She Drives Me Crazy
18 Capítulo 18 - Quem bate?
Notas iniciais
Bella acordou com a luz do sol e abriu os olhos lentamente, mas quando se mexeu na cama não sentiu a presença dele. Se não estivesse naquele quarto, e completamente nua, pensaria que a noite passada havia sido apenas um sonho. Um sonho muito bom. Ela sentou-se e olhou em direção ao banheiro, contudo não ouviu ninguém.
— Edward? — Ela o chamou, porém não teve resposta.
Ela se enrolou no lençol, levantando da cama, e começou a procurar suas roupas, mas ao ver uma camisa dele no chão, arqueou uma sobrancelha pensativa e sorriu, capturando-a.
Edward estava na cozinha fazendo panquecas, e assim que Bella desceu as escadas o cheiro preencheu suas narinas e fez seu estomago roncar.
— Bom dia. — Ele disse sorrindo e se virando para ela.
— Como me ouviu? — Franziu o cenho surpresa. — Eu não tropecei em nada dessa vez.
— Eu ouvi seu estomago roncar. — Sorriu. — Alguém está com fome. — Concluiu rindo.
— Você tem um ouvido muito bom. — Ela comentou indo em sua direção e quando ele viu como ela estava vestida parou de sorrir imediatamente, seu olhar carregado de desejo percorreu cada centímetro do corpo dela. — Panqueca! — Disse gemendo ao sentir o cheiro da calda de chocolate.
— Alguém gosta de doces. — Mencionou, com o sorriso voltando a seus lábios, servindo um prato cheio para Bella.
— Você está mais do que certo. Eu tenho espírito de formiga. — Ela estava comendo e na primeira garfada, uma coisa – um alguém— passou como um vulto em sua memória fazendo-a arregalar os olhos em choque.
— Algum problema com as panquecas? — Edward perguntou preocupado devido a reação dela.
— Não! Estão ótimas. — Tratou logo de esclarecer. — Fico feliz que seja minha última refeição — continuou com um sorriso nervoso —, já que Alice vai me matar. — Explicou para o olhar inquisitivo de Edward. — Ela deve ter ido me procurar em todos os lugares.
— Bella, devagar, por que ela te mataria?
— Eu sai ontem de manhã e não voltei mais para casa. Parece exagero, mas ela tende a exagerar às vezes. Uma vez eu me atrasei uns quarenta minutos para o jantar que marcamos e ela estava ligando pra polícia para denunciar meu desaparecimento quando cheguei lá. A essa hora ela deve ter checado até os hospitais.
— Você quer ligar para ela? Assim você a mantem informada de que está viva e bem. — Ele a olhou com uma sobrancelha arqueada.
— Você se importa se eu usar seu celular? — Fez uma carinha com um pequeno bico que Edward não conseguiu resistir, se ela descobrisse que teria tudo o que desejasse com aquele semblante ele estaria em grande perigo. — Já que o meu ficou sem bateria. — Explicou. — O que foi ótimo, porque se não tivesse ficado eu teria ligado para o reboque e você não teria me encontrado e eu não teria uma das melhores noites da minha vida e eu estou falando demais. — Sorriu amarelo. — Desculpe.
— Então, sorte a minha que seu celular descarregou e seu carro morreu.
— A Gertrude não morreu. — Cruzou os braços sobre o peito e empinou o queixo. — Ela teve que fazer um descanso. — Rebateu.
— Gertrude? — Ele perguntou com o cenho franzido.
— O nome da minha picape. — Explicou.
— Você deu o nome de Gertrude para o seu carro? — Ele perguntou sem conseguir segurar a risada.
— O que tem de errado com esse nome? — Voltou a abaixar os braços e arqueou uma sobrancelha, o desafiando a responder.
— O que tem de errado? — Repetiu perplexo.
— É um ótimo nome. Vai me dizer que seu carro não tinha um nome?
