She Wolf

27 Capítulo 27 - VOLTANDO!


Notas iniciais
OIIIIIIIIIIIIIIII!
Gente!!! Que saudades hein?? :(
Peço mil desculpas por minha demora, mas ainda estou sem net na casa nova, e pelo andar da carroagem ficarei mto tempo sem... Acontece que entre um esvaziar de caixa e outro, dei uma fugida até uma Lan House aqui perto pra postar esse capitulo pra vcs!! *o/*
Espero que gostem!
Nos vemos ao final...

O vento que entrava livremente pela janela aberta do carro brincava com meus cabelos, fazendo-os dançar em volta do meu rosto. A música alta que soava pelos alto falantes do carro, servia de distração para minha mente.

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Volta e meia meus olhos recaiam sobre a carta, cuja borda era visível por uma fresta da bolsa entre aberta, largada displicentemente no banco ao lado.

Diminui a marcha e enfiei a mão na bolsa pegando-a para reler mais uma vez.

Leah,

Passou-se muito tempo desde que nos vimos pela última vez. Em sua carta de despedida você afirmou que me amava e que desejava me ver feliz, se isso é mesmo verdade, me sinto no direito de pedir-lhe algo em nome desse sentimento.

Gostaria que você viesse para a celebração do meu casamento...”

Fiquei impossibilitada de continuar a ler por conta das lágrimas que inundavam meus olhos.

As lembranças da época em que vivi em La Pusch viram-se livres para desfilar por minha mente. Havia se passado tanto tempo desde que fui embora... Cinco longos, duros e difíceis anos me separavam de tudo aquilo.

Nenhum um dia se quer consegui me afastar realmente, todos os dias eu ligava para minha mãe, conforme lhe havia prometido. E o simples fato de ouvir sua voz doce, era o suficiente para ressuscitar as lembranças que eu lutava fervorosamente para manter longe.

Após me estabelecer em Houston, no Texas, ela veio me visitar algumas vezes, o que era um grande conforto para meu coração partido e solitário. Tínhamos um acordo tácito, nunca falávamos de La Pusch, ela tão somente me falava do seu trabalho e de Seth. Os dias que antecediam sua chegada eram uma verdadeira tortura para mim. Ela era o único elo que me mantinha ligada aquele lugar, fora meu irmão. Com ele os contatos restringiam-se as ligações e aos cartões de aniversário e festas de fim de ano.

Ele provou ser tão fiel a mim quanto a minha mãe. A primeira vez que falei com ele, logo após minha saída, ele mostrou-se bravo, confuso e profundamente magoado por deixá-los. Sua amizade com Paul tinha sido abalada quando ele se negou a dizer onde eu estava, e ele me culpava por isso. Eu entendia como ele se sentia, mas fui firme ao rogar mais uma vez que ele não dissesse nada a ele.

Ele tinha vindo me visitar uma única vez, dois anos atrás, eu chorei quando o vi surgir no saguão do aeroporto, o menino travesso e desligado, tinha ido embora, deixando em seu lugar um jovem lindo, de sorriso cativante e olhos amorosos. Sorri ao lembrar que ele tinha me pedido para soltá-lo, afim de que pudesse respirar, depois de eu tê-lo mantido preso em meus braços por longos minutos.

Eu o tinha levado para meu apartamento, localizado sobre a clínica onde eu trabalhava como enfermeira durante o dia, e o mantive falando por horas.

Assim que cheguei à cidade, fui direto as agencias de emprego, eu não podia me dar ao luxo de torrar todas as minhas economias, por isso procurei logo por uma ocupação, e fui muito feliz logo em minha primeira entrevista.

A Doutora Susan Whitbach, era uma mulher de meia idade, que tinha uma Clínica Pediátrica na área central de Houston, ela buscava alguém que pudesse trabalhar como recepcionista; assim que nos apresentamos senti que nos daríamos bem. De algum modo ela me lembrava minha mãe, talvez por seu jeito meigo e doce, ou por ser possuidora de olhos sábios, do tipo que já haviam visto muita coisa nessa vida. Seja como for, após uma longa conversa, ficamos acertadas que eu começaria no dia seguinte, quando ela me perguntou onde eu morava, fui sincera, dizendo que estava vivendo em um hotel, até que pudesse receber meu primeiro salário para poder alugar algo para mim.

Ela imediatamente recusou-se a me deixar ir, sem que antes pudesse me mostrar um apartamento pequeno, que ela mantinha sobre a clinica, onde ficava quando por acaso surgisse alguma emergência com um dos seus pacientes, para evitar ter que deslocar-se de sua casa que ficava numa zona mais afastada da cidade.

