She Wolf
19 Make a Wish
Capitulo 19 – Make a Wish
Uma pequena onda quebrou na areia, molhando os pés de Ruby, que se encontravam descalços e completamente afundados na areia. Ela olhou para os próprios pés e para a água que aos poucos retornava para o mar.
Era uma manhã fria, mas isso não a incomodava, o Sol estava fraco, pois poucas nuvens o cobriam e ela olhou para trás, a tempo de Belle virar uma pagina do livro que ela estava lendo.
Fazia menos de uma semana que elas estavam juntas, mas descobrir aquele livro na biblioteca mudava tudo, pois agora era como se elas se conhecessem há uma eternidade. Na verdade era essa a verdade, suas historias estavam escritas há muito tempo, seus destinos traçados mesmo antes delas nascerem. Uma sempre pertenceu na vida da outra, as duas sempre foram uma só. Com esse pensamento Ruby então sorriu e se virou novamente, caminhando agora em direção a Belle.
Belle se encontrava sentada sobre uma manta, apenas seus pés estavam em contado com a areia daquela praia, sua mente, porém, se encontravam em lugar completamente distante. Seu olhar percorria as paginas daquele livro e ela mordeu o lábio inferior e pareceu respirar fundo, Ruby parou por um momento, para aprecia-la em seu habitat natural e sorriu com a cena que via em sua frente. Belle, sua Belle, com seus cabelos amarrados em uma trança, caindo por entre um de seus ombros, alguns fios rebeldes eram levados pelo vento, mas ela não parecia se importar.
Ela tinha esse ritual para ler um livro, Ruby já havia decorado cada movimento dela. Primeiro ela passava a mão pela capa do livro e lia em um tom baixo o título, em seguida o nome do autor e então girava o livro, como se buscasse por alguma imperfeição na capa, ou como se decorasse cada centímetro do mesmo. Abria então a primeira pagina e novamente corria com uma de suas mãos sobre a pagina aberta, em seguida o levava em direção ao rosto e o cheirava, fechando os olhos e se permitindo inalar sua essência. Depois disso, ela começava a ler o livro e as vezes, quando achava um trecho que gostava muito, ela então lia-o em voz alta para Ruby e seus olhos se encontravam no meio do caminho dessas frases soltas. As duas sorriam e então se beijavam, não importava sobre o que era frase, elas simplesmente se beijavam quando isso acontecia.
Ruby adorava quando Belle compartilhava um pouquinho do seu mundo com ela. Essa era uma forma das duas se aproximarem mais uma da outra, pois as duas sabiam que elas eram extremamente diferentes uma da outra. Seus pensamentos, paixões, ideias, jeito de ser, eram completamente opostos ao da outra. O que elas sentiam uma pela outra, porém, não era assim tão diferente, elas se encontravam na forma de amar e na forma de expressar tal sentimento.
Desde que encontraram o livro e descobriram a verdade, descobriam suas historias e o significado do colar do rubi, Ruby passou a usa-lo em seu pescoço e Belle adorava quando elas se encontravam e o colar ao invés da pedra brilhar, ela se transformava nessa linda pedra de um vermelho vivo, tão vivo quanto o amor que uma sentia pela outra.
“Eu fui tão imbecil, não fui?” Ruby perguntou, fazendo Belle tirar o olhar do seu livro e fecha-lo logo em seguida.
Ela encarou Ruby, que estava agora em pé diante dela e a questionou com um simples olhar. Ruby então se sentou junto a ela e seu olhar se perdeu novamente no mar, Belle acompanhou o olhar da morena, buscando respostas.
“Quando eu te chamei para aquela boate.” Ruby continuou e Belle riu da resposta.
“Por que diz isso?” Ela questionou a morena e trouxe Ruby para junto de si, de modo que seus braços ficaram entrelaçados um no outro.
“Porque aquele não era seu mundo. Era o meu, quer dizer, era o da Red, não o meu.” Ela respondeu, sua voz saiu frustrada e ela pegou a mão de Belle.
“Ainda assim.” Belle começou a dizer. “Ainda assim você quis compartilhar esse pequeno mundo comigo.” Completou e Ruby se virou para vê-la e seus lábios se encontraram. “Não foi?”
“É, acho que sim.” Ela respondeu, se sentindo mais leve depois desse beijo.
