She Wolf
15 Tale As Old As Time
Notas iniciais
Capitulo 15 – Tale As Old As Time
Ela não havia acordado em sua cama dessa vez, elas não dividiam agora a pequena cama do pequeno quarto que pertencia a Belle e sim a grande cama de Ruby, na pensão de Granny. Belle se mexeu na cama e direcionou seu olhar para a morena ao seu lado, que também acabara de despertar. As duas sorriram uma para a outra e se beijaram carinhosamente. Não havia tempo para se preocupar com o cabelo bagunçado, o mau hálito matinal ou a cara toda amassada de sono. Elas estavam felizes e acima de tudo: juntas. Todo o resto parecia não ter muita importância no momento.
Isso era suficiente naquele momento e talvez fosse o suficiente pelo resto da eternidade. Elas levantaram juntas e enquanto Belle tomava um banho, Ruby dançava pelo quarto sozinha e completamente feliz, não percebeu quando Belle saiu do banheiro, enrolada apenas em uma toalha.
Belle se encostou a porta do banheiro e sorriu ao ver a morena cantarolar alto pelo quarto, Ruby então se virou a tempo de ver Belle rindo de sua performance, mas a morena não se sentiu envergonhada, pelo contrario, ela estendeu a mão em direção a Belle, que não hesitou em segura-la e acompanha-la na dança.
A canção se chamava ‘Australia’, da banda ‘The Shins’. Belle não sabia a letra, assim como também não sabia a dança, mas Ruby a guiou pelo quarto e a musica embalou as duas. Belle não deu muita atenção à letra que Ruby cantava a todos os pulmões, também não deu atenção aos seus próprios passos quase sem ritmo, mas deu total atenção ao sorriso de Ruby e as palmas que ela dava entre uma estrofe e outra, a alegria de Ruby a contagiou durante da dança.
Ruby a segurava por uma de suas mãos e Belle girava, segurando a toalha com uma de suas mãos para que ela não caísse. Por fim a musica acabou e veio outra e mais outra, três ou quatro no total, elas não contaram, apenas dançaram, às vezes coladas uma na outra, às vezes separadas, uma tentando achar uma forma de criar uma dança que se encaixasse a dança da outra. Não havia essa preocupação de dançar com perfeição, não havia a necessidade de deixar o dia mais perfeito do que já era, mas ainda assim elas conseguiram.
Não muito longe dali, Rumple se encontrava sozinho em seu antiquário, olhando ao redor, todos aqueles objetos antigos o fizeram perceber o quanto Belle estava certa, ele se prendia muito ao passado.
O que Bae pensaria se o visse agora? Ele tentou não pensar mais nas coisas que o prendia ao antigo homem que uma vez afastou Bae dele. Ele queria mudar, queria voltar a ser o homem que uma vez ele fora.
Ele olhou ao redor e com um movimento da mão, fez com que todos aqueles objetos desaparecessem, um por um, aos poucos, as prateleiras, as estantes e as paredes, foram ficando vazias. Tudo ao redor desapareceu na frente dos olhos do homem, que suspirou fundo, quando então se virou e olhou para a xicara lascada. E de todas as coisas que ele poderia abrir mão, esse objeto seria o ultimo deles.
Ele já havia criado coragem o suficiente para deixar que Belle fosse embora e ele jamais a teria de volta, ele estava convencido disso, mas ele não estava pronto para esquecê-la por completo. Não estava pronto para dizer adeus a tudo o que uma vez eles tiveram, pelo menos não hoje, não enquanto ele sentisse algo por ela. Belle estava feliz, com outra pessoa, ele já aceitara isso e talvez um dia ele também pudesse achar outro alguém pra sua vida, por enquanto ele tentava se conformar com as boas memorias e com todas as lições que Belle havia deixado em sua vida.
Pegou a xicara com uma de suas mãos e com a mão livre, passou um de seus dedos pela borda da xicara. Quando seu dedo tocou na parte que estava quebrada, ele então sorriu ao se lembrar daquele dia e se amaldiçoou logo em seguida. As coisas entre Belle e ele teriam tomado um rumo tão diferente, se ele tivesse permitido que assim fosse. Agora já não mais importava, ele olhou ao redor, para o vazio do antiquário e saiu dali, apenas com a xicara na mão.
Ele não voltaria mais a trabalhar ali, ele não se prenderia mais ao passado de agora em diante. Ele seguiria seu rumo, sem Belle, sem Bae, sem a dor na perna que uma vez o fez mancar, agora ele seguiria sua vida com apenas uma certeza, de que talvez, apenas talvez, abrindo mão de todo um passado, ele poderia enfim, ter um futuro.