Ela insistiu que eu ficasse com ele, cobrando um valor irrisório de aluguel alegando que assim, além de recepcionista eu estaria prestando-lhe um imenso favor por cuidar do lugar. Envergonhada, mas ao mesmo tempo agradecida por sua generosidade, aceitei, e assim passei a viver ali.

Como tinha uma quantidade exorbitante de horas livres, passei a me dedicar aos estudos, e com o incentivo dela acabei por me graduar em enfermagem, passei de recepcionista a enfermeira em sua clinica.

Ela nunca me questionou sobre meu passado, muito embora por vezes eu deixasse escapar uma coisa ou outra. Também percebi que sua atitude para comigo havia mudado sutilmente após a primeira visita de minha mãe, eu nunca questionei isso, mas algo me dizia que ela sabia pelo que eu havia passado.

Tudo ia sempre muito bem, até que a noite chegasse e eu voltava sozinha para minha casa, as horas de solidão noturna, eram sempre as piores. Era nesses momentos, sozinha deitada em minha cama, que as imagens dele voltavam com força, me deixando prostrada por horas a fio, em meio a meus devaneios eu podia conjurar seus beijos, seus braços, suas mãos... Podia sentir seu perfume, seu calor, seu riso.

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E depois de horas dessa tortura, eu enfim apagava esgotada por sofrer tanto por um amor ao qual eu jamais poderia sonhar em recuperar.

Nesses cinco anos, eu só havia saído com alguém uma única vez, foi com um cara que fazia curso junto comigo. A noite só não tinha sido um desastre total por que ele era, sem duvida, muito cavalheiro para permitir que assim fosse. Depois desse último encontro nunca mais arrisquei sair com ninguém, não era justo ficar buscando em outros homens algo que eu sabia que só encontraria numa determinada pessoa.

Passei a me dedicar a fazer yoga, buscando equilibrar meu corpo e mente afim de que minha mutação genética, não fosse um problema, não que não houvesse possibilidades de existirem vampiros em Houston, mas o fato de ser uma cidade quente na maior parte do ano, fora fator primordial para eu optar por viver ali. Como não saia a noite dificilmente esbarraria com algum deles, sendo assim, foi mais fácil do que eu imaginei manter a Loba dentro de mim sob controle.

Meu corpo já dava mostras da minha mudança, dois anos sem que me transformasse uma única vez, foi suficiente para fazer meus hormônios femininos voltarem a funcionar, meus ciclos ainda não eram regulados, mais ao menos eu já não me sentia tão aberração assim. Esse novo estado de coisas contribuiu para que minha baixa auto estima fosse moderadamente mantida sob controle, deixei meus cabelos crescerem novamente e até tinha ganhado algumas curvas a mais para modelarem meu físico.

Voltando ao presente, avistei a placa que indicava a entrada de Forks, olhando meu relógio constatei que faltavam poucos minutos para as 15:00 horas. Eu tinha optado por vir dirigindo até aqui, para me dar mais tempo para pensar nesse retorno. Na verdade era apenas uma visita, eu não tinha nenhuma intenção de ficar, mas precisava realmente preparar meu espírito para o reencontro. Ironicamente, eu tinha percorrido mais de 3.000 km e ainda não me senti nada preparada.

Quanta coisa poderia ter mudado em cinco anos? Eu havia mudado, minha mãe havia mudado Seth então nem se fala, mas minha preocupação era saber o que esses cinco anos haviam feito a Paul em particular. Tremi só de pensar na possibilidade de revê-lo, eu teria que lançar mão de todo meu alto controle para não deixar que ele percebesse o quanto essa volta me afetava. Ele não poderia nem ao menos desconfiar dos meus sentimentos, a última coisa que eu desejava era fazê-lo sofrer novamente.

Assim que meu carro entrou na rua onde minha mãe morava, meu coração acelerou descompassado. Senti meu instinto lupino aflorando, mas recitei um mantra para voltar a me acalmar. Eu não podia deixar que ele despertasse, ou meus esforços dos últimos cinco anos estariam arruinados nesse caso.

Desci do carro, e me virei para pegar minha bolsa quanto fui literalmente arrancada do chão, dois braços fortes me sujeitaram firmemente a um peito muito mais musculoso do que eu me lembrava, e depois de muito me apertar ele me soltou novamente me girando em seus braços e beijando meu rosto.

- Finalmente você chegou! – A alegria de Seth me contagiou.

- Eu não perderia isso por nada – confirmei rindo feliz – Ainda não consigo acreditar que você irá se casar! – exclamei dividida entre a alegria e a tristeza de vê-lo crescer tão rápido. Ele não era mais o meu menino.

