser dedicado ao meu trabalho) em pequenos ensaios que fazíamos em um estúdio ali perto. Daniel não era músico, mas nos apoiava completamente no que fazíamos, mesmo sabendo que jamais íamos querer fazer música como meio de gerar renda. Ele comprou uma casa para nós na Barra da Tijuca, grande demais para ser usada apenas para nossos ensaios. Mas aceitamos e transferimos os ensaios para lá. Montamos um estúdio no segundo piso, aonde deveria existir uma sala, e todos os instrumentos ficavam lá. Exceto a minha guitarra. Eu me sentia mal quando eu a deixava longe de mim. Então ela ficava comigo, no meu apartamento.

Depois de uma longa viagem de ônibus (eu ainda não tinha juntado dinheiro suficiente para um carro e não tinha coragem de encarar o trânsito do Rio), cheguei ao Fundão. Entrei no campus bufando e preparando um discurso fulminante para fazer Ben se sentir culpado por me obrigar a me deslocar para tão longe. Estava extremamente distraída pensando nisso, com os ouvidos completamente tapados com os fones e ouvindo música alta quando finalmente cheguei ao prédio em que Ben estava.

Encontrei algumas pessoas conhecidas, não era a primeira vez que ele abusava da minha boa vontade e me fazia entregar algum trabalho dele lá. Caminhava distraída quando dedos longos seguraram meu braço com força. Indignada, puxei os fones de ouvido preparando para dizer desaforos ao desconhecido abusado, mas parei de boca aberta quando vi de quem se tratava.

Eu conhecia aquele rosto bem demais.

E de repente muitas coisas começaram a se encaixar.