She Wolf
24 Masks
Capitulo 24 – Masks
O homem encarou sua imagem refletida no espelho de seu quarto, suas mãos correram pelo terno negro que ele usava. Ele olhou para as abotoaduras de seu terno e as fechou e encarou novamente seu reflexo no espelho. Houve um suspiro baixo e triste, enquanto ele se questionava por quanto tempo ele estava carregando em seu rosto essa expressão de tristeza. Depois de alguns segundos encarando em silencio seu semblante sério e triste, ele se virou, pegou sua gravata estendida sobre sua cama e a colocou envolta de seu pescoço, fazendo o nó logo em seguida.
Ele encarou satisfeito o perfeito nó que havia acabado de fazer e forçou um sorriso, dando um passo em frente ao espelho para se olhar melhor. Quanto mais ele forçava o sorriso, mais ele sentia melancólico e patético. A luz de seu quarto oscilou e se apagou logo em seguida, mas o homem permaneceu ali, parado no escuro de seu quarto. Rumple perdeu a noção do tempo. O que o despertou, foi a voz de Selene, fazendo-o girar sob seus pés para encontrá-la ali, parada encostada a porta.
“Eu toquei a campainha diversas vezes, mas eu acredito que você não tenha escutado.” Ela disse e Rumple a encarou, ela sorriu para ele e se aproximou lentamente.
Era visível o quanto ela estava constrangida por invadir a residência do homem dessa forma, mas sua vontade de estar ali falou mais alto. Ela parou diante dele, o quarto estava escuro, iluminada apenas pela luz que adentrava a janela, mas que não era lá grande coisa.
“Então eu dei a volta na casa, vi seu carro parado na garagem.” Ela continuou a dizer, agora diante do homem. “Eu fiquei preocupada. Desculpa a intromissão.”
“Não precisa se desculpar.” Ele disse enfim. “E eu agradeço a sua preocupação.” Ele continuou.
Ela permaneceu ali, diante dele, com um sorriso em seus lábios, os cabelos loiros em uma trança caindo de um lado de seu ombro e um vestido azul e folgado cobrindo seu corpo. Ele desceu seu olhar involuntariamente pelo corpo da garota, fitando por breves segundos a barriga perfeitamente redonda dela.
“Você está bem?” Ela perguntou, quebrando novamente o silencio e ele demorou alguns segundos para responde-la.
Ele estava bem distante aquele dia, sua expressão era séria e entrava em contraste com a leveza que Selene tinha em seu rosto.
“Eu imagino que se esconder por trás de um personagem, te faça esquecer de quem foi um dia, não é mesmo?” Ela perguntou, fazendo-o franzir o cenho.
“Se refere a isso?” Ele perguntou, olhando para si mesmo e tocando em seu terno negro.
Ela sorriu e assentiu para ele. Ela apenas a encarou, ali diante de si, perto demais, ele pensou consigo mesmo. Seu perfume natural causava nele uma confusão e ele não conseguia parar de pensar em todos os pequenos detalhes nela, que tanto o fazia lembrar de Belle. Era desconcertante estar ao lado dela agora, não era assim antes, ele pensou consigo mesmo e quando foi que isso começou?
“Onde você está agora, Rumple?” Ela perguntou rindo, e ele balançou a cabeça em confusão. “Relembrando de tempos passados?”
“Perdão. Eu estou um pouco distante hoje.” Ele respondeu, se afastando dela e se voltando em direção ao espelho, encarando sua aparência, ela também caminhou na mesma direção. Ele podia vê-la do espelho, mas não ousou se virar para encara-la.
“Quando eu te vi pela primeira vez.” Ela disse, seu reflexo era visto pelo espelho, e apesar da escuridão do quarto, Rumple a via com total nitidez. “Lá na floresta encantada.” Ela continuou. “Você não tinha essa aparência de hoje. Você não -”
“Eu não era quem eu sou hoje.” Ele disse, interrompendo-a. “De fato eu era outro personagem.” Ele concluiu, ela assentiu e se aproximou mais um pouco, perto demais, ele pensou novamente, uma de suas mãos repousaram em seu ombro, o apertando gentilmente. “Eu era o Senhor das Trevas.” Ele disse, encarando fixamente seus próprios olhos no espelho e ele chegou a tremer ao som de sua própria voz, ao dizer seu antigo título.
