She Wolf

5 Hands Open


Notas iniciais
Regina e Emma tem uma conversa, que faz a Rainha questionar seus verdadeiros sentimentos em relação a loira.
Selene revela um pouco de sua historia para Regina e lhe conta um segredo sobre sua verdadeira identidade.

Capítulo 5 — Hands Open

Ainda era muito cedo quando Regina se levantou, não havia dormido mais de duas horas provavelmente. Sentia-se exausta, mas já não mais conseguia dormir, sua cabeça estava a mil, ela queria saber se o plano havia dado certo. Queria encontrar com seu filho, abraça-lo, ver o rostinho dele cheio de orgulho pelo o que ela tinha feito. Queria muitas coisas para hoje, mas a realidade era muito diferente.

Olhou para o lado vazio de sua cama, correu a mão pelo lençol gelado e pela primeira vez ela sentiu falta de sentir alguém acordando ao seu lado. Pela primeira vez ela sentiu como se merecesse isso. Como se merecesse essa felicidade, esse sentimento de se sentir completa, infinita nos braços de alguém. Perguntou-se se Daniel teria feito isso por ela, se teria sido capaz de fazer isso pra sempre. Nunca havia dividido uma cama com ele, nunca havia passado de beijos. E como ela sentia falta disso, dos beijos, das juras de amor. De saber que alguém imaginava um futuro ao seu lado. Mas entre tantos desejos o que restava de fato era isso: um vazio do outro lado da cama. Um vazio em seu peito e até mesmo o quarto de seu filho se encontrava vazio agora.

Ela caminhou pelos corredores do primeiro andar, passou no quarto de hospedes onde a estrela dormia e entrou no cômodo, notou que a garota não havia trocado de roupa e adormecia na cama com um semblante sério. Essa cena fez com que Regina se imaginasse na mesma situação que a garota, não dormindo é claro, mas sim gravida.

Pegou-se imaginando gravida de Daniel, esperando por um filho que os dois nem sequer imaginaram que não teriam. E então essa fantasia virou uma lagrima que correu pelo rosto da Rainha, ela a enxugou, saiu do quarto e partiu em seu carro em direção à prefeitura. Seus pensamentos também a acompanharam, a tristeza também a acompanhou, já não mais se imaginava gravida, quando se sentou em sua mesa. Já não mais pensava que alguma vez ela já havia sido feliz, quando mexeu em seus papeis agora.

Quando deu o horário do almoço então, tudo o que restou de seus pensamentos foi uma profunda depressão e uma certeza de que a felicidade não fora escrita pra ela. Em algum momento Leroy apareceu, mostrando a ela o orçamento da obra da rua e detalhando tudo que faria com o dinheiro que ele queria que ela liberasse. Ela nem prestou atenção no que ele falava, apenas assinou os papeis que ele precisava e em seguida ele foi embora com um sorriso satisfeito no rosto. Fazendo com que ela se perguntasse como era possível ser feliz sendo apenas um cidadão comum, mas ela sabia que Leroy não era apenas um cidadão comum. Ele tinha bem mais que um machado para fazê-lo feliz, ele tinha amigos que o amava, família e um trabalho que para ele era mais do que uma obrigação.

Ele tinha o tipo de felicidade que Regina há muito tempo buscava. Por essa busca ela foi capaz de tantas coisas, se perguntava agora se teria valido a pena. Se todo o mal que ela causara na tentativa de ser feliz, teria valido a pena. Pois no final das contas parecia que ela tinha sido a mais prejudicada, sabia que isso era uma mentira. Porem pensar assim dava uma justificativa a toda sua tristeza.

Nas horas seguintes ela tentou se focar em seu trabalho, porém agora as palavras dos documentos a sua frente pareciam se misturar uma nas outras, tornando-se confusas e sem nexo. Ela estava cansada demais pra se focar no trabalho, seu corpo gritava por descanso. Colocou os documentos novamente na mesa, esfregou os olhos tentando afastar o sono, pois afinal ainda tinha que chegar em casa. Viu então um quadro com uma foto de Henry em sua mesa, pegou o quadro, encarado o rosto do garoto na foto. Ele não tinha mais de 3 anos naquela foto, seu sorriso era feliz e inocente.

