She Wolf
17 Ohana
Capítulo 17 – Ohana
Era noite, hora do jantar, Regina havia preparado uma sopa para ela e Selene e não havia permitido que a garota a ajudasse no preparo. Então Selene apenas ficou observando de longe, enquanto a prefeita lavava as verduras e as descascava logo em seguida.
As duas haviam conversado pouco sobre como havia sido o dia delas. Na verdade, apenas Regina havia falado pouco, pois Selene havia contado cada detalhe de seu dia. Regina, por sua vez, foi bem vaga e respondeu apenas que havia tido um ótimo dia. Selene pôde sentir que havia acontecido algo mais, mas não fez mais perguntas.
Observar Regina andando pela cozinha, preparando o jantar, havia deixado pistas o suficiente para que Selene pudesse montar esse quebra cabeça. Regina sorria consigo mesma, cantava baixo ao cortar as verduras e mordia o lábio inferior de vez em quando, Selene podia jurar que a ouviu suspirar uma vez ou outra. Selene entendia o suficiente de amor e entendia o suficiente sobre se apaixonar, para entender o que estava acontecendo com ela.
A garota ajudou a prefeita a levar as louças para a pia, Regina colocou os pratos na lava-louças e se virou para a garota que estava ali, a encarando com um sorriso bobo no rosto.
“O que foi?” Perguntou Regina, se encostando a pia e olhando para Selene com um ar suspeito, a garota riu e se aproximou dela.
“Então, você viu Emma hoje?” Ela foi direta e Regina revirou os olhos, se virando para que a garota não a visse corar e então começou a caminhar, saindo da cozinha, sendo seguida pela garota.
“Você a viu, não foi? Eu sabia!” Selene continuou e começou a rir. “Sabe, aquele dia que ela veio para o jantar e voltou logo depois...” Regina se virou para Selene, que parecia uma adolescente, se divertindo com tudo o que estava acontecendo.
“O que que tem?” perguntou Regina, colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha.
“Eu não quero me intrometer nem nada do tipo, mas aconteceu algo entre vocês duas?” ela insistiu e Regina novamente revirou os olhos e voltou a andar, dessa vez subindo as escadas, novamente sendo seguida pela garota, que a acompanhou até o seu quarto.
“Nós conversamos.” Regina respondeu e sentou-se em sua cama, Selene hesitou um pouco antes de se aproximar, mas Regina bateu levemente no colchão, dando permissão para que a garota se aproximasse.
Selene se sentou e observou a expressão no rosto de Regina, um sorriso havia se formado no canto de sua boca e Selene sorriu também, pois sabia que a história que ouviria seria muito boa.
“E nos beijamos!” Regina disse e Selene levou a mão a boca em surpresa.
Regina riu com o gesto, a garota se ajeitou e pediu que ela continuasse, mas não tinha muito o que contar sobre aquela noite. “Ela teve que voltar e não houve mais nada, é claro, mas nós nos vimos hoje a tarde, assim que você saiu da prefeitura e bem, teria rolado algo a mais, mas não passou de mais beijos.”
“Uau!” respondeu Selene, rindo com o fato de Regina ter ficado corada. “Isso é ótimo, não é? Você está feliz?” Ela perguntou e Regina assentiu, ela estava mais do que feliz.
Ela não sabia ao certo o que estava acontecendo entre ela e Emma, mas sabia que era importante, sabia que era algo, sabia que era algo enorme.
“Sabe, depois que ela saiu do meu escritório eu quis ligar para ela imediatamente, foi ridículo, mas eu me contive, quer dizer, nós não estamos namorando nem nada do tipo, eu não sei exatamente o que estamos fazendo.”
“Vocês estão se amando!” Exclamou Selene, se aproximando de Regina e segurando suas mãos, Regina olhou para a garota, que sorria para ela.
“É. Acho que estamos...” respondeu Regina, sentindo uma lagrima de emoção rolar pelos seus olhos. Ela se sentia uma verdadeira boba, se sentia tão ridícula por se sentir assim, mas acima de tudo se sentia maravilhosamente bem.
Jamais tinha se sentido assim, jamais havia sentido tamanha felicidade. Os olhos castanhos da morena se encontraram com os olhos azuis da garota a sua frente, e Regina disse um ‘obrigada’ e abraçou a garota. Selene não entendeu bem o motivo do agradecimento, mas se permitiu ser envolvida naquele abraço.
“Eu não fiz nada.” Disse Selene, assim que o abraço foi quebrado, mas Regina sabia que ela tinha feito sim e tinha feito muito.
