She Drives Me Wild

4 Is this Love?


Notas iniciais
Boa leitura!

Pela manhã seguinte, a introdução da música ‘Down To The City’ justo dos “Schoenfeld Virus” irradiou pela sala do seu apartamento quando Annette sentou-se perto do pai pousando a tigela cheia de cubos de gelo.

“Obrigada, querida.” Sorriu-lhe ele, misturando ao seu café com whiskey e dando um trago num cigarro hora descansando no cinzeiro. “Está usando o casaco que lhe dei.”

Annette passou o olhar pelo casaco de couro com pregas e caveiras que estava usando sobre o vestido azul e sorriu depois.

“Eu amei-o.”

“Algures dentro de você... está uma rockeira.” Disse o pai apontando seu peito com o cigarro, antes de dar mais um trago.

Ela apenas sorriu e girou os olhos, pensando em como seu pai parecia querer fazer todo mundo virar rockeiro. Antes de tocar distraidamente o colar em seu pescoço, pensativa.

“Michael é legal, na televisão ele não parece tão legal.” Edmund disse chamando-a de volta a vida e a olhá-lo. “Eu gostei dele.”

“Ele é muito legal!” Concordou, esperando que a voz ou qualquer coisa não denunciasse muita emoção ao falar dele.

“Qual é a coisa entre vocês?” Perguntou, estudando-a.

“Somos bons amigos apenas, por que pai?”

Edmund folgou-se no cadeirão, levantando os ombros.

“Sua mãe me contou acerca do seu término com Elijah. Não tem nada a ver com essa ‘amizade’ com o Rei do Pop?” E fez aspas com os dedos ao mensionar “amizade”.

“Não, eu conheci Michael depois da gente terminar.”

“Ok. Mas e Elijah não fez nada que eu preciso chutar suas bolas?” Sim, o pai realmente perguntou-a aquilo, naturalmente.

O que fez Annette desatar a rir, antes de abanar a cabeça.

“Não, pai, ele não fez. Ele apenas decidiu terminar.”

O pai olhou-a com intriga, como se não estivesse totalmente convencido, mas antes que ela mais pudesse argumentar, Dona Adelene se aproximou vindo da cozinha tomando um chá.

Os três assistiram TV, enquanto não havia nenhum sinal de Sharmaine, até que Edmund atendeu o celular para o seu baixista e foi à varanda falar com ele.

“Então, como foi ontem?”

Annette sentiu a cutucada da mãe e olhou-a com dúvida.

“Foi o quê, mãe?”

“Como o quê? Você e Michael Jackson.” Riu amplamente. “Eu não pedi detalhes, só quero um resumo.”

“Não há resumo nenhum. Mãe, ele está noivo.”

“Mas eu vi como ele olhava para você, e como você olhava para ele. Havia pura paixão, até seu pai comentou comigo.”

“Estão vendo coisas onde não existem. Nós somos bons amigos, Michael é divertido e carinhoso, mas ele é comprometido também, vai se casar no sábado.” E de repente, seu coração se apertou.

No momento tocava uma balada lenta e romântica, também dos “Schoenfeld Virus”, “Roses For You”, uma música que tinha um toque de melancolia, mas ela sabia que não era aquilo.

Pouco a pouco, o fato de que Michael se casaria com outra mulher numa questão de dias começava a pesar, a machucar. Deus, mas ela não tinha nenhum direito, por que aquilo acontecia?

Apenas na sexta-feira sua família foi embora do estado da California, e uma nostalgia a visitou enquanto dirigia seu “Nissan Sentra” de volta a casa, tendo os levado ao aeroporto.

No seu radio tocava “Call On Me”, de Michael, que obviamente a fazia pensar nele, apesar de que ela não precisava daquilo. Eles estavam mantendo contacto, falavam-se todos os dias, ela particularmente não se sentia completa enquanto não ouvisse a voz doce dele.

Vivia sonhando com ele, em abraçá-lo, beijá-lo... e por mais que lembrasse a seu coração todos os dias o quão proibido era se apaixonar por ele, começava a desconfiar seriamente de que ela já estava ferrada.

Bem, se ela tivesse alguma sorte seria só uma paixãozinha passageira, mas algo lhe dizia que era muito mais.

Suspirou, cabisbaixa e triste de repente. Não podia se dar ao luxo de se apaixonar por Michael Jackson. Ele era doce, carinhoso e atencioso, mas era só por que ele estava acostumado a sê-lo, ela não era especial.

