She Will Be Loved
9 Not Like The Movies
Notas iniciais
Enjoy (:
Andamos juntos até o refeitório, ignorando os olhares exagerados de todos da escola. Queria poder ler mentes para saber o que estavam pensando, mas só de olhar nos rostos dessa gente já dava para imaginar.
“O que diabos um garoto do quarto ano está fazendo com a irmã desengonçada da menina popular?”
Virei os olhos com esse pensamento.
Entramos na fila da comida mexicana e avistei Lucy sentada em uma mesa com o Ryan. Os dois pareciam bem próximos.
– Qual é a do Ryan com a Lucy? – Perguntei para Justin.
Justin se virou para onde eu estava olhando e sorriu.
– Não tenho ideia, mas conhecendo Ryan como eu conheço... Eu diria que ele gosta da sua amiga. – Justin falou e se virou para mim, ainda sorrindo.
Sorri de volta, ainda encarando seus lábios naturalmente rosados e seus dentes brancos e perfeitos.
– Maninha. – Ouvi a voz da Sophie sair de algum lugar.
Me virei e lá estava ela junto com Anne, carregando sorrisos sarcásticos. Percebi que o sorriso de Justin diminuiu um pouco.
– Sophie, Anne. – Respondi.
Sophie me olhou como se eu fosse um tipo de inseto gosmento preso no vidro dela e depois fez um barulho estranho com a língua.
– Justin, eu pensei que ontem à noite nós íamos estudar álgebra. – Sophie falou enquanto batia os cílios falsamente longos dela. – Fiquei te esperando.
– Foi mal Sophie, eu tive que ir em um jantar idiota com o meu pai e... – Justin começou a falar.
– Não tem problema. – Sophie falou por cima. – Só quero que saiba que mesmo que nosso rolo não tenha dado certo, eu ainda considero você uma pessoamuito próxima.
– Ah... – Justin foi falar algo, claramente constrangido com a situação.
Sophie se aproximou bastante de Justin.
– Muito próxima mesmo. – Sophie falou.
Percebi Sophie meio que esfregar os peitos no Justin. Controlei minha vontade de bater na minha irmã. Bater mesmo.
– Ótimo. – Justin respondeu rápido e depois olhou para o lado. – A fila andou.
Justin desencostou rapidamente de Sophie, quase a fazendo cair. Pegamos os nachos e fomos para mesa de Lucy e Ryan.
– O que de chato estava acontecendo antes da gente chegar? – Justin perguntou divertidamente enquanto colocávamos as bandejas na mesa e sentávamos.
– Ryan estava me contando sobre a Inglaterra e coisa e tal. – Lucy falou. – Estou morrendo de vontade de ir.
Sorri enquanto afundava um nacho no queijo derretido. Antes que eu pudesse enfiar meu nacho na boca, minha mesa começou a lotar de pessoas populares de todos os anos. Até Josh, Sophie, Anne e alguns outros do último ano. Lucy me olhou assustada.
Olhei para Justin, que não parecia surpreso de ter um bando de populares sentados na mesa dele. Bom, esse tipo de coisa – populares de todos os anos sentando na sua mesa, como se fosse um dia tipicamente normal – deve acontecer quando se é bonito e inglês.
Os jogadores de lacrosse falaram comigo como se sempre falassem. Os jogadores de basquete pareciam amigos íntimos de Lucy e Justin e Ryan apenas riam das piadas alheias como... Bom, como se eu e Lucy sempre tivéssemos sentado com aquele grupo.
Acredite em mim, eu nunca sentei na mesa dos populares.
Depois de passar a maior parte do meu tempo completamente incrédula com a minha popularidade instantânea, fui devolver minha bandeja para a tia da comida. Coloquei meu lixo na bancada e caminhei de volta para mesa, ou pelo menos tentei.
Alguém me puxou para o lado. Justin. Sorri enquanto sentia os braços quentes e aconchegantes do castanho me envolverem pela cintura.
– Quer dar uma volta? – Justin perguntou.
Assenti.
Fomos até a quadra de vôlei e sentamos atrás da arquibancada, nos escondendo da inspetora.
Começamos a conversar normalmente, como se ainda fossemos a Charlotte e o Justin que ainda não tinham se beijado. Depois de algum tempo, Justin me beijou.
E de novo a sensação de conto de fadas me invadiu.
Quando paramos por falta de folego, Justin encostou a testa na minha. Permaneci com meus olhos fechados.
