She Wolf
25 Capítulo 25 - A LUTA!
Notas iniciais
Gente tô tão cheia de saudades que vcs nem sabem! :/
Mas então, como estamos?? Eu estou mega atrapalhada, já lhes contei que vou me mudar? Sim vou. E adivinhem? Tenho 1.001 coisas pra fazer antes do fim desse mês de Fevereiro que já é curto, e com minha total falta de tempo tornou-se menor ainda...afffffffff Mas vamos em frente!
Como eu disse no capitulo anterior as coisas não estão mto boas...então, por favor, preparem seus corações ok? Aviso de amiga...Vamos ao capitulo, nos falamos ao final, como sempre ;)
A noite que antecedeu a batalha me alcançou ainda deitada na cama. Com as luzes apagadas eu respirava com dificuldade, meus olhos ardiam devido às muitas lágrimas derramadas, meu corpo todo doía por me manter muito tempo na mesma posição. Apenas me deixei ficar ali, por mais não sei quanto tempo.
A minha mente era um turbilhão caótico, imagens insistentes de todos os momentos que vivi com Sam e Paul ficaram passando e repassando por ela sem descanso. A dor era insistente.
Mas eu podia afirmar, sem a menor sombra de dúvida que, o que mais machucava era o fato de saber que Paul estava certo, em relação a tudo.
Minha cabeça latejou quando virei-a para ver as horas no rádio relógio que estava sobre a cômoda, marcava 03:35 AM. Estava quase na hora, eu tinha que ir me encontrar com a matilha no local combinado, onde, por certo, o clã dos Cullen nos aguardava para nos passar as últimas instruções.
Uma batida suave na porta chamou minha atenção. Eu gelei, com o coração aos pulos, rezei para que não fosse ele.
– Leah? Posso entrar? – aliviada ouvi a voz receosa de Seth atravessou a porta.
– O que você quer? – minha voz soou grossa, devido ao choro.
– Saber como você está – ele insistiu.
– Estou bem Seth – menti – Você não está atrasado para encontrar com sua protegida? – eu só queria que ele me deixasse em paz.
– Já estou indo, e você também deveria vir o bando já está indo reunir-se com os Cullen na clareira – disse ansioso.
– Eu já vou – falei mal humorada. Ouvi-o vacilar, e antes que ele se afastasse muito gritei para ele – Seth? Tome cuidado e Boa Sorte! – desejei.
– Obrigado! Cuide-se você também – revidou carinhoso.
Eu sorri cinicamente, “Me cuidar? Pra quê?”, pensei com desgosto. Tudo o que eu havia feito até então era me cuidar. Entre muitas coisas, me cuidei para não deixar que o abandono de Sam não me machucasse tanto, me cuidei para não me apaixonar por Paul, me cuidei para não enlouquecer com o fato de ser uma mutante. E todo esse esforço resultou no mais absoluto fracasso. Eu estava farta de ser cuidadosa. Eu precisava de novos planos.
Joguei as pernas pra fora da cama e fiquei de pé, uma vertigem sobreveio, fazendo com que eu buscasse apoio na cabeceira, fazia horas que eu não comia ou bebia nada. Juntei forças para ir até a janela, abri-a e deixei o ar da noite fria penetrar em meus pulmões. Farejei, o cheiro da neve estava no ar, o vento gelado açoitou meu rosto, cobrando-me animo.
Resoluta, fui até a penteadeira e mirei meu reflexo, aquela não era eu, não mais. Passei os dedos por meu rosto macilento e molhado, deixou-os correr por meus cabelos emaranhados, posando-os em minha garganta que ardia. Estava tudo errado. Quando foi que me tornei aquela figura frágil e ridícula? Desde quando autocomiseração passou a fazer parte da minha personalidade? “Você é patética Leah!”, pensei com desprezo. Odiei o que vi. Eu precisava retomar o controle da minha vida. Não permitira que nunca mais alguém viesse a me machucar, nem eu mesma. Minha dor seria meu guia, meu consolo, meu pilar.