E quanto ao beijo... ora, ele se tinha deixado levar pelo calor do momento. Quantas mulheres o cidadão teria beijado na vida? Bem, ela não acreditava que ele fosse um namoradeiro, mas Deus, ele era o ‘rei da pop’, toda e qualquer mulher sã da face da terra o queria.

Mais um suspiro, agora de frustração, e bateu no radio para tirar aquela música que não ajudava em nada, mas a emissora onde foi parar não melhorou muito.

Tocava “Is This Love?” da banda “Whitesnake”, mas ela não conseguiu trocar, percebendo o quanto a letra combinava com os seus sentimentos.

Com apatia, ela recordou que tinha um festival a se apresentar àquela noite, olhando as 15h que marcava o relógio.

Dirigiu mais depressa, optando por desligar o radio de vez. Quando chegou ao apartamento, porém, teve uma surpresa.

Elijah Burke, sentado no seu canapé, que rapidamente levantou, seus olhos encontrando sua expressão de choque. Maldição, ela sabia que deveria ter mandado trocar a fechadura, mas a família a fizera esquecer que era uma prioridade.

“O que você faz aqui?” Sua feição endureceu.

“Oi, Ann. Fico feliz em saber que ainda não mandou trocar a fechadura.”

“E eu arrependida por ter esquecido.”

“Não fale assim.” Levou as mãos nos bolsos do casaco terno e se aproximou dela. “Eu estou aqui para que saiba que não me esqueci do seu aniversário, apenas não estive na cidade.”

“Por mim você teria até esquecido que eu existo, não faz nenhuma diferença.” Deu de ombros.

“Eu sei que faz.” Sorriu ele. “Por isso eu vim, quero levá-la onde quiser, a comprar o que quiser, e podemos ir àquele restaurante que você adorava a Lasanha lá feita...”

“Não, obrigada.” Respondeu cortando a fala entusiástica dele, que fitando-a suspirou, antes de prosseguir.

“Não seja tão dura comigo, Ann.”

“E não estou sendo, apenas realista. Eu já deixei claro que não quero sua amizade, o que há de errado com você?”

“O que há de errado comigo...” Ele hesitou, mas continuou. “Tudo está errado desde que eu deixei você, essa é a verdade. Nenhuma... nenhuma mulher é como você, Ann, sinto sua falta, te quero de volta.”

Annette o encarou inexpressivamente. Talvez por que enquanto ele falava só conseguia pensar que Michael tinha razão, ele estava tentando voltar.

Então deu um sorriso, este amargo e triste, percebendo uma coisa. Alguma coisa tinha mudado dentro dela, ou devesse dizer, tudo. Ela não era a mesma boba que chorara por ele.

“Me quer de volta?” Perguntou com tal sarcasmo que ele desacreditou. “É uma pena, por que eu não posso dizer o mesmo.”

“Por que? Eu sei que te magoei, e sinto muito, mas você ainda me ama e podemos reconstruir...”

“Opah, peraí!” Ela riu, irônica. “Recua aí parceiro, quem disse que eu ainda te amo?”

“Eu sei, eu vejo em teus olhos.”

“Querido, você só pode estar míope, por que, sinceramente, eu superei você. Doeu, sofri, mas... Deus trouxe alguém para mim, para curar todas as minhas dores.” Ela não soube por que, mas pensava em Michael enquanto formulava sua mentira.

“Alguém? Você já está com outra pessoa?” Elijah pareceu chocado e inconformado.

“Já? Meu bem, você me deixou há oito meses, eu perdi é tempo demais.”

“Quem é ele? Eu conheço?” Sua mandíbula estava dura, como se ele quisesse socar em algo.

Mas antes que Annette pudesse responder tocou a campainha. Ela se virou e abriu a porta sem pensar quem podia ser, quando viu quem menos esperava.

O homem com óculos escuros, vestido de camisa de seda púrpura e calças pretas era sem dúvida Michael Jackson.

Seu coração saltou e se instalou no seu estômago, fazendo-a sentir uma mistura de surpresa, emoção, tensão, paixão e coisas que não podia explicar.

“Olá, Ann.”

Ela engoliu em seco, quase fechando os olhos quando aquela voz macia a acariciou, ou quase dando a louca e se jogando nos braços dele, tagarelar tudo o que tinha sonhado com ele e beijá-lo.