“Parte de você ainda se sente um pouco como o Senhor das Trevas, não é mesmo?” Ela perguntou, sua mão ainda sobre seu ombro, tentando acalma-lo e conforta-lo de alguma forma. “Por isso você tenta se esconder por trás de ternos e gravatas de luxo.” Ela continuou, ele soltou um risinho e olhou para os próprios pés encarando seus sapatos.
Ele estava usando um par de sapatos caros e bem lustrados, chegavam a brilhar. Ele nunca tinha pensando nisso. Nunca tinha visto suas roupas como mascaras, mas fazia sentindo agora. Assim como a perna que ele insistia em manter ruim. Ele não passava de um ator. Alguém que usava um figurino para esconder o que de fato havia por debaixo de tanta roupa.
“Não tem problema, sabe?” Ela disse, ele levantou o olhar para ver sua imagem refletida. “Eu também uso mascaras.” Ela continuou a dizer. “Eu sempre as usei. Nunca foi o suficiente para mim ser quem eu era. Eu vivia frustrada, entediada, tudo ao meu redor não tinha sentido. Eu me via apenas como mais uma deusa no céu. Isso para mim não era lá grande coisa. Imortal entre imortais.” Ela deu uma pausa, Rumple podia sentir a amargura em sua voz, ela abaixou o olhar, antes de continuar a falar. “Na Terra, eu era uma deusa entre os mortais e por algum motivo isso era muito importante pra mim. Porém, permitir que meu ego tomasse conta de todas as minhas vontades foi a ideia mais estupida que eu já tive, mas eu não sabia outra forma de me sentir viva.”
“Às vezes a imortalidade não é o suficiente.” Ele disse e ela concordou com a cabeça e se sentiu bem, por ter alguém que finalmente a entendia.
“Sabe,” ela continuou a dizer. “Minhas memorias do Céu e daqueles tempos de muitos anos atrás são como um filme agora. Um filme apagado. Eu tenho que me esforçar muito para saber o que é real e o que faz parte do meu imaginário.” Ela completou. “Eu sinto que cada vez mais eu esteja me perdendo, não lembro mais de quem um dia fui. E eu não consigo saber se isso é bom, eu não sei se eu realmente quero esquecer de todos os meus erros.” Ela terminou de dizer, a essa altura sua mão não estava mais no ombro de Rumple e sua voz saia quase como um choro, ele se virou para ela. Suas mãos a tocaram no ombro e ela não hesitou em se jogar diante de seu corpo, mas Rumple hesitou em toma-la em seus braços, parecia muito estranho naquele momento.
Ela então ficou ali, chorando contra o corpo do homem que há anos atrás havia criado um demônio, porque um livro havia mandado ele fazer. Esse mesmo demônio havia causado a expulsão dela do reino dos céus e mudado sua vida por completo. Ela tinha todos os motivos para odiá-lo, mas sabia que seria injusto jogar toda a culpa nele, pois afinal, ela havia feito suas escolhas.
Aos poucos, Rumple foi ignorando essa pequena ideia que circulava sua mente, de que seria errado envolve-la em seus braços e então a abraçou. O toque no primeiro instante pareceu algo tão novo, que era como se ele nunca tivesse tocado outra pessoa em sua vida. Ele gostou da sensação, gostou de tê-la ali junto.
“Eu queria que você pudesse se lembrar de tudo.” Ela disse, sua voz soando abafada pelo seu choro. “Eu gostaria de me livrar o quanto antes do peso que Marōn tem em mim.”
“Se acalme.” Ele respondeu. “Eu também gostaria de me lembrar e de te ajudar mais.”