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Era hora do almoço e o Granny’s se encontrava lotado, Ruby estava sentada no balcão, suplicando para que a vovó lhe deixasse trabalhar, mas a senhora a impediu e disse pela milésima vez que a garota fosse para casa. Ela não queria, pois Belle não estava lá, ela havia ido para a biblioteca e Ruby queria lhe dar espaço para respirar, mas a verdade era que a morena não via a hora de poder vê-la, abraça-la e beija-la novamente.
“Por que não vai almoçar com Belle?” Perguntou a vovó e depositou na frente de Ruby o almoço que ela havia mandado embalar pra viagem, Ruby sorriu com a sugestão, pegou o almoço e caminhou com a sacola em mãos, em direção à saída, onde encontrou Emma, entrando com Henry.
“Alguém está feliz.” Observou Emma, franzindo o cenho e usando um tom de voz acusador, Ruby riu com a observação dela.
“Você também parece estar feliz.” Respondeu à morena e Emma riu em resposta, enquanto Henry caminhava em direção a uma das mesas.
“Bem, não tenho muito do que reclamar.” Respondeu a xerife e Ruby achou melhor não perguntar mais nada, o sorriso da loira entregava que ela estava feliz e essa informação bastava.
Ruby então seguiu seu caminho, em direção à biblioteca, com a sacola do almoço em mãos e um sorriso no rosto. Assim que chegou à biblioteca, ela parou, pois o carro de Rumple havia acabado de estacionar ali, ela andou cautelosamente e se aproximou do automóvel. Rumple desceu do carro e olhou para a morena, tentou forçar um sorriso, mas Ruby não o respondeu.
“Veio ver Belle?” Perguntou Ruby, tentando parecer mais o intimidadora possível. Ele fez que não com a cabeça e caminhou até o porta-malas.
“Na verdade não.” respondeu enfim, abrindo o porta-malas. “Vim trazer as coisas dela, creio que ela vai precisar.” Ruby olhou para o homem e então para as malas de Belle que ele agora tirava do porta-malas.
Sozinho o homem tirou uma por uma e Ruby o observou em silencio, nem ousou perguntar se ele precisava de ajuda. Ele as colocou na calçada e então olhou para a morena.
“Como ela está?” Perguntou ele, tentando não desviar o olhar da mulher a sua frente.
“Ela está bem. Ela está livre.” Respondeu Ruby secamente. Ele sorriu com a resposta e pensou em responder algo, mas achou melhor não.
“Você quer que eu ajude a entrar com as malas?” ele perguntou, tentando ser educado, mas Ruby balançou a cabeça em negativa.
“Não é necessário, mas obrigada.” Respondeu ela, o homem fez um aceno com a cabeça e voltou a entrar no carro.
Ruby o observou partir e olhou então para as malas da garota no chão. Pegou o máximo que pôde e entrou na biblioteca, onde encontrou Belle sentada em uma das mesas, anotando alguma coisa em um caderno. Belle levantou o olhar e sorriu para Ruby e logo em seguida correu para ajuda-la com as malas.
“Ai meu deus, Ruby. Você foi até a casa dele?” Ela perguntou preocupada, Ruby disse que não e voltou para a rua para pegar a ultima mala. “Então o que aconteceu?” Belle insistiu assim que ela retornou, olhando para as malas e depois para a garota a sua frente, que deu de ombros e entregou a ela a sacola do Granny’s com o almoço.
“Ele apenas trouxe suas malas.” Respondeu Ruby, Belle a olhou com um olhar curioso e depois para as suas malas.
Ele havia guardado tudo sozinho, ela pensou e em seguida se abaixou diante de uma das malas, a mesma mala que ela carregava quando foi para casa dele dias atrás. Ela procurou em um dos bolsos e achou então o que procurava. Ruby a observada de longe, tentando entender o que tanto a garota procurava.
Belle se levantou, com o colar na mão, olhou para o diamante e para o pingente de uma meia lua e então para a Ruby. Por um momento ela lembrou-se de todas as preocupações, mas o olhar de Ruby lhe passava uma segurança e um amor tão grande que Belle percebeu que não importava o que o pingente significasse ou o que ela sabia sobre ele, o que importava de fato era o que ela sentia por Ruby. Ela sorriu então e colocou o colar no pescoço, tocando em seguida o pingente com a ponta dos dedos.
De agora em diante, o colar seria apenas um objeto que a faria lembrar-se de sua mãe e mais nada. Agora não mais importava se ele brilhasse ou se ele se tornasse negro como carvão. O que a guiaria de agora em diante era Ruby, de modo que ela sabia então que de fato ela estava no caminho certo.
