She Wolf

28 Heart On The Line


Capitulo 28 – Heart On The Line

Havia frutas frescas sobre a mesa, uma jarra de suco, alguns pães ainda quentinhos, que enchiam a cozinha de Rumple com aquele odor característico de pão recém-saído do forno. Ele estava junto ao balcão da cozinha, cortando algumas fatias de um bolo de frutas que ele havia comprado logo cedo, antes de Selene aparecer em sua residência.

Ela estava sentada a mesa, experimentando as frutas, enquanto os dois ouviam um velho disco, Rumple explicava, com grande excitação em seu relato que aquele que eles estavam ouvindo se chamava Elvis Presley e Selene ouviu por várias minutos histórias fantásticas sobre o famoso cantor.

“Minhas tentativas de tentar tirar você de seus pensamentos, parecem estar falhando. ” Rumple disse, Selene forçou um sorriso, antes de responde-lo.

“Eu a vi ontem. ” Ela disse. “Belle.” continuou, embora ele soubesse bem de quem se tratava. “Eu tenho que confessar que pensei algumas vezes em como seria nosso encontro, mas bem, ontem eu não consegui que ele de fato se concretizasse. Eu estava tão nervosa e ela estava tão perto. Tudo o que eu conseguia pensar era em como eu havia falhado em protege-la e quanto eu não merecia que ela tivesse algum respeito por mim, mas outra parte de mim, desejava abraça-la e dizer o quanto eu estava orgulhosa por ela ter se tornado a mulher que ela é hoje. ”

Ela deu uma pausa, seus olhos percorreram a cozinha, antes dela olhar para Rumple. “Porém, eu não podia fazer isso. Eu jamais poderei me apresentar como a mãe dela, pois de todas as coisas que eu já fui um dia, mãe de Belle é a última delas. Eu preciso me conformar que ela já não mais pertence a minha vida.” Ela concluiu e Rumple assentiu, concordando em silencio com as palavras da garota.

Assim como Selene, Rumple também tinha que se conformar que Belle não mais pertencia a ele. Já não era tão difícil assim, a cada dia que se passava, Rumple sentia menos falta de Belle e aos poucos sua vida ia girando em torno de todas as coisas que ele ainda tinha pela frente. Ele sabia que Belle seria sempre presente em sua mente e em suas lembranças, mas agora como algo bom, mas que já não mais poderia acontecer novamente.

Selene contou para Rumple sobre sua sessão com Archie, que ainda estava incerta se de fato ele poderia ajuda-la, mas Rumple a incentivou a continuar com a visitas e no fim ela acabou concordando.

Os dois passavam as tardes juntos, a conversa entre os dois fluía sempre de modo natural e Selene aos poucos se conformava e aceitava esse efeito tranquilizador que ele possuía nela. Era como se nada ou ninguém pudesse atingi-la quando ela estava com ele. Era uma sensação agradável, embora as vezes ela se perguntava se era certo estar tão próxima desse homem, mas no fim, a vontade de se sentir segura e protegida falava mais alto e esses pensamentos se desfaziam como se nunca tivessem existido antes.

Aquela semana se passou, os dias de Selene se resumiam a passar a dia inteiro com Rumple. O que não era nada ruim, tendo em vista que ela o achava muito interessante. Ela gostava também de sua casa e de seu antiquário, gostava de aprender sobre todas as coisas que havia ali, suas histórias a quem os objetos haviam pertencido. Sobre os métodos de restauração dos objetos, que as vezes eram bem minuciosos, mas que na maioria das vezes contava com a ajuda de um pouquinho de mágica.

Ele possuía uma coleção diversificada de discos raros que Selene descobriu ser uma das melhores coisas do mundo moderno. A música a embalava e a acalmava e ela podia perceber que Dorothy amava as melodias, de modo que todos os dias assim que ela chegava no antiquário, ela escolhia um disco novo e o deixava tocando o resto da manhã.

