She Wolf
32 The Devil Inside
Capítulo 32 – The Devil Inside
Emma e Regina estavam sentadas próximas a um lago, havia uma toalha quadriculada esticada sobre o chão e ali elas passaram algumas horas daquela manhã. Essa última semana havia sido um caos, a mansão estava sempre cheia e rara foram as vezes que elas tiveram a chance de estarem a sós. Regina não havia notado, até então, o quanto ela sentia falta de ficar a sós com Emma. Ela sentia falta de cada pequeno momento delas duas e estava muito surpresa por descobrir que Emma havia preparado um piquenique perfeito para elas.
“Eu vou ser sincera com você.” Ela começou a dizer, assim que Emma a serviu de outra taça de suco de uva. “Eu estava esperando batatas fritas, donuts e até mesmo alguns hambúrgueres.” Completou a prefeita, enquanto mordiscava um pequeno sanduiche, que uma vez ela duvidou que Emma soubesse da existência.
“Não vou mentir para você, eu cheguei a pensar nesses itens, mas Henry me ajudou na escolha do cardápio.”
“Eu imaginei que você teria de fato uma ajudinha.” Regina respondeu, pegando rapidamente seu celular para ver se havia alguma chamada perdida. Emma revirou os olhos em frustração, pois era a quinta vez que Regina olhava seu celular e isso já estava tirando-a do sério.
“Eu sei que é pedir muito e eu sei que você tem suas preocupações, acredite, eu também tenho, mas Henry e Selene estão bem. Então, talvez você pudesse desligar o celular por algumas horas, que tal? Nós teríamos algumas horas para nós duas. Sem ligações, sem dramas urgentes, sem reuniões. Só nós duas. O que acha?” Sugeriu Emma, com um sorriso enorme no rosto e com um olhar que era digno de pena. Regina encarou seu celular por alguns segundos, antes de enfim desliga-lo e se aproximar de Emma, puxando-a para um beijo.
“Eu gosto desse plano.” Regina respondeu, seus lábios bem próximos ao de Emma, formando um sorriso provocador. “Mas eu gostaria de adicionar mais algumas coisas a ele, se você me permite.” Continuou, seu tom de voz baixo, carregado de segundas intenções. Seu olhar percorreu os lábios de Emma, que estavam se segurando para não a beijar ali mesmo e fazer amor com ela sobre aquela toalha quadriculada.
“O que você quiser, minha Rainha.” Respondeu a loira, Regina, por sua vez, beijou o pescoço dela, subindo até seus lábios, para enfim responde-la, mas não com palavras.
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Entrar na pequena cabana de Rumple, que ficava no meio da floresta, não havia sido difícil, principalmente levando em conta que a chave da mesma se encontrava debaixo do capacho. Era uma pequena cabana de um andar, onde havia apenas um quarto e no térreo havia uma pequena sala e cozinha que eram separados apenas pelos moveis antigos de madeira que dava certa sofisticação para a pequena cabana.
Emma e Regina não prestaram atenção a nenhum dos objetos ou moveis e não perderam tempo em subir as escadas da cabana que davam acesso ao primeiro andar, onde elas se jogaram na cama com dossel e fizeram amor pelo resto da tarde.
Emma foi a primeira acordar, havia aquele sol de tarde invadindo a janela, que não incomodava em nada, mas denunciava que o crepúsculo já estava ali e que a noite chegaria em breve. Ela bufou, frustrada, acariciou Regina que estava deitada em seu peito e recebeu um resmungo em resposta.
“Acho que esse deveria ser nosso pequeno esconderijo de agora em diante.” Disse Emma, se virando de modo deitar Regina do outro lado da cama, a fim de acorda-la.
Regina a encarou por alguns segundos, seu olhar era sonolento, mas sua mente estava bem atenta ao que estava acontecendo, ela assentiu em resposta e puxou Emma para junto de si.
“Eu concordo.” Disse ela. “Além do mais, eu aposto que Rumple adoraria saber que sua cabana está sendo usada para um ninho de amor.” Continuou a dizer, fazendo Emma rir. “Eu estou morrendo de fome, será que ainda sobrou algum daqueles sanduiches?”
“Eu acho que sim. Eu vou preparar algo para nós duas, enquanto você se arruma.” Ela respondeu, se inclinando para beijar os lábios de Regina antes de se levantar.
Emma observou Regina se levantar e ir até o banheiro, colocou suas calças jeans e desceu as escadas para preparar um sanduiche para as duas. Enquanto ela preparava os sanduiches, um barulho chamou sua atenção. Era um barulho distante, vindo de uma porta, que ela deduziu ser a do porão, de modo que instantaneamente ela se lembrou do aviso de Belle e ignorou o barulho.
