She Wolf
6 Capítulo 6 - PRECAUÇÕES E REFLEXÕES
Notas iniciais
Como vcs estão?? Todas bem?? Ótimo! Eu estou bem, também ;)
Quero aproveitar o espaço para, mais uma vez, agradecer a TODAS VOCÊS pelo IMENSO CARINHO, que têm demonstrado por mim e pelo fic! Isso é Barbaro!!
Sobre o capitulo em si...Trata-se de uma forma de vcs poderem conhecer um pouco mais dessa loba incrível, e de seus dilemas pessoais...Espero que vcs gostem!
A gente se vê lá no final, ok?
Bjs,
K.
Vestimos nossas roupas rapidamente e nos colocamos a caminho de casa. Chegaríamos mais rápido se nos transformássemos, mas não queríamos correr o risco de termos nossos pensamentos conturbados captados pela matilha nesse momento.
Fizemos boa parte do percurso em absoluto silêncio, absortos cada um em seus pensamentos. Fui a primeira a rompê-lo.
- Não sei quanto a você, mas eu particularmente não gostaria que os outros soubessem sobre o que... O que acabamos de fazer- falei pouco á vontade com a situação.
- Concordo com você – respondeu taciturno.
- Acho que deveríamos tentar manter nossas “lembranças” o mais distante possível de nossas mentes. Acha que consegue? – perguntei aflita, olhando-o de canto de olho.
- Prometo a você que farei o máximo que estiver ao meu alcance para manter “nosso segredo” bem guardado — disse ele erguendo uma mão num gesto de promessa – Eu me sentiria muito mal em expô-la dessa maneira perante os outros. Pode confiar em mim — arrematou sério.
- Obrigada Paul.- suspirei aliviada – Eu farei o mesmo por você – prometi solene.
Ficamos em silêncio de novo, então foi à vez de ele iniciar a conversa.
- Hum, Leah... Você não me culpa pelo que aconteceu não é? – perguntou receoso.
- Claro que não! Eu já disse, foi coisa de momento, se tivermos que achar desculpas para isso então, culpemos a adrenalina da caçada, ou o risco do meu quase afogamento... Sei lá. – sugeri apressada.
- Tudo bem. Só não quero que pense que forcei a barra com você ou algo do tipo — sua voz soou cheia de culpa.
Meu Deus! Alguém poderia se sentir mais miserável que eu naquele momento? Aposto que não. Onde eu estava com a cabeça quando não impedi que aquela loucura se consumasse? Algo parecido com um riso estrangulado escapou da minha garganta.
- Eu sei que não Paul. E se isso te faz sentir melhor, saiba que eu desejei o mesmo que você. E não me arrependo de nada. – arrematei tentando ser corajosa. Não deu muito certo, o meu constrangimento ficou evidente após minha confissão.
Ele sorriu tranqüilo antes de confidenciar:
- Eu também não me arrependo. E já que estamos sendo sinceros, quero aproveitar pra dizer que sempre achei você linda e muito, muito desejável. Confesso que sentia certa inveja de Sam quando vocês namoravam – e vi seu rosto bonito ruborizar enquanto confessava seus sentimentos.
Pisquei verdadeiramente aturdida, Paul não parava de me surpreender. Por essa eu não esperava. Acelerei meus passos, de repente não via á hora de chegar logo em casa.
- Também não precisamos gastar todo o estoque de sinceridade de uma só vez. Basta mantermos nossas recordações dessa noite o mais longe de nossas mentes quando voltarmos a nos transformarmos ok? – soltei ríspida.
- OK – rebateu seco.
Chegando á Reserva, nos despedimos com um simples aceno de cabeça e seguimos para nossas casas.
Tomei banho e me deitei, as preocupações rondando minha cabeça. Será que eu conseguiria encará-lo sem deixar transparecer nada para os outros em nossa próxima patrulha? Rezei pra não ter que sair sozinha com Paul na próxima ronda. Ele era, no mínimo, uma tentação perigosamente deliciosa pra mim, constatei nervosa, mexendo-me inquieta. Nem em meus sonhos mais loucos, imaginei que ele seria aquilo tudo. Revirei na cama, de repente consumida pelo desejo ardente de estar com ele novamente.
