She Wolf
25 Lightness
Capitulo 25 – Lightness
Infelizmente a reunião não havia saído como Regina planejara. Os responsáveis pela companhia de energia da cidade não estavam nada felizes com o que havia sido decidido, mas Regina não estava disposta (e não podia) ceder aos pedidos deles.
“Senhora prefeita.” Disse o diretor responsável, sentado em uma cadeira em frente à mesa de Regina. Todos estavam no escuro e completamente frustrados. “A senhora tem que entender que a cidade congelou no tempo por 28 anos, mas agora que a maldição foi quebrada, nós temos que nos adaptar aos novos tempos. Nós precisamos abrir as fronteiras da cidade para novas tecnologias, caso contrário, sofreremos com essas constantes quedas de energia.” Ele concluiu, Regina suspirou frustrada e se ajeitou em sua cadeira.
“Eu entendo perfeitamente o que precisa ser feito.” Ela respondeu secamente.
Ela já estava nessa reunião há horas, procurando uma alternativa para que não fosse preciso buscar tecnologias fora da cidade, mas nenhuma dessas alternativas eram o suficiente. Regina estava cansada, seus músculos já estavam tensos, em respostas as horas sentadas na sua cadeira de escritório e sua cabeça latejava devido ao stress de tudo o que estava acontecendo.
“Não podemos cruzar a fronteira.” Ela continuou a dizer. “Pelo menos não agora.”
Todos presentes trocaram olhares e começaram a falar ao mesmo tempo, ninguém estava satisfeito e também não entendiam a relutância de Regina em impedir o crescimento da cidade.
“A população não ficará feliz.” Disse novamente o diretor. “Como responsável pela companhia, eu repito que essa é a nossa única solução, senhora prefeita.”
“E como prefeita e responsável por todos dessa cidade, eu repito novamente que eu sei o que eu estou fazendo.” Ela respondeu, sua voz deixando claro o quanto ela já estava insatisfeita com essa reunião. “Essa reunião acabou, voltem aos seus postos e restaurem a energia dessa cidade em menos de uma hora.” Ela concluiu, todos se olharam, mas assentiram um para o outro.
Regina os observou sair, ela estava irritada e exausta. Ela queria muito resolver a situação da cidade, mas no momento não era prioridade. Era impossível, além de arriscado, abrir as fronteiras da cidade. Agora a preocupação não era mais que os meros mortais do outro lado da fronteira descobrissem sobre os seres mágicos de Storybrooke, mas sim que um demônio entrasse, de modo que ela não voltaria atrás na sua decisão.
Ela pegou seu celular e soltou um grito de frustração ao perceber que a bateria havia acabado e que não tinha condições de carrega-lo. Ela se escorou contra a cadeira, levou a mão ao rosto e deixou o cansaço consumi-la. Por um segundo, ela pensou que desmaiaria ali mesmo, tomada pelo cansaço e pela fome, já que havia pulado o almoço e agora ela não tinha mais condição alguma de comer algo.
“Regina?” Era a voz de Snow, diante da porta de seu escritório. Regina não conseguiu esconder a surpresa de ver a mulher ali parada. “Posso entrar?” Ela continuou, enquanto Regina se ajeitava em sua cadeira.
“É claro, Snow, entre.” Ela respondeu. “Algum problema?” Ela perguntou tentando ignorar a dor de cabeça. Snow se aproximou lentamente, Regina observou que ela carregava em suas mãos uma sacola de papel.
“Pensei que estaria com fome.” Ela disse, depositando sobre a mesa a sacola. “Eu vim mais cedo e sua secretaria disse que você estava em reunião, então voltei agora e pensei que talvez você gostaria de almoçar.”
Regina encarou a mulher a sua frente, em pé diante de sua mesa, seu queixo caiu e ela não soube o que dizer. Ela estava verdadeiramente agradecida, mas não podia deixar de pensar que havia segundas intenções em sua gentileza.
“Vai em frente, prometo que não coloquei nada ai, você não dormirá para sempre. Embora, eu realmente acredite que você precise dormir um pouco.” Snow disse e Regina soltou uma risada, sentindo seus músculos relaxarem por um segundo.
