She Wolf

26 Capítulo 26 - PARTINDO!


Notas iniciais
Oi Gente!! o/ *acenaprasleitorasqueridas*
Saudades de vcs meninas!! Essa semana vim mais cedo pq não sei se terei tempo amanhã, e como não quero ver ninguém com crise de ansiedade resolvi trazer o capitulo mais cedo ;)
Espero que tenham gostado da surpresa!!!
Como já lhes disse antes, estamos entrando na reta final dessa estórias...decisões foram tomadas (boas ou más é assim que é) Só espero que vs mantenahm suas mentes e corações abertos ok? Não julguem tão severamente minha queridsa Leah... Lembrem-se que ela tem sentimentos...tortuosos mas tem!
AGRADEÇO de coração todo o carinho e apoio que vcs me deram até agora e espero continuar contando com ele, principalmente agora, se momento mais dificil!
Bibi minha querida OBRIGADA pela gentileza e caarinho de Recomendar a fic! Àquelas que ainda não o fizeram, mas desejam fazê-lo fiquem a vontade...Eu ficarei imensamente feliz com o gesto!
Violet querida, sua dúvida sobre com quem ela foi conversar será sanada agora mesmo ;) Lembrou??? hihihihi
Ahhhhhhhhhhhhhh!! Quase me esqueci de dizer: Ouçam a música no final do capitulo...ela ajudará vcs a entenderem como Leah está se sentindo no momento...
Nos vemos ao final...

A movimentação na casa dos Black tinha parado, do meu esconderijo atrás de uma arvore, pude ver quando o último visitante se despediu de Billy na porta. Certa de que não encontraria mais ninguém ali, além dos donos da casa, me aproximei e bati na porta.

Ouvi Billy empurrar sua cadeira e no momento seguinte a porta foi aberta, seus olhos cansados me encararam surpresos. Eu vacilei e abaixei meus olhos para o chão. Não queria ver a acusação refletida nos olhos negros de Billy Black caso ela surgisse.

– Boa noite Sr. Black. Será que eu poderia ver Jacob por um minuto? – falei rápido antes que a coragem me abandonasse.

– Claro que sim minha querida. Entre – convidou afastando-se para me dar passagem.

A amabilidade dele me pegou de desprevenida. Talvez ele ainda não soubesse que eu era a responsável por seu filho estar de cama. Ele apontou o quarto de Jake com um aceno, e dirigiu-se para a sala. Eu parei por um segundo indecisa do que fazer, se eu batesse a porta e me anunciasse corria o risco de ele me dispensar, ainda incerta optei por abrir a porta levemente, se ele estivesse dormindo eu iria embora caso contrario ficaria.

Espiei para dentro e encontrei Jacob deitado de costas fitando o teto, o peito coberto de faixas e uma cara de desgosto total. Gemi internamente, aquilo não ia ser fácil.

–Oi – cumprimentei, abrindo um pouco mais da porta e deixando que ele me visse.

Um lampejo de surpresa passou por seus olhos escuros quando ele me encarou, para em seguida converter-se em rancor.

– Veio conferir o estrago? – disse raivoso.

– Na verdade vim para me desculpar – dei um passo para dentro e fechei a porta atrás de mim me recostando nela – Como você está? – inquiri calma.

– Destroçado? Dolorido? Ferido? Arruinado? Pode escolher – eu percebi na maneira como ele tinha carregado cada uma de suas palavras com sarcasmo, que ele tinha todas as suas defesas erguidas nesse momento. Mas algo lá no fundo me dizia que ele não estava se referindo só ao seu corpo ferido.

– Ajudaria se eu dissesse que sinto muito? Por que eu realmente sinto. É minha culpa você ter se machucado assim – falei sincera compungida.

– Bom; vindo de você a Senhorita “Eu Não Me Curvo a Ninguém”, isso até que tem algum valor sim. Obrigado – brincou cinicamente, mas eu ainda podia sentir que ele não estava nada feliz de me ter ali.

Ainda pouco confiante me afastei da porta e caminhei lentamente até uma cadeira que tinha sido colocada ao lado da sua cama, sentei e fitei-o com pesar. Ele ainda me olhava com desconfiança.

– Você sabe que irá se recuperar rápido. Quero dizer, você é um lobo, certo? Talvez o melhor de todos... Depois de Sam é claro – falei para descontrair, ele revirou os olhos para mim como se menosprezasse minhas palavras, eu sorri – Certo, então me diga o que posso fazer para que você se sinta melhor? E não vale dizer “Morra” por que isso meu caro já aconteceu, acredite – tentei segurar meu sorriso, mas ele apagou-se com o peso da minha tristeza. Desviei meus olhos encarando a janela para evitar seus olhar inquiridor.