Meu irmãozinho tinha se tornado o homem mais lindo que eu já tinha visto! Seus cabelos negros, um pouco mais compridos que de costume, estavam revoltos, emoldurando seu rosto bonito de traços marcantes, a única coisa que me fazia recordar o garotinho que ele havia sido eram seus olhos castanhos e gentis, que nesse momento brilhavam felizes.

- Dona Sue estava aflita, ficou reclamando horas sem fim do fato de ter concordado com sua loucura de vir dirigindo do Texas até aqui – disse sorrindo – Espero que agora ela mude seu foco para você me deixando em paz para dar conta de tudo a tempo – ele deslizou seus dedos por entre seus cabelos, tentando sujeitá-los sem muito sucesso.

- Você pode pegar minhas coisas no porta-malas? – pedi enquanto me dirigia para casa.

Assim que subi os primeiros degraus minha mãe surgiu na porta da sala, com a mão sobre o peito e os olhos cheios de lágrimas de felicidade, ela abriu seus braços para me receber.

- Graças a Deus você chegou minha filha – sussurrou em meu ouvido com voz chorosa.

- Que saudades mãe! – exclamei com voz embargada.

Ficamos assim por longos minutos até que ela me puxou para dentro.

- Deixe-me ver você – seus olhos percorreram-me criticamente, enquanto me colocava sentada no sofá, assumindo o lugar vago ao meu lado logo depois de concluir que eu estava bem – Como foi de viagem? Correu tudo bem? – quis saber.

- Foi tranqüilo mãe. Só estou um pouco cansada, nada de mais – falei me recostando nas almofadas – E como vão os preparativos? – inquiri.

- Ah, seu irmão está com os nervos à flor da pele – disse sorrindo – Ele acha que corre o risco de ser deixado no altar – murmurou baixinho para que Seth, que entrava nesse momento com minha bagagem, não a ouvisse.

Eu sorri compreensiva enquanto o vi dirigir-se ao meu antigo quarto com as malas. Depois de deixá-las por lá, uniu-se a nós na sala.

- E então? Quando irei conhecer a felizarda que arrebatou o coração do meu querido irmão? – questionei-o assim que ele sentou-se a nossa frente.

- Ela foi ao aeroporto de Seattle buscar os pais dela – explicou – Mas assim que ela retornar irei buscá-la para apresentá-la a você. Ela também está louca pra conhecê-la – avisou me lançando um sorriso maroto.

- O que você andou falando de mim pra ela hein espertinho? – brinquei jogando uma almofada em sua direção, ele foi rápido e pegou-a no ar antes que atingisse seu rosto.

- Nada demais, só disse que você era a irmã mais velha e mais chata de todos os tempos – zombou.

Eu bufei lançando para ele um falso olhar zangado, que o fez rir ainda mais.

- Você está com fome? Poso preparar algo pra você quer? – mal tinha dito essas palavras minha mãe se pôs de pé indo para a cozinha, nós a seguimos de perto.

- Não precisa mãe, eu comi no caminho – disse segurando-a pelo braço – só preciso dar uma caminhada para esticar as pernas – esclareci.

- ótimo isso quer dizer que você não se importar de ir comigo até o salão checar os andamentos das coisas por lá? Sandy me mataria se soubesse que ainda não fui conferir as bebidas e as cadeiras – disse fazendo cara de perdido.

Não era o que eu tinha planejado, eu queria mesmo era dar uma volta na praia pra clarear as idéias e me preparar psicologicamente, mas cedi ao pedido.

- Lógico que não me importo – passei meu braço pelo dele indo para a saída – Voltamos daqui a pouco Dona Sue, até lá se comporte.

Saímos de casa e seguimos a pé até a parte central da vila, pelo caminho Seth foi me falando sobre os preparativos e o quanto sua noiva, embora amada e adorável, estava se esforçando para torná-lo louco.

- Juro Leah, se eu não gostasse tanto dela, já teria desistido dessa idéia de casamento, seria muito mais simples nós irmos morar juntos e pronto – disse parecendo cansado, mas em seguida o vi recobrar o animo – Mas quando você a vir, saberá o porquê de eu estar me esforçando tanto – seu tom apaixonado me deixou um pouco invejosa.

Será que um dia eu também encontraria alguém que me amasse tanto assim? A lembrança de certo alguém surgiu em minha cabeça, afastei-o rapidamente antes de sucumbir à dor, mais uma vez.

Assim que chegamos ao salão onde seria comemorada a festa, varias pessoas vieram ao nosso encontro. Uma mulher baixinha, com ar de General, correu até nós deixando os outros para trás.

- Sr. Clearwater, o Senhor está atrasado para a última prova do seu traje, o alfaiate está esperando a mais de 20 minutos – seu tom repreensivo não afetou o mais mínimo do humor de Seth.

