She Wolf

2 Capítulo 2 - NINGUÉM ESTÁ SÓ


Notas iniciais
Hey Girls!

Então quer dizer que o primeiro capitulo sucitou a curiosidade de algumas de vocês certo? Estou FELIZ com a acolhida que She Wolf e eu tivemos. Obrigada pelas Reviews e pela cia!

Nesse 2º cap, vocês ficarão sabendo como Leah descobriu-se LOBA! Espero que vcs apreciem.

Nos falamos mais depois que vcs terminarem de ler, ok?

Bjs e Boa Leitura ;)

Corri desabalada mata adentro, buscando um lugar onde eu pudesse me esconder e procurar entender o que diabos estava acontecendo comigo.

Enquanto corria, sentia como se tudo a minha volta fosse tomado por uma vida pulsante, meus olhos enxergavam muito além, meu olfato afinadíssimo distinguia mil cheiros diferentes e meus pés – melhor dizendo, minhas patas – eram tão leves, rápidos e silenciosos que pareciam nem tocar o chão, minha audição parecia de tal modo sensível que eu podia, mesmo naquela velocidade, ouvir as ondas do mar arrebentando-se contra os rochedos, bem distantes de onde eu me encontrava agora.

De repente, uma voz que eu tinha certeza não era a minha, explodiu dentro da minha cabeça, me ordenando que parasse de correr. Parei ofegante e desconfortável, por que eu podia jurar que aquela era a mesma voz que, por dois anos, havia me feito muitas juras de amor!

Era Sam em minha cabeça, e por mais que eu quisesse continuar correndo eu não conseguia. A voz dele me manteve presa naquele lugar.

Essa era a confirmação que eu precisava, para provar a mim mesma que estava LOUCA, por que se eu estivesse em sã consciência eu jamais voltaria a dar ouvidos a Sam Uley.

Irrequieta, senti o ar encher meus pulmões e farejei a chuva que estava para cair, arriei no chão, um medo insano tomava forma dentro de mim. O que estava acontecendo comigo? Minha loucura tinha chegado a tal ponto que eu começava a me ver como um animal?

Ouvi passos, se aproximando rapidamente, e outras vozes começaram a falar ao mesmo tempo dentro da minha cabeça; agora era alguém me dizendo “tenha calma”, parecia a voz de Jared, e depois foi a vez de Jacob, dizendo “não tenha medo”, e por último, mas não menos surpresa ouvi Paul, lamentando-se e me pedindo “desculpas”, insistindo que ficaria “tudo bem”.

Tudo bem uma ova”; pensei comigo, como ia ficar tudo bem se eu agora tinha me transformado num monstro peludo governado por um ódio homicida!? E que ainda por cima ouvia vozes?

Fiquei de pé novamente, foquei meus olhos na direção do som dos passos e pude ver chocada, outros quatro lobos gigantes se aproximando de mim de forma sorrateira. Sam continuava falando em minha cabeça, me pedindo calma e paciência, olhei para cada uma daquelas feras enormes que me circulavam e incrivelmente não senti medo, era como se os conhecesse. Olhei atentamente para o imenso Lobo Preto que tomava a dianteira dos outros, focalizei seus olhos negros e tristes que me lembravam o olhar do meu Sam de antigamente, fui tomada pelo mais puro desespero quando o Lobo confirmou meu pensamento, com um aceno da imensa cabeça, que eu estava certa, que ele REALMENTE era Sam Uley!

Girei minha cabeça, encarando outro Lobo que estava mais próximo, ele tinha um pelo castanho avermelhado todo eriçado o que me fez lembrar os cabelos de Jake ao vento quando ele pilotava sua moto, ele também assentiu com um movimento de cabeça e pra minha maior surpresa sua confirmação soou dentro da minha mente “Oi Leah, sou eu mesmo Jacob Black”, depois virou sua cabeça e apontando com o focinho primeiro á sua direita depois á esquerda, indicando os outros dois Lobos que o acompanhavam dizendo em seguida “E esses são Jared e Paul”.

Não pude acreditar, na verdade eu não queriaacreditar, que aquilo estivesse acontecendo; eu tentei gritar com eles, mas novamente só pude ouvir saindo da minha boca um uivo misturado a um ranger de dentes assustador.