Quando foi que ela deixou de ser o motivo pelo qual ele sorria? Quando foi que ela deixou de ser mãe e passou a ser a substituta? Quando foi que ela deixou de ser a mamãe e passou a ser a Rainha Má? Ela não queria saber as respostas dessas perguntas, embora ela soubesse as respostas. Não queria responder suas perguntas, pois ela não conseguia assumir as respostas. Não conseguia assumir que fora Emma a culpada desse afastamento. Porque na verdade ela estava cansada de dar motivos para alimentar o ódio que ela sentia por Emma. Cansada de criar motivos para fazê-la a vilã da historia, cansada de se pegar pensando nela, mas agora já era inevitável.

Tentou apagar esses pensamentos de sua mente, e começou a se questionar como teria sido as coisas, se ela e Emma tivessem criado Henry juntas. Se o sorriso que o garoto esboçava ainda existiria, se ele teria sido mais feliz. Ela sabia que a resposta era sim, que provavelmente não teria espaço pra tristeza naquele rostinho e nem para lagrimas. Assim como também não teria aquele espaço vazio em sua cama, pois Emma o preencheria.

Por que ela estava pensando nisso? De onde vinham esses pensamentos? De onde vinha isso em seu peito quando Emma estava em seus pensamentos? E o mais importante: o que Emma estava fazendo em sua sala?

Emma estava parada na porta da sala da prefeita, Regina a viu e rapidamente colocou a foto do garoto de volta na mesa e fingiu que estava lendo os documentos a sua frente, que sinceramente ela já não mais fazia ideia do que se tratava. Emma bateu na grande porta de madeira, embora soubesse que Regina já a havia visto, segurava um copo de café nas mãos e estava ali a trabalho. A xerife precisava falar com a prefeita, embora agora vendo Regina, o que Emma queria mesmo era deixar o profissionalismo de lado. Regina estava obviamente cansada, os olhos fundos, com a aparência de alguém que precisava urgentemente de uma boa noite de sono.

“Peguei isso pra mim, mas acho que é você quem realmente precisa disso.” — disse Emma, colocando o copo de café na mesa de Regina. A prefeita olhou para o copo e depois elevou o olhar para a loira a sua frente. — “Eu só dei um gole.”- continuou Emma. — “Não vai me dizer que tem nojo da minha boca? Porque se for esse o problema-” — e dizendo isso ela andou pelo escritório da prefeita, parou diante de uma pequena mesa, onde havia uma jarra de agua e algumas taças. Pegou uma delas e caminhou de volta para a mesa da prefeita, pegando o copo de café de volta e despejando o conteúdo na taça limpa. Regina apenas a observou, se reencontrando na cadeira.

“O que você quer, Senhorita Swan?” — perguntou Regina. — “Não veio aqui apenas para me dar um copo de café já babado, não é mesmo?”

“Não.”- respondeu Emma. — “Vim como xerife. Pois estou investigando a causa do acidente de Ruby. Fiz algumas perguntas aos moradores, que chegaram primeiro ao local e aos anões que estão trabalhando na reconstrução da rua e todos eles me fizeram questionar um ponto interessante.”

“E qual é?”

“O que causou a destruição? Não há nada na cratera. Apenas um vazio. E eu duvido muito que uma bola de ar tenha caído com força o suficiente para fazer tal estrago.”

“Bola de ar?” — questionou Regina segurando um riso, Emma se sentiu patética.

“Não consigo pensar em algo a mais, já que todas as sugestões dos moradores parecem de certo modo absurdas. Apesar de eu ter visto muitas coisas nessa cidade, eu me recuso a acreditar que uma estrela cadente tenha caído nessa cidade. E que, além disso, tenha criado pernas e saído andando da cena do crime.”- disse Emma e a duas ficaram em silencio por alguns segundos. Regina foi a primeira a falar.