- Então me deixe ir até lá para que ele não tenha que esperar mais – disse sorrindo benevolente, enquanto me largava ali com ela.

- Quem é você? – perguntou curiosa e autoritária.

- Sou Leah, irmã do noivo, muito prazer — disse educada.

- Prazer em conhecê-la – disse apertando minha mão na sua – fique a vontade, tenho que dar umas ordens na cozinha, com licença – despediu-se indo para o outro lado.

Sozinha, caminhei pelo salão admirando os arranjos de mesa e a decoração em geral. Era tudo muito lindo, passava uma aura de simplicidade e amor em cada detalhe, tudo nas cores branco e bege. Minutos depois Seth veio ao meu encontro.

- já terminei por aqui, só preciso passar no correio para ver se chegou uma encomenda, quer continuar me fazendo companhia? – perguntou jovial.

- Claro, vamos lá – sorri calmamente.

Assim que voltamos para a rua percebi que a temperatura tinha caído um pouco, e uma garoa fina tinha começado a cair. Puxei o capuz do meu casaco sobre minha cabeça.

- Espero que amanhã o dia fique firme – Seth olhou preocupado para o céu nublado.

- Vamos rezar para que sim – juntei minha preocupação a sua.

Olhando as vitrines de algumas lojinhas me distrai ao ver um par de brincos que ficariam muito bem em minha mãe.

- Seth você se importa se eu ficar e olhar uma coisa aqui enquanto você verifica sua encomenda? – pedi.

- Tudo bem. Volto logo – disse beijando meu rosto e afastando-se apressado.

Eu me dirigia à porta da loja quando senti algo se enroscar entre minhas pernas. Olhando para baixo, distingui um tufo de cabelos escuros que fugiam de um gorro azul, as mãos pequenas me apertavam como se pudessem fazê-lo se fundir ao meu corpo. Ele olhou para mim e colocou um dedo muito pequeno sobre os lábios me pedindo silêncio. Eu sorri imaginando que ele devia estar brincando de esconde-esconde com algum outro amiguinho. Antes que eu pudesse questioná-lo a respeito alguém bradou atrás de nós.

- Pare exatamente aí mocinho – a ordem, dita por uma voz grave, mas ao mesmo tempo amorosa, foi acatada no mesmo instante pelo garoto, que se recompôs rapidamente para enfrentar seu perseguidor, mas ele ainda mantinha as mãos pequeninas a minha volta.

Um calafrio subiu por minha espinha congelando-me instantaneamente no lugar. O ar recusava-se a sair ou a entrar nos meus pulmões também paralisados. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar, mesmo no meio de uma multidão aos berros. Ela havia me falado de amor de todas as maneiras, haviam me feito promessas e até mesmo tinha conseguido arrancar de mim risos e lágrimas. Ele estava ali. Paul estava a dois passos de mim e tudo o que eu sabia fazer era tremer.

Fechei meus olhos e obriguei meus órgãos internos voltarem a funcionar, depois de um tempo que não sei precisar, o sangue voltou a fluir por meu corpo e o ar voltou a preencher meus pulmões.

- Peça desculpas a moça e vamos embora – demandou com brandura.

- Desculpe – ele levantou seus olhinhos travessos para mim e sorriu, notei que ele estava sem os dois dentes da frente, seu rosto era muito familiar, lembrava em muito ao dono daquela voz.

Abra a sua maldita boca e diga alguma coisa! Qualquer coisa, só fale!” me exortei nervosa. Ainda de cabeça baixa, sem querer me fazer conhecer me esforcei para dizer algo.

- Não foi nada... – gaguejei baixinho para que somente meu pequeno captor pudesse ouvir, e antes que ele me abandonasse deixei que meus dedos deslizassem por seu rosto.

- Peço desculpas pelo inconveniente, às vezes eles são simplesmente impossíveis – desculpou-se também, tocou no ombro da criança que soltando minhas pernas, pegou a mão que ele lhe oferecia.

Incapaz de falar algo mais, eu apenas acenei um adeus ao menino e entrei na loja sem olhar para trás. Quem era aquela criança? Seria seu filho? A maldição do Imprinting tinha se cumprido com ele também? Meu coração apertou-se dolorosamente ante essa idéia.

Eu não havia pesado corretamente as conseqüências de uma simples caminhada pela comunidade, não pensei nem por um minuto que poderia topar com ele num espaço tão curto de tempo. Quais as possibilidades disso acontecer em plena tarde de uma sexta feira quando, supostamente, todos deveriam estar trabalhando? Ainda zonza com os últimos acontecimentos me dirigi à vendedora que me fitava preocupada do balcão. Pedi para ver os brincos e comprei-os. Na saída cruzei com Seth que vinha ao meu encontro. Ele atravessou a rua e parou na minha frente.

