She Wolf

18 Promises


Notas iniciais
Olá, gente, desculpa a demora, eu estava viajando, voltei domingo e meu cérebro ainda tá em letargia, tô tendo dificuldade de coloca-lo para funcionar no modo escrita. Beijos

Capitulo 18 – Promises

Selene havia ficado sozinha na mansão, mas não havia muito o que fazer, então ela passou o resto da manhã andando pelo quarto que Regina havia redecorado para a bebê, que agora tinha um nome: Dorothy.

O quarto havia sido decorado com um papel de parede rosa, onde se podia ver várias borboletas em vários tons de rosa. Tudo era lindo e delicado. Desde os lençóis do berço, até a cortina branca com detalhes em rosa. Selene caminhou até a janela, tocou gentilmente no tecido da cortina, sentindo sua textura com a ponta de seus dedos e então se virou, para olhar ao redor e ver o quarto por completo.

Havia agora o nome da bebê na porta do quarto, cada letra havia sido feita com tecido e as cores do pano se intercalava entre vários tons de rosa. Tudo era lindo e perfeito e havia tantas coisas ali que Selene não sabia dizer ao certo para o que servia metade delas.

Ela tocou gentilmente em sua barriga e fechou os olhos, suas memorias a levaram para Andaluzia, a cidade onde ela morou por muitos anos antes de precisar fugir para Storybrooke. Lembrou-se em seguida de Raoul, do quanto eles eram felizes, do quanto ele a amava e do quanto ela o amava de volta. Ele havia sido o mundo para ela, ele havia dado o mundo para ela e sua morte havia sido um sacrifício, para que ela então pudesse continuar sua luta.

Sua mão buscou pelo anel encantado em seu dedo, ela respirou fundo e abriu os olhos. Ela não podia mudar o passado, não podia fazer muita coisa pelo futuro também, não mais do que ela havia feito. Ela olhou bem para o anel e se perguntou se ele seria de fato capaz de protegê-la e se haveria tempo o suficiente para ela. Por enquanto ela sabia que Marōn estava longe, pelo menos ela rezava por isso, pra quem ela rezava, ela não sabia dizer ao certo, talvez para si mesma. Talvez suas preces fossem para que ela mesma buscasse alguma força interna que a ajudasse a continuar a lutar.

Ela olhou para janela, para vista lá fora, de onde ela estava era possível ver o jardim da mansão Mills. Era enorme e repleto de altos arbustos, a grama verde se encontrava bem capinada e ela imaginou sua pequena Dorothy correndo pelo jardim e essa visão a fez sorrir.

“Oh, Raoul.” Ela disse para si mesma e sua mão novamente acariciou sua barriga. “Como eu queria que você estivesse aqui.” Continuou. “Como eu queria que você pudesse vê-la crescer.” Concluiu ela e isso agora a entristeceu e todos os bons pensamentos sumiram de sua mente.

Tudo o que ela conseguia pensar era em todas as pessoas que ela havia perdido, em todos que ela teve que deixar para trás. Ela havia nascido uma deusa e agora ela não passava de uma falsa estrela caída, esperando pelo seu dia final, esperando pelo dia em que seu coração parasse de bater em seu peito e que seu corpo – agora não mais imortal – virasse, finalmente, pó.

Não era um destino tão cruel assim, ela pensou consigo mesma, pois a outra alternativa era permanecer viva e deixar que Marōn ganhasse, mas ela jamais deixaria que isso acontecesse.

Ela olhou uma vez mais para quarto e caminhou até o berço, seus dedos correram pelas grades brancas do móvel e novamente ela sorriu. Ela já não mais sabia de onde tirava tanta coragem e tanta força, mas ela sabia também que mesmo que ela não as tivesse, ela teria que inventa-las, caso contrário tudo estaria perdido.

O som da campainha a despertou de seus pensamentos, ela saiu do quarto, descendo as escadas e indo em direção a porta, encontrando Gold esperando por ela. Por algum motivo, Selene sorriu ao vê-lo, talvez o sorriso fosse apenas devido a solidão que ela estava sentindo, ou talvez ela de fato gostasse de passar algum tempo com ele.

“Olá, Gold.” Ela disse, afastando-se e permitindo que ele adentrasse à mansão, ele trazia consigo uma pequena caixa, embrulhada por uma fita laranja.

“Olá, Selene.” Ele respondeu e entregou para ela o presente. Ela olhou para a pequena caixa e para a fita que havia nela e agradeceu ao homem, em seguida o convidou para ir até a cozinha.

