She Wolf

28 Capítulo 28 - FELICIDADE TEM NOME


Notas iniciais
Amoresssssssss!!!!
Que SAUDADES ENORMES!!
Então, como vcs estão hein??? Eu finalmente consegui me mudar *dáGraças* mas as coisas ainda estão meio loucas por aqui... Pra resumir hoje foi que ligaram minha internet acreditam!!?? >.< Estou mto atrasada eu sei..Desculpe ok?
Mas aqui está o capitulo MEGA esperado *olhaexpectantepraCamila_Blackquememandou1MP* hihihihi
Não vou me prolonogar...Espero só que ele esteja a altura da ansiedade de todas e que vcs possam curti-lo tanto qto eu curti...em todas as vezes em que o postei ;) kkkkkk
Nos vemos ao final...
ENJOY

Eu fiquei meio perdida quando despertei, levei algum tempo para reconhecer meu antigo quarto e finalmente me dar conta de onde estava.

Depois desse primeiro momento, deixei-me apenas ficar ali, deitada, sem pensar em nada. Vozes um pouco alteradas se fizeram ouvir, tentei me concentrar para entender o que diziam.

Alguma coisa tinha desgostado muito a Sandy, que com voz chorosa reclamava sobre outra pessoa com Seth, que tentava acalmá-la, em vão. Levantei, fui até o banheiro fiz minha higiene e me dirigi à cozinha onde todos pareciam falar ao mesmo tempo, sem entrar em um consenso.

Sorri da cena familiar, lembrando dos dias em que minha família se reunia ali para discutir alguma coisa. A lembrança de meu pai sentado na ponta da mesa me assaltou repentinamente, causando uma pontada aguda em meu peito, vendo Seth ali, ocupando o lugar que normalmente era dele me deixou com mais saudades. Afastei aquele sentimento rapidamente, para que eles não notassem.

– Bom dia Família! – cumprimentei-os jovialmente – O que está acontecendo aqui? Posso saber? – aproximei-me de minha mãe e beijei seus cabelos.

– Uma das amigas de Sandy que seria Madrinha torceu o pé ontem à noite e não poderá participar da cerimônia – minha mãe explicou.

– Que pena Sandy! Sinto muito, mesmo – disse solidária.

Ela fungou profundamente limpando seus olhos e me fitando triste.

– Estamos tentando achar uma substituta para ela, mas Sandy descartou todas as candidatas em que pude pensar – Seth parecia nervoso por não ter conseguido ajudar muito.

– Ele quer que eu convide Helen ou Karen – resmungou Sandy – mas não dá pra ser. Helen é rechonchuda, e Karen é pequena demais, nenhuma das duas caberiam no vestido que reservei para Kristal – disse exasperada.

– Seria muito ruim se vocês dispensassem esse par de padrinhos? Faria muita falta? – atrevi-me a sugerir a eles, mas logo vi que não tinha sido feliz tão logo percebi o olhar insultado que eles me lançaram.

– Não podemos fazer isso, até por que ficaríamos com apenas dois casais o que está totalmente fora de cogitação – Sandy descartou.

– E eu não posso simples dizer ao meu amigo “Desculpe cara, você não será mais meu padrinho ok?” – Seth zombou para disfarçar seu mal estar.

Eu apenas ergui minhas mãos num gesto de rendição, depois fui até a cafeteira e me servi. Aspirei o aroma revigorante do café enquanto me recostava na pia, o silêncio reinava no ambiente quando levantei meus olhos para fitá-los, todos sem exceção me olhavam inquisidores.

– O quê? – inquiri confusa.

Sandy levantou-se e veio até onde eu estava, parou diante de mim e pegou minha mão na sua.

– Leah qual o número do seu manequim? – seu olhar critico percorreu meu corpo sem pudor.

– 38, por quê? – constrangida puxei minha camiseta.

– Quanto mesmo você disse que amava? – a pergunta de Seth me pegou desprevenida.

– Muito. Você nem deveria perguntar... – de repente o entendimento chegou até mim como um raio. Balançando a cabeça num gesto de negação larguei a xícara e enfrentei os dois. — Nem pensar. Eu não farei isso. Não mesmo – disse cruzando os braços sobre o peito numa atitude defensiva.

– Por favor, Leah! Você é minha ultima esperança – Sandy choramingou.

– Por favor, Mana! É a última vez que lhe pedirei um favor nessa vida – Seth implorou apelativamente – Por mim? – aquele olhar dele de cão sem dono era golpe baixo.

Olhei para minha mãe em busca de auxílio, mas ela parecia compartilhar do desejo deles. Exasperada me desvencilhei de Sandy e Seth e me sentei à mesa irritada.

– E o que supostamente eu teria que fazer? – perguntei irritada.

Sandy correu para sentar-se ao meu lado enquanto Seth tomava lugar na cadeira a minha frente.

– Você só terá que seguir com o padrinho até o altar, segurar meu buquê durante a cerimônia e assinar o Livro de Registro como testemunha, simples assim – Sandy explicou entusiasmada.

Seth e minha mãe confirmaram. Eu suspirei fortemente.

– E quem é o pobre coitado que fará par comigo? – questionei.

Novamente o silêncio sobreveio ao ambiente, meu estomago apertou-se num presságio nada bom.

– Bom talvez essa seja a parte mais difícil – Seth desviou seu olhos de mim para minha mãe num claro pedido de socorro.

– Leah querida, Kristal faria par com Paul – a revelação de minha mãe pegou-me completamente de guarda baixa.

Eu me ergui tão depressa que acabei derrubando a cadeira no processo.

– Vocês só podem estar brincando – falei nervosa – Seth? Mãe? – eles continuaram me olhando num pedido mudo de desculpas – Eu não posso fazer isso, e vocês sabem muito bem o porquê – minha voz soou estridente.

Minha mãe aproximou-se de mim passando seus braços ao meu redor consoladoramente.

– Calma filha – pediu esfregando minhas costas carinhosamente – Tenho certeza que Seth e Sandy não se oporiam a uma pequena mudança de planos, eles poderiam pedir a Seline que fique com Paul e você formaria par com Jacob, que tal? – ela olhou para o casal que permanecia sentado em expectativa a nossa frente.

– Por mim tudo bem – Seth aceitou na hora.

– Não vejo problemas nisso, até por que Seline detesta mesmo o Jacob, ela só estava fazendo esse sacrifício por mim – Sandy explicou e sorriu esperançosa enquanto esperava minha resposta.

