She Drives Me Wild
3 Happy Birthday, Ann!
Notas iniciais
Na TV plasma do luxuoso quarto passava justo o filme “In Space”, que o casal deitado e abraçado assistia, entre conversas.
“Falta uma semana para o nosso casamento.” Rosemy desceu os dedos pelo peito liso e nu de Michael, ambos estavam nus. “Parece um sonho!”
“Você está feliz?” Ele olhou-a com um leve sorriso.
“Claro que estou! Eu esperei tanto por isso. Em uma semana o mundo vai calar a boca, nós seremos marido e mulher.”
“Eu não entendo por que eles falam.” Confessou, intrigado. “Eu não entendo a mídia. Há tantos noivados por aí durando anos...”
“Mas esse não é um noivado qualquer, é o noivado do ‘rei do pop’.” Rosemy disse com evidente orgulho. “Meu amor, você é o maior do mundo. Mas de agora em diante, eles só terão que falar bem, só terá notícia boa da nossa parte, verão o quanto a gente se ama.” Beijou-o levemente nos lábios e voltou a encará-lo. “ Você me ama, neh?”
“Claro que eu amo.” Disse, obviamente.
“Eu também amo você”. Sorriu tocando-o no rosto e voltou a beijá-lo.
Seus pés deslizavam pelo salão, o corpo balançava em compassos lentos, seguindo a melodia do piano de “Michael Nyman” tocando “The Promise”, totalmente envolvida na dança.
Era o escape perfeito, para esquecer daqueles pensamentos que se infiltravam na sua mente, tudo o que a incomodava. Por algum motivo, o pensamento que mais se fazia presente era sobre Michael.
Ela pensava nele todos os santos dias desde que ele a visitara, o que já fazia cerca de uma semana. Não queria pensar, aquilo não era bom. Michael estava noivo, podia ser simpático mas não era como se fosse olhar para ela.
Seu salão de ensaio nunca parecera tão pequeno. Era como se as paredes se fechassem ao seu redor. Quando dançava, era como se a música a enchesse e transbordasse, como numa fonte.
Metendo-se em bicos de pés, num balanço, saltou fazendo espragata, antes de trepar os lençois de cetim preto ali dispostos, enrolando-se como um caracol, e depois desdobrando-se como uma borboleta que abria as asas.
Quando, de repente, ouviu palmas. E disparando os olhos azuis em direção da porta quase caiu dos altos ao ver o homem lá parado, com sua gata aos pés.
As mãos ficaram fracas, tremendo o peso de seu corpo, que com muito sacrifício virou-se, ágil, deslizou para o chão. Os pés assentaram no assoalho, mas os sentidos só voaram mais longe, enquanto se mantia segurando os lençois negros, olhando para ele.
“Oi, Ann.”
Ela ofegou, aquela voz... ainda tinha muito efeito sobre ela. Mas em seguida tomou forças de largar-se, virar na direção contrária e caminhar até a garrafa de água deixada perto enquanto soltava a pergunta:
“O que você faz aqui?”
“Eu...”
Ela abriu a garrafa e bebeu, esperando que continuasse, o que não aconteceu até que se voltou olhando-o com interrogação, levando a mão à cintura do seu body preto de camurça que usava com apenas meias-calças arrastão no fundo.
“Vejo que continua dançando lindamente.”
Respirou fundo diante daquelas palavras, e do sorriso que ele agora abria, pegando a toalha deixada perto às colunas com a qual enxugou o suor do rosto, que molhava sua franja, voltando a olhá-lo, agora menos amigável.
“Eu perguntei, o que você veio fazer aqui?”
“Eu... vim te ver. Saber como estás.”
“Não podia bater na porta?” Perguntou, arrependendo-se de não ter trocado a fechadura, ou de não ter trocado de apartamento, ou de não ter trocado de cidade.
“Eu iria, mas... eu não sei, eu ainda tenho a chave...”
“Ok, eu vou mandar trocar a fechadura.” Largou a toalha e voltou-se para ele. “E já me viu, não morri, estou bem, pode ir.”