Belle sorriu para a morena, que estava sentada em uma das cadeiras agora. Ruby estava muito curiosa sobre o que se passava pela mente de Belle, mas não ousou questiona-la.
Belle se aproximou aos poucos da mesa e sentou-se de frente a Ruby, ela sabia que o colar provavelmente se enegreceria e que teria que explicar a Ruby sobre o que estava acontecendo.
“Bonito colar.” Ruby observou, esticando um de seus braços e tocando na meia lua do pingente. “Mas uma lua cheia é bem mais bonito.” Ela completou, fazendo Belle sorrir.
Os dedos da morena correram pelo pingente e seus olhos não desviaram nenhum segundo do diamante, que aos poucos se tornava negro. Ruby franziu o cenho e Belle pôde notar o semblante de preocupação no rosto da garota, ela então levou suas mãos para junto da mão de Ruby que ainda segurava o pingente.
“O que está acontecendo?” Perguntou Ruby e Belle sentiu o coração parar por alguns segundos, ela sentiu um frio dentro de si e o medo tomando conta dos seus sentimentos.
E se Ruby sentisse medo, quando então descobrisse toda a verdade? Ela pensou por um momento, mas esse pensamento foi embora rápido demais, pois o rosto de Ruby se iluminou novamente e ela sorriu.
“Um rubi?” A morena perguntou, sorrindo para Belle, que abaixou o olhar logo em seguida a fim de encarar o pingente que Ruby ainda segurava.
Sua boca se abriu em espanto, olhando para a pedra em seu pescoço, que não era negra como ela esperava, nem tão pouco parecia um pedaço de carvão, mas também não era mais um diamante. Era sim um rubi, de um vermelho tão intenso e com um brilho tão característico que Belle pensou que não deveria existir outra pedra igual a essa.
Belle olhou bem nos olhos da morena a sua frente, que ainda sorria para ela. E tirou rapidamente o colar, colocando-o sobre a mesa. Era definidamente um rubi e Ruby pareceu se divertir com a expressão de espanto no rosto de Belle.
“Vai me contar o que está acontecendo?” Perguntou Ruby, agora curiosa e Belle olhou para ela, meio espantada, meio surpresa e extremamente confusa.
“Eu não acho que eu saiba o que está acontecendo.” Respondeu Belle, se levantando em seguida e caminhando até uma das prateleiras, Ruby permaneceu onde estava; olhando para o rubi que agora estava voltando a sua forma natural de diamante.
Isso era muito curioso, ela tocou delicadamente no pingente e depois olhou para Belle que agora caminhava por uma segunda prateleira de livros, como se pesquisasse algum livro em especial. Ruby então se levantou e se juntou a Belle.
“Me conta então o que você acha que está acontecendo.” Ruby pediu a Belle, que se abaixava, enquanto lia o nome dos livros e passava para a estante seguinte.
“É complicado, quer dizer, eu não acho que eu saiba mais de nada.” Respondeu Belle, Ruby então a segurou pelo braço, a fazendo parar, Belle a olhou por alguns instantes. “Certo.” Disse enfim. “Eu vou te contar o que eu sei.”
“Ótimo.” Respondeu Ruby, se encostando a uma das prateleiras, Belle se virou para ela, respirou fundo e se lembrou do que Renée havia dito a ela alguns dias atrás.
“Esse colar pertenceu a minha mãe. Ele estava com a minha madrasta, eu a conheci alguns há dias atrás e ela deu o colar pra mim e me disse algo curioso a respeito dele.”
“Que ele virava um rubi?” perguntou Ruby, mas Belle balançou a cabeça em negativa e continuou a contar a historia.
“Não, que ele brilharia quando eu estivesse no caminho certo.” Ela respondeu e Ruby franziu o cenho. “Ela não me disse nada sobre virar um rubi.” Continuou. “Mas não é isso que me intriga, é que quando eu estava com Rumple, ele brilhou.” Completou e Ruby abriu a boca, um pouco surpresa, mas com um olhar decepcionado. “E quando eu estava com você no hospital, ele se enegreceu. Talvez eu não tenha ficado tempo suficiente para vê-lo se tornar um rubi. Mas eu acho que significa alguma coisa, alguma coisa realmente importante.”
“E se significar algo ruim? E se significar que você está errada em ficar comigo?” perguntou Ruby, seu tom de voz era triste e Belle então se aproximou dela, tocando gentilmente em seu braço e em seguida se aproximando para beija-la.