- O que aconteceu? – perguntou com a testa franzida analisando meu rosto pálido.

- Nada – disfarcei dando de ombros – Podemos ir? – inquiri.

- Sim podemos – disse colocando o braço sobre meu ombro e me guiando de volta para casa.

Mais tarde, enquanto minha mãe e eu estávamos conversando na cozinha, Seth surgiu com uma linda garota de incríveis olhos azuis resplandecentes cravados num rosto juvenil e belo, seus cabelos de um tom de loiro escuro emolduravam sua face angelical.

Ela sorriu para nós e foi direto abraçar minha mãe.

- Sue! Como você está? – perguntou gentilmente.

- Estou bem minha filha – minha mãe retribuiu seu abraço afetuoso.

- Quero que você conheça minha irmã – Seth parou atrás dela girando-a na minha direção – Sandy está é Leah. Leah está é minha noiva Sandy — disse orgulhoso apertando os ombros dela.

- Fico muito feliz por conhecer você Leah. E mais ainda por tê-la aqui conosco. Seth estava preocupado achando que você não viria – disse aproximando-se de mim e me envolvendo no calor dos seus braços.

Eu imediatamente relaxei, sentindo o carinho que provinha de seu gesto. Gostei dela imediatamente, era como se a conhecesse desde sempre.

- O prazer é meu Sandy. E nada nesse mundo me faria perder o casamento de vocês. Estou feliz por saber que Seth finalmente, encontrou alguém digna de compartilhar seu coração. Desde já desejo a vocês meus mais sinceros votos de felicidade – disse beijando a ambos.

Logo ela começou a me contar como havia conhecido Seth, assim que tinha sido contrata para dar aulas de história na escola da Reserva onde Seth também trabalhava como professor de Educação Física. A conversa rolou descontraída até que ouvimos alguém batendo na porta. Seth foi atender e um coro de vozes masculinas se fez ouvir.

- Então filhote, achou mesmo que ia escapar da gente hoje a noite é? – pelo tom zombeteiro reconheci a voz de Jared.

- Vocês não podem deixar passar essa? – Seth choramingou.

- Sem essa irmãozinho. É sua última noite de solteiro e lhe faremos uma Despedida Adequada – esse foi Embry, reconheci na hora.

Sandy nos pediu licença e foi ter com eles.

- Onde vocês pretende levar meu noivo, posso saber? – inquiriu curiosa, envolvendo possessiva a cintura de Seth.

- Relaxa Patroa! Nós só vamos tomar umas e outras no bar do Joe, nada de mais – Quill brincou.

- Mesmo? Essa é a droga de morar num lugar onde as opções noturnas se restringem a Bar do Joe e a Sorveteria da esquina – ela disse rindo marota e virou-se para olhar Seth – Eu também marquei de me encontrar lá com as garotas, elas insistem em uma despida de solteira – anunciou alegre.

- Ah! Que saco! Vocês não poderiam só fazer um chá em casa e ficarem fofocando por aqui mesmo? – Jared argumentou aborrecido.

- Você deveria ter sugerido isso a sua mulher, já que a idéia partiu dela – Sandy deu de ombros e voltou para a cozinha, com um andar vitorioso.

Os rapazes riram-se da cara de Jared e saíram em seguida arrastando Seth com eles.

- Você também vem não é Leah? Por favor, não me deixe sozinha nessa, se elas me derem um porre e eu vomitar em meu lindo vestido de noiva você se sentirá muito culpada – sua tentativa de persuasão surtiu o efeito desejado. Mesmo sem vontade me sentia obrigada a acompanhá-la.

Olhei para minha mãe em busca de auxilio, ela anuiu em concordância.

Meu medo era dar de cara com Paul por lá. Mas eu teria que enfrentá-lo mais cedo ou mais tarde, e nesse caso eu preferia que fosse mais cedo, para evitar alguma cena desagradável durante o casamento de meu irmão.

Tomei um banho rápido e vesti um jeans desbotado, blusinha preta de lã fina com decote em “V” e minhas botas de cano alto, trancei meu cabelo e sombreei os olhos com lápis, peguei minha bolsa e me encontrei com Sandy na sala no exato momento em que um carro buzinava na frente da casa.

- São elas. Agora não tem mais como escapar – brincou fingindo-se apavorada.

Despedimo-nos de minha mãe e fomos para o carro. Assim que me viu a mulher que estava ao volante desceu do carro e veio ao nosso encontro.

- Leah? Oh Meu Deus! Que saudades! – exclamou minha amiga Kim, agora casada com Jared.

- Kim! Nossa você está mais linda que nunca – elogiei assim que me separei dos seus braços – Vejo que o casamento lhe caiu bem – brinquei.