“Muito obrigada, Snow.” Ela respondeu, abrindo logo em seguida a sacola e tirando de lá um sanduiche de peru, ela não perdeu tempo em come-lo. “Imagino que você não tenha vindo até aqui apenas para trazer meu almoço. Se for para falar da crise de energia, eu já estou ciente, como você pode ver.” Ela continuou olhando para seu escritório completamente às escuras. “Os técnicos já saíram daqui e não demorarão a resolver, é uma questão de tempo agora.”
“Eu não vim aqui para falar sobre isso, Regina.” Snow respondeu prontamente, Regina ergueu uma sobrancelha e apontou para uma das cadeiras, para que Snow se sentasse.
“O que aconteceu?” Ela perguntou, seu tom de voz carregado de preocupação.
Snow a encarou e o silencio que se sucedeu pareceu uma eternidade, Regina estava incomodada com a presença da mulher ali e não conseguia passar pela sua mente o que Snow queria com ela.
“Eu sei sobre você e Emma.” Snow soltou, fazendo-o com que Regina soltasse seu sanduiche e a encarrasse, perplexa.
A prefeita abriu a boca em surpresa e não soube o que dizer ou fazer em seguida. Ela engoliu a seco, sentiu sua mão suar e pela primeira vez ela sentiu como se não tivesse o controle das coisas.
“O que você quer que eu diga?” Perguntou Regina, colocando de volta na embalagem o sanduiche que havia caído sobre seu colo. “Se você já sabe de tudo, não acho que eu precise te contar mais nada, não é mesmo? Mas algo me diz que você não veio aqui apenas para me deixar ciente do que você já sabe ou não.”
“Não.” Snow respondeu prontamente. “Eu vim porque me entristece saber que minha filha está escondendo algo tão grande de mim. Eu consigo imaginar seus motivos, mas eu gostaria que ela não deixasse que os medos dela falassem mais alto.”
“Nós contaríamos quando fosse a hora certa.” Regina respondeu. “É algo novo para mim e a sua filha.” Ela continuou.
“E como você se sente em relação a isso, Regina?”
Ela congelou diante da pergunta, sentiu a ansiedade tomar conta de seu corpo, respirou fundo e repetiu mentalmente essa pergunta para si mesma.
“Eu gosto muito da sua filha.” Regina respondeu, ignorando de certa forma a pergunta. “Se é esse o motivo pelo qual você está aqui.” Continuou. “Eu sei que eu não vou conseguir apagar ou compensar o mal que eu fiz a você e a todos dessa cidade e até mesmo todo o mal que eu causei a Emma, mas eu sei que eu quero tentar todos os dias da minha vida e eu realmente acredito que Emma é a minha segunda chance.”
Snow a encarou, com um sorriso em seus lábios, ela estava mais do que satisfeita em ouvir dos lábios de Regina essa confissão.
“Isso é o suficiente pra você?” Perguntou Regina e Snow apenas assentiu e embora ela não tenha dito nada, o sorriso em seus lábios e as lagrimas de emoção em seus olhos denunciavam a Regina que ela estava feliz por sua filha.
“Eu tenho certeza que Emma te fará muito feliz, Regina.” Snow disse.
“Ela já me faz muito feliz.” Respondeu ela e isso foi mais do que o suficiente para Snow.
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Emma havia passado as últimas horas dentro de seu fusca, estacionado diante da prefeitura, encarando o livro que Belle havia dado a ela. Ela suspirou, enquanto passava uma página completamente em branco. O livro não havia revelado mais nada, o que foi bem frustrante para Emma, mas uma parte de si, não achava que estava pronta para ler o que quer que estivesse oculto nas páginas magicas desse livro.
Ela havia visto sua mãe entrar na prefeitura e sentiu seu coração disparar, pegou imediatamente o celular para alertar Regina, mas o mesmo se encontrava desligado. Ela então aguardou, sentindo seu coração praticamente sair pela garganta e assim que viu sua mãe sair da prefeitura, ela então se levantou, pegou o livro e caminhou a passos largos para a prefeitura.
