She Wolf

4 Once Upon A Wish


Notas iniciais
Quando Regina e a Rumple vão atras da Estrela, podemos ver o quanto a Rainha está machucada por dentro e o quanto ela precisa se reaproximar do filho.

Capítulo 4 — Once Upon A Wish

O cansaço ainda tomava conta de todo o seu corpo e ele já não mais sabia como conseguia manter seu corpo funcionando. Na verdade já não era mais o cansaço físico que o consumia daquela forma e sim o ódio que crescia dentro dele. De alguma forma, a urgência de possuir Belle era a única coisa que o mantinha na trilha do que pretendia fazer essa noite.

Ele se encontrava agora dentro da floresta, seu carro tinha tido muita dificuldade de chegar ali, devido ás condições do solo que não eram das melhores. Parou quando já não havia mais para aonde seguir, desceu do carro, xingando a si próprio quando seus pés afundaram na lama e seguiu com seu plano. Pegou a pequena maleta e caminhou com mais dificuldade do que de costume, era difícil conciliar o peso que carregava e se apoiar em sua bengala.

Parou por alguns instantes, olhando tudo ao redor, passou a mão pelo bolso da calça como se procurasse por algo e achou o que buscava: sua arma. Não sabia se precisaria dela, mas jamais entraria na floresta aquela hora da noite desarmado.

Adentrou então a floresta, entrando cada vez mais fundo na mata de árvores altas, a luz natural não era das melhores, de modo que precisou parar em certo ponto do percurso e tirar da maleta uma pequena lanterna. Iluminou o local onde estava e decidiu então que ali estava perfeito.

Depositou a maleta no chão, se abaixou diante dela e começou a tirar dali as poucas coisas que precisaria. Parou quando então ouviu barulho de galhos quebrando, tirou rapidamente a arma do bolso e se levantou, apontando a arma para o vazio da floresta atrás de si. Não viu nada, mas ainda não estava convencido de que estava sozinho, de modo que continuou segurando a arma.

Quando por fim se conformou que não havia nada ali, guardou a arma e voltou à atenção novamente para o que estava fazendo antes. Foi interrompido, porém, por outro barulho, mas dessa não teve tempo de sacar sua arma e foi surpreendido por Regina que estava a alguns metros diante dele.

“O que pretendia fazer com aquela arma?” – Perguntou ela em um tom de deboche, Rumple apenas retorceu o rosto e voltou a fazer o que estava fazendo, não tinha tempo a perder. – “É bom saber que me ouviu.”- Continuou ela. – “Sabia que eventualmente me ouviria. E então? Você foi até ela, não foi? Até Ruby? O que acha que tem de errado com ela?”- Perguntou Regina, se aproximando de Rumple que se encontrava agachado terminando de retirar o que havia na maleta.

“Sinceramente? Eu não sei te responder. Não é magia negra ou qualquer outro tipo de magia que eu já tenha visto antes. A fada... Ela chegou a tentar? Sabe dizer?”

“É claro que ela tentou. Foi a primeira a tentar.”

“E nada?” – Questionou Rumple, se levantando para encara-la.

“Nada.” – Respondeu a Rainha. – “Não foi capaz de curar nem a ferida mais superficial.” – Continuou ela, Rumple respirou fundo. Em seguida começou a bater o pé no chão a sua frente para sentir a terra, certificando-se que era o melhor local para fazer o que pretendia, uma vez convencido, voltou até a maleta e pegou uma pequena caixinha de madeira.

“Esse feitiço.” – A voz de Regina soou por trás dele. – “Ele tornará essa estrela sua escrava, certo?”

“De certo modo, sim. Não minha escrava, é claro. Pois a última coisa que eu preciso é de alguém pra cuidar.” – Disse ele, passando a caixa para ela. – “Evoque-a você, querida.” – Regina pegou a caixa das mãos dele, abrindo-a logo em seguida e descobrindo que a caixinha se encontrava vazia.

“Não há nada aqui.” – Observou ela se virando para Rumple que estava agora a alguns metros distante dela, apontando na direção dela com a lanterna.

“É claro que não há. É invisível, um pó invisível. Use-o para fazer um círculo no chão. Não o faça muito pequeno, nem gaste todo o pó. É muito trabalhoso de prepara-lo.”

Regina encarou o interior da caixa, perguntando-se como saberia se teria usado muito já que nem podia ver o conteúdo da caixa. Fez então o que foi pedido, fazendo um círculo, o que ela julgava estar perfeito, embora não pudesse ver nada a sua frente.

Fechou a caixinha e foi em direção a Rumple, devolvendo a caixa a ele.

“Pronto?” – Perguntou ela, batendo as mãos no casaco, no intuito de limpá-la, embora não tivesse nenhum vestígio de que elas estavam sujas.

“Não, minha querida.” – Respondeu ele, entregando a ela um pequeno frasquinho com um líquido prateado. – “Você tem que despejar o conteúdo desse frasco no centro do círculo, enquanto faz um pedido.”

“Um pedido?” – Questionou Regina parecendo um pouco cética a respeito.

“Sim. Estrelas são atraídas por desejos das pessoas. De modo que você vai ter que fazer o pedido mais sincero possível. O círculo que você desenhou vai mantê-la aprisionada. E então ela só poderá obedecer aos seus comandos depois disso.”

“Certo.” – Respondeu Regina por fim, pegando o frasco de suas mãos e indo até o centro do círculo. Pelo menos ela esperava que estivesse dentro do círculo, pois já não tinha tanta certeza de onde o havia desenhado. Ajoelhou-se na terra, sentindo o barro gelado em seus joelhos, pois a meia calça que usava não a protegia do frio. Segurou o frasco por alguns segundos encarando o líquido ali dentro e então olhou para Rumple.