O Lobo Preto, que se identificou como sendo Sam, aproximou-se mais de mim, eu recuei instintivamente arreganhando meus dentes para ele, que estacou e mirou firmemente no fundo dos meus olhos, ainda mantendo o diálogo em minha mente ele pediu mais uma vez para eu manter a calma, ordenou aos outros que se afastassem de nós para que ele pudesse tentar me trazer de volta a forma humana.

Quando ouvi isso exultei, vi os outros irem saindo devagar e virei para encarar Sam, ele rapidamente foi para trás de uma árvore próxima, dizendo-me que eu esperasse por um instante que ele já voltaria. Aflita e surpresa o vi surgir, minutos depois, diante de mim em sua forma humana. Ele trazia em uma das mãos uma camisa, enquanto ele mesmo só vestia um short jeans rasgado, aproximou-se de mim vagarosamente e estendeu uma mão em minha direção, pondo-se a falar ternamente comigo.

- Leah, não tenha medo. Eu estou aqui para ajudá-la. Tente acalmar seu coração, controle sua respiração e procure pensar em você como sendo humana de novo.

Bufei exasperada. Como se fosse fácil assim esquecer o monstro em que tinha me transformado.

- Leah – continuo Sam – pense que você é humana, lembre-se de seu corpo, controle sua respiração, isso dará certo, eu prometo.

Rosnei para ele, pensando “como se eu fosse capaz de acreditar novamente em alguma das suas promessas”. Mas de repente me dei conta que eu não tinha outra escolha a não ser tentar fazer o que ele dizia. Segui seu conselho, visualizei meu corpo humano, deixei minha respiração acalmar-se, meu coração desacelerou e senti que volta ao normal. Eu era de novo a Leah Cleawater de sempre, senti meus braços e pernas assumirem suas formas, com um último suspiro profundo senti meu corpo todo se estabilizar em sua forma original.

Fiquei ali nua, encolhida no chão frio da floresta, diante da última pessoa que eu desejava ver na vida, e minha dor maior era saber que agora eu lhe devia esse favor.

Agora o tremor que assolava meu corpo era diferente, era uma mistura de medo, pelo que havia acontecido, um pouco pelo frio, devido à chuva que desabava sobre nós e finalmente por vergonha por estar tão exposta diante dele. Em meio às lágrimas que toldavam minha visão, vislumbrei a figura de Sam, ele começou a vir em minha direção, a cada passou seu eu me encolhia mais.

- Shhhiii, Leah, por favor – pediu ele – Deixe que eu me aproxime, só quero ajudar.

Olhei pra cima, só pra constatar surpresa, que os olhos que me fitavam estavam repletos de dor. Mesmo sem querer, lembrei do dia em que terminamos, Sam tinha a mesma dor estampada em seus olhos. Não consegui suportar. Chorei descontroladamente toma por essas recordações.

Ele abaixou-se ao meu lado, passou a mão livre suavemente por meus longos cabelos emaranhados, procurando me consolar e testando até onde ele poderia ir antes que eu voltasse a surtar. Não me rebelei, fiquei ali tremendo e chorando, quando sentiu que eu não oporia nenhuma resistência, Sam sentou-se ao meu lado, puxou-me delicadamente para o seu colo, cobriu-me com a camisa que trouxera e ficou ali, me embalando como se eu fosse um bebê.

- Calma, já passou – sussurrou – Está tudo bem agora.

Não sei por quanto tempo ficamos assim, só sei que quando consegui abrir meus olhos a escuridão já nos envolvia, e de repente tive consciência de nossa proximidade constrangedora. Afastei-me de seu peito limpando os últimos vestígios das lágrimas e o encarei, meus olhos refletindo meus conflitos e medos.

Gentilmente Sam, colocou-me sentada ao seu lado, mas manteve minhas mãos entre as suas. Eu me perguntava qual o significado daquele gesto, levantei meus olhos para encontrar os dele e percebi o quanto estavam escuros e profundos, como se eles tivessem visto demais e com isso envelhecido uns 100 anos em apenas alguns instantes. Antes mesmo que eu pudesse fazer qualquer pergunta, ele se pôs a falar.

