She Falls Asleep
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Annabeth nunca correu na vida como correra quando recebera notícias de seu irmão.
Fazia sete anos, tempo demais, desde que havia tido algum contato com sua família, sendo que quando fora para a mansão dos Jackson, nunca procuraram ir atrás dela, ou preocupar-se com o seu paradeiro. Por mais que doesse na garota como constantes facadas em seu peito, conseguiu lentamente deixar a família na memória com amor preservado e esperança de que estavam bem sem ela, mas certamente não esperava que a velha ferida fosse aberta tão abruptamente. Nunca havia se esquecido de seus pais ou de seus irmãos – de vez em quando até se permitia lembrar-se deles – mas também não esperava que, quando escutasse de algum deles, seria uma tão terrível notícia e numa situação tão inesperada. Em parte, estava animada por depois do que parecia uma vida inteira, finalmente teria um reencontro – ainda que rápido – com algum membro de sua família. Por outro lado, preocupava-se, sendo que o mensageiro havia dito com enorme pressa que Mason estava seriamente machucado.
Enquanto a garota-mulher corria em direção ao porão onde os empregados tentavam em seu melhor cuidar de Mason, milhares de pensamentos voavam por sua mente. Mason sempre havia sido o irmão de quem fora mais próxima, e se perguntava se ele ainda tinha a mesma aparência – cabelos loiros e olhos castanhos, se ainda sempre se metia em confusão – provavelmente sim, já que havia parado lá por ter se machucado, se ele haveria mudado muito, se se lembraria dela como uma boa irmã, se ia querer ao menos falar com ela, se ele poderia lhe trazer notícias de casa...
Desceu as escadas que levavam ao porão com pressa, passando entre alguns criados que lá se encontravam para ajudar. Pediu licença a algumas servas com baldes de água quente nas mãos, e, quando chegou aos fundos do porão, escutou o grito esculachado vindo de seus fundos, um grito tão familiar, tão doloroso que fez com que suas entranhas se revirassem.
- Licença, por favor, por favor! – Annabeth exclamou, enfim passando pela pequena multidão de empregados que lá se encontravam.
Deitado sobre um colchão improvisado de espuma precária e palha ao chão se encontrava o corpo esguio de um menino com não mais de 14 anos, trêmulo. Em sua coxa esquerda havia um enorme corte, profundo e de coloração esverdeada que espirrava sangue contra o torniquete improvisado feito mais próximo de seu joelho. O cheiro que se espalhava pelo porão de chão de pedra era desagradável, mas todos os incômodos evidentes da situação desapareceram para Annabeth quando seus olhos encontraram a face de seu irmão.
Aparentemente, Mason continuava o mesmo: sua pele era levemente bronzeada, era alto, esguio, seus cabelos loiros eternamente bagunçados e olhos castanhos que sempre demonstraram eterna doçura. Quando ele virou-se para encará-la, pode ver a surpresa, felicidade e apreensão nesses seus mesmos olhos, e ela não se apressou em agachar-se ao lado de seu rosto e deixar que suas mãos cuidadosas acariciassem a pele suja de fuligem gentilmente. A maneira com que Mason olhava para ela era como se duvidasse que ela fosse real, como se fosse um anjo, uma visão. A moça, por sua vez, sentia-se também dentro de uma fantasia: há anos já havia se conformado com o fato de que nunca veria nenhum membro de sua família e que eles não viriam procurar por ela. Agora tocava e via-se diante de seu mais querido irmão, e ambos os Chase choravam lágrimas de alegria e de surpresa.
- A-Annie? – Mason gaguejou, e Annabeth sentiu arrepios em sua pele pela maneira familiar que sua voz soava, ainda tão diferente da puberdade, mais grossa, mais masculina.
- Oh, Mason... – Ela abriu um grande sorriso entre lágrimas, agachando-se e pressionando seus lábios contra a testa suja do irmão, deixando que se molhasse um pouco com suas próprias lágrimas. – Eu senti tanto sua falta...
A garota permitiu chorar contra o pescoço do irmão até que o servo curandeiro que trabalhava em sua perna pediu-lhe um momento de silêncio. Ainda assim, Annabeth não soltou a mão de Mason: havia tanto para perguntar, tanto para contar, tantas lágrimas para chorarem e tantos sorrisos para serem dados; ela não pretendia deixar o lado da pequena lembrança de sua família que possuía naquele momento.