“Você está no lugar certo, querida. Não se preocupe. Faça o pedido em voz alta, enquanto despeja o líquido. Lembre-se: o mais sincero dos pedidos. Vamos ver o que tem dentro desse coração.” – Concluiu ele, deixando um pequeno sorriso em seu rosto se formar. Regina abriu o pequeno frasco, fechou os olhos e despejou o liquido na terra à sua frente enquanto dizia as seguintes palavras:

“Eu quero ser amada.” – Disse ela e trouxe o frasco para si, permaneceu onde estava, permaneceu de olhos fechados, enquanto aquelas palavras permaneciam em sua mente.

Ela não fazia ideia do quanto precisava sentir que era amada, só percebeu agora quando disse isso em voz alta, quando de fato assumiu que o que mais precisava era de amor. E de fato ela nunca quis outra coisa, sempre soube que esse era o único caminho para a felicidade.

Mas também sempre soube que não havia nascido para ser feliz, não havia nascido para amar. Pelo menos era o que ela pensava, até que conheceu Daniel. Que a ensinou o que era amor, que a ensinou como era se sentir amada e então a vida o levou, mas pensando melhor agora, talvez ela o tenha deixado ir.

Ela elevou o olhar para Rumple, mas sua atenção foi desviada para o que acontecia a sua frente. O líquido prateado tomou todo o círculo, parando apenas quando atingiu as bordas dele. Em seguida foi formado um grande círculo prateado. Regina se levantou rapidamente, indo na direção de Rumple ainda com sua atenção voltada ao círculo de prata.

O circulo foi então tomado por uma espécie de cortina, algo o circundando como uma parede, a Rainha ficou apenas observando enquanto aquela barreira aos poucos ia se formando. Por fim todo o círculo já estava envolto por aquela cortina transparente, que reluzia trazendo luz para tudo a sua volta.

“Uma Rainha não devia chorar na frente de seus súditos.” – Observou Rumple, encarado o círculo a sua frente. Regina enxugou as lágrimas, antes de então responde-lo.

“Uma Rainha também não devia suplicar por amor.” – Respondeu ela. – “Eu estou fazendo isso apenas para provar ao meu filho que eu posso fazer algo bom. Acredite, não era assim que eu queria que as coisas funcionassem.”

“Não há necessidade de se justificar, Regina. Nós dois queremos a mesma coisa. É por isso que estamos aqui esta noite.”

“Ah, por favor. Não me compare a você. Pelo menos eu não estou obrigando Henry a ficar comigo, eu só quero provar que eu posso ser boa.”

“E ainda assim, aqui está você! Escravizando uma estrela. Que ironia.”

“Não é como se eu fosse matá-la ou algo do tipo.” – Retrucou Regina.

“Ah, minha querida. Você não sabe? Não sabe das consequências desse feitiço?” – Perguntou Rumple se virando para ela. Ela não respondeu, não havia necessidade, ele sabia bem que a Rainha não fazia a menor ideia do que aconteceria depois que capturassem a estrela.

“Esse feitiço a enfraquecesse. De modo que quanto mais tempo ela ficar presa, mais rápido ela morre, virando pó logo em seguida! Pó de estrela é a coisa mais preciosa do mundo. De todos os mundos. Uma fada pode viver uma eternidade e nunca será capaz de ter pó de fada o suficiente para se comparar ao que um único grãozinho de pó de estrela é capaz de fazer.” – Ele deu uma pausa, olhou para Regina que parecia estar perplexa e irritada ao mesmo tempo.

“Mas relaxe, minha querida. Estrelas não são imortais, porém demoram uma eternidade para morrer. Então se por acaso Henry não te amar novamente, pelo menos você vai ter uma companhia pra vida toda.” – E dizendo isso ele se calou, não porque quis, pois poderia provocar Regina à vida inteira, se calou porque o círculo mágico estava completo.

A parede transparente que o circundava, agora se movia como fogo sendo provocado pelos ventos. Era possível ver pequenos fios de prata saindo do círculo, voando em direção as copas das árvores. Centenas de fios prateados, que à medida que ganhavam as alturas se dispersavam pela floresta.

Os fios iam a todas as direções, quanto mais fios saiam do círculo mais fina ia ficando a parede que o circulava. Por fim, sobrou apenas o desenho no chão, que ainda brilhava tão forte quanto antes, um dos últimos fios passou bem perto de Regina e ela jurou ter escutado sua própria voz quando ele passou.

E de fato era a sua voz, cada fio daquele voava em uma direção. Cada fio daquele iria atrás da estrela e levaria até ela o pedido de Regina. E assim ela seria atraída para o círculo.

Quando enfim só sobrou o círculo, Regina e Rumple esperaram. Durante essa espera nenhum dos dois disseram nada. E embora houvesse muita coisa a ser dita, a beleza da visão daqueles fios ganhando os céus, calou os dois. E tudo que antes tinha que ser dito ou questionado virou apenas poeira. Virou silêncio. E no silêncio os dois se entenderam. Não por completo, pois isso seria impossível, mas se entenderam o suficiente para saber que os dois buscavam pela mesma coisa. E que de fato os dois estavam dispostos a fazer o que fosse preciso para ter o que tanto ansiavam.

“É um feitiço muito forte.” – Disse Rumple eventualmente, eles já estavam ali há alguns minutos, encarando o círculo de prata que brilhava há poucos metros deles. Regina não respondeu, apenas aguardou a explicação que ela sabia que viria. – “Muito difícil de ser realizado, pois apesar de qualquer um poder fazer o pedido, nem todos os perdidos são capazes de atrair uma estrela. Elas costumam ser bem seletivas.” – Disse ele por fim e um uivo distante foi ouvido.