“Você me fez enxergar que eu ainda podia ser feliz.” Regina disse a garota, que se emocionou ao trazer para sua memória o dia em que as duas se conheceram. “E sabe, agora que eu sei onde e com quem, minha felicidade estava. Eu não consigo mais me preocupar com ela, eu sinto como se ela estivesse segura. Quer dizer, minha felicidade é ela. É a Emma.” Completou Regina e houve um silencio entre as duas.
Selene franziu o cenho, se aproximou de Regina buscando por suas mãos e as apertou gentilmente.
“Alguma coisa te incomoda, Regina?”
“É que eu não consigo parar de pensar em algo.” Regina começou a dizer. “Não consigo parar de pensar se eu a faço feliz também, porque bem, não foi isso que eu fiz nos últimos anos da vida dela.” Ela completou e essa última frase saiu com certa amargura.
Ela se jogou para trás, sendo amparada pelo colchão de sua cama. Levou as duas mãos ao rosto e tentou apagar da memória a imagem que tinha da Regina como Rainha Má que um dia ela fora. Ela sentiu Selene deitar ao seu lado, a garota tocou gentilmente no braço da morena, a fazendo abaixar a mão. Regina se virou para encarar a garota, que estava apoiada em seu cotovelo.
“Eu sei no que você está pensando, Regina.” Selene falou, em um tom de voz baixo e reconfortante. “Mas acredite, Emma não pensa da mesma forma.”
“Como você sabe?” Ela perguntou e Selene deu de ombros. “Então você não sabe?” Regina continuou, se sentindo muito frustrada.
“Não, quer dizer, eu sei sim. Emma jamais se envolveria com você se ela sentisse que seu passado ainda te influência de alguma forma. Eu sei disso. Você não é mais aquela Rainha Má e você também não é mais aquela mulher infeliz que um dia você foi.” Ela concluiu, Regina sorriu, se sentiu mais aliviada dessa vez.
“Talvez você esteja certa.” Regina respondeu e as duas sorriram uma pela outra.
“Sabe.” Selene começou a dizer novamente. “Eu assisti a esse filme hoje.”
“É, você comentou a respeito.” Regina disse.
“O Mágico de Oz.” Selene continuou, em um tom de voz distante. Regina sorriu ao ouvir a voz de Selene, parecia que tinha algo por trás desse simples comentário.
“Consigo ver que você gostou muito do filme.” Regina comentou.
“Gostei sim.” Ela respondeu. “Muito.”
“E algo te marcou nele?”
“Talvez.” Selene respondeu, se virando para encarar o teto. Regina deu um tempo para a garota e depois de alguns segundos de completo silencio, Selene enfim voltou a falar. “Dorothy.” Ela disse, em um sussurro.
“Dorothy?” Regina questionou e a observou encarar o teto, ela parecia muito longe dali. “É um ótimo nome.” Ela continuou, Selene se virou, aquele mesmo sorriso nos lábios, seus olhos azuis brilhavam.
“É.” Selene respondeu. “Eu também acho.” Ela continuou, levando uma de suas mãos até a barriga, Regina acompanhou seu movimento com o olhar.
“Acho que combina com a nossa menina.” Regina disse, Selene então se virou para ela, seu sorriso se iluminou cada vez mais.
“Nossa?” A garota a questionou.
“Eu não sei se você estará aqui para vê-la crescer, mas eu farei com que ela jamais se esqueça de que uma vez você fez parte da vida dela.” Regina continuou e buscou pela mão da garota, a apertando gentilmente.
“Regina?” Selene disse. “Vá atrás de Emma, a faça entender o quanto ela está te fazendo feliz e então talvez você perceberá o quanto você também a faz feliz.” Ela continuou.
“E se eu descobrir que não?” Regina perguntou, apreensiva com a resposta.
“Eu duvido que esteja errada e esse não é meu lado deusa falando, mas é que eu simplesmente não consigo ver a história de vocês duas como algo que não está fadado a ganhar um final feliz.” Selene se explicou e se levantou da cama da prefeita, se despedindo dela e saindo logo em seguida.
Regina ficou então sozinha com seus pensamentos, não havia nada que pudesse acalma-los agora. Havia apenas uma resposta capaz de acalmar seus pensamentos, com isso em mente então, ela se levantou da cama, deixando sobre os lençóis todos os medos que a assombrava.
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Era noite e Emma comia seu terceiro pão recheado do dia, havia pulado o almoço e tomado inúmeras xicaras de café, de modo que ela estava acordadíssima. Ela provavelmente passaria a noite toda na delegacia. Era seu dia de plantão, mas ela não ligava, os anões sempre apareciam quando era seu turno e eles passavam o resto da madrugada entre risadas e bebidas.
