She Wolf
33 Redemption
Capítulo 33 – Redemption
Durante o percurso da cabana até a mansão, Ruby contou a Emma e Regina tudo o que havia acontecido. Logo na mansão, elas encontraram Henry sentado no balcão da cozinha, lambendo uma colher de madeira e completamente alheio a tudo o que estava acontecendo. Ele estava sozinho e assim que questionado, respondeu a Regina que Selene havia subido para o seu quarto.
Enquanto Regina pedia para Emma lançar um feitiço de proteção na mansão, a prefeita subiu os degraus da escada, para se encontrar com Selene. Ela não chegou rápido o suficiente, pois encontrou o quarto vazio ao chegar lá. Regina não fazia ideia de que segundos antes, Rumple estivera ali, levando Selene junto consigo.
“Rumple, o que está acontecendo?” Selene perguntou, assim que eles aparataram a alguns metros do antiquário. Ele a segurava pelo braço e tinha seu olhar tomado por preocupação e desespero.
“Selene, escute bem minhas palavras e confie em mim.” Ele respondeu. “Marōn está aqui. Ele não cruzou a fronteira como imaginávamos que ele faria, nem tão pouco possuiu o corpo de Ruby. O que ele fez foi pior do que qualquer coisa, ele possuiu Belle. Eu ainda não sei como, mas ele está aqui e agora também me controla, pois ele possui a adaga consigo.” Ele continuou. “Nós não temos tempo. Eu preciso que você confie em mim e não solte minha mão.”
Ela assentiu, sentiu seu corpo tremer e suas pernas vacilar, mas confiou em Rumple com a sua própria vida. Os dois entravam no antiquário e se encontravam com Belle, encostada contra o balcão, segurando a adaga pelo cabo e brincando com a lamina.
“Onde está ela?” Perguntou o demônio, seu olhar denunciava ódio e impaciência, ela deu um passo à frente, fazendo novamente Selene hesitar.
“Eu não a encontrei.” Respondeu Rumple apertando sua mão contra a de Selene, que entendeu rapidamente que o anel ainda a estava protegendo e que Marōn não podia vê-la. “Eu acho que Regina deve tê-la levado para um lugar seguro.”
“Encontre esse tal lugar e a traga para mim!” Gritou Marōn, mais um passo à frente, em um tom de voz carregado de ódio. “Eu não quero saber como, mas eu a quero aqui, imediatamente.” Ele continuou.
“Eu acredito que isso está fora do meu controle. ” Respondeu Rumple, na maior naturalidade que pôde, se controlando para não olhar para o lado a fim de ver se Selene estava bem.
Marōn deu passos largos na direção de Rumple, ficando a centímetros de seu rosto. Belle já não possuía mais aquele rosto angelical, agora tudo o que havia sobrado nela era uma aparência demoníaca que conseguia fazer até o próprio Senhor das Trevas hesitar.
“Eu tenho você nas minhas mãos, Rumple.” Disse Marōn, calmamente, como se Rumple fosse incapaz de entender o que estava acontecendo na sua frente. “E agora, eu fico pensando que eu não só te tenho em minhas mãos, como eu posso te ter por completo, não é mesmo? Se eu te matar com essa adaga, eu terei seus poderes, terei sua vida...”
“Você não iria querer isso.”
Em resposta a essa afirmação Marōn soltou uma risada longa e se afastou alguns centímetros, Rumple olhou ao redor e Selene acompanhou seu olhar, entendendo que Rumple tinha algum plano em sua mente.
“Quem não iria querer isso é essa cidade. Eu entendo que fora dessa fronteira você não tem nenhum poder, dessa forma, eu também não teria, mas bem, não podemos ter tudo, não é mesmo? Eu preferia começar do zero, uma cidade de cada vez e depois o mundo inteiro, do que desperdiçar mais meu tempo na busca por essa deusa que até agora não me levou a lugar nenhum. Eu cansei de ter paciência, Rumple.” Ele respondeu e Rumple pôde sentir seu tom de frustração, ele parou próximo a um móvel, enquanto brincava com a adaga em sua mão. “Você tem até a Lua Cheia para me trazer Selene ou eu matarei um por um dessa cidade.” Ela continuou.