“Posso te preparar um chá?” Ela perguntou, enquanto ele a seguia e depositou a pequena caixa sobre o balcão da cozinha.

“Não precisa, obrigado. Minha presença aqui é por outros motivos.” Respondeu o homem e fez um aceno com a mão, para que Selene se sentasse no banco que havia ali próximo.

“Certo.” Selene respondeu, sentindo o ar de preocupação vindo do homem. Ele sentou-se próximo a ela em seguida e suas mãos repousaram sobre o balcão.

“Desde que nós nos encontramos naquele dia na praia.” Ele começou a dizer. “E você me contou tudo sobre você.” Continuou, dando uma breve pausa, seus olhos percorreram os olhos da garota a sua frente e ele tentou sorrir, mas estava um pouco preocupado no momento e seu sorriso pareceu falso. “Desde esse dia, eu não consigo parar de pensar no que você me disse, sobre o fato de nós dois termos nos encontrados muitos anos atrás. Sobre o fato de eu precisar do seu coração.” Ele concluiu.

Selene não respondeu, apenas esperou que ele continuasse.

“Você me disse que eu me lembraria de tudo quando eu realmente precisasse do coração.” Disse Rumple e seu olhar se perdeu naquela cozinha, vagando por entre os moveis e azulejos, como se buscasse uma resposta.

“Você se lembra agora?” perguntou ela, hesitante, mas ele balançou a cabeça em negativa e levou alguns segundos pra encara-la novamente. “Então o que foi?” perguntou ela confusa.

“Eu não consigo parar de pensar no motivo pelo qual eu precisaria do seu coração.” Ele respondeu. “Quer dizer, o coração de uma estrela é capaz de tornar alguém imortal, eu não preciso dessa imortalidade.”

“Um coração de uma estrela também é capaz de trazer alguém de volta a vida.” Foi a resposta de Selene e o homem abriu ligeiramente a boca. “Talvez.” Ela continuou, tomando certa cautela antes de continuar. “Talvez trará de volta o seu filho.” continuou ela e um silencio caiu naquela cozinha, o olhar do homem se perdeu por alguns segundos e Selene o encarou em silencio.

Rumple já havia pensado nessa hipótese, na hipótese de Bae de alguma forma estar morto, mas jamais quis admitir isso, jamais poderia admitir isso. Ele sentiu as mãos da estrela procurar pelas dele e ela apertou gentilmente seus dedos e sorriu para o homem.

“É só um ‘talvez’, Rumple. Eu posso estar errada, mas você me disse também, quando nos encontramos na floresta encantada, que eu traria o coração de uma estrela pra você e que isso te levaria até o seu filho. Esqueça por um minuto tudo o que aconteceu até agora e tente continuar essa busca, mas agora sem se perder nas trevas.” Ela disse e ele retribuiu o sorriso e suas mãos se soltaram, havia lagrimas no rosto do homem, Selene fingiu não vê-las, mas ele as enxugou do rosto e não parecia envergonhado delas.

“É estranho como é muito mais difícil permanecer no caminho da luz.” Respondeu ele. “Deveria ser o contrario, não é mesmo?” Perguntou ele, mas parecia uma pergunta que ele estava fazendo para si próprio, não para Selene, então ela não respondeu e o viu se inclinar sobre o balcão, para alcançar a caixa que havia trazido consigo. “Eu trouxe isso para a bebê.” Ele disse, entregando a ela novamente a caixa.

Selene sorriu, desatou a fita laranja e abriu a pequena caixa. Dentro dela havia um par de sapatinhos cor de rubi, como os do filme que ela havia assistido.

“Eles são lindos.” Ela disse. “Muito obrigada.” Selene continuou, trazendo os sapatos para mais perto do rosto e sorrindo para Rumple.

Havia algo nela que era tão diferente e encantador ao mesmo tempo, ele sabia o quanto de dor ela carregava em suas costas e o quanto suas mãos estavam sujas de sangue. Ele sabia também que sua aparência de adolescente era apenas uma fachada, ela era mais antiga que o próprio tempo, não havia nada de angelical em seu passado, diferente de sua voz, de seu rosto, de seu sorriso que chegava a ser perturbador. Pouco de seus traços lembravam Belle, elas eram completamente diferentes uma da outra, embora muitas vezes Rumple tivesse visto Belle como uma verdadeira deusa e as vezes tão brilhante e tão distante quanto uma estrela.

“No que você está pensando?” Perguntou Selene, seu olhar ainda estava fixo nos sapatinhos, que agora ela guardava novamente dentro da caixa.