- Oh! Se caiu – disse arrancando risadas de nós – Vamos, Emily, e as outras já foram na frente para pegar uma mesa, bem longe dos rapazes – disse voltando a assumir a direção do veiculo.

Trocamos algumas informações superficiais até que finalmente chegamos ao bar.

Eu vacilei na entrada, mas Sandy enfiou seu braço sob o meu e me puxou para dentro, sem me dar muito tempo para pensar, ou fugir.

Assim que a atmosfera festiva do bar nos envolveu eu me encolhi. O lugar estava cheio, o que por um lado era bom, talvez eu nem o visse por ali, mas por outro me deixou meio assustada, trazendo lembranças de noites em que nos reuníamos ali, às vezes após uma caçada para comentar nossas façanhas. Afastei-as da minha mente e me forcei a seguir as garotas que se dirigiram para a parte de trás do bar, onde pude vislumbrar algumas mulheres sentadas com bebidas e petiscos sobre a mesa.

Tão logo nos aproximamos elas se ergueram e vieram nos cumprimentar, algumas eu conhecia de vista outras eram totalmente desconhecidas. Mas uma em particular chamou minha atenção.

Seu rosto desfigurado virou em minha direção e seus olhos ficaram fixos nos meus. Eu percebi o volume de sua barriga assim que ela levantou-se. Emily veio até onde eu estava e parou na minha frente.

- Como vai Leah? – sua voz melodiosa era insegura, mas seus olhos não se afastaram dos meus.

Á muito eu havia superado meu rancor por ela. Á duras penas aprendi que nada se pode fazer contra o destino quando ele decide por juntar dois corações. Na verdade, o relacionamento de Sam e Emily havia servido para me ensinar muitas coisas, entre elas, que paixão era uma coisa e amor era outra, bem diferente.

- Estou bem Emily. E você? – perguntei sorrindo-lhe com gentileza.

- Estou ótima – disse alisando a barriga num gesto maternal.

- Para quando será? – perguntei pousando minha mão delicadamente sobre a dela.

Surpreendida por meu gesto vi seus olhos lagrimejarem antes de me responder.

- Para daqui a dois meses. Na verdade essa é minha segunda gravidez, temos um menino de três anos – o orgulho de mãe presente em sua voz era cálido e reconfortante.

- Parabéns! Espero poder conhecê-lo – disse.

- Venha me visitar. Ficarei feliz em recebê-la em minha casa – convidou, vi algo como um brilho esperançoso perpassar seus olhos.

- Irei com prazer. Mas agora o que preciso é de algo forte e quente para me recobrar de tantos reencontros felizes – anunciei sentando-me ao lado de Sandy, que estava convenientemente sentada de costas para o bar e a entrada.

As mulheres começaram a conversar animadamente enquanto seus copos eram constantemente substituídos por outros tão logo os delas se viam vazios. As risadas e piadas eram compartilhadas alegremente. Vez ou outra um som de uma risada mais alta, ou de um gracejo chegava até nós da mesa ocupada pelos amigos de meu irmão, mas eu resisti bravamente para não espiar por cima do ombro para conferir.

Depois de 2 horas sentadas, rindo e bebendo minha bexiga exigiu liberação. Corri para o banheiro antes que mais alguém ali tivesse a mesma idéia que eu. Aliviada, lavei minhas mãos e passei um pouco de água fria no rosto, ao constatar que o mesmo estava ruborizado pelo calor e pela emoção de estar tendo uma noite tão agradável depois de longos anos de reclusão. Feliz sai do banheiro ajeitando meu cabelo quando dei de cara com algo solido bloqueando meu caminho.

Dei um passo vacilante para trás, mas mãos ágeis impediram que eu me chocasse com a parede atrás de mim. Uma descarga elétrica perpassou por mim tão logo essas mãos fizeram contato com meus braços. Ergui meus olhos para encarar o sujeito e perplexa reconheci aqueles olhos castanhos, que haviam visitado meus sonhos nos últimos cinco anos.

Seus olhos percorreram meu corpo com frieza antes de voltarem ao meu rosto, ele soltou meus braços e enfiou as mãos nos bolsos do jeans.

- Tudo bem? – seu tom de voz grave e baixo, me fizeram recordar imediatamente das noites em que passávamos horas conversando baixinho na cama, depois de fazermos amor.

- Desculpe. Machuquei você? – perguntei bobamente, eu não tinha muita certeza, mas tive a impressão de que tinha pisado no pé dele. Olhei para baixo como se para ver se tinha deixado alguma marca da minha bota em seu sapato, meus olhos avaliaram demoradamente cada centímetro dele, o homem a minha frente era magnífico, fato.