XXX
Enquanto o inexperiente curandeiro procurava fazer seu maior esforço na perna machucada de Mason, Annabeth e o irmão permaneceram quietos como túmulos, suas mãos ainda enroscadas uma nas outras. Depois do que pareceram infinitas horas, o corte na perna de Mason ainda estava profundo, apenas um pouco mais limpo. A testa do adolescente queimava numa febre colérica e logo os empregados lá presentes perceberam que a toalha de água fresca pressionada contra a testa de Mason não ajudaria. Além de tudo, a infecção se espalhava pela sua perna com grande rapidez, e havia grande chance que os músculos se gangrenassem, coisa que com facilidade Annabeth já havia percebido: pelos sete anos que morara na mansão dos Jackson, Percy sempre deixara que ela entrasse na biblioteca escondida, e em seu tempo livre lia inúmeros livros, vários deles sobre Medicina, sendo Poseidon o mais renomado médico.
- Esse torniquete só vai aguentar até amanhã de manhã. – O curandeiro informou, delicadamente enfiando mais algumas ervas antibióticas debaixo do torniquete já lotado de sangue coagulado. – O Dr. Jackson está no palácio aos serviços de Vossa Majestade, e retornará de madrugada... Tentaremos chamá-lo pela aurora.
- Pela aurora?! – Annabeth protestou, balançando a cabeça – E tem certeza que esse torniquete vai aguentar até lá? – Olhou para a perna quase perdida de Mason e olhou com grande esperança nos olhos do curandeiro. Sabia que se seu irmão fosse atendido por Poseidon sairia de lá se sentindo bom como novo, mas também compreendia que como o Senhor Jackson se encontrava no palácio, ela deveria ser paciente e deixar que tivesse algumas boas horas de sono.
- Sim, Annabeth. – O curandeiro fez que sim, apertando o braço da moça com simpatia. – Prometo que faremos o possível. Você, jovem, procure descansar. – ele sorriu em direção a Mason antes de levantar-se e deixa-los.
Algumas servas arrumaram uma segunda cama para que Annabeth passasse a noite, já que sabiam que a moça não se atreveria deixar o lado de Mason por ao menos um segundo. Perguntavam-se se Annabeth os deixaria depois de ter notícias da família, se iria preferir retornar ao cafofo de sua família a continuar na mansão dos Jackson, mas de qualquer forma, era muito cedo para que se preocupassem com o paradeiro da doce moça. Os criados deixaram um balde com água fresca, pequenas garrafas de vidro com bebidas refrescantes, alguns panos secos e uma tigela grande de sopa para que Annabeth alimentasse Mason, que deveria passar a noite bem para se recuperar melhor durante a madrugada, assim Poseidon cuidaria ainda melhor dele assim que o sol aparecesse no horizonte.
Enfim, dentre colheradas de sopa, Annabeth conseguiu as respostas para as infinitas perguntas que tivera nos últimos sete anos.
Segundo Mason, Frederick e Atena continuaram juntos, mas não tiveram mais filhos. Aparentemente, haviam se distanciado muito, e nem Mason, nem Atena nem os outros irmãos de Annabeth se dispunham a trocar mais de algumas palavras com o Frederick, e haviam se acostumado com esse ritmo silencioso e eternamente em luto pela irmã vendida como mercadoria. Com o dinheiro que o Sr. Jackson havia entregado a Frederick, a família Chase havia adquirido posse de uma casinha de madeira maior e mais acessível, o que certamente ajudou; após alguns meses de treino e de várias tentativas, Frederick finalmente fora aceito na Guarda Real que patrulhava os vilarejos próximos, permitindo também que houvesse um aumento de salário. No entanto, Mason acreditava que uma renda monetária suficiente e boa para a família nunca compensaria a ausência de Annabeth. Contou-lhe também que John e Kyle, seus irmãos gêmeos de oito anos, estavam quase do tamanho do próprio Mason, só que eram quietos e comportados. Já Giovanni, o caçula, era muito parecido com Mason, levado, mas sempre preocupado com o bem estar de todos. No mesmo ritmo que as palavras saíam da boca do crescido Mason, lágrimas deixavam os olhos de Annabeth, que tinha metade de seu ser consumido por felicidade ao saber que seus queridos irmãos e pais tinham enfim uma vida descente e também por tristeza: Não queria que seus pais houvessem se distanciado, e detestava ser o motivo pelo qual os irmãos não haviam cativado afeto por Frederick. Apesar de ter grande parte de sua curiosidade saciada pelas palavras de seu irmão, novas dúvidas surgiram em sua mente: Deveria visita-los quando Mason saísse da mansão dos Jackson? Percy lhe daria permissão para sair? Ela teria coragem suficiente de pedir permissão para visitar os pais? E, se conseguisse a tal permissão, os pais e os irmãos iriam ao mesmo querer vê-la?