“Um lobo?” – Perguntou Regina olhando ao redor.

“Não se preocupe. O som está muito distante.” – Respondeu Rumple, se arrependendo logo em seguida, pois um lobo de fato surgiu a alguns metros dali próximo ao círculo. O lobo parecia estar alheio a eles, cambaleava enquanto andava, farejando algo no ar e depois na terra.

Rumple e Regina permaneceram onde estavam, olhando para a criatura enquanto Rumple lentamente retirava a arma do bolso apontando em seguida para o lobo.

“Espera.” – Disse Regina num sussurro, fazendo com que ele abaixasse a arma. Os dois continuaram então a encarar o lobo que ainda farejava o chão. O lobo era enorme, com grandes olhos amarelos e pelagem branca que parecia brilhar à medida que ele se aproximava do círculo prateado.

“Ele vai estragar o feitiço se desfazer o círculo!” – Disse Rumple irritado, enquanto o lobo adentrava o círculo, parando logo em seguida, como se por fim tivesse achado o que estava procurando.

Cheirou o ar pela ultima vez, e então novamente a terra sobre suas patas, estava exatamente na linha do círculo, Rumple então se preparou para atirar, mas seu tiro nunca acertou o animal, pois ele foi impedido por Regina. A bala passou de raspão pelo lobo, fazendo-o então notar a presença dos dois.

“Não foi uma atitude muito inteligente de sua parte.” – Disse Rumple, apontando novamente a arma para o lobo que agora mostrava os dentes em sinal de ataque, o lobo se preparou para ataca-los. Regina se posicionou atrás de Rumple que se preparou para dar um segundo tiro, mas nunca o fez.

O lobo nunca atacou, na verdade o lobo nunca chegou a sair do círculo. Quando ele se preparou para avançar nos dois, acabou entrando no círculo e depois disso não conseguiu mais se mexer. Ele parecia extremamente confuso, tentava a cada segundo sair de onde estava, rosnando e tentando alcança-los com a pata.

Regina saiu então de trás de Rumple e se aproximou do círculo, encarando de perto o animal que tentava exaustivamente atacá-los, falhando em cada tentativa. Por fim o animal pareceu desistir e deitou-se na terra, exausto. Não estava exausto de lutar para escapar do círculo, imaginou Regina, mas sim por outros motivos, talvez.

A Rainha ficou parada por alguns instantes observando a respiração cansada do lobo, desejou poder ler os pensamentos do animal, desejou ajudá-lo. Só não sabia bem o porquê ou como. Era apenas um animal, ela disse para si mesma. Mas por que parecia tão humano?

“Você me prometeu uma estrela.”- Disse Regina se ajoelhando diante da criatura a sua frente.

“E ai está ela.” – Respondeu Rumple, mas não havia muita confiança em sua voz. Regina notou uma risada, se virou para encara-lo.

“Isso é um lobo!” – Disse ela, como quem diz a coisa mais óbvia do mundo.

“Não, minha querida.” – Continuou Rumple, se aproximando dela e com a ponta da bengala tocando no animal adormecido. — “Isso é uma loba! Alias, um transmorfo.” – Disse ele olhando para o céu para verificar a lua. – “Com certeza um transmorfo.” – Continuou, trazendo de volta sua bengala.

Regina tentou acompanhar o raciocínio dele, mas estava muito difícil. Levantou-se, olhando para o animal, se perguntando o que faria com uma loba.

“Revele-se.” – Exigiu Rumple, em um tom de voz firme, mas nada aconteceu. – “Bem, é logico que não funcionaria, ela não é minha súdita.” – Concluiu, olhando para Regina, ela suspirou, colocando as mãos no casaco e repetiu o que ele havia dito antes, dessa vez algo aconteceu.

Uma luz cobriu todo o corpo da loba, se esvanecendo logo em seguida, quando a luz desapareceu, não era mais a loba que estava ali deitada, mas sim uma mulher. Regina olhou para Rumple e sem esperar por instruções entrou no círculo, se ajoelhando novamente diante daquela estranha.

Regina a virou, podendo então ver o rosto da mulher a sua frente. Não era bem uma mulher, era uma garota, não aparentava ter mais que 18 anos. Porém Regina sabia muito bem que sua idade real transcendia a idade do próprio universo.

Ainda assim, se espantou pela aparência jovem da garota. Mas não foi só isso que a espantou, seus braços estavam cheios de hematomas, ela também aparentava estar muito cansada. Os cabelos loiros caiam pelos seus ombros, e a medida que Regina a trazia para si, colocando a cabeça da garota em seus braços, ela ia descobrindo mais hematomas por todo o corpo da garota.

A Rainha então olhou para Rumple, esperando que ele dissesse algo, ele apenas observou em silêncio a garota e disse apenas uma frase, sobre algo que Regina nem havia notado.

“Parece que você ganhou companhia dupla.” – Disse ele, Regina franziu o cenho e olhou mais uma vez para a garota em seus braços, notando então que ela estava grávida.

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Rumple observava a estrela, adormecida na cama do quarto de hospedes da mansão de Regina. Agora com a luz do quarto era possível ver melhor o rosto da garota e seu estado era bem pior do que aparentava antes. Ela usava uma camisola larga, provavelmente de algum hospital e apenas um casaco fino por cima. Ela tinha uma aparência suja e cansada, olheiras nos olhos que agora eram mais evidentes e hematomas por todo o corpo, notou Rumple.

Ele sentou-se na cama, observando a estrela, sua respiração cansada, seus cabelos loiros caindo por sobre os ombros. Sentiu certa compaixão por ela, algo que nunca havia sentindo por ninguém. Era só uma garota, ele pensou enquanto a observava, que aparentemente havia passado por maus bocados nos últimos tempos. Ele retirou o casaco que ela usava, quando percebeu que ela suava, ele ia baixar a temperatura do ar condicionado em seguida, mas nunca o fez.