“O que te faz pensar que eu ligo para qualquer um dessa cidade?” Questionou Rumple e um sorriso surgiu no canto da boca de Marōn, que o encarou por alguns segundos antes de responder.
“Eu sei que você liga para esse corpo que eu possuo. Eu sei que você liga muito para ele a ponto de fazer o impossível para que eu não permaneça nele. Vamos lá, Rumple, assim que eu tiver a deusa, eu vou embora dessa cidade esquecida pelo tempo. Eu tenho grandes planos, mas nenhum deles diz respeito a mofar nessa cidadezinha.”
“Eu já te disse.” Continuou a dizer Rumple. “Regina a levou para algum lugar e sinceramente eu não acredito que eu vou conseguir encontrá-la.” Ele completou e o rosto de Marōn se contorceu em ódio, enquanto ele se aproximava de Rumple, com a adaga em punho.
“Eu cansei das suas mentiras!” Gritou Marōn, que estava prestes a apunhalar Rumple, mas foi impedido por Selene, que arrancou o anel de seu dedo, se revelando enfim para Marōn.
Os olhos vermelhos do demônio se alargaram em perplexidade, quando enfim ele se viu diante da deusa. Seus dedos finos e trêmulos tocaram no rosto da garota a sua frente, que desviou o olhar em sinal de repulsa. Aquele sorriso tão demoníaco e aquele olhar que beiravam a loucura percorreram o corpo da garota.
“Finalmente.” Disse Marōn, sua voz se misturando a uma risada. “Libere sua mente para mim, Selene. Vamos nos tornar um só novamente e dominar todo esse universo.”
Selene o encarou, seus olhos cheios de lagrimas, enquanto ela lutava para não entregar sua mente, mas ela sabia que era a única forma de libertar Belle. Ela fechou os olhos, sentindo os dedos gelados daquela mão tremula descer até seus lábios, houve um grito de dor que a fez abrir os olhos. Na sua frente, Belle a encarava com seus olhos possuídos e sua boca aberta, enquanto sangue escorria de seus lábios. Selene se virou para Rumple, a tempo de vê-lo retirar sua adaga do abdômen de Belle, que agora caia como um peso morto no chão.
“O que você fez?” Perguntou Selene, se jogando no chão e segurando o corpo de Belle, que tremia em inúmeros espasmos. Rumple se ajoelhou ao lado das duas.
“Era o único jeito, Selene. Eu não poderia deixar que ele te possuísse.” Rumple respondeu, olhando para o corpo de Belle, que aos poucos ia sendo libertado por Marōn.
“Nós temos que ajudá-la. Ela não pode morrer aqui.” Selene disse, sua voz soando tremula, enquanto ela colocava uma de suas mãos sobre a ferida. Rumple pegou Belle, desacordada, em seus braços. Ele não podia curá-la, pois temia que Marōn pudesse voltar e ele precisava de algum tempo para pensar em algum plano.
Uma fumaça envolveu todos os três e segundos depois, eles estavam no hospital geral de Storybrooke. Rumple correu com a garota em seus braços, entregando-a aos cuidados de uma equipe de médicos, Selene os observou, sentindo seu coração acelerar em seu peito.
Ela tremia e tudo ao redor parecia embaçado. Uma pontada em sua barriga a fez gemer de dor. Suas mãos foram de encontro a sua barriga, sentindo as dores aumentando. Porém, uma dor maior chamou sua atenção. Uma dor de cabeça, seguida por um som agudo e ao longe, alguém a chamava pelo nome. Ela seguiu essa voz, se apoiando contra a parede do hospital, sentindo o esforço de controlar a própria respiração.
‘Selene’
Era uma voz dentro de sua mente, distante como um sussurro. Ela olhou ao redor, como se procurasse pelo dono da voz, mas ela sabia bem a quem essa voz pertencia. De qualquer forma, ela seguiu a voz, que a levou até um dos quartos vazios do hospital e caminhou até um espelho, onde ela pôde ver não apenas o seu reflexo, mas também o de Marōn, bem atrás dela. Ela não tinha mais medo dele agora. Ele parecia inofensivo, seu olhar era desesperado e perdido.