“É isso que estão dizendo? Que foi uma estrela cadente?” — perguntou Regina.

“Sim. Eu queria dizer que acho um absurdo, porem quem sou eu pra falar isso? Sou a filha da Branca de neve, que chegou a esse mundo dentro de um armário mágico.”

“Entendo. Porém o que eu tenho a ver com isso tudo?”

“Bem, eu estou procurando a estrela.”

“No meu escritório? Sério? Por que você acha que eu esconderia uma estrela? Alias, onde eu esconderia uma estrela?”

“Regina, colabora, pode ser? Nós duas sabemos que isso é bem possível. Uma estrela cair em uma terra cheia de magia, a primeira coisa que ela vai fazer é assumir uma forma humana.”

“Certo, Swan. Sim, é possível e agora que você já tem a sua resposta, por favor, pode se retirar. Creio que saiba onde é a saída.” — respondeu Regina, pegando os documentos de sua mesa e fingindo novamente que os lia, Emma ficou furiosa, era obvio que ela sabia de algo, como também era obvio que ela não contaria nada. A loira então se aproximou da mesa da prefeita e tirou os documentos da mão da morena, jogando-os de volta na mesa. Regina se levantou no mesmo instante. Furiosa com a atitude da loira, indo em sua direção logo em seguida.

“O que diabos você quer, Emma? Diga logo.”

“Você ligou para a minha casa na madrugada. Pra pedir a Henry que fizesse um pedido. Naquela hora eu não achei nada suspeito. Porem agora...”

“Fazia parte do feitiço de Rumple. Eu tive que ligar para a sua casa, desculpa se isso te incomodou, mas como eu disse antes era um feitiço. Requeria que uma criança fizesse um pedido. E bem, de criança eu só conheço o meu filho.”

“Um feitiço?”- questionou Emma, embora não precisasse que a prefeita confirmasse nada, seu radar para mentiras estava indo a loucura, sabia que Regina escondia algo, que havia algo a mais por trás de suas palavras, mas ainda assim a questionou. — “Está me dizendo então, que você não pode falar mais nada sobre o que causou o acidente?”- questionou Emma.

“Não. Estou dizendo que não sei o que causou o acidente. Só sei dos estragos. Alias como está a garota?” — perguntou Regina, mudando subitamente de assunto, pegou a taça com o café que Emma havia colocado para ela e sentou-se na mesa, esperando a resposta da loira.

“Ela está ótima, alias eu vim do hospital agora. Ela já vai receber alta e provavelmente já deve estar indo para a casa.”

“E Henry? Ele já a viu?”

“Não. Achei melhor não leva-lo novamente ao hospital. Vou esperar que ela se recupere totalmente em casa e depois eu o levo pra vê-la.”

“É uma ótima ideia.” — respondeu Regina. — “E se não tem mais nada a perguntar, te peço novamente que se retire, e feche a porta quando sair.” — continuou Regina, levantando da mesa e voltando para sua cadeira, pegou novamente os papeis e fingiu ignorar Emma que permaneceu parada exatamente onde estava.

Emma sentia tanta raiva de Regina agora, por que diabos ela era tão inacessível? Por que ela tornava as coisas tão difíceis? Uma simples tentativa de aproximação era o suficiente para criar uma barreira enorme entre elas, como se existisse um lago de gelo que as separavam e a cada passo que Emma dava para alcança-la o gelo ia ficando mais fino. Porem ela não tinha medo de cair nesse lago gelado, pois algo dentro de si dizia que valia a pena o risco. Que valia a pena sentir a camada fina de gelo se formando debaixo de seus pés, que a queda não doeria. Que a única coisa que era fria de fato, era a relação delas duas, uma relação tão fria quanto o coração da Rainha. E como Emma queria quebrar esse gelo, como ela queria esquentar o coração da Rainha, se aproximar dela... Porem ela sabia o quão grosso era a camada de gelo de seu coração e se ela tentasse alcança-lo, talvez ela o quebrasse no processo.