Ela subiu as escadas, com uma bandeja em suas mãos, onde encontrou Regina a esperando. Elas permaneceram ali por algum tempo, até que a tarde finalmente acabou e Regina avisou a Emma que era hora de partir. A loira ainda estava bem frustrada, mas sabia bem que não tinha como discutir com a morena, de modo que se dirigiu para um banho rápido, enquanto Regina ficou responsável por arrumar a bagunça da cabana.
Assim que Emma saiu do banheiro, ela encontrou Regina, parada próxima a porta do quarto, com um semblante sério. Ela não teve a chance de questioná-la, simplesmente a seguiu escada a baixo e se viu descendo as escadas do porão, onde elas encontraram Ruby, desacordada, completamente amarrada a correntes de ferro e amordaçada.
“Ela está viva?” Perguntou Emma, enquanto Regina se ajoelhava diante da garota.
Regina assentiu e usou sua magia para solta-la das correntes. Emma se ajoelhou diante das duas, enquanto a morena apoiava a cabeça de Ruby sobre o seu colo. Emma olhou para a Regina, tentando entender o que estava acontecendo. A garota desacordada tinha os pulsos completamente marcados pelas correntes, Emma ajudou a tirar a mordaça de sua boca, enquanto Regina olhava ao redor.
“Acredito que ela tenha tentado chamar nossa atenção antes.” Disse Emma, lembrando-se dos barulhos que havia escutado. “O que você acha que aconteceu? Por que ela estaria aqui?” Ela continuou a dizer e Regina sabia bem a resposta e se levantou, colocando a cabeça da garota delicadamente no chão e deixando-a sozinha com Emma. Regina procurou seu celular, ligando-a logo em seguida e esperando ser atendida do outro lado da linha.
“Nós temos um problema.” Disse Regina, assim que Rumple a atendeu.
“O que aconteceu?” Rumple perguntou, tentando controlar seu tom de voz preocupado, pois ele estava na mansão de Regina e não queria preocupar Selene.
“Nós nos preocupamos com a pessoa errada. Nós encontramos Ruby presa em uma cabana e havíamos encontrado Belle mais cedo.” Ela disse, voltando para o porão, onde Ruby despertava aos poucos. Ela estava bem desidratada e confusa, Regina se ajoelhou diante dela. “Há algo errado com Belle, não é mesmo?” Regina perguntou para a garota.
Ruby assentiu e encostou seu corpo contra o de Emma, que estava muito confusa com o que estava acontecendo, mas não ousou fazer uma pergunta sequer.
“Você sabe o que ela tem em mente?” Ruby perguntou com certa dificuldade e Regina, que ainda tinha o celular junto ao ouvido, esperou por uma resposta de Rumple.
“Se ele possuiu o corpo de Belle, nós temos alguma vantagem.” Rumple respondeu, ele havia se afastado de Selene e Henry, que estavam na cozinha preparando alguns cookies. “Ela é humana e mesmo possuída não terá poder algum, além de uma força sobrenatural. Não se preocupe, nós vamos achar uma forma de protege-la. Onde vocês estão agora?”
“Nós conseguimos chegar ai em meia hora.” Regina respondeu. “Rumple, Belle sabe que Selene mora comigo. Há alguma chance de Marōn ter acesso as memorias dela?”
“Provavelmente, mas ainda assim o anel funcionará. Ele será incapaz de ver ou sentir a presença de Selene. Ela está a salvo aqui.”
“Quanto a Henry?”
“Nada acontecerá a seu filho, Regina. Venham o mais rápido que puderem, nós precisamos lutar juntos contra o demônio.” Ele respondeu, desligando o celular e se aproximando novamente de Henry e Selene, dando seu melhor sorriso para que nenhum deles percebesse o quanto ele estava nervoso.
“Eu vou precisar ir embora. Regina me ligou e está a caminho.” Disse Rumple. “Poderia me acompanhar até a porta, Henry?” Continuou e o garoto rapidamente assentiu e os dois seguiram até a porta de entrada da mansão, onde Rumple se ajoelhou diante do garoto. “Eu quero que você preste atenção no que eu vou te dizer agora, tudo bem?” Perguntou o homem, Henry assentiu, sem fazer nenhuma pergunta, pois a voz séria do homem deixava clara a urgência do que ele ouviria a seguir. “Belle provavelmente virá até aqui e você não deixará Selene atender a porta ou vê-la, ok? Se Belle perguntar por Selene, você dirá a ela que Selene saiu comigo e que estamos no meu antiquário, promete que fará isso?” Henry assentiu e o homem se endireitou. “É muito importante que você deixe claro a Belle que você está sozinho. Não a deixe entrar, não se mostre nervoso, não deixe que ela perceba que você está acompanhado, pode fazer isso?”
“Posso sim.” Respondeu Henry, que não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas sentia a responsabilidade de tal pedido.