Encontrou Regina em seu escritório, completamente no escuro, comendo um sanduiche e não parecendo se preocupar com nada ao seu redor. Emma parou onde estava, em pé junto a porta, esperando a morena notar sua presença. Regina demorou alguns segundos para notar que não estava mais sozinha, mas assim que ela notou Emma, ela rapidamente guardou o sanduiche de volta na embalagem e deu seu melhor sorriso para Emma, levantando-se logo em seguida para recebe-la.
“Emma!” Regina disse, se aproximando da loira e a beijando nos lábios, Emma pareceu surpresa com a forma inesperada que Regina se aproximou, sem nem se preocupar se haveria alguém por perto que pudesse vê-las. “Eu estava pensando em você.” Ela continuou, suas mãos envoltas da cintura da loira, sua voz soando baixa e apaixonada. Emma por um momento estranhou Regina, mas resolveu entrar na brincadeira ao invés de fazer algum tipo de comentário.
“É, eu notei pela forma que você estava devorando aquele sanduiche.” Respondeu Emma, em um tom divertido, tentando ignorar o nervosismo que ela ainda sentia desde que havia visto sua mãe entrar na prefeitura.
Regina soltou uma risada e a soltou de seu abraço, olhando em seguida para suas mãos.
“O que é isso?” Regina perguntou, fazendo com que Emma estendesse o livro para ela.
“Eu sinceramente não sei.” Emma respondeu, permitindo que Regina pegasse o livro de suas mãos.
Regina caminhou com o livro em direção a janela mais próxima, de modo que a luz que ainda restava pudesse iluminar as páginas. Emma a seguiu e parou bem próxima a ela, enquanto Regina folheava o livro.
Não havia nada na primeira página, Emma observou e olhou para Regina a fim de fazer tal observação, mas suas palavras morreram em seus lábios, pois a expressão no rosto de Regina denunciava algo que Emma não conseguia compreender.
“Você está bem?” Emma perguntou, em um tom preocupado.
“Essa sou eu.” Ela disse, tocando na página do livro, Emma franziu o cenho, pois ela não conseguia ver nada. “Eu quando era pequena, antes de tudo isso, antes dessa maldição...”
“Antes da Rainha Má.” Emma respondeu por ela e Regina tirou sua atenção do livro por alguns segundos, para encarar a mulher ao seu lado. “Eu não vejo nada.” Emma continuou a dizer. “É tudo uma página em branco para mim.”
Regina não fez nenhum comentário, apenas olhou para a página do livro aberta em suas mãos. Ela podia se ver desenhada ali, uma versão muito mais nova de si própria quando criança e sorriu com a memória que isso lhe trouxe.
‘Era uma vez.’ Surgiu no canto superior esquerdo do livro, em uma caligrafia perfeita.
“Consegue ver isso?” Regina perguntou e Emma negou com a cabeça e Regina então leu em voz alta. “‘Era uma vez, uma garotinha fadada a um destino terrível e sombrio.’” Ela se virou para Emma, sua voz pareceu se perder em sua garganta. ‘Mesmo ela tendo nascido para a luz, não foi muito difícil mantê-la longe das trevas. Uma vez que seu coração se tornou frio e solitário. Ela se viu perdida e sem rumo e as trevas se aproveitou dessa brecha em seu coração.’”
Não era mais a garotinha que estava na página e sim uma Regina adolescente e sozinha, seus olhos tomados por lagrimas e seu semblante carregado de desespero. Ela sabia que esse dia se tratava do dia em que ela perdeu Daniel. Essa gravura foi rápida, mas causou uma dor muito forte dentro de Regina. Lá estava a outra imagem, agora de uma Rainha Má, impiedosa, seu semblante frio e apático, já não havia mais vestígio algum da garotinha que um dia ela fora.
“O que o livro está dizendo?” Perguntou Emma, mas não havia mais palavras e sim uma sequência interminável de imagens de uma Rainha Má que não havia feito outra coisa, além de causar dor.
Regina não foi capaz de descrever para Emma o que ela estava vendo, aquilo era demais para ela. Era muito difícil relembrar daqueles tempos de escuridão, ela já não mais se sentia aquela Rainha Má, mas ainda assim, ela não conseguia esquecer totalmente desse passado. Ela sentiu seu rosto umedecer com as suas lagrimas, suas mãos agora tremiam, tornando difícil segurar o livro em suas mãos.