Assim que ele tirou o casaco da garota, ele ficou parado próximo a ela, sem reação ao que via. Agora era possível ver hematomas ao longo do braço, de um roxo profundo. Rumple se aproximou mais da estrela, tocando levemente em seu braço machucado, fazendo com que ela soltasse um gemido de dor. Ele então a soltou, e voltou a ficar de pé a observando, soltando um leve suspiro.

Milhares de perguntas passaram pela sua cabeça. Assim como milhares de respostas e nenhuma delas podia responder o porquê dos hematomas. Ainda assim ele se questionou, seus pensamentos foram logo interrompidos pela garota, ela ainda estava dormindo, porém completamente agitada na cama.

Estava molhada de suor e seu corpo todo se agitada em pequenos espasmos. Rumple se aproximou novamente da garota, tentou acalma-la, mas não houve nenhum resultado. Os espasmos tornaram-se mais violentos e agora a garota tremia totalmente na cama. Rumple a segurava pelos braços para que ela não caísse da cama, enquanto ele gritava por Regina que concidentemente entrava no quarto com uma xicara quente de chá. Ela colocou rapidamente a xicara numa mesa de cabeceira e foi ajudar Rumple a segurar a garota na cama.

“O que aconteceu?” – Regina perguntou assustada, enquanto Rumple segurava as pernas da garota que se agitada mais ainda na cama.

“Crise de abstinência. Creio eu.” – Respondeu Rumple, olhando para os hematomas da garota, Regina acompanhou o olhar dele, podendo notar as marcas de injeção ao longo do braço da garota. Não disse nada, porém, não sabia o que dizer ou o que fazer, apenas a segurava mais forte. Rumple por sua vez, se posicionou na cama, de modo que ficasse por cima da perna da garota.

“O que vai fazer?” – Questionou Regina, não houve resposta, com as próprias pernas Rumple impedia que a estrela se movimentasse e estendeu uma de suas mãos livres sobre a garota. Regina observava em silêncio, sabia o que ele iria fazer.

O Senhor das Trevas então fechou os olhos e correu a mão por cima da garota, no mesmo instante os tremores passaram e os hematomas sumiram, e o rosto da garota tomou um aspecto mais juvenil. Ela não aparentava mais cansaço.

Rumple saiu de cima da estrela, olhando para as mudanças da garota, que ainda dormia. Já não possuía a respiração cansada, parecia um anjo, dormindo inocentemente. Regina sentou-se na cama junto a ela, e deu uma rápida olhada para Rumple, que checava o relógio. Ela já havia perdido as contas de quantas vezes ele checou o relógio desde que chegaram ali, resolveu não comentar das outras vezes, mas agora já era ridículo.

“Temos tempo.” – Ela começou a dizer. – “Será que não pode se acalmar? Deixe-a descansar um pouco, olha só o estado dela!"- Continuou, colocando a palma da mão na testa da garota, verificando que a sua temperatura havia normalizado.

Desde que chegaram ali, a garota estava um pouco febril, havia demorado muito para chegar na mansão, Regina tinha se materializado na floresta, mas não era capaz de fazer isso com outra pessoa, de modo que teve que voltar com Rumple em seu carro.

Havia tido muita dificuldade para coloca-la no carro, porque a garota apesar de frágil, não era exatamente uma pena. E Rumple não era capaz de carrega-la sozinha, deixando Regina com o trabalho pesado. Quando chegaram à mansão já passava das duas da manha, tiveram mais trabalho de subir as escadas com a garota e mais trabalho para acomoda-la na cama, de modo que agora o céu já estava quase clareando.

“Não acho que temos tanto tempo assim, Regina.” – Respondeu ele, checando seu relógio novamente, descobrindo que já eram quatro da manha. – “Ruby não estava em condições muito boas, então acho melhor se apressar com isso. Você tem apenas uma chance de impressionar seu filho, não estrague isso.” – Concluiu, Regina revirou os olhos e se ajeitou mais na cama ficando mais próxima da estrela.

Relutou em acorda-la, pois depois da cena que ela viu, o que ela mais queria era que a garota apenas descansasse o quanto fosse preciso. Porém sabia que Rumple estava certo, que eles não tinham tanto tempo assim. Que Ruby estava cada vez mais fraca e que talvez não sobrevivesse nas próximas horas.

Ela tocou na garota, balançando-a um pouco enquanto dizia um ‘hey’, num tom não muito alto. A garota nem se mexeu, Rumple se aproximou de Regina e de uma forma não muito gentil, pegou a garota pelos ombros a chacoalhando logo em seguida. Parou no instante seguinte, porque Regina o fez parar, não havia necessidade de tamanha brutalidade.

Rumple se afastou, olhando para a estrela que estava se despertando, a garota abriu os olhos lentamente, colocando as mãos sobre eles por alguns instantes, como se tentasse se adaptar a visão, como se não a usasse há anos. Ela olhou para os dois que a encarava com certa curiosidade, e quando parecia que já estava adaptada a luz do ambiente, ela sentou-se, encostando as costas na cabeceira da cama.

Ninguém disse nenhuma palavra, os três se encararam por alguns segundos, aqueles tipos de segundos que mais pareciam uma eternidade e por fim Regina quebrou o silencio.

“Meu nome é Re-” – Ela começou a dizer, mas foi interrompida.

“Sei quem você é.”- A garota disse, sua voz era contraria a sua aparência, não existia nada de doce ou de inocente naquela voz. – “Você é Regina, minha nova dona.” – Continuou ela e seus olhos claros pousaram em Rumple. – “E você é o Senhor das Trevas. Alertaram-me sobre você.”

