She Wolf
29 Trapped
Capitulo 29 – Trapped
Belle encarou seu rosto diante do espelho, abriu a torneira e, enquanto a agua escorria, lavou o seu rosto com a intenção de, enfim, despertar. Era quase madrugada, não se ouvia um barulho sequer e ela tinha acabado de acordar de um pesadelo. O mesmo pesadelo de sempre, que cada vez ficava mais intenso e mais difícil de despertar do mesmo.
Seus dedos foram de encontro a pequena mancha em seu pescoço, quase que imperceptível agora, mas que semana passava era grande o suficiente para ser notada, devido a uma mordida que Ruby havia dado. Não doía mais agora, mas ver aquela pequena mancha, mesmo que só ela pudesse nota-la, incomodava Belle de alguma forma.
Ela respirou fundo, lavou novamente o rosto e desligou a torneira e voltou para o quarto, onde Ruby dormia tranquilamente. Ela se sentou na ponta do colchão olhando para seu lado da cama, completamente molhado devido ao suor, pois ela sempre transpirava durante seus pesadelos e jamais era capaz de despertar durante ele. Estava ficando cada vez pior e ela não sabia mais o que fazer, porém, não tocava nesse assunto com Ruby, com medo de preocupa-la. Porém, ela sabia que na medida em que tais pesadelos aumentavam, uma hora ela não mais conseguiria esconde-los.
“Acordada de novo?” Ruby perguntou, fazendo com Belle desse um sobressalto e a encarasse. Belle forçou um sorriso e a morena se sentou e se arrastou na cama em direção a namorada. “Você pensa que eu não noto?” Ela perguntou, tocando gentilmente nos cabelos de Belle e descendo até seu rosto. “Que você acorda sempre na mesma hora, sempre assustada e depois passa horas tentando não dormir novamente?”
Belle ignorou a pergunta e suspirou profundamente, ela não queria preocupar Ruby, pois ela mesma não sabia o que estava acontecendo e além do mais, Ruby não poderia ajuda-la. Ruby a abraçou e a trouxe para junto de si, permitindo que a garota deitasse sua cabeça sobre seu peito. Belle fechou os olhos, inalou o perfume de Ruby e sentiu quando ela beijou sua testa e ouviu quando ela disse que era seguro voltar a dormir agora, pois ela zelaria seu sono.
Mesmo incerta de que Ruby fosse capaz de fazer o que disse, Belle se permitiu dormir novamente, sabendo que corria o risco de novamente ter outro pesadelo. Ruby deitou-se na cama junto dela, a trouxe o mais perto que pôde junto ao seu corpo e a beijou uma última vez, antes de repetir para ela que era seguro voltar a dormir.
De fato, pela primeira vez em uma semana, Belle conseguiu voltar a dormir depois de despertar de um pesadelo e na manhã, quando acordou, ela se encontrou sozinha e descobriu, pelo relógio do criado-mudo, que já havia passado da hora do café da manhã. Ela bufou frustrada, pois estava atrasada para abrir a biblioteca, mas antes que ela pudesse se levantar, ela encontrou então uma bandeja no começo da cama, com um belíssimo café da manhã e um bilhete escrito a mão. Ela reconheceu rapidamente a letra, que era de Ruby e que dizia o seguinte:
“Querida, eu preparei seu café e trouxe para você, não quis te acordar, você estava tão linda dormindo e eu sei o quanto essas noites foram difíceis para você. Eu vou ficar no seu lugar hoje na biblioteca, então, eu sugiro que você saia um pouco de casa depois que acordar, faça algo novo, sei lá, talvez isso tire da sua cabeça o que de fato estiver te incomodando. Conversamos na hora do almoço, espero que tenha uma ótima manhã. Te amo.”
Belle sorriu para si mesma, dobrou o bilhete e começou a comer seu café da manhã, enquanto pensava no que iria fazer com o seu resto da sua manhã. Uma vez terminado o café, ela tomou um banho, se arrumou e saiu pelas ruas de Storybrooke, sem saber ao certo o que iria fazer, mas gostando de poder andar sozinha por algum tempo. Não que ela não gostasse de estar sempre acompanhada, ela amava, mas ter um tempo para ela mesma, era ótimo também, então, ela decidiu explorar a cidade um pouco e não percebeu quando se encontrava no píer e ao longe, notou Rumple, que estava acompanhado por Selene.
Ela ficou parada alguns instantes, observando os dois de longe, notando o quanto eles pareciam estar se dando bem um com o outro. Ela sorriu para si mesma, abaixou o olhar por um instante e deu meia volta, não notando que Selene e Rumple a haviam avistado.
“Pergunto-me por quanto tempo você vai ignora-la” Rumple disse, olhando para Selene, que estava visivelmente afetada por ver Belle. “Quer dizer.” Ele continuou a falar. “Você não pode ignorar para sempre o que você sente, não é mesmo? Se você sente dentro de você essa necessidade de falar com ela, eu sinceramente não acho que você deva ignorar esse sentimento” Ele continuou e ouviu a garota suspirar, enquanto observava Belle ser perdida de vista.