“Regina, você está bem?” Emma insistiu em perguntar e quando não obteve uma resposta, ela retirou então o livro das mãos de Regina, o colocou sobre uma mesa próxima e se posicionou diante da morena. “O que você viu ali, Regina?”
“As trevas.” Ela respondeu, seus olhos completamente molhados por suas lagrimas e sua mente tomada por imagens de todas as coisas terríveis que um dia ela causou.
Ela havia visto tudo, cada morte, cada tortura, cada dia de violência, cada grito de socorro e dor. Havia visto Snow também e agora, depois de tantos anos, ela se sentia culpada por cada desgraça que havia caído sobre a vida dela, tudo em nome de uma vingança que não fazia menor sentido.
“Regina, por favor, fale comigo.” Insistiu Emma, que estava muito preocupada e se sentindo a namorada mais inútil do mundo por não poder fazer algo por ela.
“Sua mãe esteve aqui hoje.” Respondeu Regina, enxugando seus olhos. “Ela já sabe sobre nós duas.”
“A cidade inteira já sabe.” Emma respondeu, frustrada e sentindo seu estomago se revirar. “O que ela disse?”
“Ela nos entende e nos aceita.” Regina respondeu e Emma abriu sua boca e a encarou por alguns segundos, sem saber o que dizer. “É, eu sei, eu também fiquei um pouco chocada, mas sinceramente? Eu não deveria esperar o contrário da sua mãe, quer dizer, você a conhece.”
“É, eu a conheço.” Emma respondeu, pegando as mãos de Regina e as apertando contra a sua. “Você está mais calma?”
“Eu estou, mas tem uma coisa que eu preciso fazer.” Ela respondeu, Emma franziu o cenho e se permitiu ser arrastada para fora da prefeitura.
Regina a levou para a casa de seus pais e novamente o estomago de Emma se revirou e ela sentia como se fosse vomitar a qualquer momento.
“O que estamos fazendo aqui?” Emma perguntou, enquanto Regina desligava o carro e se preparava para sair.
“Eu preciso fazer uma coisa, venha, me acompanhe.”
“Pelo amor de deus, você não vai me pedir em casamento, não é?” Emma perguntou, pulando para fora do carro e batendo a porta atrás de si.
Regina caiu em uma gargalhada longa e divertida e olhou para o rosto de Emma que estava tomado por terror e ansiedade.
“Não seja idiota.” Ela respondeu, tentando parar de rir. “Não estamos namorando há tanto tempo assim, além do mais, eu não tenho sequer uma aliança e mesmo que eu tivesse, seria você que teria que me pedir em casamento.” Ela continuou, caminhando em direção a casa dos Charmings, sendo seguida por Emma.
“Como é?” Emma perguntou, completamente confusa com o rumo da conversa.
“Você ouviu bem, você que tem que me pedir em casamento.”
“Ah, é? Por que isso?” Emma perguntou, agora se divertindo com essa conversa, enquanto as duas subiam as escadas que dava acesso ao pequeno apartamento de Snow e David.
“Bem, porque eu-” Regina se calou imediatamente, pois Snow havia acabado de abrir a porta do apartamento e agora encarava as duas mulheres paradas ali.
“Emma?” Snow perguntou, surpresa. “Regina? Algum problema?” Ela perguntou, seu rosto franzido enquanto ela olhava para cada uma delas.
“Não é nada, mas nós precisamos conversar.” Regina respondeu. “Você estava de saída?”
“Sim, eu estava, mas eu posso adiar meu compromisso.” Ela respondeu, ainda encarando as duas, enquanto tentava entender o que estava acontecendo.
“David está?” Regina voltou a perguntar, Emma estava ali, parada em silencio, tentando compreender tudo ao seu redor, Snow também permaneceu em silencio, pois sua cabeça zunia com todas as perguntas que ela estava pronta para fazer, mas que não sabia por onde começar.
“Ele está sim.” Ela respondeu, abrindo mais a porta e dando acesso para que Regina e Emma pudessem entrar.