“Quem te alertou?” – Rumple perguntou, com seu tom de voz carregado de curiosidade e certo fascínio.

“Minhas irmãs.” – Respondeu ela, dando de ombros, voltando a encarar Regina. – “Me chamo Ylva. Mas podem me chamar de Selene... É como eu me chamo aqui na terra” – Disse ela e um sorriso surgiu em seu rosto, foi inevitável para Regina não corresponder.

“E o que te trouxe até Storybrooke?” – Regina perguntou.

“É uma longa historia. Onde fica exatamente Storybrooke? O quão longe eu estou da Espanha?” – Perguntou, com um tom de voz preocupado.

“Espanha? Ah, querida. Há um oceano entre nós e a Espanha. Então você está muito longe de casa.” – Regina respondeu. A estrela então se recostou na cama, soltando um suspiro de alivio.

“Ótimo.” – Disse ela.

“Não querendo ser indelicado.” – Começou Rumple. – “Gostaria muito de saber o que te trouxe aqui e o motivo pelo quão você se drogava e por que chegou aqui com uma aparência de lixo, mas nós precisamos de um pedido.” – Ele concluiu, a estrela olhou para ele com certo ar de desprezo, e em seguida olhou para Regina.

“É importante.”- Disse Regina. – “Acredite, nós não teríamos te evocado se não fosse importante, já que-” – Novamente Regina foi cortada.

“Já que nenhum dos dois tem o que é preciso para possuir o coração de uma estrela ou até mesmo fazer um pedido.” – Selene falou. – “E embora eu agradeça por vocês terem me ajudado.” – Ela deu uma pausa, encarou Rumple e continuou. – “Com os meus problemas com as drogas.” – Ela deu uma ênfase na palavra drogas, enquanto falava parecia que a qualquer momento poderia fuzilar Rumple com os olhos. – “Eu devo informar, que sou inútil para vocês. Não posso realizar pedido algum pedido.”– Concluiu ela, seus olhos repousaram em Rumple e ele sentiu como se ela pudesse ver através dele, não de uma forma boa.

“Bem.” – Começou Regina. – “E se outra pessoa fizer o pedido? Uma pessoa de coração puro? Você seria capaz de realizar?” – Concluiu Regina e enquanto ela falava a estrela não olhou para ela em nenhum momento, ainda encarava Rumple e ele fazia o mesmo. A estrela por fim voltou a atenção a Regina e não disse uma palavra, apenas assentiu com a cabeça, Regina deu um suspiro de alivio e tirou da bolso do casaco seu celular.

“Eu nunca fiz isso por telefone.” – disse Selene, assim que Regina começou a digitar os números. – “Posso tentar, porém não posso garantir sucesso.”

“Se não der certo, levamos você até ele.” – Disse Regina. – “Mas nós temos certa urgência.” – Dizendo isso ela terminou de discar os números, colocou no modo alto-falante e os três ficaram esperando que alguém respondesse do outro lado da linha. Era possível ouvir o telefone chamar, alguns instantes depois uma voz sonolenta falava um ‘alô’.

“Emma.” – Regina deu uma pausa. – “É Regina.”

“Espero que você saiba que horas são.” – Disse Emma, puderam ouvi-la se ajeitar na cama. – “Algum problema?”

“Preciso falar com Henry.” – Respondeu Regina, houve um breve silêncio.

“Você entende que ele está dormindo, não é?”

“Estou ciente disso.” – Respondeu Regina, sentindo que estava quase perdendo a paciência.

Por que Emma era tão irritante?

“Espero que esteja ciente também de que ele demorou uma eternidade pra pegar no sono. Toda essa historia da Ruby mexeu muito com ele.”

“Talvez eu também estivesse ciente disso, se ao invés de querer dormir na casa de uma estranha, ele quisesse dormir na cama dele. Onde eu tomaria conta dele. Já que é esse meu papel, não é? Já que eu sou a mãe dele.” – Concluiu Regina, nem percebeu que seu tom de voz havia se alterado.

“Não há nenhuma necessidade disso.” – Disse Emma. – “Vou chama-lo. E você sabe muito bem que é a escolha dele ficar aqui.”

“Bem, se eu fosse um garotinho e minha mãe biológica e meus avós insistissem em me dizer que minha mãe adotiva é uma bruxa má, eu também não iria querer voltar pra casa. Por favor, Emma, não venha com hipocrisia essa hora da manha. Vocês todos são responsáveis por ele se afastar de mim.” – Regina terminou de dizer e enxugou a lágrima de raiva que surgia em seu olho, do outro da linha Emma não respondeu, não havia nada a ser dito, quer dizer, Regina estava certa.

“Mãe?” – A voz do garoto era sonolenta também, Regina não conseguiu evitar e sorriu ao ouvir o som da voz de seu filho.

“Olá, querido. Como você está?” – Perguntou Regina.

“Um pouco cansado.” – Respondeu. – “Você conseguiu?!” – A voz perdeu o tom de sono e cansaço e se encheu de excitação.

“Não exatamente.” – Respondeu ela. – “Mas estou trabalhando nisso e foi por isso que eu te liguei. Eu preciso que você repita o que você me pediu. Que me peça pra curar Ruby. Pode ser?”

“Ahn... Acho que sim.” – Respondeu ele.

“Tem que ser um desejo.” – A estrela sussurrou, Regina assentiu e então repetiu o que Selene havia dito.

“Peça como se tivesse fazendo um pedido a uma estrela.”

“Uma estrela?” – Perguntou Henry confuso.

“É. Igual quando a gente faz um pedido quando assopramos a vela do bolo de aniversário.” – Explicou Regina, ouviu o filho do outro da linha dizer um ‘certo’ em meio a uma risada. Houve um silêncio.

