She Wolf

31 Darkness


Capítulo 31 – Darkness

Ruby despertou em um cômodo escuro, ela não podia ver nada ao seu redor, mas podia sentir suas mãos presas por correntes de aço. Ela puxou os braços, enquanto se sentava no chão gelado, a corrente era curta e amarrada em algum ponto do chão, quanto mais ela puxava, menos a corrente vinha. De modo que ela desistiu e se encostou contra a parede, frustrada.

Ela tentou gritar, mas sua garganta estava muito dolorida para isso e quanto mais tempo ela ficava ali sozinha, menos sentido as coisas faziam. Ela tentou se lembrar dos acontecimentos passados, mas tudo o que vinha em sua mente era a imagem de um Belle, que ela não mais podia reconhecer.

“Foi bem difícil te trazer até aqui.” Disse uma voz, que Ruby reconheceu como de Belle, mas algo lhe dizia que não era sua amada que estava ali.

Ruby não respondeu e esperou que a dona da voz se apresentasse. No primeiro instante, tudo era escuridão, mas Ruby podia ouvir passos caminhando lentamente até ela, ficando centímetros de seu rosto, onde enfim a pessoa se ajoelhou a sua frente.

Houve um barulho, de um isqueiro sendo aceso e então houve luz. Uma luz rápida que não era capaz de preencher o local onde elas estavam, mas que foi o suficiente para iluminar o rosto de Belle e deixar claro para Ruby que ela já não estava mais diante de sua namorada.

“Por que eu estou aqui?” Perguntou Ruby, para a figura ajoelhada diante si. “O que você quer comigo?”

Uma mão fria tocou o seu rosto e Ruby tremeu, fechando os olhos enquanto desejava que esse pesadelo acabasse logo.

“Você está aqui porque eu preciso de você.” Respondeu a figura, sua voz que pertencia à Belle se esforçava para ser uma imitação perfeita da bibliotecária, mas as vezes oscilava. “Eu preciso de suas habilidades para encontrar alguém.” Continuou, e seu dedo tremulo e estranhamente gélido desceu até o lábio de Ruby, parando sobre ele por alguns segundos, antes de completar. “Infelizmente, eu não tenho nenhum poder sobre você até que você se transforme, mas não se preocupe, eu posso esperar até a lua cheia.” Dizendo isso a criatura se levantou e Ruby pôde ouvir seus passos ficando cada vez mais distantes.

Ruby ficou sozinha nos minutos seguintes, sem saber onde estava, sem saber o que deveria fazer e temendo constantemente pela segurança de Belle e de todos da cidade.

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Regina não sabia exatamente para onde Emma a estava levando, mas estava verdadeiramente empolgada com o fato de poder ter um dia inteiro sozinha com ela. Quem estava dirigindo o carro da prefeita era a loira, enquanto Regina observava a paisagem pela janela do carro.

Elas estavam próxima floresta, seguindo em direção a única estrada de terra que adentrava a densa floresta. Antes que elas pudessem ir longe demais, Emma foi obrigada a parar, pois um carro, que ela reconheceu como a pick-up de Leroy, estava vindo na direção delas duas. Emma então deu ré com o carro, permitindo que o carro passasse pela estrada de mão única.

“O que Leroy está fazendo na floresta?” Perguntou Regina, enquanto observava o carro passar lentamente por elas.

“Eu não acho que seja Leroy quem esteja dirigindo.” Respondeu Emma, tentando reconhecer quem era a figura por trás do volante.

Ela buzinou, de modo a chamar a atenção do condutor, que parou imediatamente onde estava, mas permaneceu imóvel dentro do veículo. Emma se virou para Regina, franzindo o cenho e decidiu descer do veículo, pois alguma coisa dentro de si, dizia que havia algo errado. A loira caminhou até a pick-up, bateu na janela, obrigando o condutor a abaixa-lo e encarou, um pouco perplexa, para uma Belle que usava óculos escuros e tinha as duas mãos bem firmes ao volante.