Ela encarou a morena sentada em sua cadeira, resolveu então que daria meia volta e iria embora dali. Não tentaria mais quebrar esse gelo, pelo menos não por hoje. Andou até a porta do escritório, mas nunca chegou a sair do cômodo. Parou, olhou para trás e percebeu que já havia caminhado demais para simplesmente voltar atrás. Daria pequenos passos nessa relação, Regina que quisesse que a empurrasse em direção ao lago gelado, Regina que quisesse que construísse mais alto essa muralha que a impedia de se aproximar de quem quer que fosse. Ainda assim Emma tentaria chegar até ela hoje. Não importava mais as consequências.

“Olha, eu não vim ate aqui pra isso.” — começou Emma a falar de novo, a expressão de Regina foi de perplexidade, pois não acreditava que aquela mulher ainda estava ali na sua frente. — “O café foi um pretexto, as perguntas das quais eu já sabia as respostas, foram um pretexto. Assim como os papéis que você lê são um pretexto... Um pretexto para você me ignorar, pra fingir que eu não estou aqui, fingir que eu nunca estive ou ate mesmo que eu não existo na sua vida, mas vou te dizer uma verdade Regina: eu estou aqui e eu não pretendo ir a nenhum lugar.”

“Emma, por favor, não me faça mais perder tempo. O que você quer afinal?”

“Eu quero que você saiba que eu te entendo. Que sua ligação ontem me tirou o sono. Fiquei pensando nas coisas que você disse e sei que você esta certa, talvez de fato a gente sem querer, afastou Henry de você. Não é por querer, acredite... Talvez seja porque eu tenho medo de perdê-lo novamente, talvez seja porque eu nunca pensei que teria meu filho novamente na minha vida ou que ate mesmo que ele fosse me perdoar por ter abandonado ele, talvez, eu não sei. Mas eu não quero que ele seja criado longe de você. Quando você diz que você é a mãe dele, você está certa, eu que sou a intrusa. Eu que devia se afastar da vida dele, sei que não mereço o amor dessa criança, mas ele é assim. Henry não é igual a nós duas e talvez por isso eu e você precisamos tanto dele... Eu sei que eu estive ausente durante 11 anos, mas eu estou aqui agora e eu quero estar aqui agora. Por isso eu te peço, embora eu saiba que vai ser muito difícil, mas por favor, eu só queria que você tentasse ficar perto de mim por no mínimo 11 minutos. Ou sei lá, pelo menos quando Henry estiver por perto. Que tente não me odiar, para que ele veja que é possível ele ter nós duas, e que não vamos nos matar na primeira oportunidade.”

“Emma, eu não te odeio.”- foi a resposta de Regina, Emma ficou confusa então, era mais que obvio que ela a odiava, ela nem precisava assumir. Emma já sabia muito bem. Porem agora, a loira já não sabia mais de nada. Ela não precisava se esforçar para acreditar nas palavras da prefeita, ela sabia que essas palavras eram verdadeiras, sabia que ela não a odiava. E desde quando isso? E alias o que era isso então? Se não era ódio o que ela sentia por Emma?

Um turbilhão de pensamentos rodou na mente de Emma, todos eles tentando resolver esse mistério chamado Regina. Todos eles tentando preencher as lacunas na mente confusa de Emma, que tentava achar então um sentimento contrario de ódio, mas só conseguia achar: amor.

Não era amor, por Deus! Regina não a amava! De onde ela tirou isso? Mas será que ela amava Regina? Não sabia, amor é muito complexo, talvez. Regina era muito complexa, certeza. Então talvez, só talvez (...)

Por que tem tantos ‘talvez’ nessa historia? Por que tantos porquês? Porque tudo ainda não está claro, porque tudo aqui ainda precisa ser descoberto, porque Regina e ate mesmo Emma não são apenas personagens escritos em uma historia. Elas vão além disso.

Suas paginas não pertence a um livro aberto e seus sentimentos são tão intensos que até mesmo a expressão “à flor da pele” não consegue ser capaz de descrevê-los. Porque eu podia simplesmente partir direto para uma cena quente, onde as duas se pegariam nessa mesa de escritório, onde o café cairia no chão, manchando o tapete. Os papeis que já não tinha mais importância permaneceriam na mesa, seriam banhados então pelo suor do corpo de Regina.