Por impulso, abri a gaveta e tirei de lá uma tesoura, ataquei meus cabelos com fúria, cortando grandes mechas que caiam pelo chão, sem que eu desse a menor importância. A imagem que me olhava de volta no espelho estava diferente, as bochechas estavam rubras, os olhos muito mais escuros, e os cabelos picotados muito acima dos ombros confirmavam a atitude de revoltada que vinha acompanhada pelo sorriso de desdém que se desenhava nos lábios.
Dei as costas ao meu reflexo e marchei para o banheiro, tomei um banho me vesti e fui pra cozinha. Retive meus passos quando vi que ela não estava vazia.
– Oh Meu Deus! Leah? O que aconteceu? – minha mãe me encarou aturdida.
Assim que ela chegou do trabalho, Seth a colocou a par da minha situação com Paul, ela deve ter imaginado o que aconteceu entre nós, por que, logo em seguida veio bater a porta do meu quarto, eu a dispensei dizendo que estava bem, embora soubesse que não a tinha enganado nem por segundo com aquele discurso, mas como sempre, ela respeitou minha dor e manteve-se afastada o resto do dia. Por tanto, aquele era o nosso primeiro encontro depois disso.
– Resolvi mudar – dei de ombros indo até a geladeira, peguei o leite e me servi de um copo.
– Eu percebi. Minha pergunta é por quê? – perguntou calma, mas a preocupação em seu tom não me passou despercebida.
– Porque cansei da antiga Leah. Ela não existe mais – falei com raiva.
– Você quer conversar sobre isso? Sabe que pode contar comigo – ela me fitava atenta, buscando descobrir uma brecha, para penetrar minha couraça.
– Obrigada mãe. Sei que posso contar sempre com a Senhora. Mas estou bem – disse encarando-a – Só preciso que confie em mim, está bem? Agora preciso ir. Tenho uma luta para ganhar – tentei parecer descontraída, mas sei que não consegui enganá-la, de novo.
Larguei o copo na pia e quando me virei ela estava parada logo a minha frente, sem esperar me abraçou, beijando meu rosto e passando as mãos por meus cabelos recém cortados.
– Vá com Deus minha menina. Cuide-se e volte para mim — pediu esperançosa.
– Vou me cuidar, e voltarei. Até mais mãe – beijei-a rapidamente, antes que minhas reservas de força ruíssem, e eu voltasse a chorar como um bebê.
Saí apressada de casa, assim que entrei na floresta me despi e permiti que a transformação ocorresse. Deixei que minha dor me guiasse e então corri desabalada, deixando que o vento brincasse com meu pêlo, a tempestade de neve nas montanhas parecia violenta, a madrugada prometia ser longa.
Encontrei-os reunidos na clareira em volta de Sam. Assim que perceberam minha aproximação viraram-se para me olhar. Suas mentes era quadros em branco, parecia que naquele momento haviam se esquecido de como se faz para pensar. E então eu o vi, todo cinza e imponente, com olhos escuros e doloridos fixos em mim, meu coração acelerou, mas ignorei-o e segui até ficar cara a cara com nosso líder.
“Desculpe pelo atraso”, transmiti focando toda a minha atenção nele. Ele analisou-me atentamente antes de falar, “Sem problemas”, rebateu, e olhando a sua volta indago, “Todos prontos?”, então cada um dos outros lobos respondeu afirmativamente, a única voz ainda ausente em minha mente era a de Paul, ainda forçando minha atenção para qualquer outro membro do grupo, menos ele, me afastei dando passagem para Sam, que tomando à dianteira convocou-nos “Vamos irmãos, mantenham seus focos, aproveitem esse tempo para repassarem as estratégias de luta. Nossos aliados nos aguardam, não vamos deixar que pensem que os lobos Quileutes se acovardaram!” ironizou e avançou floresta adentro seguido de perto por nós.