– Charlotte... – Justin começou. – Antes que... Isso... Tome o rumo errado, eu acho que preciso te dizer uma coisa.
– Pode falar. – Falei.
– Eu não... Eu não estou procurando por nada sério agora. – Justin falou.
E de novo meu coração virou uma espécie de almondega.
– Tudo bem. – Respondi. – Eu entendo.
Justin se separou de mim e eu abri os olhos. Justin olhava para o chão.
– Eu só não quero que alguém saia machucado nessa história. – Justin falou. – Acho que é importante deixar isso claro desde o começo.
– Está tudo bem. – Falei de novo e respirei fundo.
Justin levantou e me ajudou a levantar de onde estávamos sentados. Voltamos para o refeitório depois disso, sem conversar.
(...)
Acordei com o despertador.
Abri os olhos, meti a mão no meu celular tentando o fazer calar a boca, e bocejei.
Milagrosamente Lucy já estava de pé, se trocando. Levantei, mearrumeie sai do quarto com Lucy. Odeio segunda-feira.
– E como anda você e Ryan? – Perguntei.
– Não anda. – Lucy falou. – Ao contrário de você, quando eu digo que sou só amiga de alguém eu sou só amiga de alguém.
Ri baixo.
Chegamos no prédio das salas de aula e seguimos para nossas classes. Entrei na sala de geografia, sentei no meu lugar de sempre e esperei a professora chegar. Meu celular vibrou e eu o peguei.
“Bom dia, Char.
Bom, vim te informar de que você foi sequestrada – é, de novo – e precisa vir para o meu quarto assim que sua aula de massinha acabar, bebezinha. Por favor, não me mate.
Justin.”
“Bom dia, Justin.
Aula de massinha? Vai se foder. Vou te matar sim, me aguarde.
Charlotte.”
Sorri depois de enviar minha resposta totalmente delicada a Justin.
– Tem alguém sentado aqui? – Um menino perguntou.
Me virei para encará-lo e percebi que era aluno novo.
– Não, pode sentar. – Falei e sorri.
O garoto sorriu de volta, destacando seus olhos azuis. Meu celular vibrou.
“Char,
Vou esperar minha morte. Por que não trás um chicote para me matar? Ia ser bem sexy.
Justin”.
Sorri igual uma idiota enquanto encarava a telinha do celular. A professora entrou fazendo barulho e tudo mais, me fazendo colocar o celular perto da perna para poder mandar mensagens e fingir prestar atenção ao mesmo tempo.
– Vou distribuir as provas. – A professora falou e pegou um pacote de folhas da bolsa dela.
Engoli em seco.
Durante toda a semana, a única coisa que consegui pensar foi no jantar com o pai de Justin, nada mais. A professora ate tinha avisado sobre essa prova, mas eu estava ocupada demais para estudar.
Maravilha.
A professora colocou minha prova do mal na minha mesa e distribuiu para o resto, quando terminou nos avisou para começar. Só de ler a primeira pergunta já senti meu estomago dar um nó forte.
– Revolução Francesa. – Ouvi uma voz masculina depois de algum tempinho na mesma pergunta.
O garoto novo tinha acabado de falar comigo? Melhor do que falar, me dar a resposta?
– Hãn? – Perguntei baixo para a professora não ouvir.
– A resposta da questão um é revolução francesa. – O garoto sussurrou.
– Obrigada. – Sussurrei e coloquei a resposta.
(...)
Bati na porta no quarto de Justin com um pouco mais de força do que o normal.
– Por que está espancando a minha porta? – Ryan abriu logo em seguida, me olhando como se estivesse ofendido. – O que ela fez pra você?
– Ryan, para de graça. – Justin falou de dentro do quarto.
Ryan escancarou a porta, me dando passagem. Entrei no quarto sorrindo amigavelmente para Ryan.
– Quando você disse que ela ia trazer o chicote pra te matar achei que estava brincando. – Ryan falou e se jogou na cama bagunçada dele, colocando fones de ouvido e tirando uma revista de esportes debaixo do travesseiro.
– Ignora ele. – Justin falou. – Como foi a aula?
– Como sempre. – Falei. Justin sorriu divertidamente.
Justin tirou a camisa, sem nem se importar com a minha presença.
– Por que estava esmurrando a porta? – Justin perguntou enquanto jogava a camisa na cama e coçava a nuca.
– Prova de geografia. – Falei. – Longa história.