“Ela é nossa filha.” Selene disse.
“Não fui eu quem a machuquei, não é mesmo?” Marōn respondeu, sua voz carregada de ódio. “Eu não a machuquei no passado e não a machucaria agora, Selene.” Ele continuou. “Mas eu não posso prometer que não tocarei meu dedo nela novamente, a menos é claro, que você me prometa algo. Dessa vez para valer, Selene. Sem brincadeiras ou truques.”
“O que você quer?”
“Me dê acesso a sua mente.” Ele disse. “Me deixe possui-la, facilite as coisas para mim e eu prometo que sairei dessa cidade, que não tocarei um dedo em nenhum dos seus adoráveis humanos. Minha guerra é acima desse mundo doente. Eu quero mais que isso.” Ele completou e Selene, que encarava os olhos do demônio pelo reflexo do espelho, assentiu e viu um sorriso satisfeito surgir nos lábios do homem.
“Me dê um tempo, me dê tempo o suficiente para que essa criança venha ao mundo e então eu sou toda sua.”
“Eu sinto muito, Selene.” Ele respondeu. “Eu não tenho todo esse tempo.” Ele completou e antes que ela tivesse a chance de contestar, Marōn, que antes era apenas um reflexo, agora se materializava diante dela. Ele deu um passo à frente, em direção a Selene, permitindo que seu corpo se fundisse ao dele. Ainda assim, ela lutou até o fim, lutou pela sua sanidade, que aos poucos ela sentia que estava deixando-a.
“Selene!” Gritou Rumple correndo em sua direção.
Ele a amparou, enquanto ela se debatia em seus braços. Os olhos azuis da garota se tornavam negros aos poucos, Rumple tocou em seu rosto, enquanto gritava para que ela continuasse lutando.
“Eu não consigo.” Ela respondeu, em voz fraca. “Eu realmente gostaria que você tivesse se lembrado, que você precisasse do meu coração antes que fosse tarde demais.”
“Eu preciso, Selene.” Ele disse, quase como uma suplica. “Eu realmente preciso de seu coração.” Ele continuou e a trouxe para junto de si, fechando seus olhos e desejando nunca ter sido o covarde que um dia fora.
Um clarão, mais forte do que qualquer coisa que Rumple já havia visto em sua vida, tomou conta do corpo da garota e preencheu por completo aquele quarto. Rumple ainda a segurava em seus braços e a sentiu desaparecer lentamente. Ele abriu seus olhos, tomados por lagrimas, enquanto observava o corpo da garota se transformando em pó.
Ele gritou pelo seu nome, mas já era tarde demais para que ela o ouvisse. Seu corpo agora era pó, assim como seu coração, assim como o demônio que agora já não mais existia em nenhum plano físico. Rumple havia ganhado um novo coração quando desejou não ser mais o covarde que um dia fora e esse pedido mudou tudo. Esse pedido o levou de volta para centenas de anos atrás, em um mundo alternativo onde Rumplestiltskin, o Senhor das Trevas, jamais havia existido.
Rumple se encontrou ajoelhado diante de uma simples casa, uma casa que um dia pertenceu a ele e a Milan. Ele se levantou, caminhou em direção a casa, onde sua esposa esperava por ele, com o pequeno Bae em seus braços. Ela tinha um sorriso nos lábios e ele correu até ela, beijando seus lábios e pegando seu menino nos braços.
“Você não deveria estar aqui, Rumple.” Ela disse, em um tom preocupado. “Você não deveria ter fugido da Guerra dos Ogros.”
“Eu não fugi, meu amor.” Ele respondeu, beijando seu filho no rosto. “Eu não fugirei mais. Eu voltarei e lutarei até que nós ganhemos essa guerra ou até que meu corpo morra em batalha, mas eu precisava te ver. Eu precisava sentir meu filho.” Ele disse a beijando novamente.
Ele de fato voltou para a guerra que em uma vez, em outro mundo, ele havia fugido e se transformado então naquele covarde que seu filho um dia temeu. De fato, ele cumpriu o que prometeu para Milan e jamais voltou vivo daquela guerra.
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