“Algum problema?” Perguntou Belle, sem tirar o olho da estrada, o que no primeiro momento causou certa estranheza por parte de Emma, mas que não ousou questiona-la sobre esse ponto.

“Nenhum.” Respondeu rapidamente Emma, em resposta, Belle se virou para ela e sorriu, um tipo sorriso que causou um frio na espinha. “O que estava fazendo sozinha na floresta?” Insistiu Emma e Belle se inclinou um pouco para fora do carro, sem em nenhum momento encarar Emma diretamente, e observou o carro onde Regina estava esperando pela loira.

“Talvez o mesmo que vocês duas.” Respondeu Belle, se endireitando em seu banco.

“Ruby não parece estar com você.” Observou Emma e o maxilar de Belle se fechou, enquanto ela apertava suas mãos contra o volante, era possível ver as juntas de seus dedos se tornarem vermelhas devido a pressão que ela fazia para segurar o volante.

“De fato.” Respondeu Belle. “Há uma cabana a poucos quilômetros daqui. Eu estava lá, sozinha, como você pode ver.” Continuou ela. “Eu estou planejando uma surpresa para nós duas. Pretendo traze-la amanhã à noite. Eu vim até aqui, para conferir se a cabana estava no meu agrado.” Concluiu, Emma assentiu e Belle, pela primeira vez, se virou para encarar a loira, que não podia ver seus olhos devido aos óculos escuros.

“Vou deixar você seguir seu caminho.” Disse Emma, dando um passo para trás a fim de deixar Belle ir embora, mas antes que ela tivesse a chance de ir, Emma se aproximou uma última vez, colocando suas duas mãos sobre a janela do carro e voltando a falar. “Sobre essa cabana.” Continuou Emma. “Ela está livre hoje? Já que você só a usará amanha?”

Belle a encarava fixamente agora, causando certo desconforto em Emma por não poder ver seus olhos. A bibliotecária pareceu refletir sobre a pergunta e demorou alguns segundos significativos antes de enfim responde-la.

“É uma cabana adorável. Vocês duas irão adorar.” Respondeu ela, um sorriso surgindo no canto de seu lábio. “Porém, se eu fosse vocês, eu não me atreveria a descer até o porão. Há ratos por todo o local, além de ser muito escuro.” Ela concluiu e Emma não pôde deixar de rir da observação de Belle e enfim se afastou do carro, permitindo que ela pudesse seguir seu caminho.

A loira observou o carro da mulher se afastar, para finalmente voltar para o seu, onde uma Regina ansiosa esperava por ela. Ela ligou o carro, enquanto contava para Regina sobre a conversa com Belle.

“É a cabana do Rumple.”

“Eu imaginei.” Respondeu Emma, voltando a dirigir, sua atenção voltada a estrada, quando ela então sugeriu o que passava em sua mente. “Eu estava pensando.” Continuou ela, olhando rapidamente para Regina, sentada no banco do passageiro ao seu lado. “Que talvez depois do nosso piquenique, nós poderíamos passar por essa cabana, sabe?” Ela concluiu, não precisando explicar sobre a segunda parte do seu plano.

Regina buscou uma de suas mãos e a beijou, deixando claro que o plano era muito mais que bem-vindo e que ela estava ansiosa por isso. As duas seguiram pela estrada, sem imaginar o que as aguardava no final do dia.

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Rumple levou um tempo adicional para chegar até a mansão de Regina. Selene havia ligado para ele, pedindo que ele fosse até lá, mas o homem hesitou, pois agora que se lembrava de tudo, ele temia então que essa fosse a última vez que a visse e não sabia se estava pronto para essa despedida.

Acontece, que ele já havia perdido pessoas demais em sua vida e Selene havia sido a melhor coisa que acontecera para ele nos últimos anos. Ela havia sido capaz de acender nele algo, que ele já não mais pensou existir. Ele não sabia dizer se ainda seria capaz de permanecer no caminho da luz assim que ela fosse embora e não sabia se seria capaz de permanecer em caminho algum, uma vez que ela não estivesse mais ali para guia-lo.