Eu continuava estranhamente aturdida, como se estivesse presa numa dimensão a parte, quão único podia pensar era que eu estaria num altar com Paul a minha frente. Meu cérebro recusava-se a raciocinar com clareza. Depois de longos minutos, olhei para meu irmão e sua noiva sentados ali, dependendo só da minha aceitação para terem sua festa dos sonhos realizadas, e eu não podia negar-lhes isso.

Passando por cima dos meus sentimentos feridos, levantei a cadeira e voltei a sentar, suspirei e cruzei meus dedos sobre a mesa para conter o tremor.

– Certo, posso fazer isso – disse fingindo calma.

Sandy pulou e me abraçou tão forte que pensei que fosse me partir em duas, Seth juntou-se a nós nesse abraço e beijou o topou da minha cabeça.

– Obrigado – agradeceram em uníssimo. Libertaram-me tempos depois.

E saíram animados, corri atrás deles e puxei Seth num canto.

– Por favor, só tente fazer com que a idéia da troca tenha partido de Seline ok? – implorei vergonhosamente.

– Sem problemas – ele disse acariciando meu rosto.

Problema resolvido eles partiram para fazer os últimos retoques para o grande evento, despedindo-se de mim e de minha mãe, Sandy avisou que voltaria logo mais trazendo o vestido que eu usaria, eu tentei parecer animada, mas consegui apenas soar em pânico.

Já sozinhas voltamos à cozinha, minha mãe serviu-nos café e bolo e depois se sentou á minha frente.

– Obrigada por fazer isso por eles – disse quebrando o silêncio – você está sendo muito generosa – seu sorriso agradecido era reconfortante.

– A Senhora sabe o quanto isso irá me custar não é mesmo? – meu tom sofrido não passou despercebido a ela.

– Eu sei meu anjo. E é por isso que estou tão orgulhosa do seu gesto – disse acariciando minha mão por cima da mesa.

– Eu o vi ontem – ergui meus olhos do prato, onde eu revirava o bolo de um lado para outro, para encará-la – Por um momento senti que iria morrer mamãe. Eu não conseguia nem respirar – revelei aflita.

– Você ainda o ama? – seu olhos buscaram os meus e antes mesmo que eu formulasse minha resposta ela assentiu – Posso ver que sim. O que pensa em fazer a respeito? – inquiri calma.

– O que eu poderia fazer? – devolvi-lhe a pergunta confusa – Dizer “Hei Paul! Como tem passado? AH! A propósito eu ainda amo você que tal tentarmos de novo?” – rebati sarcástica.

– talvez as coisas não sejam tão difíceis quanto você imagina – disse com um ar tranqüilo.

– Não. Na verdade são piores. Eu parti o coração dele quando fui embora, eu pude sentir seu desprezo quando ele teve que me olhar ontem mãe, posso ser estúpida, mas não sou cega – bufei irritada.

– O pior cego é aquele que não quer ver – citou enigmática.

– Ouça mãe, eu participarei desse circo todo de casamento, mas tão logo possa estarei indo embora. Eu realmente não preciso disso, não quero ter que levar comigo a lembrança de Paul ressentido e me odiando além da conta, eu não suportaria, então só deixe quieto está bem? – eu sabia que ela não tentaria intervir nesse assunto, mas tinha que me assegurar disso.

– De acordo – anuiu.

O Resto do dia foi caótico, era um entra e saí dos diabos. Quando mais tarde Sandy voltou com o vestido fez questão de me fazer prová-lo para ver se não precisaria de nenhum ajuste, felizmente, ou infelizmente no meu caso, a peça serviu como uma luva. O tecido fino em tons dégradé de cinza era de um ombro só, ajustava-se do busto até a altura do quadril de onde descia numa nuvem suave e levemente rodada até o chão.

Desejei que ficasse apertado demais ou curto, ou qualquer outra coisa, pra ter a desculpa perfeita de me desfazer daquele inconveniente, mas como as coisas nunca eram como eu queria, só suspirei e sorri quando ela girou ao meu redor soltando mil elogios.

Seth chegou logo depois de Sandy ter partido para a casa dela, onde os pais estavam hospedados e uma de suas amigas estava lá para ajudá-la a se vestir, me comprometi em ir para lá em seguida, mas antes precisava saber como tinha sido a conversa.

– Então, como foi? – ataquei-o assim que ele passou pela porta.

– Tudo bem. Tanto Paul quanto Jacke aceitaram a troca sem reclamar, não se preocupe – disse sorrindo.

Eu me senti mal com isso, no fundo tive a tola esperança de que Paul batesse o pé e insistisse em entrar comigo, mas pelo visto ele tinha ficado aliviado de não ter que passar por isso. Cabisbaixa, fui pro quarto, juntei minhas coisas e pedi a Seth que me levasse para a casa de Sandy, de onde iríamos sair acompanhando a noiva.

Em meio a muita confusão e nervosismo conseguimos ajudar Sandy a vestir-se e nos aprontar dentro do limite de tempo desejado. Ficamos esperando por ela na sala enquanto sua mãe dava-lhe uma mão com o último detalhe, o véu; assim que esteve pronta desceu as escadas com um sorriso radiante iluminando o rosto bonito.

Fomos para os carros que nos levariam até a Capela próxima ao salão onde se realizaria a festa, assim que paramos o carro avistei Jacke, metido num smoking negro, com a gravata combinando com as cores do meu vestido, e um sorriso charmoso brincando em seus lábios.

– Nossa! – soltou um assobio de apreciação – Você está um arraso Leah. Quem diria que um tempo longe de La Pusch seria capaz de operar um milagre desses hein? – zombou enquanto pegava minha mão para me ajudar a descer do carro.

Segurando a ponta do vestido com a mão livre para me impedir de pisar nele, levantei meus olhos observando-o mais de perto.

– Você também não está nada mal Black – anui calmamente – Nenhuma mancha de graxa, cabelo penteado e barbeado – analisei-o com um olhar criterioso – É, você quase consegue passar por humano – zombei.

Ele jogou a cabeça para trás soltando uma gargalhada, atraindo a atenção dos outros sobre nós. Olhando a minha volta meus olhos encontraram quem eu queria, mas sofria, só por ver. Parado junto à porta Paul vestia uma cópia fiel da roupa de Jacke. Só que aos meus olhos ele parecia muito mais bonito que esse último.