Senti Jake olhando-me atentamente, procurando em meu rosto algum sinal para entender o que estava acontecendo.

– O que você está fazendo aqui Leah? E não me venha com esse papinho de “Eu estava preocupada com você” por que essa não cola tá legal? Quero a verdade e quero agora – exigiu sério.

Baixei meus olhos para minhas mãos pousadas em meu colo, encarei meus dedos como se pudesse enxergar ali uma resposta para as minhas dúvidas.

– Como você consegue? – murmurei baixinho ainda sem levantar meus olhos – Como faz para suportar a dor? – inquiri.

Um silêncio pesado instalou-se ao nosso redor. Ergui um pouco a vista e me deparei com seus olhos postos em mim, como se estivesse me vendo pela primeira vez. Levou algum tempo antes que ele suspirasse e desviasse seus olhos para em fim me responder.

– Sou burro de mais para saber quando desistir – falou desanimado – Ou talvez eu apenas seja o filho da mãe mais masoquista da face da Terra, quem sabe? – ironizou.

Eu senti a dor permeando suas palavras. Mas mesmo assim ele parecia uma rocha.

– Eu não agüento mais isso Jake. Estou cansada – confessei tristemente.

– Ele ama você. Sabe disso não é? – seu tom baixo traia sua preocupação.

– Mas quanto tempo pode durar? Até que ele se volte louco pelos ciúmes que tem de Sam? Ou quem sabe até que ele tenha seu Imprinting com uma desconhecida que esteja passando por aqui de férias? – questionei irritada.

– Você se preocupa demais com isso Leah. Pode ser que nem aconteça com ele! Se você ainda não notou restam alguns de nós livres desse mal – falou com desdém.

– Sim, mas até quando? Sério Jake, eu não quero me apaixonar de novo por um cara que tem seus dias comigo contados entende? Eu não suportaria passar por isso outra vez – disse arrasada.

– Você o ama? – eu encarei seus olhos e apenas assenti – Então o que pensa fazer a respeito? – inquiriu consternado.

Eu respirei fundo antes de voltar a falar.

– Eu vou embora – falei firme.

– Ele sabe disso? – seus olhos astutos não deixaram os meus.

– Não. Nós não estamos exatamente nos falando no momento – expliquei.

– Você vai deixá-lo e nem ao menos lhe dará a chance de argumentar? Isso é bem a sua cara mesmo. Ser cruel é sua natureza, definitivamente – me recriminou.

– Não se trata de crueldade. Será melhor assim para nós dois. Paul estará muito melhor sem mim – eu não sabia muito bem a quem eu estava querendo convencer, se a mim ou a ele – Talvez assim ele tenha a oportunidade de encontrar alguém melhor e menos complicada que possa amá-lo como ele realmente merece – a magoa começava a me sufocar.

– Tente repetir isso para você mesma pra ver se acredita – sua ironia veio à tona com força total – Você sabe melhor que ninguém, que Paul é tão teimoso quanto você e eu juntos – ele riu amargurado, depois se virou para mim, um rasgo de dor perpassou seu rosto – Ela vai se casar – disse desconsolado.

Surpreendida olhei-o com pesar.

– Eu sinto muito Jacob – murmurei.

– Eu sinto mais. – sua voz soou arrasada – Mas nem mesmo isso, serviu para me fazer desistir dela. Ouça Leah, você pode ir embora, mas isso não servirá para acabar com o que vocês sentem um pelo outro. Só servirá para magoá-los sem necessidade, entende? – argumentou.

– Não é só por Paul ou pelo que sinto por ele que estou indo embora. Eu não quero mais essa vida para mim Jake. Odeio ser Lobisomem, odeio sobre tudo o que isso fez com minha vida, tudo o que aconteceu de ruim comigo está inteiramente ligado a essa condição. Perdi meu primeiro amor, meu pai, e a chance de reconstruir meu coração de novo. Perdi até mesmo minha feminilidade, nem filhos eu poderei ter se continuar assim – despejei minhas frustrações em cima dele sem nem pensar – Eu me perdi Jake, não sei mais quem o que sou. Odeio me sentir impotente, detesto pensar que minha vida se resume a comer, dormir e me transformar em lobo todas as noites para caçar vampiros. Isso é loucura demais, não posso mais viver assim – desabafei nervosa.

Eu percebi que ele entendia o que eu queria dizer. Eu tinha feito a coisa certa ao vir procurá-lo. Uma vez Paul havia me dito que eu e Jacob éramos mais parecidos do que eu imaginava, ele estava certo, como sempre.