Elijah estreitou os olhos para ela, mas normalizou como se entendesse. Antes de marcar dois passos para mais perto dela.
“Você tem razão de me tratar assim, Ann. Você deve me odiar e...”
“Eu não te odeio, não tenho tempo para isso. Mas você já fez sua passagem, já viu que estou bem, então pode ir.”
“Ouvir você falar comigo assim, tão friamente... é triste!”
Agora foi a vez dela de estreitar os olhos.
“Triste? Você quer mesmo que eu te diga o que é triste? Triste é você ver uma pessoa mudar diante dos seus olhos e se tornar tudo o que você sempre temeu. Distante, frio, arrogante. E então, se afastar de você por que decidiu ‘seguir outro rumo na vida’. Triste, é uma pessoa que sabe o preço de tudo, e não sabe o valor de nada.”
“Eu me tornei tudo isso para você?” Elijah perguntou, depois de uns segundos de silencio, suas mãos nos quadris cobertos do terno cinzento que usava com camisa branca com os primeiros botões abertos, seu cabelo usualmente penteado para trás.
“Você se tornou em muito pior. Mas agora? Agora você é nada, simplesmente nada. Só alguém que não faz mais parte da minha vida!” Mentiu, com tal segurança que por momentos até ela acreditou na própria mentira.
“Isso não é verdade... além de namorados nós éramos amigos, isso não pode ter morrido, eu não quero que morra. Quero que continuemos sendo amigos!”
“Eu não quero sua amizade!” Gritou, com uma esteria que não era sua. “Pega a sua amizade e enfia no seu cu!” Acrescentou, agradecendo mentalmente pelo fato de que era filha de um rockeiro, pois crescera ouvindo seu pai soltando palavrões o tempo todo.
A expressão de Elijah Burke ficou perplexa e pálida, como se não a reconhecesse, o que era verdade. Namorara com ela por quatro anos e as vezes que a ouvira sequer dizer um palavrão contavam-se nos dedos, e não era algo parecido.
“Eu não acredito que você disse isso.”
“Pois acredite, não quero ser sua amiga. Apenas esqueça que eu existo!”
Elijah a encarou em um momento de silêncio e reflexão, antes de assentir como se falando consigo mesmo, se virar e ir.
Quieta, Annette ouviu-o ir, até que a porta da frente fechou, e soltou a respiração. A pulsação ainda agitada, mas por algum motivo que não compreendia ela se sentia... aliviada?!
Sim, sentia que tinha se livrado de uma carga pesada. Não lhe ocorreu chorar, pelo contrário, foi pegar a caixa das lembranças e desfez-se dela de uma vez, jogando-a no lixo.
Elijah Burke agora estava definitivamente deletado de sua vida!
Era por volta das 10h quando Annette despertou, e teve uma surpresa quando viu a data no calendário: 2/Dezembro/2017, há 30 anos atrás ela estava vindo ao mundo.
Sorriu, procurando nos lençois o telefone que vibrava, atendendo imediatamente ao ver que era a amiga ligando.
“Feliz aniversário, Ann!” Um coro desta junto do marido soou assim que ela atendeu.
“Obrigada. Acreditam que eu tinha esquecido que hoje era meu aniversário?” Sorriu.
“Acredito, você é uma cabeça de vento.” Respondeu Marjorie, zombeteira, e mudou a voz para choramingar. “Ann, minhas pernas estão terrivelmente inflamadas, pareço uma baleia, a doutora disse para eu descansar... mas a gente tem que abrir um champanhe e comemorar.”
“Você não vai tomar champanhe, não.” A voz de Malone, o marido da amiga, ouviu-se, o que fez Annette rir.
“A gente comemora outro di...” Calou-se ao ouvir a campainha tocar na sala. “Estão tocando a campainha, Marjorie, já te ligo.”
“Ok, Ann.”
Annette pulou da cama soltando o telefone, voando para o banheiro. Quem quer que fosse, ela não atenderia antes de ao menos escovar-se.
“Já vai!” Gritou para a insistente campainha, escovando a boca numa velocidade record, e largando tudo saiu enxugando a cara.