- Acha que... – Annabeth fungou, limpando as últimas de suas lágrimas com a parte de trás da mão. – Acha que gostariam se eu fizesse uma visita? – Ela perguntou quase que timidamente.
- Está brincando?! – Mason questionou, levantando o pescoço, mas rapidamente voltando ao colchão, já que qualquer movimento fazia com que sua perna doesse. – Com certeza. – Sorriu, apertando a mão de Annabeth. – Digo, mamãe e papai mal se falam, mas tenho certeza que na sua presença vão fazer um esforço. John, Kyle e Giovanni vão ficar muito felizes. E... Bom, você não precisa ficar mais aqui, não é mesmo?
- O quê? – Annabeth franziu o cenho às últimas palavras de Mason.
- Agora que sabe onde estamos morando, e papai pode pagar a dívida de sua compra ao Senhor Jackson em parcelas, não há mais motivo para você viver aqui. – Mason retrucou. – Pode ir para casa comigo, arrumar um emprego de verdade, e não viver como serva! Pode encontrar um marido, casar-se, coisas que nunca conseguirá fazer aqui, e...
- Não é assim que funciona, Mason. – Annabeth retrucou gentilmente, passando a mão sobre o cabelo cor de areia do irmão como se ele ainda fosse uma criança. – O senhor Jackson me comprou, e eu tenho um dever aqui, como serva. – Ela disse suavemente. No fundo de sua alma, sabia que Mason estava certo: fora da mansão, ela tinha uma chance maior de realmente possuir um futuro, e Poseidon Jackson era tão bondoso que com certeza ela conseguiria uma licença para sair, o que lhe permitiria morar novamente com a mãe e os irmãos de que tanto sentia falta, reatar o laço afetivo com seu pai, consertar da melhor forma os conflitos entre seus pais... Era realmente tentador.
Mas e seus amigos empregados, que foram sua família adotiva que lhe recebera de braços abertos? E Nico? E Afrodite? O mais importante, e Percy? Fazia dias que não se falavam e a ausência do melhor amigo incomodava profundamente Annabeth, e ela havia lentamente construído sua vida ao redor dele... Como conseguiria deixá-lo, sendo que ele sempre ocupava sua mente e seu coração?
Só de pensar em tal possibilidade Annabeth sentia náuseas, portanto, apenas deu um pouco mais de sopa a Mason e adormeceu ao seu lado, abraçando o torso dele perto do seu como costumava fazer quando eram crianças e dormiam no chão da cabana.
XXX
Como prometido, quando os primeiros raios de sol atingiram o céu, um criado mais próximo de Poseidon o acordou gentilmente pela manhã, dizendo se tratar de um paciente carente que estava muito enfermo e que não podia esperar mais, já que havia passado a noite em agonia esperando pelo médico. O bom doutor acordou de imediato, aprontando-se e levando sua usual maleta com alguns antibióticos e instrumentos. Esperava que Sally não escutasse nenhuma conversa sobre a consulta de emergência; ela detestava quando Poseidon realizava esse tipo de caridade, especialmente com relação a empregados, e não precisava de mais uma reclamação sobre as costas. O Rei havia piorado consideravelmente na última quinzena, o que só servia para trazer mais preocupação a Poseidon e aos conselheiros reais.
Poseidon, no entanto, ficou surpreso quando fora comunicado que o moleque que seria atendido era irmão de Annabeth. Sabia que a moça nunca havia tido nenhum contato com a família desde que fora vendida, e esperava que a estadia breve de seu irmão na mansão enquanto estava sendo atendido não causasse sobre a garota nenhum conflito, coisa que ele acreditava ser inevitável. Annabeth podia ser uma serva, mas Poseidon possuía certo afeto pela moça: Havia passado parte de sua pré-adolescência e sua adolescência na residência dos Jackson, e era extremamente doce e cuidadosa, sempre procurando fazer o melhor para o bem-estar de todos residentes. Imaginava o que Sally pensaria se Annabeth pedisse para deixa-los: Diria que seria uma bênção, já que pelos sete anos que ela residira na mansão, Sally insistiu que Annabeth sempre tirava a concentração de Percy, e que uma serva bonita como ela apenas atrapalharia. Poseidon, por outro lado, achava toda aquela frescura uma baboseira: Não era segredo que Percy e Annabeth eram amigos, e nada mais. Sua amizade era admirada por todos – com exceção de Sally – e mostrava claramente que os dois eram genuinamente próximos independente das restrições morais e sociais.