– Sei como você se sente Leah. E agora entendo seu ponto de vista, acho que você tem razão, e não serei eu a tentar fazê-la mudar de idéia. Não depois de tudo que você acabou de me dizer – ele pegou minha mão na sua e apertou-a entre seus dedos – Mas, ainda acho que você deveria falar com Paul antes de ir. Dar-lhe a chance de saber como você se sente – disse sério.

– Não Jacob. Eu o amo, e não poderia fazer isso com ele. Eu não quero mais viver aqui, e não poderia exigir que ele escolhesse entre sua família e sua vida aqui a estar comigo em outro lugar. Será melhor assim, ele é jovem e sempre terá tempo de se recuperar, melhor que seja agora do que mais tarde quando as coisas poderiam se tornar muito mais sérias – soltei meus dedos dos dele e me levantei – Espero que você se recupere logo Lobo. E obrigada por me ouvir – sorri em despedida.

– Cuide-se Leah – ele disse me fitando preocupado.

Eu fui para a porta, mas antes de sair me voltei para ele uma última vez.

– Isso vai passar algum dia? – questionei-o esperançosa.

– Não, você terá que aprender a conviver com a dor – explicou triste.

Eu assenti derrotada e acenei fechando a porta depois de sair.

No caminho de volta a minha casa, repassei em minha mente minha conversa com Jacob. Ele tinha razão em muitos pontos, eu sabia, mas não podia me dar ao luxo de parar para refletir sobre minha decisão. Eu tinha que ir, não podia insistir em viver aquela vida, em algum momento as coisas saíram completamente dos eixos e eu acabaria me tornando pior do que já era. Meu maldito dom para ferir aos que amava era o que tinha maior peso em minha escolha.

Em casa fui para meu quarto e arrumei minhas coisas, antes que pudesse mudar de idéia. Sentei em minha penteadeira e escrevi uma carta para Sam, explicando-lhe minha decisão e o porquê de eu estar abandonando o bando, roguei para que ele aceitasse a situação e implorei para que não permitisse que ninguém fosse atrás de mim.

Deixei uma também para Seth, pedindo que cuidasse de nossa mãe em minha ausência, declarando meu amor incondicional a ele, e pedi que ele entendesse e procurasse me apoiar. Prometi-lhe que sempre estaria em contato e que em caso de necessidade eu voltaria imediatamente.

A última e mais difícil foi a que escrevi a Paul. Tive medo de morrer asfixiada pela dor que irrompeu em meu peito, tornando quase impossível o simples ato de respirar. Cobrando-me animo fixei meus pensamentos em todo amor que sentia por ele.

Paul,

Sinto muito que você tenha que saber desse jeito sobre minha partida. Mas quero acreditar que será melhor assim. Você me conhece, talvez melhor que eu mesma, e sabe que teria me acovardado se tivesse que lhe dizer essas coisas pessoalmente.

Você foi a única coisa boa que me aconteceu depois que me transformei. Sem você eu teria sucumbido há muito tempo. Sem seu carinho, seu apoio e sua força, eu já teria me voltado louca. Agradeço-lhe por isso.

Para alguns o ato de amar é algo simples, mas para mim não. Amar você foi muito, muito difícil. Não por que você não merecesse, pelo contrário, eu é que não me sinto merecedora de ter alguém como você. Amá-lo como eu o amo, é o que me mantêm viva.

Foi você que tornou possível que meu coração continuasse a bater. Com você descobri coisas novas, como o fato de apreciar o riso de alguém, de poder desfrutar de um simples gesto de carinho, de saborear o aconchego de dormir abraçada depois de fazer amor e a alegria de poder acordar nos braços de quem se quer. Também lhe sou grata por isso.

Mas acima de tudo, agradeço o fato de você ter me recuperado. Eu estive doente por muito tempo, presa em minha dor pelo rompimento inesperado com Sam, deixei que minha mágoa atingisse a outras pessoas afastando-as de mim, mas você não; você ficou ao meu lado, juntou meus cacos e me fez inteira. Me fez perceber que amar não tinha que ser dolorido.

Eu acredito quando você diz que me ama, assim como eu amo você, e é por isso que estou partindo. Sei que você talvez não entenda meu gesto, talvez eu continue sendo só egoísta, mas a verdade é que não posso mais viver assim, não posso seguir uma vida na qual minhas escolhas e sonhos são descartados pelo fato de ser uma mutante.