Mesmo de calções e blusa de seda azeitonada e chinelos, foi abrir a porta, seu rosto adotando uma expressão inexplicável de surpresa quando viu-os.
“Feliz aniversário!” Gritaram seus pais, um bolo de aniversário cor de rosa sendo posto na frente dos seus olhos.
Embasbacada, Annette sentiu que os olhos se enchiam subitamente de lagrimas, ao olhar da senhora de visual sóbrio, um fato social de tom pastel e sorriso doce, ao senhor de visual pesado como um “senhor do rock”, cabelos compridos, braços tatuados, cheio de couros.
Que saudade tinha deles!
“Mãe! Pai!” Gritou soltando finalmente seu sorriso, lançando-se aos braços do pai primeiro, depois beijando a mãe que era quem segurava o bolo. “Não acredito que estão aqui...”
“Surpresa!” Dona Adelene disse, sorridente.
“Ora, não podíamos perder seu aniversário.” Edmund apertou-a no braço com carinho. “ Seu irmão também está aí.”
Ela olhou através deles, vendo o jovem de 19 anos de estilo emocore que assinava autógrafos para um monte de garotas delirantes ao lado do elevador, esse que se afastou fazendo-as um sinal de paz.
“Ann!” Sharmaine apressou o passo ao vê-la, agarrando-a num abraço, fazendo-a gritar ao girá-la.
“Hey...” Ela ofegou, sorrindo quando a pousou e beijou sua bochecha, amoroso.
“Feliz aniversário, maninha do coração.”
“Obrigada, maninho.” Os olhos dela brilharam como nunca olhando para a família, percebendo que sentira mais saudade deles do que percebera. “Estou muito feliz em vê-los.”
Annette não conseguia parar de sorrir, estando na cozinha com sua mãe, fazendo o almoço, enquanto os homens estavam lá na sala vendo TV.
“Precisa aumentar verduras no seu cardápio, fazem muito bem à saúde. A vida não é lasanha!” Sua mãe dizia, como nutricionista que era, cortando feijões verdes.
“Sim, mãe!” Assentiu Annette, parando de cortar as cenouras para olhá-la com um sorriso emocionado ainda. “Não acredito que vieram mesmo, achei que fosse passar meu aniversário sozinha.”
“Por que sozinha? E Elijah? Aliás, onde ele foi?”
Annette desviou o olhar, sentindo como se tivesse levado um murro no peito. Como contar aquilo?
“Elijah... e eu não estamos mais juntos.” E voltou a cortar as cenouras, sentindo o olhar da mãe sobre ela.
“Como assim não estão mais juntos?” Adelene franziu o olhar, tristeza alcançando-a sem antes perceber o que de certo se passava ao ver que a filha continha lagrimas repentinas. “O que aconteceu, filha?”
“Nada de especial...” Sua voz embargou, as narinas irritadas pelas lagrimas que queriam cair. “Ele apenas decidiu terminar.”
“Oh, querida, eu sinto muito!” Aproximou-lhe, envolvendo-a num abraço ao ver que ela precisava.
“Eu também sinto, mãe. Mas acredito que se não deu certo é por que não era para dar.” Fungou, afastando-se o suficiente para que a mãe lhe visse o rosto, essa que enxugou suas lagrimas.
“Sim, tudo acontece por uma razão. E...” Adelene calou-se ao ouvirem o telefone sobre a mesa tocar, e a deixou pegar.
Annette passou as mãos nas lágrimas, sentindo-se ridiculamente mimosa por estar na presença de sua mãe, antes de atender o número estranho que via chamando.
“Alô.”
“Olá, fala Annette Schoenfeld?”
Ela pensou ter ouvido errado, mas reconheceu aquela voz aveludada rapidamente. Seu coração se acelerando ao responder.
“Sim, sou eu. Michael? É você?”
“Sim.” Ela teve a impressão de ouvir um riso tímido abafado. “Nossa, você reconheceu minha voz! Você está bem?”
“Sim, e você?”