Emma não podia ter desejado emprego melhor do que esse. A vida estava caminhando muito bem e ela estava muito feliz com o rumo de tudo ao seu redor. Era bom estar feliz, era bom ter uma vida tranquila, era ótimo ter o seu filho de volta. E era incrível ter uma família, ela sorriu para si mesma e se encostou contra sua cadeira, olhando em seguida para o relógio na parede que marcava onze da noite, daqui a pouco os anões estariam ali. Ela estava doida por uma cerveja gelada e para ganhar no jogo de cartas.
Um barulho chamou sua atenção e ela virou seu olhar para a porta, a tempo de ver Regina entrar na delegacia e bater gentilmente no batente da porta, fazendo com que Emma se sentasse ereta em sua cadeira. A loira sorriu para ela e Regina se aproximou lentamente, parando assim que se aproximou da mesa em que Emma estava.
“Hey.” Emma disse, sem conseguir tirar o sorriso estupidamente grande de seu rosto, Regina também sorria, mas foi inevitável não rir da alegria que Emma demonstrava ao vê-la.
“Olá, Emma.” Ela respondeu e não soube o que fazer em seguida, Emma então se levantou e sem pensar duas vezes se aproximou de Regina, a assustando no primeiro momento, mas no momento seguinte Regina já estava relaxada e aproveitando o beijo que Emma roubava dela.
“O que faz aqui?” Emma continuou e suas mãos deslizaram pelos braços de Regina e se encontraram com seus dedos, foi estranho para Regina, ela olhou para as mãos das duas que estavam entrelaçadas e depois encarou os olhos da loira a sua frente.
“Eu quis te ver.” Regina respondeu. “Eu queria ter vindo antes, mas sinceramente, eu não sei o que está acontecendo entre a gente. E eu não quero que você pense que-” ela não chegou a terminar sua frase, Emma se aproximou de novo e a tomou para um segundo beijo, as mãos da loira subiram até os cabelos da morena e o beijo veio cheio de paixão e desejo, quase deixou Regina sem folego. Quando as suas se afastaram, Regina olhou para Emma e tentou recuperar o ar que havia perdido.
“Devia ter vindo antes, ou ligado, ou sei lá, mandado uma coruja, vocês fazem isso, não é?”
“Coruja?” Perguntou Regina, fazendo Emma dar de ombros. “Não sou esse tipo de bruxa.” Ela continuou e novamente Emma apertou sua mão contra a dela. “Mas quem sabe da próxima vez.” Emma sorriu com essa resposta.
“E que historia é essa de não saber o que está acontecendo entre nós duas?” Emma a questionou, franzido o cenho. Regina deu de ombros, era a verdade, ela queria ser sincera, não sabia ao certo o que estava acontecendo entre as duas.
“O que nós somos, Emma?” Perguntou Regina.
“Duas pessoas que estão se conhecendo melhor e que sentem a falta uma da outra o dia todo, mas que ainda assim não se procuram.” Respondeu Emma.
“Podemos mudar isso.” Regina respondeu e Emma sorriu com a resposta.
“Podemos mudar isso agora.” Emma continuou e Regina franziu o cenho com a resposta e Emma a pegou sua mão e a arrastou para uma das celas.
O coração da Rainha gelou no primeiro momento, mas assim que as duas se encontraram na cela, Regina olhou ao redor, viu uma mesa com varias cartas e um cooler com varias cervejas.
“O que tem em mente?” Perguntou Regina, tentando não parecer assustada, Emma riu, enquanto buscava em seu bolso o seu celular, ela fez um sinal com a mão, para que Regina esperasse um momento.
Regina então a viu falando com Leroy ao telefone, Emma dizia a ele que teria que cancelar o jogo de hoje e que remarcasse para semana que vem, aparentemente Leroy havia ficado decepcionado com isso, mas Emma rapidamente inventou uma desculpa e desligou o celular logo em seguida.
“Pronto! Temos a delegacia só para nós duas.” Emma disse, guardando o celular em seguida. Regina olhou para ela com curiosidade e viu a loira se sentar em uma das cadeiras e a espalhar o jogo de cartas. “Vamos, sente-se.” Continuou a loira Regina pareceu confusa, mas ainda assim sentou-se e viu Emma distribuir algumas cartas para ela.
“Eu não sei jogar.” Regina disse.
“Serio?” Emma perguntou, parecendo decepcionada.