- Leah querida, eu sinto muito pelo que aconteceu á você. Eu realmente não fazia idéia de que isso fosse possível. Preciso lhe explicar algumas coisas, tudo bem? Você já ouviu sobre as Lendas que cercam as histórias do nosso povo, certo? – Assenti vacilante e amedrontada – Pois bem. O que aconteceu com você hoje foi, nada mais nada menos, que a confirmação de tudo aquilo que nós sempre ouvimos falar quando éramos crianças. Nós realmente descendemos de LOBOS, temos em nosso DNA um gen que nos permite sofrer essa “mutação”, digamos assim, quando ela se faz necessária. Você consegue compreender isso? – explicou mansamente, como se falasse á uma criança.

Ele só podia estar louco! Aquilo não era real, era? Eu não sabia o que dizer ou o que pensar. Incapaz de falar, apenas balancei minha cabeça de um lado pro outro, numa negativa. É claro que eu não podia compreender tal coisa. Afinal, aquilo tudo que ouvimos falar quando crianças eram apenas lendas, não eram?

Paciente, ele tentou um pouco mais.

- Nós os Quileutes, temos várias histórias que contam como nossa Tribo se formou, dentre elas existe uma em especial, que nos fala sobre os Espíritos Guerreiros e da união de um dos nossos antigos Chefes com um Lobo; desde então, todas as novas gerações herdaram de seus ancestrais esse gen á mais, que permite que nos transformemos em Lobos. Isso acontece, por que é a forma mais eficaz de combatermos nossos inimigos e dessa maneira protegemos a Tribo e La Push.

Quanto mais ele falava menos eu entendia. Atordoada com todas essas informações levantei o dedo, pedindo um aparte, para perguntar algo, antes que ele continuasse a despejar aquela enxurrada de informações novas e loucas.

- De que ataques você está falando Sam? Quem são nossos inimigos? Estamos em pleno século XXI, pelo amor de Deus!Á muito o “homem branco” deixou de nos perseguir! — Falei cética.

Ele olhou-me atentamente, e nesse momento eu soube que eu não ia gostar da sua resposta.

- Eu sei que é difícil de acreditar por hora, mas peço, por favor, mantenha sua mente aberta ok? – sua ansiedade estava contida em cada palavra.

Mesmo sendo difícil para mim, decidi corroborar com aquela loucura, e assenti calmamente.

- Não é do “homem branco” que nós nos defendemos Leah. Os Lobos Quileutes têm um único inimigo agora. E eles estão aqui em Forks nesse momento, depois de mais de 70 anos, eles retornaram, e foi isso que desencadeou o processo de transformação que mudou nossas vidas. Eu estou me referindo aos FRIOS, lembra-se dessa lenda em particular? Falo de VAMPIROS, sugadores de sangue! – esclareceu.

Minha boca escancarou-se sozinha, sem nenhum comando meu. Fitei-o como se estivesse diante de um lunático. Vendo minha reação, ele rapidamente apertou mais meus dedos entre os seus, como se para enfatizar suas palavras. E desatou a falar sobre a família Cullen, vampiros que diziam se alimentar só de sangue de animais, com quem Ephraim Black, o Lobo Alpha daquela época distante, bisavô de Jacob, havia feito um Pacto. Eles manteriam sua palavra de não atacar as pessoas da região de Forks e nem atravessariam as fronteiras de La Push e em troca os Lobos não os matariam e manteriam guardado o segredo do que eles realmente eram.

- Mas se os Cullen, não são uma ameaça, por que então os Lobos voltaram a surgir? — Perguntei desconfiada.

- Eles realmente mantiveram sua palavra por todos esses anos. Acontece que eles não são os únicos vampiros que existem no mundo. Outros da mesma espécie deles estão por aí, e ao que parece resolveram vir para Forks também. Esses outros vampiros não honram Pactos, e é por causa deles que voltamos a nos transformar.

Deixei claro no modo como o olhava, que não estava levando a sério o que ele dizia. E ainda havia uma dúvida enorme martelando em minha cabeça.

- Você disse que não sabia o porquê disso ter acontecido comigo também, por quê? — Fui obrigada a perguntar.

- Em primeiro lugar por que até então se acreditava que só os descendentes diretos dos Lobos da 1º matilha recebiam o tal gen mutante capaz de nos transformar; muito embora já ficasse provado que isso não é verdade, pois que Paul e Jared também sofreram a transformação, ainda que não sejam descendentes da primeira linhagem; e em segundo lugar por que até hoje nunca se teve notícias de um Lobisomem mulher entre nós. Você é a primeira. E sinceramente não sei lhe dizer como isso aconteceu – seu tom abatido deixava transparecer toda sua preocupação.