“Você demorou.” Disse Selene, assim que Rumple se encontrou com ela na cozinha da mansão Mills, onde ela estava sentada encarando uma pequena caixa de madeira a sua frente.

“Desculpe o atraso.” Respondeu o homem, hesitando alguns segundos antes de se aproximar da mulher.

Ela o encarou, como se estivesse tentando desvendar o que passava em sua mente e ele permaneceu onde estava, se segurando para não desviar o olhar dela. Ele esperava que esse encontro fosse mais revelador do que estava sendo, ele esperava que no instante em que ele colocasse seus olhos nos dela, ele então precisaria do seu coração e eles se despediriam para sempre. Mas quebrando todas as expectativas, ali estava ela, parada a alguns metros dele, encarando-o com certa perplexidade no olhar, buscando por alguma resposta que explicasse o porquê ele estava tão distante hoje.

“Não tem problema.” Ela disse, com um sorriso nos lábios que não foi respondido. “Bem, você está aqui agora.” Ela continuou e o homem assentiu, enquanto se aproximava dela e se sentava ao seu lado.

“O que é isso?” Ele perguntou, encarando a caixa de madeira, que agora ela abria e revelava para ele seu conteúdo, que não passava de poeira. Ele franziu o cenho e a encarou, esperando uma explicação.

“Henry sugeriu que eu fizesse algo para deixar para Dorothy.” Ela começou a falar. “Eu pensei em escrever uma carta, algo do tipo. Antes que eu tivesse a chance de começar a escrever, eu pensei então em deixar uma pequena lembrança minha para ela. Então, cortei uma mecha de meu cabelo e a coloquei nessa caixa que Henry me deu e no instante em que eu fiz isso, a mecha de cabelo se tornou poeira... Poeira de estrela.” Ela explicou, sua voz soando calma, mas seu olhar denunciando certa frustração.

“Você ainda pode escrever a carta.” Ele disse, em um tom encorajador, tocando em sua mão antes que ela voltasse a falar.

“Não é esse o caso.” Ela respondeu, encarando o conteúdo da caixa de madeira. “Acontece, que enquanto eu encarava esse pequeno amontoado de poeira, eu me vi lembrando de tudo o que eu fui e de tudo o que me trouxe até aqui. Agora eu entendo que meu passado já não importa.” Ela continuou. “Tudo é poeira e tudo se foi, mas eu estou aqui agora e eu ainda posso fazer algo pelo amanhã.” Ela completou, Rumple agora também fitava fixamente o amontoado de poeira, enquanto também refletia sobre o seu passado. Seus olhares se cruzaram por alguns segundos, ela sorriu e fechou a caixa de madeira. “Eu não vou escrever nenhuma carta. Eu acredito que Regina e Emma poderão contar para Dorothy minha história e minha memória será preservada por anos, além do mais, eu não me importo, se minha história virar poeira, assim como o meu corpo, eu não me importarei. Minhas filhas continuarão aqui, sendo a parte viva do que um dia eu fui.”

“Eu sempre lembrarei de você, Selene.” Observou Rumple, recebendo um sorriso muito mais que bem-vindo de Selene. “Quando for a hora, eu mesmo contarei a Belle sobre a sua história, você jamais deixará de existir.” Ele continuou. “O que fará com essa caixa?”

“Eu quero enterra-la.” Ela respondeu. “Como Henry havia sugerido, mas dessa vez não como um tesouro e sim como uma forma de enterrar o passado. Uma forma de deixar para trás todas as coisas ruins que eu fiz nessa vida.” Ela continuou e se preparou para fechar a caixa, mas Rumple a impediu e trouxe a caixa para si.

Ela o encarou, enquanto o observava passar a mão por cima do conteúdo aberto da caixa, fazendo com que lá dentro surgisse então sua adaga. Ela tinha o cenho franzido, a boca aberta pronta para fazer uma observação, enquanto ele agora fechava a caixa e sorria para ela.