Ele observou Rumple desparecer diante de seus olhos, sem a necessidade de sair pela porta e antes que ele tivesse a chance de voltar para a cozinha, a campainha tocou. O garoto rapidamente abriu a porta e se deparou com Belle, com um sorriso sinistro em seus lábios e um par de óculos escuros em seu rosto.
“Olá, garoto.” Disse Belle, em uma voz que Henry não reconheceu, mas que resolveu apenas bancar o ator e responder com toda educação que tinha.
“Oi, Belle, que surpresa você aqui.” Ele respondeu, criando uma barreira com o braço entre a porta e o batente, impedindo-a de entrar ou ver algo além do saguão de entrada.
“Selene está?” Perguntou Belle, ainda com aquele sorriso, que agora fazia Henry sentir um arrepio pela espinha.
“Não. Ela geralmente passa a manhã com Rumple.” O garoto prontamente respondeu.
“Você está sozinho na mansão?” Perguntou Belle, tentando olhar por cima do ombro do garoto.
“Eu estou agora, pois meu avô teve que ir comprar manteiga, estávamos fazendo alguns cookies e a nossa acabou.” Ele respondeu e pareceu ser o suficiente para Belle, que deu meia volta assim que Henry insistiu que Rumple havia passado mais cedo e levado Selene para o antiquário.
Henry observou a garota caminhar até a saída da mansão e assim que não podia mais vê-la, fechou a porta atrás de si e ao se virar, encontrou Selene para no corredor.
“Quem era?” Perguntou Selene e Henry deu de ombros, respondendo a primeira coisa que veio a sua cabeça, pois algo dentro de si dizia que ele deveria mentir.
“Era o Marcos procurando minha mãe, algo sobre um móvel que ela pediu para reformar e que enfim ficou pronto.”
“Oh, entendo.” Respondeu Selene. “Bem, é hora de colocar os biscoitos no forno. É uma pena que Rumple não tenha esperado para nos ajudar.” Ela continuou e acompanhou o garoto de volta para a cozinha.
Longe dali, na avenida principal, Rumple esperava ansiosamente para enfim se reencontrar com Marōn. Um silencio tomava conta do antiquário, apenas as engrenagens de um relógio de parede eram ouvidas, parecia que até mesmo a respiração de Rumple estava sendo contida.
O homem encarava fixamente a porta, esperando-a se abrir, para que então ele pudesse encarar a mulher que um dia amou e ver que em seus olhos havia um demônio. Um demônio que ele mesmo havia criado, a partir de sangue de inúmeros de inocentes, apenas para que um dia seu filho pudesse voltar para ele.
Tudo isso graças a um livro que ele havia seguido e que jamais havia deixado claro como esse reencontro aconteceria, mas ainda assim foi seguido a cegas, sem imaginar ou se importar com as consequências de seus atos.
Agora, porém, ele temia tais consequências, temia o demônio, que uma vez ele chegou a dominar usando apenas uma de suas mãos. Porém, naquele tempo, Rumple não tinha fraqueza alguma e o demônio era apenas um ser insignificante fácil de dominar e controlar, mas agora Rumple tinha inúmeras fraquezas e muito a perder.
O sino da porta tocou, anunciando a chegada do visitante tão esperado. Rumple elevou o olhar para o corpo de Belle que caminhava em sua direção. Havia uma forma torta em seu andar, era como se ela se quebrasse enquanto caminhava, como se seus ombros e suas pernas já não mais pertencessem ao seu corpo.
“Onde ela está?” Perguntou o demônio, que não sentia mais a necessidade de se esconder.
“Não creio que isso seja da sua conta. Seus negócios com Selene já acabaram, Marōn. Agora você está de volta aqui, de volta com seu criador e pronto para ser definitivamente destruído.” Rumple disse, sua voz carregada de confiança que se desvaneceram assim que o demônio soltou uma risada diabólica.
“Meus negócios com Selene acabarão quando aquele corpo e mente forem totalmente meus.” Ele disse. “Uma vez eu a tendo em minhas mãos, eu terei o mundo sob os meus pés. E você, oh pobre criador...” Ele continuou a dizer, soltando aquela risada debochada, enquanto seus olhos vermelhos penetravam Rumple. “Você se igualará a um verme e se rastejará sob os meus pés. Não se gabe de suas conquistas, elas em breve serão pó, assim como a sua mísera existência.” Concluiu ele. “Agora seja um criador bonzinho e faça as vontades de sua criatura. Traga Selene até mim.”
“Eu jamais te ajudaria.” Disse Rumple, mas suas palavras morreram, quando Marōn ergueu a adaga que escondia atrás de si e repetiu o pedido de segundos atrás. O olhar de Rumple foi de puro pavor, enquanto seu corpo era tomado por uma nevoa e ele se viu então na mansão de Regina, diante de Selene que não fazia ideia de que seu fim estava próximo.
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