Logo tomei à dianteira, o fato de ser a mais veloz entre eles me dava à vantagem de não ter que tê-los muito perto, mas isso não evitava, de modo algum, que seus pensamentos me alcançassem. A cacofonia de vozes e imagens com que eles me bombardeavam agora era intensa e estressante, todos com exceção de Paul e Sam, ficaram cogitando do por que do meu atrasado, e principalmente qual a causa da onda de ira que me envolvia.
“O que será que aconteceu com ela?”, a pergunta de Embry não foi dirigida a ninguém em especial, ainda assim, Quill se achou esperto o bastante para responder “Deve ter sido chuta de novo”, gracejou. Dei a volta no mesmo instante avançando diretamente para onde ele estava, peguei-o desprevenido e joguei meu corpo sobre ele fazendo-o chocar-se com uma arvore, prensei meu focinho no dele, fitando seus olhos surpresos com os meus anuviados de raiva e rosnei ferozmente, “Se você tem alguma esperança de lutar com um vampiro hoje, faça um favor a você mesmo, e mantenha sua boca fechada”, minha advertência, carregada da mais pura frieza, atingiu-o como uma bofetada. “Outra piadinha dessas e você volta direto para casa, fui claro Quill?”, pelo canto do olho percebi a figura de Sam que nos olhava impassível, “OK. Desculpe Leah”, eu apenas rugi em resposta abandonando minha posição de ataque e retomando minha corrida, no caminho cruzei com Paul que me abordou, “O que foi aquilo?”, sem olhar em sua direção rosnei, “Cuide da sua vida!”, e me forcei a correr mais rápido.
Cheguei antes dos outros ao ponto de encontro, o sol já estava pronto para dar as caras, esperei que Sam se aproximasse para, junto com ele nos achegarmos aos Cullen, que já estavam ali. Depois dos cumprimentos formais, o líder do clã passou novas informações a Sam, avisando que o exército inimigo era esperado para dali a 1 hora no máximo, segundo a última previsão da vampira vidente deles.
– Vocês têm noticias da montanha? Eles estão bem? – ele perguntou a Sam.
E só então me lembrei que meu irmãozinho estava em algum lugar, não tão longe dali, procurei por ele através da minha mente e o descobri em posição de vigília, embaixo de uma arvore, fustigado pelo vento, a sua volta tudo era branco, e por seus olhos avistamos a pequena barraca de onde, naquele instante, Jacob saía cabisbaixo.
Sam assentiu, percebendo seu gesto Carlisle pareceu relaxar. Ele acenou para Sam e voltou para junto dos seus.
“Falta pouco agora, vamos tomar nossas posições, lembrem-se, nada de heroísmos, eles são muitos e não precisamos provar nada para ninguém, apenas façam seu trabalho, entenderam?”, o aviso e o olhar de Sam abrangeu toda matilha, assentimos em concordância, mas era difícil controlar a ansiedade, todos nós sem exceção, queríamos que os inimigos chegassem logo, estava ficando difícil para eu manter distancia dos pensamentos de Paul, eu podia sentir sua agonia, seu desespero, seu sofrimento, a merda de termos as mentes interligadas era justamente poder sentir o que ele sentia o que naquele momento não me ajudava em nada.
De repente uma onda de raiva perpassou por mim, olhei em volta, e me dei conta, em seguida que era Seth que estava nervoso e irritado, soubemos por ele, que Jake estava bravo com Bella e Edward, mas não sabíamos qual a causa, logo depois sentimos Jake transformar-se e seus pensamentos eram um emaranhado de raiva e dor, que nos atingiu deixando-nos inquietos, tomando a frente Sam pediu-nos calma.