Ruby fechou os olhos, permitindo que o beijo a guiasse para longe, que o beijo lhe desse a mesma segurança e certeza que Belle tinha dentro de sim: não importava o que o colar significasse de fato, pois sentimento das duas era forte, verdadeiro e nada mudaria isso.
“Como um rubi pode significar algo ruim?” Belle perguntou em um sussurro e deu outro selinho em Ruby, que finalmente sorriu para ela. “Mas se você quiser, eu não procuro o significado.” Continuou e Ruby pensou um pouco a respeito, olhou para Belle, ela não queria saber o significado, ela tinha medo, embora sentisse dentro de si que não havia nada a temer.
“Você faria isso por mim?” Perguntou Ruby e Belle não respondeu com palavras, o que ela fez foi se jogar nos braços da morena e a abraçar o mais forte que pôde.
Ruby a apertou contra o próprio corpo, fechou os olhos, sentindo o perfume do cabelo da morena e ao abrir seus olhos, um livro chamou sua atenção. A lombada do livro era completamente negra, não havia nada escrito, mas aos poucos, como por magia, letras douradas apareceram na lombada do mesmo, formando uma frase.
Belle quebrou o abraço e olhou para o rosto de Ruby, que não tirava os olhos do livro, Belle seguiu seu olhar e também viu a frase se formando magicamente.
“A Bela e Fera e Contos Sobre Cisnes e Rainhas.” Ruby leu em voz alta e se aproximou da prateleira, tirando o livro logo em seguida e o segurando em suas mãos.
Ruby olhou para a capa do livro, que era completamente negra e não havia nada escrito. Ela olhou para Belle, que também encarava o livro e juntas as duas se sentaram ali mesmo, no chão, encostando as costas contra uma das prateleiras. Belle sentou-se o mais próxima que pôde de Ruby e a morena apoiou o livro em seu colo e abriu a primeira página, que estava completamente em branco.
As duas ficaram completamente frustradas, mas no instante seguinte a pagina do livro que antes estava branca, foi ganhando vida, como se alguém estivesse desenhando sobre ela.
Um belo céu, completamente estrelado surgiu sobre as duas paginas do livro, as estrelas pareciam cintilar sobre as paginas, era lindo de se ver e por um momento Belle e Ruby se esqueceram de tudo. O céu que era de um azul negro aos poucos foi mudando e as estrelas se apagando, uma por uma, até sobrar apenas uma que aos poucos foi caindo pelo céu.
Não mais podiam ver o céu e sim um grande campo, onde se podia ver uma pequena casinha desenhada. Havia um pequeno e belo jardim e uma menininha sentada na cerca do jardim, suas pernas balançavam e seu olhar estava direcionado para o céu.
Era como ver um filme, apesar das duas saberem muito bem que o que tinham em suas mãos era um livro. Um livro magico, talvez, mas ainda assim um livro, que aos poucos contava a elas uma historia que fora escrita há milhares de anos atrás.
“Existem muitas historias que podem ser contadas por qualquer um, mas existem historia que não podem ser escritas por qualquer um.” Ruby leu em voz alta, a frase que surgia na pagina do livro. “Esta é uma delas.” Completou Ruby, enquanto as paginas do livro se tornavam mais uma vez vazias.
“Meu nome é Ester.” Ruby continuou a ler as palavras que novamente tornavam a preencher as paginas do livro. “E se você estiver lendo esse livro, é porque sua historia está contada de alguma forma nessas paginas. Talvez, você seja a Bela do titulo, ou até mesmo a Fera, ou quem sabe a Rainha do lago dos Cisnes.” Continuou Ruby com a leitura, olhando para Belle, que estava tão confusa quanto excitada para continuar a ouvir a historia.
“Dizem que eu fui a primeira estrela cadente a cair, mas poucos sabem que na verdade eu escolhi descer a terra.” Continuou Ruby. “Eu fui perseguida, caçada, vivi escondida durante muitos e muitos anos, muitos tentaram me usar, mas poucos tinham o coração puro para isso.”
As duas se entreolharam, não havia mais imagens nas paginas do livro, agora era só o relato de Ester. Ruby lia em um tom de voz alto o suficiente para que Belle pudesse ouvi-la, e enquanto a morena lia, as duas tinham esse sentimento de si próprias, como se ambas conhecessem a autora daquela historia.
“O que você acha que ela quis dizer quando disse que nossa historia está contada nessas paginas?” Belle perguntou, antes que Ruby voltasse a ler, a morena deu de ombros, pois não sabia o que responder.