– Hun. – Justin respondeu. – Fica à vontade, vou tomar banho e já saio. Tenho uma surpresa pra você.
Justin entrou no banheiro e trancou a porta. Sentei na cama de Justin e observei Ryan na cama do lado, fingindo que estava fazendo um solo de bateria com aqueles movimentos estranhos.
Olhei o criado-mudo de Justin e lá estava uma foto de um Justin com mais ou menos seis anos com a mãe. Sorri e peguei o porta-retratos, observando a foto. Uma boa foto, devo dizer.
Eu já tinha visto a mãe de Justin em todos aqueles comerciais e filmes e premiações e outdoors, mas ela estava diferente nessa foto. Eu diria mais calma, como se tivesse saído dos inúmeros papéis que fazia e estivesse sendo apenas... Bom, apenas a mãe do Justin.
Meus pensamentos foram brutalmente interrompidos por som de porta abrindo. Justin saiu do banheiro já de roupa, totalmente cheiroso. Sorri automaticamente.
– Vamos. – Justin falou e fez sinal para porta com a cabeça.
Fomos até a porta e saímos. Justin começou a nos guiar por todo o campus da escola até chegarmos no estacionamento.
– Vamos fugir da escola de novo? – Perguntei. Justin riu.
– Não, vem ver. – Justin falou e andou até o carro dele.
Justin abriu a porta pra mim e lá estava dois lanches do Burger King.
– Eu não sei qual você gosta então peguei o normalzinho. – Justin falou e fechou a porta, correndo para o lado do motorista.
Justin entrou e eu abri meu lanche.
– Eu gosto desse. – Falei. – Valeu.
– Por nada. – Justin falou.
– Como conseguiu essa comida? – Perguntei.
– Eu tenho minhas fontes. – Justin falou e deu uma piscadela. Sorri.
– Eu vi sua foto de quando era pequeno. – Falei e mordi meu lanche. – Aquela do porta-retratos.
Justin deu uma mordida grande no lanche e sorriu sem mostrar os dentes enquanto mastigava.
– Aquela é minha favorita. – Justin falou. – Minha mãe tinha acabado de anunciar que íamos para Disney, eu tinha só sete ou seis anos, era a criança mais feliz da Terra naquele momento.
Sorri.
– Você era fofo. – Falei. – A propósito, sua mãe é linda.
Justin sorriu sem mostrar os dentes de novo.
– Eu sei que ela é linda. – Justin falou e seu sorriso caiu um pouco. – Bem, uma semana depois dessa foto ser tirada, meu pai veio com as boas novas sobre Kira.
– Sinto muito. – Falei.
– Sabe de uma coisa? – Justin perguntou. – Falamos só sobre minha família e nunca falamos sobre a sua.
– Bom, você já conhece a Sophie. – Falei e mordi meu lanche. Justin riu.
– Como era sua mãe? – Justin perguntou.
– Ela era... – Comecei. – Ela era legal.
Justin percebeu que tinha alguma coisa errada.
– Como foi que ela... Você sabe. – Justin falou.
Engoli em seco e mordi o lanche, tentando relaxar.
– Olha, desculpa. – Justin falou – Eu não devia ter tocado no assunto.
– Não, tudo bem. – Falei. – É que... É complicado.
– Acho que posso entender.
– O nome dela era Claire. – Falei. – Ela, eu e Sophie estávamos indo para Nova Iorque para comemorar o aniversário de Sophie. Meu pai ia ficar trabalhando, como sempre. Estavamos indo de carro e, como morávamos em Connecticut, não era um logo trajeto. No caminho, dois assaltantes pararam nosso carro nos mandaram descer. Obedecemos, claro, só que no fim os dois levaram a minha mãe junto. Como você mesmo disse, ela erabonita.
Mordi os lábios.
– Depois de três dias encontraram o corpo dela no Rio Hudson. – Falei. – E demoraram basicamente isso para encontrar eu e Sophie na estrada, sozinhas. Depois disso meu pai nos jogou aqui.
Justin me abraçou de lado enquanto eu fazia esforço para não chorar. Já faz três anos.
– Tudo bem chorar, Charlotte. – Justin falou, basicamente lendo meus pensamentos. – Não deve ser fácil. Eu não consigo nem imaginar uma situação parecida. Eu sinto muito.
Justin depositou um beijo na minha cabeça.
Notas finais
Beijos.
Observação: Voltarei a responder meus reviews! WEEEEE! Enfim, conversem comigo, lindas (:
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