“Bem. Eu peguei seu número com Branca, espero que não se importe.”
“Não, de jeito nenhum!” Sorriu. “Que legal você ter ligado.”
“Que bom que acha isso. É que eu pensei em pedir autorização dessa vez, antes de aparecer em sua casa. Eu tenho a tarde livre e gostaria de vê-la.”
Admiração e emoção dominaram-na ao ouvir aquelas palavras, mas tentou soar natural.
“Olha, na verdade hoje é meu aniversário, e minha família está aqui, vieram me fazer uma surpresa.”
“O quê? Eddie Schoenfeld está aí? Agora é que eu venho mesmo!” Michael parecia emocionado, o que a fez desatar a rir.
“Ok!” Foi o que lhe disse.
Após um banho, Annette regressou à cozinha trajando um vestido simples rubro, com os cabelos macios soltos e leve batom, encontrando a mãe que analizava o frango e voltava a colocar no forno.
“Está quase pronto.” Adelene ficou erecta e analizou a filha. “Está bonita!” E se aproximou, endireitando-lhe a franja.
“Obrigada, mãe.” Annette sorriu, nervosa, por algum motivo que não sabia. Ou bem sabia, estava em pulgas para ver Michael Jackon de novo, não via a hora.
Ficou a meter a mesa, enquanto sua mãe terminava de ver as panelas.
“Cinco pratos? Nós somos quatro! Ou Marjorie vem?”
Olhou-a e meneou a cabeça levemente.
“Não... Marjorie tem as pernas inflamadas por causa da gravidez, ela está no último mês... Mas um amigo meu vem.”
“Que amigo?” Dona Adelene nunca estivera tão curiosa. A julgar pelo rubor nas bochechas da filha e o nervosismo em seus olhos não deveria ser qualquer pessoa.
Mas Annette apenas abriu a boca, antes de ouvirem a campainha lá na sala, seu coração se afundando em nervosismo agora.
“Deve ser ele!”
“Vai abrir, eu termino.” Recebeu-a os talheres, e endireitando o vestido nos quadris Annette disparou-se para fora da cozinha.
Seu coração batia inacreditavelmente agitado, tanto que teve que respirar fundo durante todo o decurso até a porta, passando o pai e o irmão que assistiam “Formula 1”.
“Fuck! Esse cara tomou no cu antes da corrida só pode.”
“Deve ser, pai. Ele está uma maldita bosta hoje!”
Fez uma careta ouvindo os palavrões que eles falavam vendo a corrida, abanando a cabeça antes de se limitar a abrir a porta.
Quando o viu, ela sorriu, e consecutivamente o seu coração.
A camisa azul que Michael usava no fundo se parecia com cetim, que contrastava com o couro da jaqueta escura, acompanhadas de jeans pretas com fivelas nos lados e calçava coturnos. Os cabelos soltos, os olhos e lábios maquilhados.
Divino! Era a única palavra para descrevê-lo.
“Boa noite, Ann.” A voz dele acariciou o ar, fazendo derreter o resto dela que ainda estava sólido.
“Boa noite, Michael. Entra!” Esquivou-se ela.
“Eu tenho algo...” Mostrou ele a garrafa de vinho enfeitada de laços que trazia na mão direita, fazendo-a sorrir mais boba.
“Ah, não precisava.”
“Sim, precisava. Era o mínimo que eu podia trazer, já que eu me convidei sozinho.”
Ela riu e olhou através dele a dúzia de seguranças, saudando com a mão que recebeu o vinho e abriu-lhe passagem.
Acanhado, Michael entrou, seu olhar tímido disparando pela sala enquanto ela fechava a porta, para encontrar os dois homens que tiravam o olhar da TV levando em sua direção.
Quando Annette chegou até ele, se sentiu mais seguro, a medida que se aproximaram.
“Boa noite.” Cumprimentou, ainda com as mãos atrás, seu olhar nervoso tremia, o que Annette achou fofo.
“Boa noite.” Responderam em uníssono, colocando-se em pé.
“Pai... hm... Michael...” Sua voz falhou e ela riu. “Eu não sei como apresentá-los, e acho que não preciso.”