A música embalava a conversa dos dois, que era sempre animada e na hora do almoço os dois iam juntos para a casa de Rumple, onde ele preparava algo para os dois comerem, enquanto ela se divertia com outra coleção de música, dessa vez oriunda de CDs e não de discos. Selene descobriu então que o áudio dos discos era mais bonito e passou a querer entender mais sobre música e como ela funcionava. Isso passou a ser o seu hobbie, quando não estava conversando com Rumple, estava lendo livros sobre música e artes em geral. Cinema era outra de suas paixões. Rumple compartilhava todos os seus gostos e era extremamente prazeroso para o homem estar em sua companhia.

Ao entardecer, ele a levava para a mansão de Regina e então voltava para a sua silenciosa e solitária casa. Selene também se sentia um pouco só na mansão de Regina, embora a casa sempre estivesse cheia, já que Snow e David haviam passado a visitar frequentemente Regina agora que Emma e Henry haviam passado a morar na mansão.

Houve uma segunda sessão com Archie depois daquela semana, Selene concordava com todos que ele era de grande ajuda, mas não podia tirar o mérito de Rumple, pois ele era quem mais a ajudava. Ela tinha que vê-lo todos os dias, ela tinha que estar com ele a maior parte do dia, caso contrário, ela ficava ansiosa demais, nervosa demais, pois a cada dia que se passava a Lua Cheia se aproximava e embora em boa parte do tempo ela se sentisse segura em Storybrooke, havia algo no cair da noite que a atormentava. Talvez fosse o céu negro que precedia a chegada da Lua Cheia, talvez fosse o trauma de dormir e temer que Marōn pudesse controlar seus sonhos e sentidos. Ela não sabia o que era, mas odiava o cair da noite, odiava encarar as estrelas do seu quarto. Odiava se deitar, mesmo se sentindo exausta e quando o fazia contava os minutos para o amanhecer, apenas para poder estar novamente na presença de Rumple para poder se sentir segura novamente.

“Estamos a cinco dias da Lua Cheia.” Ela disse a Rumple, os dois estavam sentados em um dos bancos do píer, ela tinha em suas mãos uma pequena casquinha de sorvete, outra grande invenção da humanidade que ela havia descoberto como uma das melhores. “O que vamos fazer, Rumple?”

Ele não respondeu, encarou o mar e sua imensidão, ouviu as gaivotas voando e dando rasantes sobre as aguas do mar a procura de algum peixe e enfim suspirou, pois ele teria que admitir que não sabia o que tinha que ser feito.

“Eu estive pensando.” Ela voltou a dizer, quando percebeu que ele não lhe responderia nada. “Sobre o que Ester me disse sobre você e eu.” Ela continuou, ele tinha o olhar fixo nela, mas nada disse, de modo que ela continuou. “Você acha que ela se referia a-” Sua voz foi diminuindo, como se ela esperasse que ele continuasse a frase, ele não o fez e ela suspirou frustrada e voltou a continuou. “Acha que ela se referia a você se apaixonar por mim?”

Rumple apenas franziu o cenho, encarou a garota que ansiava por uma resposta e refletiu por um segundo. O que ela queria que ele dissesse? Aonde ela gostaria de chegar com essa história?

“É que eu estive pensando muito nisso nos últimos dias, talvez seja o nosso contato diário. Eu não sei, mas eu não consigo parar de pensar nisso, quer dizer, foram as palavras de Ester, não as minhas. A questão é, Rumple, eu não sei você, mas eu jamais poderia me apaixonar por você.” Ela disse, o homem que ainda a encarava, desviou o olhar, isso incomodou Selene de certa forma, que ansiava por uma resposta dele. “Diga algo, Rumple, diga que jamais poderia me amar dessa forma.”

Houve um silencio, uma breve risada abafada vinda dele e um olhar preocupado de Selene. Ele então se virou e respondeu a ela o que ela tanto queria saber.

“Seria difícil me apaixonar por você ou por qualquer outra pessoa que fosse, tendo em vista que eu ainda não aprendi a tirar Belle completamente da minha mente.” Ele respondeu, o olhar fixo nos dela e ela sorriu satisfeita e se virou para encarar o mar a sua frente.