“Se me permite, eu também gostaria de deixar meu passado para trás.” Ele respondeu, recebendo um sorriso como resposta, enquanto ele se perguntava quando seria a última vez que ele teria a chance de ver tal sorriso.

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Henry caminhava na frente, pegando do chão todos os pequenos galhos que ele via, enquanto marcava nas arvores um x. Quando questionando sobre o que estava fazendo, ele respondeu então que estava marcando o lugar, para facilitar na hora de encontrar o tesouro. Mas assim que foi respondido a ele, que ninguém tinha intenção de desenterrar o tesouro, o garoto bufou frustrado, mas não frustrado o suficiente para achar aquela caminhada pela floresta chata e querer voltar.

Selene e Rumple vinham atrás, seguindo o garoto a passos lentos, durante o percurso, eles mal haviam conversado. Selene sentia que havia algo errado com Rumple, que havia algo que ele estava escondendo, mas não ousou fazer perguntas, pois entendia que algumas pessoas precisavam de espaço e silencio, antes de sentirem à vontade para se abrir. Eles estavam caminhando há alguns minutos agora, ela já estava cansada e foi então que Rumple decidiu parar. Ele e Henry começaram, então, a cavar o pequeno buraco onde seria enterrada a caixa.

“Não é arriscado deixar a adaga aqui?” Perguntou Selene.

“Seria, mas eu colocarei um feitiço de proteção, de modo que nem todos poderão achar esse local, mesmo sabendo sua exata localização. Ninguém será capaz de desenterra-la.” Ele respondeu, acalmando Selene, que observava ao redor, enquanto esperava que os dois terminassem o serviço.

Não demorou muito e poucos minutos depois eles já estavam prontos para voltar para o carro deles, que havia ficado no começo da estrada. A viagem de volta foi tão silenciosa quanto a ida, mas havia essa sensação de serviço cumprido. Selene e Rumple se sentiam mais leves e mais aliviados. Embora, lá no fundo da mente de Selene, havia essa preocupação que ela tentava ignorar, mas que crescia cada vez mais à medida em que o tempo passava e Lua Cheia se aproximava.

Tal preocupação não era em vão e Rumple e Selene sabiam disso, o silencio não podia ocultar o que a escuridão estava trazendo. Eles, uma hora ou outra, teriam que encarar o que quer que estivesse prestes a acontecer. De fato, já estava acontecendo, mas nenhum deles foram capazes de perceber os sinais.

Ali, dentro da floresta, oculta pela mata densa e pelos troncos das arvores, Belle, possuída por Marōn, observava as figuras que enterravam algo no chão de terra. Ela conseguia ver apenas Rumple e o garoto e não fora capaz de ver Selene, já que ela usava o anel de proteção, mas Marōn era inteligente o suficiente para não ignorar o que estava vendo. De modo que esperou que todos se afastassem, para enfim se aproximar do local onde eles haviam enterrado a caixa, minutos antes.

Ele olhou para o chão batido, era possível ver as marcas de terra remexida, se ajoelhou e tocou com a ponta dos dedos no círculo que ali fora formado, cavando a terra com as próprias mãos. Nada o impediu de continuar a escavação, pois, o feitiço que Rumple havia colocado não impedia que alguém que ele amasse tivesse acesso ao seu conteúdo.

Foi por isso, então, que Marōn conseguiu colocar as mãos na caixa de madeira, pois o corpo que ele habitava permitia tal façanha. Ele sorriu satisfeito ao abrir a caixa e encontrar a adaga por entre toda aquela poeira, que para ele de nada servia. Ele a pegou, guardando a caixa exatamente onde estava e a enterrando de modo a esconder sua recente violação.

O demônio se levantou, observou seu reflexo na adaga que não revelava o corpo de Belle, mas sim, sua verdadeira forma demoníaca. Forma pela qual ele desejava poder ter novamente, e, que em dentro de poucas horas, se tornaria realidade, graças ao Senhor das Trevas.

Notas finais
Estamos quase concluindo essa historia, agora faltam de 3 a 4 capítulos. Obrigada a todos que estão acompanhando. Até o próximo capitulo.