Ela se afastou dele, encarando-o com seus olhos azuis molhados por lagrimas.
“Você é minha única garantia para que eu me livre de uma vez por todas dele, Rumple.” Ela disse, enxugando suas próprias lagrimas. “Você tem que precisar do meu coração antes que seja tarde demais.” Ela concluiu.
“Nós ainda temos tempo, Selene. E você e sua filha estão seguras aqui.” Ele respondeu. “Acredite nisso.”
Ela acreditava nele e sabia muito bem disso, mas era angustiante para ela saber que Marōn ainda estava por ai, apenas esperando sua brecha para entrar na cidade. Entregar seu coração para Rumple, era sua única garantia. Ele teria que destruí-lo, fazendo com que o corpo de Selene virasse pó, assim como seu coração.
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Belle havia ido para pensão, enquanto Ruby havia ficado na lanchonete, para ajudar sua avó e os empregados a guardar tudo o que podiam no freezer. Por sorte eles tinham um gerador para aquele freezer de modo que nada se estregaria, mas ainda assim fechar o restaurante na hora do almoço e não ter previsão de quando poderiam abrir novamente era a certeza de um prejuízo.
Tudo estava escuro quando ela chegou ao local, não havia nenhum hospede, mas ainda assim vovó mantinha uma recepcionista no local, que Belle teve a educação de dispensa-la.
Belle estava procurando por velas em um cômodo que servia como uma espécie de sala de reunião. Havia ali uma lareira, poltronas aconchegantes e um pequeno armário completamente de madeira, bem antigo, com portas de vidro. Belle se aproximou da lareira e tentou acende-la, mas em vão, então se levantou e olhou ao redor, procurando por um acendedor ou algo que facilitasse sua tarefa, por algum motivo o armário de madeira lhe chamou atenção e ela caminhou até ele.
Pelo vidro, ela podia ver um belo conjunto de louças em cerâmicas, parecia verdadeiramente antigo e caro, Belle se perguntou quanto tempo havia o conjunto de louça, levando em conta que a família de Ruby era bem antiga e esse pensamento lhe levou não para o passado e sim para o futuro.
Ela então abriu a porta do armário, pegou uma xicara do conjunto e a segurou em suas mãos. Sentiu seu peso e se imaginou vivendo uma eternidade ao lado de Ruby, tomando milhares de chás e cafés, se imaginou velhinha, sentada ao lado de sua amada, se balançando em cadeiras de balanço no terraço de uma antiga casa e sorriu para si mesma, pois mesmo imaginando que essa xicara em especial fosse mais antiga que ela própria, de alguma ela ainda conseguia representar um futuro, completamente inteiro e novo.
Ela sorriu para si mesma e colocou a xicara de volta, observando então que por trás do conjunto de pratos havia um pequeno frasquinho. Belle hesitou antes de ousar toca-lo, olhou para trás, pois algo dentro de si dizia que ela estava caminhando em território perigoso e assim que se certificou que estava sozinha de fato, ela ousou tocar no frasco e o trouxe para junto de si.
Lá estava o frasco em suas mãos, pequeno e misterioso e de conteúdo prateado. Belle o examinou mais de perto, seus olhos semicerrados, como se procurasse por uma etiqueta microscópica, até que a voz de Ruby se fez presente e Belle se virou em um sobressalto, encontrando Ruby parada diante da porta do cômodo.
“Desculpa, eu não queria mexer nas coisas da sua avó.” Belle se explicou, colocando rapidamente o pequeno frasco aonde o havia encontrado, mas Ruby já estava ao seu lado agora e havia pegado o frasco de sua mão e sorrido para Belle.
“Não é da minha avó.” Ela respondeu e seu olhar percorreu o pequeno frasco e se voltou rapidamente para Belle. “Isso é meu.”
Belle a encarou, seu olhar era sério e Ruby não precisou de palavras para entender o que se passava na cabeça da garota.