“Eu poderia ter escolhido qualquer um dos mundos, mas eu escolhi a Floresta Encantada, pois uma garotinha precisava de mim.” Começou Ruby novamente a ler a historia. “Ela havia acabado de se tornar órfã e já não sabia mais o que era ser feliz, eu precisava fazer com que essa criança mantivesse a fé e a esperança de dias melhores, pois eu não podia dar a ela o que ela tanto queria: a felicidade.”
“Acontece que aquela criança teria uma vida difícil.” Era Belle agora quem lia o livro. “Esse era o seu destino, mas ela carregaria uma mensagem de esperança consigo. Ela carregaria também um colar, que eu mesma dera a ela.” Belle continuou e em uma das paginas do livro surgiu o desenho do colar, com o diamante entre o pingente de meia-lua.
“Esse colar passaria de mão em mão, até chegar às mãos de uma bela princesa.” Continuou Belle, ela parou um instante olhou para Ruby, que sorriu para ela, esperando então que ela continuasse a leitura. “O colar então serviria ao seu único proposito, quando então chegasse a mãos certas, ele se tornaria a mais bela das pedras preciosas e resplandeceria para toda a eternidade, assim como as estrelas no céu.”
Ao ler essa frase, o pingente desenhado na pagina se tornou então o rubi, não mais o diamante. A imagem desenhada parecia tão real, que Belle não resistiu em toca-la com a ponta de seus dedos. Até o toque parecia real, não era como se ela tivesse tocando em uma folha de papel, parecia de fato o pingente, o toque a fez se arrepiar por completo, era como um fluxo de energia por todo o seu corpo. Ela tirou a mão da pagina do livro e permitiu que Ruby continuasse a leitura.
“A bela princesa encontraria sua fera e o amor entre elas seria a mais bela e trágica historia de amor já escrita. O pingente seria apenas uma confirmação de que essas duas almas pertenceriam uma a outra, seu rubi, que surgiria do mais negro carvão, significaria que as duas estavam certas em estarem juntas, enquanto o diamante significaria apenas confusão.” Ruby parou de ler, havia tantas perguntas que ela queria fazer, mas não sabia se o livro responderia tais questões.
Ela então voltou a ler, sentiu o braço de Belle se entrelaçando ao seu e sentiu a cabeça de sua garota se encostando ao seu ombro. De todas as perguntas que as duas ainda tinham a fazer, as certezas que agora elas tinham, tornava tais perguntas sem sentindo no momento.
“A historia da Bela e sua Fera, é a mais antiga historia de todos os tempos, mas antiga que o próprio tempo. Escrita pelas estrelas, antes mesmo do céu pensar em existir, antes mesmo de eu pensar em cair.” Ruby continuou a ler, a cada frase que ela lia algo dentro de si crescia e a enchia de algo, quisera ela saber nomear esse sentimento, quisera ela também que ele jamais acabasse talvez fosse felicidade, talvez.
“Que esse livro voe por entre todos os mundos, que esse livro sobreviva a todas as maldiçoes, que esse livro chegue sempre em mãos certas, mesmo quando o tempo pareça o errado. Não existe tal pensamento, não existe erro nas historias aqui contadas. Eu mesma as revisei, eu mesma a escrevi, quem ditou para mim foi o próprio universo e às vezes eu ainda consigo ouvir sua voz bem lá no fundo da minha mente. Foram tantas palavras agora, tantas frases que ele me ditou, mas de todas as frases dessa historia, a única que vocês devem se preocupar — pois é a que verdadeiramente importa — é a ultima delas, que na verdade é o marco para um grande começo.” Ruby concluiu e já não havia mais nada a ser lido, ela olhou para Belle ao seu lado que inclinou o rosto para vê-la.
“Não tem mais nada?” perguntou Belle, enquanto Ruby folheava o livro, em busca de mais algo, mas não havia. Todas as páginas estavam em branco, não havia mais nada a ser lido.
As duas esperaram por alguns segundos, olhando fixamente para a página em branco do livro. Nada mais apareceu, nenhuma frase, nenhum desenho, nada. As duas suspiraram e Ruby então fechou o livro, pois havia essa certeza silenciosa de que nada mais havia para ser contado.
“Qual você acha que é a ultima frase da nossa historia?” Ruby perguntou depois de um breve silencio, Belle deu de ombros, se aproximou para beijar os lábios de sua morena e se afastou, com um sorriso nos lábios.
“‘E elas viveram felizes para sempre’?” Ela perguntou; Ruby imediatamente sorriu para ela e as duas se beijaram novamente, talvez Belle estivesse certa, talvez essa fosse a frase final e talvez depois dessa frase, ainda houvesse muito mais a ser contado.
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