“O que eu diria a ela?” Selene perguntou, sem conseguir controlar a tristeza em sua voz.
“Não diga nada. Eu sei que você sente que ela não é sua filha, mas você sente que vocês duas ainda tem essa conexão, não a quebre agora, principalmente por que estamos cada vez mais perto da Lua Cheia.” Ele completou, ela o encarou por alguns segundos e concordou silenciosamente, os dois sabiam o que significava a chegada dessa Lua e sabiam também, que para Selene não haveria mais outra Lua, além dessa.
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Ele a levou até a biblioteca, logo depois do almoço e Selene encontrou Belle debruçada diante de um livro, com um sorriso nos lábios, enquanto lia-o. Selene hesitou, mas só por alguns segundos, ela se virou para encarar o carro de Rumple, que agora se distanciava e voltou sua atenção para Belle, que enfim a havia notado.
“Selene...” Belle disse, com um espanto explicito em sua voz. A garota sorriu e se aproximou, enquanto tentava ignorar o nervosismo. “É uma surpresa te ver aqui, ficou entediada com o mundo real?” Belle perguntou e Selene soltou uma risada abafada.
“É, eu acho que sim. Eu tenho dificuldades pra dormir e então pensei que eu poderia escolher algum livro, quem sabe isso me ajudaria a relaxar mais antes de ir pra cama.” Ela respondeu, Belle assentiu satisfeita e pediu que ela a seguisse.
As duas caminharam até as prateleiras, Belle começou a perguntar para Selene quais eram seus tipos de livros favoritos e a garota não soube responder. Belle riu do silencio dela e as duas pararam diante de uma prateleira de livros sobre ficção cientifica.
“Talvez alguns desses?” Belle sugeriu, entregando um livro aleatório para Selene, que o segurou em suas mãos, observou a capa e franziu o cenho antes de perguntar sobre o que se tratava. “Ah bem, futuros alternativos, robôs, eu sinceramente nunca li.”
“Parece algo que Henry iria gostar.” Ela respondeu, devolvendo o livro, enquanto as duas voltavam a caminhar por mais outra prateleira.
“Você deve gostar de algum tipo de história, todos gostam, mesmo que não tenhamos o habito da leitura, sempre tem um tipo que nos saltam os olhos.” Belle disse, parando de súbito diante de Selene, que já não mais prestava atenção no que a garota estava dizendo e sim em seu rosto, no quanto ela estava bonita agora e no quanto ela estava crescida.
Ela era apenas um bebê quando Selene abriu mão dela, mesmo sabendo que era o melhor para sua filha, ainda assim ela sofreu com esse abandono, mas vê-la diante de si, tão crescida e tão bonita e acima de tudo, feliz, lhe dava uma certeza de que todos seus erros do passado de alguma forma se acertavam no fim. Esse pensamento a acalmou. Ela sorriu para Belle, que não entendeu bem o motivo pelos quais havia lagrimas em seus olhos, mas sorriu de volta e olhou para o lado, onde havia um livro de poesias.
“Talvez poesia?” Ela perguntou, entregando o livro pra Selene, que observou sua capa e sorriu para si mesma ao ler quem era a autora do livro.
“Safo de Lesbos.” Selene leu em voz alta, sorrindo para si mesma, enquanto folheava o livro.
“Bem, por que não começar com os clássicos, não é mesmo?” Belle perguntou, rindo, antes de continuar a falar. “É uma pena que só existam fragmentos dos seus poemas, imaginem eles por completos?”
“É, eles eram perfeitos. Ela foi uma figura e tanto, nós adorávamos ouvi-la.” Ela continuou e engoliu suas próprias palavras antes que soltasse algo que não deveriam.
“Quando você diz vocês, você está se referindo as estrelas?” Perguntou Belle e Selene sorriu para e assentiu, pois não poderia e não queria, revelar para ela que na verdade, ela estava se referindo aos deuses do Olimpo. “Deve ser incrível ser uma estrela, ver o mundo inteiro, o universo inteiro...” Belle continuou, enquanto se imaginava sendo uma estrela. “Agora não é um pouco triste saber que as estrelas que brilham na verdade estão mortas há milhares de anos? Mas eu acho que é para isso que as estrelas nascem não é mesmo, para brilharem?”
“É, você está certa...” Selene respondeu, sentindo uma tristeza controlando seus pensamentos.
“Você alguma vez já brilhou?” Belle perguntou e Selene negou com a cabeça, Belle pôde notar a tristeza em seus olhos. “Mas você irá, não é mesmo? Você vai brilhar, é por isso que você está aqui em Storybrooke? É por isso que Regina vai adotar seu bebê?” Belle se calou e pediu desculpas pelas inúmeras perguntas, Selene apenas sorriu.
“É, é por isso Belle.” Ela respondeu, tentando dar seu melhor sorriso.
“Depois que o bebê nascer, você vai embora?” Ela continuou e sentiu sua voz ficar pausada e carregada de uma tristeza. Ela não conhecia Selene, mas havia algo nela que a cativava e ela não gostava da ideia de ela ter que ir embora.