Custou se conter, custou fingir que não sentia algo que a consumia até ao osso, na verdade.

“Olá, Michael.”

“Perdão vir sem avisar, eu saio do estúdio... pensei em passar na última da hora.”

“Não tem problema, entre!” Esquivou-se, e ele entrou, encontrando o outro homem em pé que lhe lançou um olhar fulminante.

“Ele?” Elijah não se conteve diante da raiva. “É com ele que você está saindo? Um cara casado?”

Michael franziu o cenho e olhou para Annette que tendo fechado a porta ia até eles.

“Ele não está casado...” Ela não terminou de falar, quando estérico ele a interrompeu.

“Noivo, não importa. Você está sendo segunda? Você acha ‘isso’ melhor do que eu?”

“Você está falando de mim?” Michael cerrou-lhe um olhar grave e depois para Annette. “Ele está falando de mim, Ann?”

“Sim, estou! Não posso acreditar nisso, esse é o cara com quem você está transando? Isso?”

“Olha como fala comigo.” Michael quis avançar um passo, muito irritado, mas Annette o agarrou pelo braço.

“Michael, não.”

“Se enervou? O que você vai fazer, ‘reizinho do pop’?” Provocou Elijah, seus olhos vermelhos de tanta raiva.

“Eu vou ignorá-lo, eu sei que é louco.” Michael olhou-o com desdém, e Annette o soltou para falar ao ex namorado.

“Vai embora daqui, Elijah, você passou dos limites. Está fazendo um papel ridículo!”

“Ridículo eu? Sabe o quanto você parece ridícula sendo amante de um homem comprometido? Inacreditável!” Abanou ele a cabeça e passando-os em passos duros foi embora, fechando a porta com estrondo.

“Que serzinho desprezível, não é possível!” Exclamou Michael quando o barulho cessou, e voltou a olhar Annette, aborrecido. “Por que você o recebeu?”

“Eu esqueci de mandar trocar a fechadura.” Bufou.

“Precisa fazer isso logo!”

“Sim, eu sei disso, você não precisa me lembrar.” Disse com raiva, jogando as chaves do seu carro na mesa e tirando o casaco de couro, dado pelo seu pai, que usava sob um vestido creme curto e sandálias altas.

Michael franziu o semblante diante da grosseria.

“Por que está agindo assim comigo? O que deu em você?”

Ela o olhou, os gritos de seu coração por ele a estavam irritando, e toda aquela situação. Sua resposta foi áspera.

“Não estou me sentindo bem, Michael.”

“Você está naqueles dias?”

Ela se virou, para vê-lo sorrir como uma criança que tinha dito algo proibido, o que ele parou ficando sério.

“Desculpa perguntar, eu suponho que não deveria ter vindo. Melhor eu ir.”

“Não, por favor.” Ela o agarrou no braço quando ia virar-se, seus olhos se encontrando quando repetiu num sussurro. “Por favor, não vá.”

“Mas parece que você não quer a minha companhia, e que eu estou aborrecendo você.”

“Não é verdade.” Ela meneou a cabeça e deu um sorriso. “Sua companhia é sempre agradável, estou aborrecida com Elijah, desculpa ter descontado em você, eu deveria é me desculpar por tê-lo feito ouvir as merdas que ele disse.”

“Sem problema!” Deu de ombros. “Ele quer voltar, não é?”

“É, você tinha razão.” Suspirou o soltando. “Mas ele que esqueça, eu disse a ele que estou apaixonada por outro homem, ele é passado.”

“Você está apaixonada?” Michael pareceu... triste?!

“Eu... temo que sim.”

“Por que você teme? Quem é ele? Outro babaca?”

“Isso é assunto meu, Michael.”

“Mas eu quero saber. Você não vai me dizer, garota?”

“Não, eu não vou. Até por que eu não tenho a certeza.”

“Mas eu sou seu amigo, eu posso saber.”

Ela sorriu de sua cara de injustiçado e abanou a cabeça.

“Esqueça! O que você vai beber?” Perguntou virando em direção a cozinha, mas uma mão em seu braço voltou-a e assustou quando de repente estava nos braços de Michael.

“Eu quero saber quem é ele.” Murmurejou extremamente sério, o rosto tão próximo ao seu que ela nem conseguiu raciocinar direito.