- Acho que você está meio atrasada para me fazer essa pergunta – rebateu cinicamente.

Eu entendi o duplo sentido em suas palavras, e senti meu coração afundar um pouco mais.

- Sinto muito – murmurei envergonhada, de repente sem saber o que fazer.

- Eu também – disse desviando seus olhos de mim para uma garota que tentava passar para entrar no banheiro – Cuide-se – disse sem voltar a me olhar e indo para o banheiro masculino.

Eu levei algum tempo para me orientar e voltar à mesa com as garotas. Assim que me viu Sandy notou minha perturbação, debruçando-se em minha direção analisou meu rosto com a testa franzida.

- O que aconteceu Leah? Você está pálida. Não está se sentindo bem? Quer que eu chame Seth e peça para ele levá-la para casa? – suas perguntas me deixaram ainda mais zonza, mas sua preocupação era tocante. Respirei fundo antes de falar.

- Estou bem Sandy, não se preocupe. Eu ficarei mais um pouco e depois irei pra casa, acho que é só cansaço da viagem nada de mais – menti, sorrindo debilmente para tentar apaziguá-la.

Ela assentiu e voltou sua atenção para as amigas. Peguei meu copo com mãos tremulas e dei um largo gole, espiei pela borda do copo e vi Emily olhando-me fixamente, com tristeza.

- Você o viu não foi? – ela perguntou baixinho para que só eu a ouvisse.

Eu meneei a cabeça em concordância, bebendo o restante do meu uísque antes de pedir outro.

- Eu não sei como foi para você, mas ele sofreu muito depois que você partiu. Sam teve muito trabalho para fazê-lo desistir da idéia de ir atrás de você – ela confidenciou.

Olhei-a aturdida, sem saber o que dizer.

- Se é que minha opinião vale alguma coisa, eu apenas quero dizer que acho que ele não se recuperou nunca do rompimento de vocês – eu a fitei ainda mais nervosa – Prova disso é que ele nunca mais namorou ninguém depois que você o deixou. Sempre há boatos aqui e ali sobre o comportamento dele com as mulheres, mas você sabe como é lugar pequeno onde todos se conhecem não é mesmo? Eu não acredito em nada do que dizem, mas rumores de compromisso da parte dele com alguém, nunca houve, o homem tornou-se um completo Cofre. Fechou-se para todo mundo. Nem mesmo os rapazes conseguiram fazê-lo se abrir – meu queixo não poderia cair mais.

Meu coração apertou-se desconfortavelmente diante dessas palavras. Ele ainda estava livre! Nada de Imprinting para Paul. “Oh Senhor! Será que eu estava errada em partir?”, pensei desesperada.

Sem pensar muito no que fazia peguei minha bolsa e me despedi baixinho dela e de Sandy, alegando dor de cabeça e cansaço. Eu precisa pensar, e ali definitivamente não era o lugar certo para fazê-lo.

Passei despercebida pela multidão, assim que sai na calçada respirei fundo para me orientar. Tinha dado poucos passos quando alguém pegou no meu braço.

Pulei assustada, tentando livrar-me do agarre daquela mão.

- Hei!Calma – ainda assustada mirei o homem alto a minha frente e o reconheci tão logo um sorriso se fez presente em seu rosto bonito – Sou eu, Jacob, lembra-se?

- OH! Jake – sorri aliviada – Desculpe. Você me assustou – disse tentando explicar meu comportamento arredio.

- É impressão minha ou você está fugindo? – seus olhos perspicazes avaliavam minhas reações – De novo – completou zombeteiro.

- Não! – tentei disfarçar – É que cheguei hoje e estou cansada da viagem então... – dei de ombros.

- Sabe? Eu conheci uma garota um tempo atrás que não se cansava tão facilmente – disse com um fingido ar distante – Tão pouco se acovarda diante dos obstáculos. Você a viu por aí? – brincou.

- Você não mudou nada sabia? Continua o mesmo chato – estreitei meus olhos para ele, com um falso olhar zangado – Preciso ir – disse.

- Vamos Leah. Só uma bebida, eu pago – disse pegando meu braço para me conduzir novamente ao bar.

Eu bufei derrotada deixando que ele me introduzisse mais uma vez no ambiente enfumaçado e barulhento. Fomos direto para o balcão, nos sentamos nos bancos altos e ele chamou o barman pedindo duas cervejas.

Assim que o rapaz nos serviu virou-se para mim sorrindo.

- Boas Vindas a Filha Pródiga que retorna ao lar – brindou chocando sua garrafa com a minha antes de dar um gole e me incentivar a beber também – Agora me conte como você está? O que tem feito? – pediu, olhando-me atentamente.