Com uma pose relaxada, ele mantinha as mãos nos bolsos enquanto conversava com Embry e Joan, a outra amiga de Sandy que também seria madrinha. Vi quando Seline aproximou-se deles sorrindo timidamente e ele lhe devolveu o sorriso, o que a encorajou a chegar mais perto, e logo se entrosaram numa conversa amena. Baixei meus olhos encarando minhas sandálias profundamente triste e invejosa, por aquele sorriso não ter sido dedicado a mim. Ciente de meu desconforto Jacob segurou meu braço delicadamente e me guiou para as escadas.

– Agüente firme, agora falta pouco – sussurrou próximo ao meu ouvido.

Olhei-o agradecida e sorri com fingida coragem.

A chefe do cerimonial veio até nós explicando qual seria o procedimento, assim que ela deu o sinal Sandy desceu do carro apoiada pelas mãos carinhosas do seu pai que a conduziu até a entrada.

Jacke e eu encabeçamos a fila, seguidos de perto por Embry e Joan, Paul e Seline vinham no final, nos posicionamos no altar e assim que a marcha nupcial soou Sandy fez sua entrada, parecendo um anjo em seu vestido branco bordado e sorrindo para as pessoas a sua volta, meu irmão estava tão emocionado que mal conseguia conter-se, recebeu-a das mãos do sogro e conduziu-a até ao altar, ela me passou seu buquê de flores do campo e me sorriu feliz.

Eu me esforcei durante todo o tempo para não olhar para ele, cravei meus olhos no casal e rezei para que acabasse logo. Assim que eles disseram “Aceito”, levantei meus olhos e notei que Paul me fitava, meus olhos ficaram presos aos seus por um tempo que não sei precisar, mas que foi o bastante para me desconcertar. Quando ouvi os assobios e aplausos foi que voltei a respirar aliviada, devolvi o buquê e esperei até que eles saíssem , enfiei minha mão no braço que Jacke me oferecia e seguimos o cortejo do casal até a saída.

Jacke foi gentil o bastante para me levar pelo braço até o salão onde seguimos direto para a mesa dos noivos, fiquei feliz por ver que nossos lugares eram longe um do outro, agradeci a Deus por isso. Assim que todos os convidados chegaram à festa teve inicio, e momentos depois o jantar foi servido. Entre risos e conversas consegui descontrair um pouco mais, e assim que terminei de comer pedi licença a Jacke e fui até a mesa onde Sam e Emily estavam sentados junto com Billy e o Sr. Ateara avó de Quill.

– Posso lhes fazer companhia? – pedi.

Imediatamente Sam levantou-se e abraçou-me carinhoso. E eu não senti nada mais além disso, era só e de fato carinho por um amigo.

– Sentimos sua falta irmãzinha – disse sorrindo – Estou feliz em tê-la entre nós novamente – ele afastou-se e apoiou a mão no ombro de sua esposa.

Engraçado como eu me sentia feliz por vê-los juntos, sendo que anos atrás essa idéia parecia absurda para mim. Sorri descontraída.

Beijei Emily no rosto impedindo que ela se levantasse dado seu estado, em seguida cumprimentei aos outros ocupantes. Logo Embry e Quill juntaram-se a nós e ficamos conversando por um tempo até que Jacke aproximou-se.

– A general ali exigi nossa presença na pista de dança – ele disse apontando e fazendo uma careta para a chefe de cerimônia – Os noivos dançarão a primeira valsa e depois será a vez dos padrinhos – esclareceu.

Pedimos licença e voltamos à mesa principal onde os outros já nos aguardavam. Visivelmente nervosa eu esfregava minhas mãos uma na outra para aliviar a tensão.

– Relaxe, prometo não pisar no seu pé – Jacke tentou me distrair.

– Você deveria estar preocupo com os seus pés e não com os meus – brinquei.

Ele sorriu e pegou minha mão apertando meus dedos nos seus.

– Não olhe agora, mas acho que você não é a única tensa por aqui – sussurrou.

Disfarçadamente ergui meus olhos só para encontrar Paul nos encarando com cara de poucos amigos, e não estava sozinho nessa, reparei surpresa que Seline também nos fitava com certa irritação, franzi o cenho tentando imaginar o que a afetava tanto.

– Posso entender que Paul esteja chateado por me ver aqui – disse conformada – Mas qual o problema com Seline? Por acaso ela está a par da minha situação com Paul? Será que está tomando as dores por ele? – inquiri desconfiada.

– Nada disso. O problema dela é comigo – disse malicioso – Ela ainda não sabe, mas está apaixonada por mim – sorriu triunfante e piscou um olho para ela, que corou violentamente antes de desviar seus olhos de nós.

Surpresa com a descoberta fitei-o divertida, ele estava flertando com Seline, e pelo visto a aversão que ela dizia sentir por ele atendia por outro nome, paixão. Jacke me deu um sorriso cúmplice que não tive como não devolver.

Os noivos dançavam com desenvoltura, assim que começaram a tocar outra melodia Jacke me conduziu até a pista e me pegou em seus braços.

– Pronta para dar um show? – quis saber; eu apenas sorri apertando sua mão que segurava a minha com firmeza.

Deslizamos pelo salão formando um semi circulo em volta dos noivos, antes que a música terminasse outros se juntaram a nós, e em pouco tempo a pista estava repleta de casais.

Deixei-me levar pelo som da melodia lenta e nem reparei quando nos aproximamos do casal atrás de nós, até que minhas costas esbarram em outra pessoa.

Jacke deslizou a mão da minha cintura e me olhou sério.

– Sei que você vai me odiar por isso, mas tenha em mente que o faço para o seu bem – sussurrou em meu ouvido antes de segurar minha mão e bater no ombro do homem que estava atrás de mim.

– Você se importa de trocar comigo? – mortificada vi quando Jacke pegou Seline em seus braços e saiu rodopiando abandonando-me cara a cara com Paul.

Uma veia palpitou freneticamente em seu pescoço e seu maxilar estava tão tenso que jurei que seus dentes partiriam todos de uma só vez se ele continuasse a exercer tamanha força sobre eles. Quando finalmente me recuperei olhei em volta procurando uma rota de fuga, mas antes que pudesse sair uma mão restritiva pegou meu braço e me puxou de volta, no instante seguinte eu estava em seus braços.