“Eu conheço o senhor, e sou grande fã de sua banda, ‘Schoenfeld Virus’.” Michael estendeu a mão, educadamente, e o homem mais velho apertou com a sua tatuada saindo de uma jaqueta de napa.
“Michael Jackson gosta do meu trabalho, é legal saber.” Deu um sorriso amplo.
“É mais do que gostar, eu sou mesmo fã. Sua música ‘Down To The City’ marcou a minha adolescência.”
“E a sua música ‘Beat It’ também marcou a minha, eu sou seu fã.” Interveio Sharmaine, com evidente admiração.
“Oh, sério?” Riu-se Michael.
“Oh, sim, eu posso dizer. Shay nos fez comprar um casaco igual ao que você usou no clip, e parece que não saía mais do corpo. Depois quis aprender a dançar, mas o rapaz era mais rijo que tábua.” Contou Edmund, zombeteiro.
“Pai, o ‘Michael Jackson’ não precisava saber disso.” Sharmaine disse entre os dentes, encabulado, e riram-se os quatro.
Antes de olharem para a mulher que vinha da cozinha tirando as luvas.
“Está tudo pronto, podemos ir à mesa.” Adelene levantou os olhos e sua expressão adotou admiração ao ver a visita. “Perdão, boa tarde.”
“Michael, ela é a minha mãe.” Annette adiantou, enquanto Michael se aproximava desta.
“Boa tarde, Senhora...”
“Adelene!” Apertou a mão que ele estendeu, dando seu sorriso doce, semelhante ao da filha.
“Senhora Adelene, é um prazer conhecê-la.”
“Digo o mesmo, eu gosto das suas músicas. Foi impossível não gostar quando Ann e Shay tiveram uma febre ‘Michael Jackson’ com o seu album ‘Thriller’, Ann até dançava igual os zumbis do clip.”
“Mãe!” Annette corou enquanto Michael admirava e os demais riam. “Michael não precisava saber disso...”
“Sua vez!” Sharmaine disse lá atrás, e ela se deixou rir sem jeito.
“Melhor irmos para a mesa, a comida vai esfriar.” Desviou-se, por fim.
O clima era agradável enquanto almoçavam. Michael ficou menos tímido do que Annette esperou, e uma felicidade sem igual encheu seu coração vendo como estava a dar-se bem com seu pai e irmão.
“Mike, o meu baterista é que morreria e mataria por você, ele não vai acreditar que eu te conheci pessoalmente.” Contou Sharmaine, levando um pedaço de frango à boca.
“Sério?” Michael sorriu, antes de dar um gole no seu copo de vinho.
‘Como ele é sexy bebendo!’ Pensava consigo Annette.
“É! A gente tem que tirar fotos para eu mostrá-lo, ele vai se matar.” Sharmaine riu.
“Sim, a gente vai tirar fotos.” Michael confirmou, e olhou para Annette que só faltava babar por ele, o que ela tratou de disfarçar.
Abanando levemente a cabeça ao ritmo de “Motorhead” cantando “King Of Kings” (com Triple H) que tocava lá na sala, ela fingiu olhar somente no seu prato de Lasagna.
Depois do almoço, eles tiraram fotos, como uma família feliz, e o coração de Annette estava descontrolado pelo clima que parecia como se ela e Michael fossem um casal. Pior quando ele a tocou na cintura, durante uma foto solo de ambos.
Cantaram-lhe os parabens e quando apagou a vela, ela olhou para Michael pedindo o seu desejo a Deus, que a ocorreu no momento.
‘Desejo amar alguém que não me abandone dessa vez.’
Recebeu presentes de todos, inclusive de Michael, que fez uma ligação e em 10m um segurança grandalhão levou o presente.
“Wow, que lindo!” Esbugalhou ela os olhos vendo o colar de pérolas com rubis que com certeza tinha custado milhões de dolares.
“Você gostou?” Michael mordeu o lábio, como se apreensivo.
“Eu amei, é lindo.” Ela lhe deu um abraço, que apesar de rápido deixou ambos eletrizados.