De maneira ou outra, Poseidon atendeu o moleque – Mason – com sua eterna paciência, removendo o torniquete improvisado de sua perna e aplicando antibióticos com sua seringa de vidro sobre os arredores do machucado, o costurando depois. Deu ao menino uma garrafa de uísque para que tomasse toda a vez que sentisse dor, já que o álcool deixava os membros mais dormentes, menos propensos a sensações desagradáveis. Cerca de duas horas depois, com Annabeth ainda segurando a mão do irmão vorazmente, a perna do garoto estava curada e livre de riscos de amputação, apesar de Mason ainda ter uma leve febre.
- Vai ter de ficar de repouso. – Poseidon fez que sim quando cortou a última sobra de linha da sutura. – Não pode ir a nenhum lugar por enquanto, não com essa perna.
- M-Mas doutor... – Mason protestou em voz baixa, tonto do uísque. – Tenho deveres a cumprir... Trabalho, e...
- Não se preocupe que vamos enviar uma carta aos seus pais. – Poseidon o garantiu enquanto Annabeth o ajudava a lavar os instrumentos lotados de sangue e de doença num balde de água gelada e limpa. – E em dois dias, farei com que uma carruagem leve você até sua moradia. Não poderá caminhar nem fazer muito esforço, não com esse machucado.
Mason eventualmente concordou, visto que não tinha muito como protestar.
Quando Annabeth e o doutor Poseidon haviam terminado de lavar os instrumentos juntos, Annabeth acompanhou o homem até a saída do porão, aonde Mason não podia escutá-los, já que a moça sabia que suas palavras envergonhariam o irmão mais novo, e também, não queria que ele percebesse o quão carinhosa ela podia ser para com as pessoas que a compraram, já que Mason havia expressado claramente não ter afeto por homens e senhores que usavam seu dinheiro para adquirir empregados ao invés de pagar salários justos a estes. Annabeth sabia que Mason estava sendo ingênuo, já que se Poseidon não tivesse tomado posse dela ela seria escrava sexual de Dionísio e constantemente abusada, mas ela não queria que o irmão soubesse que além de querer vendê-la, Frederick iria fazê-lo a um homem imprudente e vil.
- Doutor Jackson. – Annabeth disse numa voz baixa e respeitavelmente fez uma reverência. – Mais uma vez me vejo em grande dívida com o senhor, e... – Olhou para o médico alto e lentamente se levantou, o rosto pegando fogo. – Me pergunto se será em vão lhe oferecer qualquer tipo de retribuição, contudo... Ainda me pergunto, há algo, qualquer coisa que possa fazer por lhe compensar por salvar a vida de meu irmão?
- Está certa, Senhorita Chase, sua pergunta foi em parte em vão. – Poseidon balançou a cabeça com um sorriso, checando o seu relógio de bolso entalhado em ouro e colocando-o de volta no paletó. – Fico feliz em ter ajudado.
Annabeth sorriu com as palavras do médico. Apesar de pensar que sempre seria traumatizada e em certa parte triste por ter sido separada da família por culpa dos próprios pais, agradecia que havia sido hospedada com carinho na moradia de um senhor como Poseidon, que sempre havia sido gentil apesar do pouco contato que tiveram.
Antes que o médico saísse do porão, no entanto, virou-se para trás, e com outro pequeno sorriso, adicionou:
- Há uma coisa que pode fazer. – Ele murmurou com a face pensativa. – Você poderia ficar.
XXX
Logo depois que a perna de Mason fora devidamente tratada por Poseidon, o senhor da mansão pediu que os criados arrumassem um quarto na casa dos empregados para que o garoto pudesse se recuperar por ao menos dois dias antes de seguir viagem. Em serviço, Annabeth procurava ficar longe de Percy, de seu quarto ou de locais que este pudesse estar estudando, já que ainda estava cheia de vergonha e arrependimento e não conseguiria possivelmente conversar com ele; em seus intervalos, a moça ia até o quarto emprestado em que o irmão dormia e normalmente, segurava sua mão pelos mais breves minutos que tinha livre. Algumas vezes, conversavam sobre os últimos sete anos que haviam ficado separados, e, de certa forma, as poucas palavras confortavam Annabeth, de certa forma, e ela hesitava pelo momento em que Mason partiria, e se lembrava do brincalhão e sério pedido de Poseidon para que ela não partisse junto. Sabia que, se ficasse ou se partisse, sentiria dor e sofrimento de maneira ou outra e que cedo ou tarde teria que tomar uma decisão.