Era isso então!? Agora além de naturalmente azarada eu também era uma aberração!? Ótimo! O que mais faltava acontecer comigo?

- Como vou conviver com isso Sam? – meu desespero era palpável.

- Estamos aqui para te ajudar Leah, procure não se preocupar com isso por hora – Disse-me calorosamente – Agora você faz parte dos Guardiões de La Push, nossa irmandade irá ajudá-la nesse processo de adaptação – “pelo menos um de nós tem fé aqui”, pensei irônica.

- É isso então? Agora poderei me transformar em Lobo sem mais nem menos, sem nenhum aviso? Como será minha vida? A escola? Minha família? – enquanto minha voz ganhava altura os tremores recomeçaram dentro de mim, a raiva vindo á tona novamente.

- Calma Leah, agora o importante é você aprender a controlar sua raiva. Se você conseguir fazer isso, terá dado um passo significativo em relação a ter controle sobre sua transformação. No início será difícil como foi para todos nós. Depois você só se transformará quando for necessário ou quando desejar. Bastando pra isso manter seus nervos e seu gênio fortes controlados – Disse-me sorrindo levemente.

Fácil falar, difícil fazer. Ouvi passos a nossa volta e pude ver que os outros tornaram a se aproximar de nós. Estavam todos em suas formas humanas agora, e me encaravam com os olhos divididos entre a dúvida e a surpresa.

Jacob foi o primeiro a se chegar, abaixou para ficar cara a cara comigo, pegou minha mão direita que estava entre as de Sam, e apertando-a levemente murmurou gentil.

- Sinto muito pelo que aconteceu á você Leah. Estou aqui para o que você precisar ok?

Devolvi seu olhar surpresa. Nós nunca fomos muito próximos, apesar de termos sido vizinhos por toda a vida, mas agora, por mais incrível que pudesse parecer, eu sentia uma confiança enorme nesse garoto.

- Obrigada Jake. Acho que vou precisar. — Ele abriu pra mim um sorriso lindo e confiante.

Paul aproximou-se cabisbaixo, evitando me encarar parou diante de mim, seu semblante triste causando um aperto em meu peito.

- Desculpe ter sido o causador disso tudo. Eu nunca imaginei que algo assim... – toquei seu braço com a ponta dos dedos para atrair-lhe a atenção antes que ele terminasse o que estava dizendo.

- Tudo bem Paul. Sam me explicou algumas coisas, eu sei que a culpa não é sua – por mais que não gostasse do que estava acontecendo, não poderia deixar que ele se martirizasse por algo que estava predestinado á acontecer.

Ele fitou meus olhos e relaxou ao enxergar neles sinceridade.

Cansada e confusa ergui-me do chão frio e molhado, apertei meus braços ao redor do meu corpo, meu olhar atemorizado percorreu cada um deles e depois, sem nem mais uma palavra, me pus a caminho da praia. Eles me seguiam em silêncio. Minha mente era um turbilhão em ebulição, eu acreditava que a qualquer hora eu despertaria em minha casa, e então veria que tudo não havia passado de um sonho bizarro. Se eu levasse a sério o que Sam havia me dito, então eu estaria aceitando como verdade toda aquela insanidade de humanos se transformando em lobos e na existência de vampiros. Tremi só de pensar no assunto. Eles estavam loucos e queriam me arrastar para dentro da loucura deles. Só podia ser isso!

Mas á medida que eu caminhava e sentia o chão úmido sob meus pés e a chuva sobre a minha cabeça, mais eu me convencia de que de fato aquela agora era minha realidade. Tudo o que eu podia pensar no momento era em como explicar aos meus pais o que tinha acontecido comigo.



Notas finais
E aí meninas? O que vocês acharam? Dificil né? Quem em sã consciência aceitaria isso de boa hein? Me digam? Se gostaram deixem uma review, isso me fará mto feliz! Se não gostaram tbm podem deixar, eu aceito criticas, desde que sejam construtivas ok? Responderei a todas, sem exceção!
No Próximo capitulo o drama de nossa Loba-heroina sobe de nível...quem ler verá ;)

Bjs grandes!