“Sabe, eu fiquei pensando.” Belle continuou e fechou o livro, guardando-o em seguida na cesta de piquenique que havia trazido consigo. “Nós duas temos passado muito tempo juntas nesses últimos dias.”
“E isso é bom, não é?” Perguntou Ruby, um pouco preocupada com o rumo dessa conversa.
“Isso é ótimo.” Belle respondeu, apertando levemente a mão da morena contra a sua. “Mas eu não consigo parar de pensar que daqui há alguns dias, você vai ter que ficar longe, não é?” Ela continuou e Ruby franziu o cenho.
“Do que está falando?” Perguntou a morena, um pouco confusa.
“Sobre a lua cheia, sobre o seu lobo.” Belle respondeu e Ruby então abriu a boca em resposta e riu.
“Eu não preciso me transformar, Belle.” Ela respondeu. “Eu tenho a minha capa, ela me impede de me transformar.” Continuou.
“Mas você gosta? Quer dizer, você gosta de ter que ignorar o seu lado lobo?” perguntou Belle e Ruby abaixou o olhar, era complicado falar sobre isso.
Ela não queria levar isso como uma maldição, mas as vezes era inevitável, principalmente agora, que ela tinha Belle em sua vida. Ela tinha tanto medo de perdê-la, assim como perdeu Peter, embora antes ela não soubesse como controlar o seu lobo, ainda assim, não mudava tudo o que ela fez, tudo o que aconteceu naquela noite. Ela jamais poderia trazer Peter de volta, assim como ela jamais poderia tirar Belle de sua vida.
“É impossível ignorar meu lado lobo, Belle, mesmo que eu não me transforme, ele ainda está em mim.” ela respondeu. “Sabe, Red gostava de dançar, de sair na noite e voltar apenas quando o Sol nascia, não por causa da sensação de rebeldia, mas sim porque a musica alta acalmava os seus sentidos. Dançar no meio da pista de dança, solta, livre, a fazia se sentir em casa.” Ela continuou, se sentindo ridícula por falar de uma parte de si mesma na terceira pessoa, mas ela não podia evitar, ela não era mais a Red.
“Entendo.” Belle respondeu, encorajando a morena a continuar. “Mas sabe, eu não consigo parar de pensar que você conhece meu universo tão bem e eu sinto como se eu ficasse em orbita no seu. Eu não conheço teu universo tanto quanto eu gostaria.” Continuou Belle, Ruby franziu o cenho, confusa com o rumo da conversa. "Então eu estive pensando, que na próxima Lua Cheia, talvez, eu pudesse conhecer o seu lado lobo.” Completou, mordendo o lábio inferior enquanto esperava a resposta.
Ruby abriu a boca para respondê-la, mas não sabia ao certo o que dizer, Belle desejou tomar de volta suas palavras, mas ela já havia dito-as.
“Você pode dizer ‘não’, sabe disso, não é? Não estou te pressionando.” Belle respondeu e Ruby se virou para encara-la melhor, os olhos castanhos de Belle buscaram pelos de Ruby.
“É que...” começou Ruby a dizer e respirou fundo, havia tanta coisa, não era apenas um simples ‘não’ ou um ‘sim’.
“Você tem medo? De me machucar ou algo do tipo?” insistiu Belle.
“Não.” Ruby respondeu brevemente, tirando da frente do rosto vários fios de cabelo que o vento insistia em soprar. “Não é medo. É que meu lobo é a parte fera de mim.” completou e Belle sorriu com a resposta. “Me pergunto como alguém poderia amar uma fera.”
“Você não é uma fera.” Respondeu Belle. “Bem, se você quiser se chamar assim, tudo bem, mas saiba que pra mim, você será minha fera, nada menos que isso.” Continuou e Ruby riu da resposta.
“E isso faz de você minha princesa?” perguntou a morena, enquanto Belle se jogava em seus braços, Ruby a abraçou contra o seu corpo, ela tinha isso de fazer todas as preocupações sumir, fosse com um abraço ou com beijos. Belle era sua cura, seu remédio que aos poucos a tornou completamente viciada.