Vimos que Edward foi atrás dele e pouco depois a conexão com Jacob foi cortada o que nos deixou ainda mais perdidos, ficamos aliviados quando o vimos através dos olhos de Seth, retornando sozinho ao acampamento, e para não ser indiscreto Seth afastou-se, desviando seus olhos e seus pensamentos de Jake e Bella que pareciam entretidos em uma conversa difícil, o que muito nos felicitou, ninguém ali precisava ver aqueles dois tendo uma D.R*, as vésperas de uma grande luta.
Percebemos quando os Cullen, alheios aos últimos acontecimentos, tomaram suas posições e os imitamos, buscando nossos esconderijos, de onde pretendíamos pegar os inimigos de surpresa, alguns minutos depois sentimentos a presença de Jacob novamente, e para nosso assombro ele estava feliz, descobrimos o porquê assim que a imagem dele e Bella se beijando nos atingiu em cheio. Murmúrios de desgosto foram ouvidos entre nós, e minutos depois Jake uniu-se ao bando, parecendo bem diferente do cara que momentos a trás parecia capaz de matar meia dúzia de sanguessugas apenas com o olhar.
Sem dizer uma palavra ele tomou seu lugar entre Quill e Embry, eu estava com Jared, Sam e Paul estavam mais a frente. Não demorou muito para que nossos narizes começassem a pinicar com o fedor dos sugadores inimigos que se aproximavam.
Agitados com a possibilidade da luta iminente nos posicionamos prontos a atacar assim que o comando de Sam chegasse até nós. A Adrenalina corria solta em minhas veias, naquele momento esqueci meus dramas pessoais, voltei minha mente apenas para a luta. Meu objetivo era eliminar o maior numero possível de vampiros. Afinal, eles eram os únicos culpados por eu me encontrar naquela situação. Eu já podia sentir o prazer de dilacerar alguns deles, e não me opunha a usar algum requinte de crueldade para isso.
De onde estávamos, ocultos entre as arvores, podíamos vê-los se aproximando, arreganhei os dentes, numa espécie de sorriso sardônico, eles nem imaginavam o que os esperava ali. Quando eles apontaram na entrada da clareira, sedentos de sangue no rastro do cheiro de Bella, os Cullen avançaram sobre eles, os mais distraídos caíram como moscas, enquanto os outros seguiam caminho, tentando fugir do ataque, e foi então que o comando do nosso Alfa soou como música em nossos ouvidos, “Não deixem escapar nenhum”. Bradou.
Lançamos-nos sobre os sugadores desavisados, que aturdidos, sem ao menos saber de onde vínhamos, tentavam fugir de toda maneira.
Jared e eu cercamos um grandão careca, seus odiosos olhos vermelhos reconheceram o perigo assim que nos viu. Sem dar-lhe chance de se recuperar do susto avancei sobre ele, agarrando-o pelo braço esquerdo puxando-o com violência, ele tombou sobre os joelhos e Jared aproveitou-se de sua queda mordendo-o direto no pescoço, ele ainda se debatia em fúria quando meus dentes cravaram-se em seu ombro, com um movimento rápido arranquei seu braço cuspindo longe, enquanto Jared arrancava sua cabeça. Largamos seu corpo inerte e partimos para o próximo. O caos instaurou-se entre o exército inimigo, eles nunca haviam sido avisados da nossa existência, por tanto estavam pra lá de perdidos.
Desferi minhas patadas e mordidas sem nenhum pesar, a cada corpo do inimigo que tombava ante minha ira mais aumentava minha sede de vingança. Fria e calculadamente Jared e eu não vacilamos em nenhum momento, parecíamos um casal de bailarinos, agindo numa sincronia perfeita, sem perder o foco jamais.
Sem aviso prévio, fomos atingidos pelas imagens de outra luta, que se desenrolava numa montanha, não muito longe de onde estávamos, surpreendida vi uma vampira envolta numa nuvem de cabelos ruivos instigando outro vampiro a atacar, em minha mente vi o corpo de meu irmão ser arremessado contra uma muralha de rochas e cair aos pés de Bella, que apavorada o olhava sem saber o que fazer. “Seth!”, gritei desnorteada.