Sua mão pousou com tanta leveza em minha cintura que eu mal podia perceber seu contato, ele manteve uma distância considerável entre nós. Eu rezei para que ele não notasse o tremor que sacudia meu corpo, eu respirava com dificuldade embriagada por seu perfume, sobressaltada pelo calor que desprendia de seu corpo e atingia o meu.

Fechei os olhos com força, meu único consolo era saber que ele parecia tão desconfortável quando eu. Seus músculos tencionados eram a prova que ele também não conseguia relaxar.

– Você não precisa fazer isso – murmurei sem coragem de olhar para ele.

Vi seu peito subir e descer com dificuldade antes de responder.

– Nunca fui do tipo que foge aos problemas – disse friamente.

– Touchê! – mesmo ferida por suas palavras não me contive – Você nunca irá me perdoar não é mesmo? – perguntei triste.

– Você quer mesmo ter esse tipo de conversa aqui e agora? – ele franziu a testa, seus olhos estavam tão frios que me fizeram dar um passo atrás.

A música terminou e antes que outra recomeçasse parei.

– Acho melhor voltar para a mesa – desviei meus olhos – Obrigada pela dança.

Ele inclinou a cabeça em consentimento e saiu sem dizer nada. Arrasada, voltei para junto de minha mãe que me fitava preocupada.

– Tudo bem? – seu semblante carregado parecia refletir minha própria dor.

– Tudo – acariciei sua mão transmitindo-lhe uma confiança que eu estava longe de sentir. Ela sorriu e voltou a conversar com os pais de Sandy.

Minhas mãos ainda tremiam e eu sentia meu rosto quente, incomodada pedi licença e fui para o toalete.

Lavei minhas mãos e espargi água fria por meu rosto acalorado, ainda sobre forte emoção encontrava dificuldades para respirar ou pensar. Eu ajeitava meu coque, quando ouvi vozes vindas da entrada, e para não confrontar nenhuma das convidas corri para me trancar em um dos banheiros.

Sentada sobre a tampa do sanitário, ouvi risos e conversas, consegui distinguir a voz de Seline, mas não sabia quem estava com ela.

– Quem era a mulher que estava com Black? – a outra perguntou curiosa.

– É Leah, irmã de Seth – informou Seline.

– A ex do Paul? – pelo tom de voz chocado e irritado da interlocutora, algo me dizia que ela tinha algum interesse pessoal nessa história.

– Ela mesma – Seline soou culpada em ter que afirmar.

– Você acha que ela ainda gosta dele? – inquiriu preocupada.

– Não sei Helen. Só acho que você deveria partir pra outra, sabe que Paul não dá chance para que nenhuma mulher se aproxime dele, eu já lhe disse isso, você deveria me escutar – Seline parecia triste em ter que persuadir sua amiga.

Meu coração deu um salto e uma onda de ciúmes me fez fechar as mãos com força, para evitar sair do meu esconderijo e enfrentar aquela mulher.

– Realmente é muito azar que ela tenha surgido aqui logo agora quando ele começava a se soltar mais – resmungou – Juro que se a encontrasse agora diria umas boas para ela – ameaçou raivosa.

Sem conseguir me conter mais, abri a porta do banheiro e sai para finalmente encontrar a mulher que, mesmo sem me conhecer, parecia nutrir um ódio mortal por mim.

– Sou toda ouvidos – falei calmamente, encarando a loira baixinha de olhos azuis que me olhava como se estivesse vendo um fantasma.

– Leah! Deixe-me apresentá-la a minha amiga – Seline veio em socorro da sua companheira – Helen está é Leah, Leah está é Helen uma amiga de Sandy e Seth – eu percebi que Seline enfatizou a palavra “amiga”, sorri-lhe condescendente, mas não estendi minha mão para Helen, limitei-me a olhá-la pacientemente.

– Você dizia? – insisti erguendo uma sobrancelha.

A vi engolir em seco antes de voltar-se para Seline.

– Vamos embora, a festa está muito boa para perdermos nosso tempo aqui – disse virando-se para a porta – Não posso dizer que tenha sido um prazer conhecê-la Leah – disse sobre o ombro antes de abandonar o recinto.

Seline aproximou-se de mim sorrindo sem graça.

– Desculpe minha amiga. Ela às vezes diz coisas sem pensar – seu olhar pesaroso procurou o meu.

– Tudo bem Seline, sem problemas – dei de ombros, mas por dentro meu sangue fervia. Seline despediu-se e saiu atrás da amiga.

Um misto de ciúmes e impotência oprimia meu peito, eu não podia culpar Helen por sentir-se atraída por Paul, e muito mesmo julgá-la por sentir-se no direito de defendê-lo de mim, era só que eu não conseguia processar tudo isso. Eu o amava caramba! E por isso mesmo podia entender os sentimentos dela.

Sai do banheiro antes que acabasse encontrando mais alguém prestes a me estrangular. A noite prometia ser ótima, pensei irônica.

Estava quase chegando à mesa quando Seth pegou minha mão e me levou para a pista de dança.

– Você não dançou comigo – reclamou sorrindo.

Eu apenas sorri e deixei que ele me guiasse. A música era gostosa e as pessoas seguiam o ritmo alegremente.

http://letras.terra.com.br/simon-webbe/369691/traducao.html

Sorri momentaneamente esquecida do corrido minutos atrás no banheiro, enquanto Seth erguia minha mão e me fazia girar hora me atraindo hora me afastando dele, deixei que seu riso e sua alegria me contagiassem. Logo nossos amigos juntaram-se a nós e passamos momentos ótimos entre risos e danças.

Firmemente decidida a não me deixar abater por sentimentos tristes me dirigi ao bar onde peguei uma taça de vinho gelado para me refrescar, avistei uma saída para um pequeno jardim e segui por ali para tomar um pouco de ar fresco, mal dei dois passos para fora quando uma voz irritada atraiu minha atenção me fazendo congelar.

Paul e Helen estavam ali a um canto, ela parecia nervosa enquanto lhe falava, ele mantinha uma postura tranqüila, mas que era traída pelo olhar irritado que dirigia a mulher a sua frente.

De repente ele ergueu seus olhos para mim e ela o acompanhou. Sem querer parecer bisbilhoteira, resolvi me afastar discretamente, mas antes que pudesse sair, Helen pareceu materializar-se a minha frente barrando a passagem.