As palavras ali escritas se perderiam no calor do momento junto com as coisas que Emma diria ao pé do ouvido de Regina, que provavelmente descaracterizaria totalmente as personagens. Eu descreveria então do calor que a Rainha sentiria quando Emma tocasse em seu corpo, de como os pelos de seus braços se arrepiariam a medida que Emma corresse suas mãos sobre as suas costas. Do gemido baixo que a Rainha soltaria, quando a boca da loira encontrasse seu pescoço.

Aos poucos o corpo da Rainha sentira a urgência de sentir Emma a possuindo, eu descreveria então os beijos de leve que a loira daria no abdômen de Regina enquanto deitava a Rainha sobre a mesa do escritório. A boca de Emma então desceria ate as coxas de Regina, dando pequenos beijos, apenas para provoca-la. Mas nessa altura a Rainha já se encontraria completamente molhada, os beijos de Emma antes tão inocentes se tornariam mais provocantes. Seus dedos então passariam por cima da calcinha da Rainha, ela sentiria então que estava indo no caminho certo, enquanto tudo que passaria na mente da morena era que ela não via a hora de ser invadida por aquela loira.

Os dedos da loira brincariam por cima da calcinha completamente encharcada, a provocando cada vez mais. A Rainha então arquearia seu corpo, demonstrando o desejo de sentir Emma dentro de si. Depois de muito provoca-la, Emma então chegaria no sexo molhado da Rainha e aquele liquido invadiria sua boca, Regina soltaria um gemido alto de prazer, exigindo que a loira a invadisse cada vez mais fundo, a língua da loira encontraria então seu clitóris. Os gemidos então seriam constantes, as suplicas mais altas e o prazer das duas intenso, Emma então a chuparia ate fazer com que a Rainha se segurasse para não gozar.

Emma então continuaria a fodê-la com os dedos, chegaria mais perto de sua boca apenas para poder ouvir a reação da Rainha gritando por ela quando atingisse o clímax. Regina sentiria os dedos da loira a penetrando cada vez mais forte, sentiria seu corpo aos poucos se entregando aquele prazer, soltaria um ultimo gemido que se perderia em seus lábios junto com o nome de Emma. Seu corpo todo se estremeceria e relutantemente Emma tiraria os dedos de dentro dela, lambendo-os um por um. Apenas para prolongar o gosto do mel da Rainha em sua boca, as duas então descansariam, e eu provavelmente iria repetir outra cena de sexo no capitulo seguinte, poupando vocês da descrição chata de construir aos poucos essa historia de amor.

Detesto decepcionar a todos, mas a ultima coisa que aconteceu nessa mesa foi uma cena quente de sexo, Emma não sentiu o gosto da Rainha em sua boca e Regina não foi levada a loucura em cima de sua mesa de trabalho, pela boca, língua e dedos da loira que a encarava agora. O que se passava ali de fato era pura confusão e silencio, Emma se controlava pra não perguntar a Rainha o que ela sentia por ela de fato, já que não era ódio e Regina se arrependia amargamente de ter dito tais palavras. Agora que ela assumira que não a odiava, era como se de alguma forma o gelo abaixo de seus pés, que impelia Emma, se engrossava à medida que a loira se aproximava dela e isso era assustador demais pra Rainha.

“O que é isso, então? Se não é ódio?”- perguntou Emma, mal ouvia a própria voz, mal ouvia o som ao redor, ouvia apenas seu próprio coração batendo, ouviu todas as muralhas se erguendo ao redor de Regina, ouvia o gelo se rachando embaixo de seus pés, ouvia tudo que não queria ouvir e o que ela esperava ouvir?

Um: Eu te amo?