Regina foi a primeira a entrar no apartamento, Emma permaneceu parada próxima a porta, como se estivesse esperando por um convite ou planejando uma rota de fuga.
“Você vai ficar ai?” Perguntou Snow, que estava esperando sua filha entrar para fechar a porta, Emma assentiu nervosamente e entrou no apartamento.
Regina estava olhando ao redor, enquanto Snow chamava por David que estava no andar de cima, o homem não demorou a aparecer e assim que os três se encontraram parados diante da pequena cozinha do apartamento de Snow, Regina se pôs a falar.
“Bem, Snow, você veio me ver hoje de tarde, para me questionar sobre o meu relacionamento com a sua filha.” Disse Regina, sua voz era confiante e ela parecia ter ensaiado esse discurso, Emma desejou que o teto caísse sobre a cabeça de todos. “Você saiu de lá, me dando a certeza de que você definitivamente foi a pessoa mais bondosa que eu já conheci na vida.” Ela continuou, Emma percorreu o olhar de sua mãe e o de Regina, as duas se fitavam intensamente, era como se só existissem elas duas na sala. “Eu tentei acabar com a sua felicidade de todas as maneiras que eu pude, eu te persegui, te encurralei, te deixei órfã, tirei sua filha de você e quase tirei a vida de seu amado.”
Houve uma pausa, o clima do local era pesado, não se ouvia nada, Emma percorreu o olhar de todos, pôde ver os olhos de Regina tomados por lagrimas, Regina deu um passo à frente, em direção a Snow e segurou suas mãos.
“Em nenhum momento seu coração se enegreceu.” Ela continuou a dizer. “Em nenhum momento você deixou de ser você mesma, eu me pergunto agora como você conseguiu.” A voz de Regina estava embargada pelo choro que ela continha, Snow estava também muito emocionada com tudo o que estava ouvindo. “Você estava na minha vida quando eu perdi Daniel, talvez você estivesse lá para me ensinar a não me perder no meu caminho e talvez eu devesse ter sido a mãe que você não teve...”
“Ou talvez você tivesse que ter caminhado pelas trevas, para finalmente achar a luz.” Snow disse, interrompendo-a e seu olhar cruzou ligeiramente com o de Emma. “Eu sei o que você quer me pedir, Regina.”
“Você sabe?” Perguntou Regina.
“E eu te perdoo sim, por tudo.” Snow respondeu e Regina sorriu, desistindo de tentar controlar suas lagrimas e a envolveu em um abraço apertado.
Emma observava a cena, ela também não conseguiu controlar suas próprias lagrimas, ela finalmente tinha tudo o que ela sempre desejou. Uma família completa, alguém que a amava, um lugar para chamar de casa. Regina quebrou o abraço se virou para encarar Emma e enxugou seus olhos.
Aquela tarde se seguiu tranquila, Henry havia saído mais cedo da escola, de modo que minutos depois ele havia chegado e todos puderam comemorar essa harmonia. Regina passou a tarde ali, ignorando completamente a crise elétrica da cidade, todos se sentaram no chão, com velas ao redor, contando histórias sobre o passado.
Regina era a quem mais falava, pois todos queriam saber mais sobre a bebê que ela adotaria em breve. Ela também estava muito empolgada com isso e era a primeira vez que ela tinha alguém para compartilhar sua vida. Ela foi embora antes do jantar, Emma a acompanhou até o carro.
“Foi muito bonito da sua parte.” Emma disse a Regina, as duas estavam sozinhas na rua, diante do carro de Regina. “Vir aqui em casa, pedir perdão a minha mãe.” Ela concluiu, Regina sorriu, sem graça com a forma que Emma a encarava.
“Sua mãe é uma pessoa muito boa.” Ela respondeu e Emma assentiu, “Mesmo vocês duas não tendo convivido uma com a outra, você tem muito dela.” Ela continuou.
“É, eu acho que eu tenho.” Emma respondeu, enquanto se aproximava de Regina e a encostava contra o seu carro. “Mas chega de falar de família, vamos falar de nós duas.” Ela continuou e se aproximou de Regina, beijando-a no pescoço e tirando um gemido baixo de seus lábios.