“Eu desejo.” – começou Henry. – “Que Ruby fique boa novamente e que...” – Fez uma pausa. – “E que minha mãe Regina consiga ser feliz.” – E dessa vez a pausa foi maior. Regina, Rumple e até mesmo Selene não disseram nenhuma palavra, durante esse breve silêncio. Regina apenas olhou para trás, a tempo de ver Rumple saindo do quarto e voltou à atenção a estrela, que agora tinha no rosto um sorriso que combinava perfeitamente com seus olhos, o tipo de sorriso que diz tudo, mas Regina não sabia muito bem o que ele dizia.

“É só isso?” – Perguntou Henry por fim.

“É sim, querido. Vou te deixar dormir agora.”

“Eu sempre costumo fazer dois pedidos quando assopro as velas.” – Ele se explicou. – “Porque às vezes um deles costuma falhar. Só espero que nenhum deles falhe, pois são duas coisas que quero muito nessa vida.”

“Bem, querido.” – Começou Regina a falar. – “Não sei quanto ao segundo pedido, mas o primeiro te garanto que vai se realizar. Boa noite, querido.”

“Boa noite, mãe.” – Respondeu ele e Regina desligou o telefone em seguida. Regina permaneceu no quarto, encarando o celular a sua frente, a estrela não sabia o que dizer, então apenas se curvou, tocando nas mãos de Regina que ainda segurava o celular e a acariciou de leve.

“Eu te conheço a menos de meia hora, mas já é tempo o suficiente pra que eu saiba algo muito relevante sobre você.” – Disse Selene.

“E o que é isso?”

“Se tem algo que você ame nesse mundo, é esse garoto.”

“Bem, ele é tudo que eu tenho.” – Respondeu Regina, dando um sorriso de lado. – “Literalmente tudo o que eu tenho, e pensando melhor a respeito, eu não tinha nada antes de conhecê-lo. Você vai saber do que eu estou falando quando sua criança nascer. Se você não conhecia o amor, vai passar a conhecer, se você tinha prioridades vai rever todas elas. E no final do dia, mesmo que seu dia for um lixo, você vai olhar seu filho dormindo em sua cama e tudo vai ter valido a pena, porque só a felicidade dele é que importa.” – Regina trouxe as mãos para si, desfazendo contado com a estrela, se levantando em seguida e indo em direção à porta.

“Eu preciso dar uma ultima palavra com Rumple antes que ele vá embora, eu já volto pra te trazer algumas roupas. Acho que você precisa descansar, mas um banho não te mataria.” – Disse Regina forçando um sorriso e se afastando para ir embora.

“Regina!” – Disse Selene, fazendo Regina voltar por um instante. – “O pedido está sendo realizado.” – Disse ela, Regina assentiu dizendo um ‘obrigada’ e se preparou novamente pra ir embora, mas parou novamente. – “Os dois pedidos.” – Concluiu Selene, Regina ficou alguns segundos parada no batente da porta, encarando a estrela.

Internamente ela se perguntava se merecia ser feliz, pois isso sempre lhe pareceu algum tipo de utopia. E foi como se Selene pudesse ler seus pensamento e apenas respondeu, antes que Regina saísse novamente.

“Não pense nisso, você merece mais que a felicidade, só precisa se dar conta disso.”

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Regina seguiu Rumple até a entrada de sua casa, onde ele havia estacionado seu carro, gritou por seu nome, o fazendo parar e olhar em sua direção. Ele então fechou a porta do carro que havia acabado de abrir e aguardou que a Rainha se aproximasse, se apoiou em sua bengala, deixando exalar um ar de pura irritação e impaciência. Quando enfim ela chegou até ele, e se preparou para falar algo, ele simplesmente a interrompeu, não dando chance a ela de falar o que quer que fosse.

“Você não é mais a Regina que eu conhecia.” – Disse ele, apontando com o queixo para a sua mansão, ela se virou para olhar para onde ele havia apontado, e pôde ver a janela de um dos quartos com a luz acesa. Ela sabia bem do que ele estava falando, estava falando da cena anterior, de suas lágrimas. Bem, não eram as primeiras que ele tinha visto aquela noite. Regina decidiu ignorar, mas isso não era de seu feitio.

“Por quê? Por que o fato de eu ter perdido meu filho me atinge? O que você esperava que eu fizesse? Aceitasse e colocasse um sorriso falso em meu rosto e ativasse meu lado mau e simplesmente esquecesse que ele uma vez existiu na minha vida?”- Perguntou ela, com uma leve irritação na voz, a resposta de Rumple foi uma risada.

“Querida você não perdeu seu filho, ele está muito bem e você sabe disso, talvez até melhor do que antes quando morava com você. Quer dizer, uma mãe biológica, avôs do lado dele, o que mais uma criança adotada poderia querer? Quem perdeu um filho fui eu, Regina. Diferente de você eu nem sei se ele esta vivo, tenho todos os motivos para estar por ai chorando pela perda dele, mas ao invés disso-”

“Ao invés disso você está deixando seu coração virar pedra, ao invés disso, você faz acordos e manipula as pessoas para ter o que quer. Desculpa, mas eu conheço sua historia, Rumple. Você não perdeu seu filho. Você o deixou ir embora. Você escolheu o poder, ao invés do seu filho. Acredito que ele está muito melhor sem você.” – Disse ela, o tom de voz não tão diferente de antes, dessa vez não veio uma risada como resposta, ele apenas a encarou por alguns segundos, antes de responder:

“Você não é tão diferente de mim, Regina. E não importa o que você faça, você sempre terá o título que tanto fez por merecer.” – Disse ele, e sem se despedir se voltou para entrar em seu carro. – “Espero que mantenha segredo sobre o que essa garota é para seu filho e para qualquer outro. Não quero que Belle descubra sobre isso.” – Disse por fim, e partiu com o carro, Regina ficou a observar o carro desaparecer, guardando para si quaisquer eventuais perguntas que surgiram em sua mente.