“Não sei.” – respondeu Regina, claramente confusa, claramente querendo também uma resposta. O que ela sentia por Emma? Não soube responder nem para si mesma. Só o que ela sabia era que as duas não dominavam o campo dos sentimentos, que as duas tinham certas defesas e muralhas ao redor de si próprias. Que Henry não era a única coisa em comum que elas tinham, havia algo a mais, tinha que haver algo a mais. Mas o que? – “Eu realmente não sei.”- continuou Regina, dessa vez para si mesma.

“Talvez um dia a gente descubra.”- foi Emma que falou dessa vez, saindo logo em seguida, Regina a viu partir, enquanto segurava em suas mãos a xicara de café quente, percebendo então que não era um lago congelado que havia entre elas. O que havia era um furacão de sentimentos, e que as duas estavam no epicentro e à medida que se aproximavam uma da outra o furacão as jogavam sobre si próprias, bagunçando seus pensamentos e principalmente seus corações.

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Regina passou em uma loja de moda gestante antes de voltar para casa, comprou algumas roupas para Selene, pois sabia bem que as dela não serviriam na garota e depois comprou algo para as duas jantarem. Depois disso foi direto para sua mansão, colocou a lasanha congelada no forno e subiu ate o primeiro andar para levar as roupas para Selene. Não a encontrou no quarto de hospedes, a encontrou no quarto de Henry, sentada na cama do garoto com o livro dos contos de fadas no colo, Regina a observou em silêncio, a garota lia as paginas daquele livro com grande atenção, tinha um sorriso nos lábios e seus olhos pareciam brilhar na medida em que seus olhos percorriam as letras ali escritas. Não notou quando Regina entrou no quarto, só percebeu a presença da Rainha quando a mesma sentou-se ao seu lado. A garota levou um susto e fechou rapidamente o livro em seu colo.

“Alguma historia te chamou atenção nesse livro?”- perguntou Regina, e a garota respondeu que sim em meio a um sorriso e voltou a abrir o livro, encarando as gravuras ali desenhadas.

“É você, não é?”- questionou a estrela, apontando para a gravura da Rainha desenhada no livro. – “Vocês são personagens de contos de fadas! Seres mágicos.”

“Sim. Nós somos de fato. Todos os personagens descritos nessas paginas são pessoas reais em Storybrooke. Algumas pessoas porem, estão escritas em outros livros, não exatamente nesse. Mas ainda assim são personagens...”- explicou a Rainha, vendo os olhos da estrela se encherem de interesse. — “Suas irmãs não te alertaram sobre isso?”

“Não. Não.”- respondeu Selene, fechando novamente o livro. – “Não me contaram sobre isso... Disseram que era uma terra magica. Bem, isso eu já sabia. Não é a primeira vez que coloco os pés nessa terra. Da primeira vez, é claro, tudo era muito diferente. Foi muito antes da maldição que trouxe essa terra para cá. Bem antes de existir Storybrooke, bem antes da Rainha Má existir.” – contou a estrela, atiçando a curiosidade da Rainha.

“Você já foi ate a Floresta Encantada? Fazer o que exatamente?”

“Precisava de ajuda.”- disse a estrela, se levantando da cama, Regina a acompanhou com os olhos, a vendo ir ate a escrivaninha de Henry, ela pegou um retrato que ali estava, de Henry e Regina juntos e ficou algum tempo analisando a foto. Regina queria puxar assunto, queria saber os detalhes do por que a estrela teria ido ate a Floresta Encantada, de que tipo de ajuda ela buscava, do porque ela se drogava. Mas enquanto ela analisava a garota, ela percebia e se conformava com o fato de que teria que ganhar sua confiança primeiro, mas acontece que ela não era muito boa nisso. Ainda assim resolveu tentar, se levantou e caminhou até a estrela e se preparou para dizer algo, mas a estrela se adiantou e falou primeiro.

“É seu filho, não é? Por que ele não esta aqui hoje?”- perguntou a estrela, se virando para encarar Regina.

“Ele esta com a mãe dele.”- respondeu a Rainha. – “Já fez algum tempo que ele não passa a noite aqui.”

“É a mulher no telefone, não é?”

“Sim. A Emma.”

“Por que vocês duas terminaram?”