Só sentiu, quando num impulso sua mudez fez com que ele a beijasse. Aquela boca macia e morna tomou a sua, enchendo seu corpo e seu coração de sensações inéditas.

O cérebro queria protestar, mas ela não lhe deu rédeas por um momento. Por um momento, ela só queria retribuir, e fê-lo, com tudo o que sentia e não compreendia.

Antes da chamada que a trouxe a cruel realidade, então o empurrou subitamente pelo peito e o encarou.

“Cara, você vai se casar amanhã...” Começou a protestar, quando ele a interrompeu.

“Eu sei, mas eu não posso evitar fazer isso. Você está me atraindo, garota, você é uma mulher muito interessante.”

“E você é um homem comprometido.” Disse, cética.

“Bem, eu posso me descompremeter.”

“Não fala bobagens.” Disse com amargura, afastando mais dele. “Acho melhor você ir agora, Michael”.

“Está me mandando embora?” Perguntou, desacreditado.

“Eu tenho um festival para atuar essa noite, preciso me preparar, e você vai se casar amanhã, deve fazer o mesmo.”

Michael olhou-a pegar o casaco e a chave.

“Ele vai estar nesse festival?” Perguntou, amargamente.

“Ele quem?” Virou-se franzindo o semblante.

“O cara que você está gostando.”

Annette desviou o olhar, e de volta a ele abanou a cabeça.

“Isso não importa. Por favor, deixa eu ensaiar agora.”

“Está bem, adeus.” Ele ainda se aproximou, depositando-a um beijo na testa, e foi embora enquanto ela lutava para responder um “Adeus, Michael”, mas as lagrimas que se formavam em seus olhos entupiram suas palavras.

Ora, por que chorava?

Obviamente, por que não queria que ele fosse embora. Não queria que tivesse que ir, que um beijo entre eles fosse tão errado, que ele fosse comprometido...

Deus, ela queria tantas coisas impossíveis. Ela “o” queria.

E percebeu, definitivamente, que estava amando-o.

Whitesnake – Is This Love?

Eu descubro que gasto meu tempo esperando sua ligação

Como posso te dizer baby, estou contra a parede

Eu preciso de você do meu lado

Para me dizer que está tudo bem

Pois eu não acho que aguento mais

É amor isso que estou sentindo?

Esse é o amor que estive procurando?

Isso é amor ou estou sonhando?

Isso só pode ser amor

Pois isso realmente toma conta de mim

Eu não posso parar esse sentimento

Já me senti desse jeito, mas com você eu achei a chave

Pra abrir qualquer porta

Eu posso sentir meu amor por você

Ficando mais forte a cada dia que passa...

Michael dirigia seu “Mustang” de vidros fumados para fora da cidade de “Beverly Hills”, rumo ao seu rancho em “Santa Barbara”, “Neverland”, estando ao telefone com seu assessor, John branca.

“Ela está certa, Mike, está sendo sensata.”

“Mas a garota me quer, Branca, eu sei que ela também me quer. E eu a quero tanto... A culpa é sua de ter me dado o endereço.”

Branca riu do outro lado, do habitual jeito do patrão de colocar a culpa de seus atos em outrem.

“Está bem, Mike, a culpa é minha, então me desculpe por ter empurrado você a se interessar pela dançarina acrobata.”

“Isso não melhorou muito.”

“Então o que você quer ouvir?”

“Eu quero soluções.”

“Ok, aqui vai uma solução. Você tem noiva e vai se casar amanhã, esqueça dela.”

Michael abanou a cabeça durante todo o tempo que ele falava, como se pudesse vê-lo, antes de retrucar:

“Como eu posso esquecer? Essa garota tem que ser minha. Ela desperta meus instintos, Branca...”

Michael Jackson – She Drives Me Wild

Ela olhou pra mim

Ela é tão linda

E você sabe muito bem

A garota será minha

Ela teve uma chance

Ela roubou a cena

E você sabe muito bem

Ela vai ceder pra mim (a-ha)

Ela olhou pra mim...

Ela não quer perder tempo...

Ela olhou pra mim...

Ela desperta meus instintos...

Cheguei ao lugar marcado

E acabamos brigando

Você sabe o que eu quero dizer

Palavras quentes na face

Ela olhou pra mim...

Essa garota é minha querida

Ela olhou pra mim...

Ela desperta meus instintos...

Notas finais
Então, o que achou do capítulo? Aguardo comentários. Bjs...