“Eu sei.” Ruby começou a dizer, guardando o frasco no mesmo local aonde ele estava. “Parece magia.” Ela continuou e pegou Belle pela mão, caminhando com ela em direção a uma das poltronas. “E é.”
Belle a encarou, confusa demais organizar em sua mente uma pergunta que fizesse sentido. Ruby caminhou em direção a lareira, acendeu o fogo sem dificuldade, deixando Belle um pouco frustrada e se sentindo um pouco inútil por não perceber que havia um acendedor ali perto o tempo todo. Em seguida, assim que todo o pequeno cômodo havia sido tomado pela luz aconchegante da lareira, Ruby se sentou em uma das poltronas e fez um gesto para que Belle se sentasse com ela. Belle obedeceu prontamente, a poltrona não era grande o bastante, mas ela pôde se sentar no colo da morena sem problema.
“Qual é a história daquele frasco?” Belle perguntou, percebendo que sua voz havia saído como um sussurro e sem demora, Ruby começou a contar tudo a ela, tudo o que Regina havia lhe contado. “Uma estrela cadente?” Foi tudo o que Belle conseguiu dizer assim que Ruby terminou a história.
“Pois é.” Ruby respondeu. “Aqui em Storybrooke.”
“Será que é a mesma do nosso livro?” Belle perguntou, um pouco curiosa com o rumo dos acontecimentos.
“Bem, isso eu não sei, mas se você estiver assim tão curiosa a respeito dela, você pode ir até a mansão da Regina.” Ruby respondeu e Belle pensou a respeito.
“Não parece curioso ao extremo fazer isso?” Perguntou Belle, rindo apenas com o pensamento de ir até a mansão Mills para matar uma curiosidade. “Além do mais, ela pode ser tímida ou talvez não saiba lidar com humanos.”
“Ou talvez ela seja um amor de pessoa e deva estar bem entediada de ficar o dia todo naquela mansão!” Ruby respondeu. “Além do mais, nós devíamos aproveitar enquanto tem luz lá fora.”
“Ou...” Belle disse, sua mão caminhando pela nuca de Ruby. “Nós podemos aproveitar o fato de estarmos sozinhas e de termos essa lareira todinha pra nós duas.” Ela continuou, seu tom de voz saiu mais sensual do que devia e ela teria se sentido ridícula, mas acontece que teve exatamente o efeito que ela esperava.
Ruby sorriu maliciosamente, sua mão correu pelas coxas de Belle, caminhando por debaixo de sua saia até chegar ao tecido de sua calcinha. As duas se encararam, rostos quase colados um no outro e esboçavam um sorriso provocador, não ousaram piscar e Ruby foi a primeira a quebrar o silencio.
“Vai perder a chance de conhecer uma estrela?” Perguntou Ruby, o tom de voz baixo, os lábios bem próximos de Belle, mas sem ousar toca-los, era possível sentir o hálito doce da sua garota e a essa altura seus dedos já estavam agora caminhando por debaixo do tecido da calcinha de Belle, descendo sem nenhuma cerimônia para o meio de suas pernas. “Podíamos mostrar para ela o livro, tirar algumas dúvidas.” Continuou Ruby, mas suas palavras se calaram, pois Belle a tomou em seus lábios, fazendo-a se calar.
O beijo demorou tempo suficiente para que as suas percebessem que aquela poltrona era pequena demais para o que elas tinham em mente, Ruby a pegou em seus braços e a levou para o carpete no chão. Belle sorriu ao sentir o carpete contra a suas costas e soltou uma risada deliciosa fazendo com que Ruby se sentisse cada vez mais excitada. A morena colocou cada um de seus braços ao lado de sua garota e a encarou.
“Podemos ir para o nosso quarto.” Ruby sugeriu, mas Belle negou rapidamente com a cabeça e suas pernas envolveram o quadril de Ruby, fazendo-a deitar sobre o seu corpo.
“Eu te quero aqui e agora.” Belle disse no ouvido de Ruby, que entendeu bem o convite e não ousou mais fazer nenhuma pergunta sequer.
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