Cegada pela imagem do corpo machucado do meu irmão, meu ódio explodiu, rugi desolada pela dor dele, fui despertada da minha dor pelo rugido de uma garota pronta para me atacar, sem pensar pulei derrubando seu corpo duro como pedra, imobilizei seus braços com minhas patas dianteiras escancarei minha boca frente ao seu rosto, seu olhar assustado não serviu para me deter, desci meus dentes sobre seu pescoço mordendo-a com força fazendo morrer em sua garganta seu grito de terror.
Restavam poucos sanguessugas do esquadrão inimigo de pé, os Cullen juntamente com nosso bando tinham dado cabo de quase todos, em meio ao frenesi da luta, distingui a imagem de Paul, que acaba de estraçalhar outro oponente. Aliviada assisti Seth se recuperar e partir para o ataque também. Animada voltei para junto de Jared e cercamos dois garotos que sem ter para onde fugirem, acabaram partindo para o corpo a corpo, não preciso dizer que levamos a melhor nessa também.
Regozijamos-nos, quando vimos que na montanha os dois vampiros tinham sido liquidados, olhei a minha voltada e percebi que ali também o assunto tinha sido resolvido a contento. O líder dos Cullen chamou os seus e começou a reunir os corpos destroçados num monte, incinerando-os em seguida.
Ainda sobre grande tensão, nossa matinha passou a fazer uma varredura do local, procurando por sanguessugas que pudessem ter conseguido escapar a nossa fúria. Seguindo um rastro doce não muito longe de onde eu estava localizei um deles atrás de uma moita, eu circulei para pegá-lo desprevenido, mas fiquei paralisada quando um lobo cinzento entrou no meu campo de visão.
Paul estava de costas para o vampiro, notei quando esse se preparou para dar o bote, e antes que pudesse pensar me lancei para frente rosnando raivosamente. O vampiro girou tão rápido quando percebeu minha aproximação que, por um segundo, pude vislumbrar o desejo de sangue que se apoderou de seus olhos, ele abriu os braços feliz, pronto para receber meu corpo.
Eu caí alguns metros a diante, abatida por outro corpo que não era o dele, levantei a cabeça atordoada e o uivo de dor de outro lobo, retumbou por toda clareia, mas antes que o vampiro pudesse cravar seus dentes em meu salvador, uma grande sombra negra se abateu sobre ele, separando sua cabeça do corpo com uma única dentada feroz. Sam pulou para trás, ainda com a cabeça do monstro presa entre os dentes.
O corpo do vampiro tombou para frente, levando junto o corpo de Jacob, que se retorcia em agonia. “Jack!” seu nome foi gritado por mim e por outros companheiros nossos que corriam para junto de nós, Carlisle correu para prestar socorro.
– Sam, você tem que levá-lo daqui – exigiu, seu semblante traia a preocupação que ele tentava esconder em sua voz – Alice acaba de prever que os Volturi, um clã muito poderoso de guerreiros que comanda nosso mundo, estão vindo para cá. Eles não podem tomar ciência da existência dos lobisomens. Você precisa tirar todos daqui. Agora – avisou, enquanto continuava a examinar o corpo de Jack – Assim que me liberar por aqui quero sua permissão para ir até La Pusch para cuidar de Jacob – ele encarou os olhos negros de nosso líder.
Sam dirigiu-se para trás de uma arvore, surgindo segundos depois.
– Hoje vocês tem minha permissão para atravessar a fronteira que nos separa – ele anunciou encarando o vampiro seriamente – Agora me diga como ele está – ordenou.
– Ele sofreu várias fraturas, todas concentradas do lado direito do corpo – diagnosticou – Procurem não fazer movimentos bruscos enquanto levam-no daqui, temo que alguma costela fraturada perfure seus pulmões. Tão logo cheguem a reserva tente fazê-lo voltar a forma humana, isso é imperativo para que eu possa vir a tratá-lo, entendeu? – alertou.