– Você tem um senso de oportunidade incrível – eu teria rido de sua tentativa de ser cínica se não tivesse percebido que ela estava prestes a chorar.

– Desculpe, eu realmente não sabia que havia alguém aqui fora — disse tentando manter a calma.

– Cretina! — Descontrolada ela tirou a taça de vinho da minha mão e jogou o resto da bebida em meu rosto, saindo em seguida lançando-nos um olhar feroz.

Aturdida fiquei completamente sem ação, enquanto o liquido escorria do meu rosto e cai manchando a frente do vestido. Paul aproximou-se me estendendo um lenço que peguei com dedos trêmulos.

– Venha, eu a levarei até em casa para que você possa se trocar – ofereceu educadamente enquanto se afastava.

– Não precisa se incomodar pedirei a Seth que me leve – declinei nervosa.

– Não seja boba Leah – recriminou-me – Você quer mesmo voltar lá para dentro nesse estado para preocupar sua mãe e seu irmão? – argumentou.

Derrotada acabei por segui-lo por uma saída lateral que dava direto no estacionamento, ele parou ao lado de um Mustang preto e abriu a porta para que eu pudesse entrar, em seguida assumiu o volante e se pôs a caminho.

O silêncio no interior de carro era massacrante, eu me mantive colada a porta, com medo de me mexer e ser arremessa para fora enquanto o carro ganhava velocidade.

– Você terá que desculpar Helen por isso – sobressaltada olhei-o de lado, ele mantinha os olhos fixos na estrada – Ela normalmente não age dessa maneira – eu duvidei que ele se importasse com o fato de ela ter me jogado bebida.

– Sua namorada é uma fera – tentei fazer graça, mas a palavra “sua namorada” meio que engasgou em minha garganta.

Ele limitou-se a me olhar de cenho franzido.

– Chegamos – disse parando abruptamente frente à casa da minha mãe, e descendo do carro em seguida, deu a volta para abrir a porta para mim, ficou de lado para me dar passagem, me seguindo até a porta – Vou esperar para levá-la de volta – disse entrando atrás de mim e sentando-se confortavelmente no sofá.

Eu fingi descaso e segui para o meu quarto. Fechei a porta atrás de mim e tentei me livrar do vestido. O problema é que o zíper na lateral do vestido tinha sido atingido pela bebida também,fazendo com que esse emperrasse, recusando-se a abrir.

Já a beira de um ataque histérico, lutei contra o zíper emperrado ao ponto de quebrar uma unha.

– INFERNO! DROGA! – xinguei exasperada enquanto fazia mais uma tentativa.

Uma batida na porta me fez pular sobressaltada.

– Está tudo bem? – a voz grave de Paul parecia curiosa, como não respondi ele abriu um pouco a porta e espiou para dentro – Algum problema? – me olhou desconfiado.

– Não consigo abrir essa maldita coisa! – confessei derrotada deixando minhas mãos caírem ao lado do meu corpo, com frustração.

Ele pareceu indeciso, mas logo deu um passo para dentro e se aproximou.

– Talvez eu possa ajudá-la – ofereceu relutante.

Eu fiquei ali parada, com a respiração suspensa, olhando-o como se o estivesse vendo pela primeira vez. O vi erguer as mãos de dedos longos e morenos até a lateral do vestido, e alcançar o zíper forçando-o.

Quando esse finalmente cedeu, ele sorriu, e a minha memória foi instantaneamente ativada, flashes de todos os momentos em que ele sorriu daquele mesmo jeito inundaram minha mente fazendo-a girar descontrolada.

Ele tocou meu ombro nu com a ponta de dedos deslizando-os até meu rosto erguendo-o para ele, seus olhos brilhavam de forma estranha, de olhos arregalados o vi inclinar a cabeça até encostar os lábios em minha orelha.

– Você já pode respirar — sussurrou com voz rouca.

Eu traguei o ar com força, obrigando meus pulmões a trabalharem novamente, o que foi um erro, pois todos os meus sentidos foram atingidos por seu cheiro inebriante, inconsciente dei um passo em sua direção.

Com a outra mão ele apertou meu braço, parando meu movimento. Olhei-o confusa, sem saber o que fazer ou dizer.

– Você cheira diferente – alegou intrigado franzindo o nariz levemente, aproximando o rosto novamente do meu pescoço inalando meu aroma antes de esquadrinhar meu rosto – Me pergunto que outras mudanças se operaram em você durante esse tempo... – eu ergui meus olhos para ele, e em tudo o que eu podia pensar era no quanto eu desejava que ele se decidisse por me beijar. Só mais uma vez.

http://letras.terra.com.br/toni-braxton/459594/traducao.html

Ele contornou meu lábio inferior com o polegar, e como se tivesse ouvido meu pensamento desceu seus lábios sobre os meus. Seu toque foi tão suave e delicado que trouxeram lágrimas aos meus olhos. Meu coração batia num ritmo tão descompassado que temi ter um ataque, rezei para que isso não acontecesse agora, não antes que eu tivesse a chance de provar um pouco mais dele.

Temerosa, ergui meus braços agarrando-me com força em seus cabelos para impedi-lo de afastar-se de mim. Entreabri os lábios para poder sugar os seus e sua língua me invadiu aprofundando ainda mais o beijo, fazendo meu corpo tremer violentamente, sua mão deslizou por meu ombro descendo a alça do vestido que o mantinha no lugar, fazendo-o cair por meu corpo e formar um circulo ao redor dos meus pés. Ele me puxou para junto do si, e notei aturdida que ele estava tão excitado quanto eu.

Presa numa torrente de sentimentos conflitantes comecei a despi-lo também, senti-o estremecer quando meus dedos tocaram sua pele quente, sem interromper o beijo, mesmo respirando com dificuldade ele me ergueu em seus braços e me levou até a cama, me deitando de costas sobre a colcha, ele afastou-se só o tempo de livrar-se dos sapatos e meias, tirando minhas sandálias também, voltando em seguida a ocupar-se de minha boca.

Sem pesar as conseqüências dos meus atos, me deixe levar pelo momento, eu não queria pensar em nada mais que não fosse meu desejo por esse homem e na saudade imensa que senti dele durante todo esse tempo em que estivemos separados.

Sua boca macia desceu por meu pescoço deixando um rastro de beijos quentes e úmidos, eu me contorcia embaixo dele, feliz por sentir seu peso sobre mim, com mãos urgentes nos livramos das últimas peças que impediam que nossas peles estivessem totalmente em contato. Ele separou minhas pernas com o joelho, e um segundo depois seu corpo mergulhou no meu, arrancando, de ambos, gemidos a tanto reprimidos.