Não posso viver com a espada do Imprinting rondando minha cabeça o tempo todo, imagine como seria difícil para mim se tivesse que perder você mais a frente. Eu achei que tivesse amado ao Sam, mas agora percebo que foi só uma paixão muito grande, a qual me apeguei por pura infantilidade. Amor mesmo? É o que sinto por você.

È por isso que tenho que ir. Preciso deixá-lo para que você possa viver plenamente sua vida sem que eu atrapalhe. Eu sei que destruiria você ter que me deixar caso viesse a sofrer o Imprinting, sua natureza, amorosa e fiel, travaria uma batalha em seu intimo de tal proporção que o afetaria de maneira irreversível, e eu não posso permitir que isso aconteça.

Desejo que você seja feliz Paul. Desejo que você encontre logo sua escolhida e que vocês vivam felizes, que ela possa lhe dar filhos e um amor tão grande que até mesmo a mera lembrança de meu nome nem passe por sua mente.

Uma vez você me disse que o fato de eu não permitir que você dissesse que me amava, não poderia impedi-lo de sentir, como sempre você tinha razão; o fato de eu não ter dito não me impediu de amá-lo mais e mais a cada dia, e temo que seja assim pra sempre, mas rezo pra que tudo se ajeite e principalmente para que você me esqueça e que possa me perdoar algum dia.

Eu sei o quanto você se preocupa comigo, por isso prometo que irei me cuidar. Não farei nada estúpido ou irracional, em troca peço que você faça o mesmo, peço que você não me procure e que viva plenamente, tente esquecer e dedique-se a ser feliz.

Eu não mudarei de idéia quanto a minha escolha, e sei que você respeitará isso, então só me resta dizer Adeus e boa sorte.

Com amor,

Leah.”

O papel estava manchado pelas lágrimas, mas eu não tinha tempo de reescrever tudo, por isso só o dobrei com cuidado e o beijei antes de colocá-lo no envelope.

Juntei minhas bolsas e as cartas e fui procurar minha mãe, encontrei-a em seu quarto, recostada nos travesseiros com um livro nas mãos. Assim que me viu largou o livro de qualquer jeito sobre a cama e sentou-se.

– O que está acontecendo minha filha? – ela desviou os olhos da mochila pendura no meu ombro e os voltou para mim, cheios de dúvida e temor.

– Estou indo embora mamãe – me aproximei da cama e sentei ao seu lado.

– Embora? Mas por quê? – seus olhos aflitos encheram-se de lágrimas e dor quando viu as cartas entre meus dedos.

– Não posso mais viver assim. Está me matando – minha voz embargada a assustou – Preciso que a senhora confie em mim mãe, eu ficarei bem, só preciso me afastar daqui, por um tempo – disse tentando tranqüilizá-la.

– Mas sua vida toda está aqui meu bem, sua família, seus amigos... Paul – seu olhar benevolente perpassou meu rosto.

– Eu sei de tudo isso. E acredite quando digo que estou morrendo de medo por deixá-los, mas não escolhi isso pra mim, me recuso a ser um lobisomem permanentemente, não quero isso, a senhora consegue entender? – inquiri inconsolável.

– Sim meu amor, eu entendo. Me dói ver você se perdendo a cada dia, mas achei que estar ligada a Paul tinha amenizado seu pesar – ela acariciou o que restou do meu cabelo delicadamente.

– Paul é a única coisa boa disso tudo. Mas não posso mantê-lo preso a mim por medo, seria egoísta e errado fazê-lo me amar tanto sabendo que isso teria um fim. Lembra o que aconteceu quando Sam me deixou? – seus olhos ficaram marejados – Sinto que dessa vez seria muito pior, eu não sei se sobreviveria se Paul me largasse do mesmo modo que Sam o fez – expus meu maior temor e em troca ela me puxou para seus braços.

Nossas lágrimas misturadas eram um alento.

–Não posso impedi-la de partir. Mas preciso que você prometa que irá manter contato, que não me deixará sem saber como você está, e que tão logo você se estabeleça em algum lugar irá me avisar, para que eu possa ir visitá-la quando a saudade se tornar insuportável – exigiu séria.

– Eu prometo mamãe. Obrigada por ser tão boa comigo, por me apoiar e principalmente por me amar tanto – solucei entre as lágrimas.

– Eu confio em você minha filha. A amo imensamente e tudo que mais desejo é vê-la feliz, se para isso tenho que deixá-la partir, então que assim seja – sentenciou – Mas ouça o que lhe digo, nem o tempo nem a distância irão tirar de você o que sente por ele; pode ser que ajude a controlar, mas se for verdadeiro, ele permanecerá aqui – disse tocando meu peito com a ponta dos dedos trêmulos – Assim como pra ele também, por tanto, mantenha sua mente aberta, e não permita que sua dor e medo sejam maiores que seu amor, sempre é tempo de voltar a trás, lembre-se disso – seus olhos buscaram os meus e eu, nunca, em toda minha vida senti um amor maior por minha mãe como naquele momento.