Ela não queria perder seu titulo, ela tinha consciência de todos os seus atos, acreditava que merecia punição por eles, mas também acredita que merecia uma segunda chance, pra ser redimir de seus erros. Sempre haveria essa parte ‘má’ dentro dela, uma parte da qual todos os dias ela lutava para que essa parte não a dominasse mais.

Porém antes era tão fácil, quando Henry estava com ela, quando ela tinha algo para se focar. Alguém pra mantê-la no chão e lembra-la de que ela podia ser boa. Era isso que Henry fazia por ela, e era por isso que ela precisava tanto dele, pois a cada dia sem ele, ela sentia-se afundando novamente nas trevas que ainda existia em seu coração.

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Rumple parou em uma esquina qualquer, tirou do bolso o celular e discou os números que já havia na memória. Não demorou muito pra ele ouvir a voz de Belle do outro lado da linha.

“Alô, Belle, como você está?” – Perguntou ele, escondendo a ansiedade de saber se a magia da estrela havia ou não funcionado.

“Estou bem.” – Respondeu ela.

“Está com Ruby?”

“Não, na verdade estou na lanchonete do hospital.” – Respondeu ela, apoiando o celular em um dos ombros para poder usar as duas mãos. Com uma das mãos ela segurava seu décimo copinho de café daquela noite e com a outra ela mexia o café com uma colherzinha, jogando-a no lixo logo em seguida e pegando o celular novamente. – “Por quê? Você está por aqui?!”

“Não, não estou. Mas gostaria de saber se funcionou a magia. Se ela acordou.” – Perguntou ele, querendo receber uma resposta positiva de Belle, mas ao mesmo tempo querendo que ela dissesse que Ruby não sobreviveu aos ferimentos.

“Não.” – Respondeu ela, dando uma leve pausa. – “Quer dizer, eu não sei, não estou no quarto.” – Disse isso enquanto caminhava em direção ao quarto, parando bruscamente quando viu vovó vindo em sua direção, seu rosto coberto por lágrimas.

“Eu vou ter que desligar.” – Disse ela, sem esperar uma resposta, guardando o celular na pequena bolsa que carrega a tiracolo e indo na direção de vovó.

“Oh, Belle.” – Disse ela, as lágrimas descendo mais e mais no rosto daquela senhora, Belle a abraçou e caminhou com ela até uma das mesas, sentando-se com a senhora em uma das cadeiras vagas.

“O que aconteceu?” – A voz de Belle era de pura preocupação e ela se segurava para não chorar junto com a senhora, ela colocou o copo de café na mesa a sua frente e passou um dos braços por trás da mulher a abraçando em seguida.

“Alguma coisa aconteceu com Ruby. Eu não sei bem o que. Eu estava deitada em um cochilo, acordei com um barulho vindo da cama dela, uma luz, ou sei lá, emanava do corpo dela, todos os aparelhos pareceram simplesmente entrar em pane. Corri para chamar Vitor, que está lá com ela agora e sua equipe. Eu não faço a mínima ideia do que esta acontecendo com a minha menina.” – Disse vovó e Belle a abraçou mais forte, não conseguia nem imaginar a cena em sua mente.

Ficaram ali por alguns breves instantes, até ouvirem os passos de alguém se aproximando, era o Dr. Whale que tinha um sorriso no rosto.

“Não sei bem como explicar.” – Começou ele, Belle se levantou junto com vovó para ouvir a noticia e apesar dele ter um sorriso no rosto, Belle sentia seu coração encolher sem saber ao certo o que havia acontecido.

“O que?” – Interrompeu Belle. – “O que aconteceu?”

“Ok.” – Disse ele, mas para si mesmo do que para Belle. – “Por que vocês não vão ver por si próprias?” — E dizendo isso Belle disparou em direção ao quarto de Ruby, sendo seguida por vovó e Dr. Whale, parando assim que chegou à porta do quarto.

E seus olhos se encheram de lágrimas. Ruby não tinha mais a aparência de antes, não havia mais tubos conectados a ela, parecia simplesmente dormir, como se nada tivesse acontecido. Belle se aproximou da cama, examinou a morena mais de perto, não havia mais cicatriz ou hematomas, seu rosto estava intacto, com uma aparência serena, respirando sem ajuda de nenhum aparelho. Ver essa cena encheu seu coração de alegria e vovó parecia sentir o mesmo, se aproximou da garota dando um beijo em sua testa e olhou pra Belle que não conseguia tirar os olhos nenhum minuto da garota.

“Sei que isso tudo foi graças a você.” – Disse vovó, fazendo Belle tirar os olhos de Ruby por alguns segundos. — “E obrigada.”

“Não foi não.” – Belle respondeu, mentindo para a senhora.

“Sei que teve, não precisa mentir para mim. Só espero que você não tenha perdido muito com essa troca.” – Continuou ela, beijando mais uma vez a testa da sua neta. – “Vou avisar a todos que ela está bem.” – Disse com um sorriso enorme surgindo em seu rosto, se misturando com as lágrimas de alegria. Belle assentiu para ela, a vendo sair, olhou então para Dr. Whale que ainda estava parado na porta do quarto.

“Ela vai demorar a acordar?” – Belle perguntou, o doutor se aproximou dela, com toda a sua atenção voltada para Ruby.

“Não muito, ela está sob efeito dos anestésicos, mas já está despertando. Na verdade ela já demonstrava sinais de consciência, chegou até a falar uma coisa ou outra enquanto eu estava aqui com a minha equipe.”