— É claro que tinha, mas Scott é um nome muito bom.
— Scott?
— O que? Eu gostava de filmes de heróis, e Scott era um ótimo personagem.
— Ai, meu Deus. O nome do seu carro veio dos X-Men e você está falando da Gertrude? — Ela perguntou rindo.
— Você reconheceu a referência. — Apontou-lhe um dedo, acusando-a. — Não pode rir.
— Eu estou rindo porque você é nerd e isso é completamente fofo. — Sorriu se sentindo a sabichona e ele corou. — Como eu não sabia disso? — Ela perguntou e ele deu de ombros entregando o celular para ela.
Ela discou o número já esperando pelos gritos.
— Isabella Marie Swan! Onde é que você se meteu? Onde está o seu celular? Por que não voltou para casa? Por que não ligou antes? Por que...
— Alice! — Bella a interrompeu. — Fica calma.
— Onde você está? Está machucada? E a Gertrude? Eu liguei para a polícia, mas aqueles incompetentes disseram que uma pessoa só é considerada desaparecida depois de 24 horas — vociferou —, vê se pode um absurdo desses? Em 24 horas a pessoas pode ser estuprada, esquartejada e morta! — Indignou-se — Então eu fui até o hospital.
— Alice! Me deixa falar. Eu vou explicar tudo.
— Você quer tirar ela do viva voz? — Edward perguntou querendo dar privacidade para Bella.
— Ela não está no viva voz. — Bella respondeu e ele abriu a boca incapaz de dizer alguma coisa.
— Eu estou bem. Estou na casa do Edward.
— Do Edward? O que você... Ah... Poxa, Bella, podia ter avisado. Eu fui até o IML.
— Alice. — A morena fechou os olhos e respirou fundo, apertando sua fronte com a ponta dos dedos. — Eu já disse que quando uma pessoa não aparece ou se atrasa você não precisa ir até a polícia, hospital ou... IML. — Cuspiu a palavra e Edward segurou o riso.
— Como eu poderia saber? Mas pelo tom da sua voz, aposto que...
— Alice, você já sabe onde estou, agora eu tenho que ir.
— Mande um oi para o ex-odiador de gatos por mim. — Respondeu e Bella desligou.
— Aqui. — Ela entregou o celular para Edward que ainda ria. – Não se atreva a falar um “a”.
— Eu não disse nada. — Jogou as mãos para cima em forma de rendição. — Como soa para você o plano de tomarmos o café da manhã na cama? — Perguntou mudando de assunto.
— Realmente muito bom. — Bella respondeu e, quando ia pegar a bandeja com as panquecas, Edward colocou a mão sobre a dela, impedindo-a.
— Pode deixar. — Ele disse e ela o olhou inquisitiva. — O que? Não queremos acidentes.
— Muito engraçado.
— Eu estou brincando. Você sabe que eu amo você.
— Pra sua sorte, eu também. — Ela disse sorrindo, mostrando que não estava chateada.
Eles subiram e passaram a manhã no quarto entre conversas e brincadeiras.
Edward estava sentado na cama e Bella na sua frente com as costas em seu peito enquanto ele acariciava seu braço. Ele colocou o queixo no ombro dela e suspirou dizendo:
— Desculpa.
— Pelo que? — Ela perguntou se virando para ele. — Se é pela mordida, eu disse que não me importo. Não é como se alguém fosse ver, ela fica escondida. — Argumentou e ele riu, voltando a suspirar.
— Na verdade, não me arrependo da mordida. E não é sobre isso que eu estava falando. Quero me desculpar por não ter te dado chance de se explicar. Não devia ter te mandado embora naquele dia.
— Edward...
— Não. Eu preciso dizer. Eu sinto muito, fui um completo idiota. Eu quase te perdi por que fiquei de orgulho ferido. E o pior foi que eu nem ouvi seu lado. Eu simplesmente te mandei embora. — Umedeceu os lábios. — Eu nem imagino o que isso deve ter feito com você. — Bella estremeceu com as lembranças daquele dia em seu apartamento.