“Isso faz de mim o que você quiser que eu seja.” Belle respondeu em um sussurro e quebrou o abraço, roubando um beijo de Ruby. “Eu adoraria conhecer seu lobo, mas a verdade é que vocês são um só, de modo que então eu já o conheço.” Continuou e tocou com as pontas dos dedos nas mechas negras dos cabelos de Ruby que caiam diante de seus olhos.
“Prometo que um dia eu te mostro, não sei se nessa Lua Cheia, mas eu prometo.” Respondeu Ruby e Belle sorriu para ela, lhe dando outro beijo demorado e a empurrando lentamente de encontro a manta, os beijos passaram de suave, para algo mais apaixonado, cheio de um desejo que as duas já carregavam em si há alguns dias.
Era Belle que se encontrava por cima, com uma mão de cada lado do corpo da morena, seu quadril se encaixava perfeitamente ao de Ruby e ela repousou gentilmente seu abdômen sobre o dela. As duas permitiram que os beijos continuassem. Não havia ninguém na praia aquela manhã, apenas elas duas, elas podiam ouvir o som do mar e das gaivotas ao longe. Ruby percorreu suas mãos pelas costas da garota e subiu lentamente até seu pescoço em direção a sua nuca, onde seus dedos encontraram seus cabelos e os puxou gentilmente para trás, dando acesso ao seu pescoço.
Ruby o mordeu levemente, fazendo Belle soltar um gemido baixo e fechar os olhos, seu corpo caiu completamente sobre o de Ruby. Os lábios da morena percorreram rapidamente aquele pescoço nu, entre breves mordidas e beijos, ela desceu seus lábios em direção aos seios de Belle, mas então a morena parou subitamente e virou Belle sobre a manta, ficando sobre a garota.
“Eu não acho uma boa ideia fazermos isso aqui.” Ruby disse, fazendo a garota rir da observação.
“Bem, uma hora nós vamos ter que fazer, você sabe, não podemos negar isso que estamos sentindo.” Belle respondeu e dessa vez foi Ruby que riu, a morena encostou sua testa a da garota e a beijou gentilmente.
“Já ignoramos demais, não é mesmo?” Perguntou Ruby, em um sussurro, dando um beijo a cada palavra.
“Definitivamente.” Respondeu Belle.
“Então, vamos fazer o seguinte, hoje a noite, nós vamos refazer aquele nosso encontro na boate.” Ruby respondeu e Belle abriu a boca em surpresa e sorriu, a sugestão era um tanto inesperada, mas extremamente excitante. Ruby então continuou a falar. “Mas dessa vez, não vamos deixar nada dar errado, ok?”
“Ok.” Belle respondeu, mordendo levemente o lábio.
“Dessa vez, nós vamos dançar na pista de dança e não vamos deixar nenhuma frase sem ser dita e nenhum toque sem ser dado e nenhum desejo sem ser realizado.” Ruby continuou e a beijou novamente, deitando em seguida ao lado de Belle, que se virou para ela e sorriu.
“Nenhum desejo sem ser realizado?” Perguntou Belle, em um tom provocador.
“Nenhum.” Respondeu Ruby.
“Ótimo.” Respondeu Belle, se virando para encarar o céu dublado. “Posso começa a desejar agora?” Perguntou novamente e Ruby pareceu confusa e não respondeu. “Bem, eu vou começar.” Continuou falando para si mesma, ainda encarando o céu, Ruby a viu então fechar os olhos.
Belle imaginou um céu estrelado, imaginou uma chuva de estrela cadentes, imaginou cada uma delas voando e cruzando o céu sobre as suas cabeças, imaginou cada uma dessas estrelas olhando para ela e esperando pelos seus desejos.
“Eu desejo poder te amar a cada segundo, enquanto meu coração bater, enquanto existir os amanhas e enquanto existir estrelas no céu e quero continuar desejando isso, até quando não houver mais vida em mim e além disso.” Belle disse e abriu os olhos, se virando para ver Ruby ali, olhando para ela.
“Eu desejo o mesmo.” Ruby respondeu. “Eu te amo, Belle.”
“Eu também te amo.” Belle respondeu e se aninhou ao corpo de Ruby, as duas fecharam os olhos, ainda era manhã, ainda havia sol, mesmo que fraco, então as duas não puderam ver quando todas as estrelas do céu direcionaram suas atenções a elas duas e conceberam então seus desejos.
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