Rumple engoliu a seco, se virou também, a fim de olhar para o mar, em uma tentativa de tentar não deixar com que Selene percebesse que ele estava mentindo. A verdade, era que ele já não mais pensava em Belle dessa forma. Ela era apenas um fantasma de seu passado e já não mais jazia em seu coração. Porém, seu coração não estava vazio, como poderia suspeitar algumas pessoas, ele tinha dado espaço para um novo amor e nem percebeu quando havia feito isso. Selene chegou sem querer, invadindo o que não era dela por direito, mas se instalou de tão forma, que ele não conseguia mais pensar em outra coisa que não fosse ela.

Ele queria protege-la, queria mantê-la salvo de todos os males desse mundo. Para ele, só poderia haver espaço em seu rosto para um sorriso. Para ele era angustiante saber que ela ainda se preocupava e quantas vezes ele não precisou se segurar para não a tomar em seus braços, a fim de acalma-la quando ele sentia uma preocupação em seu olhar.

Seria mais fácil tentar ignorar esse sentimento, mas ele já não tentava mais, ele queria poder dizer a ela que os dois não podiam mais se ver, mas temia que ela visse isso como uma declaração explicita de que ele possuía sentimentos por ela e se dependesse dele, ele jamais se declararia. Além do mais, ele sabia bem que Selene se sentia mais segura quando estava com ele e embora machucasse muito estar perto dela e não poder tê-la por completo, o machucaria mais deixa-la desamparada por puro egoísmo da parte dele. Ele preferia deixar seu coração na reta ao vê-la sofrer.

O crepúsculo veio pintando o céu daquela tarde nos mais belos tons de laranja. O sol se pôs e em silencio os dois se levantaram e caminharam em direção ao carro de Rumple. Ele a levou até a mansão de Regina, como sempre fazia e estacionou diante da mansão. O carro de David e Emma estavam parados um atrás do outro, Rumple ouviu Selene suspirar pesado e perguntou qual era o problema.

“Eu não estou afim de fingir estar bem diante dos outros.” Ela respondeu. “Pelo menos não hoje.” Ela completou e estava prestes a sair do carro quando ele a impediu, segurando seu braço.

“Você pode ir para a minha casa se quiser.” Ele sugeriu, ela soltou uma risada e ele então insistiu no convite. “Não tem segundas intenções no meu convite.”

“Eu sei que não, Rumple, mas é que todas as minhas coisas estão na mansão e além do mais, o que Regina iria pensar?” Ela respondeu, ele entendeu sua justificativa e soltou o seu braço, deixando ela partir. “Mas eu adoraria poder passar a noite em silencio na sua casa. Às vezes é bem cansativo todo esse tumulto familiar.” Ela continuou e soltou uma leve risada.

“Minha casa sempre estará aberta caso você procure um lugar tranquilo.” Ele respondeu, ela sorriu em agradecimento e se inclinou na direção dele, beijando-o no rosto e se despedindo antes de sair.

Ele a observou caminhar pela entrada da mansão e levou a mão no rosto, onde os lábios dela o havia tocado. Ele se sentiu estupido e incomodado. O tipo de incomodo que só os apaixonados conhecem e desejou que tudo tivesse em seu controle como sempre fora as coisas, mas entendeu que todas as melhores coisas da vida são dadas a nós quando menos esperamos. Ele entendeu que a falta de controle nas coisas que o universo rege é o que tornava o mundo tão interessante, mas mesmo entendendo tudo isso, ainda era difícil para ele aceitar as ironias da vida e a crueldade do universo.

Se pelo menos seus poderes fossem maiores do que o próprio acaso, se pelo menos ele pudesse mudar uma linha sequer do grande livro do destino de modo a fazer com que a história dele e de Selene se cruzassem permanentemente, talvez isso o acalmasse, mas por hora, ele teria que aprender e a se conformar que dessa vez ele não era Senhor de nada e que tudo, inclusive os seus próprios sentimentos, já não estavam mais sobre seu controle.