A ela lhe recordou da dança deles, que não saía da sua cabeça. E a Michael lhe trouxe aconchego e sensações quentes, ele queria mais quando ela se afastou, mas se limitou a sorrir.
“Que bom que gostou. Eu coloco em você!” Ofereceu-se já recebendo-a e sorrindo Annette virou-se, afastando o cabelo do pescoço branco com leves pintas.
Assim ele a fechou o colar, enquanto a família trocava olhares insinuantes.
O sol estava morrendo lá fora, quando dentro do apartamento se encontrava a famíliar imagem de todos cantando.
Seu pai e irmão foram pegar as guitarras no carro num improviso e estavam tocando alguns clássicos do rock, que todos cantavam.
No momento cantavam “P.S: I Love You”, dos “Beatles”, e Michael e Annette entreolhavam-se trocando sorrisos, enquanto ressoavam a canção juntos.
Enquanto escrevo essa carta
Envio meu amor à voce
Lembre-se que eu vou sempre estar apaixonado por você
P.s: Eu amo você
Você, você, você...
“Você mentiu para mim, sua mãe canta sim um dó.” Sussurrou-a Michael ao ouvido, num momento, e ela desatou a rir lembrando do que lhe tivera dito outro dia.
Suspirou. Estava feliz. Sem sombra de dúvidas, aquele era o melhor aniversário que já tivera na vida!
Já passava das oito da noite, e estavam na sala ainda em conversas aleatórias, ao som do ícone “Back In Black, dos AC/DC, quando Sharmaine olhou horas no seu iPhone e levantou.
“Bem, está na minha hora de aproveitar os privilégios da fama, fui convidado para uma festa por aquelas beldades mais cedo, estou indo.”
“Melhor nós irmos já também, baby.” Levantou-se Edmund, seguido pela mulher que lhe estava grudada.
“Ir para onde?” Franziu Annette o semblante.
“Ao hotel, encomendamos uma suíte no Renaissance.” Explicou sua mãe, abraçada ao braço tatuado do marido.
“Mas... eu tenho três quartos aqui, podem ficar.”
“Querida, você precisa de privacidade...” Sua mãe olhou significativamente para Michael e voltou para ela. “E nós também. Vamos para um hotel, amanhã cedo estamos aqui.”
Annette pareceu confusa, mas assentiu.
“Está bem. Até amanhã.”
Os pais beijaram-na, deram apertos de mão a Michael como despedida, ou o pai fê-lo, a mãe deu-lhe um beijo na bochecha também.
Annette levou-os até a porta, e após abraçar a mãe mais uma vez deixou-os ir e fechou a porta.
“O que ela quis dizer com privacidade?” Disparou, voltando para perto de Michael que a encarava.
“Eu não sei... mas ela me olhou sugestivamente. Eu acho que ela está pensando que a gente fará alguma coisa.”
“Ah, sim, ela fez, te olhou como se ‘você’ fosse a ‘privacidade’.” Apesar de falar rápido, Annette não parecia aborrecida. Riu de seguida e balançou a cabeça. “Que bobo achar que a gente vai fazer alguma coisa.”
“Por que bobo?” Michael olhou-a com curiosidade.
“Por que eu disse a ela que somos só amigos, não deveria duvidar.” Caiu no sofá sentada e olhou para ele. “Não está ficando tarde para você também? Neverland fica longe.”
“Por acaso sim. Vou ligar para meu motorista”.
Ligou, virando de costas enquanto conversava com ele, e quando terminou voltou para junto dela, que estava sorridente.
“O que foi? Por que você sorri?”
“Nada, só... esse foi meu melhor aniversário.” Segredou, tocando o colar que ele a dera, no pescoço.
“Isso é bom, é bom ver você feliz.”
“É bom está-lo!” Ficou pensativa de repente.
“O que foi? Por que o sorriso lindo desapareceu?”
“Nada... estava só pensando em algo.”
“O quê?”
“Bobagem!”
“Me conta essa bobagem.”
Ela o fitou admirada com seu interesse e suspirou.