“O qu- que?!”- perguntou Regina, se atropelando nas palavras. – “Eu e Emma nunca tivemos nada. Não é o que você esta pensando. Definitivamente não é o que você esta pensando.” – continuou, um pouco nervosa. A estrela riu com a reação da Rainha.

“Desculpa se minha pergunta te ofendeu.”

“Não. Não me ofendeu, mas deixa eu te resumir a historia: Adotei Henry há 11 anos e Emma é a mãe biológica dele, que apareceu do nada e roubou meu filho de mim.”

“Não acredito que ela voltou apenas para roubar seu filho. Na verdade nem acredito que ela tenha tido a intenção de rouba-lo de você. Ela só quer se encaixar, quer fazer parte da vida de Henry, mas com você junto. Ela não veio para roubar seu filho, Regina.”

“Bem, você não pode dizer isso com certeza.”- observou Regina, num tom irritado.

“Na verdade posso sim. Eu sei que é verdade, não estou pedindo que aceite essa verdade, mas que agora você sabendo disso, espero que pense a respeito com calma.”

Não havia muito no que pensar, Regina concluiu, na verdade ela só não queria pensar a respeito.

“Sabe muito sobre a gente, não é mesmo, estrela?”

“Algumas coisas são dúbias. Mas conheço um pouco sim da alma humana. Vocês não são assim tão indecifráveis. Embora você Regina, seja um mistério pra mim. Acho que demoraria muito tempo para te decifrar.”

“Bem, já que você não vai a nenhum lugar e vai ficar aqui por muito tempo, vai ter tempo de sobra então para aprender a me entender.”

A estrela pareceu confusa, abriu a boca uma duas vezes, mas não falou nada, Regina sentiu a confusão da garota e então a questionou.

“Algum problema? Eu disse alguma coisa errada?”

“Nós não tivemos muito tempo de conversar desde que você me capturou. Não sei ao certo quais eram as suas intenções quando você fez isso. Mas eu preciso te dizer algo... eu não posso ficar muito tempo aqui.”

“E para aonde vai? Você tem algum lugar pra ai?”

“Sim, tenho um lugar sim.”

“É onde o pai do seu bebê está?”

“Não. Na verdade não.”

“Para aonde você vai então?”- Regina voltou a questionar.

“Para casa.”

“Para o céu?”

“É... para o céu.”- respondeu a estrela, e Regina pôde perceber que suas palavras não eram sinceras.

“Por que não pode me contar a verdade? Sabe, você pode ficar o tempo que for preciso, não tem problema, alias, eu faço questão. Quando eu te capturei eu só queria aquele pedido. Não tenho intenção alguma de te manter como minha prisioneira, muito pelo contrario, você é a minha hospede. Pode ir embora quando quiser, e pode ficar o quanto for preciso. Mas é que você deixa tão claro que sabe tanto sobre tudo e todos e isso de certo modo me incomoda. É difícil ficar do lado de alguém que consegue ver através de mim e me conhecer de um modo que nem eu mesma conheço. E tudo que eu sei de você é que você caiu do céu numa noite estrelada que destruiu metade de uma das ruas da minha cidade, que fez com que uma garota ficasse em um coma que nenhuma magia conseguisse ser capaz de cura-la.”- disse a rainha, encarando a garota a sua frente, por alguns segundos antes de questiona-la novamente: — “Quem é você, Selene? E o que você faz em Storybrooke?” – a garota não respondeu, pelo menos não na mesma hora, ficou em silencio, parecendo pensar no que falaria e poucos segundos depois se virou para Regina e disse:

“Acredite, Regina, quanto menos você souber sobre mim, melhor. Eu não vim com más intenções, se é essa sua preocupação e não vou ficar muito tempo. É só até meu bebê nascer, depois disso eu vou embora. Quanto a rua, mil perdoes, não tinha a intenção de causar tantos danos, mas algo me puxou antes do tempo, um desejo... um desejo tão forte que me impediu de controlar minha queda, tentei ao máximo atingir apenas a rua, espero não ter causado muitos danos. Quanto a garota, não se preocupe, minhas irmãs tiveram que coloca-la sob um feitiço, é algo temporário, ate que eu vá embora. Acontece que a garota é um lobisomem, não posso te contar os detalhes, mas eles são uma ameaça pra mim. Então o único jeito foi fazer isso com a garota. Na verdade, se existir mais lobisomens nessa terra, provavelmente todos se encontram na mesmo estado que a garota. Quando eu for embora, todos vão ficar bem novamente.”