Envolvi seus quadris com minhas pernas, impedindo que ele se retirasse, sua boca desceu sobre meu seio sugando, lambendo, mordendo, numa doce tortura me fazendo implorar por mais. Minhas unhas arranharam suas costas antes de cravarem-se em suas nádegas. Ele grunhiu acirrando ainda mais meu desejo. Arqueei minhas costas quando a primeira onda de prazer me alcançou, seguida de outra e outra até que senti meu mundo convertendo-se em uma explosão de luzes brilhantes embaladas por um êxtase maravilhoso.

Paul manteve seu controle mesmo depois que o último estremecimento perpassasse meu corpo, deslizando um braço por baixo da minha cintura apertou mais meu corpo contra o seu e me fez girar, deitando-se de costas e me colocando sobre ele, apoiei minhas mãos no travesseiro ao lado do seu rosto, erguendo meu corpo o suficiente para olhá-lo. Por um momento tive medo que ele recobrasse a consciência, e me rejeitasse, felizmente isso não aconteceu.

Suas mãos correram por minhas costas reavivando minha luxuria, elas subiram por meu pescoço e passaram direto até alcançarem meus cabelos, livrando-os dos grampos que ainda mantinham boa parte deles presos. Algumas mechas cobriram meu rosto enquanto outras acomodaram-se sobre seu peito. Ele enrolou uma mecha em seu dedo levando-a até tocar seu nariz e aspirou forte, seu corpo estremeceu sob o meu, lembrando-me que permanecíamos unidos, e que ele ainda não havia se liberado.

Ondulei meu quadril sobre o seu e sorri, quando o vi cerrar os olhos e gemer, me empenhei para lhe proporcionar o máximo de prazer. Beijei seus lábios, queixo e pescoço, antes de dedicar certa atenção ao seu peito, prendi seu mamilo entre os dentes e soprei, e fui recompensada com um grunhido profundo, segui brincando com eles; ciente de sua necessidade aumentei o ritmo das minhas investidas, suas mãos apertaram meus quadris contra o seu, anunciando sua entrega, extasiada pelo prazer que via em seus olhos quando finalmente se liberou dentro de mim enquanto sussurrava meu nome, fui mais uma vez arremessada à borda do mundo, meu corpo apertou o seu extraindo até a última gota do seu gozo e a retive para mim.

Exausta desabei sobre ele, que recebeu e acariciou meu corpo com gestos suaves, até que nossas respirações se estabilizassem. Parcialmente refeita, deixei que meu corpo escorregasse de cima do dele, me aconchegando no espaço ao seu lado, com minha mente e corpo totalmente esgotados senti meus olhos pesarem, e à medida que suas mãos prosseguiam acariciando meus cabelos e corpo resvalei para o sono reparador, jurando a mim mesma que só descansaria o tempo suficiente para recompor minhas energias antes de confrontá-lo e confessar todo o meu amor por ele.

Meu primeiro pensamento, antes mesmo de abrir meus olhos, foi para ele, o segundo foi para o que tinha se passado entre nós naquela noite. Vi a parca claridade que se filtrava através da cortina, logo amanheceria. Virei na cama procurando o aconchego do seu corpo, só para descobrir que estava sozinha. Ainda zonza de sono, sentei na cama rápido, esquadrinhando o quarto procurando por algum sinal dele. Teria sido só um sonho? Minha mente perturbada podia ter conjurado aquilo? Respirando fundo, tentando me controlar, descobri que eu realmente havia estado com ele, seu cheiro estava em mim, nos meus lençóis, por todo lugar.

Voltei minha atenção para o meu corpo nu e, repentinamente feliz, reconheci os vestígios que a noite de amor havia deixado nele, como a pequena marca dos dentes dele que estavam visíveis ainda no meu ombro, sem contar o calor e as marcas que seus dedos tinham deixado impressas em minhas coxas, “Eu não estou louca!”, pensei aliviada enquanto um sorriso bobo entreabria meus lábios, que ainda ardiam com o calor dos beijos trocados entre nós. Mas essa euforia logo se desfez quando notei que eu permanecia sozinha.

Um terror medonho enredou-se por mim atingindo meu coração fazendo-o encolher-se. Enquanto o tempo passava, eu me dava conta de que Paul havia partido, e que não voltaria, só percebi que chorava quando as lagrimas que caiam dos meus olhos começaram a gotejar sobre minhas pernas, soluços agonizantes agitavam meu corpo, e um principio de histeria ficava cada vez mais evidente à medida que o choro aumentava.

Será que foi assim que ele se sentiu quando eu parti?” refleti amargurada, “Foi uma dor assim devastadora que impus a ele?”, minha culpa ameaçava me afogar, lutando para recobrar um mínimo de estabilidade, me enrolei na cama em posição fetal, apertei meu rosto contra o travesseiro que ele havia usado, e que ainda guardava seu precioso perfume, e extravasei através das lágrimas a dor de perdê-lo, até ficar completamente esgotada.

Quando consegui pensar com mais clareza, assumi para mim mesma que deveria partir, eu não tinha o direito de cobrar nada dele, embora magoada, eu sabia que ele deveria estar tão confuso quanto eu, talvez estivesse até mesmo arrependido, e eu sei que não suportaria ouvi-lo dizer isso. Queria levar comigo a lembrança de nosso doce interlúdio, talvez aquilo me desse forças para agüentar mais algum tempo sua ausência antes de sucumbir de vez. Seria melhor assim. Nada de despedidas. Só lembranças. Outra vez.

Juntando a pouca força que havia restado, levantei e comecei a recolher minhas coisas pelo quarto, joguei-as de qualquer jeito dentro da mala, separei uma muda de roupa para empreender viagem, e me arrastei até o banheiro, a casa estava silenciosa, na certa minha mãe ainda dormia, era muito cedo e por certo ela devia ter ficado até tarde com os convidados no casamento de Seth. “Oh Meu Deus! Como eu iria explicar meu sumido da festa á eles?”, pensei nervosa, o melhor era ir logo, mais tarde eu ligaria para ela de algum posto na beira da estrada.