“Sério?”

“Sim, na verdade não disse muita coisa. Basicamente o que eu entendi foi seu nome.” – Disse ele encarando-a, Belle não respondeu nada e então ele continuou: — “Bem, sempre soube que eu nunca teria alguma chance com ela.” – Completou. – “Mas me alegra saber que ela encontrou alguém.”

“Ela só disse meu nome.” – Belle respondeu, franzindo o cenho. – “Não é como se tivesse se declarado pra mim, ou algo do tipo.”

“E precisava?” – Perguntou ele e ela abriu a boca umas duas vezes tentando responde-lo, mas não havia necessidade. Porque ela sabia que ele estava certo, não precisava.

Em seguida ele saiu, deixando as duas sozinhas. Vovó apareceu logo em seguida, avisando que havia ligado para Snow e que todos estariam ali dentro de poucas horas. Belle nunca havia visto a senhora tão feliz quanto hoje, também não era pra menos, quer dizer, ela quase havia perdido a neta e como por um milagre a garota retornou para ela.

Ruby era tudo o que aquela senhora tinha e perde-la nunca passara pela sua cabeça, pois ela era mais que sua neta, era sua filha. Vovó acabou pegando no sono no sofá de visita pouco tempo depois, Ruby por sua vez ainda não havia acordado. Belle permaneceu com ela o tempo todo, mas agora seu corpo já mostrava sinais de pura exaustão. Puxou um banco para perto do leito da morena, sentou-se nele, apoiando metade do corpo no espaço que havia na cama de Ruby e tentou dormir.

Porém sua cabeça estava a mil, então acabou desistindo de pegar no sono. Olhou para o relógio de parede do quarto que marcava sete da manha, daqui a pouco todos estariam ali, e ela já não mais teria esse momento a sós com a morena. Talvez nunca mais tivesse, ela pensou, já que havia feito o acordo com Rumple e não sabia como seriam as coisas daqui pra frente.

Ficou a olhar o rosto de Ruby, podia jurar que conhecia cada detalhe dele, dos lábios, das maças de seu rosto que sempre coravam quando ela a via, do sorriso que ela tanto sentia falta, pensando agora nisso, parecia que ela não via aquele sorriso há anos.

“Sabe.” – Ela começou a dizer, sem se preocupar com o fato de vovó ainda estar ali, pois não sabia quando estaria com Ruby novamente, não sabia se teria chance de dizer a ela todas as coisas que estavam guardadas em seu peito. Então que vovó escutasse também, ela nem mais ligava, ela só queria dize-las, talvez Ruby nem pudesse escuta-las, mas ela preferia pensar que ela podia. Preferia pensar que a veria na manha seguinte, que nada havia acontecido e que de fato Ruby estivesse só dormindo.

“Eu vou sentir falta de você, prevendo meus pedidos no café da manha... Lembra-se da primeira vez que você me trouxe panquecas? E do jeito bobo que você me explicou cada item do prato? Enquanto você falava, tudo que eu pensava era: Qual é a cor dos olhos dessa garota? E até hoje eu me pergunto isso, quer dizer, eles estão sempre me enganando, uma hora são azuis, às vezes são verdes. E a cada manha, quando eu vou até a lanchonete, eu não me pergunto o que vou comer ou algo do tipo. Pois você sempre me surpreende nesse quesito. O que eu me pergunto é que cor serão seus olhos... Não sei dizer que cor eu prefiro, na verdade, não acho que eu ligo muito para a cor deles, contanto que eles olhem para mim, é o que me importa...”

“Sabe.” – Continuou ela, secando as lágrimas de seus olhos azuis. – “Eu só queria que nós fôssemos eternas, porque talvez algum dia nós tivéssemos nossa chance.”

“E não somos?” – A voz de Ruby era fraca e quase inaudível, talvez fosse o efeito dos remédios, Belle pensou, mas não ligava, o fato de poder ouvir a voz dela e poder ver seus olhos novamente, que hoje especialmente eram azuis, já bastava.

“E não somos o que?” – Perguntou Belle, acariciando o rosto da morena, que ainda estava bem sonolenta.

“Eternas.” – Ruby respondeu dando uma pausa. – “Quer dizer, nossas historias estão contadas em livros, existimos nas memórias de crianças, jovens e adultos. Todos os dias alguém se lembra de nossas historias, sei que eles não fazem ideia de que em algum lugar essas historias são realidades. Mas isso não importa para eles, e enquanto existir essas pessoas e os livros, nós seremos eternas. E só uma pena que, não estamos nas mesmas paginas.”- Ruby terminou de dizer e Belle sentiu que ela pegava novamente no sono, então ela não disse mais nada, deixou que ela adormecesse e refletiu sobre aquelas palavras.

“Ainda assim a gente se encontrou.” – Disse Belle em resposta, embora soubesse que agora ela não mais a ouvia. – “E eu não ligo se minha história já está toda escrita em um livro, se já existe um final nele. A não ser que seja você quem esteja na última página comigo, caso contrario eu não quero que essa seja minha historia.” – E depois disso não disse mais nada, apenas desejou do fundo do seu coração, que existisse uma historia só delas, que não houvesse nenhum vilão, apenas elas duas. Nem era preciso um castelo, não era preciso nada.

Que Ruby ao seu lado a bastasse, que as duas se bastasse e que a historia delas fossem mais forte e mais antiga do que o próprio tempo. E com esse desejo Belle então adormeceu e uma estrela não muito longe dali sentiu seu pedido e talvez, só talvez, essa estrela pudesse realizar mais de um pedido essa noite.

Notas finais
Obrigada a todos que estão lendo.
Criticas, sugestões e comentários são bem vindos.