“Não se preocupe, você sempre poderá me ver quando chegar a noite.” Selene respondeu.
“Você vai me olhar de volta?”
“Sempre.” Selene respondeu e Belle sorriu para ela, sem imaginar o quanto essa simples frase viera dotada de uma força e ocultava uma promessa de que Selene sempre cuidaria dela, não importando aonde ela estivesse.
No dia seguinte, depois do almoço e antes que ela tivesse que voltar para a mansão, ela passou na biblioteca e as horas seguintes foram resumidas em conversas animadas com Belle, sobre livros, historias antigas ou coisas casuais. Estar ao lado de Belle era tão reconfortante quanto estar ao lado de Rumple e aos poucos Selene já não mais se preocupava com o futuro, pois Belle lhe dava uma certeza de que tudo ficaria bem no final, mas ela estava errada...
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Ruby acordou, olhou para o lado e encontrou a cama vazia, ela podia ouvir o barulho do chuveiro e imaginou então que Belle estaria ali. Ela se levantou, não pediu licença antes de abrir a porta do banheiro e observou por alguns segundos a silhueta perfeita do corpo de Belle. Ela sorriu para si mesma, sentiu seu corpo ser controlado por aquele calor que apenas Belle conseguia causar.
Ela molhou seu rosto, não demorou para tirar o pijama que usava e deixou sua lingerie pelo caminho. Em seguida, ela se virou para o chuveiro e abriu a cortina, encontrando Belle toda molhada, a encarando com olhos penetrantes e distantes, por um segundo, Ruby quase não a reconheceu, mas foi uma sensação rápida que durou alguns segundos, pois no instante seguinte, Belle a puxou para junto de si e agora a beijava com uma intensidade e desejo, como se nunca a tivesse beijado antes.
Seus corpos molhados colados um ao outro e suas bocas quentes que ansiavam em experimentar cada gosto distinto de seus corpos. Belle se ajoelhou diante dela, de modo a fazer Ruby se apoiar na parede com uma de suas mãos, Belle a fez gemer alto e clamar pelo seu nome e não demorou para que Ruby perdesse sua estabilidade assim que chegou em seu clímax. Ela estava exausta e jamais havia visto Belle tão selvagem assim, que não esperou com que ela se recuperasse e a ajudou a se levantar e caminhar até a cama, onde então, Belle explorou cada centímetro daquele corpo.
Ruby perdeu a noção do tempo e quando enfim o sexo acabou, ela se encontrava sem folego, de modo que nada conseguia dizer enquanto tentava recuperar o seu folego. Belle se deitou ao seu lado, apoiando-se em seu cotovelo e observando a morena respirar, enquanto passava a ponta de seus dedos pelo seu corpo completamente suado. Ela parou o dedo bico do seio endurecido de Ruby e brincou com ele alguns segundos, antes de enfim sugá-lo com seus lábios.
“Belle, eu estou exausta.” Ruby disse com dificuldade, contendo um gemido, quando Belle começou a beijar seu pescoço e agora descia com as mãos até o meio de suas pernas, mas Belle não parou e antes que ela tivesse a chance de introduzir seus dedos em Ruby, a morena a impediu e a empurrou delicadamente, a fim de ver seu rosto.
O que ela viu foi uma Belle completamente diferente. Seus olhos completamente vermelhos e seu rosto ligeiramente modificado, como se os traços que antes lhe eram tão característicos houvessem se distorcido a fim de criar outro ser.
“Belle?” Perguntou Ruby, deixando o medo visível em sua voz, a garota a sua frente, que não mais lhe lembrava Belle ou mesmo um humano sequer, sorriu, um sorriso aterrorizador e macabro e inclinou a cabeça para o lado, enquanto seu olhar percorria pelo corpo de Ruby, como se tivesse prestes a devora-lo.
“Não.” Respondeu Belle, deixando claro em sua voz levemente grossa e carregada por um leve tremor. Ruby a afastou por completo, a encarou com o olhar assustado e estava prestes a gritar, mas Belle, ou quem quer que fosse, se aproximou com uma velocidade sobrenatural e a agarrou pelo pescoço a pressionando contra a parede.
“Quem é você?” Perguntou Ruby, enquanto sentia seu pescoço ser esmagado pelas mãos de sua amada, não houve resposta, aqueles olhos vermelhos que mais lembravam os olhos de um demônio a encarou fixamente, enquanto observava Ruby desmaiar para enfim solta-la e encarar o corpo desacordado.
Ela olhou ao redor do quarto e caminhou em direção ao guarda roupa, bagunçando tudo até encontrar o que estava procurando. Lá estava ele, o pequeno frasquinho que Regina havia dado a Ruby e que agora jamais seria usado, ela sorriu satisfeita, despejou o liquido no chão e olhou para Ruby uma última vez.
“Eu sou seu pior pesadelo.” Respondeu o demônio, que havia possuído o corpo de Belle. “E agora, você será a arma que eu preciso.”
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