“Bem, não sei como te falar isso, mas a garota acordou.”

“Como é?!”- perguntou Selene, Regina não sabia dizer se sua voz estava mais carregada de medo ou raiva. – “Como assim ela está acordada?”

“O desejo que meu filho fez, foi pra curar a garota. Ruby, é o nome dela.”

Selene não respondeu, não porque não tinha resposta, mas sim porque se sentiu zonza e sentiu como se fosse desmaiar a qualquer momento. Regina a segurou e a levou até a cama de Henry, ajudando a garota a se sentar na cama e esperou que ela se recuperasse.

“Está se sentindo melhor?”- perguntou Regina quando a cor voltou ao rosto da garota.

“Um pouco”- respondeu a garota, porem Regina a viu tremer agora.

“Se acalme, respire fundo e me conta qual é o problema.”

“Isso muda tudo, Regina. Não era pra ter nenhum lobisomem nessa cidade, não era esse o plano. Eu não sei se ela é uma ameaça, porem mesmo se ela for, eu não sei o que fazer a respeito.”

“Ela não é uma ameaça, ok? Ruby é uma ótima garota, consegue controlar seu lobo, vai ficar tudo bem, seja qual for o motivo do seu medo, tá certo?”

“Você não pode garantir isso.”- respondeu Selene.

“Mas posso tentar. Prometo tentar.”- disse isso se abaixando ate ficar na altura dos olhos da garota, segurou firmemente em suas mãos, tentando dar ao máximo de tranquilidade a estrela e parecia estar funcionando.

“Promete?”- perguntou a estrela, seus olhos claros banhados em lagrimas. – “Promete me ajudar? Pois minhas irmãs já não têm mais como me ajudar. Eu estou sozinha. Mas eu não temo pela minha vida, só pela vida do meu filho.”

“Prometo. Nada vai acontecer com você ou com a criança.”

“Certo.”- disse Selene, enxugando o rosto banhado de lagrimas com as costas da mão. – “Porque eu realmente preciso de ajuda. Eu vim para Storybrooke porque era o único lugar no mundo onde minhas irmãs podiam jogar um feitiço de proteção. Eu estou fugindo de um clã de lobisomens. Um clã que antes jurou me proteger com a própria vida, porem agora eles estão sendo controlados por uma entidade, um ser que eu conheci há alguns anos atrás... Ele foi o motivo da minha ruina, foi por causa dele que eu fui expulsa do Reino dos Céus. Foi pro causa dele que eu visitei a Floresta Encantada há alguns anos atrás e por causa dele também que eu me escondia em uma cidade no interior da Espanha, com os chamados Filhos da Lua. Eles me davam proteção, ate que ele achou um jeito de me encontrar e controlar os lobisomens. E antes o que era só uma memoria, um pesadelo antigo, virou uma realidade na forma de um demônio. E pra dizer a verdade ele sempre foi isso: um demônio. Eu que demorei muito para perceber.”

“Selene.”- começou a rainha. – “Por favor, me conte toda a sua historia, para eu tentar entender como posso te ajudar. Tudo isso foi muito confuso pra mim e acho que eu não entendi nem a metade.”

“Eu vou te contar. Vou te contar tudo o que você precisa saber. Mas antes você precisa saber de algo.”- respondeu Selene. – “Eu não sou o que digo que sou. Não sou uma estrela. Isso é só um disfarce.”

“Um disfarce? E o que você é?”

“Sou uma deusa.”

Notas finais
Obrigada a quem leu até aqui, comentários, criticas e sugestões são bem vindos.