“Isso é loucura!”, repeti pra mim mesma, tentando me convencer; e aquilo tinha que acabar agora mesmo.
Depois de algumas horas mal dormidas, levantei para cumprir minhas obrigações diárias. Meus pensamentos, a todo o momento, desviados para Paul. Eu tinha que parar com aquilo logo ou então mais tarde todos ficariam sabendo o que tínhamos feito.
O dia passou rápido, mal tinha chego em casa e largado minha bolsa no sofá quando o telefone tocou me sobressaltando, era Sam convocando uma reunião com todo o grupo antes de sairmos para nossa ronda noturna. Tomei um banho, forcei-me a engolir alguma comida, apesar de estar sem fome, mas eu não queria correr nenhum risco de ter que voltar a caçar animais tão cedo.
Encontrei os outros na floresta na hora combinada, respirei aliviada quando percebi que Paul não estava com eles, sinal de que tinha ficado na patrulha da tarde junto com Jake e Seth. Isso era bom, por que assim ele seria liberado da patrulha noturna e eu não teria que me preocupar com ele. Tinham se passado uns cinco minutos quando ouvimos a aproximação deles, saindo por detrás de umas arvores primeiro vi Jacob, depois Seth e por último Paul, todos eles vestiam apenas shorts, imediatamente meus olhos foram atraídos, como imãs, para o corpo de Paul, desviei-os contrariada, de seu peito e fitei seus olhos, não foi surpresa nenhuma ver que ele me encarava de volta. Engoli em seco “isso não vai funcionar”, pensei assustada.
Fui arrancada de meus devaneios libidinosos pela voz grave de Sam, cravei meus olhos no chão, procurando ouvir o que ele tinha a nos dizer.
- Pessoal á partir de hoje vamos redobrar nossa vigilância. Como todos sabem, na noite passada Paul e Leah cruzaram com o rastro de um sanguessuga dentro de nossas terras — todos olharam com inveja para mim e Paul – Só o que sabemos é que ele não era um dos Cullen e, que não voltou a passar por aqui, pelo menos não até agora.
- Não sei do que aquele fedorento está atrás, mas tenho quase certeza que ele foi para Forks. Acho que deveríamos procurar os Cullen, para sabermos se eles têm alguma coisa a ver com isso ou não. Não quero ficar aqui de braços cruzados enquanto um maldito sugador circula livremente por Forks. -rosnou Jake visivelmente nervoso. Todos sabíamos que sua única preocupação tinha nome e sobrenome, mas ninguém ousou irritá-lo ainda mais.
- Não nos rebaixaremos pedindo qualquer tipo de ajuda aqueles sanguessugas nojentos – disse Sam entre dentes – Nossa prioridade é proteger La Push. Só iremos a Forks se tivermos noticias de um ataque concreto. — Essa foi a sentença do líder do bando e ninguém poderia ir contra ela.
- Preciso que, de hoje em diante, passemos a fazer a patrulha em bandos maiores. Sinto muito ter de pedir isso a vocês, mas é que estou com um mau pressentimento sobre isso.
Minha esperança, de não patrulhar com Paul, foi por água a baixo. Suspirei resignada. Essa noite seria um teste para nós dois; deixei meu lugar e fui para trás de um enorme Abeto alguns metros de onde estavam os rapazes. Respirei fundo algumas vezes tentando acalmar meu coração e manter minha mente sob controle, despi minha roupa, escondi-a entre os arbustos e depois deixei que a transformação ocorresse.
Juntei-me ao grupo novamente e partimos. Chequei cada mente para verificar se ele estava mantendo sua parte em nosso acordo, constatei aliviada que não havia nada ali que nos comprometesse. Durante a corrida, eu podia ouvir Paul claramente, ele seguia uma única linha de raciocínio, que era a de encontrar o maldito vampiro que havia nos escapado na noite anterior.