Uma mecha loira de seus cabelos caiu diante de seus olhos e ela rapidamente a jogou para trás da orelha, olhando em seguida para o homem ao seu lado.

“Em nada.” Ele respondeu, mentindo para a estrela, ela sorriu e se ajeitou no banco, enquanto sentia a bebê chutando dentro de si.

Sua mão foi em direção a sua barriga e ela deixou uma expressão de espanto tomar conta de seu rosto. Rumple observou curioso e um pouco fascinado, ele não havia acompanhado a gravidez de Milah, não havia visto Bae nascer e durante anos isso foi algo que o atormentou, mas não mais.

“Eu posso sentir?” ele perguntou e Selene assentiu, permitindo que Rumple tocasse em sua barriga.

Ele pareceu perdido por alguns minutos, sentindo esse toque e sua mente vagou pra longe, para tempos que jamais poderia recuperar ou reescrever e Selene viu seus olhos se fecharem e um sorriso surgir em seus lábios. Ele ficou assim por alguns segundos e Selene nunca sentiu a bebê se mexer tanto.

Talvez a criança soubesse que seus movimentos eram bem mais do que um sinal de que ela estava bem, talvez ela soubesse que seus movimentos eram como ondas para Rumple. Ondas que estavam invadindo-o e mexendo com algo dentro de seu interior, trazendo à tona algo que há muito tempo ele havia perdido dentro de si.

O homem abriu os olhos e agradeceu a garota ao seu lado, Selene viu algo em seus olhos que até então não tinha visto, era como se aqueles breves segundos, aquele breve toque o tivesse transformado por completo.

“Vocês escolheram um nome?” Perguntou Rumple, recebendo um ‘sim’ como resposta.

“Na verdade, escolhemos sim e acho que você acertou muito bem no presente.” Respondeu Selene, rindo com a sua própria resposta. “Ela se chama Dorothy.” Continuou ela, e falar em voz alta o nome de sua filha a causava uma felicidade imensa.

“Olá, Dorothy.” Ele disse, encostando novamente a sua mão na barriga de Selene. “Foi uma ótima escolha.” Continuou.

“Eu também acho.” Selene respondeu.

“Sabe o significado desse nome?” perguntou ele e Selene negou com a cabeça. “’Presente de deus’.” Respondeu ele. “Nesse caso, presente de uma deusa.” Continuou e os dois riram da ironia da vida ou da felicidade do momento.

“Foi uma escolha perfeita, então.” Ela disse e seu olhar antes feliz e despreocupado, tomou um aspecto sombrio. Suas mãos foram em direção a testa e ela fechou os olhos por alguns segundos, voltando a abri-los no instante seguinte. “Sabe, eu tento não ficar preocupada com tudo o que está acontecendo ao meu redor. Mas a verdade é que a cada dia que passa, nós ficamos mais próximo da Lua Cheia e eu temo o que possa acontecer.”

“A poção que eu te dei, te protegerá.” Respondeu Rumple. “E sei que sua preocupação são os lobisomens, mas o único lobisomem dessa cidade é uma garota. Ruby. E eu não acredito que ele lhe fará algum mal.” Continuou.

“Talvez não, mas e se o alfa a obrigar? Pois é esse o plano dele, aparentemente.”

“Eu não acho que Ruby obedeça a nenhum alfa.” Respondeu Rumple. “Mas, se isso te acalmar, nós podemos ir até ela e impedir que ela se transforme.”

“Isso não ajudaria.” Respondeu ela. “Eu só tenho que continuar esperando que essa criança nasça antes da Lua Cheia e que você logo precise do meu coração.” Continuou ela, seu olhar fixo nos de Rumple. “Ela, Ester, disse que você aprenderia a me amar de graça, mas sinceramente eu não sei o que isso quis dizer.”

“Amor é uma palavra muito forte.” Ele respondeu.

“Não é só a palavra que é forte, Rumple.” Respondeu Selene, novamente aquele sorriso que Rumple aos poucos estava decorando em sua mente, ele não disse nada, apenas permitiu que essa frase ecoasse em sua mente.

“Selene.” Ele disse por fim. “Não importa o que acontecer, eu prometo que irei te proteger.” Ele continuou dando uma pausa. “E Dorothy também e não é só porque o seu coração um dia pertencerá a mim.”

Novamente houve um sorriso, dessa vez entre os dois e nenhuma palavra foi trocada, nada mais precisou ser dito, a promessa dele fora sincera e ele pretendia cumprir cada palavra.