No último dia da estadia de Mason na mansão, Annabeth voltava quietamente à casa dos empregados. Era tarde da noite, já que ela havia ficado demasiado concentrada em ajudar uma das empregadas em limpar o mármore do salão de chá da mansão, já que sabia que Sally ficaria muito nervosa se descobrisse a determinada mancha e a casa certamente não precisava de mais gritaria da Sra. Jackson. De forma ou outra, não esperava encontrar Percy ao lado da pequena casa em que os empregados dormiam, as mãos enfiadas no bolso da calça enquanto olhava para o chão. Fazia mais de uma semana que ela não o via, e a imagem dele trouxe o familiar calor ao seu corpo que sempre sentia quando se encaravam. Engoliu em seco, extremamente nervosa enquanto se aproximava. O que ele poderia querer? Pedir desculpas? Ou seria ela quem deveria pedir perdão? Deveria ignorá-lo e voltar para dentro da casa? Milhares de possibilidades passavam pela sua mente, e, pela primeira vez, a menina mais inteligente do reino não sabia adivinhar a resposta certa.
- Annie, aí está você. – Os olhos de Percy encontraram os dela, e mais uma vez Annabeth sentiu um calafrio passar pelo seu corpo. O garoto, por sua vez, parecia cansado, envergonhado e tristonho. – Podemos conversar por um instante? – perguntou em voz baixa.
- Oh. – Annabeth fez que sim, tentando não parecer surpresa. – Certo, tudo bem. – Fez que sim, timidamente se aproximando para mais perto dele, seus joelhos tremendo de antecipação. De certa forma, estava feliz que o lampião pendurado em cada uma das janelas abertas da casa dos empregados o iluminava; sentia falta de ver seu rosto, seu corpo, sua sempre doce expressão.
- Queria pedir desculpas. – Percy murmurou rapidamente após alguns segundos. – Fui rude e mal educado, e certamente não agi como um melhor amigo agiria. – ofereceu um pequeno sorriso, e, diabos, como era bom vê-lo sorrir novamente. Annabeth sentia falta de tudo sobre Percy, incluindo seus olhos ternos e seu inconfundível sorriso; a moça brilhava por dentro, pelas poucas palavras dirigidas a ela, que de certa forma, significavam ter todo o seu mundo trazido de volta a ela. Percy era seu salvador, seu melhor amigo, e ela o amava mais do que pudesse expressar, mas sabia que devia algo a ele também, devia a ele muito mais do que um pedido de desculpas, e sim uma explicação pelos seus atos.
- Eu é quem tenho que pedir perdão. – Annabeth balançou a cabeça, suas bochechas vermelhas de vergonha. – Fui completamente inapropriada, não tinha o direito de fazer o que fiz... Sei que você não é o tipo de homem que... Bom, que... – Ela engasgou com as próprias palavras, olhando para os pés e depois para o rosto dele novamente, que parecia curioso e aliviado ao mesmo tempo. – Que aceita aquele tipo de oferta... Eu sinto muitíssimo... Espero que não me veja diferente... Eu... Também não sou esse tipo de mulher. – Aproximou-se dele de supetão, segurando uma das mãos grandes e máscula deles na dela. – E eu sinto sua falta. Eu só... Só queria que seu presente fosse diferente, dessa vez. Especial, de certa forma... E... Sei que provavelmente você já fez de tudo, é que eu só...
Foi a vez de Annabeth ao ficar surpresa quando Percy lentamente se abaixou e a interrompeu com um beijo; ela já havia feito o mesmo com ele duas vezes, e certamente não esperava que um dia, ele fosse tomar a iniciativa. Sentiu seu corpo derretendo-se quando suas bocas se movimentavam juntas, e foi tomada de tão enorme sensação de paz, sentindo-se tão amada, de certa forma, que pela primeira vez em muito tempo, achava que talvez, tudo ficasse bem.
Poucos ambos sabiam que, de dentro da casa dos empregados, Mason observava e escutava quietamente, e que seus interiores queimavam-se de ira.
Notas finais
O próximo terá uma iniciação hot que todos vocês querem, e também será muito importante.
Gostaria de agradecer MUITO pelos reviews que recebi até agora. Vocês são maravilhosas.
Mais 10 reviews pra eu continuar? :)
Beijos,
Ju
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