O céu já começava a dar mostrar de que iria amanhecer quando Sam resolveu encerrar a ronda e nos mandou para casa. Estávamos a poucos quilômetros da clareira onde assumiríamos nossas formas humanas, quando fomos surpreendidos pela imagem do perfil de uma jovem nua, passando por nossas mentes. Fiquei chocada ao constatar que a jovem era eu! Olhei rapidamente em volta e antes que pudesse ter qualquer reação ouvi o grito indignado de meu irmão em minha cabeça “O QUE FOI ISSO PAUL!? TÁ MALUCO!? ELA É MINHA IRMÃ CARA!” Paul meio que vacilou antes de responder “Desculpa aí pessoal, é que sem querer ontem acabei vendo o que não devia. Foi mal Seth!” disse envergonhado, “PEÇA DESCULPAS A LEAH”, rugiu Seth entre os dentes.
Ainda em pânico vi-o virar-se em minha direção e falar “Aí, me desculpa mesmo Leah, não fiz por mal”. O descarado ainda teve a audácia de piscar pra mim!
Bufei raivosa. Não me dei ao trabalho de responder, disparei na frente chegando muito antes que qualquer um deles a clareira e assumi minha forma humana, vesti-me rapidamente e corri para casa.
Agradeci a Deus, por que o dia que estava nascendo era sábado, o que significava folga do trabalho e da escola, talvez se eu conseguisse tirar Paul da minha cabeça eu pudesse dormir até mais tarde. Aquela noite tinha sido longa demais.
****
O dia estava claro e relativamente quente quando despertei do sono agitado. Eu precisava urgentemente ocupar minha mente com coisas úteis, antes que certa pessoa voltasse a dominar meus pensamentos. Aquilo já estava passando dos limites. Na próxima oportunidade que tivesse de estar sozinha com Paul eu daria um basta naquela situação, meus nervos não resistiriam por muito mais tempo sobre tamanha pressão.
Chutei, resoluta, minhas cobertas pro lado e fui me lavar. Voltei para o quarto decidida a fazer uma faxina, arrumei meus livros, meu guarda-roupa, passei o aspirador de pó e troquei minha roupa de cama. Fiquei orgulhosa por ter conseguido completar essa tarefa sem permitir uma única vez que meus pensamentos resvalassem para a figura deliciosamente tentadora de Paul. O ronco alto do meu estomago lembrou-me que estava na hora de comer. Encontrei minha mãe na cozinha as voltas com a preparação do almoço, ofereci ajuda e ela aceitou de bom grado, aproveitamos para botar o papo em dia.
- É bom vê-la em casa para variar! – disse ela contente.
- Também acho mãe. Já estava com saudades disso sabia? – falei sorrindo, mostrando a faca e a batata que estavam em minhas mãos.
Ela sorriu, nós sempre fomos amigas, sempre foi fácil me abrir com ela.
- Filha, você não acha que está exigindo de mais de você mesma, fazendo todas essas patrulhas, com intervalos tão curtos para descansar?- Ela examinava, preocupada, meu rosto, reparando nos sinais evidentes de cansaço.
- Tudo bem mãe, já estou acostumada. E também não vou pedir nem aceitar regalias, só por que sou a única mulher do bando. Não precisa se preocupar ok?
Alguma coisa em minha voz atraiu sua atenção, ela estreitou seus olhos inquisitivos tentando penetrar os meus. Pensei que, talvez, ela também tivesse um instinto de Lobo, eu sabia que não conseguiria enganá-la por muito tempo.
- Você está diferente Leah. Tem alguma coisa incomodando você. – Constatou com aquele seu faro infalível de mãe/loba.
- É só cansaço mesmo, não é nada demais – tentei tranqüilizá-la, tomei o cuidado de desviar meus olhos do dela, para que ela não captasse neles o real motivo de minhas preocupações.
- Se você diz... – ela deu de ombros – mas quando estiver pronta para falar sobre “isso” estarei aqui combinado? – acrescentou solicita. Assenti com um movimento de cabeça.