- Na demais. Trabalhando, estudando – disse reticente – E você?

- Ah! O mesmo de sempre. Montei minha oficina e nas horas livres continuo matando um vampiro aqui outro ali – sorri do seu gesto de enfadado.

- É bom ver você Jacke. Sério – admiti sorrindo.

Jacob Black havia se transformado num homem muito atraente, não que isso fosse alguma surpresa, dado o fato de que sempre tinha sido um cara bonito, mas a verdade é que ele havia superado as expectativas.

- É bom ver você também Leah – seu rosto sério virou-se para olhar a mesa, repleta de seus amigos – Já falou com o pessoal? – me fitou curioso.

- Só com algumas das garotas – desviei meus olhos para que ele não visse meu desconforto.

- Você nunca soube esconder suas emoções – ele colocou o indicador embaixo do meu queixo, girando meu rosto para que pudesse me encarar de novo – Vocês já se falaram? – insistiu.

- Eu não diria que tivemos uma conversa exatamente – murmurei – Nos esbarramos na saída do banheiro, nos desculpamos e seguimos nossos caminhos. Foi só isso – dei de ombros fingindo pouco caso.

Ele seguiu me olhando sério.

- Foi como você esperava? – deduzi por seu olhar que ele se referia a minha partida.

- Em parte sim – dei outro gole na cerveja.

- Eu tinha razão – ele largou sua garrafa vazia sobre o balcão e acenou para que o barman trouxesse outra – Não há distância o suficiente que nos impeça de sentir ou sofrer – ele deslizou o dedo pelo gargalo da garrafa, pensativo.

- Você tinha razão. Não há – confessei triste – e quanto a você? – aludi a seu amor por Bella, de repente estava curiosa para saber o que tinha se passado entre eles.

- Segui com minha vida – disse dando de ombros – Depois que ela se transformou foi como se eu nunca a tivesse amado, ela não era mais a mesma para mim entende? Ficou só a amizade – percebi que ele, ao contrário de mim, havia superado aquele amor. Fiquei feliz por ele.

- Bom, ao menos um de nós conseguiu superar as coisas – disse sorrindo com amargurada.

- Nunca achei que você fosse do tipo que desiste fácil – sorriu com cinismo.

- Não se pode ganhar todas Jake. Essa luta está perdida para mim – eu olhei sobre o ombro, para a mesa onde meu irmão e seus amigos estavam, imediatamente minha atenção foi capturada por um par de olhos castanhos que me fitavam com frieza.

Voltei meus olhos para Jake que havia seguido meu olhar, ele suspirou fundo e sorriu descontraído.

- Algo me diz que isso ainda não acabou – disse com um ar misterioso.

Eu ri amargamente antes de terminar minha cerveja. Levantei e fiquei na ponta dos pés para beijar seu rosto. Ele me olhou surpreso.

- Obrigada pela bebida. Te vejo amanhã – disse me despedindo, ele assentiu, erguendo a cerveja num gesto de despedida.

Dessa vez consegui chegar em casa sem nenhuma interrupção. Falei um pouco com minha mãe que assistia TV em seu quarto e depois fui me deitar.

No momento em que encostei minha cabeça no travesseiro as lembranças daquele dia me atacaram. Rememorei o encontro na loja e no bar diversas vezes, e a única coisa que permanecia igual, indiferente do ângulo que eu a olhasse, era o fato de eu me sentir ainda, total e absurdamente, afetada pela presença dele. Meu coração acelerava com a mera lembrança da sua voz, meus braços ainda podiam sentir o calor dos seus dedos.

Deus! Eu o amo!”, esse pensamento vez surgir lágrimas em meus olhos. Como seria no dia seguinte? Eu não poderia ficar evitando-o o tempo todo, as pessoas iriam notar. E se ele viesse puxar conversa? E se ele fosse acompanhado ao casamento? Só de pensar nessa hipótese meu estomago revirou. Atormenta, custei a conciliar o sono. Quando o fiz fui assaltada por sonhos bizarros em que eu corria atrás de alguém que estava envolto numa nuvem de fumaça espessa, e toda vez que eu pensava em alcançá-lo acabava com as mãos vazias, então eu sentava no chão frio e chorava.

Notas finais
E aí meninas? O que vocês acharam do retorno da nossa Leah? O que vocês acham que pode acontecer? Eu sei que vocês tem alguma coisa pra falar sobre tudo isso, então vamos lá, digam-me tudo, não me escondam nada! No próximo capitulo teremos o desfecho.
Aguardem!
Bjs e Bom Carnaval!
PS: Pras leitoras de SW que tbm acompanham STORM, peço u pouco mais de paciência. MAs trarei algo até o fim de semana ok? Amo vcs =)