Tomei um banho rápido, me vesti e deixei um bilhete para minha mãe, alegando compromisso de trabalho, disse-lhe que tive que partir mais cedo. Depois eu explicaria melhor, quando já não doesse tanto. Por hora era tudo o que eu podia fazer.

Suspirando, peguei minhas coisas e as chaves do carro e sai. O sol ainda não havia nascido completamente, e nas sombras difusas do amanhecer distingui um vulto encostado em meu carro. Meu coração parou de repente, falhando algumas batidas só para, no momento seguinte, disparar num galopar desenfreado.

Parado, com as mãos cruzadas sobre o peito, Paul estava displicentemente encostado na porta do meu carro, ele havia trocado de roupa, metido num jeans, camiseta e tênis, era a criatura mais sexy que eu já tinha visto em toda a minha vida. Seu semblante parecia carregado. Seus olhos irrequietos mediam cada passo vacilante que eu dava a seu encontro.

– Vai a algum lugar? – aquilo me pareceu mais uma acusação que uma pergunta. Estaquei no mesmo momento.

– Estou voltando pra casa – minha voz soou fraca.

– Fugindo novamente? – ele ergueu uma sobrancelha com ar curioso – Nenhuma uma carta dessa vez? – insistiu mordaz.

Eu conseguia sentir a magoa em suas palavras, e aquilo me feriu mais do que julguei ser possível. Olhei-o também ressentida, larguei minhas coisas no chão, cruzando os braços na defensiva.

– Se você não tivesse sido tão rápido a abandonar minha cama, talvez eu pudesse ter lhe dito Adeus de forma adequada – acusei-o, ferida.

Ele diminuiu a distância entre nós com dois passos, parando a minha frente ele apontou o dedo para mim acusadoramente.

– Não me venha falar sobre abandono Leah. Eu sei tudo sobre isso, sei o bastante até para lhe ensinar, então só não use essa droga comigo – o ar estalou carregado entre nós, enquanto nos encarávamos irritados.

Por fora eu mantinha minha pose de indignada, mas por dentro me sentia encolhendo, esmagada por minha culpa, profundamente ferida pela dor que havia provocado nele. Pela dor que havia provocado a ambos. Eu não me perdoaria nunca.

– Sinto muito Paul. Acredito que tenha sido difícil... – fui bruscamente interrompida por sua risada sarcástica, que me fez dar um passo atrás.

– Você acha que foi difícil? – ele me dirigiu um olhar feroz – Você. Não. Faz. A. Mínima. Idéia. Do. Que. A. Palavra. Difícil. Significa– frisou cada palavra com rancor.

Uma onda de raiva se apoderou de mim naquele instante. Revoltada o encarei irada.

– Não sei? — insisti magoada – Pois me deixe esclarecer uma coisinha, eu vivi os últimos cincos anos da minha maldita vida, lamentando miseravelmente o fato de ter ido embora. Não houve um só dia que eu não me perguntasse se tinha feito a coisa certa. Carrego comigo o peso da minha decisão, e sempre rezo para que ao menos você consiga me perdoar, por que eu sei que eu não posso – parei para tomar ar e controlar minhas emoções antes de prosseguir – Se você acha que foi difícil para você ficar aqui, imagine como foi para mim, sem família, sem amigos, e principalmente sem você, que foi a única pessoa que acreditei que me amou verdadeiramente – minha voz se quebrou tristemente.

Ele me deu as costas, voltando para junto do carro apoiando as mãos no teto, a cabeça pendendo para frente, parecendo esgotado. Eu permaneci parada no mesmo lugar, lutando bravamente para conter as lágrimas que ameaçavam rolar a qualquer momento, enquanto o assistia respirar com dificuldade, enfrentando sua própria cota de Demônios.

Ele enfiou a mão no bolso de trás do seu jeans, pegou um papel dobrado, que a primeira vista parecia ter sido muito manuseado, depois se virou em minha direção, encarando o papel preso entre seus dedos.

– Quanto do que você disse aqui é verdade? – seu olhar desconfiado recaiu sobre mim, enquanto balançava a folha ante meus olhos.

Eu engoli em seco, reconhecendo a folha de papel de carta que eu havia deixado para ele naquela noite fatídica.

– boa parte — disse relutante.

– Que parte não era verdade? – insistiu.

– A parte em que disse desejar que você me esquecesse e que encontrasse outra pessoa – admiti envergonhada, baixando os olhos, com receio de ver seu desprezo por mim refletido em seu olhar.

Senti ele se aproximar novamente e me encolhi involuntariamente.

– Sabe o que é pior nessa estória toda? – eu neguei com um movimento de cabeça ainda encarando o chão – Eu não consegui nem uma coisa nem outra. Não esqueci você, nem tão pouco encontrei alguém – ele riu alto, o que me fez olhá-lo assustada – Sou tão azarado que nem o maldito Imprinting aconteceu comigo – riu novamente, mas seu riso não era alegre, pelo contrário, era carregado de uma tristeza sem fim.

– E Helen? – deixei escapar, me chutando mentalmente por meus ciúmes.

– O que tem ela? – inquiriu confuso.

– Vocês não estão juntos? – insisti morrendo de medo que ele confirmasse.

– Não. Nós nunca tivemos nada. Somos só amigos – esclareceu aborrecido.

– Bom, não foi o que pareceu ontem à noite, quando ela me atacou gratuitamente por duas vezes, marcando seu território – rebati com sarcasmo.

– Não posso me responsabilizar pelos sentimentos dela em relação a mim. Muito menos quando não consigo controlar nem os meus próprios sentimentos – suas palavras fizeram meu coração vibrar.

– E o que você sente Paul? – questionei-o aflita, uma pontada de esperança nascendo em meu peito.

Ele me olhou por um longo tempo antes de suspirar profundamente.

– Eu ainda amo você. Não sei como, nem por quê. Só sei que amo – confessou, erguendo os ombros num gesto de aceitação.

Eu achei que ele podia ouvir o retumbar do meu coração acelerado. Uma felicidade absurda instalou-se ali, recusando-se a sair.

– Você acreditaria se eu lhe dissesse que também te amo? E que me arrependo amargamente do que fiz? – roguei ansiosa.

Seus olhos anuviaram para suavizarem-se em seguida. Ele ergueu suas mãos em minha direção, deixou seu olhar vagar por meus cabelos, enquanto seus dedos traçavam os contornos do meu rosto, depois me puxou para ele e me deu o beijo mais doce que recebi em toda a vida.