— Não foi bonito de se ver, mas isso não importa. Você está aqui agora. — Ela disse e ele a apertou mais em seus braços.
O celular tocou e Edward olhou no visor.
— Mas acho que você não vai ficar aqui por muito mais tempo...
— Desculpa, eu vou falar com ela e depois desligamos o seu celular. — Bella disse pegando o aparelho e atendendo. — O que foi Alice?
— Bella, eu não queria atrapalhar o... momento de vocês, mas tenho noticias. Sobre Esme.
— Esme? Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou sentindo o medo se espalhar.
— Não. Nada de ruim. — Tranquilizou a prima. — Parece que o tratamento para o qual ela foi escolhida está funcionando. Eu estou indo para o hospital agora.
— Então, quer dizer que ela vai ficar bem? — Bella sentiu as lagrimas nos olhos.
— Sim, Bella. Minha mãe vai ficar bem. — Alice respondeu emocionada.
— Eu... Eu vou para o hospital também, Ali. Quero ver como ela está.
— Tudo bem. Eu nem acredito nisso, Bella. Minha mãe vai ficar bem. — Repetiu sentindo a alegria tomar conta de seu coração.
Elas haviam lutado tanto para que Esme melhorasse, em meio a tantas recaídas a tristeza invadiu suas almas, mas agora a história era outra, a mãe delas finalmente estaria curada, sem batalhas contra a morte, pois Esme vencera a guerra.
— Você está sozinha aí? — Bella perguntou.
— Não. Jass está comigo.
— Jasper?
— Você tinha razão sobre ele, ok? Ele está sendo tão bom para mim. Tem me ajudado tanto.
— Fico feliz por você, Ali. — Sorriu de canto, de certa forma orgulhosa. — Fico mesmo. — Alice merecia ter alguém como Jasper ao seu lado. — Eu só vou passar no apartamento para mudar de roupa e nos encontramos lá.
— Nos vemos em breve então. Um beijo. — Ela disse se despedindo.
— Boas notícias? — Edward perguntou.
— As melhores. O tratamento da minha tia Esme está funcionando. Ela vai ficar bem.
— Que coisa boa, Bella. — Sorriu, feliz pela namorada. — Você vai para o hospital?
— Sim. Você não se importa, não é? Eu volto logo.
— Eu queria poder ir com você, mas....
— Hospitais podem te deixar doente. — Edward tinha a imunidade baixa desde o acidente. — Não se preocupe com isso. — Ela o reconfortou, beijando-o, e em seguida começou a se vestir. — Eu volto assim que puder está bem?
— Está bem.
— Ah, sim! Eu vou chamar o reboque quando eu voltar. Acha que tem problema deixar a Gertrude onde está?
— Não. — Ele disse sorrindo com o nome. — Mas pode deixar que eu chamo o reboque.
— Você é o melhor.
— Eu sei. O que você faria sem mim, não é?
— Eu já disse que você é convencido?
— Hm, deixa eu pensar... — Colocou um dedo no queixo pensativo. — Hoje ainda não. — Concluiu com o sorriso torto.
— Você é muito convencido, mas é um convencido que eu amo muito. — Ela disse o beijando mais uma vez e saindo.
Após o táxi estacionar em frente ao seu prédio, ela entrou em seu apartamento e foi tomar um banho antes de ir para o hospital. Não queria chegar lá cheirando a sexo. Quando ia secar os cabelos ouviu a campainha. Ela não esperava ninguém, talvez fosse o Emmett, pensou, sorrindo com a ideia.
Bella foi até a porta enquanto secava os cabelos com a toalha e quando a abriu e viu quem estava do outro lado, desfez o sorriso e deixou a toalha cair de suas mãos.
— Cha... Charlie?
— Olá, Isabella.
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