“Sobre o meu ex. Ele apareceu aqui ontem.”
A expressão de Michael ficou dura.
“O que ele queria?”
“Basicamente... ver se eu não morri sem ele. Veio com conversas de ser amigos e essas tretas, mas eu mandei ele para o inferno.”
“Fez bem! Não deixe ele se aproximar, ele quer entrar de novo.” Michael ficava cada vez mais sério.
“Entrar onde?”
“Na sua vida.” Ele suspirou com frustração. “Não lhe dê espaço, ele está começando a se arrepender e logo vai querer você de volta.” Calou-se analizando-a minunciosamente. “Você quer que ele volte ainda, quer?”
“Por que estamos falando disso?”
“Me responda, Ann.”
Ela o encarou. Não havia nenhum resquício do Michael criançola e carinhoso, ele estava duro, impenetrável. Irritado, ela diria.
“Por que isso importa a você?” Intrigou-se.
“Ta, não precisa responder, eu sei a resposta.” Ele cruzou os braços e fechou a cara recostando as costas no cadeirão.
“Eu não quero voltar com ele.” Disse, fazendo-o olhá-la, os olhos agora brilhavam. “Ele me quebrou uma vez, e pode quebrar duas.”
“Sim, isso é sensato. É esse o tipo de pensamento certo.” Michael sorriu, e ela franziu o semblante.
“Por que isso te deixa feliz, Michael?”
“Eu não sei... por que esse babaca não merece você, não merece tê-la.”
“Você nem o conhece.”
“Sim, mas qualquer homem que deixa você não tem um pingo de sensatez.”
“Eu não sou tão incrível assim... tenho lá os meus defeitos.”
“Para mim você é, incrível. E os seus deifeitos são perfeitos.” Disse, desconcertantemente perto dela, e ergueu uma mão para o seu rosto, olhando seus lábios convidativos. “Nenhum homem pode esquecer você depois de tê-la em sua vida, estou tendo provas disso em primeira mão.”
Annette entreabriu a boca, mas não conseguiu falar. A mão dele, enterrando em seus cabelos, o olhar colado no seu, o cheiro doce do perfume dele, o vermelho chamativo dos seus lábios, ela não podia resistir.
Olhou-o, conforme inclinava a cabeça para o lado e tomava-lhe a boca, retribuindo no mesmo segundo enquanto seu corpo funcionava mais depressa em função dos mil nervos que foram rogados para seu interior.
Tocou-o no rosto também, não tendo o suficiente do seu gosto, do seu cheiro, do seu toque... ela queria mais. Tinha fome dele, e Michael tinha um gosto viciante. Céus, ela o queria completo!
Mas subitamente se afastou, seus olhos cheios de paixão olhando-o com contrariedade e algo mais.
“O que estámos fazendo? Não podemos fazer isso!”
Michael tirou a mão entre seus cabelos, de sua nuca, e fitou-a num misto de dúvida e tristeza.
“Você não quer? Não gosta de mim?”
“Não importa o que eu quero, você tem noiva. Não é certo, Michael.”
“Você tem razão, eu estou sendo um infiel.” Ele olhou para frente e voltou a olhá-la, com culpa. “Desculpa ter feito isso... peço que não se aborreça comigo, eu não vou repetir.”
Ela o encarou com aperto no coração. Não estava aborrecida, céus, ela quis tanto. Ou talvez estava, mas não com ele, e sim consigo mesma, por que queria mais.
“Vamos apenas esquecer.” Disse com um sorriso forçado, e o clima tenso foi interrompido pelo toque do telefone.
Era o motorista avisando que tinha chegado, então ele a despediu, deu um beijo desajeitado em sua bochecha e foi. E restou ela, parada, olhando para seu apartamento ligeiramente bagunçado pela comemoração recordando aquele beijo que se reproduzia na sua mente.
Fora tão bom... Deus, claro que ela o queria, claro que gostava dele, até mais do que devia, pois não era certo.
Suspirou, amaldiçoando a tristeza que a invadiu em tê-lo deixado ir embora.
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