– Certo Doutor, estamos indo – e voltando-se para nós ordenou – Leah, vá à frente e prepare o terreno para nossa chegada, não quero pegar Billy de surpresa com uma noticia dessas, os demais, venham comigo, iremos nos revezar para carregá-lo o mais comodamente possível.
Sem esperar, ainda fortemente abalada com o que havia acontecido, disparei de volta a Reserva.
Por sorte minha mãe estava em casa, contei por alto, sobre o acidente e ela se propôs a ir comigo até a casa dos Black. Encontramos com Seth no caminho, eu corri até ele.
– Como você está? – perguntei examinando-o mais detalhadamente.
– O que você fez? O que aconteceu com Jake? – inquiriu preocupado, ignorando minha pergunta.
– Ele se feriu, estão trazendo-o para casa agora – esclareci.
Estávamos quase lá quando vimos o carro do Chefe Swan parar diante da casa. Ele desceu do carro, e deu a volta para tirar a cadeira de rodas de Billy do porta mala, este só de olhar para minha mãe, logo entendeu que algo havia dado errado.
– Ele está bem, estão trazendo ele pra casa – minha mãe sussurrou em seu ouvido, quando se abaixou para cumprimentá-lo com um abraço.
Vi os olhos do Sr. Black alargarem-se de medo e angustia, mas quando o Chefe Swan aproximou-se para ajudá-lo a ir para a cadeira, seu semblante já estava recomposto. Entramos com eles, e minha mãe encabeçou uma conversa sobre pesca, captando logo a atenção do Chefe, Billy por outro lado, não conseguia desviar seus olhos da porta. Os minutos pareciam séculos, minhas mãos tremiam visivelmente, eu estava tão aflita que poderia gritar durante uma semana inteira e ainda assim, acho que não daria vazão a toda a culpa e dor que norteava meu cérebro entorpecido.
Eu tinha fugido para a cozinha, com a desculpa de que iria tomar água quando os ouvi se aproximar da casa pelos fundos. Minutos depois um uivo carregado de dor se fez ouvir muito perto, um frio se instalou em minha espinha, me fazendo paralisar. Depois fui tomada do mais absurdo alivio quando ouvi os palavrões e gritos de agonia na voz clara e furiosa de Jacob Black.
Corri de volta a sala, a tempo de vê-lo carregado para dentro por Sam que se esforçava ao máximo para mantê-lo firme entre os braços. O Chefe Swan assistiu aturdido a cena, a casa sendo invadida por um bando de garotos truculentos e falando todos aos mesmo tempo. Minha mãe tomou a frente, guiando Sam até um quarto, Billy os seguia de perto, visivelmente abalado por ver seu filho naquele estado, eu também os segui.
Sam deitou-o sobre a cama delicadamente, murmurando palavras de encorajamento para o amigo ferido, o rosto pálido de Jake era a mascara da dor. Em meio a toda a confusão que se formou, ouvimos quando o Dr. Carlisle chegou, acompanhado de Edward e tão logo foi admitido dentro do quarto pediu para que nos retirássemos, ficando sozinho lá com o filho e o paciente.
Com medo de morrer sufocada dentro da sala minúscula e apinhada de gente, fui para a varanda, senti meus joelhos tremerem e antes que eu desabasse sentei nos degraus enterrando meu rosto entre as mãos. Mesmo com os olhos fechados a cena do corpo de Jake, sendo esmagado pelo abraço assassino do sanguessuga maldito, continuava a repassar diante deles. Eu não consiga parar de pensar no quanto era maldita, a desgraça, sem dúvida era minha companheira mais fiel.
Meu braço foi agarrado com força e me corpo foi suspenso no ar antes de ser arrasto para longe da casa dos Black. Aturdida cambaleei quando Paul parou abruptamente, alguns metros adiante, mantendo meu braço preso entre seus dedos.