– Lembrarei. Prometo – murmurei.

Ficamos ali abraçadas por incontáveis minutos, até que me afastei e entreguei-lhe as cartas.

– A senhora poderia fazer o favor de entregá-las por mim? – pedi.

– O farei – disse colocando-as sobre o livro para depois pegar minhas mãos nas suas – Agora me diga ao menos, para onde pretende ir, sabe que meu coração de mãe estará oprimido aqui sem saber ao certo o que se passa com você – seu pedido era justo, pena que eu ainda não tinha certeza do que faria a seguir.

– Pretendo ir para o sul, mas ligarei todos os dias, darei noticias e assim que encontrar um lugar definitivo avisarei, prometo – disse confiante.

– Você tem dinheiro? Como vai se virar até lá? – eu sabia que ela estava lutando contra a vontade de me impedir de ir.

– Eu tenho algum dinheiro sim mãe, não se preocupe com isso, agora preciso ir – disse limpando meu rosto e beijando o dela com amor, enquanto nos envolvíamos num abraço apertado.

Eu sentiria tanta a falta dela, que nem poderia se quer começar a pensar. Um medo atroz envolveu meu coração, e por um instante me senti vacilar.

Juntando minhas últimas reservas de força abandonei seus braços e me ergui da cama, juntando a mochila que tinha deixado no chão sorri-lhe em despedida.

– Até mais mamãe. Diga a Seth que sentirei saudades e que o amo. Amo você – meu peito oprimido não me permitia dizer muito mais.

– Amo você minha filha, que Deus ilumine seu caminho e seu coração, e saiba que sempre estarei aqui por você – disse, cobrindo a boca com a mão em seguida, para sufocar um soluço.

Eu deixei que minhas lágrimas escorressem livres antes de beijá-la uma última vez.

E antes de perder a coragem sai do quarto e corri pro meu carro. Joguei minhas coisas no banco traseiro e dei a partida. Inconscientemente dirigi até a casa de Paul, parei por uns minutos e fiquei observando a janela do quarto sobre a garagem. A luz estava acessa e havia movimento, eu podia vislumbrar a silueta dele andando de um lado pro outro, como uma fera enjaulada. Meu coração oprimiu-se dolorosamente, murmurei uma prece para que ele me perdoasse, e sem esperar mais arranquei.

Não sei por quanto tempo dirigi seguindo rumo ao sul, a única coisa da qual estava ciente eram as lágrimas e a dor.

Só agora eu entendia plenamente o que Henri Bordeaux quis dizer com "O amor sem sacrifício é uma ilusão, e o sacrifício sem amor é uma impossibilidade”. Se não fosse por todo o amor que sentia por Paul eu jamais estaria indo embora, jamais teria forças para tentar me encontrar, não me preocuparia com meu amanhã; sem meu amor por ele, eu ainda estaria enterrada em meu processo obsessivo de minha relação com Sam Uley, ainda seria a menina mimada que descarregava em todos sua fúria e seu amargor.

Ele era o meu melhor, e ainda assim eu tinha que fazer o sacrifício de deixá-lo.

Horas depois parei o carro no acostamento, cansada, respirei fundo e fiz minha prece mais fervorosa “Permita Senhor que ele me perdoe, quando eu mesma não posso fazê-lo. Permita que ele seja feliz, ainda que minha felicidade sem ele não exista. Proteja-o de todo mal e principalmente proteja-o de mim”.

Mais reconposta liguei o rádio, a música que tocava ecoou meus sentimentos, sorri tristemente e retomei meu caminho, rumo ao desconhecido.

http://www.youtube.com/watch?v=aPsIHKR7BnY

Para longe de minha antiga vida em La Pusch, longe de minha família, e de tudo o que me era querido até então, mas principalmente para longe do único coração que havia me aceitado tal como sou. E isso era sem dúvida a coisa mais difícil que tive que fazer.

Notas finais
Eu sei, eu sei, vocês estão tristes comigo :( Só peço, POR FAVOR, que vocês tenham em mente que Na natureza, mesmo na dos sentimentos, nada se perde tudo se transforma, por isso tenham paciência, prometo ajeitar as coisas da melhor forma possível. Não me abandonem agora! Amo vocês!
Bom Fim de Semana!
Bjs
K.