“Talvez você pudesse me ensinar.” Regina continuou, mas Emma balançou a cabeça em negativa e se levantou novamente, pegando a morena pela mão e a levando para fora da cela.
“Mas isso você sabe, não é mesmo?” Perguntou Emma, apontando para um alvo pendurado em uma das paredes.
Ela não esperou a resposta da morena e caminhou até uma de suas gavetas e tirou vários dardos de lá, entregou alguns para Regina e separou alguns para si.
“O objetivo do jogo e fazer mais pontos que o adversário.” Explicou a loira e atirou o primeiro dardo que atingiu perfeitamente o centro. Ela se aproximou do dardo e o tirou do alvo, voltando para ficar ao lado de Regina novamente.
“Certo.” Regina respondeu e fez a sua primeira tentativa, mas não conseguiu atingir o alvo, mordeu o lábio em frustração, mas Emma a acalmou.
“Tudo bem, você pega o jeito.” Respondeu a loira, caminhando em direção ao alvo, pegando novamente o dardo e voltando ao lado de Regina.
Regina não entendia bem a brincadeira e no primeiro momento a achou até boba, mas assim que tentou pela quarta vez e conseguiu chegar mais perto do centro, ela se empolgou. Emma se divertiu muito assistindo a morena jogar e passada algumas horas, o jogo se tornou verdadeiramente chato e as duas então desistiram de qualquer tentativa de passar o tempo através de jogos e se viram então deitadas, uma do lado da outra, na cama apertada da cela.
Elas encaravam as paredes cinzas e ficaram em silencio por alguns minutos, elas haviam bebido sozinhas algumas garrafas de cerveja, não era do feitio de Regina, mas Emma tinha esse efeito nela, ela simplesmente a libertava de todos os preceitos que ela fazia sobre a vida.
“Sabe.” Emma disse, se virando lentamente na cama apertada, afim de olhar para Regina, que fez o mesmo e as duas ficaram frente a frente uma outra, Emma mexeu em uma mecha de cabelo de Regina e continuou a falar. “Eu acho que esse é nosso primeiro encontro.”
Regina riu com essa observação, porque nas últimas horas tudo o que elas haviam feito foi jogar dardos e beber cervejas, mal trocaram nem beijos e mal conversaram. Apenas riram uma da outra, riram da falta de mira, riram do fato de Regina não consegui ficar em pé sob os próprios saltos logo na segunda garrafa, riram pelo simples fato de estarem felizes e agora não mais riam, apenas olhavam uma para outra e trocavam caricias, trocavam olhares, sorrisos e beijos.
“É, acho que isso é sim um primeiro encontro.” Regina respondeu.
“Desculpa, deveria ter sido perfeito, não é mesmo? Primeiros encontros geralmente são e além do mais, você é uma rainha...” Emma continuou e sua voz soou triste, porque ela realmente queria que fosse perfeito.
“Está brincando, Emma?” Regina perguntou se aproximando da loira a beijando. “Isso foi perfeito.” Continuou em um sussurro, ela queria dizer mais, queria dizer também que ela era perfeita, mas não disse, apenas a beijou novamente.
“Eu vou compensar isso depois, sabe, no segundo encontro.” Emma respondeu, fazendo Regina sorrir.
“Por que você tem que compensar? Eu não posso tentar compensar?” Provocou Regina e Emma adorou essa ultima frase.
“Bem, namorar não é competir uma com a outra, mas se você quiser, você pode tentar compensar no terceiro encontro.” Emma respondeu e Regina ficou sem resposta ao ouvir a palavra ‘namorar’.
“Então é isso que estamos fazendo?” Perguntou a morena e Emma sabia bem do que ela estava se referindo e novamente se aproximou dela e a beijou, até o ar se fazer necessário.
“Sim.” Respondeu Emma. “Se quiser dar nome as coisas, é isso o que estamos fazendo: estamos namorando.” Continuou Emma.
“E estamos felizes?” Perguntou Regina, temendo a resposta, mas foi para isso que ela havia ido ate ali, ela precisava saber, precisava sentir que Emma também estava feliz.
“Bem, eu estou.” Respondeu Emma e seus dedos percorreram os lábios de Regina, onde se formou um sorriso. “Eu não acho que eu tenha sido mais feliz do que sou hoje.” Suas palavras então sumiram, pois ela se perdeu em suas próprias palavras. Era muito difícil para ela descrever a própria felicidade.
“Eu também estou, Emma.” Regina respondeu, era uma resposta para uma pergunta que ela mesmo havia feito, mas pareceu mais uma declaração, pareceu mais um ‘eu te amo’.