Minhas mãos agarram sua camiseta, fechando-se em punhos junto as suas costelas, me entreguei completamente às sensações que sua boca despertava em mim. Só notei que chorava quando ele afastou-se e passou seus dedos levemente sobre meus olhos, tirando-as do caminho. Ele sorriu docemente beijando a ponta do meu nariz, enquanto sussurrava palavras de conforto e carinho para me acalmar, depois me puxou pra si me esmagando num abraço apertado.

– Paul, quem era o menino que estava com você anteontem? – inquiri preocupada, ele me olhou confuso – na loja perto da agência dos Correios – esclareci.

– Era você? A mulher envolta de quem o danadinho tentou se esconder! – constatou chocado – Por isso me senti confuso com seu cheiro ontem, eu sabia que o tinha sentido antes, só não me lembrava onde – disse parecendo surpreso, e percebendo que eu ainda esperava por sua resposta apresou-se em dizer – Era Benjamim, o filho de Sara, lembra dele? – disse sorrindo.

– Oh! Ele está tão crescido, não o reconheci, embora ele me lembre muito você, achei até que fosse seu filho – admiti envergonhada.

– As pessoas vivem dizendo isso – confessou orgulhoso – Minha mãe costuma dizer que ele se parece comigo até nas traquinagens, o que faz Sara se arrepiar de pavor – riu divertido e eu o acompanhei.

De repente ele me encarou sério.

– O que faremos agora? – colocou em palavras a dúvida que também era minha.

– Deixou isso com você. Eu sou péssima em tomada de decisões – joguei a bola de volta pra ele, e acompanhei seu riso quando ele me apertou ainda mais junto a si.

Ele afastou-se para poder me olhar de frente.

– Você ficaria comigo? – a duvida em seus olhos fez meu coração se apertar.

Eu de fato não tinha noção do mal que havia feito á ele até ouvi-lo me pedir isso. O homem á minha frente, ainda guardava dentro de si o rapaz que eu havia rejeitado, e isso era muito triste de ver.

– Talvez eu fique – fingi pouco caso, para descontrair a tensão do momento, eu o vi vacilar antes que eu prosseguisse – Quem sabe você consiga me convencer, se pedir com jeitinho – instiguei-o fazendo biquinho, para prender o riso de felicidade que ameaça escapar.

Perplexa, o vi ajoelhar-se diante de mim e segurar minha mão direita na sua, ele limpou a garganta e então encarou meus olhos arregalados.

– Leah, você faria de mim o homem mais feliz... – e antes que ele conclui-se eu o interrompi afoita.

– Oh Diabos! Sim, sim – apertei sua mão na minha para enfatizar minha aceitação, dando pulinhos numa alegria incontida.

– Me deixe ao menos terminar está bem? – pediu rindo, enquanto tentava controlar minha euforia – Como eu estava dizendo – recomeçou piscando para mim – Você me faria muito feliz se aceitasse de volta meu coração, para cuidá-lo, enquanto vivêssemos. O que me diz? – inquiriu sorrindo lindamente.

– Eu aceito seu coração, se você aceitar o meu – impus resoluta.

– É uma troca justa – disse, pondo-se de pé novamente e selando nosso acordo com um beijo quente e cheio de promessas.

Senti-me consumir por uma felicidade sem precedentes, meu corpo todo incendiado pelo amor que nutria por ele.

– Venha, vamos sair daqui – convidou, pegando minha mão e juntando minha bagagem, abriu a porta e deixou minhas malas no banco de trás antes de dar a volta e sentar-se no banco do carona, arremessando, em seguida outra bolsa de viagem no banco de trás.

– De onde surgiu isso? – perguntei, olhando-o confusa.

– São minhas coisas – explicou com um sorriso maroto, me fazendo lembrar quando era mais jovem – Você não achou mesmo que eu deixaria você fugir novamente sem me levar não é? – inquiriu piscando levianamente.

Eu comecei a rir descontroladamente até que o riso se transformasse em um choro copioso. Ele me abraçou ternamente, tentando me acalmar.

– O que foi meu amor? – sua voz preocupada me fez lutar para controlar meu ataque.

– Eu estou tão feliz que chega a doer – tentei explicar entre um soluço e outro, me afastei para poder fitar seus olhos, em meio às lágrimas que anuviam meus olhos – Obrigada por não desistir de mim – beijei-o agradecida.

– Se você me conhecesse saberia que eu não sou do tipo que desiste. Nunca – revelou terno, beijando meus olhos eliminando os últimos vestígios do choro – Amo você Leah Clearwater, sempre amei e sempre amarei. Você terá que viver com isso – sentenciou sério.

– Isso soa bem para mim – confirmei sorrindo feliz, deslizando a mão por seu rosto amado – Amo você Paul, muito mais do que imaginei que fosse possível amar alguém – confessei feliz.

Ele deixou que seu sorriso se espalhasse até alcançar seus olhos, depois me beijou rapidamente.

– Agora que isso foi devidamente esclarecido, nos tire daqui, o mais rápido possível – pediu ajeitando-se no banco, prendendo o cinto de segurança.

– E para onde vamos? – perguntei curiosa.

– Para o hotel mais perto que pudermos encontrar. Tenho 5 anos de saudades para aplacar — ele disse, seus olhos percorreram meu corpo com volúpia — A não ser que você prefira fazer outra coisa – seu sorriso malicioso fez meu corpo arrepiar e tremer em antecipação.

– Me lembre de recompensá-lo devidamente por essa sua idéia maravilhosa – pedi arrancando com o carro o mais rápido que podia.

Eu havia acabado de descobrir que a felicidade existia pra todos, inclusive para mim. E a minha tinha nome e sobrenome: Paul River!

Notas finais
E aí!!??? Aposto que algumas de vcs, minhas queridissimas leitoras, devem ter algo a dizer a respeito desse capitulo...então desembuchem vamos!!! ashduashduashdu
Fiquei só com uma duvidazinha...Alguém aqui ainda acha que essa fic, mesmo tão proxima do fim, ainda merece ser recomendada!!???? E Quero fazer um APELO para as inumeras leitoras "fantasminhas" que acompanharam a estoria até aqui, mas q por um motivo ou outro não ousaram comentar...POR FAVOR meninas, me deixem conhecê-las!! Prometo não morder ninguém *.*
Nos vemos semana que vem combinado???
Amo vocês! Não Esqueçam!
Bjs,
K.