Deus como eu amava aquela mulher! Depois da morte do meu pai nós duas ficamos ainda mais unidas. O almoço ficou pronto e fui acordar Seth para fazer a refeição conosco. Comemos tranqüilos, comentando vez que outra sobre algum assunto familiar. Arrumei a cozinha e depois resolvi dar um pulo na praia para um mergulho, talvez isso ajudasse a clarear minhas idéias.
Peguei minhas coisas joguei dentro do carro e sai. O dia estava bom, aproveitei para nadar um pouco na água fria, que não me afetava muito já que a temperatura do meu corpo era mais alta que o normal; depois de algumas braçadas voltei á praia, sentei sobre minha toalha estendida, segurei meus joelhos junto ao peito e apoiei meu queixo sobre eles. Fiquei ali, olhando o mar, tentando organizar meus pensamentos.
Percebi que já aceitava melhor a coisa de ser Lobisomem, era algo contra o qual eu não podia lutar, então tudo o que tinha que fazer era conviver com aquilo da melhor maneira possível. Meu pensamento seguinte foi sobre o lance do IMPRINTING, de todas as coisas relacionadas aos lobisomens, aquela, era de longe a mais doida. Imaginar que quando o lobo sofre o Imprinting com alguém, essa pessoa passa a ser o centro do seu universo e, que você não consegue nunca mais viver longe desse alguém é no mínimo assustador! Agora eu até conseguia entender o porquê de Sam ter terminado comigo e ficado obcecado por Emily. Eu pude ver através da mente dele, e de Jared que também tinham passado por aquele processo, a compulsão, o tormento e tudo o mais que era gerado por aquele sentimento estranho que os arrastava involuntariamente para o alvo de suas devoções. Loucura total.
Por falar em loucura total, outro pensamento recorrente voltou a minha mente, lembrei da noite que tive com Paul, senti meu rosto e outras partes do meu corpo se aquecerem rapidamente. A lógica dizia-me que eu deveria evitá-lo a todo custo, mas meus instintos lutavam contra isso. Admiti relutante, que tinha gostado de estar com ele daquele jeito, mais até do que deveria. A simples recordação dos beijos e caricias que trocamos, foi o que bastou para avivar o desejo insano que sentia por ele. Procurei analisar aquilo por outro ângulo, deixando a coisa do instinto de lado, percebi que era aceitável me sentir atraída por ele, afinal Paul era um cara muito bonito, até demais, era charmoso e, Deus que me perdoe, muito, muito GOSTOSO! Lembrar disso não me ajudou muito.
Tentei seguir outra linha de raciocínio, era normal que existisse certa atração entre nós, porque agora estávamos mais próximos, passávamos mais tempo juntos, e um homem e uma mulher que se encontram nessa situação fatalmente acabam por se envolver certo? Não consegui me convencer muito com isso, mas pelo menos já era alguma coisa. Olhei para o céu vendo as nuvens carregadas de chuva que se formavam sobre minha cabeça. Parecia um presságio.
Eu precisava falar com Paul sobre isso, deixar claro que não poderíamos nos envolver desse jeito, eu não queria magoá-lo nem tão pouco sair ferida. Uma vez já fora o suficiente pra mim, envolver-me emocionalmente com alguém estava fora dos meus planos, pelo menos não enquanto estivesse me recuperando da minha paixão por Sam. Espere aí, quando foi que minha transa inconseqüente com Paul tornou-se um possível caso de amor!? Eu estava deixando aquilo tudo ir longe de mais.,. Precisava colocar um ponto final naquela história.
Enfiei meu vestido pela cabeça, recolhi minhas coisas e parti decidida a falar com Paul, eu iria encontrá-lo nem que tivesse que caçá-lo na floresta, e o forçaria a ter uma conversa franca e decisiva. Não precisei ir muito longe, a uns cem metros do onde eu estava, parado com os braços cruzados sobre o peito magnífico, as costas apoiadas na entrada de uma gruta que ficava ali perto, Paul me fitava com olhos desconfiados, um sorriso debochado brincando em seus lábios.
“Eis sua chance Leah”, pensei comigo. Respirei fundo, soltei o ar devagar e fui ao seu encontro.
Notas finais
Key.
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