–QUE MERDA FOI AQUELA NA CLAREIRA? – me encolhi ante seu ataque de fúria – O QUE VOCÊ ACHOU QUE PODERIA PROVAR AGINDO DAQUELE JEITO? – gritou raivoso sacudindo meu corpo.
Eu não conseguia achar minha voz, eu queria gritar com ele também, dizer que não tinha sido culpa minha, que eu só estava tentando proteger sua retaguarda, que não tinha visto Jake chegar. Pior de tudo, eu queria gritar que estava feliz por ser Jacob naquela cama e não ele, mas as palavras se negavam a sair.
As lágrimas queimaram querendo saltar dos meus olhos, ele soltou meu braço e afastou-se tentando se controlar, e só então ele pareceu me ver realmente, seus olhos que até então me fitavam irados, agora me encararam confusos e voltaram a escurecer tomados novamente pela raiva quando ele apontou o dedo para mim.
– O que Diabos você fez com seu cabelo? – clamou possesso.
Aquelas últimas palavras foram o estopim, que fizeram minha voz retornar. Recompus meu rosto e respirei fundo. Senti a raiva voltar ao meu corpo com força, e não procurei contê-la.
– Vá pro inferno! Eu não lhe devo satisfações Paul. Você não é o Alfa entendeu? Se Sam tiver algum questionamento sobre meu comportamento na batalha ele pode vir me perguntar diretamente – não me passou despercebido o tremor em suas mãos quando mencionei o nome de Sam, insisti – Até lá fique longe de mim, ouviu bem? Não quero ver ou falar com você, a não ser que Sam o use como seu garoto de recados, fora isso fique longe do meu caminho – as últimas palavras foram gritadas enquanto lhe dava as costas.
Ele agarrou meu braço novamente me fazendo girar sobre meu eixo, e nos encaramos coléricos.
– Nós ainda não terminamos – disse entre dentes.
– Terminamos sim. A coisa toda acabou no outro dia, quando você deixou bem claro o que pensava a meu respeito – lembrei-o ressentida – nós terminamos quando você disse que não confiava em mim, então acho que estou certa ao afirmar que entre nós não há mais nada a ser dito – rebati puxando com força meu braço, livrando-me do seu agarre.
– Você disse que tinha se apaixonado por mim – seus olhos brilhavam perigosos.
Ter meu amor por ele, relembrado nesse momento me fez sentir ainda pior, negá-lo agora seria como matar a mim mesma. Ainda assim eu o fiz, assumindo uma postura de falso descaso, fitei-o longamente.
– Esqueça isso Paul. Eu já esqueci – menti, fingindo desdém.
Tive o infortúnio de ver a dor inundar aqueles olhos, retesar seus músculos e selar seus lábios.
Ele levou algum tempo, digerindo a informação, depois assentiu e sem mais uma palavra deu-me as costas e voltou para a casa dos Black. Assim que o vi passar pela porta, virei no sentido oposto o me pus a correr. Entrei em minha casa como um furacão, fui direto para o quarto e me joguei na cama.
Meu corpo convulsionado pelo choro debatia-se sobre o colchão. Nas últimas horas eu havia chorado mais do que em toda a minha vida. Cansada, derrotada, culpada, enojada, me odiando além do limite deixei que toda minha dor viesse á tona.
“Acabou”, esse pensamento me feriu mais que tudo.
Eu não sabia precisar por quanto tempo tinha permanecido naquele estado de letargia e confusão. A única certeza que eu tinha era que do jeito que as coisas estavam não podiam continuar.
Naquele momento tomei uma decisão que mudaria tudo, pelo menos eu pensava assim. Mas antes de pô-la em prática eu precisa falar com uma pessoa. Decidida levantei, tomei um banho, me vesti e saí, a noite fria me recebeu de braços abertos. Era chegada a hora.
D.R – Discutindo a Relação.
Notas finais
K.
PS: Gente será que She Wolf, com o numero de leitoras que tem, merece mais alguma recomendação??
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