She Drives Me Crazy
8 Capítulo 08 - Saindo da casca
Notas iniciais
— Quando aquele seu amigo vai vir? Eu quero minha poltrona inteira de novo.
— Emm está viajando agora, mas eu falei com ele ontem à noite e no começo da semana ele vai vir aqui.
— Só mantenha o gato longe.
— Hum, então não vai mais chama-lo de coisa? — Ela provocou sorrindo.
— Ele não é tão ruim assim.
— Eu sabia. Sabia que você ia gostar dele.
— Eu não gosto dele. Eu só... Não o acho tão ruim.
— Eu tenho uma pergunta.
— Quando você não tem?
— Muito engraçado. Estamos tentando ser amigos, lembra? Amigos fazem perguntas.
— Mas você abusa desse benefício. Tudo bem. Faça a pergunta.
— Você nunca sai?
— Por que eu sairia? Tudo que eu preciso vem até aqui.
— Isso não é um motivo. Não é saudável ficar tanto em casa.
— Esse não é o motivo. Não o total.
— E qual é?
— Lembra sobre os problemas óbvios? — Ele perguntou apontando para a cicatriz. — Sem perguntas sobre isso. Era o combinado.
— Eu não estou perguntando sobre isso. E não acredito que seja pela cicatriz.
— Eu não sei sobre você, mas me incomoda quando as pessoas me encaram e apontam.
— Isso é ridículo.
— Eu pensei que não pudéssemos ofender um ao outro. — Ele rebateu.
— Você não. — Se corrigiu rapidamente. — Eu não estou ofendendo você. — Explicou. — É só que, é besteira não sair por isso.
— Você fala isso porque seu rosto é perfeito.
— O seu também. A cicatriz te dá um ar sexy. — Disse sem pensar e ele arqueou a sobrancelha, sorrindo. — Ok... Foi um comentário inoportuno. Eu falo coisas sem pensar, às vezes. Acostume-se. Agora que o momento constrangedor passou. Que tal dar uma volta?
— E por que eu entraria em um carro com você? Você não me parece a melhor motorista do mundo.
— Sem ofensas, lembra?
— Eu não estou ofendendo. Estou contatando um fato. Ofender seria dizer que você é um perigo para a sociedade. Mas eu não disse isso.
— Tá legal... — Estreitou os olhos. — E eu não sou tão ruim. — Acrescentou.
— Não importa. Não vou sair com você.
— Tá bem. — Ela disse vencida. — O que você quer para o almoço?
— Comida japonesa.
— Ew. — Fez cara de nojo.
— Qual seu problema com comida japonesa?
— Eu não sei você, mas eu gosto dá minha comida muito bem cozida, obrigada.
— Quer dizer que nunca provou?
— Não. Por que eu provaria? Eu acabei de dizer que gosto de comida cozida. Se importa se eu pedir um lanche de outro lugar para mim?
— Não. Me chame quando a comida chegar.
— Está bem. — Bella disse saindo.
Ela pediu o almoço e em seguida foi para a biblioteca. Após alguns minutos a campainha tocou e Bella foi atender.
— Olá. — Ela saudou o entregador, sorrindo. — Chegou rápido.
— Olá, você... — O rapaz devolveu o sorriso. — Eu não sabia que havia novos moradores aqui. Não uma tão bonita. — Acrescentou.
— Já veio aqui? — Perguntou, ignorando a cantada.
— Já. Tinha um cara aqui. Ele era um idiota. Acho que era músico. Se achava muito.
— Quanto dá?
— Se você me der seu telefone é por conta dá casa, gracinha.
— Eu prefiro pagar. — Retrucou fechando a cara.
Era um absurdo, os caras atualmente não tinham um pingo de respeito. Será que é difícil ver uma garota e não sair cantando ela na primeira oportunidade? Nem todas gostam, algumas acham o gesto repugnante.
— 45,90, então.
— Aqui. — Passou o dinheiro para ele. — A propósito, o nome do músico que mora aqui é Edward. E o único idiota aqui é você. — Bella bateu a porta.
Quem esse mané pensava que era? Chegar aqui ofendendo as pessoas.
Bella pegou a comida e levou para a sala.
Depois de arrumar tudo, ela foi até o escritório para chama-lo e ouviu uma música tocando bem baixinho. Ela reconheceu como Debussy e sorriu, abrindo a porta devagar, o fazendo desligar a música.
— Por que desligou?
— A comida chegou? — Respondeu com outra pergunta, desviando o assunto.
— Já. — Ele se levantou com dificuldade e ela o esperou.
Os dois sentaram-se à mesa e ela ficou encarando a comida dele.
— Sua mãe não te ensinou que é feio encarar a comida das pessoas?
— Eu não conheci minha mãe, então não. Mas minha tia me ensinou. Eu que nunca aprendi. — Respondeu de forma petulante, contudo Edward ignorou esse detalhe, já estava acostumado com esse jeitinho dela.
— Não conheceu? — Ele perguntou e ela suspirou.
— Ela morreu quando eu nasci.
— Sinto muito.
— Tudo bem. Vamos deixar isso nos assuntos que não falamos, ok? — Ela pergunta e ele assentiu.
— Aqui. Você tem que provar. — Disse meio sem jeito, empurrando o próprio prato para ela.
— Não tenho, não.
— Não está no seu contrato que você tem que seguir minhas ordens?
— Sim, mas isso é abuso de autoridade. Eu posso processar você, sabia?
— Mas você não vai. — Respondeu, deixando escapar uma risada. — Como sabe que não vai gostar se nunca provou?
— Eu sei que pular de um penhasco me mataria e nunca testei a teoria para saber disso.
— Sempre uma resposta.
— Se você conhecesse a Alice, também seria assim.
— É quem é essa?
— Minha prima, mas fomos criadas juntas, então ela é como se fosse minha irmã.
— Hum. — Refletiu. — Que tal um acordo?
— Que tipo de acordo?
— Eu saio com você. Se... Você provar a comida.
— Isso é jogo sujo.
— Não é, não. Comida japonesa não vai te matar. Você atrás de um volante por outro lado...
— Ei... Eu não sou tão ruim. Eu não levei nem uma multa.
— Desde quando?
— Do começo do mês.
— Estamos na segunda semana do mês. Isso não quer dizer muita coisa.
— Muito engraçado. Está bem. Eu provo. Mas você vai sair comigo e eu não quero desculpas.
— Você é bem mandona para o seu tamanho. Aqui. Prova. — Ele disse oferecendo outra vez seu próprio prato. Ela já ia usar o garfo quando ele a impediu. — Não. Você está fazendo errado. Tem que usar o hashi.
— O garfo foi uma das melhores invenções que criaram. Por que eu comeria com palitinhos?
— Esses são meus termos. Se quiser que eu saia com você, tem que ter a experiência completa.
— Está bem. — Respondeu revirando os olhos. — Essa coisa não para de escapar.
— Porque você está segurando errado. Aqui. — Edward segurou o próprio hashi, o levando até a boca dela. — Se quiser que eu saia o acordo é esse. — Bella fez careta e abriu a boca, recendo a comida e depois mastigando.
— Então?
— Não é tão horrível quanto eu pensava.
— Viu? — Sorriu vitorioso.
— Eu fiz minha parte. Agora você tem que cumprir a sua.
— E para onde vamos? — Perguntou emburrado, desfazendo o sorriso.
— Ei. Sem essa cara. Eu só tenho que fazer umas pesquisas.
— Então não vai me dizer?
— Isso não era parte do trato. Você vai se divertir. Eu prometo.
— Espero não me arrepender.
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