As horas passaram, lentas e acompanhadas por conversas, sorrisos e beijos. Mãos se perderam pelos caminhos daqueles corpos. Chegou a madrugada e nenhuma das duas dormiram e nem sequer sentiram sono.
Elas estavam de fato se conhecendo e havia tanta coisa para conhecer e tantos segredos e historias que as duas gostariam de compartilhar uma com a outra. Havia mais do que isso, havia um desejo de compartilhar uma vida inteira juntas, mas elas descobririam isso aos poucos.
“Eu vou ter que ir embora.” Regina disse, sentando-se na cama da pequena cela, já era possível ver o sol entrando pela janela da delegacia.
“Nós vemos mais tarde?” Emma perguntou, sentando-se também e beijando a morena no pescoço, até chegar a seus lábios.
“Logico que sim, mas eu tenho que terminar de comprar umas coisas pro quarto do bebê. Então eu te ligo quando estiver livre.” Regina respondeu. “Oh, eu não te contei, mas nós já escolhemos um nome pra menina.” Essa ultima frase veio acompanhada de um sorriso, Emma sorriu também e perguntou qual foi o nome escolhido. “Dorothy.” Respondeu Regina.
“É um nome lindo, Regina. Foi uma ótima escolha.”
“Eu também achei. Selene que escolheu, achei que eu devia isso a ela.” Regina disse, se levantando e ajeitando a sua roupa que agora se encontrava completamente amassada.
“Vai me deixar fazer parte da vida dela?” Perguntou Emma e Regina pareceu surpresa com o pedido. “Quer dizer, eu sou sua namorada e definitivamente vou querer fazer parte da vida da sua filha.” Continuou Emma e seu tom de voz foi tão decidido e tão carregado de uma ternura que Regina não podia e nem queria dizer ‘não’ a esse pedido. “Será que vai ser muito estranho para ela?” Perguntou Emma, em um tom preocupado. “Ou pra Henry? Meu deus, nós vamos contar a ele, não vamos? E aos meus pais?” O tom antes preocupado se tornou um tom carregado de medo e pânico e Regina sentou-se novamente ao lado da loira.
Elas haviam passado a noite juntas e conversado sobre tantas coisas, mas em nenhum momento surgiu o assunto de como elas contariam a todos. Elas não haviam se preocupado com isso, agora porém, o assunto já havia sido abordado e não havia como não se preocupar com isso.
Regina segurou as mãos da loira, que agora estavam geladas como nunca antes.
“Não se preocupe com isso, Emma. Não agora pelo menos. Eu tenho certeza que eles vão nos aceitar.” Regina respondeu, mas a verdade é que havia um pouco de medo e preocupação.
“Certo.” Emma respondeu, tentando se controlar e então seus olhos se encontraram com os de Regina. “Eu não ligo se eles não nos aceitarem, quer dizer. Eu só ligo para o que o Henry vai pensar, mas eu não ligo para o resto do mundo, eu só quero que você me aceite.” Continuou Emma, recebendo um beijo tomado por carinho e amor como resposta.
“Eu te aceito completamente, Emma.” Respondeu Regina, encostando sua testa a testa da Emma. “Sabe, eu acho que Henry já nos aceita, ele adora ter duas mães.” Ela continuou e Emma sorriu.
“Eu espero que Dorothy também aceite.” Emma continuou e Regina lhe deu um beijo na testa e se levantou novamente.
“Você quer realmente isso?” Perguntou Regina, seu rosto franzido e sua preocupação era verdadeira, quer dizer, Emma estava tratando o assunto com tanta naturalidade que Regina tinha toda a razão em se preocupar. Namorar era uma coisa, mas construir uma família era um passo muito maior, que exigia muita coisa a ser pensar primeiro.
“Isso o que?” Questionou Emma, um pouco confusa.
“Fazer parte de mim.” foi a resposta de Regina em pé diante de Emma, ainda sentada, olhando para a morena que ainda segurava suas mãos. “Fazer parte da minha família.” Continuou Regina e Emma se lembrou da cena de uma de suas animações favoritas: ‘Lilo & Stitch’
“Eu quero sim, Regina. É tudo o que eu mais quero.” Respondeu Emma, trazendo Regina para junto de si, a abraçando o mais forte que pôde, enquanto aquela frase que Stitch disse no filme ecoava em sua mente: ‘Essa é a minha família. Eu achei. Sozinho. Eu que achei. É pequena e incompleta. Mas é boa. É, é boa.’
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