“Eu adoraria ficar aqui conversando sobre nós duas.” Regina respondeu. “Mas eu tenho que ir pra casa, eu passei o dia sem falar com Selene, eu estou exausta e eu preciso ver como ficou a situação da energia da cidade.”
Emma olhou ao redor, para a escuridão da rua e encarou Regina.
“Bem, claramente a luz não voltou.” Ela disse, dando de ombros e roubando uma risada de Regina.
“Eu já havia notado, Senhorita Obvio.” Regina respondeu em um tom sarcástico. “Mas eu preciso ligar pra a companhia e perguntar o que ficou resolvido.” Ela continuou, Emma pareceu frustrada por ter que encerar a noite. “Eu te vejo amanhã.”
Emma sorriu e lhe beijou nos lábios, um tipo de beijo calmo, que começa no canto da boca, para em seguida te tomar por completo. Regina perdeu o folego e encarou Emma a sua frente, com um sorriso sedutor e excitante nos lábios.
“Eu poderia te ter agora mesmo, sabia?” Emma disse.
“Ah, claro, no meio da rua, no escuro. O que você acha que eu sou, senhorita Swan?” Ela perguntou, fingindo estar indignada, Emma riu de sua resposta.
“Eu acho que você é minha.” Ela respondeu, suas mãos criando uma barreira e impedindo que Regina se desencostasse do carro e fosse embora.
Regina tocou gentilmente nos lábios de Emma, com a ponta do dedo, a fazendo sorrir.
“Eu sou sua de fato.” Regina respondeu. “Mas de certa forma eu também sou dessa cidade, eu tenho responsabilidades e preciso cumpri-las. Desculpa, eu realmente gostaria de ficar e te dar o prazer de me ter em qualquer canto escuro dessa cidade, mas eu preciso ir embora.” Emma riu com essa observação, a beijou novamente nos lábios e antes de se afastar, ela sussurrou para Regina.
“Eu te amo.” Ela disse, se afastando novamente e encarando os olhos espantados de Regina.
Ela sorriu e para Emma esse sorriso fora um dos mais genuínos que ela já havia presenciado.
“Eu também te amo.” Regina respondeu e a tomou novamente em seus braços para outro beijo.
Emma se afastou e quando Regina finalmente abriu os olhos, tudo ao seu redor era luz. E não no sentido metafórico da palavra, pois de fato tudo ao se redor estava claro, a energia havia voltado e toda a cidade agora estava iluminada.
“Eu acho que seus engenheiros deram um jeito na energia.” Emma observou, olhando para todos os postes agora iluminados.
“É, eu acho que sim.” Regina respondeu. “Posso usar seu celular?” Ela perguntou e Emma assentiu, entregando para ela o seu celular.
Regina discou o número que já sabia de cor, do responsável pela companhia de energia e esperou alguns segundos até ser atendida. Ela se identificou e os minutos seguintes ela começou a ouvir o diretor falando que não sabia como, mas que a energia havia voltado misteriosamente e que seus homens estavam trabalhando agora para saber como isso havia acontecido e se havia risco da energia ir embora novamente. Regina desligou em seguida e encarou Emma a sua frente, que esperava por uma resposta.
“Ele não sabe como a energia voltou.” Ela respondeu, Emma deu de ombros, pois de fato não ligava para isso, mesmo tendo sido um grande inconveniente para ela ter perdido seu jogo do Pac-Man.
“Talvez tenha sido nós duas.” Emma respondeu. “Sabe? Nossa mágica.” Ela continuou, rindo logo em seguida, mas ela havia apenas comentado, não estava levando suas próprias palavras a sério. Regina, por outro lado, não conseguiu deixar esse comentário passar batido.
“Talvez.” Regina respondeu. “Fico imaginando então o estrago que nós faríamos nessa cidade quando você de fato me tiver.” Ela continuou, Emma franziu o cenho, soltou uma risada e a beijou novamente.
Ela se despediu de Regina e a observou ir embora, Regina dirigiu silenciosamente pelas ruas, olhando Emma pelo retrovisor e a observando ficar cada vez menor em seu campo de visão, até desaparecer por completo, mas ainda assim, mesmo ela não podendo mais ver Emma, ela ainda conseguia senti-la junto de si.
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